Monday, May 26, 2008

"Linguagem SMS" e literacia

Texting boosts children’s literacy ;-) no Times Online:
Txting mks u clvr, according to research that says children should be encouraged to send more text messages because they can improve literacy. Professor David Crystal believes that sending frequent texts helps children’s reading and writing because of the imaginative abbreviations needed.

The finding is in stark contrast to fears that texting’s free forms and truncated words herald the abandonment of traditional grammar. “People have always used abbreviations,” said Crystal, honorary professor of linguistics at the University of Wales, Bangor. “They do not actually use that many in texts but when they do they are using them in new, playful and imaginative ways that benefit literacy.”

Crystal’s views will appear in his new book, Txtng: The Gr8 Db8.

In one study due to appear in the British Journal of Developmental Psychology, researchers asked 88 10 to 12-year-olds to compose text messages for various social scenarios.

Beverly Plester, a senior lecturer in psychology at Coventry University, and her colleagues found that using “textisms” – abbreviations such as “2nite” for “tonight” – was “positively associated with word reading, vocabulary and phonological awareness”.

Sunday, May 25, 2008

Caveiras de Cristal

Para quem cresceu com os documentários de Arthur C. Clarke, isto é uma desilusão:

Obama, o senador mais à esquerda?

Rui Ramos e Bruno Alves consideram Barak Obama como o senador mais à esquerda.

Apesar de tudo, a esquerda norte-americana não está assim tão mal (afinal, até há um senador que se diz socialista).

De acordo com o projecto VoteView, que classifica os congressistas segundo os seus votos (através deste algoritmo), Obama será o 10º senador mais à esquerda (empatado com Joe Biden).

A American Conservative Union considera (para 2007) Obama como o 32º senador mais à esquerda (isto é, é o 32º com a classificação mais baixa); na classificação ao longo da vida, é o 18º mais à esquerda. Note-se que a ACU atribui a Obama uma classificação de 7%, sendo a média dos senadores democratas de 5,9%.

Já os Americans for Democratic Action atribuem a Obama (para 2007 - PDF, pgs. 23 a 27), uma classificação de 75%, o que o torna o 44º elemento mais à esquerda do Senado (empatado com Joe Biden).

Então, onde Bruno Alves e Rui Ramos foram buscar a ideia de que Obama é o senador mais à esquerda? Eles não indicam a fonte, mas suspeito que foi ao National Journal, que classificou Obama como o senador mais à esquerda de 2007; no entanto, basta ler o artigo para ficarmos na dúvida se (pela fórmula de cálculo utilizada) isso é um indicador de "esquerdismo" ou apenas de ir poucas vezes às votações: "Overall in NJ’s 2007 ratings, Obama voted the liberal position on 65 of the 66 key votes on which he voted; Clinton voted the liberal position 77 of 82 times.". Aliás, pela fórmula de cálculo do NJ, é de esperar que os senadores que participam menos nas sessões (p.ex., por estarem a preparar a campanha) tenham um registo de voto mais "radical" (por um lado ou para outro), já que, em principio é quando se discutem questões mais importantes que vão lá, e tende a ser nessas ocasiões que o voto tende a ser mais ideologicamente alinhado (ou seja, em que é mais provável que um Democrata vote de forma "liberal" e um Republicano de forma conservadora) - aliás, em 2003, John Kerry foi também considerado o mais "liberal" pelo NJ, com base num numero reduzido de votações (depois disso, o NJ até alterou a fórmula, para incluir apenas congressistas que tenham votado um número mínimo de vezes).

Sugestão de leitura adicional: Obama liberal ou conservador?, de João Jesus Caetano.

Friday, May 23, 2008

Nos anos 80 dizia-se que a classe operária ia desaparecer

Na Florida e no Ohio, Clinton teria 48-41 contra Mccain, enquanto na Pennsylvania, venceria com 50, mais treze pontos percentuais que Mccain. Obama perderia na Florida para Mccain, com 41-45, e no Ohio com 40-44. Na Penssylvania teria 46 contra 40 do candidato republicano.

Segundo a CNN, esta diferença justifica-se pelo facto de muitos apoiantes de Clinton, os tais blue collar workers, transferirem o seu voto para Mccain, num eventual embate contra Obama.[Eleições Americanas de 2008]

Ordem Espontânea

Jim Henley, em The Art of the Possible, cita RadGeek:
First, the concept of spontaneous order, as it is employed in libertarian writing, is systematically ambiguous, depending on whether one is using spontaneous to mean not planned ahead of time, or whether one is using it to mean voluntary. Thus, the term spontaneous order may be used to refer strictly to voluntary orders — that is, forms of social coordination which emerge from the free actions of many different people, as opposed to coordination that arises from some people being forced to do what other people tell them to do. Or it may be used to refer to undesigned orders — that is, forms of social coordination which emerges from the actions of many different people, who are not acting from a conscious desire to bring about that form of social coordination, as opposed to coordination that people consciously act to bring about. It’s important to see that these two meanings are distinct: a voluntary order may be designed (if everyone is freely choosing to follow a set plan), and an undesigned order may be involuntary (if it emerges as an unintended consequence of coercive actions that were committed in order to achieve a different goal). While Hayek himself was fairly consistent and explicit in using spontaneous order to refer to undesigned orders, many libertarian writers since Hayek have used it to mean voluntary orders, or orders that are both voluntary and undesigned, or have simply equivocated between the two different meanings of the term from one statement to the next.
[o post em si de "RadGeek" não me interessa muito - é esta passagem que me desperta a atenção]

Há algum tempo que eu pensava em escrever algo sobre isto (e fiz uma pequena abordagem ao tema neste comentário no Portugal Contemporâneo e nos comentários a este post do CN na Causa Liberal).

Acho que o "liberalismo-conservadorismo" assenta muito nesta confusão, que associa "liberdade" com "ordem social não planeada", mas são duas coisas distintas. Podemos ter:

Ordens espontâneas e voluntárias. Exemplos: a língua e ortografia inglesas; a linguagem SMS; talvez a "lei mercantil".

Neste caso, trata-se de instituições que não são impostas (a maior centro difusor da língua inglesa actualmente é um país que nem sequer tem o inglês - ou outra qualquer - como língua oficial) e que evoluem de forma não-planeada.

Ordens espontâneas e impostas. Exemplos: o mapa da Europa; a "common law" inglesa; a autoridade dos pais sobre os filhos menores.

Estas instituições desenvolveram-se de forma não planeada, mas coerciva: as fronteiras europeias são o resultado de uma série de acidentes históricos, durante séculos e, ao mesmo tempo foram impostas e são mantidas pela força; a "common law" baseia-se nos precedentes (e não num código legal com 500 artigos) e é feita cumprir pela autoridade do Estado; a autoridade paternal também deve ter aparecido de forma espontânea e, em ultima instância, também é mantida pela força (se um menor fugir de casa, a policia pode ir buscá-lo).

Grande parte dos chamados "hábitos bárbaros" - escravatura, canibalismo não-consentido, crimes de honra, excisão feminina, casamentos à força, "direito de pernada" (se alguma vez tiver existido), sacrifício das raparigas da aldeia no vulcão (idem), etc. - pertencem a esta categoria.

E, se considerarmos o Estado como uma instituição espontânea, pertencerá também a esta categoria.

Ordens construidas e voluntárias
. Exemplos: os standards da Internet; a terminologia cientifica (grande parte); as regras do futebol federado; o esperanto; moedas locais como o "hour".

Aqui temos normas, instituições, etc. que são criadas de propósito (não emergem por acaso) mas que ninguém (isto é, além das pessoas que as criam voluntariamente) é obrigado a seguir: os standards da net são definidos por organizações como o W3C, mas ninguém é obrigado a usar esses standards; muita terminologia cientifica é decidida por organizações internacionais de cientistas (penso que os anidridos carbónico e sulfúrico não passaram a dióxido de carbono e trióxido de enxofre nem o OH2 passou a H2O por "evolução natural e espontânea", mas porque a sociedade internacional de química assim decidiu), mas acho que essas organizações não têm poder para obrigar terceiros a usar a sua nomenclatura; as regras do futebol são decididas pelas federações, mas ninguém é obrigado a seguir essas regras num jogo na praia; o esperanto é uma língua totalmente construida, mas ninguém é obrigado a usá-la (muito pelo contrário - houve muitas perseguições aos esperantistas); as "moedas locais", LETS e afins (e as suas regras de funcionamento) são criados de forma intencional e planeada, mas o seu uso é voluntário.

Creio que as "ordens construidas voluntárias" tendem a ser mais bem sucedidas em situações em que há economias de rede, isto é, em que cada individuo tem interesse em fazer o mesmo que os outros - usar a mesma terminologia, software compatível, a mesma moeda, etc. (isso não quer dizer que sejam necessariamente bem-sucedidas nessas situações: veja-se o fracasso do esperanto); como há interesse de cada um em fazer o que os outros fazem, as decisões de uma associações voluntária que sejam aceites pela maioria dos envolvidos acabam por ser seguidas por quase toda a gente; e, ao contrário das "ordens espontâneas voluntárias", tem menos problemas de "dependência de caminho" (situações em que grande parte dos indivíduos até quereriam adoptar uma nova regra, mas nenhum faz isso... porque os outros também não fazem).

[Acho que a maior parte dos exemplos de "livre entendimento" dados por Kropotkine n'A Conquista do Pão pertencem a esta categoria]

Ordens construidas e coercivas. Exemplos: papel-moeda estatal; ortografia portuguesa (tanto a de 1911 como a do Acordo Ortográfico)

Aqui temos um plano racionalmente construido e imposto pela força.

Reparo agora que gastei muito mais espaço a expor as ordens "espontânea coerciva" e "construida voluntária" do que as "espontânea voluntária" e "construida coerciva"; possivelmente porque haveria pouco a dizer destas últimas, já que a dicotomia "ordem espontânea voluntária" vs "ordem construida coerciva" já foi discutida "n" vezes, e, de qualquer forma, o objectivo deste post é, exactamente, criticar essa dicotomia (propondo uma tetratomia no seu lugar).

Pois, mas qual é o interesse desta divagação "filosófica"? Além de, pura e simplesmente, me ter apetecido, acho que há uma grande tendência para misturar a questão "espontâneo vs. construido" com a questão "voluntário vs. coercivo"; nomeadamente (limitando-me à blogosfera), dá-me a impressão que nas posições de Luis Pedro Machado sobre o acordo ortográfico, de João Miranda sobre a hora de verão ou do CN (entre muitos) sobre o padrão-ouro há algo dessa tendência para associar "construido" a "coercivo" e "espontâneo" a "livre" (quando, em minha opinião, é tão coercivo o estado impor os "construidos" Acordo Ortográfico, a hora de verão ou o papel-moeda como é/seria impor a ortografia de 1911, uma hora que não mudasse ou o padrão-ouro).

Wednesday, May 21, 2008

Piratarias

Piratarias
Pirataria (2)
Pirataria (3) - de volta aos anos oitenta

N'O Nadir dos Tempos

Tuesday, May 20, 2008

Hillary Sunset Boulevard (1950) - ending scene










Propriedade ilegítima no direito natural

What Caused the Irish Potato Famine? "In fact, the most glaring cause of the famine was not a plant disease, but England's long-running political hegemony over Ireland. The English conquered Ireland, several times, and took ownership of vast agricultural territory. Large chunks of land were given to Englishmen.

These landowners in turn hired farmers to manage their holdings. The managers then rented small plots to the local population in return for labor and cash crops. Competition for land resulted in high rents and smaller plots, thereby squeezing the Irish to subsistence and providing a large financial drain on the economy." LvMI

Direito espontâneo: Law Merchant

Origins: The Law Merchant, or Lex Mercatoria, was originally a body of rules and principles laid down by merchants themselves to regulate their dealings. It consisted of usages and customs common to merchants and traders in Europe. (...) International commercial law today owes some of its fundamental principles to the Law Merchant as it was developed in the medieval ages. This includes choice of arbitration institutions, procedures, applicable law and arbitrators, and the goal to reflect customs, usage and good practice among the parties.
(...) The Law Merchant provided quick and effective justice. This was possible through informal proceedings, with liberal procedural rules. The Law Merchant rendered proportionate judgements over the merchants’ disputes, in light of “fair price”, good commerce, and equity.

Choice of judge: Judges were chosen according to their commercial background and practical knowledge. Their reputation rested upon their perceived expertise in merchant trade and their fair-mindedness. Gradually, a professional judiciary developed through the merchant judges. Their skills and reputation would however still rely upon practical knowledge of merchant practice. These characteristics serve as important measures in the appointment of international commercial arbitrators today

Legal concepts introduced by the Law Merchant: Less procedural formality meant speedier dispensation of justice, particularly when it came to documentation and proof. Out of practical need, the medieval Law Merchant originated the “writing obligatory”. By this, creditors could freely transfer the debts owed to them. The “writing obligatory” displaced the need for more complex forms of proof, as it was valid as a proof of debt, without further proof of; transfer of the debt; powers of attorney; or a formal bargain for sale. The Law Merchant also strengthened the concept of party autonomy: whatever the rules of the Law Merchant were, the parties were always free to choose whether to take a case to court, what evidence to submit and which law to apply." Wikipedia

Kritarchy

"Kritarchy is a political system based on equal justice for all and the concept of natural rights.[citation needed] It differs from other political systems by its application of the rules of justice. Under kritarchy even courts of law, police forces and other organizations that look after the day-to-day business of maintaining law, are denied any power, privilege or immunity that is not in conformity with natural law. Every person is entitled to offer judicial or police-services to willing others; no person can be forced to become a client of any court of law or police force against his will. In short, under kritarchy judicial and police-services are offered on a free market, which is considered to be the natural law of the human world insofar as exchanges of goods and services are concerned.[citation needed] Kritarchy is essentially the natural rights form of anarcho-capitalism seen from a legal perspective." Wikipedia

Rothbard sobre o complexo financeiro-intervencionismo

Wall Street, Banks, and American Foreign Policy by Murray N. Rothbard

No Afterword By Justin Raimondo:

"Yet it would be inaccurate to call the Rothbardian world view a "conspiracy theory." To say that the House of Morgan was engaged in a "conspiracy" to drag the U.S. into World War I, when indeed it openly used every stratagem, every lever both economic and political, to push us into "the war to end all wars," seems woefully inadequate. This was not some secret cabal meeting in a soundproof corporate boardroom, but a "conspiracy" of ideas openly and vociferously expressed. (On this point, please note and underscore Rothbard's analysis of the founding of The New Republic as the literary flagship of "the growing alliance for war and statism" between the Morgan interests and liberal intellectuals – and isn't it funny how some things never change?)"

Saturday, May 17, 2008

Bem visto

Este post de Pedro Arroja (mas suspeito que o brilhantismo do post não foi intencional).

"Instituições de solidariedade obrigadas a deitar comida fora "


Há aqui duas questões: uma, é se essas regras fazem sentido ou não (para muitas, acho que não); a outra é se, no caso das regras que efectivamente fazem sentido, se devem ser aplicas igualmente aos restaurantes e às IPSS - e aí, acho que sim: que eu saiba, os pobres não têm um aparenlho digestivo e/ou um sistema imunitário mais forte do que a classe média, logo, se se considera que dadas situações são perigosas para a saúde dos utentes dos restaurantes, também o serão para a saúde dos utentes das instalações de solidariedade social.

Friday, May 16, 2008

Já agora, vou também eu citar EvKL

O que é os liberais que andam a ler o Liberty or Equality[pdf] de Erik von K.-L. acham desta passagem?

In this connection it must also be borne in mind that true
liberalism is hardly compatible with an unlimited capitalism of
the Manchester school. Property is also a means to freedom.
Since private capitalism tends to concentrate property in
fewer and fewer hands it is, from a genuinely liberal point
of view, only a lesser evil in comparison with state capitalism
(socialism).13 For the truly liberal solution of the problem
of production we have to look to other prophets than Smith
and Stalin.