Sunday, March 23, 2008

E a propósito de tradição anti-war

1913 - o FED é criado

"From now on, depressions will be scientifically created." -- Congressman Charles A. Lindbergh Sr. , 1913

PS: Bem, só demorou 16 anos para criarem a Grande Depressão (a criação do Banco Central permitiu a expansão monetária que causou o boom dos anos 20 e consequente depressão agravada mais tarde pelas medidas de Roosevelt, como por exemplo, pensar que não permitir que os preços baixassem ajudava alguma coisa... para isso, e em plena crise e fome, destruiam colheitas para suster a queda de preços...).

PS2: Charles A. Lindbergh Sr foi o congressista que liderou a oposição à entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial.

E Charles A. Lindbergh Jr, seu filho, depois um honesto opositor de Roosevelt e para sempre smeared, tinha uma tradição de família a seguir - a de ir contra a maré do "war buildup". Philip Roth fez o favor de produzir uma fantasia usando personagens reais como o que usa como vice-presidente na sua trama. E com que cuidado?

"The smear continues to this day. Take for example Phillip "Portnoy's Complaint" Roth's recent fantasy novel "The Plot Against America" painting a fascist alternative history under an imagined 1940 President Charles Lindbergh Junior with Burton K Wheeler as vice-president in an anti-semitic America. As wikipedia reports "Roth depicts Wheeler imposing marital law in Lindbergh's absence, whereas the real Wheeler had been a leading opponent of the martial law imposed in Montana during World War I. Author Bill Kaufman describes Wheeler as being, in fact an "anti-draft, antiwar, anti-big business defender of civil liberties"" . Wheeler, who ran for Montana Governor in 1920, on a ticket that included an African American and a Blackfoot Indian makes for an unlikely nazi. "

Enfim...

Re: Propriedade privada

É suposto os proprietários (tal como o fazemos na nossa casa) poderem escolher em que condições recebem convidados (incluindo clientes, etc). Assim, as escolas, preferencialmente, como decisão descentralizada de cada escola (no caso do ensino público), podem proibir telemóveis ligados nas aulas ou então impôr uma farda ... ou não. Tal como no caso do tabaco deveria ser cada proprietário a decidir se o pretende proibir ou restringir ou não. Ou droga. Ou prostituição. Ou posse de armas.

Tradições

"Although James Madison was a leader of the centralists, he showed an appreciation of the dangers to freedom from the war-making power. In words entirely relevant to today, he said,

In time of actual war, great discretionary powers are constantly given to the Executive Magistrate. Constant apprehension of War, has the same tendency to render the head too large for the body. A standing military force, with an overgrown Executive, will not long be safe companions to liberty. The means of defense agst. foreign danger, have been always the instruments of tyranny at home. Among the Romans it was a standing maxim to excite a war, whenever a revolt was apprehended. Throughout all Europe, the armies kept up under the pretext of defending, have enslaved the people." America’s Anti-Militarist Tradition
by Sheldon Richman,

Numa produção "Anarcho Pacifist Films"

A história de Murray N. Rothbard (o "pai" do anarcho-austrian-libertarianism) e Lewrockwell versus os rivais (sort of...) "cosmopolitans libertarians"

Koch Cycle Episode One: Rothbard Rising
http://video.google.com/videoplay?docid=5882363510527069797&hl=en


Koch Cycle Episode Two: Rockwell Unleashed
http://video.google.com/videoplay?docid=232327054407464695

Saturday, March 22, 2008

O Movimento de 22 de Março

Há 40 anos atrás, em 22/03/1968, os serviços administrativos da Faculdade de Nanterre eram ocupados por centena e meia de estudantes (entre eles, um tal de Daniel Cohn-Bendit), em protesto contra a prisão de 6 estudantes que, dias antes, se tinham manifestado contra a guerra do Vietnam.

Surgia o chamado "Movimento 22 de Março", um grupo mais ou menos anarquista (a sua principal referência ideológica talvez fosse a revista Noir et Rouge).

A agitação vai continuar em Nanterre nas semanas seguintes, até o governo francês encerrar a Faculdade a 2 de Maio, a fim de acabar de vez com os protestos dos estudantes.

Crime, pobreza e desigualdade

Joaquim do Portugal Contemporâneo escreve "Deste modo, Menezes estabeleceu uma implícita relação de causalidade entre a pobreza e o crime que, com o devido respeito, não passa de uma opinião pessoal pouco fundamentada. (...) Uma coisa é certa, há muito pouca relação entre a criminalidade e a pobreza. As estatísticas demonstram que há cerca de 50 anos a percentagem de pobres era muito superior à de hoje e a criminalidade era muito inferior. Acresce ainda que muitos estudos sociológicos efectuados em zonas particularmente pobres não evidenciaram maior criminalidade (...) Os factores que mais estão associados ao crime são as drogas, a falta de repressão policial e a tolerância judicial."

Pelo menos uma relação entre crime e desigualdade pode ser demonstrada, tanto empírica como teoricamente. O blogger norte-americano "Audacious Epigone" (aviso: é um blogue de extrema-direita!) fez um cálculo sobre quais os factores que mais afectam a taxa de criminalidade dos países - desigualdade económica, liberdade económica, PIB PPP p.c., QI médio e idade mediana entre os homens. Resultado:
All five of the factors correlate expectantly with the rate of mugging. A nation's level of economic equality (.70), level of economic freedom (.50), higher purchasing power (.61), higher average IQ (.52), and older male population (.59), all reduce the likelihood of a denizen being mugged. That these relationships are robust isn't surprising--the attributes are all measures that characterize the first-world on the 'high' end and the third-world on the 'low' end.

But when each factor is looked at with the other four being controlled for, economic equality is the only one that retains statistical significance (p<.01), losing less than one-fifth of its stand-alone 'explanatory' power. The other factors do not even come close. Their coefficients all approach zero with the lowest p-value at .37. In fact, estimated IQ and median male age actually correlate inversely with mugging rates. Botswana is an outlier of this trend, with considerable wealth inequality but a relatively low mugging rate. I imagine this has something to do with lots of security for the diamond interests that have all the money, as well as low population density. If it is removed from the analysis, the gini-mugging correlation increases to .76.
Apesar das suas posições ideológicas, imagino que os cálculos estejam correctos (na verdade, quando um direitista faz um cálculo que indica que a desigualdade causa crime, até confio mais do que se for um esquerdista) mesmo que discorde totalmente das implicações politicas que o autor vê nos números.

Do ponto de vista teórico, faz todo o sentido - quanto maior for a diferença entre o dinheiro que um potencial criminoso tem e o dinheiro que as suas potenciais vitimas têm, maior o incentivo (mantendo tudo o resto igual) para se passar do crime potencial ao real (ver este post do economista Chris Dillow).

Agora há aqui um dado importante: eu estou a misturar alhos com bugalhos. O que se estava a discutir é se a pobreza gera criminalidade, não se a desigualdade gera criminalidade; no entanto, a curto prazo, penso que as duas coisas estão muito ligadas (mesmo a longo prazo, acho que podemos dizer que um aumento da pobreza costuma estar associado a um aumento da desigualdade, mesmo que a inversa não seja necessariamente verdadeira). E, se definirmos "pobreza" no sentido de "pobreza relativa" (conceito que eu, para falar a verdade, não gosto muito), então "pobreza" e "desigualdade" são praticamente a mesma coisa.

Friday, March 21, 2008

A direita norte-americana tem uma tradição anti-imperialista?

Será que se pode dizer que a direita norte-americana tem uma tradição anti-imperialista, como é defendido pelos "libertarians" e "paleoconservatives" (e penso que pelo meu colega de blogue Carlos Novais)?

Numa resposta simples, acho que não.

Numa resposta não-simples, acho que sim (claro que, de qualquer maneira, um extremo-esquerdista português não será a pessoa mais apropriada para falar da direita norte-americana...).

Antes de tudo, há logo uma coisa que complica tudo - a divisão entre "direita" e "esquerda" (e os "ismos", de maneira geral) é relativamente recente nos EUA, logo análises do género "a direita/esquerda dos EUA era tradicionalmente isto ou aquilo" implica muitas vezes ir retroactivamente classificar determinados personagens, movimentos, etc. como sendo de "direita" ou "esquerda", e essa classificação acaba por estar dependente do que, à partida, consideramos como posições tipicas de "direita" ou "esquerda" (caindo-se facilmente em pescadinhas de rabo na boca).

Vamos à "resposta simples" - se a questão é se a direita dos EUA e (ou era) tradicionalmente anti-imperialista, anti-guerra, etc., penso que não. E podemos chegar a essa conclusão lendo os próprios "direitistas anti-imperialistas"!

Um exemplo - a obra The Betrayal of the American Right, de Murray Rothbard. O objectivo do livro parece-me que é narrar a luta entre o que o autor chama a "Old Right", anti-imperialista e anti-militarista, e a "New Right", defensora de uma luta mundial contra a URSS. No entanto, lendo os capitulos referentes aos anos 30 (The New Deal and the Emergence of the Old Right e Isolationism and the Foreign New Deal), o panorama é exactamente o oposto da linha geral do livro: o tema desses capítulos é exactamente a ruptura dos "individualistas" com a Esquerda e a conversão de esta (até então pacifista) ao intervencionismo externo de Roosevelt:
During World War I and the 1920s, "isolationism," that is, opposition to American wars and foreign intervention, was considered a Left phenomenon, and so even the laissez-faire isolationists and Revisionists were considered to be "leftists." Opposition to the postwar Versailles system in Europe was considered liberal or radical; "conservatives," on the other hand, were the proponents of American war and expansion and of the Versailles Treaty. In fact, Nesta Webster, the Englishwoman who served as the dean of twentieth century anti-Semitic historiography, melded opposition to the Allied war effort with socialism and communism as the prime evils of the age. Similarly, as late as the mid-1930s, to the rightist Mrs. Elizabeth Dilling pacifism was, per se, a "Red" evil. Not only were such lifelong pacifists as Kirby Page, Dorothy Detzer, and Norman Thomas considered to be "Reds"; but Mrs. Dilling similarly castigated General Smedley D. Butler, former head of the Marine Corps and considered a "fascist" by the Left, for daring to charge that Marine Corps interventions in Latin America had been a "Wall Street racket." Not only was the Nye Committee of the mid-thirties to investigate munitions makers and U.S. foreign policy in World War I, but also old progressives such as Senators Burton K. Wheeler and especially laissez-fairist William E. Borah were condemned as crucial parts of the pervasive Communistic "Red Network.".

And yet, in a few short years, the ranking of isolationism on the ideological spectrum was to undergo a sudden and dramatic shift. In the late 1930s, the Roosevelt administration moved rapidly toward war in Europe and the Far East. As it did so, and especially after war broke out in September 1939, the great bulk of the liberals and the Left "flip-flopped" drastically on behalf of war and foreign intervention. Gone without a trace was the old Left’s insight into the evils of the Versailles Treaty, the Allied dismemberment of Germany, and the need for revision of the treaty. Gone was the old opposition to American militarism, and to American and British imperialism. Not only that; but to the liberals and Left the impending war against Germany and even Japan became a great moral crusade, a "people’s war for democracy" and against "fascism" – outrivaling in the absurdity of their rhetoric the very Wilsonian apologia for World War I that these same liberals had repudiated for two decades. The President who was dragging the nation reluctantly into war was now lauded and almost deified by the Left, as were in retrospect all of the strong (i.e., dictatorial) Presidents throughout American history. For liberals and the Left the Pantheon of America now became, in almost endless litany, Jackson-Lincoln-Wilson-FDR.
Ou seja, antes dos anos 30, segundo o próprio Rothbard, a esquerda, por tradição, é que era "pacifista" e direita "belicista" (se o livro fosse só este capitulo poderia chamar-se The Betrayal of the American Left).

Outro exemplo - o direitista anti-guerra John T. Flynn, no seu livro As We Go Marching [pdf], de 1944:
These two stubborn forces—the lack of federal projects for spending, with the resistance of the states to spending on local projectsthat will complicate their already perilous fiscal position, and the resistance of the conservative groups to rising expenditure and debt—will always force a government like ours to find a project for spending which meets these two conditions: It must be a strictly federal project and it must be one upon which the conservative and taxpaying elements will be willing to see money spent. The one great federal project which meets these requirements is the army and navy for national defense. And this, of course, is quite inadequate unless it is carried on upon a scale which gives it all the characteristics of militarism. I do not propose to examine the psychological basis for this devotion of the conservative elements to military might. The inquiry is interesting, but here we are concerned with the fact and it is a fact. It is a fact that military outlays, at least within limits, generally can be counted on to command the support of those elements which are generally most vigorous in the opposition to public spending. At the same time those elements among the workers who are generally opposed to militarism are weakened in this resistance by the beneficial effect which war preparation has upon employment.

Thus militarism is the one great glamorous public-works project upon which a variety of elements in the community can be brought into agreement.
[pagina 225, negrito meu]

Isto parece indicar que o militarismo (embora, é verdade que "militarismo", "belicismo" e "imperialismo" são cada qual o seu conceito, e é possível ser uma coisa sem ser outra) é uma tradição solidamente estabelecida na direita dos EUA (tal como em grande parte do mundo), e não uma criação "recente" (isto é, dos anos 50) da National Review. Ou seja, a direita anti-militarista/anti-imperialista/"isolacionista" dos anos 30/40 é que foi um desvio histórico.

E mesmo esse chamado "isolacionismo" era um bocado ambíguo, já que me parece que sempre foi uma mistura algo confusa de "anti-imperialistas" (opostos a intervenções externas dos EUA) e de "imperialistas por conta própria" (a favor de os EUA criarem o seu próprio "império" na América do Sul e no Pacífico, em vez de se envolverem em alianças com os países europeus). Provavelmente uma das razões porque a oposição à participação dos EUA na II Guerra Mundial evaporou-se tão depressa foi porque esta participação começou no Pacifico contra o Japão, uma área que para alguns "isolacionistas" e "america firsters" era zona de interesse dos EUA. E já nos anos 50, Republicanos conservadores como o senador Taft, que eram dos que mais se opunham à NATO e ao envolvimento militar dos EUA na Europa, eram simultaneamente dos maiores defensores da "linha dura" na guerra da Coreia.

Aliás, note-se que, nos anos 20, uma época frequentemente apontada como o auge do "isolacionismo" norte-americano, com a recusa em participar na S.D.N., o afastamento dos assuntos europeus, e isso tudo, os E.U.A. continuaram a ocupar militarmente o Haiti, a Nicarágua, e a intervir com alguma regularidade nos países da América Central.

Agora, se o ponto for não "a direita dos EUA é por tradição anti-imperialista" mas sim "na direita dos EUA há várias tradições, e algumas são anti-imperialistas", aí a resposta (a tal resposta não-simples...) já será positiva (e, de qualquer forma, seria provavelmente positivo para a humanidade se os conservadores norte-americanos se convencessem a eles mesmos que tinham uma tradição anti-imperialista).

Thursday, March 20, 2008

Desemprego dos licenciados - a minha visão

No Público, parece que Rui Tavares levantou a questão do desemprego dos licenciados. João Miranda retorquiu.

A minha tese sobre a causa do desemprego dos licenciados - a própria lógica de funcionamento do por vezes chamado "sistema capitalista" implica que (mesmo fora de uma situação de crise) uma fracção dos potenciais trabalhadores tenha que ficar sem emprego; Friedman chamava-lhe taxa natural de desemprego", os neo-keyenesianos "NAIRU", Marx "exército de reserva"...

Ora, se alguns trabalhadores têm que estar desempregados (o mecanismo exacto pelo qual isto se processa varia conforme as escolas económicas, mas se calhar as diferenças não são tantas como se poderia pensar) e se alguns trabalhadores são licenciados, é bastante provável que alguns desempregados sejam licenciados (ou, invertendo os termos, é bastante provável que alguns licenciados estejam desempregados). E tenho um vaga ideia de qua a taxa de desemprego é sensivelmente idêntica entre os licenciados e no resto da população - se for mesmo assim, parece confirmar a minha teoria: o desemprego dos licenciados não passa do reflexo entre os licenciados do desemprego geral (bem, admito que seria de esperar que o desemprego entre os licenciados fosse um pouco inferior à media - afinal, um servente de pedreiro não tem a possibilidade de, enquanto procura um emprego nas obras, se dedicar a fazer trabalhos antropológicos para ir ganhando algum).

Propriedade privada

Uma jovem defende, com todas as suas forças, a sua propriedade (um telemóvel) contra o confisco (presumo que temporário) que o Estado (através de uma sua agente com autoridade delegada) pretendia fazer.

Estranhamente, não vejo grande entusiasmo pelos lados do Blasfémias ou da Atlântico.

Sócrates popular? Duvido

Diz-se para aí que Sócrates continua a ser muito popular entre a população em geral, apesar (ou graças) dos conflitos com alguns grupos profissionais (ou será que tal não passa de uma lenda?).

Hoje, no barbeiro, fiquei convencido que não é assim - estava toda a gente a dizer mal dele (uns a dizer mal de forma pura e dura e outros dizendo "alguma coisa tinha que ser feita, mas não como ele fez").

Isto pode parecer uma sondagem pouco cientifica, mas eu acho-a reveladora: efectivamente, há muito que só ouvia dizer mal do Sócrates, mas o meu universo de relacionamentos directos é muito dominado por funcionários públicos e por trabalhadores de grandes empresas privatizadas à pouco tempo. No entanto o público do salão é suposto ser uma amostra representativa dos vários grupos sociais (na verdade, até é de esperar quem, por razões de género, os funcionários públicos e afins estejam sub-representados no público do barbeiro) e os barbeiros propriamente ditos pertencem a grupos sociais (micro-empresários, trabalhadores de micro-empresas) que até deveriam ser os mais receptivos ao discurso contra "os privilégios dos funcionários públicos".

Wednesday, March 19, 2008

A ditadura jacobina da I República

Extracto de entrevista de Rui Ramos (historiador e colunista do Público e da Atlântico) à Noticias Sábado (26/01/2008), sobre o regicidio:

- No entanto, o rei era apenas o poder moderador.

- O rei era apenas o poder moderador, mas por ser o poder moderador era muita coisa. A figura do rei é hoje difícil de imaginar. Não é o rei absoluto de quem tudo depende, mas também não é a rainha de Inglaterra ou até o rei de Espanha, sobretudo figuras de cerimónia do Estado, da pompa. O rei português não era um rei absoluto, mas tinha um papel político. Parece-se muito com o Presidente da República quer do Estado novo, quer da Constituição de 1976: alguém que acaba por desempenhar um papel determinante, em ultima instância, no processo politico. Mas o rei tinha mais poderes do que hoje o Presidente da República: como as eleições não eram consideradas por nenhum dos actores políticos como legitimas e correctas, representativas da vontade da nação - todos as achavam uma farsa - era o rei que accionava o mecanismo de alternância do poder. Os partidos que estavam no poder chegavam lá porque o rei queria que chegassem. O rei não governava, mas ninguém governava sem que o rei lhe criasse condições. E o rei criava condições nomeando alguém primeiro-ministro, dando-lhe a possibilidade, através da dissolução da Câmara dos Deputados, de fazer eleições que ganhava sempre - todos os governos ganhavam as eleições. Além disso, nomeava-lhes pares do reino para uma segunda câmara, conseguindo maioria também nessa instância. Portanto, se o rei não quisesse nomear alguém primeiro-ministro, se mesmo tendo sido obrigado a nomeá-lo por qualquer razão depois não quisesse dissolver o Parlamento... D. Carlos discute os elencos dos ministérios com o primeiro-ministro, discute uma grande parte das medidas do Executivo, recebe os telefonemas das embaixadas e às vezes redige as respostas, e tem um papl predominante na Defesa. Os governos dependem do rei, nada fazem sem enviar o projecto de lei ao rei. Dizia-se, e ainda se diz, que D. Carlos não era atento à governação, gostava de caçar e pescar. Não é verdade, porque não podia ser verdade: aquilo nunca funcionaria se o rei não estivesse constantemente envolvido. O rei funciona como o grande eleitor, uma espécie de instituto de sondagens.

"Apologia do terrorismo será crime em Portugal"

O que é apologia do terrorismo?

Por exemplo, será que ouvir em público músicas cantadas pelos Wolf Tones, como "The Merry Ploughboy", "Go on Home, British Soldiers" e "The Men Behind the Wire" conta?

Arthur C. Clarke

Eu era fã destas duas séries (sobretudo da primeira):

Arthur C. Clarke's Mysterious World




Arthur C. Clarke's World of Strange Powers

Tuesday, March 18, 2008

10.000 AC

Ao contrário de grande parte da critica e dos comentadores do imdb, eu adorei o filme.

O mais absurdo parecem-me as criticas ao pormenor de uma tribo de caçadores pré-históricos falar perfeito inglês - tirando "A Paixão de Cristo", qual é filme de época em que os personagens principais não falam a lingua actual do pais em que o filme foi feito (concerteza haverá alguns, mas não me lembro de nenhum)?

Monday, March 17, 2008

Balanço dos investimentos da Kika

"Os nossos gatos poderão não ser nenhuns génios da Bolsa, mas..." (Doreen Tovey, Cats in the Belfry).

















Os gatos de Doreen Tovey talvez não o sejam. No entanto, a Kika demonstrou perceber mais do assunto do que os supostos especialistas:

A sua carteira, de 29/02 a 14/03, desvalorizou 1,96% (de 995,04 para 975,54 euros), enquanto o fundo BPI Portugal desvalorizou 5,02% (de 16,75771 para 15,93828 euros); em termos anualizados, a Kika teria uma performance de -40,31% e o Fundo BPI Portugal de -73,86%.

Além disso, a carteira da Kika também apresentou uma menor volatilidade (logo, em principio, menor risco): esta (medida pelo desvio-padrão das variações diárias) foi de 0,78%, contra 0,88% do BPI Portugal.

Esta menor volatilidade torna-se ainda mais significativa se atendermos a que, como eu não tinha paciência para tomar nota da evolução de uma carrada de títulos, só lhe pedi para escolher três. Ou seja, se ela não estivesse de patas atadas pelas limitações que lhe impus poderia ter atingido uma volatilidade ainda mais reduzida.

Embaixo temos um gráfico comparativo da evolução dos activos em questão (as cotações de 29/02/2008 foram convertidas para "100"):















Além dos melhores resultados, convém lembrar que a Kika teve de certeza muitos menos anos de formação (logo, não suportou esses custos) que os gestores de activos do BPI (e de qualquer outra empresa do ramo) - ou seja, o rácio resultados/custos é bastante favorável.

De qualquer forma, uma herança de milénios passados a prever os movimentos de criaturas bastante imprevisíveis como ratos, pássaros, moscas, baratas e embalagens de whiskas, a aguardar pacientemente pelo momento oportuno e a agir em fracções de segundo quando ele chega tornam-na especialmente vocacionada, quer para a análise técnica, quer para estar junto a um teclado a dar ordens de compra e/ou venda (confesso que não faço ideia de como se chama essa actividade).

Outra característica adicional: em 1929, houve vários investidores que se atiraram dos telhados de Wall Street pelo desespero do crash. Se a Kika fizer isso, penso que as suas probabilidades de sobrevivência são superiores (embora não tão elevadas como a lenda pode levar a pensar) às dos investidores mais clássicos (mas, sinceramente, não sei se isto é uma vantagem, um inconveniente ou nem uma coisa nem outra).

A respeito da questão sobre se a experiência não deveria ser prolongada no tempo, ver o que escrevi aqui. Mas não sei se nos próximos dias ela quererá fazer algum prognóstico sobre a crise actual da bolsa.

Uma nota final: ao longo destas duas semanas assumi que a cotação da Toyota Caetano se manteve nos 8,90 euros (e os resultados foram calculados nesse pressuposto); isso talvez não seja muito correcto, já que a empresa não teve transacções na maior parte dos dias (8,90 é o valor da última cotação). Como ao longo destes dias o preço de venda foi (parece-me) sempre de 8,99 euros e o de compra 8,90 euros, talvez o mais correcto seja assumir que as acções foram compradas a 9 euros em 29/2 e vendidas a 8,90 euros a 14/03 - dessa forma teremos uma valorização de -2,32% e uma volatilidade diária de 0,8% (de qualquer forma, os resultados continuam a ser mais favoráveis que os do fundo BPI Portugal).

Irão: democracia, ditadura ou o quê?


Paradoxically, Iranian elections are abnormal by both democratic and autocratic standards. While they are neither free nor fair, there are real differences among candidates, and the outcomes are often unpredictable. In contrast to rigged elections in which the victors are predetermined, Iran's system allows competitive elections among pre-selected candidates. Hardly anyone predicted the reformist Mohammad Khatami'sresounding presidential victory in 1997, and even fewer foresaw hard-line President Mahmoud Ahmadinejad's victory in 2005.

Sunday, March 16, 2008

Pro and anti-capitalism: the issues

Artigo de Chris Dillow:

(...) pro and anti-capitalists often misunderstand each other. I suspect there are at least five misunderstandings:

1. What is capitalism? Some pro-capitalists, particularly in the US, have a habit of identifying capitalism with markets. (...)

This matters enormously. Markets are essential in any form of society, and have existed pretty much throughout history. But capitalism, in the sense of outside limited liability ownership of firms from which workers are excluded, is a relatively new thing.

And it's not just Marxists who stress that existing ownership structures are changeable for the better. Douglass North won a Nobel prize for showing how they change in response to economic incentives. (...)

Cães perigosos e piercings

Há quem tenha (tanto para criticar como para defender) posto em planos equivalentes as leis sobre os piercings e sobre os cães perigosos.

Em função do que escrevi nos dois posts anteriores, não acho que sejam situações comparáveis - os piercings são um perigo para quem os faz, os pit bulls para quem se cruze com eles na rua.

Cães perigosos

Há quem diga que "não há raças de cães perigosas, apenas donos inadequados".

Nos últimos tempos, quantas pessoas foram mordidas gravemente por chihuahuas, yorkshire terriers ou bassets?

E por pit bulls, staffordshire terriers ou rottweilers?

E, mudando de caninos para felinos, o que os leitores preferiam encontrar ao passear na rua - um gato que tivesse sido mal treinado pelo dono ou um tigre que tivesse sido bem treinado?

Talvez a personalidade dos cães tenha ver com o treino e não seja especifica de cada raça (da mesma forma, o comportamento inato dos gatos é parecido ao dos tigres), mas a sua força (tanto a força física geral como a força das mandíbulas) é determinada pela raça, e é a força que verdadeiramente torna um cão perigoso - mesmo que um pinscher seja agressivo e nos morda, não vem grande mal ao mundo disso (assumindo que não tem raiva); já um rottweiler...

Da mesma forma, há mais casos de homens mortos e comidos por tigres ou leões do que por gatos ou linces, pelo simples facto que são os primeiros que têm estrutura física para se tornarem predadores de homens.

Piercings

Em defesa da proposta do PS de proibir quase todos os tipos de piercings, há quem argumente que se trata de uma questão da "saúde pública". Ora, penso que a maior parte das infecções que possam surgir de piercings dificilmente são contagiosas, logo não é uma questão de saúde pública, mas apenas da saúde individual de quem os usa (a saúde do público - é isso que significa "saúde pública" - não é posta em causa por alguém usar um piercing).

Outro argumento (menos mau que o anterior) é que o tratamento das infecções provocadas por piercings é suportada pelo Serviço Nacional de Saúde, logo, por todos nós (claro que este argumento também pode ser usado para proibir o uso de manga curta entre Novembro e Março...). Mas, nesse caso, faz mais sentido fazer uma estimativa da despesa que o SNS tem por infecções por piercings e outra estimativa do número de piercings que são feitos, dividir um valor pelo outro e aplicar um imposto nesse valor ao acto de fazer um piercing (comparável aos impostos sobre o álcool), em vez da proibição.

Friday, March 14, 2008

Coisas que se encontram na Net

Este (o Mickey 287) foi o primeiro livro a que fiz algo parecido com ler:


























Mas nos primeiros tempos havia uma coisa que eu reparava mas não percebia bem - de vez em quando, no canto inferior direito do quadradinho apareciam 3 letras (dentro de um circulo branco) que eu lia como "fime", e a dada altura comecei a pensar "parece-me que este símbolo aparece sempre no fim da cada história; será que este 'fime' tem alguma coisa a ver com o 'fim'?". Só mais tarde vim a saber que o "m" no fim das palavras lê-se de uma forma algo peculiar e que aquelas 3 letras (um "f", um "i" e um "m") liam-se mesmo como "fim" e não como "fime".

$300 Million from Chavez to FARC a Fake

Artigo de Gregory Palast:

Do you believe this?

This past weekend, Colombia invaded Ecuador, killed a guerrilla chief in the jungle, opened his laptop – and what did the Colombians find? A message to Hugo Chavez that he sent the FARC guerrillas $300 million – which they’re using to obtain uranium to make a dirty bomb!

(...)

So: After the fact, Colombia justifies its attempt to provoke a border war as a way to stop the threat of WMDs! Uh, where have we heard that before?

The US press snorted up this line about Chavez’ $300 million to “terrorists” quicker than the young Bush inhaling Colombia’s powdered export.

What the US press did not do is look at the evidence, the email in the magic laptop. (Presumably, the FARC leader’s last words were, “Listen, my password is ….”)

I read them. (You can read them here) While you can read it all in español, here is, in translation, the one and only mention of the alleged $300 million from Chavez:

“… With relation to the 300, which from now on we will call “dossier,” efforts are now going forward at the instructions of the boss to the cojo [slang term for ‘cripple’], which I will explain in a separate note. Let’s call the boss Ángel, and the cripple Ernesto.”

Got that? Where is Hugo? Where’s 300 million? And 300 what? Indeed, in context, the note is all about the hostage exchange with the FARC that Chavez was working on at the time (December 23, 2007) at the request of the Colombian government.

Indeed, the entire remainder of the email is all about the mechanism of the hostage exchange. Here’s the next line:

“To receive the three freed ones, Chavez proposes three options: Plan A. Do it to via of a ‘humanitarian caravan’; one that will involve Venezuela, France, the Vatican[?], Switzerland, European Union, democrats [civil society], Argentina, Red Cross, etc.”

As to the 300, I must note that the FARC’s previous prisoner exchange involved 300 prisoners. Is that what the ‘300’ refers to? ¿Quien sabe? Unlike Uribe, Bush and the US press, I won’t guess or make up a phastasmogoric story about Chavez mailing checks to the jungle.

To bolster their case, the Colombians claim, with no evidence whatsoever, that the mysterious “Angel” is the code name for Chavez. But in the memo, Chavez goes by the code name … Chavez.

(...)

Thursday, March 13, 2008

The Bastiat-Proudhon Debate

Versão on-line (em inglês) do debate travado (há 150 anos atrás) entre o anarquista Proudhon e o liberal Bastiat sobre o juro.

Comentários do tradutor (o liberal Roderick Long) aqui e aqui.

Wednesday, March 12, 2008

Avaliação dos professores

É frequente dizer-se que os professores que se manifestam contra a proposta do governo não apresentam nenhuma contra-proposta alternativa e que, no fundo, não querem é ser avaliados.

Eu não sei o que a generalidade do que os professores pensa (até porque há uns seis anos que não pertenço à "classe") mas há pelo menos um "contestatário" com uma proposta de avaliação alternativa (o facto de eu a linkar não quer dizer que concorde ou deixe de concordar).

Tuesday, March 11, 2008

Autoridade natural, hierarquia e eleições

Nos comentários ao seu post Autoridade e hierarquia, João Miranda, em resposta a José Manuel Faria, escreve "o que não tem nada a ver com autoridades naturais. As autoridades naturais não precisam de eleição".

Eu não sei bem o que JM entende por "autoridades naturais", mas o Miguel Madeira entende por "autoridade natural" a situação em que A faz o que B diz para fazer porque A acha que B é a pessoa mais qualificada para decidir o que fazer. Por exemplo, quando vamos visitar outra cidade e dizemos a algum amigo local para escolher um restaurante/praia/bar estamos aceitando a sua autoridade natural; ou quando, no trabalho, não sabemos bem como fazer uma coisa e perguntamos a um colega que percebe mais do assunto "P., qual é a melhor maneira de fazer isto?".

Ou seja, para mim, a diferença entre autoridade "natural" e "artificial" é que alguém que tem autoridade natural tem autoridade porque os outros lhe obedecem, enquanto para quem tem autoridade artificial, os outros obedecem-lhe porque ele tem autoridade.

Agora, efectivamente, pode-se dizer que as autoridades naturais dispensam eleições - se alguém tem autoridade porque os outros o seguem espontaneamente, esse alguém não precisa de ter um cargo formal, logo dispensa eleições (ou nomeações, ou sucessões hereditárias, ou qualquer outro método de escolha de cargos formais)*.

Mas, por outro lado, a autoridade formal (i.e., "artificial") menos "artificial" é a que resulta de eleições (pelo menos quando a eleição é unipessoal), já que, em principio, é o sistema que garante que a pessoa que tem poder formal é aquela que mais gente estaria disposta a obedecer mesmo que não tivesse poder formal. Ou seja, as hierarquias formais eleitas são as mais próximas da "hierarquia natural".

*efectivamente, temos casos de pessoas cuja autoridade natural deriva de sucessão hereditária (como a que os Bhutto ou os Ghandhi têm sobre os seus admiradores, mesmo quando não estão no governo), de eleição (como o Papa), etc., o que complica um pouco o esquema

Milton Friedman pela legalização das drogas

Monday, March 10, 2008

Mercados financeiros - informação intercalar

Olhando para a evolução da semana passada, a Kika parece estar a sair-se menos mal que os técnicos do BPI Gestão de Activos. De 29 de Fevereiro a 7 de Março (sexta a sexta), o valor da carteira dela (159 acções da Portucel, 37 da Toyota Caetano e 68 da Jerónimo Martins) desceu de 995,04 para 993 euros (um prejuízo de -0,21%, ou de -10,15% em termos anuais).

Já o valor das unidades de participação do BPI Portugal desceu de 16,75771 para 16,57754 euros (uma queda de -1,075%, ou de -43,087% em termos anuais).

No entanto, hoje a Jerónimo Martins teve uma grande queda (-4,84%), o que afectou o valor da carteira da Kika (não posso comparar com o BPI Portugal, já que o valor da UP só é conhecido amanhã).

Vamos lá ver como isto evolui até ao fim da semana (o momento em que é suposto acabar a experiência).

Sunday, March 09, 2008

Pela democracia directa

For Starbucks politics, por Chris Dillow:

Imagine how bad coffee providers would be if the only way we could choose between them was to select every four or five years whether we'd get our coffee from Starbucks or Costa, with the winner setting prices and deciding what we'd get every day.

Why should we have to buy only job lots? Why can't we pick and choose policies through referenda?


(...)


Bagehot continues, claiming that where direct democracy has been tried, such as in California, "the results have been chaotic."


This too is crude. It ignore
s evidence (pdf) that direct democracy does work. It also omits to consider whether California's problems aren't instead the result of giving weight to cheap preferences, a problem which could be solved by demand-revealing referenda.

And anyway, give me the people's chaos over politicians' order any time.

Eleições nos EUA





Para ficar mais dentro do contexto politico da eleição, ver aqui.

Re: Seis Sugestões para Revolucionar as Escolas

No Expresso, Henrique Monteiro apresenta "seis sugestões para revolucionar as escolas":

"1) Liberdade para os pais escolherem a escola dos filhos. O Estado subsidia o ensino através de cheques-educação e não através de transferências para as escolas..."

Eu até não tenho grandes objecções ao cheque-educação SE a) as escolas não puderem cobrar uma propina adicional ao valor do cheque e b) as escolas não possam recusar inscrições de alunos. Acerca disso, ver os meus comentários a este post do Rabbit's Blog.

"2) Descentralização da gestão das escolas, através de um gestor nomeado por uma Comissão do Agrupamento escolar. Essa comissão deve ter professores, pais e responsáveis autárquicos locais. Como é óbvio, quanto melhor escola mais alunos e recursos conseguirá;"

Henrique Monteiro que encostar uma porta aberta e chamar a isso "abrir a porta". As escolas já têm uma assembleia com mais ou menos a mesma composição dessa tal "comissão", e são geridos por conselhos eleitos pelos pelos professores, funcionários e representantes dos alunos e pais.

Comparando com o sistema actual, o sistema de HM é diferente porque: a) passa a haver um gestor em vez de um orgão colegial; e b) as autarquias passam a ter voz na escolha desse gestor. Ora, estas diferenças não são no sentido de "descentralizar a gestão das escolas" - na verdade, a segunda (as autarquias participarem na escolha do gestor) até é no sentido de "centralizar" a gestão (já que, actualmente, os conselhos executivos são escolhidos democraticamente dentro das escolas, sem a interferência de tutelas externas).

E, se a ideia é "descentralizar", porquê "um gestor"? "Descentralizar" devia significar que a tal Comissão seria livre de decidir ter um gestor, uma direcção colegial ou lá o que fosse, ou não?

Efectivamente, há quem critique a actual auto-gestão escolar com o argumento de que a escola deve estar ao serviço dos pais, logo não devem ser os professores e funcionários a mandar nas escolas. No entanto, com o cheque-ensino (ver primeira sugestão de HM) essa critica deixaria de fazer sentido, já que as escolas estariam sempre dependentes dos pais (que, se não gostassem de dada escola, mandariam os filhos para outra).

"3) As contratações, nomeações e avaliações dos professores (deverá haver exame para ser professor) deixam de ser feitas pelo Ministério para o serem pelo gestor da escola"

É frequente argumentar-se que a descentralização da contratação dos professores levaria ao surgimento de pequenas tiranias e favoritismos - no entanto penso que a questão não é tanto centralização vs. descentralização, mas sim critérios objectivos vs. subjectivos: se a contratação for descentralizada, mas de acordo com uma fórmula objectiva (definida pelo órgão local), estilo "x pontos por ano de serviço, mais y pontos pelos Excelentes que teve nas avaliações, mas z pontos em função da média de curso, etc." não haveria grande margem para os tais favoritismos (da mesma forma, se o recrutamento fosse centralizado, mas, em vez de ser feito por um programa de computador, fosse feito por despachos caso a caso do ministro, haveria à mesma os tais "favoritismos").

"4) Os manuais escolares, que devem estar de acordo com o programa nacional, passam a ser propriedade das escolas e entregues anualmente aos alunos, que os devolvem em condições no final do ano (caso contrário pagam-nos)..."

Sobre esse tema, o meu post de há quase dois anos, Reutilizar os manuais escolares?

"5) Exames nacionais de fim de ciclo (4º, 6º, 9º 12º anos)..."

Acerca desse exames nacionais de fim de ciclo, há uma coisa que ainda não percebi - quem chumbar nesses exames teria que repetir o ciclo todo, ou apenas o último ano?

"6) Ensino obrigatório até aos 16 anos. Possibilidade de retenção (chumbo) e passagem compulsiva para o ensino profissional em caso de mais duas retenções no mesmo ano (caso tenha duas retenções no profissional, perde o direito ao cheque-educação e, se tiver menos de 16 anos, passa para os serviços sociais)"

Se a ideia é contribuir para perpetuar a visão de que o ensino profissional é um ensino de segunda categoria, essa proposta é um espectáculo! E, num sistema desses, ninguém se iria matricular no ensino profissional. Porquê? Porque um aluno que se inscrevesse logo à partida no profissional, se chumbasse duas vezes no mesmo ano, perdia o cheque-educação (se percebi bem a proposta de HM), enquanto um aluno que se inscreve na ensino "não-profissional"só perde o cheque ao fim de 4 chumbos. Assim, seria muito mais seguro para as famílias matricular os filhos sempre primeiro no "não-profissional" e só os transferir para o profissional se eles tivessem os tais dois chumbos no mesmo ano.

Seria mais lógico um sistema em que os alunos (fossem do ensino profissional ou do "outro") podessem ter duas vezes dois chumbos consecutivos (nota: isto não significa quatro chumbos consecutivos) antes de perderem o cheque-educação (mas esta ideia de se perder o cheque-educação repugna-me um pouco - porque é que os burros da classe média ou alta hão de ter vantagem sobre os burros da classe baixa?).

Quanto aquela parte do "se tiver menos de 16 anos, passa para os serviços sociais", nem percebo o que HM quer dizer com isso.

Friday, March 07, 2008

Leituras recomendadas

The secret of stock market success de Chris Dillow:

(...) The key to long-term success isn't innovation, because profits from this are bid away by competition. Nor does it come from keeping consumers happy - if they've nowhere else to go, it doesn't matter how happy they are. And nor does it come from employing good people, as these can walk.

Instead, corporate success requires monopoly power, the ability to exclude rivals. Reckitt's bosses understand this well. (...)

This would explain why firms with monopoly power - such as tobacco firms with their strong brands and addictive products or mining companies with their access to valuable resources - have been among the few FTSE 100 stocks to do even better than Reckitt.

As I said, a healthy stock market isn't necessarily a sign of a healthy economy (...)


The greatest trick the right ever pulled de Tom Freeman:

(...) But imagine two surgeons: one treats ingrown toenails, with a patient survival rate of 90%; the other treats gunshot wounds, with a patient survival rate of 85%. Which surgeon is better – the one with the higher rate, or the one doing the harder task?

It’s an enduring and cosy delusion among fans of (overt or de facto) socially selective schooling that the “standards” of such an “institution” are somehow independent of its “clientele”. The schools themselves certainly know this: that’s why they select. The parents know it, too: that’s why the ones who’ve paid top dollar for their catchment areas are angry about the new admission lotteries.

Baudelaire said: “The greatest trick the Devil ever pulled was convincing the world he didn't exist” (it was borrowed by ‘The Usual Suspects’). The greatest trick of conservative politics is to present itself as not political at all: contentious ideology becomes common sense while disagreement becomes leftist propaganda, political correctness and overbearing statism (...).


Intro de Kevin Carson, em The Art of Possible:

(...) My path to libertarianism was pretty convoluted. I started out about twenty years ago as a sort of stuffy paleocon (Russell Kirk, Richard Weaver–you know the drill). I drifted into the agrarian-decentralist wing of paleoconservatism, what Clyde Wilson called “the Jeffersonian conservative tradition,” and got heavily into the Levellers and commonwealthmen, the antifederalists, the agrarians and distributists, and so forth (you know, all the Crunchy Con stuff). From there I stumbled across Kirkpatrick Sale’s Human Scale, discovered an affinity for libertarians and decentralists of the Left, and went on to Benjamin Tucker, Ralph Borsodi, Lewis Mumford, and Ivan Illich. Today I consider myself a Leftist and carry a red card from the Wobblies, but I still feel considerable affection for the homeschoolers and gun rights people on the Right (...)

5º Concurso de Curtas Metragens Amadoras

[Esta informação já vem tarde, mas...]

Para participar neste concurso, os interessados deverão enviar, até ao dia 16 de Março de 2008:

  • A Curta-Metragem em formato DVD, VHS ou MINI DV, com a duração máxima de 10 minutos.
  • Ficha de inscrição devidamente preenchida;
  • Cópia de Bilhete de Identidade;
  • Declaração de cedência de direitos de exibição à Contramaré – Associação Cultural de Portimão.

O trabalho e a documentação referenciados no ponto anterior deverão ser enviados num único volume (envelope) fechado e identificado na frente com o pseudónimo.

Os trabalhos deverão ser endereçados a:
  • Câmara Municipal de Portimão
    Divisão de Acção Cultural - Sector de Juventude
    Praça 1º de Maio
    8500-543 Portimão
Os trabalhos recebidos com data posterior à data limite de entrega serão excluídos (será considerada a data referida no carimbo do correio ou data de recepção no balcão dos serviços acima referenciados).

Mais informação no blogue da Contramaré.

O arrastar das primárias será mau para os Democratas?

Se a decisão final for tomada numa Convenção, com muitas manobras de bastidores à mistura, será mau (e se calhar entregará a presidência a McCain; se a nomeação for para Hillary, também entregará muitos votos a Nader).

Mas se as primárias se arrastarem quase até ao fim, mas ficarem decididas ainda antes da Convenção (penso que, matematicamente, tal já só é possível pela desistência de algum dos candidatos), não sei se isso não será benéfico - o escolhido irá, nesse momento, surgir como "o vencedor" (numa altura em que McCain não estará a receber grande atenção dos media) e isso até pode dar um elán favorável para Novembro. E (seja ele qual for) ter ganho após uma disputa renhida de meses até pode dar-lhe uma aura de "lutador até ao fim", algo que suspeito que os norte-americanos até gostam.

Leituras recomendadas


(...) Imprensa demagógica que apoia federações patronais (ou «Compromissos Portugais»), dicotomias forçadas entre extremismos, e um pouco de violência para acicatar: a receita é sempre a mesma quando se quer preparar um golpe de Estado das direitas.


The John Lewis question no Stumbling and Mumbling:

(...) Might it be that John Lewis's partnership model makes it a better retailer? Maybe the financial incentives and atmospheric benefits it confers upon shopfloor staff help make John Lewis more attractive to customers than other retailers.

Or turn the question around. What benefit is there for a retailer in having lots of small dispersed outside shareholders? Why is this ownership model better than concentrated private ownership which can discipline management better, or worker-ownership where workers are better motivated? The question is not, of course, confined to retailing.

If you think only loony lefties like me ask this, you're wrong (...)

[a John Lewis é uma cadeia de supermercados propriedade dos empregados, que terá tido excelentes resultados no ano passado]


Socialism & democracy, também no Stumbling and Mumbling:

(...) I reckon, then, that there are two separate lefts.

One is the centralizing left, that believes in the power and wisdom of centralized authority. In this respect, the Webbs' admiration for Stalin, and Harman's (and others') for Castro is easily understood; they all share the same ideology.

Against this is the decentralizing left. This includes a mix of anarchists, those Marxists who look forward to the withering away of the state, guild socialists, market socialists and thinkers such as Feyerabend and Foucault who showed that "knowledge", "expertise" and power are so deeply and problematically intertwined.


Stiglitz on the (financial) cost of Iraq no Crooked Timber:

Joe Stiglitz, interviewed in the Guardian about his book (co-authored with Linda Bilmes), “The Three Trillion Dollar War”. A couple of thoughts:

(...)

Three trillion dollars really could have solved a lot of world problems. For example, it would have funded a once-and-for-all offer to the entire population of Gaza, the West Bank and the UNRWA refugee camps of half a million dollars each to slope off and stop bothering the Israelis. That’s the sort of money we’re talking about here.

a que nos comentários alguém acrescentou:

Or – more sensibly – it would have funded a considerable payoff to the Jewish colonists in Palestine to slope off to the US or Europe and stop ‘bothering’ the native arab population.


Externalities, rules and prices no Our Word is Our Weapon:

(...) More fundamentally, it is simply not true that taxes or subsidies are the sole or even default solution to externalities, since as any good textbook of environmental or urban economics will tell you there are sound theoretical reasons for favouring regulation in some cases (...)

Thursday, March 06, 2008

Bloco à esquerda do PCP


Porque o BE está à esquerda do PCP:

















Nota 1: a posição em termos absolutos dos 3 partidos não pretende ser rigorosa, apenas o seu posicionamento em relação uns aos outros (de qualquer forma, o PS e do BE são menos homogéneos que o PCP, logo as suas posições não corresponderiam a pontos, mas mais a nuvens de distribuição)

Nota 2: se os liberais que lêem este blogue acharem o gráfico um plágio, têm razão

Nota 3: ler também Bússola Política, no Nova Esquerda

Podcasts

History of Rome

A weekly podcast tracing the history of the Roman Empire, beginning with Aeneas's arrival in Italy and ending (someday) with the exile of Romulus Augustulus, last Emperor of the Western Roman Empire.

Unpopularity

"Moral courage is the rarest of all the rare things of this earth. The war has shown that millions have physical courage. Millions were willing to face rifle and cannon, bombardment, poison gas, liquid fire, and the bayonet; to trust themselves to flying machines thousands of feet in air, under the fire of anti-aircraft guns of enemy planes; to go into submarines, perhaps to meet a horrible death. But how many had the courage merely to make themselves unpopular? The bitter truth must be told: the many enlisted or submitted to the draft on both sides of the conflict not because they were convinced that they were helping to save the world, not because they had any real hatred for the enemy, not to uphold the right, but simply that they hadn't the moral courage to face the stigma of "slacker" or "conscientious objector." ... Fear of death? No; the soldiers faced death bravely. But they feared unpopularity. They dreaded the suspicion of their fellows. What was needed in war is needed no less urgently in peace. How many persons in public or even in private life have the courage to say the thing that people do not like to hear?" – Henry Hazlitt,

A História repete-se

(Via Lewrockwell) "Just Like the Roman Empire: The imperial legions of DC lure foreigners with the promise of citizenship."

"Funcionários públicos podem ser despedidos com duas avaliações negativas"

É impressão minha ou isso quer dizer que agora é mais fácil despedir os meus colegas que são funcionários públicos do que a mim?

Wednesday, March 05, 2008

"Third-party candidates are people, too"


(...)

The principal indictment is that Nader cost Al Gore the 2000 election by drawing votes from Gore in Florida. Gore lost Florida to George W. Bush by 537 votes. Nader received 97,488 votes. National exit polls indicated that had Nader not been on the ballot, 47 percent of Nader voters would have voted for Gore, 21 percent would have voted for Bush, and 32 percent would have stayed home. Therefore, if Nader hadn't run, then Gore would have won.

Well, sure. But in an election this preposterously close, you can blame the outcome on almost anything. In a Feb. 24 appearance on NBC's Meet the Press, Nader pointed out that seven other third-party candidates on the Florida ballot outpolled Bush's 537-vote margin, too. These included James Harris of the Socialist Workers Party (563), David McReynolds of the Socialist Party (622), and Monica Moorehead of the Workers World Party (1,804). Granted, we don't have exit poll numbers on these candidates, who stood much further left of the mainstream than Nader. But it's doubtful their supporters would have defaulted to the GOP. Should we vilify them for costing Gore the election, too?

(...)

A Guerra da Secessão

A referência no final deste post à Guerra da Secessão (ou o que lhe queiramos chamar) fez-me pensar numa coisa:


Há uns 20 anos, essa guerra era conhecida em Portugal como "Guerra da Secessão" (é a expressão que aparece nos livros sobre História que os meus pais tinham em casa). No entanto, hoje em dia, pesquisando a internet por "guerra da secessão"+Lincoln temos quase 20 vezes menos entradas do que pesquisando por "guerra civil americana"+Lincoln (o "+Lincoln" pretende ser um filtro para garantir que é mesmo essa guerra); e a wikipedia portuguesa redireciona "Guerra da Secessão" para "Guerra Civil dos Estados Unidos da América".


Será (tal como os "biliões" de mil milhões) um sinal do dominio da cultura norte-americana (onde penso que a expressão é mesmo Civil War)? E, efectivamente, se a guerra foi deles, até faz sentido adoptar o nome que eles usam.


No entanto, penso que "Guerra da Secessão" é melhor do que "Guerra Civil" ou "Guerra entre os Estados" (penso que é a expressão favorecida pelos pró-sulistas):


"Guerra Civil" é mais apropriado para uma guerra em que ambas as partes lutam pelo controlo do governo central (como em Portugal até 1834, Espanha em 1936-39, o Líbano nos anos 70 e 80, etc.), o que não era o caso; nunca ouvi chamar à guerra de independência do Bangladesh "guerra civil paquistanesa" (talvez se chamasse se o Paquistão tivesse ganho); no entanto, realmente as guerras de independência da Eslovénia, Croácia, Eslavónia, Krajina, Bósnia-Herzgovina e Bósnia Sérvia (nesse emaranhado de secessões dentro de secessões não é muito fácil dizer quem eram os unionistas e os separatistas...) são por vezes designadas colectivamente como "guerra civil jugoslava".


"Guerra entre os Estados" também não me parece correcto, já que os estados do Sul não estavam numa guerra contra Nova Iorque ou o Massachussets, a título "individual" - a guerra era contra o Estado federal (em 1971, o Bangladesh não esteve em guerra contra o Punjab ou o Baluchistão, esteve em guerra contra o Paquistão).


Assim, "Guerra da Secessão" parece-me ser o nome mais correcto e neutro.

Remembering Clinton

Hillary Should Have Apologized for Waco in Waco, by Jacob G. Hornberger

"While making a campaign stop in Waco, Democratic presidential candidate Hillary Clinton praised the U.S. military for “defending and protecting our country.”

I couldn’t help but wonder whether she was talking about the military’s role in Iraq or Waco.
You’ll recall that under her husband’s regime, U.S. officials from the ATF and FBI, supported by the U.S. military, massacred 74 men, women, and children at the Branch Davidian compound at Waco. The massacre was accomplished through the intentional injection of flammable gas from U.S. military tanks into the compound and then, as the Emmy Award winning documentary “Waco: The Rules of Engagement” showed, the intentional firing of incendiary devices into to the compound that ignited the flammable gas. Shortly after the massacre, U.S. officials quickly bulldozed the entire site so that a proper investigation into how the incineration got started could not be conducted. (...)"

Tuesday, March 04, 2008

Dizem que isto até não é um mau blog

O meu conterraneo Jorge Candeias d' A Lâmpada Mágica nomeou-me como

















Secessão - o nervosismo aumenta

Kosovo makes bad law for possible Scottish secession, From Mr Bob Ayling.

"Sir, Anthony Aust, a former legal adviser to the Foreign Office, and John McInally are right that Scotland is not Kosovo in relation to potential membership of the European Union (Letters, February 28). If a democratic and lawful secession of Scotland from the UK is achieved, the EU will have no choice but to accommodate the consequences.

But this all invites the question of what is "democratic" and "lawful". It is now said that the make-up of the UK is the quintessential question for a plebiscite, but by and of whom? It is not within the present power of the Scottish parliament to organise a referendum on the question of secession; that can only be done by the Westminster parliament. Scottish secessionists say that the question would be exclusively for the people in Scotland (and some even say that it would be democratic to be answered on a bare majority of those voting); people in Wales, Northern Ireland and England would get no say. And yet the question of secession significantly affects the interests and rights of all of us in the present Union. So if the Westminster parliament sanctioned and then acted on a plebiscite on these proposed terms, would that be legitimate?

The legitimacy of the declarations of secession of the American southern states in 1861 was settled by civil war. Today such legitimacy (which would touch on the interests of all citizens of the American Union as well as the application of the US constitution and the rule of law) would surely be determined by their Supreme Court.(...)"

Sunday, March 02, 2008

Eu estou convencido que os norte-americanos foram à Lua

Ou melhor, eu estou convencido que Neil Armstrong e Edwin Aldrin foram à Lua e Michael Collins andou lá perto.

No entanto, há algo que pode ser dito a favor dos adeptos das "teorias da conspiração" que dizem que foi montagem: muitos acham isso porque leram/ouviram os argumentos (errados) segundo as quais foi "montagem" - a bandeira ao vento, as sombras, blá, blá... E, falando com alguém que acredite na tese da "montagem", quase de certeza que ele vai expôr essa série de argumentos (e talvez até deixar-nos um bocado na dúvida...).

Ora, das pessoas que estão convencidas que não foi montagem, será que estão todas convencidas disso porque percebem os erros dos argumentos "conspiracionistas", ou será que muitas (a maioria?) nem se dão ao trabalho de analisar os argumentos, pensando "isso é coisa de maluquinhos"? Falando por mim, eu estou no segundo grupo - quando, há uns anos, li as teses da "montagem" e os tais argumentos, rejeitei-os mesmo antes de saber porque estavam errados.

Ora, qual será a situação mais digna de mérito? Defender uma posição errada porque os argumentos a favor dessa posição errada me pareceram correctos? Ou defender uma posição correcta porque... porque sim?

Quem tem mais valor? Um aluno que tenta resolver uma questão, mas comete um erro algures e dá uma resposta errada? Ou um aluno que dá uma resposta certa porque copiou do colega do lado?

Argumentos contra a "ambição"

Against ambition, de Chris Dillow:

(...)

Ambition condemns you to the hedonic treadmill. Promotion to deputy assistant manager (sales) will not satisfy you, nor will promotion to assistant manager, nor manager, and so on. You'll always think that the next step will give you what you want, and you'll always be disappointed. A common reaction of people who, after years of striving, become partners in law or accountancy firms is: "is this it?"

Instead, happiness consists in freedom. And this means finding ways to unshackle yourself from the chains that tie you to hierarchy. Which means renouncing ambition.

For me, this has meant finding a job that will allow me to work from home. On learning of my plan to do this, a colleague this week said: "if you're never in the office, you'll have no chance of getting promoted." Which is precisely the point.

(...)

A clarification: I've nothing against ambition in the sense of wanting to be the best possible engineer/writer/musician or whatever. There's much to be said for wanting to master a genuine skill. But Brown's talk of "how high you can reach" suggests he's thinking of ambition in the sense of wanting to climb a hierarchy, which is where I have a problem.

Saturday, March 01, 2008

Já que estou numa de quizzes psicológicos...

Mais este, via It's a perfect day... Elise:


Advanced Global Personality Test Results
Extraversion
|||| 20%
Stability
|||||| 26%
Orderliness
|||| 13%
Accommodation
|||||||||||||| 56%
Interdependence
|||||||||| 36%
Intellectual
|||||||||||||||||||| 90%
Mystical
|||||| 30%
Artistic
|||||||||||||||| 63%
Religious
|||||||||| 36%
Hedonism
|| 10%
Materialism
|||||||||||||| 56%
Narcissism
|||| 16%
Adventurousness
|||||||||||| 43%
Work ethic
|||||||||||| 43%
Self absorbed
|||||||||||||| 56%
Conflict seeking
|||||||||||||||||| 76%
Need to dominate
|| 10%
Romantic |||||||||||| 50%
Avoidant |||||||||||||||||| 76%
Anti-authority |||||||||||||||||| 76%
Wealth |||||| 30%
Dependency |||||||||||| 43%
Change averse |||||||||||| 43%
Cautiousness |||||||||||| 50%
Individuality |||||||||||||||||||| 90%
Sexuality |||||||||||| 50%
Peter pan complex |||||||||||| 50%
Physical security |||||||||||||||||||| 90%
Physical Fitness |||||||||| 37%
Histrionic |||||||||||| 43%
Paranoia |||||||||||| 50%
Vanity |||||||||||||||| 63%
Hypersensitivity |||||||||||||||| 70%
Indie |||||||||||||||| 61%
personality test by similarminds.com

Stability results were low which suggests you are very worrying, insecure, emotional, and anxious.

Orderliness results were very low which suggests you are overly flexible, improvised, and fun seeking at the expense too often of reliability, work ethic, and long term accomplishment.

Extraversion results were low which suggests you are very reclusive, quiet, unassertive, and secretive.


trait snapshot:
messy, depressed, introverted, feels invisible, does not make friends easily, nihilistic, reveals little about self, fragile, dark, bizarre, feels undesirable, dislikes leadership, reclusive, weird, irritable, frequently second guesses self, unassertive, unsympathetic, low self control, observer, worrying, phobic, suspicious, unproductive, avoidant, negative, bad at saving money, emotionally sensitive, does not like to stand out, dislikes large parties, submissive, daydreamer


[será que os outros sempre tinham alguma razão em me mandar "para a base de dados"?]

Cor Interior

[Via Azinhaga da Cidade]



Your Inner Color is Purple



Your Personality: You're a dreamer and visionary. You believe you were put on this earth to do something great.


You in Love: You're very passionate but often too busy for love. You need a partner who sees your vision and adopts it as their own.


Your Career: You need a job that helps you make a difference. You have a bright future as a guru, politician, teacher, or musician.