Thursday, October 23, 2014

Nesta altura, já os outros os devem ter posto em vigilância reforçada

A respeito das declarações de Rui Machete, é alegado que "não põem em risco a segurança nacional"; mas penso que o que algumas pessoas criticaram em Machete não foi ter posto em risco a segurança nacional, mas sim a vida das alegadas "arrependidas".

Por outro lado, talvez ele tenha pensado "isto vai ser um imbróglio jurídico decidir o que fazer depois com aquelas raparigas; o melhor é informar logo o mundo (e o ISIS) antes que elas fujam".

Wednesday, October 22, 2014

Declaração de interesses

Para a próxima Convenção do Bloco de Esquerda sou apoiante da moção E (Pedro Filipe Soares).

Nesta altura, já os outros os devem ter posto em vigilância reforçada

Rui Machete em entrevista - «Estado Islâmico. "Dois ou três" portugueses querem regressar a Portugal»

A revelação adicional que são sobretudo raparigas ainda mais identificadora deve ser.

Saturday, October 18, 2014

A definição

Paulo Pinto, no Jugular, expõe a opinião de que o chamado "Estado Islâmico" deveria ser designado por "Daesch" (creio ser o nome porque o grupo é normalmente designado em árabe) - até é capaz de fazer algum sentido (de qualquer forma, portugueses chamarem ao grupo ISIS ou ISIL não faz sentido nenhum - ou lhe dão um nome português ou um nome árabe: eu às vezes chamo-o EI ou EIIL).

Mas o que me chamou a atenção foi isto "Podemos começar por aqui: em primeiro lugar, aquilo não é um Estado, é um bando armado que controla um território pela força das armas e domina populações pelo terror e por atrocidades cometidas contra quem quer que não se submeta às suas ordens: é que, pensando bem, essa é exatamente a definição académica de "Estado" - sim, o que costuma aparecer nos livros é "entidade que detém o monopólio do exercicio da violência num dado território". Mas "deter o monopólio do exercicio da violência" e "controlar um território pela força das armas" são simplesmente duas formas diferentes de dizer a mesma coisa; e mesmo o "domina populações pelo terror e por atrocidades cometidas contra quem quer que não se submeta às suas ordens" está implicito - deter o "monopólio do exercicio da violência" implica, quase por definição, estar disposto a usar essa violência se tal for necessário para impor a sua vontade.

Monday, October 13, 2014

A estratégia a funcionar

Kerry: Saving Kobane not part of strategy - Syrian town where Kurds face ISIL onslaught is "a tragedy" but focus must first be on Iraq, US secretary of state says. (13/10/2014, 05:33)

Iraqi city falls to ISIL as army withdraws - ISIL "100 percent control" Hit in Anbar, says police colonel, after troops are relocated to reinforce nearby airbase. (13/10/2014, 12:41)

Guia simples sobre a politica externa dos EUA

Quando os EUA intervêm noutro país, isso quer dizer que só lá estão para defender os seus interesses, e também que são parolos provincianos que se julgam o centro do mundo (e portanto se acham incumbidos de resolver os problemas do mundo à sua maneira).

Quando os EUA não intervêm noutro país, isso quer dizer que só intervêm quando é para defender os seus interesses, e também que são parolos provincianos que se julgam o centro do mundo (e que portanto não se interessam pelo problemas do resto do mundo).

[Pode ser observado em ação em muitos comentários no Facebook à politica norte-americana nas guerras no Iraque e Síria]

Saturday, October 11, 2014

Portugal e a Europa, mães e pais

Hoje o Expresso noticia que:

O grau de escolaridade da mãe é o que mais determina o desempenho escolar dos alunos em Portugal, ao contrário do que acontece na maioria dos países europeus, onde as habilitações do pai têm mais peso (...)

As conclusões resultam de dois estudos recentes (...) - um do ISCTE (...) e outro do Instituto Nacional de Estatísticas do Reino Unido, que comparou o peso que cada fator tem no sucesso educativo em vários países europeus, a partir de dados do Eurostat. (...)

"Em Portugal, o filho de uma mulher com baixa instrução - que tenha, no máximo, o 9º ano - tem 7,12 vezes mais probabilidades de não prosseguir o estudos do que o filho de uma mãe com o ensino superior", mesmo estando em igualdade de circunstâncias em todos os outros fatores (...) resume ao Expresso Paulo Serafino, investigadora do INE britânico e co-autora do estudo
No Facebook, alguém perguntava que países seriam a maior parte". Indo ao estudo [pdf], à tabela da página 21 (e usando como referência a questão a linha "low ISCED level 0-2"  - que foi a usada pela investigadora, ao referir as "7,12 vezes mais de probabilidade" - comparando pais e mães) podemos verificar: a maior parte dos países europeus, em que a escolaridade do pai é mais influente, são o Reino Unido, a França e a Espanha (p.ex., em Espanha, a probabilidade - mantendo tudo o resto igual - de o filho de um homem com poucas habilitações não prosseguir os estudos é 5,81 vezes maior do que o filho de um homem com formação superior; para o filho de uma mulher com poucas habilitações a probabilidade é apenas 4,21 vezes maior); já a Áustria, Países Baixos, Itália, Portugal, Estónia, Lituânia, Letónia. Hungria e Polónia são as excepções, em que as habilitações da mãe contam mais.

A respeito disso, os autores do estudo escrevem (página 20) que  "In the UK and France, father’s low educational level has a larger impact on the odds of the respondent having low educational attainment themselves than the mother’s education, whereas in most of the other countries, the mother’s educational attainment is generally slightly more important."

Thursday, October 09, 2014

Racionalidade, definições, etc.

Um artigo que me fez lembrar muito do que se discute aqui - Rational != Self-interested, de Andrew Gelman:

I’ve said it before (along with Aaron Edlin and Noah Kaplan) and I’ll say it again. Rationality and self-interest are two dimensions of behavior. An action can be:
1. Rational and self-interested
2. Irrational and self-interested
3. Rational and altruistic
4. Irrational and altruistic.
It’s easy enough to come up with examples of all of these.

Before going on, let me just quickly deal with three issues that sometimes come up:
– Yes, these are really continuous scales, not binary.
– Sure, you can tautologically define all behavior as “rational” in that everything is done for some reason. But such an all-encompassing definition is not particularly interesting as it it drains all meaning from the term.
– Similarly, if you want you can tautologically define all behavior as self-interested, in the sense that if you do something nice for others that does not benefit yourself (for example, donate a kidney to some stranger), you must be doing it because you want to, so that’s self-interested. But, as I wrote a few years ago, the challenge in all such arguments is to avoid circularity. If selfishness means maximizing utility, and we always maximize utility (by definition, otherwise it isn’t our utility, right?), then we’re always selfish. But then that’s like, if everything in the world is the color red, would we have a word for “red” at all? I’m using self-interested in the more usual sense of giving instrumental benefits.

 To put it another way, if “selfish” means utility-maximization, which by definition is always being done (possibly to the extent of being second-order rational by rationally deciding not to spend the time to exactly optimize our utility function), then everything is selfish. Then let’s define a new term, “selfish2,” to represent behavior that benefits ourselves instrumentally without concern for the happiness of others. Then my point is that rationality is not the same as selfish2. (...)

Self-interest is the end, rationality is the means. You can pursue non-self-interested goals in rational or irrational ways, and you can pursue self-interested goals in rational or irrational ways.
[O ponto principal - e titulo - do post, de que "racional" é diferente de "interesse próprio" não tem nada a ver com a discussão que referi, mas os considerandos colaterais acabam por ter]

Wednesday, October 08, 2014

Proteção ambiental e crescimento económico

Slow Steaming and the Supposed Limits to Growth, por Paul Krugman:

Environmental pessimism makes strange bedfellows. We seem to be having a moment in which three groups with very different agendas — anti-environmentalist conservatives, anti-capitalist people on the left, and hard scientists who think they are smarter than economists — have formed an unholy alliance on behalf of the proposition that reducing greenhouse gas emissions is incompatible with growing real GDP. The right likes this argument because they want to use it to block any action on climate; some on the left like it because they think it can be the basis for an attack on our profit-oriented, materialistic society; the scientists like it because it lets them engage in some intellectual imperialism, invading another field (just to be clear, economists do this all the time, often with equally bad results.) ...

A few days ago Mark Buchanan at Bloomberg published a piece titled “Economists are blind to the limits of growth” making the standard hard-science argument. And I do mean standard; not only does he make the usual blithe claims about what economists never think about; even his title is almost exactly the same as the classic (in the sense of classically foolish) Jay Forrester book that my old mentor, Bill Nordhaus, demolished so effectively forty years ago. Buchanan says that it’s not possible to have something bigger — which is apparently what he thinks economic growth has to mean — without using more energy, and declares that “I have yet to see an economist present a coherent argument as to how humans will somehow break free from such physical constraints.”

Of course, he’s never seen such a thing because he’s never looked. But anyway, let me offer an example that I ran across when working on other issues.