Tuesday, July 28, 2015

Varoufakis explica o seu "plano B"

No Financial Times:

To address this problem, our simple idea was to allow the multilateral cancellation of arrears between the state and the private sector using the tax office’s existing payments platform. Taxpayers, whether individuals or organisations, would be able to create reserve accounts that would be credited with arrears owed to them by the state. They would then be able to transfer credits from their reserve account either to the state (in lieu of tax payments) or to any other reserve account.

Suppose, for example, Company A is owed €1m by the state and owes €30,000 to an employee plus another €500,000 to Company B, which provided it with goods and services. The employee and Company B also owe, respectively, €10,000 and €200,000 in taxes to the state. In this case the proposed system would allow for the immediate cancellation of at least €210,000 in arrears. Suddenly, an economy like Greece's would acquire important degrees of freedom within the existing European Monetary Union.

In a second phase of development, which we did not have the time to consider properly, the system would be made accessible through
smartphone apps and identity cards, guaranteeing that it would be widely adopted.

The envisaged payments system could be developed to create a substitute for fully functioning public debt markets, especially during a credit crunch such as the one that has afflicted Greece since 2010. Organisations or individuals could buy credits from the tax office online using their normal bank accounts, and add them to their reserve account. These credits could be used after, say, a year to pay future taxes at a discount (for example, 10 per cent).

As long as the total level of tax credits was capped, and fully transparent, the result would be a fiscally responsible increase in government liquidity and a quicker path back to the money markets.

Monday, July 27, 2015

Ainda o "Plano B" de Varoufakis

As notícias sobre o Plano B de Varoufakis parecem-me algo confusas, mas, pelo que já deu para perceber, parece-me que era simplesmente o plano que há meses se fala de o Estado grego emitir "promissórias" dizendo "vale 100 euros (pagáveis quando for possível)" e usá-las para pagar despesas (nomeadamente salários e pensões), com a diferença de que em vez de imprimir papelinhos, iria-se criar uma plataforma virtual em que cada número de contribuinte teria uma password e seria associado a uma espécie de conta-corrente que seria creditada quando o Estado grego fosse fazer pagamentos a alguém (podendo depois os utilizadores transferir "euros virtuais" de uns para os outros). Atendendo a que o emprego anterior de Varoufakis era gerir um mercado de trocas de itens virtuais entre jogos de computador ("troco uma chave para abrir uma masmorra no jogo A por uma vida adicional no jogo B"), talvez a ideia tenha vindo daí.

Creio que o que está a chamar mais a atenção para o caso é a parte do hacking - como o programa da autoridade tributária grego era gerido por técnicos da troika e não pelo ministério das finanças grego, para obter a lista dos números de contribuinte para introduzir na plataforma virtual foi necessário um amigo do Varoufakis perito em informática "hackear" o programa da autoridade tributária, o que dá um ar de thriller a isto (embora no fim a ideia fosse obter informação que, em circunstâncias normais, qualquer governo teria acesso - a lista dos NIFs).

Agora a questão era se se iria conseguir que o "euro virtual" fosse aceite pelos agentes económicos como um meio de pagamento equivalente ao verdadeiro euro - mantenho a minha teoria sobre isso: o euro virtual iria manter uma cotação aproximada a 1 euro real enquanto fossem criados menos euros virtuais (via despesa pública) do que o necessário para pagar impostos (se um euro real e um "euro virtual" fossem igualmente válidos para pagar um euro de dívidas fiscais, e houvesse menos "euros virtuais" em circulação do que dinheiro a pagar de impostos, a cotação euro real / "euro virtual" iria ser próxima do 1: se o euro real valesse muito mais que o "euro virtual", na altura de pagar os impostos toda a gente tentaria trocar euros reais por virtuais para pagar os impostos em "euros virtuais" - p.ex., se o "euro virtual" fosse valorizado em meio euro, quem tivesse 100 euros a pagar de impostos iria preferir trocar 50 euros reais por 100 euros virtuais e usá-los para pagar o imposto do que pagá-lo com 100 euros reais - , fazendo subir a cotação do "euro virtual").

Adenda 1: este artigo do Varoufakis parece confirmar que se tratava realmente a implementação em formato virtual do tal sistema das "promissórias"

Adenda 2: Parece haver muito mais noticias sobre isto com títulos estilo "Varoufakis pretendia piratear dados dos contribuintes" do que com títulos "Varoufakis pretendia criar moeda paralela virtual", o que indica que é mesmo a parte do "hacking" que está a chamar a atenção (aliás, suspeito que se não fosse a história do hacking a apimentar a coisa, o assunto mal teria aparecido nos jornais, já que o resto da notícia tem a ver com uma questão bastante técnica - a ideia de uma moeda paralela virtual - que a maior parte da imprensa nem acharia apelativa).
[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

O "imperialismo" chinês no Equador

, por "boz":

Today's NYT contains a lengthy and well researched article about China's presence in Ecuador, tying the issues within that one country to China's global expansion.(...)

A lot of these criticisms of China's global policies look like the criticisms academics like Rafael Correa have made of the US and Europe in the past.

O "plano B" de Varoufakis

Varoufakis reveals cloak and dagger 'Plan B' for Greece, awaits treason charge, por Ambrose Evans-Pritchard

Esta descrição parece fazer mais sentido do que o confuso artigo do Ekathimerini.

Sunday, July 26, 2015

Diplomacia económica

"Político do país A, durante o expediente, intercede junto de político do país B para conseguir negócios no país B para uma empresa do país A" - diplomacia económica (se correr bem, é motivo para o político do país A se autoglorificar em entrevistas, conferências de imprensa e campanhas eleitorais)

"Político do país A, nos seus tempos livres, intercede junto de político do país B para conseguir negócios no país B para uma empresa do país A" - tráfico de influências (motivo para a justiça de qualquer dos países lhe abrir um inquérito)

Friday, July 24, 2015


The end of capitalism has begun, por Paul Mason

Interview: Paul Mason’s guide to a post-capitalist future (Prospect)

[W]e’re seeing the spontaneous rise of collaborative production: goods, services and organisations are appearing that no longer respond to the dictates of the market and the managerial hierarchy. The biggest information product in the world – Wikipedia – is made by volunteers for free, abolishing the encyclopedia business and depriving the advertising industry of an estimated $3bn a year in revenue.

Almost unnoticed, in the niches and hollows of the market system, whole swaths of economic life are beginning to move to a different rhythm. Parallel currencies, time banks, cooperatives and self-managed spaces have proliferated, barely noticed by the economics profession, and often as a direct result of the shattering of the old structures in the post-2008 crisis.

You only find this new economy if you look hard for it. In Greece, when a grassroots NGO mapped the country’s food co-ops, alternative producers, parallel currencies and local exchange systems they found more than 70 substantive projects and hundreds of smaller initiatives ranging from squats to carpools to free kindergartens. To mainstream economics such things seem barely to qualify as economic activity – but that’s the point. They exist because they trade, however haltingly and inefficiently, in the currency of postcapitalism: free time, networked activity and free stuff. It seems a meagre and unofficial and even dangerous thing from which to craft an entire alternative to a global system, but so did money and credit in the age of Edward III.

Thursday, July 23, 2015

Tuesday, July 21, 2015

Condições para beneficiar de uma desvalorização monetária

Things you need to successfully devalue your way to prosperity, por Raja Korman:

1.A large tradeable sector.

2.Sizeable unutilized capacity in that tradeable sector.

3.Ideally, tradeable capacity focused on manufacturing, where gains in market share and employment from a weaker exchange rate can be immediate, rather than commodities (priced in USD).

4.Limited passthrough from a weaker exchange rate into higher input costs in said tradeable sector.

5.Limited foreign exchange asset-liability mismatches in your government, financial, corporate and household sectors.

6.A population that does not see exchange rate stability as a key nominal anchor that stabilizes inflation expectations.

7.If you have 1, 2, and 3 above, robust global demand conditions.

8.Not necessary, but enormously helpful–positive terms of trade shocks (one key to Latin and Russian current account performance after their late 90s floats was the impact of China on global commodity prices).

Aplicando ao caso grego - não se verificam os pontos 1, 5 e 6, mas talvez se verifiquem os pontos 3 (para o que interessa aqui - produtos cujo preço é na moeda local versus produtos cujo preço é em dólares - o turismo é similar à indústria; se houver uma diferença até será no sentido do preço em moeda local ser ainda mais relevantes para o turismo do que para a indústria), 4 (o sector turístico não tem grande consumo de matérias primas) e 7 (acho que a procura global por destinos turísiticos mediterrânicos não-muçulmanos está a aumentar); quantos aos pontos 2 e 8, não faço ideia (aliás, nem percebo muito bem o que o ponto 8 quer dizer).