Friday, December 31, 2010

O patriotismo como forma de "politicamente correcto"

Patriotism as Political Correctness, por Bryan Caplan:

I was an undergraduate at UC Berkeley during the heydey of political correctness.  Everyone in the dorms was urged to attend DARE seminars - not "Drug Abuse Resistance Education" but "Diversity Awareness Through Resources and Education."  The goal, quite plainly, was to create a one-sided educational culture so the next generation would accept the self-styled awareness raisers' agenda as gospel.  Political correctness isn't just hypersensitivity; it's hypersensitivity designed to place a permanent stamp on impressionable young minds.

From this perspective, political correctness isn't essentially leftist.  Indeed, with the benefit of hindsight, leftist political correctness hasn't been all that effective.  The full-blown triumph of political correctness, of hypersensitivity plus one-sided education, is patriotism.  

Not so long ago, as Eugen Weber observes, most people were only dimly aware of what nation they "belonged" to.  They took little offense at insults to their country, its people, or their flag, because they just didn't much identify with their country, its people, or their flag.  Then came the patriots, descending upon their nations' schools like locusts.  They taught children a litany of bizarre nonsense.  They urged them to love millions of complete strangers who happened to live inside a Magic Line (a.k.a. "the border"), and loathe those who snickered during the Pledge of Allegiance or  improperly folded the flag.  

And despite the justified indifference and puzzlement of older generations, the patriots won.  There's no need to speculate about what a politically correct world would look like.  We're already in one.

O soldado que realmente "defende a liberdade"

Kevin Carson - When I hear someone say that soldiers “defend our freedom,” my immediate response is to gag.  I think the last time American soldiers actually fought for the freedom of Americans was probably the Revolutionary War — or maybe the War of 1812, if you want to be generous.  Every war since then has been for nothing but to uphold a system of power, and to make the rich folks even richer.

But I can think of one exception.

Thursday, December 30, 2010

Álcool e monogamia

Women or Wine, Monogamy and Alcohol [pdf], por Mara Squicciarini and Jo Swinnen (publicado pela American Association of Wine Economists):

Intriguingly, across the world the main social groups which practice polygyny do not consume alcohol. We investigate whether there is a correlation between alcohol consumption and polygynous/monogamous arrangements, both over time and across cultures. Historically, we find a correlation between the shift from polygyny to monogamy and the growth of alcohol consumption. Cross-culturally we also find that monogamous societies consume more alcohol than polygynous societies in the preindustrial world. We provide a series of possible explanations to explain the positive correlation between monogamy and alcohol consumption over time and across societies.
[via Marginal Revolution]

Wednesday, December 29, 2010

Hippocratic Personality Test

("Hippocratic" de "Hipócrates", imagino)

Hippocratic Personality Test
Your Result: Melancholy
Often very kind and considerate, melancholics can be highly creative - as in poets and artists - but also can become overly obsessed on the tragedy and cruelty in the world, thus becoming depressed. It also indicates the season of autumn (dry and cold) and the element of earth. A melancholy is also often a perfectionist, being very particular about what they want and how they want it in some cases. This often results in being unsatisfied with one's own artistic or creative works, always pointing out to themselves what could and should be improved.
Phlegmatic
Sanguine
Choleric
Hippocratic Personality Test
Quiz Created on GoToQuiz

A aposta Ehrlich-Simon

Post publicado no Vias de Facto.

Monday, December 27, 2010

Aquecimento global e "liberdade retirada"

N'O Insurgente, Ricardo Francisco escreve "A pergunta que continua a ter de ser respondida (...) é se os resultados do combate ao AG compensam toda a liberdade retirada e recursos necessários para esse combate".

Não é preciso retirar liberdade nenhuma para combater o aquecimento global - é só reduzir as emissões de gases de estufa, ou através de um imposto sobre a poluição, ou através de um sistema de cap-and-trade atribuido por leilão, e usar as receitas para reduzir os outros impostos (como defende, p.ex., Gregory Mankiw), que não há redução nenhuma de liberdade (a intervenção do Estado na sociedade mantêm-se no mesmo nivel, muda é as áreas onde se exerce).

Aquecimento global - sugestão de aposta

Proponho um desafio aos que dizem que os factos não comprovam que a Terra esteja a aquecer (parece-me ser o caso de pelo menos alguns "insurgentes", p.ex.).

A NASA publica uma lista de temperaturas médias no planeta (que é o que interessa para a questão do aquecimento global, não se há arrefecimento local em Londres ou aquecimento local no meu sofá quando o Pantufa lá dorme), medida em centésimos de grau Celsius acima da temperatura média entre 1951 e 1980.

Em Maio do ano passado, a temperatura média global era de 64 (isto é, mais 0,64 ºC do que a temperatura média entre 1951 e 1980). Entre 1998 e 2010, a temperatura média em Maio foi de 49 (ou 48 virgula qualquer coisa).

Que desafio proponho? Uma espécia de aposta: se em Maio de 2011 (dados que devem estar disponíveis em Junho) a temperatura média anunciada no site da NASA foi maior que 64 (isto é, a temperatura deste ano), ganho eu; se for menor que 49 (a média de 1998 a 2010), ganham os meus oponentes (seja lá quem forem, já que esta aposta é dirigida "a incertos"); se for entre 49 e 64 (acima da média, mas abaixo da deste ano), teremos um empate.

E qual o objecto da aposta? Simplesmente o (ou os) derrotado publicar um post a dizer que perdeu a aposta, a recapitualar os termos da aposta e a linkar para os vencedores. Se assim o entender, o vencedor poderá também publicar um post a dizer que ganhou (em caso de empate, ninguém terá que publicar post nenhum, mas também poderão publicar um post a dizer que houve empate).

Note-se que isto não implicaria alguém ter que mudar de posição sobre a questão "a Terra está a aquecer?"; afinal, um mês pode perfeitamente ser um outlier (além de que a questão que se discute não é apenas se a Terra está a aquecer, mas também quais as causas disso, possiveis efeitos, etc.); isto pretende ser apenas uma experiência, nada mais.

Questões?

- Porquê o mes de Maio? Porque é suficiente longe do momento presente para haver um certo "vêu de ignorância" e suficientemente perto para eu não me esquecer da aposta; alêm disso, sendo um mês de Primavera/Outono, evita discussões do género "contas feitas em meses de Verão/Inverno não contam - a diferença entre temperaturas máximas e minimas são muito grandes / a volatilidade é muita / etc."; e, fianlmente, porque eu gosto do mês de Maio...

- Porquê ter como comparação a média de 1998 a 2010, em vez de, digamos, 1997 a 2010, ou 1999 a 2010? Porque alguns críticos da teoria aquecimento global têm um fetiche pelo o ano de 1998.

Para aceitar a aposta (ou propor uma reformulação dos termos), inscrevam-se na caixa de comentários do post que publiquei no Vias de Facto (e de preferência publiquem também um post); na primeira semana de 2011, publicarei uma lista de "concorrentes" (não que eu tenha nada contra quem não tenha blogs, mas face aos termos da aposta, só faz sentido ser aceita por alguém que tenha blog, site ou afim).

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá se quiserem]

Sunday, December 26, 2010

Friday, December 24, 2010

Julian Assange interview - David Frost OVER THE WORLD - Al Jazeera English

Julian Assange interview - FROST OVER THE WORLD - Al Jazeera English

Pessoa sobre o Provincianismo [dos intelectuais] Português (I)

via comentário (de Hugo Monteiro) num texto de Pedro Arroja (no Portugal Contemporâneo)



Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz. O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas. Recordo-me de que uma vez, nos tempos do "Orpheu", disse a Mário de Sá-Carneiro: "V. é europeu e civilizado, salvo em uma coisa, e nessa V. é vítima da educação portuguesa. V. admira Paris, admira as grandes cidades. Se V. tivesse sido educado no estrangeiro, e sob o influxo de uma grande cultura europeia, como eu, não daria pelas grandes cidades. Estavam todas dentro de si".

O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção. Diga-se incidentalmente: é esta uma das explicações do socialismo. Se alguma tendência têm os criadores de civilização, é a de não repararem bem na importância do que criam. O Infante D. Henrique, com ser o mais sistemático de todos os criadores de civilização, não viu contudo que prodígio estava criando — toda a civilização transoceânica moderna, embora com consequências abomináveis, como a existência dos Estados Unidos. Dante adorava Vergilio como um exemplar e uma estrela, nunca sonharia em comparar-se com ele; nada há, todavia, mais certo que o ser a "Divina Comédia" superior à "Eneida". O provinciano, porém, pasma do que não fez, precisamente porque o não fez; e orgulha-se de sentir esse pasmo. Se assim não sentisse, não seria provinciano.
É na incapacidade de ironia que reside o traço mais fundo do provincianismo mental. Por ironia entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redações, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário. A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz. Assim, o maior de todos os ironistas, Swift, redigiu, durante uma das fomes na Irlanda, e como sátira brutal à Inglaterra, um breve escrito propondo uma solução para essa fome. Propõe que os irlandeses comam os próprios filhos. Examina com grande seriedade o problema, e expõe com clareza e ciência a utilidade das crianças de menos de sete anos como bom alimento. Nenhuma palavra nessas páginas assombrosas quebra a absoluta gravidade da exposição; ninguém poderia concluir, do texto, que a proposta não fosse feita com absoluta seriedade, se não fosse a circunstância, exterior ao texto, de que uma proposta dessas não poderia ser feita a sério.
A ironia é isto. Para a sua realização exige-se um domínio absoluto da expressão, produto de uma cultura intensa; e aquilo a que os ingleses chamam detachment — o poder de afastar-se de si mesmo, de dividir-se em dois, produto daquele "desenvolvimento da largueza de consciência" em que, segundo o historiador alemão Lamprecht, reside a essência da civilização. Para a sua realização exige-se, em outras palavras, o não se ser provinciano.
O exemplo mais flagrante do provincianismo português é Eça de Queirós. É o exemplo mais flagrante porque foi o escritor português que mais se preocupou (como todos os provincianos) em ser civilizado. As suas tentativas de ironia aterram não só pelo grau de falência, senão também pela inconsciência dela. Neste capítulo, "A Relíquia", Paio Pires a falar francês, é um documento doloroso. As próprias páginas sobre Pacheco, quase civilizadas, são estragadas por vários lapsos verbais, quebradores da imperturbabilidade que a ironia exige, e arruinadas por inteiro na introdução do desgraçado episódio da viúva de Pacheco. Compare-se Eça de Queirós, não direi já com Swift, mas, por exemplo, com Anatole France. Ver-se-á a diferença entre um jornalista, embora brilhante, de província, e um verdadeiro, se bem que limitado, artista.
Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos.

Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'

Sobre as Leis de protecção do bom nome

De uma discussão em comentários no blasfémias, a propósito dos limites da liberdade de expressão:


"CN,
O problema do incitamento ao crime, bem como o bom nome, só é “duvidoso”, quando calha aos outros. Não não será tão relativo quando nos calha a nós. Que faria o CN, se num comentário num blogue, ou numa carta a um jornal, ou declaração pública na televisão, incitassem ao seu assassinato? "


A minha resposta:


Esses actos são altamente imorais e devem ser condenados pelo ostracismo social, não recorrendo ao direito penal. Se não existirem leis para suposta defesa do “bom nome” (seja lá o que isso for), toda e qualquer afirmação gratuita não fundamentada vai ter sempre a grande desconfiança geral de todos, só fontes credíveis, com um passado de seriedade seriam consideradas.


Pelo contrário, as actuais leis de bom nome dão uma falsa certificação a determinadas fontes de propagarem o mau nome, porque lhe dão credibilidade, já que o raciocínio é que se a outra pessoa não reage é porque deve ser verdade.


Essas leis protegem na verdade poderosos económicos e políticos, que se vêm assim protegidos, dado poderem recorrer à máquina judicial contra quem se calhar com verdade, têm muito a dizer sobre elas mas não têm capacidade de uma batalha judicial para provar que não é ataque a “bom nome”.


Conclusão: essas leis, têm o preciso efeito contrário e protegem as elites.


Quanto ao incitamento ao crime, cada caso é um caso, mas as pessoas convivem bem com incitamentos de actos de guerra contra terceiros países/nações, logo aqueles onde em vez de uma morte provoca por norma milhares delas.

Blogue em testes

Se notarem coisas estranhas no blogue nos próximos minutos/horas/dias, não estranhem - sou eu que estou a fazer experiências.

Também de Thomas Szasz

Um artigo clássico de Thomas Szasz (o psiquiatra referido pelo CN aqui) - The Myth of Mental Illness (publicado no Classics in the History of Psychology).

Afinal, o que é que dizem as agências de "rating"?

Nos últimos dias tem-se falado das agências de rating terem voltado a descer a classificação de Portugal, com uns a dizerem "estão a ver como temos que fazer mais sacrificios?" e outros "continua a chantagem dos mercados sobre os estados soberanos" (provavelmente ninguém disse isto textualmente, mas muita gente terá expressado pensamentos equivalentes.

Mas, afinal, o que é que as tais agências dizem que pode correr mal na economia portuguesa?

Vamos lá ver a Moody's (via Finantial Times):

The main triggers for the review include:
(1) Uncertainties about Portugal’s longer-term economic vitality, which will be exacerbated by the impact of fiscal austerity;
(2) Concerns about Portugal’s ability to access the capital markets at a sustainable price; and
(3) Concerns about the possible impact on the government’s debt metrics of further support for the banking sector, which may be needed for the banks to regain access to the private capital markets.
 E a Fitch (também via FT):
“A sizeable fiscal shock against a backdrop of relative macroeconomic and structural weaknesses has reduced Portugal’s creditworthiness,” said Douglas Renwick, Associate Director in Fitch’s Sovereign team…

The downgrade reflects significant budgetary underperformance in 2009. The general government deficit in that year was 9.3% of GDP, versus 6.5% of GDP forecast by Fitch last September…

The Negative Outlook reflects Fitch’s concern about the potential impact of the global economic crisis on Portugal’s economy and public finances over the medium term, given the country’s existing structural weaknesses and high indebtedness across all sectors of the economy. Portugal’s GDP per capita and trend growth are significantly below the ‘AA’ median, which reduces debt tolerance relative to other high-grade sovereigns.

(...)

Fitch considers the government’s recently-announced consolidation plans to be broadly credible, incorporating a high level of detail underpinning a largely expenditure-based adjustment and reasonable macroeconomic assumptions. It builds on a track record of public wage bill reduction over 2005-2008 and significant achievements in public pension reform.

However, the planned deficit adjustment is back-loaded and the risk of macroeconomic disappointment (with knock-on effects to the deficit) is significant, particularly in the latter years of the government’s projections (2012-13). Further fiscal and/or economic underperformance in 2010 and 2011 could lead to another downgrade…
Ou seja, parece que os problemas que as tais agências de rating vêm na economia portuguesa até não têm a ver principalmente com "despesa pública excessiva" (nomeadamente no "Estado Social"), como se poderia pensar pelo que dizem os comentadores que costumam aparecer na televisão.

Pelos vistos, os problemas são:

  • Possibilidade de agravamento da recessão (e portanto redução da receita em impostos), perigo esse que está a ser aumentado pelas politicas de austeridade
  • Possibilidade de o Estado ter que gastar ainda mais dinheiro em apoios à banca
  • Aumento dos juros que o Estado paga pela dívida (diga-se que este aspecto é largamente circular - se o aumento dos juros está a por em causa as contas públicas, é também a ideia que o país corre risco de bancarrota que está a fazer subir os juros; ou seja, quando as agências de rating baixam o rating dum Estado dizendo que a sua situação vai piorar devido ao aumento dos juros estão a fazer uma profecia auto-cumprida: em grande medida é exactamente essa descida do rating que vai provocar a subida dos juros)
Já agora, por vezes há quem distinga entre a situação da Irlanda e de Espanha, por um lado, da de Portugal e da Grécia, por outro, dizendo que irlandeses e espanhóis o que têm é um problema nos bancos e que antes disso os orçamentos até iam bem, enquanto que Portugal e a Grécia tem mesmo um problema de despesismo estatal. Mas, pelos vistos, Portugal não está assim tão diferente da Espanha ou da Irlanda - pode não ter gasto ainda muito dinheiro a salvar bancos (ou se calhar já está a gastar, só que ninguém viu...), mas a expectativa de ter que, no futuro, ir gastar esse dinheiro está a assustar "os mercados" e a aumentar o risco do Estado português; como o risco de Portugal aumenta, aumenta a taxa de juro paga e a dificuldade em conseguir empréstimos; para compensar isso, o Governo corta no subsídio de desemprego e no abono de família e agrava a recessão; ou seja, já estamos a contribuir para a  família Espírito Santo e para lá quem for que sejam os donos do BCP, mesmo que não tenhamos consciência disso.

[post publicado no Vias de Facto, podem comentar lá]