Thursday, July 31, 2014
Nabos torrescados pelo sol
Governo garante à UGT medidas compensatórias para famílias sem filhos.
Todo a ideia de fazer reformas "amigas da família" no IRS (como tem sido propalado nas últimas semanas), é, comparativamente, melhor a atratividade da opção "ter filhos" face à opção "não ter filhos"; logo, se depois essas reformas são complementadas com medidas compensatórias para não discriminar as famílias sem filhos nada disto faz sentido.
Mais no geral: "incentivar" ou "discriminar positivamente" o comportamento X por norma significa penalizar ou discriminar negativamente o comportamento Z; um dos paradoxos na nossa era é que aceita sem problema de maior que o Estado incentive comportamentos, ao mesmo tempo que rejeita enfaticamente que o Estado penalize comportamentos ("Intolerância! Discriminação!"), mas uma coisa não implicará a outra?
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Wednesday, July 30, 2014
"Nova bancarrota" na Argentina?
Nos ultimos tempos têm aparecido noticias a dizer que a Argentina está à beira de entrar de novo em incumprimento, ou em "bancarrota".
O que se passa é que está a ser julgado num tribunal norte-americano se os acordos (reduzindo ou mesmo anulando a dívida) que a Argentina fez com a maior parte dos seus credores após a ultima bancarrota são válidos ou não (o argumento para o "não" é de que o acordo só seria válido se tivesse sido feito com todos os credores, e portanto, como alguns credores não aceitaram a reestreturação, mesmo as dívidas aos credores que a aceitaram continuam válidas).
Assim, caso seja decidido que as dívidas continuam a existir, a Argentina voltará a entrar em bancarrota, já que não conseguirá pagá-las.
O meu ponto é que talvez não seja muito correto apresentar isso como uma nova bancarrota - é simplesmente de novo a velha bancarrota que já aconteceu no principio do século; ou seja, a causa do problema não são novas dívidas entretanto contraidas - são as velhas dívidas que supostamente tinham desaparecido na sequência da bancarrota original e que entretanto ressucitaram.
Acho que esta distinção é relevante em termos de percepção na opinião pública - dizer "nova bancarrota na Argentina" dá a ideia (pelo menos dava-me a mim, antes de ler os detalhes) de algo estilo "a Argentina não pagou as suas dívidas, voltou outra vez a endividar-se e agora já está outra vez a renunciar às dívidas que entretanto contraiu".
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Tuesday, July 29, 2014
Burocracia e conformismo
"Most bureaucrats are deeply conformist, but bureaucratic (lack of) incentives are great for non-conformists." (Bryan Caplan)
O post ("A Non-Conformist's Guide to Success in a Conformist World") é globalmente interessante, mas foi esta passagem que me chamou a atenção.
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Monday, July 28, 2014
Diferença cultural entre a Europa e os EUA?
Comparar a atitude dos "libertários" norte-americanos com a de liberais portugueses perente o cenário "policia vai a uma casa e mata o cão da família".
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Sunday, July 27, 2014
Os financiamentos do BES a partidos políticos
Banco empresta dinheiro a A, B, C e D; posteriormente A, B, C e D devolvem o dinheiro e mais os juros.
À primeira vista, parece-me ser exatamente o que um banco é suposto fazer.
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Friday, July 25, 2014
Coisas que quase toda a gente concorda
"As pessoas não vão ter mais filhos por causa de beneficios fiscais, abonos e afins"
"O custo de vida (no geral e especificamente em creches e material escolar), desemprego e reduções salariais fazem as pessoas terem menos filhos"
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A adesão da Guiné-Equatorial à CPLP
Lista de países-membros da Commonwealth e da Organização Internacional da Francofonia.
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Tuesday, July 22, 2014
Tentativa de uma tipologia dos tipos de ficção
Pessoas normais em situações normais - ?
Pessoas normais em situações extraordinárias - romance de aventuras (várias variantes)
Pessoas extraordinárias em situações normais - drama, "literatura séria"
Pessoas extraordinárias em situações extraordinárias - ficção especulativa (FC, fantasia)
Desenvolvendo:
O tipo "pessoas normais em situações extraordinárias" corresponde às obras em que uma pessoa igual a qualquer outra de repente se vê envolvida (como testemunha, vítima, falso culpado, etc.) em conspirações, crimes, etc. Uma variante é um tipo de ficção infanto-juvenil (bastante comum nos filmes dos anos 80) em que um grupo de crianças ou de jovens adolescentes, até então levando uma vida perfeitamente normal, de repente se vê envolvida numa trama aventurosa (testemunhar um crime, encontrar um mapa do tesouro, ser visitado por extraterrestres, etc.).
O tipo "pessoas extraordinárias em situações normais" corresponde às obras em que não se passa nada de especial nos acontecimentos em que o personagem está envolvido e em que o interessante na história está mesmo no personagem em si - na sua vida interior, nos seus pensamentos e emoções, na forma como reage aos acontecimentos, etc. Grandes partes dos filmes classificados como "drama" e dos livros classificados como "ficção literária" seguem este esquema.
O tipo "pessoas extraordinárias em situações extraordinárias" , em que tanto os personagens como as situações são fora do vulgar, terá o seu exemplo mais puro nos filmes de ficção científica e de fantasia, ou na banda desenhada de super-heróis (que no fundo pode sempre ser vista como uma variante da FC ou da fantasia, conforme as origens do poder dos hérois seja técnica-biológica ou sobre-natural); no entanto, o romance de aventuras ou o policial também podem cair aqui, dependendo da forma como os protagonistas são apresentados (escala deslizante de anormalidade do protagonista num policial: cidadão comum que se vê envolvido num crime; polícia; detetive privado; criminoso contra criminosos piores que ele; superdetetive tipo "Sherlock/Poirot").
Diga-se que a fronteira entre o "pessoas normais em situações extraordinárias" e o "pessoas extraordinárias em situações extraordinárias" pode ser muito porosa: na FC/Fantasia os personagens principais, muitas vezes, por mais estranhos que sejam, são apresentados como o mais parecido que há - dentro da história - com pessoas normais (ou são humanos no espaço encontrando entidades extraterrestres, como no Caminho das Estrelas ou Espaço 1999, ou feiticeiros/deuses que só recentemente descobriram a sua natureza, como em Harry Potter ou Percy Jackson, ou são humanos com outro nome, como os hobbits de Tolkien, que me parecem mais "humanos normais" que os "humanos normais" propriamente ditos); e um personagem pode começar como "pessoa normal em situações extraordinárias" num livro/filme, e à medida que as sequelas vão avançando vão se tornando extraordinário (ou começa a ser percebidos como extraordinários pelos leitores/espetadores, mesmo que eles próprios não mudem - qualquer um dos livros de Os Cinco - nem sei porque me lembrei destes - seria "pessoas normais em situações extraordinárias", mas o conjunto dos livros acaba por dar uma aura de extraordinariadade aos próprios personagens).
Mais complicado é o quadrante "pessoas normais em situações normais", em que os personagens não têm nada de especial e também não lhes acontece nada de especial; realmente há alguns estilos avulsos que talvez se enquadrem nesta categoria: sitcoms, telenovelas (se os protagonistas não forem milionários com disputas por heranças e filhos ilegitimos pelo meio), etc. O naturalismo, o realismo e o neo-realismo tentaram deliberadamente ser isso, mas não sei se conseguiram: p.ex., Os Maias (supostamente a obra-prima do realismo/naturalismo português) realmente gira à volta de pessoas normais (num certo meio social) levando a vida normal (de novo, nesse meio) da altura, mas o que é certo é que teve que introduzir um personagem principal extraordinário (Carlos da Maia é claramente apresentado como tendo tido uma educação e uma personalidade diferentes das outras pessoas) e também um acontecimento extraordinário (penso que não é nenhum spoiler referir o incesto involuntário); a respeito do neo-realismo / realismo socialista, muitas vezes formalmente corresponde à descrição "pessoas normais em situações normais", limitando-se a descrever a vida quotidiana das classes desfavorecidas, como em Esteiros, sem os personagens ou os acontecimentos terem nada de especial; no entanto, a particularidade é que suspeito que esses romances acabavam por ser lidos sobretudo por jovens idealistas da classe média, o que os tornava na prática - do ponto de vista dos leitores - obras sobre "pessoas extraordinárias em situações extraordinárias" (o mesmo pode ser dito de muitas obras anti-guerra, descrevendo os horrores da guerra sem heroísmos, como Nada de Novo na Frente Ocidental ou Platoon: como o destinatário dessas obras era sobretudo as pessoas que não tinham participado na guerra, acaba por funcionar, do ponto de vista do público, como pessoas em situações extraordinárias). E quando o romance neo-realista acabava com uma greve, uma ocupação, ou com o personagem principal, inicialmente apolítico, a juntar-se ao "Partido", aí entrava totalmente no terreno "situações extraordinárias". No fundo, suspeito que uma obra "pessoas normais em situações normais" em estado puro acabaria por ser demasiado entediante para o público.
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Thursday, July 17, 2014
"Famílias"
Esta passagem deste post da Shyznogud - «Aumento do rendimento das pessoas (irrita-me a conversa de "aumento de rendimento das famílias", nestas temáticas sou muito individualista)» - fez-me lembrar de um assunto que há tempos andava para fazer um post: uma tendência para, no discurso político, usar "famílias" como uma forma alternativa de dizer "pessoas" ("impostos sobre as famílias", "as famílias portuguesas têm vindo a perder poder de comprar", etc.).
Já agora, recomendo o artigo «Only lazy politicians use the phrase 'hard working families'» (é uma página com montesde artigos e é preciso ir à procura); embora o autor se concentre mais na questão dos "hard working", também aborda a parte do "families".
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"Pirataria" prejudica indústria cinematográfica?
Se calhar não:
Um economista analisou os downloads ilegais e as receitas de 150 blockbusters lançados no período de sete anos e concluiu que a pirataria não é prejudicial a Hollywood..
Koleman Strumpf é o autor de um estudo que promete ser polémico. O economista afirma que a pirataria não prejudica os interesses do cinema. «Não há evidências nos meus dados empíricos que mostrem que a partilha de ficheiros tenha um impacto significativo nas receitas dos cinemas», explica Strumpf. A partilha de ficheiros pirata reduziu as receitas de primeiro mês dos filmes em 200 milhões de dólares, entre 2003 e 2009. Este valor corresponde a menos de 1% do que os filmes na realidade faturaram, explica o BGR [Exame Informática]
Aqui pode-se aceder a uma versão preliminar em PDF do estudo - Using Markets to Measure the Impact of File Sharing on Movie Revenues; o autor aliás tem também um estudo sobre o assunto parecido - The Effect of File Sharing on Record Sales: An Empirical Analysis, publicado em 2007.
Uma nota final - parece-me que o ordenado do autor é pago por um donativo da família Koch à Universidade do Kansas, ou coisa parecida (mais provavelmente, pelos rendimentos do donativo, feito anos antes de ele ser contratado); atendendo ao historial de envolvimento dos irmãos Koch em ativismo político ultra-liberal, admito que isso possa levantar algumas dúvidas sobre a credibilidade do estudo; no entanto, como o autor fundamenta a sua posição com base em dados e cálculos que imagino sejam facilmente replicáveis, acho que se não aparecer ninguém a dizer que os cálculos estão errados poderemos assumir que estão certos (e de qualquer maneira nem sei qual a posição dos irmãos Koch sobre a propriedade intelectual).
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Etiquetas: Propriedade Intelectual?
Sunday, July 13, 2014
A saída do "Fórum Manifesto" do BE
O "Forum Manifesto" decidiu desvincular-se do Bloco de Esquerda; não implicando isto uma desvinculação automática dos seus membros, as notícias que correm é que Ana Drago provavelmente irá abandonar o BE.
Para começar, caso alguns leitores não saibam bem o que é o Fórum Manifesto, uma pequena súmula histórica: nos últimos meses de 1991, após o falhado golpe contra Gorbachov e o comunicado do PCP apoiando os golpistas, o essencial dos militantes "renovadores" do PCP abandonaram o partido (confesso que não sei exatamente se foram sobretudo saídas voluntárias ou se também houve muitas expulsões), que de qualquer forma já estava num processo de abandono de militantes críticos; desse processo nasceu a Plataforma de Esquerda, que em breve começou a colaborar com o PS. A facção da PE (incluindo figuras como Miguel Portas ou Daniel Oliveira) que recusou essa linha de aliança com o PS organizou-se em torno de um jornal, o "Manifesto" (suspeito que o nome foi escolhido para imitar il manifesto) - lembro-me de, nas manifestações anti-propinas, esse jornal ser distribuído (não sei se ainda terei guardado algum lá por casa). Nas eleições europeias de 1994, falou-se numa coligação entre o PSR, o MDP/CDE e o grupo do Manifesto, mas o PSR acabou por concorrer sozinho, e o MDP/CDE mudou o nome para Politica XXI, passando a integrar o "antigo" MDP/CDE + o Manifesto (penso não estar em erro se disser que a criação da Politica XXI foi uma espécie de OPA amigável ao MDP/CDE por parte do Manifesto, que passou a ser largamente dominante na nova encarnação do partido). Em 1999, a Politica XXI, junto com o PSR e a UDP, criou o Bloco de Esquerda; mais tarde (creio que até por imposição da lei dos partidos), PSR, UDP e Politica XXI dissolveram-se como partidos, sendo substituídos respetivamente pela Associação Política Socialista Revolucionária, pela Associação União Democrática Popular (creio que esta manteve a sigla) e pelo Fórum Manifesto. Dentro do Bloco, a Política XXI / Fórum Manifesto é (ou era...) conotada como a ala mais moderada e mais aberta a acordos com o PS; a impressão que tenho é que, a partir de certa altura, passou a ser também a facção mais abertamente eurocética e mais dada a admitir a hipótese da saída do euro (mas admito que esta minha caracterização da evolução recente do Fórum Manifesto seja bastante discutível). Até à ultima convenção, o Fórum Manifesto era parte integrante da "maioria governante" do Bloco (e até era acusado pela Ruptura/FER - a "oposição de esquerda", que veio a dar origem ao MAS - de estar sobre-representada nos orgãos dirigentes), mas em 2012, se alguns dos seus membros continuaram a integrar ou a apoiar a "moção A", muitos outros participaram na "moção B".
Bem, e após esta longa introdução, o que tenho eu a dizer da nova cisão? Pelo menos uma coisa - que no caso da Ana Drago, se ela realmente sair do Bloco, não percebo muito bem como, em seis meses, alguém passa de membro da direção de um partido a ex-aderente do partido (sem sequer passar pela posição intermédia, de se candidatar contra a atual direção); isto é, se alguém se manteve anos na direcção e a apoiar a lista maioritária, parte-se do principio que não tinha diferenças significativas com a direção e as que tinha achava possivel tentar mudar as coisas a partir de dentro, em vez de apoiar uma candidatura alternativa; de repente (ou em seis meses) chega à conclusão que, não só as suas divergências com a direção são muito grandes, como até as divergências com o conjunto do aderentes do partido serão tão grandes que nem sequer vale a pena apresentar uma moção e listas oposicionistas (ainda mais que vai haver uma convenção daqui a quatro meses)? Sinceramente, parece-me a atitude de alguém que está à espera que as coisas lhe caiam no colo já feitas ("Se os órgãos dirigentes não concordam com as minhas ideias, não tento mudar as coisas, vou-me embora"), ou de quem vê a política mais como acordos e negociações de bastidores de que como uma luta aberta pelas suas ideias (o que, confesso, não era nada a ideia que eu tinha da Ana Drago), e portanto acha que, se não consegue convencer a "elite" do partido, então não há nada a fazer... (para falar a verdade, até ontem eu estava convencido que muito provavelmente a Ana Drago iria derrotar a atual direção na próxima convenção do BE).
Em tempos, Albert Hirschman escreveu que os descontentes com uma organização tinham 3 caminhos possíveis: "exit", abandonar a organização; "voice", fazer oposição interna; e "loyalty", permanecer esperando que as coisas melhorem. Dá-me ideia que grande parte do Fórum Manifesto passou diretamente da "loyalty" ao "exit" sem passar pela "voice" (isto é, podem ter feito "voice" nos órgãos dirigentes, mas junto dos militantes de base portaram-se quase sempre como membros leais da maioria).
Para um contraste (e mantendo-nos na área do FM), veja-se o caso de Daniel Oliveira - há muitos anos que expressou posições criticas da direção do Bloco; apoiou uma lista oposicionista; e, finalmente, chegou à conclusão que o melhor era sair. Concorde-se ou não com as posições de DO, é um percurso lógico e coerente. Já a Ana Drago, se realmente sair do Bloco (ainda tenho alguma esperança que ela venha desmentir a notícia), irá ser um percurso sem lógica nenhuma.
Adenda: confirma-se a saída de Ana Drago
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Tuesday, July 08, 2014
Os berberes e o Estado
Há pouco mais de um ano, linkei para um post de Daron Acemoglu e James Robinson sobre a inexistência tradicional de Estado entre os berberes do Atlas marroquino.
Os autores voltam a abordar o tema, e daí generalizando para a questão sobre porque é que certos povos não têm (ou não tinham) Estado:
But there are difficulties in interpreting many of these facts and the rich patterns about the state. Why didn’t the Berbers have a state? It could have been that really they wanted a state but couldn’t figure out how to construct it, or perhaps just didn’t have a model of what a state looked like. Many scholars working in development economics, for example, argue that if a society lacks institutions or policies which would promote development then this must be because they don’t really understand how to make the policies or institutions work in their own specific context.
James Scott, on the other hand, would argue that the most plausible explanation for the absence of a Berber state was that the Berbers did not want a state (because the disruptions that the state would inevitably create in their lives) and had managed to create mechanisms to stop it forming. Scott’s general arguments about the state, which we review in the next two posts, are powerful and provocative images of what the state is and does and how people react to it. After we develop his arguments, we will discuss a whole series of empirical examples to interrogate his ideas.
O "James Scott" a que eles se referem é ao autor de "Seeing like a State: How Certain Schemes to Improve the Human Condition Have Failed" (aqui uma discussão no blogue do Cato Institute sobre esse livro).
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Thursday, July 03, 2014
"Canídeos e gatídeos"
Quem for às tabelas de taxas das juntas de freguesias, encontra uma curiosa entidade - os "gatídeos"; o que será um "gatídeo"?
Pelo nome, diria que teria algo a ver com gatos, mas os gatos são felídeos, portanto os "gatídeos" devem-se referir a outra coisa qualquer.
Já agora, se eu (ao abrigo da referência aos canídeos) quiser registar, na minha freguesia, um lobo ou um mabeco de estimação terei que pagar 15 euros de licensa?
Atenção que isto não é uma particularidade da minha freguesia - todas as freguesias usam essa terminologia, que está prevista na lei nacional.
O que eu suspeito é que quem fez a lei provavelmente julga que "canídeo" é simplesmente uma forma mais formal de dizer "cão" (e não um conjunto que abarca cães, raposas, lobos, chacais, coiotes, etc.); e o passo seguinte foi concluir que, se os "cães" são "canídeos", então os "gatos" são "gatídeos". Imagino que se se divulgar o hábito de ter furões como animais de estimação, se comece a emitir licenças para furanídeos.
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Wednesday, July 02, 2014
Véus
On the evolution of misogyny..., por Simon Cook:
Here is a quotation attributed to a 17th century English sailor:
"The men that are married are given much to jealousy, and will not permit any stranger to come where their wives are, much less to see them, but will keep them out of sight as much as they possibly can...all their women, both married and unmarried, go with a black veil over their heads and reaching down to their legs, all being covered except their eyes."
The sailor wasn't visiting a Muslim country but the very Roman Catholic country of Portugal and the covering of women was cultural rather than religious - the practice was common across all faiths, indeed the quotation was put in the context of how Jewish migrants from Lisbon to Amsterdam were seen by the more 'enlightened' Dutch.
My point in making this observation is to make clear that it is perfectly possible to oppose the practice of requiring women to be fully covered without being 'Islamaphobic' since this practice was widespread in Catholic Europe almost into living memory. Indeed, I remember elderly Spanish and Italian women attending my church wearing a mantissa, the last vestiges of the shrouding of women in Roman Catholicism.
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Friday, June 20, 2014
"Populistas e extremistas"
The real story in the European elections wasn’t the rise of ‘populists and extremists’, but the return of the left-right divide, por Jonathan White (London School of Economics):
The elections have been widely narrated as the triumph of ‘anti-establishment’ parties – or as The Economist likes to call them, ‘populists and extremists’. Such categories mask major differences. Though dissent is the common denominator, the questions raised by the Front National, UKIP and the Danish People’s Party sharply diverge from those posed by SYRIZA, Podemos, the Dutch Socialists and the Portuguese Left Bloc, to name just some of the parties successful in these elections. How they articulate the causes of economic stress is essentially different.Nota - não vejo a que propósito o autor inclui o BE nos "partidos que tiveram sucesso nas eleições" (suspeito que ele olhou para os resultados, viu 1 deputado do BE eleito em Portugal e, sem grandes conhecimentos da politica local, assumiu que deveria ser um grupusculo extra-parlamentar que finalmente tinha eleito um deputado)
On the one side, the analysis of economic hardship has tended to focus on the moral failings of outsider groups. Be it immigrants, welfare dependants, lazy southerners, greedy bankers, mindless bureaucrats or the political class, someone somewhere is behaving badly. These accounts are stories of transgression – of offences against morality and common sense. On the other side, the origins of hardship lie rather in the failure of a template. A critique of adhesion forms the basis of such accounts – be it adhesion to an erroneous doctrine (neoliberalism, austerity) or to an unworkable economic system (capitalism, growth-led development). Seen from this angle, the politics of UKIP and SYRIZA could hardly be more contrasting.
Such differences express a left-right division. Historically, suggest political thinkers, this division has centred on attitudes to inequality, with the left defined by its inclination to seek the rectification of inequality and the Right by its scepticism on grounds of feasibility or desirability. In the twentieth century, this distinction often overlapped with diverging attitudes towards the institutions of state and market. If we take these elements to be at the core of the left-right divide, today’s disagreements are consistent with it.
Accounts of economic hardship centred on transgression tend towards underwriting the order whose standards they claim have been violated: these positions generally display a fairly sympathetic view of the market (even if there is concern at how certain groups have ‘distorted’ it) and a quite limited concern with inequality (extending at most to the thought that certain inequalities are ‘excessive’). Accounts centred on adhesion to problematic doctrines and practices by contrast generally place the pre-crisis order in question, including the market economy and the inequalities systematically generated by it.
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Monday, June 16, 2014
Guerras e crescimento económico
Militarism and growth, por Chris Dillow:
There's one big omission in Tyler Cowen's argument that peace is bad for growth - opportunity cost.
The conventional neoclassical view is that £1 spent on the military is £1 not spent on something else, and that something else might well involve more productive activity than having soldiers sitting in barracks. This was the point made by Frederic Bastiat in his 1850 essay, That Which is Seen, and That Which is Not Seen (...)
And whilst he is right to point to some innovations that arose from militarism, doing so runs into Bastiat's injunction to consider the unseen. From a neoclassical viewpoint, military spending diverts resources from cilivian spending, some of which would have produced other innovations. It's possible that a bigger civilian economy would generate faster growth by "learning by doing effects", or simply because the private sector is on average better at innovating than the government.
All of these objections, however, rest upon a questionable assumption - that resources are fully employed so that higher military spending means lower civilian spending. If resources are unemployed, the opportunity cost argument fails so Tyler might be right: for this reason, he is too hasty to dismiss Keynesian considerations.
In this context, Tyler has some interesting predecessors - Marxian underconsumptionists such as Paul Baran and Paul Sweezy. Back in 1966 they argued that capitalist economies tend to stagnate because capitalism's massive potential to produce was not matched by growth in potential demand. Military spending, they argued, helped fill this gap and thus boost growth (...)
Keynesians might object that civilian public spending would also boost aggregate demand. But, said Baran and Sweezy, from a capitalist point of view military spending was superior. It gave fat, reliable profits to government contractors in a way that, say, paying teachers doesn't. And a militaristic society fosters a culture amenable to capitalists, of conformity to authority.
So, who's right - Tyler and the Marxian underconsumptionists or the neoclassicals? Personally, I think this is another area where there are no universal truths in economics. Militarism might well have been bad for economies in the full-employment late 60s and inflationary 70s. But it's plausible that it helped in the deflationary 30s. And it could be that today has more in common with the 30s than the late 60s.
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Wednesday, June 11, 2014
O "Podemos" (II)
El voto a Podemos en cuatro gráficos (El Diario):
Sin duda, la gran sorpresa electoral del pasado domingo fue la irrupción en el escenario político de Podemos. Los resultados son espectaculares: más allá del millón doscientos cincuenta mil votos que convirtieron a Podemos en el cuarto partido del país (tercero en cinco comunidades autónomas, entre ellas Madrid), a mí me ha sorprendido la capacidad de penetrar de forma exitosa en todo el territorio a sólo unos meses de su fundación. Es cierto que obtiene resultados espectaculares en lugares como Asturias o Madrid (¡o un 19% en la ciudad de Soria!), y algo peores en otros: en Andalucía y Extremadura (donde PSOE e IU obtienen mejores resultados que en resto del país), en Cataluña y el País Vasco (donde hay un sistema de partidos completamente diferente), y en general en lugares donde hay más oferta partidista. Pero incluso en estos lugares Podemos no deja de ser competitivo: logra superar el 5% de voto en Barcelona, el 6% en el País Vasco, y supera a Compromís en Valencia y al BNG en Galicia.Lo que sigue es un ejercicio informado aunque especulativo (la premura y la naturaleza de los datos obligan a ello) sobre la naturaleza del voto a Podemos. Usaré fundamentalmente datos de la distribución del voto por distritos en la ciudad de Madrid, aunque datos procedentes de otros lugares parecen confirman muchas de las intuiciones que aquí se presentan, y las interpretaciones que se hacen aspiran a ser generalizables a todo el país.
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O "Podemos" (I)
How economic despair pushed Spain to embrace a new party, por Sofia Perez, no Monkey Cage:
Events over the last few weeks in Spain have surprised many observers. A new party – Podemos (“We can”) – got an unexpectedly high vote in elections to the European Parliament. This has shaken up the party system, long dominated by two large national parties (the Socialist PSOE and the ruling conservative Popular Party (PP)) along with a number of established local nationalist parties important in Catalonia and elsewhere. (...)
There is now an intense debate going on about the “Podemos” phenomenon. Should Podemos be seen as a “populist” party (as critics have labeled it); is it a party of economically disenfranchised youth pitted against a privileged older generation; a formation of opportunist political entrepreneurs capitalizing on the discontent caused by the economic crisis that offers no real alternative; or a legitimate “citizens defense platform” trying to put a stop to the economic hardship imposed in Spain through austerity measures demanded by Brussels and Berlin? Initial evidence suggests that Podemos is an anti-establishment party that has successfully tapped the discontent and despair of a significant segment of the population (see data below) and that it draws its vote from non-voters and voters of other Left parties. Its rise seems to mark a leftward shift in the electorate in reaction to the crisis. It does not seem to be a generationally defined party but draws support from all age groups. (...)
Another Metroscopia survey suggests that 60 percent of Podemos voters had not made up their mind three days prior to the election. But if Podemos has managed to articulate and mobilize a vote of despair, that is likely to give it a different role from traditional protest parties (such as the Eurosceptics and nationalist far Right that did well elsewhere in Europe). The Podemos phenomenon is more in line with the success of Syriza in Greece. Although the parties are organizationally different, they both seek a Europe that follows very different economic policies rather than wanting to limit the idea of Europe.
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