Thursday, September 18, 2014

Bens supérfluos, essenciais e indivisibilidade

Imaginemos dois produtos - o produto A é considerado um produto essencial e custa 200 euros; o produto B é considerado um produto supérfluo e custa 50 euros; ambos os produtos são indivisiveis (isto, não é possível comprar 0,2 unidades de um deles).

Se alguém tiver 300 euros para gastar (e assumindo que não os vai gastar noutros produtos), qual será a melhor forma de os gastar (vamos admitir que a utilidade para o consumidor do produto essencial é maior que a do supérfluo; vamos também admitir que a utilidade - pelo menos de uma unidade - do bem é maior que a utilidade atribuida ao dinheiro que ele custa)? Comprar uma unidade de A e outra de B (e ainda sobra dinheiro).

E se tiver só 220? Comprar uma unidade de A.

E se tiver só 100? Comprar pelo menos uma unidade de B (eventualmente duas, se a utilidade marginal de B não for muito decrescente).

Ou seja, o consumo de B varia de forma não regular com o dinheiro disponível - tanto o consumidor que tem 100 euros como o que tem 300 compram mais B do que o que tem 220 euros.

Assuntos relacionados:

- A tendência para os modelos micro-económicos mais tradicionais serem construídos assumindo a premissa de bens perfeitamente divisíveis

- A clássica conversa de café "Pois, vivem numa casa da camâra e os filhos têm todos escalão A na escola, mas o que é certo é que tem um smartphone ultimo modelo"

Monday, September 15, 2014

Ainda os ciclos económicos

Quem ache interessante este assunto, pode também dar uma olhada nesta discussão no blogue Desvio Colossal, do Pedro Romano

Wednesday, September 10, 2014

O que está realmente a acontecer com as mulheres yazidis?

Segundo o Washington Post (via Razib Khan), as mulheres e raparigas yazidis capturadas pelo "Estado Islâmico" estão presas à espera que se convertam ao islamismo, mas até se converterem os jihadistas não lhes tocam (não, claro, por qualquer respeito por elas, mas porque a corrente do islamismo que professam acham que os muçulmanos não se podem misturar com "pagãs", só com muçulmanas, cristãs ou judias).

segundo o Observador e o La Reppublica, as raparigas yazidis capturadas estarão a ser violadas várias vezes por dia.

As noticias não são necessariamente contraditórias - as regras em diferentes campos de prisioneiros podem ser diferentes, e uma noticia é quase um mês posterior a outra (e, no meio de uma guerra, num mês muita coisa pode mudar). À partida, acredito mais na noticia do Observador (está mais de acordo com o que normalmente acontece em guerras civis, e de qualquer maneira creio que o que a lei islâmica proíbe é só casamentos com "pagãs", não qualquer tipo de contacto sexual com "pagãs"; só aquela parte dos telemóveis - os jihadistas terem devolvido os telemóveis às raparigas para estas puderem ligar aos pais contando-lhes que são violadas todos os dias - é que me parece mais esquisita, mas é capaz de fazer sentido numa lógica de aterrorizar o inimigo), mas onde quero chegar é que parece boa ideia  filtrar cuidadosamente todas as "noticias" que chegam da guerra civil sírio-iraquiana, já que pelos vistos várias serão falsas.

Wednesday, September 03, 2014

Leituras: Anarchy in Kurdistan?, Jesse Walker

"The Kurdistan Workers' Party, or PKK, has been active in the Kurdish parts of Turkey since the '70s. It has a sometimes sordid history: Its politics were Marxist-Leninist, and its willingness to kill prisoners and civilians earned a rebukefrom Amnesty International. Its leader, Abdullah Öcalan, has been under arrest since 1999, but its armed struggle with the Turkish state continued until a ceasefire was reached last year.
I was vaguely aware of all that, and I may even have read at some point that Öcalan had recently rejected his old Leninist outlook and terrorist tactics, proclaiming a newfound devotion to democracy. What I did not realize was what brand of democracy had attracted Öcalan's interest. Somehow, he became smitten with the American left-anarchist Murray Bookchin. He appears to be particularly interested in Bookchin's idea of devolving power to cities governed by neighborhood assemblies.
I just called Bookchin an anarchist, but by the time he died Bookchin had rejected that label, calling himself a "Communalist" instead. But I'm not writing this post to discuss Bookchin's ideas—the curious reader can check out my obit for him here and Reason's interview with him here—so much as just to express my astonishment to see Bookchinism bubbling up in the PKK, of all places.
ROAR has more on Öcalan's evolution here. Bookchin's partner Janet Biehl discusses these developments here. Some left-anarchists greet the PKK's conversion with a mixture of interest and skepticism here. Kevin Carson is enthusiastic here. The most blistering critique of Bookchin ever written is here. A latebreaking correction to my Bookchin obit is here." 
http://reason.com/blog/2014/09/03/anarchy-in-kurdistan

Saturday, August 23, 2014

A opinião do Expresso sobre o jihadismo

Expressa hoje pelo Ricardo Costa e na semana passada por alguém no editorial:

"Para os jovens muçulmanos nascidos no Ocidente não se alistarem em grupos jihadistas no Médio Oriente, os exércitos ocidentais deveriam ter intervido lá, combatendo ao lado dos mesmo jihadistas"

Thursday, August 21, 2014

O que eu tenho no meu mural do Facebook

Nos ultimos dias têm surgido artigos dizendo que o Facebook só aparecem parvoíces e não aparecem artigos sobre noticías importantes (exemplo).

Será assim? Fui ao meu mural do Facebook, e o que lá tenho:

4 imagens com "lições de moral"
3 imagens humoristicas
3 posts sobre assuntos pessoais ou familiares
3 posts sobre o que seja lá que aconteceu junto ao Centro Comercial Vasco da Gama
2 anúncios
1 post sobre o caso da cidade de Ferguson
1 post sobre o apoio dos Espírito Santo a Cavaco Silva
1 post sobre o plano económico do PS
1 post sobre a mulher de 64 anos convocada para o Dia da Defesa Nacional
1 post sobre um projeto de investigação do autor do post
1 post com um citação filosófica de Nassim Taleb
1 vídeo com um gato

Juntando tudo, eu classificaria como:

11 posts sobre assuntos "leves" (incluindo os anúncios e a mulher recrutada)
7 posts sobre assuntos sérios/importantes
4 posts sobre assuntos relacionados com os autores

OK, os assuntos "leves" podem ser efetivamente metade do que é publicado, mas os assuntos sérios são cerca de um terço, o que não me parece particularmente pouco.

Já agora, o tão falado "ice bucket" só apareceu no meu Facebook uma vez (com um dos meus amigos a desafiar todos os passageiros do Titanic).

Wednesday, August 20, 2014

82% dos norte-americanos: deve ser proibido crianças brincarem sem supervisão

Poll: 82 Percent of Americans Don’t Think 9-Year-Olds Should Play at the Park Unsupervised (Reason)

[T]he latest Reason-Rupe national telephone poll finds 82 percent of Americans believe the law should require children 9-years-old and younger to be supervised while playing in public parks. Just 17 percent of Americans think 9-year-olds should be able to play unsupervised at the park.

Sixty-three percent (63%) of Americans say it should also be illegal for 12-year-olds to play at a public park unsupervised too. But more than a third, 36 percent, say 12 year-olds should be allowed to play unsupervised.

Democrats and Republicans tend to agree the law should require 6-year-olds and 9-year-olds be supervised at public parks, but Republicans (73%) are 15 points more likely than Democrats (58%) to also want the law to apply to 12 year-olds as well.

Na mesma sondagem, a média das resposta à pergunta "em que idade uma criança deve poder ir e voltar da escola sem um adulto" é 12 anos (ver isto).

Uma coisa que me supreeendeu, indo aos detalhes da sondagem (XLS): eu estava à espera que as zonas rurais fossem as em que houvesse mais tendência para achar que os pais podem deixar os filhos em "autogestão" nos jardins públicos (afinal, tradicionalmente no campo as crianças andam mais à solta), mas não: são os maiores defensores que deve ser proibido as crianças brincarem sem supervisão.

[Via Leonore Skenazi]

Lei Geral da Indignação com Massacres

O grau de indignação (pelo menos no Ocidente) com um massacre é inversamente proporcional ao peso demográfico do grupo massacrado.

- Extremistas islâmicos matam outros muçulmanos: uma nota de rodapé no telejornal

- Extremistas islâmicos matam membros de uma minoria cristã: montes de artigos sobre a barbárie

- Extremistas islâmnicos matam membros de uma obscura religião que antes só era conhecida por transmitir um assassinio de honra no Youtube: intervenção militar internacional

Pensando bem, talvez seja a transposição para os humanos do principio à proteção das espécies ameaçadas.