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Monday, March 17, 2008

Balanço dos investimentos da Kika

"Os nossos gatos poderão não ser nenhuns génios da Bolsa, mas..." (Doreen Tovey, Cats in the Belfry).

















Os gatos de Doreen Tovey talvez não o sejam. No entanto, a Kika demonstrou perceber mais do assunto do que os supostos especialistas:

A sua carteira, de 29/02 a 14/03, desvalorizou 1,96% (de 995,04 para 975,54 euros), enquanto o fundo BPI Portugal desvalorizou 5,02% (de 16,75771 para 15,93828 euros); em termos anualizados, a Kika teria uma performance de -40,31% e o Fundo BPI Portugal de -73,86%.

Além disso, a carteira da Kika também apresentou uma menor volatilidade (logo, em principio, menor risco): esta (medida pelo desvio-padrão das variações diárias) foi de 0,78%, contra 0,88% do BPI Portugal.

Esta menor volatilidade torna-se ainda mais significativa se atendermos a que, como eu não tinha paciência para tomar nota da evolução de uma carrada de títulos, só lhe pedi para escolher três. Ou seja, se ela não estivesse de patas atadas pelas limitações que lhe impus poderia ter atingido uma volatilidade ainda mais reduzida.

Embaixo temos um gráfico comparativo da evolução dos activos em questão (as cotações de 29/02/2008 foram convertidas para "100"):















Além dos melhores resultados, convém lembrar que a Kika teve de certeza muitos menos anos de formação (logo, não suportou esses custos) que os gestores de activos do BPI (e de qualquer outra empresa do ramo) - ou seja, o rácio resultados/custos é bastante favorável.

De qualquer forma, uma herança de milénios passados a prever os movimentos de criaturas bastante imprevisíveis como ratos, pássaros, moscas, baratas e embalagens de whiskas, a aguardar pacientemente pelo momento oportuno e a agir em fracções de segundo quando ele chega tornam-na especialmente vocacionada, quer para a análise técnica, quer para estar junto a um teclado a dar ordens de compra e/ou venda (confesso que não faço ideia de como se chama essa actividade).

Outra característica adicional: em 1929, houve vários investidores que se atiraram dos telhados de Wall Street pelo desespero do crash. Se a Kika fizer isso, penso que as suas probabilidades de sobrevivência são superiores (embora não tão elevadas como a lenda pode levar a pensar) às dos investidores mais clássicos (mas, sinceramente, não sei se isto é uma vantagem, um inconveniente ou nem uma coisa nem outra).

A respeito da questão sobre se a experiência não deveria ser prolongada no tempo, ver o que escrevi aqui. Mas não sei se nos próximos dias ela quererá fazer algum prognóstico sobre a crise actual da bolsa.

Uma nota final: ao longo destas duas semanas assumi que a cotação da Toyota Caetano se manteve nos 8,90 euros (e os resultados foram calculados nesse pressuposto); isso talvez não seja muito correcto, já que a empresa não teve transacções na maior parte dos dias (8,90 é o valor da última cotação). Como ao longo destes dias o preço de venda foi (parece-me) sempre de 8,99 euros e o de compra 8,90 euros, talvez o mais correcto seja assumir que as acções foram compradas a 9 euros em 29/2 e vendidas a 8,90 euros a 14/03 - dessa forma teremos uma valorização de -2,32% e uma volatilidade diária de 0,8% (de qualquer forma, os resultados continuam a ser mais favoráveis que os do fundo BPI Portugal).

Friday, February 29, 2008

Kika, gestora de activos financeiros


A Kika iniciou hoje uma espécie de actividade profissional (apenas virtual, por enquanto) - gestora de investimentos bolsistas. Após analisar as cotações da Euronext Lisboa de 4º feira, ela escolheu 3 títulos (ela tem capacidades de comunicação verbal um pouco limitadas, é certo, mas nada que não possa ser resolvido pelo método de ir para cima do jornal e pôr a pata em cima dos títulos pretendidos). Assim, ela decidiu investir na Portucel, na Toyota Caetano (referida no jornal ainda como "Salvador Caetano") e na Jerónimo Martins (que esta sexta-feira fecharam, respectivamente, a 2,10, 8,90 e 4,88 euros).

Assim, poderíamos ter uma carteira composta por 159 acções da Portucel (333,90 euros), 37 da Toyota Caetano (329,30 euros) e 68 da Jerónimo Martins (331,84 euros), num investimento total de 995,04 euros.

Para avaliarmos a performance do portfolio imaginário da Kika, vou adoptar como benchmark o Fundo de Acções BPI Portugal (não tenho especialmente nada contra ou a favor o BPI - acontece apenas ter esse valor facilmente acessível): ontem, uma Unidade de Participação estava a 16,7799 euros - logo, poderia-se investir 990,02 euros em 59 UPs (sim, eu estou a comparar alhos com bugalhos - cotações de hoje e de ontem; mas são os valores que tenho à mão e penso que não varia muito).

Assim, daqui a umas semanas (em principio 2, se não me esquecer) vamos comparar o rendimento da carteira virtual da Kika com o que se obteria investindo no Fundo BPI Portugal. Se os resultados forem satisfatórios (nomeadamente, se ela se sair melhor que o BPI), talvez mande alguns currículos dela para instituições financeiras (os meus costumavam ir "para a base de dados", mas pode ser que ela tenha mais sorte).

Saturday, December 05, 2015

10 anos do Vento Sueste

Faz hoje 10 anos que comecei este blogue; assim vou relembrar alguns posts (ou séries de posts) que escrevi desde então:

- Democracia Participativa vs. Representativa A Democracia Participativa na América, Democracia Participativa e Representativa (II), A "Segunda República de Vermont", Democracia Directa na Revolução Francesa?, Democracia Directa na Revolução Francesa (II)?, Democracia Directa na Revolução Francesa (III)?, Democracia Directa na Revolução Francesa (IV)?, Democracia Directa na Revolução Francesa (conclusão)?, Afinal não foi a conclusão, Guérin e o "socialismo real", de dezembro de 2005 (parte dos posts são em debate com "Joana" do blogue Semiramis; o blogue foi entretanto apagado após o desaparecimento ou morte da autora, pelo que reencaminhei alguns links nesses posts para um arquivo com a cópia do blogue original, para se perceber o contexto da conversa)

- Linux, Wikipedia, etc. - capitalistas, comunistas ou o quê?, O anarco-comunismo é absurdo?,Re: Re: O anarco-comunismo é absurdo?, Re: Re: O anarco-comunismo é absurdo? - II, Re: Re: O anarco-comunismo é absurdo? - III, Re: Re: O anarco-comunismo é absurdo? - Um aparte final, Afinal ainda vou escrever mais qualquer coisa, Anarquismos - 3º Round - Parte I, Anarquismos - 3º Round - Parte II, Anarquismos - 3º Round - Parte III, Anarquismos - 3º Round - Parte IV, Anarquismos - 3º Round - Parte V, Anarquismos - 3º Round - Parte VI, Anarquismos - 3º Round - Parte VII, Anarquismos - 3º Round - Parte VIII, Ainda a questão de quem decide do uso da propriedade comunitária, Continuando com a discussão sobre o anarquismo, Acerca de Ayn Rand, Continuando..., Espero que ainda tenham paciência para me aturarem com este assunto..., A polémica Carson-Reisman, A propriedade "natural" e Re: Comentários Finais, de  junho de 2006; a maior parte da conversa consiste num debate com Dos Santos do blogue My Guide to your Galaxy

-  A minha análise aos rankings das escolas públicas e privadas, de outubro e novembro de 2007; atenção que são 25 posts, pelo que quando chegarem ao fim da página, vão ter que clicar algumas vezes em "Older Posts" até os conseguirem ler todos (o primeiro a ser publicado - e portanto o mais abaixo - foi este e o último - ou seja, o primeiro que vão ver - foi este)

- Kika, gestora de activos financeiros Mercados financeiros - informação intercalar, Balanço dos investimentos da Kika, de fevereiro e março de 2008, onde se compara a capacidade de gestão de investimentos da equipa de gestão de um fundo de investimento bolsista com as de uma gata siamesa (esses posts podem ser conjugados com este, A "hipótese da eficiência dos mercados" e as suas implicações, de dezembro de 2011)

- Porque o liberalismo está condenado ao fracasso (I), (II), (III), (IV), (V) e (VI), de outubro de 2009

- Há benefícios sociais na educação?, Há benefícios sociais na educação? (II), (III),  Há prejuizos sociais na educação? e Há prejuizos sociais na educação (II)?, de setembro de 2010

- A vontade indómita e a sociedade "industrial-burguesa", de maio de 2011, acerca, entre outras coisas, da obra de Ayn Rand "Vontade Indómita"/"The Fountainhead" (que nunca li)

- Quando é que começa a vida de um zangão?, de março de 2012

- Re: Impossibity of Anarcho-Capitalism, Re: Impossibity of Anarcho-Capitalism (II) e Re: Impossibity of Anarcho-Capitalism (III), de maio de 2013, uma análise ao artigo Impossibility of anarcho-capitalism [pdf], de Tony Hollick

- Keynes contra Hayek? e Keynesianismo e Estatismo, de maio de 2014

- Razão e emoção (I), (II), (III), (IV), (V), (VI) e (VII), de outubro de 2015

Wednesday, April 16, 2014

O gato Orlando

Investments: Orlando is the cat's whiskers of stock picking (Observer/Guardian, janeiro de 2013):

The Observer's panel of stock-picking professionals has been undone in our 2012 investment challenge by a ginger feline called Orlando who spent time paw-ing over the FT.

The Observer portfolio challenge pitted professionals Justin Urquhart Stewart of wealth managers Seven Investment Management, Paul Kavanagh of stockbrokers Killick & Co, and Schroders fund manager Andy Brough against students from John Warner School in Hoddesdon, Hertfordshire – and Orlando.

Each team invested a notional £5,000 in five companies from the FTSE All-Share index at the start of the year. After every three months, they could exchange any stocks, replacing them with others from the index.

By the end of September the professionals had generated £497 of profit compared with £292 managed by Orlando. But an unexpected turnaround in the final quarter has resulted in the cat's portfolio increasing by an average of 4.2% to end the year at £5,542.60, compared with the professionals' £5,176.60.

While the professionals used their decades of investment knowledge and traditional stock-picking methods, the cat selected stocks by throwing his favourite toy mouse on a grid of numbers allocated to different companies.

[Via Jacob Goldstein e Noah Smith]

Aproveito para relembrar uns posts antigos, de 2008:

- Kika, gestora de ativos financeiros
- Mercados financeiros - informação intercalar
- Balanço dos investimentos da Kika

Tuesday, January 24, 2012

Kika (2000-2012)


Num dia do Verão de 1983, tinha eu 9 anos quase a fazer 10, ouvi a minha mãe entrar em casa e logo a seguir a minha irmã a dizer, entusiasmada, "Que linda! Que linda!"; pensado "o que será que a minha mãe trouxe?", fui ver o que se tratava - era uma gata siamesa com cerca de um mês, que - inspirados por aqui - baptizamos "Duquesa" (creio que o nome original dela era "Bellkiss", ou coisa assim).

Desde então, pode-se dizer que a vida da minha família esteve ligada à dessa família de gatos, que se foi sucedendo por gerações (note-se que o Pantufa não pertence a esta linhagem - foi encontrado recém-nascido com os irmãos, aparentemente abandonados). Durante 12 anos viveram (e vivemos) numa casa com terraço, aqui, tendo os telhados e jardins do bairro à sua conta; depois, passaram a ser "gatos de apartamento" (o que, aliás, parece ter afectado os seus padrões reprodutivos - se antes as ninhadas de gatinhos nasciam por regra na Primavera, por altura do terceiro período das aulas, a partir do momento em que os gatos passaram a viver fechados, os nascimentos passaram a ocorrer a qualquer altura do ano).

Até ontem, quando a Kika, bisneta da Duquesa, morreu de uma espécie de cancro (há um ano atrás, depois de o veterinário lhe ter extraído uns tumores, ela corria e saltava cheia de energia e eu até pensei "esta ainda vai viver uma carrada de anos; foram 200 euros bem gastos", mas enganei-me...).

Eu já tinha tido gatos antes destes (para aí entre os 5 e os 7 anos tive uma gata preta  - a "Bolinhas" - que também teve filhos e netos, mas morreram cedo; para não falar dos dois gatos que os meus pais tinham em Moçambique quando eu nasci - eles dizem que a minha primeira palavra foi "gato", mas na carrada de "gu-gu-ga-ga" que os bebés dizem, é muito fácil a pais imaginarem que o filho está a dizer "gato") e continuo a ter um gato (o referido Pantufa, que neste momento saltou para o meu colo atrapalhando a redacção do post - estará com ciúmes?), mas pode-se dizer que a "família" atrás referida foram "os gatos mais importantes da minha vida" (afinal, foram quase 30 anos de "convívio", mais próximo ou mais distante conforme as alturas).

Monday, March 10, 2008

Mercados financeiros - informação intercalar

Olhando para a evolução da semana passada, a Kika parece estar a sair-se menos mal que os técnicos do BPI Gestão de Activos. De 29 de Fevereiro a 7 de Março (sexta a sexta), o valor da carteira dela (159 acções da Portucel, 37 da Toyota Caetano e 68 da Jerónimo Martins) desceu de 995,04 para 993 euros (um prejuízo de -0,21%, ou de -10,15% em termos anuais).

Já o valor das unidades de participação do BPI Portugal desceu de 16,75771 para 16,57754 euros (uma queda de -1,075%, ou de -43,087% em termos anuais).

No entanto, hoje a Jerónimo Martins teve uma grande queda (-4,84%), o que afectou o valor da carteira da Kika (não posso comparar com o BPI Portugal, já que o valor da UP só é conhecido amanhã).

Vamos lá ver como isto evolui até ao fim da semana (o momento em que é suposto acabar a experiência).

Monday, July 12, 2010

Como um polvo pode prever o resultado de jogos de futebol

Imagino duas possíveis hipoteses:

1ª -

Vamos supor que o polvo tem tendência a abrir primeiro a caixa que tem uma bandeira conhecida na tampa (já que já sabe que as caixas com essa bandeira se conseguem abrir); ao fim de vários anos a "prever" jogos de futebol, ele estará mais habituado às bandeiras das melhores selecções do que às das piores (porquê? porque, devido ao sistema de eliminatórias, as melhores selecções jogam mais jogos). Assim, como ele tenderá a abrir primeiro a caixa com a bandeira de uma selecção "boa", há uma forte probabilidade de abrir a caixa correspondente ao futuro vencedor (este modelo tem um ponto fraco - ele está habituadissimo à bandeira alemã, mas abrir a caixa com a bandeira espanhola no jogo Alemanha-Espanha; no entanto, a semelhança entre as duas bandeiras - ambas têm três faixas horizontais, e as cores vermelha e amarela - pode ter algo a ver com isso)

2ª -

Imagine-se que, por todo o mundo, há gente a querer ver se os seus bichinhos acertam nos resultados dos jogos; a probabilidade de acertarem nos resultados de 8 jogos de seguida é muito pequena - 0.4%. Mas, se existirem 200 animais a serem testados, provavelmente um terá acertado sempre, por puro acaso; mas como só esse se torna famoso (e ninguém chega a ouvir falar dos outros 199), parece um fenómeno.

Questão adicional - será que eu devia ter perguntado à Kika (que desde a morte do Cinza tem andando deprimida) os resultados dos jogos?

Leitura adicional - Acerca da dificuldade de identificar um "bom gestor" (post meu no Vias de Facto)

Friday, May 25, 2007

Pergunta do meu sobrinho de 6 anos

"Se a Marta tem um filho, ela casou-se com quem?".

[a Marta é a sobrinha-neta - ou sobrinha-bisneta, não sei bem - do Cinza e da Kika]

Sunday, March 05, 2006

Vou arranjar também uma "micro-causa": a preservação do gato siamês clássico


Esta é a Kika. É verdade que não é uma gata siamesa pura, mas a sua bisavó (a Duquesa) era uma siamesa "pura" e era praticamente igual. E se olharmos para fotografias de gatos siameses de há umas décadas atrás eram assim.

Agora, olhemos para um gato siamês "moderno", p.ex. nestas fotografias da Cat Fanciers Association. Completamente diferente, não é?

Por alguma razão incompreensível, alguém meteu na cabeça que os gatos siameses deveriam ser daquela maneira e os criadores começaram a fazer cruzamentos selectivos para produzirem gatos com aquele formato.

Não que eu queira impedir alguém de criar gatos siameses com o formato que bem lhes entender (embora diga-se que alguns cruzamentos selectivos podem ser nocivos para a saúde do animal), mas, a menos que eu seja a única pessoa no mundo que prefere o gato siamês "clássico" ao "moderno", poderia-se "institucionalizar" a raça "gato siamês clássico" (p.ex., criando uma associação para esse efeito) e haver criadores que se dedicassem a criar gatos siameses com o aspecto "tradicional".

Claro que se poderá argumentar que todo o processo de criação e manuntenção de raças de gatos é reprovável, já que a maneira "digna" de um gato levar a sua vida é dividi-la entre a casa dos seus "companheiros humanos" (quem se diga "dono" de um gato não sabe o que está a dizer) e os telhados, quintais e jardins da vizinhança, o que implica que os gatos sejam "filhos de pai incógnito" e não haja lugar a criação propositada de raças (apenas a raças que surjam espontaneamente, como penso que seja o caso do "europeu de pelo curto" - vulgo "gato do telhado" -, do "bosques da Noruega", etc.). No entanto, como hoje em dia os gatos vivem em apartamentos (e o mundo dos "telhados, quintais e jardins" está em vias de extinção), creio que isso limita esse argumento contra a criação de raças de gatos: a partir do momento em que um gato já está confinado, não vejo grandes problemas em lhe fazer um "casamento arranjado".