Thursday, November 16, 2017

Os perigos dos sistemas para bloquear websites

New EU law prescribes website blocking in the name of “consumer protection”, por Julia Reda (deputada ao Parlamento Europeu pelo Partido Pirata alemão):

Today, the European Parliament passed the Consumer Protection Cooperation regulation. Unfortunately, it contains an overreachinggeneral website blocking provision. Additionally, consumer protection improvements were watered down or removed completely in last-minute trilogue negotiations with the Council.

According to the new rules, national consumer protection authorities can order any unspecified third party to block access to websites without requiring judicial authorisation.

This forces internet access providers to create a website blocking infrastructure, which risks being abused later on for any number of other purposes, including censorship. To give a recent example,independence-related websites were blocked in Catalunya just weeks ago. These actions could only be taken so quickly because website blocking infrastructure had previously been put in place for other purposes, such as barring access to sites involving copyright infringement.

Wednesday, November 15, 2017

O mito da superpopulação muçulmana

The Muslim Overpopulation Myth That Just Won’t Die, por Krithika Varagur (The Atlantic):

The trope of Muslim overpopulation is reliably powerful anywhere in the world where there is a sizable Muslim immigrant or minority population, from India to Western Europe.

Hindu nationalists often fan anxiety about Muslim population growth; the proportion of Muslims in India grew about 0.8 percent between 2001 and 2011, to 14.2 percent. “If this remains the situation, one should forget about their existence in one’s own country by 2025,” said the leader of a major Hindu nationalist organization last year. But the fertility gap between Muslims and Hindus in India is narrowing fast, and the greatest birthrate disparities are between states, not religions: Hindu women in the very poor state of Bihar have about two more children each than Muslim women in more developed Andhra Pradesh.

Similar concerns echo across countries like France, Germany, the U.K., and the Netherlands. Although Muslims make up less than 10 percent of the total population in each of these countries, perceived overpopulation has been at the center of anti-immigration discourse. About 7.5 percent of France is Muslim, yet on average French people believe Muslims constitute about one in three people in the country. Although Muslim women in Western Europe do currently have more children than their non-Muslim counterparts, research shows that European Muslims’ fertility rate is also declining much faster, so their fertility rates will likely converge over time. (However, in this context, fertility isn’t the only issue; a wave of Muslim immigration over the past few years has reinforced some Europeans’ concerns about Muslim population growth.)

Why does the overpopulation myth persist worldwide, even though it’s typically demonstrably false (like in Burma) or nowhere near the epidemic that its proponents assert (like in Europe and India)? It’s true that the global Muslim population is growing, and fast. But it’s not growing at the same speed across regions. And the trope seems to have the most power not where Muslim populations are actually growing the fastest—like sub-Saharan Africa—but in places where they are culturally distinct minorities.

There’s nothing inherent in Islam to link it to higher fertility—in fact, it’s not a particularly natalist, or pro-birth, religion. Eight of the nine classic schools of Islamic law permit contraception. Many Muslim states, including Pakistan, have supported family planning. (...)

The claim about Muslim overpopulation falls apart in fascinating ways when examined more closely. The fastest fertility drop in modern history happened in the Islamic theocracy of Iran. In 1950, Iranian women had about seven children each; today they have about 1.68, fewer than Americans. What changed? In 1989, the country’s leaders realized that the the high birth rate was straining the young republic. In response, the Supreme Leader issued fatwas encouraging birth control and contraception, and the Health Ministry propagated family planning counseling, rural health centers, and contraceptive distribution across the country. (...)

In the world’s largest Muslim-majority country, Indonesia, fertility rates dropped between the 1960s and the 1990s, from about 5.6 children per woman to 2.3, as the Suharto dictatorship instituted a vigorous, centralized family planning program and made improvements to girls’ education. Those government services were decentralized after democracy came to the archipelago in 1998 and, predictably, fertility rates have been creeping up again. Today, Indonesia’s majority-Christian but less developed eastern provinces have a higher birthrate than the more developed, Muslim-majority western ones—a testament to the correlation between economic development and fertility.
Eu suspeito que a ideia de que os muçulmanos terão um crescimento populacional brutal é também o resultado da reação de algumas pessoas "com desafios a matemática" à poliginia entre entre os muçulmanos - já vi cartoons na internet comparando uma família ocidental com um homem, uma mulher e um filho com uma família islâmica com um homem, quatro mulheres e quatro filhos por cada mulher, com a mensagem implícita que enquanto as famílias ocidentais produzem um filho, as islâmicas produzem 16; também já vi em blogues islamofóbicos, a respeito das estatísticas da taxa de fertilidade dos muculmanos, comentários estilo "seria bom saber se isso é por mulher ou por família" (o que só faz sentido se eles estiverem a pensar em famílias com várias mulheres reprodutoras). Mas, claro, a ideia que a poliginia leva a um elevado crescimento demográfico ("como têm muitas mulheres, têm muitos filhos") é idiota - por uma razão elementar: em princípio por cada homem muçulmano com 4 mulheres há 3 homens muçulmanos sem mulher nenhum, pelo que no agregado isso não tem efeito quase nenhum (não será exatamente assim porque haverá alguns casamentos entre homens muçulmanos e mulheres não-muçulmanas - e também o inverso, contudo suspeito que serão menos os casos - mas suspeito que no conjunto representam pouco).

A ideia de que os homens terem muitas mulheres contribui para o crescimento demográfico parece feita a pensar num mundo imaginário em que haveria uma abundância quase infinita de mulheres e seriam os homens (mais exatamente, o número de filhos por homem) o fator determinante para o crescimento da população.

Monday, November 13, 2017

Império Romano versus Alta Idade Média

Razib Khan: The bigger question that looms in the background though is would it have been better to be a median Roman citizen or a median subject of a Dark Age warlord? I don’t have a strong opinion on this, especially when it comes to the ability to consume above subsistence. It seems likely that the far worst treatment of slaves in places like Sicily than anything serfs were subject to (though serfdom only truly came into its own during the end of the Dark Ages) should be weighed in the calculus, but the Roman peace was also a genuine peace. The petty conflicts persistent at a local level in the Dark Ages may have made the life of a typical peasant less secure than for Roman citizens.

Friday, November 10, 2017

Daniel R. Carreiro - Utopía realista del Anarcocapitalismo

O movimento espanhol ancap continua a expandir-se (tendo nascido com Huerta de Soto e Miguel Anxo Bastos)










Thursday, November 09, 2017

Tuesday, November 07, 2017

Algo se passa no "Reino"

Reformar a Arábia Saudita?, por Francisco Sarsfield Cabral (2017/11/07)



Visões sobre a Revolução de Outubro

Contra (ou pelo menos contra os bolcheviques):

October 1917 – Socialism’s greatest setback?, por John Medhurst (New Socialist)


The Bolsheviks and Workers' Control, por Maurice Brinton

The Kronstadt uprising of 1921/The Kronstadt Commune, por Ida Mett

The unknown revolution, 1917-1921, por Volin

Teses Sobre o Bolchevismo, por Helmut Wagner

An Anarchist FAQ - Appendix - The Russian Revolution 


A favor (criticando aspetos do que veio a seguir):

The Russian Revolution [1918], por Rosa Luxemburgo (versão pdf em português)

The Workers' Opposition [1921], por Alexandra Kollontai

Manifesto of the Workers' Group of the Russian Communist Party [1923], por Gavril Miasnikov

The Revolution Betrayed [1936], por Leon Trotsky (versão pdf em português)

[Quase todos estão na categoria de textos que até há uns só se encontrariam na livrarias de livros usados naquelas ruas que vão dar ao Bairro Alto, em Lisboa, ou então nalgumas bancadas da Feira do Livro]

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]


Thursday, November 02, 2017

Em defesa da mudança de hora

Por qualquer razão (eu suspeito que tem a ver com as alterações climáticas), este ano muita gente decidiu embirrar com a mudança de hora.

Alguns dizem que não se percebe o porquê da mudança de hora, que não se vê quais os benefícios, etc. Na verdade, não é preciso pensar muito para perceber a razão de ser da mudança de hora - na Primavera e no Verão os dias são maiores que no Outono e no Inverno, logo se na Primavera/Verão as pessoas se levantassem, começassem a trabalhar, etc. à mesma hora que no Outono/Inverno, ia haver horas de Sol que se desperdiçariam, porque muita gente ainda estaria a dormir já com o Sol alto; assim, muitos países (uns durante alguma das Guerra Mundiais, outros durante a crise do petróleo dos anos 70) institucionalizaram a regra de, na Primavera/Verão, adiantar-se uma hora o relógio face à hora correspondente ao seu fuso horário (e eu pessoalmente acho uma ótima ideia, porque assim no Verão posso sair do trabalho e ainda ir para a praia durante algumas horas).

Claro que já percebi que a maior parte (todas?) das pessoas que são contra a mudança de hora não são contra ter sido criada a regra de adiantar os relógios na Primavera; defendem é que devia ser permanente e que os relógios deveriam ficar uma hora adiantados o ano inteiro, em vez de regressarem à hora solar no Outono.

Mas acho mesmo assim justificaria-se a mudança de hora: vamos lá ver, as pessoas que preferiam permanecer no horário de Verão é porque preferem ir trabalhar ainda de noite e ter mais uma hora de Sol ao fim do dia; mas, se é assim, no Verão também estariam dispostas a ir trabalhar ainda de noite para ter mais uma hora de Sol ao fim do dia (provavelmente ainda mais - há mais coisas que se podem fazer ao fim do dia no Verão que no Inverno; e ir trabalhar ainda de noite é provavelmente mais incómodo no tempo frio do que no quente; e no Verão a partir de certa altura nem há o problema das crianças terem que ir para a escola de noite) - ou seja, se no Inverno se continuasse a usar a "hora de Verão" (1 hora adiantada face à hora solar), então faria sentido no Verão começar a usar uma "hora de Verão 2.0" (2 horas adiantada face à hora solar - continuando-se a entrar no trabalho ainda de noite), e continuaria-se à mesma a mudar periodicamente a hora.

Em resumo, no Verão há mais horas de Sol tanto de manhã (a aurora é mais cedo) como de tarde (o pôr-do-sol é mais tarde), e a mudança de hora (seja qual for a hora base) é uma maneira de atirar para o fim do dia - onde pode ser usado para alguma coisa - todo esse tempo extra de luz natural.