Friday, February 08, 2008

Presidenciais americanas: os eleitores independentes

Aqui escrevi que "conquistar eleitores independentes pode não ser tão bom como tudo isso". É bom claro, mas depende de que "eleitores independentes" estivermos a falar, porque, nas Presidenciais dos EUA o que interessa não é ganhar indivíduos, mas estados (bem, no Maine e Nebraska, também interessa ganhar distritos); ou seja, mais que conquistar "eleitores flutuantes", interessa os "estados flutuantes".

Ora, a mim parece que, por regra, os Democratas ganham sempre na Costa Oeste e no Nordeste; os Republicanos ganham sempre nas Montanhas Rochosas e no Sudoeste; e que é o Sul e o Midwest (e estados próximos, como a Pensilvânia) que efectivamente decidem as eleições.

E aqui é que a questão "que tipo de eleitores independentes estamos a falar" se torna relevante: no post anterior aventei a hipotese (sem qualquer base cientifica, é pura especulação minha) de os eleitores independentes que votam Obama serem "liberais sociais e conservadores fiscais"; efectivamente, é possível que a maior parte dos eleitores flutuantes dos EUA encaixem nesse perfil; mas talvez não seja o caso dos Estados flutuantes: ao que sei, a tradição politica, tanto do Sul como do Midwest é exactamente o oposto - uma combinação de conservadorismo social e populismo económico (veja-se as vitórias de Huckabee* - que por vezes toca nessa tecla - no Sul e no Iowa); assim, o sucesso de Obama entre os eleitores flutuantes pode não significar sucesso nos Estados flutuantes (bem, talvez no New Hampshire, um estado flutuante de outra área geográfica).

Vagamente a respeito deste assunto, dêem uma olhada no site de Thomas Frank, autor de "What's the matter with Kansas", que argumenta que os Democratas, ao abandonarem o seu programa económica na esperança de ganhar eleitores moderados da classe média, estão a entregar a classe operária das pequenas cidades do interior aos Republicanos (já que os Republicanos passam a mobilizar o conservadorismo social desses meios, enquanto os Democratas deixam de poder apresentar-se como os defensores dos seus interesses económicos).

*aliás, já não tenho tanta certeza se deveria ter recuado tão cedo na minha previsão inicial.

Thursday, February 07, 2008

Hillary e Obama

Quem está mais à esquerda: Hillary Clinton ou Barak Obama? Com "mais à esquerda" leia-se, claro, "menos à direita", já os Democratas, em termos portugueses, devem corresponder para aí ao PSD (no entanto, ao longo deste post, irei usar a expressão "esquerda").

Por um lado, muita gente à direita parece considerar Hillary como uma "radical", tendo perante Obama uma atitude de "não é tão mau como a outra" ou pelo menos de "tem uma imagem menos radical".

Por outro lado, muita gente à esquerda parece apoiar Obama exactamente por achar Hillary demasiado "centrista" e conivente com as politicas de Bush.

Ou seja: afinal, quem é a "ala esquerda" e a "ala direita"?

Segundo o projecto Voteview, será Obama - Obama é o 11º senador mais à esquerda, sendo Hillary a 20º; já agora, John McCain, considerado injustamente como um "moderado"/"traidor", é o 8º mais à direita (explicando de uma forma simplificada, o Voteview dispõe os congressistas num eixo unidimensional de acordo com os seus votos, usando um algoritmo matemático de maneira a que os congressistas que votam de forma mais parecida fiquem mais próximos no eixo).

Mas o que me parece é que na economia Hillary estará uns milímetros à esquerda de Obama (e economistas de esquerda, como Krugman, que antes pareciam tender para Edwards, agora estão do lado de Hillary), enquanto nas "outras questões" (nomeadamente a guerra do Iraque) Obama estará uns milímetros à esquerda de Hillary. Aliás, consta que há muitos anos que a divisão nos Democratas tende a ser entre uma ala "liberal", mais preocupada com a politica externa e/ou as "questões fracturantes", e outra ala mais preocupada com questões socio-económicas.

E, efectivamente, parece que as melhores votações de Obama foram entre os eleitores que consideram o Iraque o problema principal, e as de Hillary entre os mais preocupados com a economia ou o sistema de saúde.

Em suma, mais do que um estar à esquerda do outro, talvez possamos considerar que Obama é ligeiramente mais liberal/menos não-liberal (tanto em economia como em politica externa) do que Hillary (talvez por isso alguns "libertarians" o considerem o menos mau dos principais candidatos ou mesmo como uma especie de "left-libertarian").

O esquema do "Electoral Compass" parece ir nesse sentido, sendo a Hillary mais "left-wing" e o Obama mais "social progressive". Já o OnTheIssues parece ir em sentido contrário: Hillary e Obama aparecem iguais na economia, e Clinton à esquerda nos "social issues" (incluindo a defesa), mas essas classificações parecem-me suspeitas:

1) há uns meses, Hillary, agora classificada como "hard-core liberal", era classificada como "populist" (de esquerda na economia, de direita nos "social issues")

2) Na rubrica "Sair do Iraque" (tópico 17), Hillary aparece como mais radical que Obama (na verdade, Hillary até surge como mais radical que Nader!), quanto tudo o que li acerca isso indica que Obama é mais a favor de sair depressa do Iraque que Hillary.

[E agora o que vou escrever daqui para a frente é pura especulação da minha parte]

Talvez seja por isso que Obama consegue recolher apoios tanto entre o sector mais activista do Partido Democrata (estilo MoveOn.org, em principio a "ala esquerda" do partido), que, entre outras coisas, lhe dá as vitórias nos caucus, como entre os eleitores independentes, supostamente "centristas":

No caso dos "activistas"Democratas, provavelmente eles não diferem significativamente de um "Democrata médio" em questões económicas, mas estarão muito mais à esquerda nas "outras questões" (nomeadamente na guerra do Iraque) - logo Obama terá bons resultados entre eles.

No caso dos independentes, é possível que muitos sejam "liberais sociais e conservadores fiscais", i.e., tolerantes nos costumes, seculares, pró-liberdades civis, não-militaristas, mas não adeptos de grandes despesismos públicos - logo, também preferirão Obama a Hillary (no entanto, conquistar eleitores independentes pode não ser tão bom como tudo isso - no próximo post, escrevo sobre isso).

E talvez a frente popular obamista que se vê na internet portuguesa seja também o reflexo disso: uma mistura de esquerdistas mais preocupados com o anti-imperialismo (e as "questões fracturantes" em geral) e de direitistas mais preocupados com questões económicas.

Já o apoio (que, a esta hora, já deve ter sido transferido para McCain), em Portugal, de uma certa direita mais ou menos militarista que o vê como o novo almirante do Ocidente sai desta grelha (afinal, a imagem de marca de Obama é a sua oposição à guerra do Iraque) mas também pode ser explicado - Obama (ao contrário de Kucinich, Gravel, Paul, Nader ou talvez mesmo Edwards) é só muito ligeiramente anti-guerra, logo é aceitável para esse sector; se essa direita for também moderada ou mesmo progressista em questões de "costumes", grande parte dos candidatos republicanos estão de fora; Hillary também é excluida pelas suas posições económicas; assim, sobra Obama, Giuliani e talvez McCain (como já repararam, estou a contar com os candidatos todos, mesmo os que desistiram). E se calhar nos oceanos onde navegam este sub-tipo de apoiantes de Obama também se encontra facilmente entusiastas de Giuliani e McCain, indiciando que se trata efectivamente de um ecossistema favorável a essas espécies.

Pessoas saudáveis 'custam mais que obesas a serviços de saúde'


Wednesday, February 06, 2008

Rigor terminológico segundo o 31 da Armada

Cobardia - participar numa acção sabendo que se morre quase de certeza.

"Colin Powell made his Iraq presentation at the UN five years ago, on February 5, 2003."

Sobre o tema acima, vou lembrar-me da dificuldade que tive no dia seguinte ao discurso de Colin Powell em discutir o assunto com muitos "colegas", apesar das evidências/suspeitas a priori sobre quase todo o material exposto por Collin Powell em directo na TV para todo o mundo. Lembro-me bem do ar triunfante de Vasco Rato (o proto-neo-cons de serviço em Portugal) no Público, a expôr a sua tese de "certinho"e "virtuoso" ganhador dado as provas apresentadas por Powell. "Somehow" os enganos dos pro-war nunca resultam em descrédito, nem quando se enganam redondamente nem mesmo quando a sua base é em parte mentiras. Podemos considerar o assunto como conspiração para justificar uma guerra? Creio que sim. "Nuremberga" até o considerará formalmente um crime punivel internacionalmente. Não sei se na era pós-Bush, passado algum tempo a coisa não será mesmo investigada e mais tarde quem sabe punida.

.http://www.tinyrevolution.com/mt/archives/002063.html"

Colin Powell made his Iraq presentation at the UN five years ago, on February 5, 2003.

As much criticism as Powell has received for this—he calls it "painful" and something that will "always be a part of my record"—it hasn't been close to what's justified. Powell was far more than just horribly mistaken: the evidence is conclusive that he fabricated evidence and ignored repeated warnings that what he was saying was false.Unfortunately, Congress has never investigated Powell's use of the intelligence he was given. Even so, what's already in the public record is extremely damning. So while the corporate media has never taken a close look at this record, we can go through Powell's presentation line by line to demonstrate the chasm between what he knew, and what he told the world. As you'll see, there's quite a lot to say about it.Powell's speech can be found on the State Department website here. All other sources are linked below."

Ler o artigo.

Tuesday, February 05, 2008

Ainda (e sempre) o Direito de Secessão

Auto-determinação, pelo Gabriel Silva no Blasfémias (a propósito da questão do Kosovo, a qual antecipei há muito que irónicamente iria colocar o problema da secessão na agenda internacional das próximas décadas - na verdade o factor supresa da ordem internacional).

PS: curioso como a discussão resvala para os conceitos mais profundos do tipo, "sem Estado não existe Direito?"...algo estranho dado que não vivemos num Estado Mundial (e espero que nunca) em regime de um-homem-um-voto. Na verdade ou defendemos consistentemente um Estado Mundial ou o Direito de Secessão deve fazer parte da Teoria Constitucional. Se uma comunidade é uma entidade colectiva de associação voluntária, a sua "constituição" só é legítima no sentido em que materializa o carácter voluntário, estabelecendo mecanismos pacíficos de separação (ainda que tenha de ter em conta unidades com um mínimo de dimensão geográfica e humana, etc).

E todo o tipo de comunitarismo, incluindo o "não-proprietário" tem o incorporar, se visar a maximização da paz.

Vontade Geral versus Direito Natural

É o tema que espero ser capaz de abordar. Quem quiser deixar pistas de reflexões nos comentários até agradeço.

Vontade Geral: As decisões comunitárias, colectivas, democráticas (embora para mim, entre comunitarismo até colectivo e/ou democrático a distância seja ainda assim apreciável).

Direito Natural:

"As reason tells us, all are born thus naturally equal, with an equal right to their persons, so also with an equal right to their preservation . . . and every man having a property in his own person, the labour of his body and the work of his hands are properly his own, to which no one has right but himself; it will therefore follow that when he removes anything out of the state that nature has provided and left it in, he has mixed his labour with it, and joined something to it that is his own, and thereby makes it his property. . . . Thus every man having a natural right to (or being proprietor of) his own person and his own actions and labour, which we call property, it certainly follows, that no man can have a right to the person or property of another: And if every man has a right to his person and property; he has also a right to defend them . . . and so has a right of punishing all insults upon his person and property." Rev. Elisha Williams (1744), citado no Ethics of Liberty do "property rights anarchist-economist" Murray N. Rothbard

Temas ao barulho: como adquirir propriedade honestamente que está no estado da natureza (pela ocupação e uso? ou pela permissão/concessão de terceiros?). A secessão (sempre um ou mesmo "o" elemento de análise). A compatibilidade ou incompatibilidade da Vontade Geral com o Direito Natural.

Secessão e Direito Penal

Num comentário (ao post Secessão e consentimento - somos todos anarquistas ) pude ler a pergunta (no estilo "casos extremos"... em geral um guia deficiente para tirar grandes conclusões) sobre como encarar alguém que comete um crime e depois pede/exige a Secessão. Um crime é um crime é um crime. A vítima (ou os seus agentes) tem o direito natural em, no mínimo, procurar ser indemnizado (ou devolução mais indemnização) pelo criminoso. É um direito supra-Estados, mas como os Estados se dão mal com ingerências externas (dado o seu estatuto de monopólio territorial da violência) de outros Estados ou de indivíduos que procuram fazer outra justiça que não a que ele mesmo impõe como única, não é aconselhável tomar tal iniciativa. No caso de uma Secessão para fundar outro Estado, caberá ao primeiro relacionar-se na matéria com o novo Estado, no caso da Secessão para fundar uma região sem Estado (ausência de monopólio - na realidade o caso é real se imaginarmos que o criminoso foge para mar alto), é lícito (na presença de um Estado também é lícito, apenas não é aconselhável - o Direito Internacional visa maximizar a paz dada a presença de Estados, não maximizar o direito) essa iniciativa tendo em conta os auto-evidentes princípios de proporcionalidade/etc, com vista à devolução e indemnização.

PS: O Direito Penal devia em primeira ordem procurar a restituição e indemnização. Os criminosos deviam prioriráriamente ser colocados sob um regime de escravidão (seguindo os normais princípios humanitários) de trabalho (por exemplo, em indústrias/serviços especializados em contratar criminosos em sentença) para o pagamento à vítima, em vez de serem as vítimas a pagarem uma estadia em prisões públicas.

Monday, February 04, 2008

Entretanto, no Afeganistão

Revealed: British plan to build training camp for Taliban fighters in Afghanistan:

Britain planned to build a Taliban training camp for 2,000 fighters in southern Afghanistan, as part of a top-secret deal to make them swap sides, intelligence sources in Kabul have revealed. The plans were discovered on a memory stick seized by Afghan secret police in December.

The Afghan government claims they prove British agents were talking to the Taliban without permission from the Afghan President, Hamid Karzai, despite Gordon Brown's pledge that Britain will not negotiate. The Prime Minister told Parliament on 12 December: "Our objective is to defeat the insurgency by isolating and eliminating their leaders. We will not enter into any negotiations with these people."

Este não é sueste, é sudoeste

De onde menos se espera



não sei é se houve "tempos em que o capitalismo era outra coisa"...

Sunday, February 03, 2008

Os cabos da Internet são frágeis

OK, this is weird, de Paul Krugman:

At this point, three undersea cables providing Internet access for the Middle East have been cut in the last few days. How often does this sort of thing happen?

Ver também Planning for War?, no LewRockwell.com Blog.

Já que estamos em tempo de primárias Democratas

Uma música apropriada ali na coluna da direita.

Friday, February 01, 2008

Contrafactual (II)

É verdade, o que escrevo aqui é puramente imaginário (ou, pelo contrário, será sintoma de fraca imaginação?), tal como é dizer que "[t]udo poderia ter sido evitado, naturalmente evitado, se D. Carlos não tivesse morrido naquela data" - e o meu cenário tem a vantagem de não ter que explicar porque "[u]m rei dificilmente teria permitido a ascensão pessoal de um homem como Salazar" (afinal, Vitor Manuel III de Itália ou Jorge II da Grécia permitiram a ascensão de Mussolini ou de Metaxas).

Contrafactual

Na noite de 1 de Fevereiro de 1908, o rei D. Carlos adormece, sem saber que a sua vida esteve por um fio (divergências de última hora entre a Carbonária e alguns cabecilhas republicanos impediram a concretização de um atentado previsto para esse dia). No entanto, em breve teria mais complicações pela frente.

Seis anos mais tarde rebenta a Guerra Mundial. Após alguma hesitação inicial, o governo monárquico decide intervir ao lado dos Aliados (várias razões para isso: o peso da "velha aliança"; a promessa de ficar com uns bocados das colónias alemãs das futuras Namíbia e da Tanzânia; o medo de uma invasão britânica de Moçambique, etc.). O semi-legal Partido Republicano e os anarquistas dinamizam uma campanha de rua pela neutralidade; nomeadamente, os Republicanos evocam constantemente a memória do "Ultimatum" e em todas as suas demonstrações de rua acabam a cantar, a plenos pulmões, "Contra os bretões, marchar, marchar" (agora, um exercício hipotético: já pensaram que, se Portugal fosse à época uma república, os Republicanos talvez tivessem à mesma apoiado os aliados e seria entre os monárquicos que surgiriam algumas simpatias germanófilas?).

Finalmente, a Dezembro de 1917, a crise social provocada pela participação na guerra (e os ecos das desordens que ocorriam no aliado russo, à beira de assinar a rendição) leva um grupo de oficiais republicanos, aliados a alguns monárquicos anti-guerra (entre eles o antigo embaixador em Berlim) a lançar um golpe de Estado. Após alguma hesitação inicial, é proclamada a República (vou fazer outra vez uma especulação sem grandes bases: será que, se Portugal já fosse uma república, não teria havido um golpe que levasse ao poder uma aliança de republicanos germanófilos e monárquicos? Claro que nunca saberemos).

A crise agrava-se - no que respeita à guerra, o novo regime não ata nem desata: opta, pura e simplesmente, por deixar o Corpo Expedicionário Português abandonado, sem o retirar nem o reabastecer, até que este acaba por ser destroçado pela ofensiva alemã em La Lys, na Bélgica. Nas ruas, os antigos aliados republicanos e anarquistas (defensores do fim imediato da guerra) confrontam-se diariamente (um dos principais lideres republicanos até ganha o cognome de "racha-sindicalistas"), e o primeiro presidente, acusado de tendências ditatoriais, é assassinado.

Nos anos seguintes, o Partido Republicano divide-se em três ou quatro facções rivais, enquanto o regime é fortemente atacado, à esquerda e á direita. De um lado, aos anarquistas junta-se o recém-formado Partido Comunista Português; do outro, os monárquicos lançam insurreições em várias cidades do Norte enquanto a Igreja Católica capitaliza aparições que terão ocorrido numas serras para protestar contra o secularismo do novo regime (há também a referir alguns republicanos fãs do autoritarismo do primeiro presidente e vários admiradores dos "novos regimes" que surgem em Espanha e Itália).

A vitória eleitoral da ala radical dos Republicanos, leva, em 1926, a que uma mistura de republicanos conservadores, monárquicos, católicos e pró-fascistas apoie um golpe militar, que conduz a um novo regime, de cariz conservador e autoritário (o resto é historia recente, bem conhecida de todos nós).

"Venezuela sem petróleo"


Questão de História: qual foi o regime que teve (tal como a actual Venezuela) um parlamento só com deputados do governo, porque a oposição, considerando as leis eleitorais injustas, não concorreu?

Thursday, January 31, 2008

Eleição nos EUA - nova previsão

Já não estou tão certo que, em 2009, "um homem nascido em Hope, Arkansas [vá] estar na Casa Branca".

Se, por um lado, parece quase certo que o candidato a primeiro-valete pelos Democratas será um homem de Hope, por outro parece certíssimo que não será o caso do candidato a presidente pelos Republicanos.

E suspeito que numa eleição Clinton x McCain (o tal cenário do "sal para a salmoura"), McCain ganhe.

Para começar, McCain tem uma reputação indevida de independência e moderação, pelo que não será muito afectado pelo impopularidade da Administração Bush e dos Republicanos.

Além disso, Hillary Clinton tem uma posição muito frágil acerca da guerra do Iraque - ela tem tido várias atitudes contraditórias, abrindo o flanco a acusações de flip-flop; e, com Hillary candidata, a questão que se discutirá provavelmente não será tanto "Os EUA devem permanecer no Iraque?" (questão onde os Democratas poderiam marcar pontos) mas mais "Como ganhar a guerra do Iraque?" (questão em que talvez os eleitores confiem mais nos Republicanos em geral, e no capitão McCain em particular).

Claro que talvez os "terceiros candidatos" possam ter alguma influência (ou talvez não):

À esquerda, pelos comentários neste artigo, parece haver uma atitude generalizada de "Votar Nader é entregar a eleição aos Republicanos!" (embora não seja tão linear - pdf - que Nader seja o responsável pela aparente derrota Democrata na Florida em 2000), o que poderá prejudicar uma candidatura da "esquerda alternativa"; mas, de qualquer forma, o resultado de um "terceiro candidato" provavelmente dependerá da posição que, durante a campnha, Hillary Clinton tenha a respeito do Iraque.

À direita, não me admirava que uma candidatura "isolacionista" consiga obter mais votos do que os "libertarians" e os ultra-conservadores costumam ter, aproveitando o "embalo" da campanha de Ron Paul nas primárias republicanas.

Venezuela: perseguição a sindicalista

O lider sindical venezuelano Orlando Chirino (de tendência trotskista-morenista-zamorista-...) foi despedido, sem motivos claros, da PDVSA (a empresa estatal do petróleo).

A corrente sindical de Chirino (a Corrente Classista Unitária Revolucionária Autónoma) tem há varios anos uma rivalidade com a Frente Bolivariana dos Trabalhadores (facção sindical alegadamente apadrinhada pelo Ministério do Trabalho venezuelano), tendo o sindicalista entrado em ruptura com o "chavismo" há alguns meses, a respeito da autonomia sindical, e apelado ao voto nulo no referendo constitucional (alegando que tanto o Sim como o Não representavam facções da classe dominante).

Alguns artigos sobre o assunto:

Trabajadores de todo el país se concentran en el Ateneo de Caracas, en solidaridad con Orlando Chirino

“Es cuestión de honor la lucha por el reintegro a PDVSA de Orlando Chirino” según dirigente petrolero José Bodas

“Con el despido de Chirino de PDVSA se pretende intimidar a dirigentes clasistas y trabajadores petroleros”, afirma Iván Freites, dirigente de C-CURA Petróleo

Corriente internacional Socialismo o Barbarie se solidariza con Orlando Chirino

Stalin Pérez Borges, Rubén Linares y otros dirigentes de Marea Socialista se solidarizan con Orlando Chirino (a Marea Socialista é a facção da C-CURA que continua a apoiar Chavéz e apelou ao Sim no referendo)

En torno al despido de PDVSA de Orlando Chirino

Ralph Nader na corrida à Casa Branca?

Ver aqui e aqui.

Não ganhará de certeza, mas provavelmente terá uma percentagem maior (nas eleições nacionais) do que as que Mike Gravel (o único democrata de jeito, agora que Kucinich e até Edwards desistiram) está a ter nas primárias.

Wednesday, January 30, 2008

Nuclear?

Para os que estão preocupados com o futuro energético e acham que as renováveis são muito caras, não será mais inteligente defender que Portugal compre energia eléctrica produzida em centrais nucleares no estrangeiro (coisa que já se faz há muito) do que defender a construção de uma central nuclear em Portugal? Afinal, têm-se à mesma o beneficio (electricidade) sem os riscos associados a um hipotético acidente (sim, o risco de acidente é muito baixo, mas os prejuízos prováveis em caso de acidente são muito elevados - uma espécie de Euromilhões ao contrário). Claro que assim, temos que pagar pela electricidade, mas o mesmo aconteceria se a central estivesse em Portugal (não é por a central ser "portuguesa" que iria dar electricidade à borla aos portugueses).