Friday, October 31, 2008

Sobre Obama (e McCain)

The limits to Barack Obama's radicalism, por David Osler:

YESTERDAY the Financial Times - a free market business newspaper not normally considered the voice of the British left - endorsed Barack Obama as ‘the better choice’ for president of the United States. And, compared to John McCain, the only other contender that could possibly win next week, he certainly is that. (...)

As the FT editorial makes plain, president Obama will inevitably disappoint his progressive base of support, both domestically and in other countries. His political DNA makes him organically incapable of the kind of radicalism necessary to tackle racism and poverty, or to disembroil the US from Afghanistan and Iraq, to name but some of the more pressing tasks. (...)

It is a measure of the desperation of the McCain camp that they have unearthed a 2001 radio interview in which Obama makes some mildly redistributionist remarks, and are trying to push the line that this makes him some kind of 'socialist'.

The idea that Obama is some kind of closet dangerous red is patently laughable; if he has ever uttered anything that would put him much to the left of the mildest European centrist, I have yet to hear it.

The thing is, isn’t it a bit ironic to knock Obama for redistributionism on the very day that the Bush administration began to dish out money to the private sector as part of its plan to get the credit markets back on their feet?

As of now, the US government now holds equity in nine banks and is the major shareholder of a formerly private insurance giant AIG. McCain supported the plan; to hear him turn around and attack redistribution will strike many left of centre observers as just that little bit rich.

Estalinismo e russos mortos

Stalinism: why we still need to talk about dead Russians, por David Osler:

The rise of fascism is one of the great themes of twentieth century history, and to affect ‘neutrality’ on the topic would be not only intellectually and morally untenable, but would be - in effect - to take the wrong side.

Similarly, nuances of analysis on the Spanish civil war should of course not debar anybody from joining a leftist political organisation. But it would be strange kind of socialist party that would extend membership to those who felt that the good guys came out on top in that one.

Yet somehow there seems to be something of a blind spot when it comes to Stalinism.(...)

You see, you have to understand that objectively Stalin represents a historically progressive figure, comrade. He defended and even extended proletarian property relations and won the Great Patriotic War, didn’t he? Can’t make an omelette, and all that. (...)

Not to repudiate Stalinism explicitly, then, at best leaves the left open to accusations of double standards, of picking and choosing inconsistently between good and bad totalitarianism. At worst, it is active advocacy of repression.

Thursday, October 30, 2008

Google Blog Search

Sou só eu que acho que o Google Blog Search (suspeito que mais por erro do que por decisão consciente) ficou uma porcaria?

Pensamento Crítico Contemporâneo - 2ª Edição

Tomando como eixo um amplo conjunto de autores contemporâneos e as correntes e sensibilidades que os atravessam, este seminário pretende mapear algumas das principais problemáticas que hoje desafiam um pensamento crítico. Desenrolando-se ao longo de dez sábados, o seminário decorrerá num lugar privilegiado na cidade de Lisboa: a Fábrica de Braço de Prata.

Em cada sábado serão abordados dois autores. Na primeira parte de cada sessão serão apresentadas duas comunicações, que estão a cargo de um conjunto de convidados que vai da Filosofia ao Jornalismo, passando pela História, a Antropologia, a Sociologia, os Estudos Literários e a Musicologia. Na segunda parte haverá oportunidade para debate entre todos os participantes no seminário.


O seminário tem um objectivo introdutório e destina-se ao público em geral, dispensando qualquer tipo de formação académica prévia. Serão disponibilizados materiais de leitura que permitirão uma melhor preparação das sessões e materiais de leitura para que cada pessoa possa posteriormente aprofundar o seu conhecimento sobre os autores e os temas tratados no seminário.


A moderação das sessões estará a cargo dos coordenadores do seminário. Em relação à primeira edição do seminário, esta segunda edição ocupar-nos-á por mais um sábado. Os autores debatidos serão na sua maioria os mesmos que estiveram em foco na primeira edição do seminário, acrescentando-se porém à lista anterior os nomes de T.W.Adorno, André Gorz, Néstor Garcia Canclini e Cornelius Castoriadis.

PREÇO DO CURSO: 25€ | 15€ estudantes do 1º ciclo do Ensino Superior.

No final do seminário, será conferido um certificado de participação a quem solicitar.

Quem pretender apenas inscrever-se numa sessão determinada e não na totalidade do curso, terá que pagar um preço de 4€ por sessão. A inscrição avulsa numa determinada sessão efectua-se no próprio dia, na Fábrica de Braço de Prata, junto ao secretariado do Seminário.



Para ver o programa completo, podem ir, p.ex., aqui.

Os animais têm direitos?

Há quem diga que não, muitas vezes dizendo que os humanos é que têm responsabilidades perante os animais.

Talvez, mas, na prática, dizer "os animais têm direitos" ou dizer "os humanos têm responsabilidades perante os animais" não será exactamente a mesma coisa?

Afinal, se formos ver, os tais "direitos humanos" também não passam de "responsabilidades dos humanos uns perante os outros" - p.ex., grande parte dos defensores dos direitos humanos considera a cadeira eléctrica (e a pena de morte em geral) como "bárbara", mas, quando um humano morre electrocutado por um raio, ninguem chama a isso uma "violação dos direitos humanos" (a menos que outros humanos tenham responsabilidade, por acção ou omissão, nisso).

Wednesday, October 29, 2008

Se uma Guerra pode ser boa para a economia

(e isso é um pensamento discretamente repetido por todo o tipo de kyenesianos de direita mas não só... por exemplo a WWII terá acabado com a Grande Depressão, dizem)

...vamos então fazer uma guerra com todas as "vantagens" e nenhuma das desvantagens:

1. Vamos combinar um confronto Europa versus EUA

2. Cada um dos lados constrói uma frota imensa naval e aérea (subida massiva de impostos e dívida pública, uma economia planificada de guerra é necessário, o desemprego pode baixar para zero dado que a produção tem de ser aumentada e adicionalmente são necessários imensos soldados)

3. Os exércitos navais (de dimensão nunca antes vista) encontram-se no meio do Atlântico.

4. E... em vez de se combaterem provocando mortes desagradáveis...

5. Limitam-se a afundar todos os navios e aviões no meio do atlântico sem provocar uma única morte.

6. Repetir a partir do passo 2 (mas se a Ásia precisar de ajuda, pode-se combinar à vez).

PS: Ideia obtida via o podcast "We Who Dare Say No to War , Lew Rockwell interviews Tom Woods

Fascismo económico...

... surge quando é inevitável ter que escolher quem é ajudado e quem não é. Na Europa e em todo o lado será o mesmo.

U.S. Treasury Shuns Banks That Need Cash Most in $160 Billion Buying Spree Oct. 29 (Bloomberg) -- The U.S. government's $160 billion handout to banks from Niagara Falls to Beverly Hills is going mostly to lenders that need it least, putting weaker rivals at risk of being shut down or taken over, analysts say.

Isto não uma espécie de lock-out?

Lisboa, 29 Out (Lusa) - O presidente da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas (ANPMES) disse hoje que se o primeiro-ministro "insistir" no aumento do salário mínimo, a associação determinará junto dos seus associados a não renovação dos contratos a termo.

"A associação não se vai manifestar, mas vai determinar junto dos associados que não renovem os contratos. O que significa que o primeiro-ministro vai ter um aumento do desemprego", disse Augusto Morais.

O dirigente da associação salientou que o "aumento do desemprego vai levar os trabalhadores a recorrerem ao fundo de desemprego, obrigando o Governo a fazer um orçamento rectificativo", recordando que há em Portugal 43.720 contratos a termo.

A esquerda e Chavez

Ali em baixo, Luis Pedro Coelho escreve:

As coisas vão aquecer na Venezuela.

A esquerda europeía vai garantir que nunca teve nada a ver com
aquilo.

Possivelmente. Mas quando (e se) isso acontecer, acho que será necessário distinguir entre a esquerda que já diz isso actualmente (como a ex-UDP, o Ruptura/FER ou, p.ex., o Daniel Oliveira) da que anda (ou andava até à pouco tempo) entusiasmada com o Alberto João Jardim do mar das Caraíbas "novo Bolivar" (como o PCP, o Mário Soares e mesmo, até certo ponto, o ex-PSR). Os primeiros terão muito mais autoridade para negarem ter algo a ver com o "chavismo" do que os segundos.

[Já agora, o mesmo vale para a direita: quando os "direitistas" dizem que a culpa da crise actual não é nada do liberalismo, mas sim do intervencionismo, dos juros "artificialmente baixos", da "promoção insustentável" da habitação própria, etc., esses argumentos - independentemente de estarem certos ou errados - soam melhor quando vêm de sectores estilo LewRockwell - que há anos andavam a dizer que a crise vinha aí - do que de sectores estilo National Review - que diziam que estava tudo bem]

Lenga, lenga...

Get the latest news satire and funny videos at 236.com.

O voto antecipado nos EUA

FiveThirtyEight.com:

According to Michael McDonald's terrific website, there are three states in which early voting has already exceeded its totals from 2004. These are Georgia, where early voting is already at 180 percent of its 2004 total, Louisiana (169 percent), and North Carolina (129 percent).

Hmm ... can anybody think of something that those three states have in common?

Tuesday, October 28, 2008

Victor Davis Hanson and Christopher Hitchens versus Patrick J. Buchanan

Buchanan nem sequer está presente, VDH e Hitchens podiam fazer a festa, mas sinceramente ganha. (Pelo menos ouve-se Hitchens a dizer que se sabe as a matter of fact que Churchill gostava de guerras e que passou a WWII permanentemente com os copos.)

Uma supreendente entrevista organizada pela Hoover Institution da Standford University, com um entrevistador intelectualmente honesto, o que é raro.



"Victor Davis Hanson and Christopher Hitchens take on the World War II revisionists, focusing first on Patrick J. Buchanan, the author, most recently, of Churchill, Hitler, and the Unnecessary War. They counter the essential claims in Buchanans book that Britains guarantee to protect Poland in the event of a German invasion made the war inevitable; that the Holocaust was a consequence of the war and that, without it, the Holocaust may not have occurred; and that Germany invaded Russia only because Britain under Churchill was determined to partner with Russia against Germany. Finally they address two claims made by author Niall Ferguson that [the Allies] adopted the most brutal tactics of those they were fighting and that the principal beneficiary of the Second World War was Stalins Soviet Union."

Do outro lado: Sarah Palin Supports New 9/11 Investigation

Asked by We Are Change Ohio, “Do you support the family members and first responders who are calling for a new 9/11 investigation?,” Palin responded, “I do.” “I do because I think that helps us get to the point of never again, and if anything that we could do could still complete that reminder out there,” the Alaska Governor added. Palin was aware of the context because she then asked the cameraman if he had been affected by 9/11."  Prison Planet.com

Monday, October 27, 2008

Contra Obama

Hoje apetece-me falar mal do salvador lembrando os presentes que a sua estratégia "sair do Iraque para ir para o Afeganistão" simplesmente não é melhor do que a de Bush. Pessoalmente acho muito pior a presença do Afeganistão onde a NATO está envolvida para transformar uma região que nunca terá um Estado auto-sustentável numa federação suiça. Viver em desertos inóspitos por séculos invadidos por estes e aqueles não confere própriamente
as condições objectivas. As contínuas notícias de morte de X talibans aqui e mais Y talibans acolá já deviam fomentar algum repúdio porque a definição de taliban parecem ser "todos os que a coligação mata". Obama parece achar que o Afeganistão tem uma causa ... mas causa contra quem? Mais depressa podiam ser deixados a si próprios do que aos iraquianos, com muito menos consequências e pelo contrário quanto mais tempo por lá estiverem mais o Paquistão tem a sua estabilidade dificultada, onde alíás Obama quase já prometeu intervir (=bombardear). Ainda por cima vai sentir a necessidade de mostrar que é capaz e tão duro como outro qualquer. Com o risco de ser por causas humanitárias, tipo Kosovo. No.

Sunday, October 26, 2008

Já agora (II)

E o texto anterior (com as suas referencias ao anti-imperialismo do Oeste americano, venha ele de cowboys ou de neo-hippies) fez-me lembrar ainda outro texto, este mais antigo, de Bill Kauffman, My America vs. The Empire:

Facile contemners of President Bush deride him as a "Texas cowboy." If only he were. Alas, President of the World Bush is a deracinated preppie, an Andover yell leader who blamed his first defeat for public office, in a 1978 congressional race, on "provincialism." It seems that the real cowboys were unimpressed by a naughty boarding-school cheerleader who was unable to pronounce correctly the name of the largest city in the district. Young Bush's helpmate, Vice President Cheney of Haliburton, is a man so placeless that once he humbly determined himself to be the most qualified running mate Mr. Bush might have, he had to hop a plane to Wyoming and become an instant citizen of the Equality State so as to avoid violating the pettifogging constitutional clause that effectively prevents President and Vice President from being residents of the same state.

Já agora

O meu post anterior fez-me lembrar um artigo que li ontem sobre os Republicanos estarem, gradualmente, a perder terreno no Oeste (o que, por outro lado, pode vir a por em causa a validade do meu outro post...), nomeadamente esta passagem (onde fala da curiosa mistura de sub-culturas em certas zonas do Oeste):
McCain may also have gotten off to a bad footing in the West because of his hawkish stance on foreign policy. Between the Ron Paul-ish isolationist elements evident in the rural reaches of the West--the region was by far Paul's best for fundraising on a per-capita basis--and the neo-hippie culture still apparent in places like Boulder, Colorado, and Santa Fe, the West has relatively little appetite for foreign entanglements.

EUA, partidos e ambiente (II)

Já o complexo "Ralph Nader + Verdes" tem uma distribuição eleitoral um pouco diferente da de Republicanos e Democratas.

Veja-se os resultados de Nader nas eleições de 2000:


Os resultados de Nader são interessantes: por um lado, temos os lugares do costume - Nova Inglaterra, Costa Oeste, Minnesota/Winscosin e Hawai. Os baixos resultados no Sul (incluindo na Florida, onde, segundo muitos, a candidatura "verde" terá sido responsável pela não eleição de Joe Lieberman para a vice-presidência) também podem ser considerados "do costume".

O que sai do costume: os bons resultados no Colorado, Utah, Montana e Alasca (10% neste ultimo); juntando isto com Washington e Oregon, temos que Nader e os Verdes tiveram (em termos relativos, claro) mesmo bons resultados ao pé da "natureza selvagem" (ou seja, ao contrário dos Republicanos e Democratas, não há grande contradição entre o seu programa e o habitat dos seus eleitores)

Possível explicação (isto é apenas um palpite - não fiz qualquer estudo sobre o assunto): enquanto os eleitores Democratas serão uma mistura de operários fabris, imigrantes e da classe média das grandes cidades, suspeito que entre a esquerda alternativa já haverá uma proporção significativa de indivíduos, provavelmente nascidos na tal classe média das grandes cidades, mas que, a dado dia, decidiram mesmo fazer a bagagem e irem viver para uma casa de madeira (não necessariamente desconfortável) nas Montanhas Rochosas (para quem vive no Barlavento algarvio, é um fenómeno familiar; é só trocar alemães por californianos ou nova-iorquinos).

"Purgatório"

João Pereira Coutinho no Expresso:

"O episódio é interessante porque revela o quadro mental em que a esquerda usualmente chafurda. Creio que foi Roger Scruton quem o resumiu na perfeição: quando um "conservador" critica um "progressista", ele parte do pressuposto que o adversário está errado. O critério é epistemológico, não ético. Mas quando um "progressista" critica um "conservador", o julgamento é moral; e o adversário, um simples inimigo. Naturalmente que existem todas as excepções do mundo. Mas as excepções confirmam a tese: o pluralismo não entra na cabeça de uma esquerda moralista e intolerante. Foi precisamente essa arrogância moral da esquerda, a que se junta uma óbvia falta de sentido de humor, que fizeram de mim uma pessoa à direita."

JPC deve ser das tais excepções que ele fala - é que toda a critica que ele faz à esquerda nesta passagem, incluindo a razão que ele dá para ser de direita (não gostar da "arrogância moral" e da "falta de sentido de humor" da esquerda) é uma critica moral (ele critica a atitude moral das pessoas de esquerda, não a validade ou não das suas ideias).

Ou então esta passagem de JPC desmente-se a ela própria.

EUA, Republicanos, Democratas e ambiente

Nos EUA, parece-me que, por norma, os Democratas são quem mais valoriza a preservação do ambiente, das florestas e rios selvagens, etc. Já os Republicanos tendem a defender o desenvolvimento urbano e industrial (nota: o Earth First foi fundado por veteranos da campanha de Goldwater, mas houve tanto gente que apoiou Goldwater e depois foi para esquerda...).

Assim, é impressão minha, ou Republicanos e Democratas estão empenhados em desenvolver/preservar o habitat natural do adversário?

Esquerda / Direita - estereótipos

Via Matt Jenny (um "anarco-capitalista de esquerda", se é que isso faz sentido):

Academic Discipline:
Sociology, literature, anthropology, law, history [Left]
Economics, engineering, physics, chemistry, computer science [Right]

Eu sou economista, o que me poria na "direita" (não sei se estes estereótipos serão válidos para Portugal - o ISEG é historicamente das faculdades mais à esquerda do país, enquanto as faculdades de Direito até há pouco eram dominadas pelos antigos ministros do Salazar).

Back pack, body piercing (Left)
Attaché case, jewelry (Right)

Eu às vezes uso mochila (esquerda)

Activities and/or Entertainment:
Outdoor: backpacking/canoeing/mountain biking (Left)
Indoor: opera/shopping/eating out (Right)

Dessas, a que eu mais faço é comer fora (direita)

Automobile:
Honda Element or Subaru Outback w/public radio (NPR) bumper stickers, Volvo and Prius, any hybrid car (Left)
Four-wheel drive SUV or pick-up with "Don't Mess with Texas" bumper sticker, and gun rack, Cadillac, Lincoln, Jaguar and Porsche (Right)

Essa é difícil de aplicar a Portugal - imagino que um Renault Clio conte como "esquerda"

Body adornments:
Tattoos (Left)
Ties (Right)

Nem uma coisa nem outra

Child rearing:
Spanking prohibited (Left)
Spanking allowed (Right)

Eu nunca bati nos meus sobrinhos (mesmo quando as minhas irmãs me autorizam), deve contar como "esquerda"

Clothes:
Baggy pants, beads, fringes (Left)
Tight pants, tuxedo, shirt, tie, three piece suit (Right)

Nem uma coisa nem outra (suspeito que o meu estilo de vestir seja o que há 30 anos seria considerado "esquerda").

Clothes bought at:
REI or overpriced boutiques (Left)
Large, undifferentiated chains (Right)

Aqui, tendo para a "direita" (mas, de novo, suspeito que não se aplica a Portugal)

Drugs:
Hookah tobacco, marijuana (Left)
Cigarettes and cigars, wine and spirits (Right)

Normalmente, nem uma coisa nem outra.

Urban chic on the coasts, blue states (Left)
Rural/suburban, flyover country, red states (Right)

O Algarve é um "distrito verde", logo "esquerda" (penso que fora da América do Norte, os subúrbios serão "esquerda")

Education:
Public school, but for private, Waldorf (Left)
Private school, Montessori (Right)

16 anos de escola pública ("esquerda")

Energy Source:
Windmill, water, solar power
Nuclear power, coal, oil

"Esquerda"

Food:
Organic, vegetarian, vegan, French (Left)
Genetically modified, red meat, French fries (Right)

"Direita"


Hair dye:
Purple, blue, green (Left)
Blonde (Right)

Nem uma coisa nem outra

Language:
Use of the F word ok; indeed, almost required
Use of the F word forbidden (at least in mixed company)

"Direita"

Make up:
None (Left)
Rouge, lipstick, eye-shadow (Right)

"Esquerda" (no entanto, não me parece que fosse muito "direitista" eu usar maquilhagem...)

Meeting place:
Coffee shop (Left)
Martini bar or Ale House (Right)

Pode-se considerar "esquerda"

Movies:
Independent, foreign, small budget (Left)
Anything with Arnold Schwarzenegger or Tom Hanks (Right)

Eu gosto de filmes norte-americanos de "baixo orçamento" (adoro os do Roger Corman) mas também dos do Schwarzenegger.

Music:
World, alternative, folk, rap (Left)
Mainstream rock, pop, country, classical (Right)

"esquerda"

Musical instrument:
Guitar (Left)
Violin (Right)

Não toco nenhum

Pets:
Cats (Left)
Dogs (Right)

Gatos ("esquerda") - aliás, um dia ainda eu de escrever um post sobre a minha teoria de que a esquerda é mais individualista que a direita

Political emblem:
Donkey (Left)
Elephant (Right)

Prefiro estrelas a variantes de setas (conta como "esquerda"?)

Political system:
Communism (Left)
Fascism (Right)

Em proporção ao tempo de governo e população abrangida, creio que o comunismo matou menos gente que o fascismo ("esquerda")

Religion:
Recycling, Astrology, Crystals, Socialism (Left)
Catholic/Protestant/Jewish (Right)

O autor original esqueceu-se de pôr "fé na indústria/adoração das chaminés fabris" nas religiões de direita (em contraponto à reciclagem) e também "capitalismo" (face a socialismo). Fora da Califórnia, também me parece que os cristais e a astrologia terão mais a ver com alguma direita lunática (estilo López Rega) do que com a esquerda. De qualquer forma, "esquerda".

Sexual practices:
Free love (Left)
Serial monogamy (Right)

"Direita", apesar de tudo.

Shoes:
Earth shoes, sandals (Left)
High heels, boots (Right)

Nem uma coisa nem outra (acerca dos saltos altos, aplica-se o mesmo que à maquilhagem)

Sports:
Team: soccer, volleyball (Left)
Individual (apart from football): running, swimming, boxing, cock fighting, bull fighting,
guns (Right)

Nadar no Oceano Atlantico ("direita", pelos vistos) - já agora, isto pões em causa a minha teoria de esquerda individualista

Transportation:
Bus, light rail, public transportation, bicycle (Left)
Automobile, toll roads (Right)

Em Portimão, só ando de carro ou a pé; em Lisboa, prefiro transportes

Vacation weekend:
Backpacking a rustic area (Left)
Water parks and cheesy festivals (Right)

"Esquerda"

Assim, temos 12 respostas de esquerda, 7 de direita e 9 indeterminadas. Ou seja, pelos vistos sou um "esquerdista cultural".

Tuesday, October 21, 2008

O ciclo especulativo

"(...)The Great Depression is blamed on "greedy speculators". With artificially low interest rates, it made sense to borrow and buy assets. If interest rates are 2% and inflation is 10%, then borrowing to invest is sensible. Many farmers and small business owners were forced to borrow to expand, to keep up with their competition.

The "greedy speculators" were acting independently in the "free market". The Federal Reserve and negative interest rates were the real culprit. The speculators were following the false signal the Federal Reserve was sending via artificially cheap interest rates.

In 1929, the Federal Reserve insiders decided to jack up interest rates worldwide, causing a depression. The insiders knew what was coming. They stopped issuing loans and converted all their holding to cash.(...)

The insiders had converted their holdings to cash before the crash. After the crash, they were able to buy assets at a huge discount. Since they were unleveraged, they were able to borrow and buy up even more assets at the bottom of the Great Depression.

In 1933, President Roosevelt confiscated everyone's gold, defaulted on the dollar, and declared the USA bankrupt. The dollar was devalued relative to gold, from $20/oz to $35/oz. Since the dollar was no longer redeemable in gold, this allowed a further increase in the money supply. The insiders who borrowed to buy assets at the bottom of the Great Depression were allowed to default on their loans, repaying their debts with devalued dollars. Many loan contracts contained "gold clauses" requiring payment to be increased if the dollar were devalued relative to gold. Congress declared these "gold clauses" invalid, ripping off creditors and providing a massive subsidy to debtors.

In this way, politically connected insiders profited from all three legs of the Great Depression. They profited by borrowing and buying assets at the start of the boom. They were first in line to buy assets with the newly printed money, so they were the primary beneficiaries of inflation. Due to their political connections, they were able to foresee the crash coming. They converted their holdings to cash before the crash. At the bottom of the Depression, they were able to borrow and buy assets at a discount. Later, they were able to default on these loans via inflation; inflation meant these loans could be repaid with devalued dollars.

(...) The Great Depression accomplished several goals. It forced small farmers off their land when they were unable to repay their mortgages. It forced many small businesses to close. It caused the cartelization of many industries. (...)" FSK'S GUIDE TO REALITY (30-04-2008)

Marx e a crise actual

Chris Dillow argumenta que Marx explica pouco a presente crise:

The credit crunch is making Marx fashionable again. Which I find odd. Strictly speaking, this crisis has made Marx less relevant, not more.

Our current crisis is a less Marxist one than almost any post-war recession.

To Marx, crises originated in the real economy. Recessions occur when an over-accumulation of real capital equipment combine with a lack of demand to cause a falling rate of profit and then capital-scrapping, job cuts and slump.

Now, this was a great explanation for previous recessions. The long boom of the 1950s and 60s led to over-accumulation and falling profits and the recessions of the 70s and 80s. The tech bubble of the late 90s caused a massive over-accumulation of capital and nugatory profits. It's this stress upon profits that elevates Marx and his follower such as Kalecki above mere Keynesians.

However, this is a poor description of our current woes. Non-financial profits have been reasonably healthy. Instead, this crisis originates in the financial system.

To Marx, however, finance was not so much a cause of capitalist crises - and for that matter of capitalist growth as well - but a mere accelerant of them. It’s the petrol, not the spark. Credit, he wrote (vol III, p572), “accelerates the violent outbreaks of this contradiction, crises…” Accelerate, note, not cause.

(...)

Of course, I’ve said that this crisis shows that the capitalist mode of ownership is dysfunctional. But I mean this in a different sense to Marx. I mean that individual companies are inefficient. But it’s not clear that Marx thought this. Instead, his big contribution was to show that capitalism was micro efficient but macro inefficient. He showed how individual capitalists, each pursuing profit maximization, could produce an outcome that was bad for capitalists in general - falling profits and crisis. He seems to have taken for granted that individual capitalist enterprises were rationally organized - though this could well have been a postulate for the sake of argument, rather than a direct claim.

A visão austro-libertarian sobre a inflação monetária

Nota: Isto para além de ser a causa dos grandes ciclos económicos e crises bancárias.
Adenda: Por inflação monetária entenda-se a capacidade criar dinheiro pelo sistema bancário, essencialmente para conceder crédito sem captação/mobilização de poupança.

DEFLATION AND LIBERTY, JÖRG GUIDO HÜLSMANN:"(...) It is true that the firms who receive money fresh from the printing press are thereby benefited. But other firms are harmed by the very same fact because they can no longer pay the higher prices for wages and rents that the privileged firm can now pay. And all other owners of money, whether they are entrepreneurs or workers, are harmed too, because their money now has a lower purchasing power than it would otherwise have had.

(...) Inflation is an unjustifiable redistribution of income in favor of those who receive the new money and money titles first, and to the detriment of those who receive them last. In practice the redistribution always works out in favor of the fiat-money producers themselves (whom we misleadingly call “central banks”) and of their partners in the banking sector and at the stock exchange. And of course inflation works out to the advantage of governments and their closest allies in the business world. Inflation is the vehicle through which these individuals and groups enrich themselves, unjustifiably, at the expense of the citizenry at large.

21In this regard, inflation works in an unholy alliance with the tax code. The main advantage of the successful newcomer is that he has high revenues. But present-day corporate and income tax rates effectively prevent him from accumulating capital quickly enough to sustain the competition of the establishment. As a result, there are virtually no more firms that make it from the very bottom into the major league of corporate capitalism. It took a technological revolution to overcome these obstacles and bring a few firms such as Microsoft to the top of corporate America.

(...) If there is any truth to the socialist caricature of capitalism—an economic system that exploits the poor to the benefit of the rich—then this caricature holds true for a capitalist system strangulated by inflation. The relentless influx of paper money makes the wealthy and powerful richer and more powerful than they would be if they depended exclusively on the voluntary support of their fellow citizens. And because it shields the political and economic establishment of the country from the competition emanating from the rest of society, inflation puts a brake on social mobility. The rich stay rich (longer) and the poor stay poor (longer) than they would in a free society."

Prémio Dardos


Der Terrorist a A Terra dos Espantos atribuíram ao Vento Sueste o Prémio Dardos.

Tal implica:

- exibir esta imagem
- linkar o blogue pelo qual recebeu o prémio
- distinguir mais 15 blogues

Lá consegui arranjar 15 blogues:

O Nadir dos Tempos
Spectrum
Causa Liberal
O Blogger de Portimão
Fénix Vermelha
Troll Urbano
Uma Terra sem Amos
19 meses depois
Almareios
Esquerda Republicana
Rabitt's Blog / Mutual Information (conta como 2?)
Despertar da Mente
Idéias Livres
Ação Humana

Monday, October 20, 2008

A Sushi Model of Capital Consumption

Robert P. Murphy "(...) Without further ado, let's examine a hypothetical island economy composed of 100 people, where the only consumption good is rolls of sushi.

The island starts in an initial equilibrium that is indefinitely sustainable. Every day, 25 people row boats out into the water and use nets to catch fish. Another 25 of the islanders go into the paddies to gather rice. Yet another 25 people take rice and fish (collected during the previous day, of course) and make tantalizing sushi rolls. Finally, the remaining 25 of the islanders devote their days to upkeep of the boats and nets. In this way, every day there are a total of (let us say) 500 sushi rolls produced, allowing each islander to eat 5 sushi rolls per day, day in and day out. Not a bad life, really, especially when you consider the ocean view and the absence of Jim Cramer.

But alas, one day Paul Krugman washes onto the beach. After being revived, he surveys the humble economy and starts advising the islanders on how to raise their standard of living to American levels. He shows them the outboard motor (still full of gas) from his shipwreck, and they are intrigued. Being untrained in economics, they find his arguments irresistible and agree to follow his recommendations.

Therefore, the original, sustainable deployment of island workers is altered. Under Krugman's plan for prosperity, 30 islanders take the boats (one with a motor) and nets out to catch fish. Another 30 gather rice from the paddies. A third 30 use the fish and rice to make sushi rolls. In a new twist, 5 of the islanders scour the island for materials necessary to maintain the motor; after all, every day it burns gasoline, and its oil gets dirtier. But of course, all of this only leaves 5 islanders remaining to maintain the boats and nets, which they continue to do every day. (If the reader is curious, Krugman doesn't work in sushi production. He spends his days in a hammock, penning essays that blame the islanders' poverty on the stinginess of the coconut trees.)

"Any talking head on CNBC who doesn't understand capital consumption is going to give horrible policy recommendations."

For a few months, the islanders are convinced that the pale-faced Nobel laureate is a genius. Every day, 606 sushi rolls are produced, meaning that everyone (including Krugman) gets to eat 6 rolls per day, instead of the 5 rolls per day to which they had been accustomed. The islanders believe this increase is due to use of the motor, but really it's mostly due to the rearrangement of tasks. Before, only 25 people were devoted to fishing, rice collection, and sushi preparation. But now, 30 people are devoted to each of these areas. So even without the motor, total daily output of sushi would have increased by 20%, assuming the islanders were equally good at the various jobs, and that there were plenty of fish and rice provided by nature. (In fact, the contribution of the motor was really only the extra 6 rolls necessary to feed Krugman.)

But alas, eventually the reduction in boat and net maintenance begins to affect output. With only 5 islanders devoted to this task, instead of the original 25, something has to give. The nets become more and more frayed over time, and the boats develop small leaks. This means that the 30 fishermen don't return each day with as many fish, because their equipment isn't as good as it used to be. The 30 islanders making sushi are then in a fix, because they now have an imbalance between rice and fish. They start cheating, by putting in smaller pieces of fish into each roll. The islanders continue to get 6 rolls per day, but now each roll has less fish in it. The islanders are furious — except for those who are repulsed by the idea of ingesting raw fish.

Being a trained economist, Krugman knows what to do. He suggests that 2 of the rice workers and 2 of the sushi rollers switch over to help the fishermen. Now with 34 workers, the islanders are able to catch almost as many fish per day as they were in the previous months, even though they are now using tattered nets and dilapidated boats. Krugman — being very sharp with numbers — moved just enough workers so that the fish caught by the 34 islanders matches up perfectly with the rice picked by the remaining 28 islanders who go to the paddies every day. With this amount of fish and rice, the 28 workers in the rolling occupation are able to produce 556 sushi rolls per day. This allows everyone to consume about 5 and a half rolls per day, with a bonus roll left over for Krugman.

The islanders are a bit concerned. When they first followed Krugman's advice, their consumption jumped from 5 rolls to 6 per day. Then when things seemed to be all screwed up, Krugman managed to fix the worst of the discoordination, but still, consumption fell to 5.5 rolls per day. Krugman reminded them that 5.5 was better than 5. He finally got the crowd to disperse by talking about "Cobb-Douglas production functions" and drawing IS-LM curves in the sand.

Because this is a family-friendly website, we will stop our story here. Needless to say, at some point the 5 islanders devoted to net and boat production will decide that they have to cut their losses. Rather than trying to maintain the original fleet of boats and original collection of nets with only 5 workers instead of 25, they will instead focus their efforts on the best 20% of the boats and nets, and keep them in great shape. At that point, it will be physically impossible for the islanders to prop up their daily sushi output. In order just to return to their original, sustainable level of 5 sushi rolls per person per day, the islanders will need to suffer a period of privation where many of them are devoted to net and boat production. (We can only hope that Professor Krugman has been rescued by the Swedes by this time.)

The 5 people looking for ways to synthesize gasoline and motor oil will have to abandon that task, because it was never appropriate for the islanders' primitive capital structure. The islanders will of course discard the motor brought to the island by Krugman once it runs out of gas.

Finally, we predict that during the period of transition, some islanders will have nothing to do. After all, there will already be the maximum needed for catching fish with the usable boats and nets, and there will already be the corresponding number of islanders devoted to rice collection and sushi rolling, given the small daily catch of fish. There would be no point in adding extra islanders to boat and net production, because then they would end up building more than could be sustained in the long run. Hence, the elders rotate 10 people every day, who are allowed to goof off. They could of course go try to catch fish with their bare hands, or go gather rice that would just be eaten in piles by itself, but everyone decides that this is a waste of time. Given the realities, it is decided that during the transition, 10 people get the day off, even though everyone is hungry. That is just how bad Krugman's advice was."

Sunday, October 19, 2008

Re: Quem mente? Os factos ou a ideologia verde?

No Público, vem uma notícia assim: agência norte-americana para os oceanos (NOAA) diz que temperatura no Ártico está seis graus acima do normal, e que isto se deve ao degelo.

Mas, depois, vemos que a realidade diz outra coisa, através do trabalho da Universidade de Bremen. Quem mente? A realidade medida pela Univerdidade de Bremen, ou os modelos futuristas da NOAA?

Se a NOAA estivesse a prever um aumento da temperatura do Ártico e a Universidade de Bremen dissesse que não, o que HR escreve ainda poderia fazer algum sentido - de um lado a teoria (a NOAA) e do outro os factos (a Universidade de Bremen). Mas não é o caso - a NOAA não diz que a temperatura vai aumentar, diz que a temperatura aumentou, isto é, apresenta um facto (não um modelo teórico), tal qual como a Universidade de Bremen.

E, atendendo que, à primeira vista, temos factos discordantes (a NOAA a dizer que a temperatura aumentou, a UB a dizer que não), faz tanto sentido perguntar "Quem mente? Os factos ou a ideologia verde?" como perguntar "Quem mente? Os factos ou a ideologia anti-verde?" - na verdade, a questão deveria ser: "Quem está a apresentar factos errados? A NOAA ou a Universidade de Bremen?" (nota: tecnicamente, a UB - pelo menos, pelo link apresentado - não diz que a temperatura não aumentou, diz que a concentração de gelo aumentou; mas, na prática, vai dar ao mesmo). Será que HR prefere os factos apresentados pela UB aos factos apresentados pela NOAA por confiar mais nas instituições da "velha Europa" do que nas norte-americanas (afinal, não nos esqueçamos que a NOAA é um departamento de um governo controlado pela esquerda radical, que até tem vindo a nacionalizar a banca e a seguradoras)?

Mas será que há mesmo alguma contradição entre o que a NOAA diz e o que a UB diz (pelo menos no tal gráfico que diz que há mais gelo no Ártico a 16 de Outubro de 2008 do que a 16 de Outubro de 2007?

Vamos lá ver o que a NOAA diz no seu relatório:

"Autumn temperatures are at a record 5º C above normal, due to the major loss of sea ice in recent years which allows more solar heating of the ocean. Winter and springtime temperatures remain relatively warm over the entire Arctic, in contrast to the 20th century and consistent with an emerging global warming influence.

The year 2007 was the warmest on record for the Arctic, continuing a general, Arctic-wide warming trend that began in the mid-1960s (...).

The summers of 2005 through 2007 all ended with extensive areas of open water (see sea ice section). This allowed extra heat to be absorbed by the ocean from solar radiation. As a result ice freeze-up occurred later than usual in these years. Surface air temperature (SAT) remained high into the following autumns, with warm anomalies above an unprecedented +5° C during October and November across the central Arctic (...).

The major retreat of sea ice extent during the summer of 2007 was set up by sustained winds blowing from the North Pacific across the North Pole (Fig. A3). These winds contributed to sea ice advection toward the Atlantic sector. Additionally, the advection of warm moist air into the central Arctic contributed to melting sea ice, especially in the Pacific sector. The near record minimum sea ice extent in 2008 was nearly the same as in 2007, but the causes were different. The wind pattern in 2007 was unusually constant throughout the summer, while in 2008 the winds were more variable. Summer winds in 2007 appear to be a once in a decade event, while the atmosphere had less of a contribution to sea ice loss in 2008."

E também:

Satellite-based passive microwave images of the sea ice cover have provided a reliable tool for continuously monitoring changes in the extent of the Arctic ice cover since 1979. During 2008 the summer minimum ice extent, observed in September, reached 4.7 million km2 (Fig. S1, right panel). While slightly above the record minimum of 4.3 million km2, set just a year earlier in September 2007 (Fig. S1, left panel), the 2008 summer minimum further reinforces the strong negative trend in summertime ice extent observed over the past thirty years. At the record minimum in 2007, extent of the sea ice cover was 39% below the long-term average from 1979 to 2000. A longer time series of sea ice extent, derived primarily from operational sea ice charts produced by national ice centers, suggests that the 2007 September ice extent was 50% lower than conditions in the 1950s to the 1970s (Stroeve et al. 2008). The spatial pattern of the 2008 minimum extent was different than in 2007. The 2007 summer retreat of the ice cover was particularly pronounced in the East Siberian and Laptev Seas, the Beaufort Sea, and the Canadian Archipelago. In 2008, there was less loss in the central Arctic, north of the Chukchi and East Siberian Seas and greater loss in the Beaufort, Laptev and Greenland Seas.

Portanto, a NOAA diz que, nos últimos anos, tem havido um degelo e um aumento de temperatura no Ártico, que 2007 foi o ano mais quente e com mais degelo e que 2008 está muito perto das condições de 2007.

Assim, que contradição há entre isto que a NOAA diz e a tal figura postada nos Mitos Climáticos, comparando o gelo em Outubro de 2007 e de 2008?

Em nome da verdade

[Via O país do Burro]


"Deficientes voltam a ter mais benefícios fiscais em 2009" – Agência Financeira.
"Governo reduz impostos para os contribuintes com deficiência em 2009" –
Público
“Deficientes têm redução no IRS” –
Diário Económico
“Orçamento para tentar atenuar efeitos da crise” – TVI

Os títulos são estes, mas a verdade é muito diferente. É preciso divulgar junto da opinião pública o que realmente se passa com os impostos dos trabalhadores portadores de deficiência que, para além da parte do salário real que é levada pela inflação, ainda têm que enfrentar um agravamento fiscal, introduzido em 2007 pelo Governo Sócrates, em nome de uma justiça social que afastou a sociedade das suas responsabilidades de inclusão destes cidadãos.

Imagine se os seus impostos tivessem aumentado assim. E imagine que o que lia nos jornais, o que ouvia nas rádios e o que via nas televisões era o oposto da realidade que estava a viver. Para além de sentir na pele a injustiça de uma medida que limita decisivamente o seu direito à inclusão social, ainda se sentiria usado como propaganda numa campanha em que se diz que os seus direitos foram reforçados.

Os trabalhadores portadores de deficiência não têm assessores de imprensa para fazer títulos de jornal. Por isso contam com a colaboração de todos nós para a divulgação de uma verdade que não consta das notas de imprensa distribuídas pelo Governo, que os média se limitam a republicar: a tributação dos cidadãos portadores de deficiência aumentou em 2007, aumentou novamente em 2008 e ainda vai aumentar mais em 2010. O que o Governo fez foi apenas dar uma trégua de um ano nesse agravamento fiscal e adiá-lo de 2009, ano de eleições, para 2010.

Abaixo da animação seguinte, da responsabiliade do Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência, disponibiliza-se o código html para todos os bloggers que queiram colaborar na divulgação da mensagem nela contida. O apelo de divulgação estende-se a todos aqueles que, não tendo um blog, podem repassar esta mensagem por mail a todos os seus contactos.



Sindicatos e indemnizações

Há alegações de que os sindicatos, quando representam trabalhadores não sindicalizados em processos de falências ou despedimentos, cobram-lhes uma percentagem (consta que 8%) da indemnização recebida. Os sindicatos negam.

No entanto, mesmo que isso fosse verdade, não vejo onde estaria o grande mal (falo em termos morais, não em termos legais): não faria grande sentido que o sindicato fornecesse apoio jurídico gratuito aos não-sindicalizados, em pé de igualdade com os sindicalizados que descontam todos os meses. Parece que o problema é os sindicatos (alegadamente) cobrarem um percentagem de indemnização, em vez de uma tarifa fixa (o que é ilegal, já que contraria as regras da Ordem dos Advogados). Mas, mesmo que isso fosse verdade, se algum de vocês fosse um trabalhador que perdeu o emprego e a recorrer aos tribunais para conseguir um indemnização, como é que preferiam que quem voz desse apoio jurídico (fosse um sindicato ou um advogado) lhes cobrasse? Uma tarifa fixa ou uma percentagem da indemnização que viesse a ser obtida? Eu até preferia a percentagem: pagando uma tarifa fixa, até me arriscava a perder dinheiro se a indemnização viesse a ser baixa.

Claro que há aqui a questão legal: a Ordem proíbe os advogados (e, para efeitos de apoio jurídico, penso que os sindicatos estão equiparados a advogados) de cobrar à percentagem (isso acontece também se eu quiser processar alguma empresa de automóveis por me vender um carro defeituoso ou coisa assim: não posso fazer um acordo com um advogado pagando-lhe 5% do que ganhasse de indemnização). Mas será que essa regra faz algum sentido?

Saturday, October 18, 2008

Analogia apropriada ao momento?

Um ministro do governo britânico, falando acerca do previsível aumento do desemprego, descreve assim os centros de emprego: "As pessoas têm a memória de paredes cheias de papés, muitas filas...; na verdade, agora é bastante parecido com um banco. Bastante orientado para o utente".

Re: A classe e o indivíduo representativo


"E é precisamente esse o erro metodológico mais frequente na economia neoclássica: a EN inicia a sua abordagem assumindo o indivíduo. Este indivíduo tem um conjunto de preferências (gostos entre os vários bens que tem à sua disposição) que são dadas, ou seja, não são explicadas pelo próprio modelo e são assumidas como imutáveis no período de análise. Depois de assumidas estas preferências, o indivíduo enfrenta um conjunto de preços para os bens em causa, que não pode alterar, e assumindo esses preços e as suas preferências ordena as suas compras de modo a tornar o seu bem-estar o maior possível. Esta é a única escolha que o indivíduo faz, e fá-la em total liberdade"

Nesta descrição que LG faz do método neo-clássico, ficaram de fora as dotações iniciais. E é exactamente nas dotações iniciais que as classes sociais (pelo menos, se as definirmos numa base económica) se distinguem. E a EN (economia neo-clássica), ao assumir que as dotações iniciais afectam as escolhas dos individuos, está implicitamente a reconhecer que as escolhas não são feitas em "total liberdade" (independentemente da terminologia que usem).

"Depois, os economistas neoclássicos (incluindo Krugman) consideram que este indivíduo não é apenas um indivíduo como todos nós o conhecemos, mas sim um indivíduo representativo. Este indivíduo, médio, representa o que quisermos: uma classe, um país. A humanidade. O céu é o limite."

Como Luis-Aguir Conrariadisse nos comentários, não há nada na EN que obrigue a se usar um "individuo representativo"; pode-se perfeitamente assumir indivíduos com preferências diferentes - a razão porque muitas vezes se usa o "individuo representativo" é porque dá menos trabalho e, em muitos modelos, não é relevante para os resultados assumir preferências diferentes entre os indivíduos.

"No caso de uma classe, porque a própria escolha do indivíduo não é livre, mas condicionada socialmente. Experimente andar numa escola de meninos bem com ténis da Zara com remendos, ou passear-se por um bairro da Amadora com uma mala Louis Vuitton da última colecção. O indivíduo pode ter um conjunto de preferências próprios, mas não o irá maximizar porque não vive em isolamento. O próprio acto de maximização do bem-estar individual é quanto muito uma característica de uma classe em específico (a alta), e não de todas: nos bairros pobres, haver alguém que anda com um bom carro mas deixa a mulher e os filhos passar fome é visto com desdém, impedindo a sua inclusão o que, para muita gente (mas não para os economistas, aparentemente), é uma coisa má. "

Em primeiro lugar, um aparte: se, como me parece, com "maximização do bem-estar individual" o LG se refere ao individuo não ligar à pressão social nas suas decisões, até me arriscava a dizer que isso será mais uma característica da classe média do que da alta: afinal, se há grupo que tem fama (não sei se o proveito, ou se é apenas um estereótipo) de agir em função da "manada", é exactamente o chamado jet-set.

De qualquer forma, não há nada que impeça que num modelo neo-clássico sejam incluídos também variáveis como "aceitação social", "estar bem com a sua consciência", etc., na "função utilidade".

Por exemplo, se o razão para um individuo querer um determinado bem for o facto de os indivíduos do seu "grupo de referência" possuírem esse bem (qual é a razão para alguêm ir ao Sacha Beach? Pelas pessoas que vão ao Sacha Beach), penso que é facílimo integrar isso num modelo neo-clássico: basicamente, é um caso muito semelhante ao QWERTY, algo que já está há uns 20 anos integrado na EN.

Seja como for, penso que essa questão (a das preferências e da sua origem) até é irrelevante para a questão das classes sociais - mesmo que os indivíduos das várias classes sociais (isto é, com diferentes dotações) tivessem a mesma ordenação de preferências, não era por isso que deixavam de constituir classes distintas, com potencial de conflito entre elas - na verdade, pode-se argumentar que até há mais potencial de "luta de classes" se os indivíduos das várias classes tiverem uma ordenação de preferências semelhante (se tiverem preferências muito diferentes, o resultado talvez até seja mais uma sociedade à Ancien Regime - classes fortemente divididas e cada um "feliz no seu lugar").

"Além deste problema, ao considerarmos um indivíduo representativo uma classe entramos num raciocínio circular: queremos explicar o seu comportamento (escolhas) com as suas preferências, mas estamos implicitamente a assumir que as suas preferências (a sua função utilidade) são ditadas pelo padrão de comportamento (classe social)."

Aqui parece-me que LG está a usar uma definição de "classe social" muito diferente da minha: o que define um individuo como pertencente à classe social A ou B não é o seu "padrão de comportamento", é a sua dotação de factores (isto é, o que ele possui): dois operários, não proprietários dos "meios de produção", pertencem à mesma classe social, mesmo que, nas horas vagas, um vá para a taberna e outro para a biblioteca municipal (e um "pequeno-burguês" que goste de Iron Maiden não passa a ser "operário" por causa disso).

Friday, October 17, 2008

Não havia uma fotografia melhor?

Para ilustrar estaa noticia?



Argumentos a favor das cooperativas (III)


The question is no longer: are dispersed outside shareholders a bad way of organizing firm ownership? That’s clear. Instead, it’s: if publicly quoted firms are in theory so inefficient, why have so many thrived for so long?

This paper (pdf) by Raghuram Rajan and colleagues (via Brad DeLong) gives an answer: it’s because control over chief executives is exercised bottom-up, by key workers, rather than top-down, from shareholders.

Imagine a selfish CEO approaching retirement. He wants to get as much cash out of the firm as he can, and shareholders provide no discipline over him. Sounds like a recipe for catastrophe?

Not necessarily. In order to maximize revenues, and hence his own opportunities for rent extraction, the CEO needs his subordinates to work hard. But they won’t do this if they think the CEO is out only to maximize his own short-term rewards at the expense of the health of the company, because they‘ll believe the firm has no future.

In order to motivate them, he’ll have to invest in growing the firm, to give key employees the hope of big rewards in the future. In this way, even a selfish, short-termist CEO can be coerced into acting in the long-term interests of the firm.

And efforts to increase shareholders rights - say by paying big dividends or by getting more activist owners - might be counter-productive. Subordinates’ might reduce their effort if they think shareholders are depressing growth prospects. And shareholder control over a CEO might be a poor substitute for de facto workers’ control, as the latter know more about the firm.

(...)

There is, though, an obvious question here. If quoted firms thrive to the extent that they act a little like co-ops - by giving (some) employees (some) de facto control, why shouldn’t this arrangement be extend and formalized?

O problema com o Magalhães

Eu acho o Magalhães uma excelente ideia.

O que discordo é da forma como está a ser apresentado: o computador está a ser muito "vendido" como um instrumento para melhorar o sucesso escolar, quando devia ser apresentado como aquilo que realmente é - uma maneira de as crianças de todas as classes sociais se familiarizarem desde cedo com o uso do computador.

Afinal, qual é a verdadeira história dos videos do Magalhães?

Na maior parte da Internet, esses videos são referidos como gravações de algo ocorrido durante uma acção de formação de professores.

Já no telejornal da RTP1, foram referidos como "videos feitos por professores a gozar com o Magalhães", dando a entender que foi algo feito por professores por sua iniciativa e para se divertirem (este post do Luis Rainha parace ir nesse sentido) - ou melhor, foi dito isto na apresentação da noticia; a noticia em si é mais parecida com a versão que tinha lido antes.

Afinal, o que é que se passou realmente?

Thursday, October 16, 2008

Re: A Obsessão da Competitividade

Ainda no rescaldo do Prémio do Banco da Súecia em Ciências Económicas, re-publico esta carta minha, publicada há uns 8 anos atrás na revista Economia Pura, a criticar um artigo de Krugman. Não tenho a certeza absoluta, mas penso que o artigo original era este, Competitiviness - a Dangerous Obsession, que veio a dar origem ao livro Pop Internationalism.

Wednesday, October 15, 2008

"Institucionalismo" e "Individualismo"

Ainda a respeito disto, ocorre-me uma coisa: aquilo a que os "institucionalistas" chamam "instituições" e aquilo a que os "individualistas metodológicos" chamam "profecias auto-cumpridas" não serão mais ou menos a mesma coisa? Isto é, talvez grande parte das "profecias auto-cumpridas" não sejam "instituições", mas as "instituições" (ou a sua existência/manutenção) podem ser explicadas como "profecias auto-cumpridas".

[O que é que, p.ex., o João Rodrigues, o João Galamba ou o André Azevedo Alves acharão desta teoria?]

A economia neo-clássica e a esquerda

Num comentário nos Ladrões de Bicicletas, Luis Gaspar, argumentando não se pode ser verdadeiramente de esquerda e aceitar a metodologia neo-clássica, escreve "existe uma ideia central na esquerda (na esquerda europeia, vá) que é a existência de classe. A metodologia em causa é o individualismo metodológico, ou a enunciação de postulados básicos sobre o indivíduo e a consideração da sociedade como uma soma (ou agregação) destes indivíduos. É fácil de ver que esta metodologia encerra a possibilidade de haver factores sistéticos de sociedade, quanto mais de classe. Esta metodologia na verdade impede qualquer consideração de poder ou classe."

Os neo-clássicos talvez não usem o termo "classe", mas é perfeitamente possivel meter lá as classes sociais. Basicamente, em qualquer modelo neo-clássico, o que é que temos? Os indivíduos (ou "agentes"), as suas preferências, as suas dotações iniciais, as funções de produção e mais uma coisinha ou outra. Ora, as "dotações iniciais" e as "classes", no fundo, vão dar ao mesmo: uma "classe social" mais não é do que um conjunto de indivíduos com dotações iniciais semelhantes.

E, em termos de análise do processo politico, não me parece haver grande oposição entre a economia neo-clássica e uma abordagem de classe - a teoria da "escolha pública" (que, não sendo forçosamente neo-clássica, penso pode ser considerada parte da familia) gira exactamente à volta do processo de como os vários grupos de interesses afectam as decisões politicas - de novo, não lhe chamam "classes", mas, no fundo, é disso que se trata.

A metodologia neo-clássica também não é forçosamente alheia à questão sobre como uma dada estrutura social surge e se mantêm; veja-se o estudo de Evsey Domar (penso que pode ser considerado uma espécie de neo-clássico) sobre as origens da escravatura e da servidão .

Acerca da questão da metodologia neo-clássica encerrar a "possibilidade de haver factores sistémicos de sociedade", penso que não, e por duas razões:

a) É perfeitamente possivel imaginar modelos neo-clássicos em que diferentes distribuições das dotações iniciais conduzam a resultados bastante diferentes no funcionamento da economia (penso que a distribuição da riqueza pode ser considerada um factor sistémico da sociedade)

b) Se tivermos um modelo neo-clássico com funções não lineares, podemos ter um sistema com uma carrada se soluções de equilibrio possiveis (recorde-se que uma equação que não seja de 1º grau pode ter várias soluções). Nesses casos, termos um equilibrio ou outro acaba por depender muito de uma espécie de circulo vicioso, em que, se se estabelecer um dado equilibrio, esse equilibrio (e não um dos outros possíveis) acaba por se manter por si - isto costuma ser usado para explicar coisas um bocado triviais, como teclados de computador e localização industrial, mas suspeito que também pode ajudar a explicar coisas mais relevantes (de qualquer forma, penso que um equilibrio que se mantêm pela sua própria inércia pode ser considerado "um factor sistémico da sociedade" - pensado bem, tudo aquilo a que chamamos "facores sistémicos da sociedade" mais não são do que equilibrios que se mantêm pela sua inércia)

É verdade que são raros os economistas neo-clássicos de esquerda (e praticamente inexistentes os da "esquerda dura") mas suspeito que isso deriva mais de uma atracção/repulsão afectiva do que de uma verdadeira incompatibilidade metodólogica.

Presidenciais nos EUA: Nader com 3%

Pelo menos, segundo a sondagem da CBS-NYT (pdf, pag. 11). Poder-se-á perguntar o que é que isso interessa, mas (a confirmarem-se estes números) representa um avanço face às eleições de 2000, onde Nader teve 2,73% (o que é bom sinal para a consolidação de uma esquerda alternativa nos EUA). Este aumento é ainda mais relevante se atendermos que, nestas eleições, Nader tem que se defrontar com o "fenómeno Obama", que em principio seria atractivo para os seus prováveis eleitores naturais, e, sobretudo, com a má imagem com que muita "esquerda" ficou dele por, supostamente, ter impedido Joe Liberman de ter sido eleito Vice-Presidente.

Tuesday, October 14, 2008

Nagorno-Karabakh e Transdnietria

Porque é que Portugal não reconhece o Nagorno-Karabakh e a Transdniestria como paises independentes? Afinal, qual é a diferença face ao Kosovo?

E, já agora, porque não a Somálilandia? Este caso ainda é mais flagrante - Portugal (e o mundo inteiro), não reconhece a Somálilandia como Estado (embora exista como estado de facto) e reconhece a Somália (que, para todos os efeitos, não existe).

Uma eira de trigo encharcada pelas chuvas

Resposta liberal à crise: esta crise não é culpa do liberalismo, o sistema económico actual é super-regulado e tem muito pouco de liberal. Ah, e além disso, o liberalismo tem sido responsável pela melhoria de vida das pessoas ao longo de décadas.

"Nunca antes dos 12 anos"

No fim de semana, numa revista qualquer (acho que naquela que vem com o Diário de Noticias) vinha um artigozinho a "explicar" porque os pais nunca devem deixar os filhos atravessar a rua sozinhos antes dos 12 anos (que ainda não têm o cérebro completamente desenvolvido para calcular a direcção dos carros, ou coisa assim.

Bem, eis o percurso que eu fazia de casa ao "ciclo" e vice-versa quando tinha 10/11 anos. Quando ia de casa ao ciclo, fazia o percurso "vermelho"; no regresso, tanto podia fazer o "vermelho" como o "azul". Os círculos verdes são os pontos onde eu atravessava a rua (muitas dessas ruas não tinham praticamente trânsito, é verdade, mas as ruas movimentadas - a 25 de Abril e e actualmente chamada Jaime Palhinha - estão assinaladas com círculos verdes preenchidos a amarelo). A maior parte dos meus colegas vivia do outro lado da cidade (eu era dos que morava mais perto do ciclo) e iam a pé para casa (excepto quando chovia).

Nunca nenhum foi atropelado.


[Mapa roubado ao Google Maps]

Monday, October 13, 2008

Entretanto cheguei a uma conclusão

Pelos vistos, parece que os dois economistas estrangeiros que eu mais costumo ler o blog respectivo e citar aqui (Paul Krugman e Chris Dillow) até têm algo em comum (o posicionamento politico, em ambos mais ou menos no centro-esquerda, não conta, já que são centro-esquerdas muito diferentes: Krugman é um keynesiano e Dillow um adepto de Marx e Hayek).

Ainda acerca do Prémio... (II)

Aproveito para relembrar este paper de 1978 de Krugman, que acho que até tem a ver com a área em que ele ganhou o prémio.

Tradições

video

Ainda acerca do Prémio de Ciências Económicas do Banco da Suécia

Se, com o embalo do prémio, o último(?) livro de Krugman tiver uma edição portuguesa, qual será o título?

Chris Dillow sobre as nacionalizações (no Reino Unido)


At risk of sounding like an ultra-leftist, the problem with the part-nationalization of the banks is that it doesn’t go far enough. It doesn’t address the flaw in the system that got us into this mess.Darling says:

We want to return these banks to the private sector because I don’t think governments can run banks in the long-run.

But the lesson of the last few weeks is that the private sector cannot run banks either, at least when its ownership comprises dispersed shareholders none of whom exercise adequate control over chief executives.

(...)

But these strings don’t change the basic structure of the control of banks. Darling is promising to run RBS “at arm’s length” - which just replaces one form of passive ownership with another.

In particular, the clampdown (pdf) on bank executives’ pay mistakes the symptom for the disease. The disease is that owners have given bosses too much autonomy, in the belief - now proven to be false - that a single individual, or small group, has the know-how to control a complex organization. Big payouts for bosses are just the effect of giving them excessive power.

Everyone knows centrally planned economies are a stinkingly bad idea. The lesson of the collapse of many banks is that centrally planned companies are also a bad idea. And they’re a bad idea for the same reason - that, in complex organisms such as economies or big companies, fragmented and tacit knowledge cannot be centralized, and “leadership“ often degenerates into mere rent-seeking.

Herein lies the opportunity which nationalization presents. It gives us a breathing space to ask: what are the best (or least bad) organizational forms for owning and controlling banks? Is hierarchy unconstrained by shareholders or government really superior to mutual ownership, or other forms?

My fear is that our rulers’ ideology will prevent them from even asking this question. At best, they’ll just give us a new regime for regulating banks which will be perfectly able to prevent this crisis recurring, and perfectly unable to prevent a different one.

I suspect instead that, in a few years’ time, the state’s stakes in the banks will be sold off by a Tory government to fund tax cuts for the rich, and RBS and Lloyds-HBOS will return to the same organizational form that got us into this trouble in the first place.

A "mutual ownership" que Dillow fala refere-se a uma especie de bancos propriedade dos depositantes, que ele considera serem menos dados a sofrerem falências destas.