Wednesday, June 22, 2016

Reino Unido, pais pacífico?

A Very British Assassination, por Mark Mills:

That sort of sums up how I’d felt about violence in British politics. It was rare, remote and not really that important. America had its assassinations, the French have their tradition of street protest and direct action, we have a rather staid and ritualised parliamentary democracy. We’ve not had a civil war in modern times. And extremists have never had much electoral success in Britain. While in much of Europe Communists and Socialists vied to be the voice of the left, Britain’s Labour Party has been able to brush aside challenges from Marxist parties without much difficulty. Until UKIP came along the Tories faced little serious competition on the Right and UKIP, unlike the Front National, Golden Dawn or Jobbik, doesn’t have neo-Nazi roots. It is a product of the right rather than the extreme right. (...)

But on reflection my instinct on this point was wrong. Murder may be more common in the US but the political variety seems at least as common in the UK.

For example, since 1945 three members of the US congress have been killed. (...)

By contrast, in the same period six MPs have been assassinated. Apart from Jo Cox, they were all victims of Irish paramilitary groups. And that hints at a larger point. The peaceful image of British politics that I and others had depends on putting a mental cordon around events in Northern Ireland. But there’s no good reason to do that. Despite Republican efforts, Northern Ireland remains part of the UK, and the conflict both drew in the British army and spilled over onto the mainland. And we should not forget how violent the Troubles were. Indeed they are one of the worst (and longest lasting) civil conflicts to have afflicted a developing country. They resulted in more than three and a half thousand fatalities and turned Northern Ireland into a virtual warzone for decades. And they very nearly broke Britain’s run of not having any Prime Ministers killed: had Margaret Thatcher been using a different part of her suite at the Grand Hotel in Brighton when the IRA detonated a bomb in a nearby room she would almost certainly have been killed.

Monday, June 06, 2016

Marxismo, socialismo e fascismo

José Rodrigues dos Santos argumentou que o fascismo tem origem no marxismo; na sequência da polémica que se gerou, André Azevedo Alves apresenta o que considera serem várias semelhanças entra as duas ideologias; também JRS apresentou de forma mais desenvolvida a sua tese das origens marxistas do fascismo.

O que eu vou escrever foi sobretudo pensado antes de ler o artigo de JRS, pelo que vou primeiro escrever o que pensei inicialmente e depois comentarei o artigo de JRS.

Friday, May 27, 2016

Juros baixos e investimento

Na última Visão, o economista Avelino de Jesus pareceu-me repetir um argumento que por vezes é feito contra a política de juros baixos:
- Para as famílias e empresas cheias de dívidas, os juros negativos permitem um certo desafogo... 
Aparentemente sim, mas os investidores não têm incentivo para investir. Se as taxas forem muito baixas, o investimento não estará a ser remunerado. Sem investimento não há emprego (...). Enquanto devedor, posso beneficiar de uma taxa de juro negativa, mas enquanto trabalhador ou empresário sou penalizado
Essa posição, de que baixos juros levam a menor investimento porque a remuneração da poupança é menor não faz grande sentido no contexto da atual política de juros baixos, como pode ser explicado aqui (atenção que isso poderia ser verdadeiro se os juros baixos fossem fixados por uma lei proibindo empréstimos ou depósitos acima de uma dada taxa de juro; mas é claramente falso no caso de juros baixos motivados por o banco central emprestar aos bancos comerciais a juros baixos ou negativos).

Se fosse só por isso nem se justificava escrever um post, tanto o assunto já foi debatido, com argumentos de um lado e do outro; mas o que me chamou a atenção foi a continuação da entrevista, uns parágrafos abaixo:
- E como se relança o investimento? O programa de compra de dívida do BCE foi feito para isso 
Os bancos não têm falta de dinheiro para o investimento. Há é falta de projetos e de confiança, porque dinheiro há.
Penso que isso encerra a questão, não? Afinal (mesmo com os tais juros baixos) não há falta de capital disponível para ser investido; o que falta são oportunidades lucrativas de investimento.

Monday, May 23, 2016

A crise venezuelana

A respeito da crise venezuelana, creio que não se pode aplicar a justificação que a esquerda radical costuma dar quando uma sociedade "socialista" entra em colapso ("o mal foi o poder ter ficado nas mãos de uma elite de burocratas, em vez da economia ter sido verdadeiramente gerida pelos e para os trabalhadores") - se olharmos para as prováveis causas da crise (pouco investimento nas empresas produtoras de energia, câmbio sobrevalorizado, preços artificialmente baixos de certos produtos, etc.), são tudo decisões que foram populares (ou, pelo menos, não foram impopulares) quando foram tomadas, logo provavelmente teriam à mesmo sido tomadas se a decisão fosse, não por decretos de Chavez, mas por um congresso geral de conselhos operários ou coisa parecida.

Friday, May 20, 2016

Recordando a Comuna de Paris

Remembering the Paris Commune, por Roderick Long, nos Bleeding Heart Libertarians:

This month marks the 145th anniversary of the violent suppression of the Paris Commune by the French national government. 
The Paris Commune remains a potent symbol for many people – though what exactly it symbolizes is a matter of dispute. To conservatives, the Commune stands for a reign of terror and mob rule. For many radicals, including anarchists and Marxists (even though at the time, Marx himself opposed the Commune as a “desperate folly” and urged would-be insurrectionists to work within the system), it signifies a community that importantly prefigures their own preferred social and political systems. 
The Commune wasn’t quite any of these things. While it bears responsibility for some foolish decisions (such as trying to relieve bakers of their long hours by forbidding them to work at night, which is a bit like trying to cure a disease by punishing anyone who shows symptoms of it) and some wicked decisions (most notably, executing the noncombatant hostages), on the whole the Commune behaved in a rather moderate and restrained fashion, and was far from being the sanguinary monster of conservative nightmares. (...) The invasion and massacre instituted by the national government at Versailles in May 1871 to put down the Communards’ insurrection has far more claim to be described as a reign of terror than anything the Commune itself did. 
While it certainly has inspired anarchists and attracted their sympathy (Louise Michel being the most prominent anarchist figure to emerge from the movement), the Commune was not in any real sense an anarchist project. Yes, it was a working-class insurrection, but one aimed at establishing, and one that did in fact establish, a government. (...) 
Nor can the Marxists plausibly claim the Commune as a precursor. While generally statist-left-leaning in their policies, most leaders of the Commune had no interest in abolishing private property; as Marx himself noted, “the majority of the Commune was in no sense socialist.” The term “Commune” refers not to communism but to the independent mercantile cities, called “communes,” that flourished in Europe at the end of the medieval period. 

Wednesday, May 18, 2016

Repensando "Música no Coração"

A castanho, a votação nas eleições legislativas alemãs do Partido da Direita Alemã (1949), do Partido do Reich Alemão (de 1953 até 1961), do Partido Nacional Democrático da Alemanha (desde 1965) e da União do Povo Alemão (em 1998); a azul, a votação nas eleições legislativas austríacas da Federação dos Independentes (até 1953) e do Partido da Liberdade da Áustria (desde 1956).

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]