Friday, January 29, 2016

"Quarta revolução industrial" e destruição de postos de trabalho

Há dias, foi noticia que um relatório do Fundo Económico Mundial dizia que "quarta revolução industrial pode causar a perda de cinco milhões de empregos em cinco anos nas principais economias mundiais".

Isso não porá em causa a minha opinião que a "revolução-tecnológica-que-vai-destruir-montes-de-empregos-por-causa-da-automatização, simplesmente... não existe"?

Vamos ver a notícia com mais pormenor:

Depois da primeira revolução (advento da máquina a vapor), da segunda (electricidade, linha de montagem) e da terceira (eletrónica, robótica) vem a quarta que combina diversos factores no trabalho, como a Internet e os dados que transformam a economia. Estas alterações resultam numa perda líquida de mais de cinco milhões de empregos nos 15 principais países desenvolvidos e emergentes, diz o FEM que analisou a situação em economias como a dos Estados Unidos, Alemanha, França, China e Brasil.
A população ativa dos Estados Unidos, Alemanha, França, China e Brasil em 2014 era de cerca de 1.150 milhões de pessoas (e esses são apenas 5 dos tais 15 países); assim, os 5 milhões de empregos destruídos corresponderão a pouco mais que 0,4% da população ativa. Sim, poderá ser trágico para grande parte dessas pessoas, mas para a economia no seu conjunto não me parece uma destruição de empregos por aí além.

Saturday, January 23, 2016

Sobre as presidenciais

As norte-americanas, que hoje não se pode falar das portuguesas.

De há uns anos para cá (sobretudo desde a reeleição Obama, mas já havia sinais desde a década passada) que a ala "responsável" e "moderada" da elite conservadora norte-americana andou a defender uma reforma do conservadorismo e do Partido Republicano que combinasse uma filosofia social conservadora com uma posição mais pragmática na política económica, sem grandes radicalismos individualistas ou anti-governo à Tea Party (os dois representantes do conservadorismo no New York Times, o David Brooks e o Ross Douthat, andavam quase sempre a dizer isso), reformando o Estado Social em vez de simplesmente querer reduzi-lo radicalmente, e que conseguisse solidificar a posição dos Republicanos entre a classe trabalhadora (sobretudo a branca, embora aqui a referência racial normalmente ficasse nas entrelinhas), em vez de ligar apenas aos mais abastados  (a dada altura os defensores desse programa foram chamados de "reformicons", os conservadores reformistas, mas penso que a etiqueta não pegou).

Parece que essa combinação de uma espécie de conservadorismo social, relativa moderação na economia e apelo à classe trabalhadora finalmente chegou, mas pelo vistos não com o corte de cabelo e maneiras à mesa (dos debates) com que esses intelectuais conservadores estavam à espera (possivelmente quereriam algo mais no molde da democracia-cristã europeia).

Tuesday, January 19, 2016

Jovens correm menos risco de bullying no desporto organizado do que na escola

Parece-me a única conclusão que se pode tirar deste relatório.

Não percebo é lá muito bem como é que "existe uma percentagem elevada de cerca de 10% de eventos de bullying em contexto desportivo e a existência de vítimas persistentes na ordem dos 2%"; penso que a definição de bullying implica que tenha uma vítima persistente, não (o que implicaria que as dus percentagens deveriam ser idênticas).

Friday, January 15, 2016

O argumento islamofóbico a favor da imigração

The Islamophobic Case for Open Borders, por Nathan Smith (via Bryan Caplan):

If Islamophobia is taken literally to mean “fear of Islam,” I do fear Islam in the sense that I regard it as a source of error at best and a source of terror at worst. I believe the Islamic religion to be false, in key theological doctrines, in the general tenor of its ethical teachings, in its view of history, and in its view of how society ought to be organized. (...)

Since I believe Islam to be false, I would be a poor lover of my fellow men if I did not wish for it to disappear, that is, if I desired that millions of people remain forever imprisoned in a web of errors. (...)

Perhaps the fairest definition of an Islamophobia (fair in the sense that it makes the word something other than a mere term of abuse) is someone who thinks Islam is a net negative influence on human history, and is harmful to its adherents. (...) At any rate, if Islamophobes desire that there should be less Islam in the world, my argument that open borders will bring that about, is a reason for them to support it. (...)

In making predictions about open borders and religion, my chief basis for extrapolating is the principle of ASSIMILATION. While the speed of assimilation is debatable, it’s well-known that immigrants begin to learn about their adopted country as soon as they arrive, some faster than others, that children born in a country of foreign parents exhibit a mix of their parents’ culture and that of their new homeland, and that second- or third-generation immigrants come to resemble the fellow residents of their adopted country so much that for many purposes, they are indistinguishable. (...) We may expect a third-generation Mexican-American, say, to speak English and like American popular music, yet still to be a Catholic. (...)

Yet there’s actually a lot of religious switching, too, and it cumulatively dilutes away the religious distinctiveness of immigration-originated populations. (...)

In America, 77% of those raised Muslim, are still Muslim, according to Pew. That’s a fairly high retention rate, but Islam in the West still loses about one-fourth of each Muslim-born generation. At that rate of member loss, less than half of the descendants of Muslims would still be Muslim after three generations. Germany’s assimilation of Turkish migrants seems to illustrate how this process plays out. Less than 2% of the German population self-identifies as Muslim. Almost twice as many people in Germany are of Turkish descent, and there are also substantial numbers of Arabs. Since Turkey’s population is almost exclusively Muslim, it seems that Islam must have lost roughly half of the natural increase of its emigrants in Germany to apostasy. Germany is a relevant case study because its great Turkish immigration mostly occurred around half a century ago, so it’s had time for assimilation to play out across a couple of generations.

What about conversion the other way? (...)

Historically, Islam has never made major advances by migration, or by conversion from below, as Christianity has often done. Stagnation or decline has been its fate where it was politically subordinate. Islam spread by conquest, not missionary work. It is still strongest in the historic heartland where it was established by Arab conquerors in the 7th and 8th centuries. That’s not to say that the Middle East and North Africa became Muslim through forced conversions. Forced conversions to Islam were not the norm. Rather, first Arab, and later Turkish, conquerors, became the power elite, permitting Christianity, Judaism, and sometimes other religions, such as Hinduism in India, to persist among the subject populations. But non-Muslims enjoyed various disadvantages, such as paying a special tax called the jizya, could not proselytize, sometimes suffered political violence, sometimes had their children kidnapped to become janissaries, and in general, enjoyed few or no rights and comprehensively inferior treatment. In the very long run, this made it hard for Christian and other minority communities to flourish. Their vitality atrophied, and a slow trickle of conversions to Islam depleted their numbers. So Islam spread through conquest followed by a gradual, top-down conversion of subject peoples to the dominant faith. The exceptions to this rule, such as the seemingly peaceful conversion of Indonesia to (majority) Islam, tended to occur in relatively easy mission fields, where no higher religions had a strong presence.

There are, as far as I know, no historical examples of substantial Christian populations converting to Islam except under Muslim rule. I suspect that one reason why is Islam’s attitude to women. Islam is notoriously anti-feminist, confining women to the veil and the home, and thus preventing them from playing the crucial role as volunteers and community organizers that they play in Christian parishes. (...) Anyway, for whatever reason, Islam has never been competitive in a free religious marketplace, and I don’t think it ever will be.

Under open borders, I would expect most of the population of the Muslim world to emigrate to non-Muslim countries over the course of a few decades or perhaps a century. Since Muslims comprise less than one-fourth of the world population, though, migration alone would be very unlikely to lead to a Muslim majority in Western countries. Instead, open borders would lead to a world in which most Muslims live as immigrant minorities in countries where Christianity and/or the Enlightenment were historically the dominant religious influences. That’s a big change from the contemporary world, where Muslims constitute the majority in most of the countries where they live. And while my bits of data and my quick retrospective glance at history hardly constitute ironclad evidence, they point to a scenario in which Islam’s new status as a minority religion in most of the countries where it’s present will lead to a slow but steady dissolution of its membership and influence.

Thursday, January 14, 2016

O Inverno árabe era inevitável?

Faz 5 anos que presidente tunisino abandonou o poder., e durante uns meses falou-se de "Primavera árabe", há medida que as ditadures egipcia e libia iam sendo derrubadas e a Síria, Iemén e Barén eram atingidos por protestos massivos.

Hoje em dia (tirando exatamente a Tunísia, apesar do terrorismo), a Primaver árabe parece ter-se tornado um Inverno, com uma nova ditadura no Egito, e a Síria, Líbia e Iemén destruídos pela guerra civil. Mas seria inevitável?

Algo que atualmente parece ter voltado a fazer parte da sabedoria convencional é a ideia que uma eleição livre num país árabe levará quase de certeza os islamitas ao poder (e tanto a nova ditadura egípcia como a guerra civil síria foram o resultado de golpes militares feitos com o pretexto de que os governos islamitas eleitos estariam a caminhar para um nova ditadura); há primeira vista, isso parece fazer sentido, olhando para os resultados eleitorais das primeiras eleições tunisinas e egípcias (a Líbia é um caso mais complexo), em que os islamitas foram os vencedores.

Mas vamos ver com melhor pormenor:

- Na Tunísia, nas primeiras eleições os islamitas tiveram apenas 37% dos votos, e sem maioria parlamentar tiveram que fazer uma coligação tripartida com dois partidos seculares de centro-esquerda; se não fosse isso, talvez a polarização entre o campo islamita e o secular tivesse sido maior, e talvez a crise que ocorreu com o assassínio de dois políticos de esquerda radical por terroristas salafitas (e que levou à demissão do primeiro-ministro islamita e à criação de uma espécie de governo de independentes) tivesse dado origem a um golpe de estado, como no Egito. Diga-se que a Tunísia provavelmente teve a sorte de ter logo à partida adotado um sistema eleitoral proporcional e ainda por cima pelo pelo método de Hare-Niemeyer, mais favorável às minorias do que o de Hondt (se as primeiras eleições tunisinas tivessem sido pelo sistema maioritário - como no Egito - ou mesmo pelo método de Hondt, os islamitas teriam obtido uma maioria esmagadora no parlamento).

- No Egito, na primeira volta das eleições presidenciais de 2012 os três primeiros candidatos (o islamita Morsi, Ahmed Shafik, conotado com o regime anterior, e Hamdeen Sabahi, apoiado por uma aliança de nasseristas, liberais e esquerdistas) tiverem todos pouco mais que 20% (um ponto interesante: Sabahi, que ficou em terceiro, foi o mais votado no Cairo, em Alexandria e em Port Said - talvez os manifestantes que derrubaram Mubarak vivessem mesmo num mundo muito diferente do que o típico egípcio); na segunda volta, Morsi ganhou por 52% contra 48%. Diferenças tão pequenas dão-me a ideia que bastaria uma mudança de pormenor (como candidatos diferentes para cada campo, ou até se tivesse feito um tempo diferente no dia da votação) para os resultados serem outros; algo que não me admirava nada era que se Sabahi tivesse passado à segunda volta talvez tivesse ganhado (afinal, é de esperar que um oposicionista laico gerasse menos reações negativas de partes do eleitorado do que um islamita ou algém visto como próximo de Mubarak, logo se Morsi e Shafik quase empataram um contra o outro, não seria muito difícil que Sabahi pudesse ganhar contra qualquer deles)

- Finalmente a Líbia: nas eleições de 2012, a relativamente secular Aliança das Forças Nacionais teve 48% dos votos (com 15% de brancos e nulos, isso era mais do que maioria absoluta), enquanto as várias listas islamitas provavelmente nem chegaram a 15%. O problema na Líbia foi que 80 deputados foram eleitos em voto por lista (a votação que deu o resultado atrás referido) e 120 foram eleitos por um sistema de candidatos uninominais - a dada altura os deputados eleitos nominalmente aliaram-se aos islamitas e tentaram impedir a realização de novas eleições, o que foi o pretexto para o golpe militar e a guerra entre dois parlamentos riviais (tenho a ideia que nesta altura já serão pelo menos 4 governos em luta).

Vendo isto tudo, interrogo-me se muitos dos problemas que seram origem ao tal Inverno não poderiam ter sido evitados se esses países tivessem adotado por um sistema parlamentar com voto proporcional (como na Tunísia), em vez de presidencialismos (como no Egito) ou deputados eleitos em votação nominal (como na Líbia). Sobretudo em sociedades bastante divididas (o exemplo egípcio parece indicar que haverá pelo menos 3 campos nos países árabes - os islamitas, a oposição secular e os apoiantes dos ditadores seculares - e nenhum parece ter o apoio esmagador da população: por alguma razão na Líbia e na Síria nenhum dos lados consegue derrotar os outros em combate) um sistema parlamentar proporcional é o que mais obriga as várias partes a se entenderem (em contraste com o principio o-vencendor-leva-tudo implícito no presidencialmo e/ou em sistemas eleitorais não-proporcionais).

Wednesday, January 13, 2016

Antes do golpe... (edição venezuelana)

In the weeks and months before the coup..., por "boz": 

 In the weeks and months before the 1992 coup in Peru, President Fujimori clashed with the legislature over economic decrees and human rights investigations. The military sided with the president and brought the tanks to Congress to shut it down.

In the weeks and months before the 2009 coup in Honduras, President Zelaya clashed with both the legislature and the courts over various policies and attempts by the president to obtain more power. The military turned against the president, removed him, and backed the head of Congress (of Zelaya's own party) becoming the interim president.

We’re currently in a “weeks and months before” moment in Venezuela.



Monday, January 11, 2016

Suiça - os resultados da democracia direta

Switzerland, por Scott Sumner:

Over at TheMoneyIllusion I recently did a post discussing the public policy issues that I thought were most important. These were the top 4:
Most important issues (no particular order):
1. US Military intervention (I'm mostly against it)
2. Immigration (more, more, more)
3. War on Drugs (end it, let out 400,000 prisoners)
4. Right to Die (I'm for it, read Scott Alexander if you don't think it's important.)

Because I'm a big fan of Swiss-style direct democracy, I thought I'd check out how my favorite political system did in terms of this list:
On immigration (from Wikipedia):
Switzerland and Australia, with about a quarter of their population born outside the country, are the two countries with the highest proportion of immigrants in the western world.
On drug legalization:
The world's most comprehensive legalized heroin program became permanent Sunday with overwhelming approval from Swiss voters who simultaneously rejected the decriminalization of marijuana.
On right to die:
It's a tourism boom, but not one to crow about: The number of people traveling to Switzerland to end their lives is growing. And it seems that more and more people with a nonfatal disease are making the trip.
On military intervention:
Switzerland is the oldest neutral country in the world; it has not fought a foreign war since its neutrality was established by the Treaty of Paris in 1815.

Por acaso, os 4 assuntos principais para o "libertarian" Sumner são assuntos em que eu defendo mais ou menos a mesma coisa (nos "few other issues" que ele refere concordo com o aborto e prostituição mas não com a saúde); mas sobretudo no caso da imigração, será que essa boa política é graças ou apesar da democracia direta (veja o sucesso na Suiça de proposta referendárias explicita ou implicitamente anti-imigração).

Friday, January 08, 2016

Eleições por sistema proporcional e crescimento económico

Which democracies prosper? Electoral rules, form of government and economic growth (texto pago, abstract de consulta disponível), por Carl Henrik Knutsen:

Electoral rules and form of government have important economic effects, for example on taxation and public spending. However, there are no robust results in the literature when it comes to their effect on economic growth. This paper investigates whether electoral rules and form of government affects economic growth by applying panel data techniques on a very extensive dataset. There is no robust effect of presidentialism or parliamentarism on growth. However, there is very robust evidence for a positive, and quite substantial, effect of Proportional Representation (PR) electoral rules on economic growth. This is partly due to PR systems’ propensity to generate broad-interest policies, like universal education spending, property rights protection and free-trade, rather than special interest economic policies. Also semi-proportional systems seem to enhance growth relative to plural-majoritarian systems.

A problemática do colesterol

Não, não vou escrever sobre a tal polémica sobre se o colesterol faz mal ou bem.

É sobre um assunto em que é mais fácil leigos como eu terem opinião.

Porque é que, sempre que digo que tenho colesterol baixo, ou que o médico me disse que tenho que subir o colesterol, tudo a gente pergunta "baixo ou alto?" ou "subir ou baixar?"?

Bem, o que eu tenho é colesterol-HDL baixo (23, quando o mínimo recomendado é 40), mas a minha questão é mesmo essa: porque é que quando se fala em "colesterol" se pensa automaticamente no colesterol-LDL (o tal que faz mal estar muito alto) em vez de no colestrol-HDL (que faz mal estar muito baixo)?

A hipótese mais simples, claro, é que haja mais gente com problemas de colesterol-LDL alto de que com problemas de colestrol-HDL baixo (sinceramente, não faço ideia).

Mas ocorre-me outra hipótese: talvez seja mais fácil transformar problema de saúde do colestrol-LDL alto num drama moral do que o colesterol-HDL baixo?

Explicando melhor: a sabedoria convencional (ainda que me parece estar a ser posta em causa) é que baixar o colesterol-LDL implica deixar ou pelo menos reduzir o consumo de certas comidas, o que cria montes de situações muito parecidas a uma luta heróica entre a virtude e o pecado, estilo uma pessoa estar comer e "esta comida sabe tão bem; mas é melhor parar, por causa do colesterol..."; supostamente baixar o colesterol-LDL implica sacrificios, resistência à tentação, e a ideia de que o pecado mora ao lado (agora sob a forma de um bife suculento na travessa). E isso logo por si cria montes de situações para no dia-a-dia se falar do "colesterol" ("tenho que ter cuidado com esta comida por causa do colesterol", "depois da semana das festas é melhor não fazer análises porque o colesterol vai estar alterado", etc, etc,).


Em compensação subir o colestror-HDL é muito mais prosaico: implica comer mais certas comidas, mas essas comidas (frutos secos e peixe azul) até são consideradas saborosas por grande parte das pessoas, logo por aí não há margem para grandes sacrificios; também implica fazer exercício (sobretudo de baixa intensidade), o que já pode ter uma componente de sacríficio, mas já há tantas recomendações de saúde para se fazer exercicio que "subir o colestrol-HDL" acaba por não ter influência adicional (e se calhar também é menos provável numa conversa casual surgir o assunto "tenho que fazer exercicio" do que "não posso comer mais").

Ou seja, o problema do colesterol-LDL alto abre caminho a algo parecido com uma guerra heróica e épica entre o bem e o mal, uma espécie de Senhor dos Anéis/Guerra das Estrelas gastronómico-medicinal; pelo contrário, o problema do colesterol-HDL baixo é pouco mais que uma questão técnica sem grande espaço para heroísmos ou quedas para o Lado Escuro da Força.

Será que se poderá daqui extrair conclusões mais amplas, estilo suspeitar que muita da moderna preocupação com a saúde tem muito de moralismo puritano implícito e não apenas de ciência objetiva, e portanto centra-se sobretudo nas questões em que fácil criar uma narativa de luta entre a "virtude" e o "pecado"?

[De qualquer forma, tenho que começar a atualizar mais o blogue: provavelmente é a falta do exercício de clicar no teclado para escrever - algo que implica mais movimentos musculares do que simplesmente usar o rato ou escrever pequenos url na barra do browser para ler o que os outros escrevem - que está a fazer baixar o meu colesterol-HDL]

Thursday, January 07, 2016

Ainda a personalidade dos eleitores dos partidos britânicos

Um post de James Dennison no blog da London School of Economics, também sobre este assunto, mas feito já depois das eleições britânicas, e olhando também para os resultados dos Verdes e do UKIP:

Wednesday, January 06, 2016

As emissões de jazz da "Voz da América" para a URSS

Em tempos o site da Reason publicou um artigo sobre o papel das emissões de jazz da "Voz da América" para a URSS durante a Guerra Fria:

During Conover's four decades as a Voice of America (VOA) deejay from 1955 through the mid-1990s he upended communist cultural policy just by playing prohibited, "degenerate" American music that his overseas audience longed to hear. Most Americans have never heard of him, but in the postwar era he was one of the best-known, and certainly one of the most popular, Americans in the world. He had millions of devoted followers in Eastern Europe alone; his worldwide audience in his heyday has been estimated at up to 30 million people.

Conover managed to tour Soviet Bloc cities occasionally during East-West thaws, and, to his great surprise, was greeted at airports like a celebrity by huge cheering crowds. Moscow cabdrivers recognized him solely on the basis of his distinctive baritone voice. Writer James Lester has collected a series of remarkable quotes that suggest the emotional depth of Conover's impact on his audience: "In 1982, when Conover was in Moscow as an MC for a group of touring American musicians, someone took his hand, kissed it, and said, 'If there is a god of jazz, it is you.' Another young Russian wrote touchingly to him, 'You are a source of strength when I am overwhelmed by pessimism, my dear idol,' and still another greeted him in Leningrad with, 'Villis! You are my father!'"

Conover never said a political word, letting the jazz do the talking. What did the jazz say? The late Russian dissident and novelist Vassily Aksyonov was to make jazz integral to his fiction, especially in his 1984 portrait of the 1960s Moscow intelligentsia, The Burn. According to Aksyonov, his circle admired jazz for "its refusal to be pinned down"; it was a release "from the structures of our minutely controlled everyday lives, of five-year plans, of historical materialism"; it was, for those trapped in the Soviet system, "an anti-ideology."

"When you are in a jail, that music makes you wonder what kind of country produced it," pianist David Azarian once told Down Beat magazine. "I tell you, Conover was America's best weapon to destroy socialism and Communism." (...)

Of course, the Soviets tried to jam his hour-long show, "Music, USA," but their battle against jazz (and, later, rock music) was a hopeless one. Poland soon proclaimed that "the building of Socialism proceeds more lightly and more rhythmically to the accompaniment of jazz," though communist authorities elsewhere continued to classify jazz as the music of degeneracy and "hooliganism." By the time the short-wave dust had settled, however, Radio Moscow would be programming jazz by Russian musicians in an effort to make itself sound more hip to its own foreign audience. Of course, many of the younger Eastern European musicians—and some Cuban musicians, too—received their inspiration and jazz educations from Conover (as many testimonials on the Willis Conover Facebook Page attest). And since Conover assumed a slow and deliberate speaking pace, many of them learned English from him as well.

O que me chama a atenção para isto é que me dá a ideia que, a certa altura, o jazz até era, no Ocidente, um género musical com uma certa popularidade entre os meios intelectuais comunistas ou "compagnon de route" (ou talvez esteja enganado e a popularidade do jazz fosse sobretudo entre a esquerda radical anti-soviética?). Mas talvez seja uma regra geral - talvez os géneros artísticos mais populares entre a esquerda intelectual do Ocidente fossem exatamente os mais dados a serem considerados no Bloco de Leste como "decadentes".

Tuesday, January 05, 2016

A verdeira causa do "extremismo"/terrorismo/etc.?

Razib Khan:

The liberal democratic “end of history” is not heroic or anti-heroic. It is banal, and heroism plays out only in the context of a job well done in the banality of existence and persistence. Being a good parent, friend, and a consummate professional. But not everyone is a parent, and not everyone has a rich network of friends, or a fulfilling profession. Ideologies like communism, and religious-political movements like Islamism, are egalitarian in offering up the possibilities of heroism for everyone by becoming part of a grand revolutionary story. Though John F. Kennedy’s administration has a glow and sheen today which would have been unfathomable to those who lived through it, his words about why America sought to go to the moon are remembered because they capture the essence of a heroic spirit. The reality of course is that we sought to go to the moon because America wanted to defeat the Soviet Union in the space race. But he asserted that the American nation sought to go to the moon because it was hard. And ultimately getting to the moon first brought America glory and renown. And that is what many young men crave, but few can attain in a stable liberal democratic consumer society.

Monday, January 04, 2016

Sobre o Oregon

No Good Guys in the West, por Randal O' Toole (Cato at Liberty)

Via Tyler Cowen.

[Noto que eu linkar para o artigo não implica necessariamente concordância]