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Tuesday, July 10, 2012

Multiplicadores, deficits, etc.

Alí em baixo, o CN escreve:

Se estamos a falar de "por mais dinheiro a trabalhar que estava parado" voltamos à questão de que dinheiro parado ou a trabalhar só tem efeitos duradouros no nível geral (seja o que isso for) de preços nominais e não na actividade económica.
A grande questão é quanto tempo duram os efeitos não-duradoros de "por dinheiro parado a trabalhar" ou de "parar dinheiro que estava a trabalhar" - a longo prazo é de esperar que isso apenas altere os preços nominais, mantendo na mesma o valor real do dinheiro em circulação; mas até essa mudança de preços ocorrer, essas oscilações entre dinheiro "parado"/"a circular" deverão causar alguns efeitos na economia real.

Ora, quanto tempo é o "não-duradouro"? Dias? Semanas? Meses? Anos? É que "se uma carrada de gente guardar o dinheiro no colchão, os preços descem em poucos dias e a economia volta ao nível normal" não é exactamente a mesma coisa que "se uma carrada de gente guardar o dinheiro no colchão, os preços descem em meia dúzia de anos e a economia volta ao nível normal".

No fundo, a polémica na macroeconomia nos últimos 60 ou 70 anos gira à volta disto - o nível geral de preços ajusta-se quase instantaneamente a choques na procura ou demora uma carrada de tempo, ao nível de anos?

Monday, July 09, 2012

Re: Falácias argumentativas no debate sobre o défice II

João Miranda:

Uma crítica muito frequente ao governo é que não é possível reduzir o défice com austeridade porque a receita baixa. O que se alega é que por cada 1000 euros cortados o Estado perde mais de 1000 euros em taxas e impostos.
.
É fácil de perceber que isto é falso. O Estado cobra cerca de 50% de taxas e impostos sobre o PIB. Supondo que cada 1000 euros de despesa geram X vezes de PIB quanto é que tem que ser X para que o Estado perca 1000 euros de receita? A resposta  é 1/0,5.=2. Ou seja,  1000 euros de despesa teriam que gerar 2*1000=2000 euros de PIB para que o Estado perdesse 50%*2000=1000 euros de receita.
.
Este multiplicador de 2 implicaria que se aumentássemos a despesa em 1% seria possível aumentar o PIB em 2%. Se aumentássemos a despesa em 2% seria possível aumentar o PIB em 4%. Qualquer governo conseguiria aumentar o crescimento para valores chineses limitando-se para isso a gastar mais. Como é fácil de ver este multiplicador de 2 é uma miragem, sendo este muito provavelmente inferior a 1.
O João Miranda parece estar a esquecer-se de uma coisa - a teoria que diz que a despesa tem efeitos "multiplicadores" (porque se se gasta 1000 euros em qualquer coisa, a pessoa que ganhou esses 1000 euros vai gastar parte noutra coisa qualquer, e a pessoa que ganhou esses, digamos, 700 euros irá gastar 500 noutra coisa, e que recebe esses 500 vai gastar uns 300 ainda noutra coisa, de forma que temos um aumento de rendimento de 1000 + 700 + 500 + 300 + ....) considera que essas efeitos só se verificam quando a economia está a funcionar abaixo do pleno emprego. Portanto, a tentativa de redução ao absurdo de JM não faz sentido - se a teoria do multiplicador estiver correcta, um governo só conseguiria taxas de crescimento chinesas gastando muito se o desemprego fosse altíssimo (e mesmo assim esse crescimento apenas duraria até ao desemprego ficasse em valores baixos).

Pondo a coisa de outra maneira - há duas formas de fazer crescer uma economia: ou aumentando a produtividade de cada trabalhador, ou pondo mais gente a trabalhar. Os defensores da tese do multiplicador dizem que o que a despesa estimula o crescimento pela via do aumento da mão-de-obra (e dos recursos em geral) empregada, logo é evidente que essa teoria não implica que uma continuada despesa pública elevada leva a um crescimento económico continuado (se o crescimento é suposto ocorrer via diminuição do desemprego, o aumento da despesa só originará cresciment enquanto houver desemprego).

Tuesday, May 01, 2012

Moedas competitivas e politica económica

Pelos vistos, segundo o resumo da Business Insider, a possibilidade de haver várias moedas em competição foi um dos temas abordados no debate Paul vs. Paul (Ron a favor, Krugman contra).

A isso inspira-me a repescar o que escrevi aqui (e que, até certo ponto, retomei aqui) sobre como, num sistema com várias moedas concorrentes, seria possível (a quem o quisesse) por em prática uma "politica expansionista" por simples cooperação voluntária, sem intervenção do Estado:

Vamos à questão da reduzida massa monetária. Esse problema pode ser resolvido(?) pelo sistema de um grupo de pessoas se associar, imprimirem uns papelinhos a dizer "Vale 10 euros" (ou inventarem uma designação própria) e comprometerem-se a aceitá-los como pagamento.

Ou então nem precisam de ter uma moeda física: podem simplesmente criar um sistema contabilístico, em que começam todos com um saldo de zero euros, e quando eu compro alguma coisa ao Fernando no valor de 100 euros, passo a ter um saldo de -100 euros e ele um saldo de +100, sem nenhum dinheiro físico mudar de mãos. Se, p.ex., as regras do sistema permitirem aos membros chegarem a um saldo negativo de 500 euros, isso equivale na prática a um aumento da quantidade de moeda em circulação no valor de 500 euros por sócio (bem, não totalmente, já que essa moeda só serve para pagamentos entre os sócios).

O que eu estou a descrever não é nenhuma invenção - mais não é que um LETS, um sistema usado em muitos sítios.

A esse respeito (LETS, "moedas locais", etc.), o economista liberal (penso que versão Chicago, não Viena ou Auburn) Tyler Cowen escreveu há uns tempos:
I am more positively inclined than is Tim. First, local currencies blossom when the nominal money supply is too low and wages and prices are sticky downwards. A boost in the real money supply is needed and the private sector will do it -- albeit at high transactions costs -- even if the government will not. That's why so many of these local currencies blossomed in the 1930s but then disappeared. They did good but then they were stamped out or ceased to be necessary.
E, na actualidade, creio que essas moedas locais têm aparecido exactamente em épocas de depressão económica. A que é talvez a mais famosa de todas - o "hour" da cidade norte-americana de Ithaca - apareceu durante aquela recessão do principio dos anos 90 (a que fez o Bush pai perder as eleições). Também o WIR suiço (uma espécie de banco cooperativo cujo funcionamento faz lembrar vagamente o LETS) apareceu numa crise económica, a dos anos 30.

Bem, já temos uma maneira de aumentar a moeda em circulação sem intervenção do Estado. Mas, e quando já estamos na tal "armadilha da liquidez", em que um aumento da moeda em circulação apenas origina um aumento da moeda que os agentes entesouram?

Aí, penso que também há uma solução (que já foi posta em prática nalguns sítios): é as "notas" emitidas pela associação/cooperativa/o-que-lhe-queiramos-chamar serem impressas dizendo "esta nota só é válida até dia 31/05/2010". A partir dessa data, os membros da associação já não aceitariam essas notas como pagamento, e elas teriam que ser trocadas por notas novas, com desconto. Assim, quem as recebesse teria um incentivo para as gastar (no fundo, algo parecido com o modelo aqui proposto). Creio que os "créditos" argentinos funcionavam assim, embora não consiga encontrar nenhuma referencia.

Assim, se vivêssemos numa sociedade sem uma moeda oficial, talvez fosse possivel aos keynesianos organizarem-se em cooperativas de crédito mútuo (ou seja, bancos centrais descentralizados, passe o paradoxo) e os "austríacos" usarem as notas de bancos com reservas de ouro a 100%, e com o tempo talvez se visse qual seria o sistema que funcionaria melhor.

Thursday, March 01, 2012

Keynesianismo, salários reais e nominais (II)

Ali em baixo, escrevo que "a macro-economia keynesiana [pode ser] abordada de duas formas micro-económicas diferentes". O que quero dizer com isso?

O que quero dizer é que há dois possíveis mecanismo micro-económicos pelo qual a combinação de um aumento da procura agregada com preços e/ou salários rígidos pode originar um aumento da produção; não digo que esses dois mecanismos sejam totalmente diferentes (provavelmente até poderão ser dois "casos notáveis" de um mecanismo geral), mas creio que podem ter implicações distintas.

Uma perspectiva é assumindo uma situação de concorrência perfeita, em que as empresas são "price takers", isto é, aceitam os preços (incluindo salários) estabelecidos no mercado como um dado, e em função desses preços decidem quanto vão produzir (pela famosa regra de produzir até ao custo marginal ficar igual ao preço). Nesse caso, como é que um aumento da procura agregada faz aumentar a produção? O mecanismo será que o aumento da procura (nomeadamente da procura nominal) faz aumentar os preços; mas como os salários tendem a ser rígidos, sobem (pelo menos a curto prazo) menos que os outros preços, fazendo baixar os salários reais e tornando viáveis negócios que de outra maneira não o seriam e permitindo empregar trabalhadores pouco produtivos (mas que com a baixa de salários reais tornam-se produtivos o suficiente para dar lucro empregá-los); e assim diminui o desemprego e aumenta a produção.

Para esta primeira visão, acaba por ser mais ou menos fundamental que os salários sejam mais rígidos que o conjuntos dos preços, e a baixa dos salários reais é um mecanismo fundamental do sistema (no fundo, é a ideia de tudo)  - na verdade, as políticas keynesianas não passarão de uma forma de (via inflação) transferir o rendimento dos assalariados para os patrões sem os primeiros darem muito por isso.

Outra perspectiva é assumir uma situação de concorrência imperfeita (nomeadamente de concorrência monopolística), em que (falando de forma super-simplificada) cada empresa estabelece o preço do seu produto e (dentro dos limites da sua capacidade de produção) produz e vende de acordo com as encomendas que recebe. Aí, um aumento da procura agregada fará aumentar a produção simplesmente porque, se a procura nominal aumenta e os preços se mantêm constantes, os clientes vão comprar maior quantidade de produtos, logo as empresas vão produzir mais e contratar mais gente.

Nesta segunda visão, o facto dos salários serem especialmente rígidos (em comparação com os outros preços) é largamente irrelevante - a rigidez dos salários será importante porque contribui para a rigidez geral dos preços (sobretudo, a dificuldade em descer salários originará uma dificuldade em descer preços), mais nada.

Acerca de diferentes implicações destas duas visões - uma poderá ser exactamente a que atitude ter face aos salários reais. De acordo com a primeira visão, fazer baixar os salários reais é o objectivo final disto tudo, logo qualquer coisa que os faça subir em principio será prejudicial à economia; pela segunda visão (em que o aumento da procura leva por si mesmo a um aumento da produção, e não por intermédio de uma redução dos salários reais), um aumento dos salários reais até poderá estimular a economia, se se concluir que os assalariados gastam uma maior proporção do seu rendimento do que os capitalistas (penso que a maior parte dos estudos indica o oposto - que, contrariamente à ideia geral, a taxa de poupança é a mesma nas várias classes sociais).

Friday, June 17, 2011

Erros dos agentes económicos e recessões

Murray Rotbard, o Carlos Novais e o André Azevedo Alves levantam a questão "Como é que a dada altura se dá uma concentração de erros na actuação dos agentes económicos num determinado ponto do tempo?", dedicando-a especiamente a Krugman, Stieglitz e aos keynesianos.

Em primeiro lugar, vamos recordar a teoria keynesiana das recessões:

- os agentes económicos decidem ter mais moeda em seu poder do que a que têm (isso não implica que todos os agentes decidam aumentar o seu stock de moeda - basta que o saldo entre os que querem aumentar e os que querem reduzir seja positivo)

- para terem mais moeda em seu poder, os agentes vão querer gastar (seja em consumo, seja em investimento) menos do que ganham, ou seja vão querer vender mais do que compram

- mas como os compras do Desidério são as vendas da Natalina, o desejo de toda* a gente comprar menos do que vende apenas leva a que as vendas totais caiam (*não é necessário ser "toda a gente", basta o tal saldo liquido referido 2 pontos acima)

- contra-argumento: se as vendas caiem, os produtores vão baixar os preços; com os preços mais baixos o valor real da moeda aumenta, os agentes já não têm razão para querer vender mais do que compram e a economia volta a funcionar

-contra-contra-argumento: os agentes demoram a ajustar os preços, porque, como dito aqui, pensar em mudar os preços, calcular que novos preços praticar e mudá-los efectivamente (imprimindo novos menus, p.ex.) tem um custo; alem disso, como a maior parte dos agentes não vão baixar substancialmente os seus preços antes dos seus fornecedores também os baixarem substancialmente, pode levar anos até à combinação de pequenas baixas consecutivas de preços produzir a tal baixa geral de preços necessária para pôr a economia outra vez a funcionar

Essencialmente, a teoria keynesiana das recessões é isto (depois há uma carrada de pontos adicionais - armadilhas de liquidez, aceleradores, multiplicadores, "balance sheets", etc. - mas não afectam o fundamental).

Aliás, a teoria monetarista das recessões também é essencialmente isto - os keynesianos tendem a considerar que as recessões ocorrem porque os agentes querem deter mais moeda, enquanto os monetaristas tendem a achar que as recessões ocorrem porque a quantidade de moeda diminui; mas na prática, e atendendo às várias definições de "moeda" - M1 M2, M3,...  - a diferença entre "os agentes querem deter mais moeda" e "a quantidade de moeda em circulação diminuir" é bastante ténue (se eu transferir dinheiro de uma conta a prazo para uma à ordem, isso tanto pode ser considerado um aumento da procura de M1 como uma diminuição da oferta de M2).

Agora, vamos regressar à questão dos erros dos agentes e de porque razão eles se concentram num determinado momento. Mais exactamente, no caso do modelo keynesiano (ou keynesiano/monetarista) das recessões, que erros os agentes cometeram? A única coisa aqui que pode ser considerado um erro é não baixarem logo os preços. Portanto, porque razão é que a maior parte dos agentes cometem, ao mesmo tempo, o erro de praticar preços mais altos do que os adequados?

Imagine-se que, esta noite, por volta das 5 da manhã, a temperatura terrestre descia 10º; seria de esperar que muita gente amanhã vestisse roupa fresca (pelo menos, no Hemisfério Norte) e só quando saíssem à rua é que percebessem que estava muito mais frio do que esperavam; não há nenhum mistério em muita gente cometer o euro de se vestir "à fresca" - afinal, se toda a gente foi afectada por um descida inesperada da temperatura, é natural que comentam o mesmo erro ao vestir-se.

Da mesma maneira, se houver um aumento geral da procura de moeda, e portanto, uma redução geral da procura de bens e serviços (o que não exclui que possa haver um aumento da procura de alguns bens ou serviços especificos), é também perfeitamente normal que a maior parte das empresas se veja com preços mais elevados do deveria ser; da mesma maneira, nenhum mistério aqui.

De qualquer forma, sinceramente, nem me parece fazer grande sentido dirigir a pergunta "Como é que a dada altura se dá uma concentração de erros na actuação dos agentes económicos num determinado ponto do tempo?" especialmente aos keynesianos; afinal, na teoria keynesiana das recessões os "erros dos agentes" nem desempenham grande papel no mecanismo das crises; mesmo os tais preços demasiado altos que demoram a ser reduzidos nem chegam bem a ser "erros", mas simplesmente o resultado de tanto os nossos processos mentais como as decisões organizacionais não ocorreram a uma velocidade instantânea. De certa maneira, a visão keynesiana das recessões é uma espécie de "several rights make a wrong": uma carrada de agentes, todos eles tomando a melhor decisão possivel (dentro dos limites humanos à capacidade de tomar decisões perfeitas), e a combinação de decisões individualmente boas produzindo um mau resultado. Aliás, tanto nos anos 30 como agora, grande parte da polémica entre keynesianos e "anti-keynesianos" consiste nos "anti-keynesianos" a dizer que a crise foi provocada por erros, maus investimentos, trabalhadores especializando-se nos ramos errados, etc., enquanto os keynesianos dizem que é apenas um problema de procura agregada insuficiente

P.S. com "anti-keynesianos" estou, como é óbvio, apenas referindo-me aos críticos "pela direita" do keynesianismo; não estou incluindo marxistas,  "economistas radicais", etc.

Tuesday, February 01, 2011

O que é a taxa de juro

A pergunta continua a não ser consensual na doutrina económica, especial, naquelas (quase todas) que defendem que a decisão seja por decreto, mas sempre dirá que ajusta a taxa de juro à inflação (ou expectativa... ou whatever) e ao crescimento e produtividade do capital. Os Keynesianos dirão que é o prémio para se afastar de liquidez, o que é um bocado estranho no sentido em que qualquer preço então (o de uma cerveja por exemplo) representa um prémio para se afastar de liquidez -> moeda). Os austríacos dizem que o juro representa simplesmente uma preferência subjectiva temporal (não está sujeito a óptimos ou optimizações sociais) entre o consumo presente e bens futuros.


The Austrians on Interest

When it comes to explaining the coordinating function of market prices, Austrians assign a very important role to interest rates, for they steer the deployment of resources over time. Loosely speaking, a high interest rate means that consumers are relatively impatient, and penalize entrepreneurs heavily when they tie up resources in long-term projects. In contrast, a low interest rate is the market’s green light to entrepreneurs that consumers are willing to wait longer for the finished product, and so it is acceptable to tie up resources in projects that will produce valuable goods and services at a much later date.

In the Austrian conception, it is the interest rate that allows the financial decisions of households to interact with the physical capital structure, so that producers transform resources in the ways that best satisfy consumer preferences. Consider a simple example that I use for undergraduates: Suppose the economy is in an initial equilibrium where households save 5 percent of their income. Then the households decide that they want to have more for their retirement years, because they don’t want their standard of living to plummet once they stop working. So all the households in the community begin saving 10 percent of their income.

In the Austrian view, the interest rate is the primary mechanism through which the economy adjusts to the change in preferences. (It’s not that people switched from buying hot dogs to hamburgers; instead they switched from buying “present consumption” to buying “future consumption.”) The increased household saving pushes down interest rates, and at the lower rates businesses can start long-term projects. From the individual entrepreneur’s point of view, the interest rate affects the profitability of longer projects more than shorter ones (as a simple “present-discounted-value” calculation shows). So a lower interest rate doesn’t merely stimulate “investment” but actually gives a greater inducement to investment in durable, long-term goods, as opposed to investment in nondurable, short-term goods.

How is it possible that the community as a whole can have more income in, say, 30 years? Obviously the households think it is financially possible, because their bank balances rise exponentially with the higher savings rate. But technologically speaking, this is possible because the composition of physical output changes. The households have cut back on going out to dinner, buying iPods, and so on, in order to double their savings rate. This means that restaurants, Apple stores, and other businesses catering to consumption will have to lay off workers and scale back their operations. But that means labor and other resources are freed up to expand output in the sectors making drill presses, tractors, and new factories.

In 30 years, the economy will be physically capable of much higher output (including the production of consumer goods), because at that time, workers will be using a larger accumulation of capital or investment goods made during the previous three decades. That is how everybody can have a higher standard of living, through savings.

My Reply to Krugman on Austrian Business-Cycle Theory, Robert P. Murphy

My Reply to Krugman on Austrian Business-Cycle Theory


Conclusion

I do not claim that the Austrian theory of the business cycle captures every pertinent feature of modern recessions. What I do claim is that a theory — including any of Paul Krugman’s Keynesian models — that neglects the distortion of the capital structure during boom periods cannot possibly hope to accurately prescribe policy solutions after a crash.

Friday, January 28, 2011

FINAL REPORT OF THE NATIONAL COMMISSION ON THE CAUSES OF THE FINANCIAL AND ECONOMIC CRISIS IN THE UNITED STATE


Um excelente documento, pese embora discordâncias. Contém muita informação e interpretação e análise de forma simples e directa, útil para concordar e discordar. Contém também declarações de "dissent".

Uma delas diz:

"Conclusions:

• The credit bubble was an essential cause of the financial crisis.
• Global capital lows lowered the price of capital in the United States and much
of Europe.
• Over time, investors lowered the return they required for risky investments.
Their preferences may have changed, they may have adopted an irrational bubble mentality, or they may have mistakenly assumed that the world had become
safer. This inlated prices for risky assets.
• U.S. monetary policy may have contributed to the credit bubble but did not
cause it."

Parece existir uma obsessão em desculpar a política monetária, eu diria que o sistema se protege. De certa forma o problema não é a política monetária mas sim o sistema monetário.

Sempre fica uma pergunta para quem atribui inflação de preços (e bolhas de activos) a outros factores:

Se a quantidade de moeda fosse fixa, também existiriam bolhas e/ou inflação de preços no consumidor? Quando os keynesianos atribuem a inflação dos anos 70 a factores não monetários, será que acreditam que o nível geral de preços (e/ou activos) pode subir com a quantidade de moeda fixa?

Monday, January 24, 2011

Juros baixos: Transferência de riqueza entre quem poupa e os mais endividados (os que tiram partido da financerização)

Vatican bank chief issues warning about US, European economic policies

"Zero interest rates factually equal a de facto transfer of wealth from he who was a virtuous saver (although not for Keynes) to he who has become virtuously (for Keynes) indebted," he said. "Practically, it's about a hidden tax on poor savers, a tax transferred to the wealthy, (that is), over-indebted states, business people and bankers.”

Although the alternative to zero interest in such a situation is economic collapse and eventual default, the zero-rates "are not sustainable and are dangerous," Tedeschi warned.

"They destroy savings, which is an essential resource to create the base for bank credit; they promote speculation on real estate and securities, create illusory artificial values rather than scaling them down; they push consumption to more risky debt; they alter the market with artificial values and thus lead to belief that the very markets do not know how to correct themselves."

The biggest danger, Tedeschi said, is that zero interest rates "permit, or impose governments into management of the economy, without correcting inefficiency and facilitating distortions in the competition."

He warned that the greatest economic impacts may be on the way.

Thursday, January 13, 2011

Teoria monetária

O autor está completamente a leste da teoria dos ciclos económicos, mas o texto vale a pena pela tentativa de perceber o actual sistema monetário, coisa que os próprios seus defensores parecem perceber pouco. É um caso de uma máquina dirigida por quem a defende mas não domina.

Monetary system not behaving according to textbooks – system is wrong!

" Bank lending is not “reserve constrained”. Banks lend to any credit worthy customer they can find and then worry about their reserve positions afterwards. If they are short of reserves (their reserve accounts have to be in positive balance each day and in some countries central banks require certain ratios to be maintained) then they borrow from each other in the interbank market or, ultimately, they will borrow from the central bank through the so-called discount window. They are reluctant to use the latter facility because it carries a penalty (higher interest cost)."

Típico como apesar de estar analisar correctamente o processo, não vê problema nenhum em si na criação de moeda para conceder crédito porque nesse acto, um passivo e activo têm lugar simultaneamente, quando devia ter em conta que a criação de moeda é um activo imediato e o crédito concedido um activo a prazo. Mas no fundo, os ciclos económicos dão-se porque existe uma disfunção entre o capital real (poupança real prévia) e o capital nominal (expresso em moeda criada para "sustentar" apenas nominalmente esse investimento - o que não assegura que capital real sob a forma de bens de capital exista para sustentar esse investimento).

"The important point though is that all transactions at the non-government level balance out – they “net to zero”. For every asset that is created so there is a corresponding liability – $-for-$. So credit expansion always nets to zero! (...)

When a bank makes a $A-denominated loan it simultaneously creates an equal $A-denominated deposit. So it buys an asset (the borrower’s IOU) and creates a deposit (bank liability). For the borrower, the IOU is a liability and the deposit is an asset (money). The bank does this in the expectation that the borrower will demand HPM (withdraw the deposit) and spend it. The act of spending then shifts reserves between banks.

These bank liabilities (deposits) become “money” within the non-government sector. But you can see that nothing net has been created."

Como já disse num post anterior, dada a incompreensão geral sob os ciclos e as crise, era preferível no actual sistema que os DO tivessem 100% de reservas (reduzindo os efeitos dos ciclos económicos) e toda a criação de moeda fosse exclusivamente por via de financiamento de défices, que tem um efeito inflacionário (nos preços de bens de consumo) muito mais imediato (o que não acontece com a expansão de moeda para concessão de crédito que tende a inflacionar preços de bens de capital e financeiros que não têm expressão nos números tradicionais de inflação), o que tornaria mais visível os excessos.

Mas claro que um sistema monetário livre, com uso de ouro e prata com reservas de 100% faria regressar a sanidade e estabilidade para todos, com ganhos para a população em geral, penalizando os ganhos da financeirização (os que mais perto estão da capacidade de criação de crédito) que autores de esquerda apontam instintivamente mas sem saber bem do que falam.

Wednesday, December 01, 2010

Tentativa de sintetizar toda a discussão sobre o keynesianismo

Discussão nos comentários d' O Insurgente:

Eu:

imagine-se uma economia com pescadores, agricultores e construtores navais. Imagine-se que os pescadores não vão sempre à pesca porque têm pouca clientela.


Agora imagine-se que alguém decide gastar umas moedas de ouro que tinha guardado no sotão para fazer uma grande festa e paga a um pescador (que em principio não estava a pensar ir ao mar) para lhe ir apanhar uns polvos e uns sargos.

[Q]ue redução do investimento houve aqui[?] – o dinheiro gasto para pagar os polvos e os sargos não é dinheiro que de outra maneira teria sido gasto para construir mais um barco (é dinheiro que de outra maneira teria ficado guardado à espera de uma melhor oportunidade para ser gasto). A mim parece-me que o aumento da procura originou um aumento da produção (foram pescados polvos e sargos que não teriam sido pescados de outra maneira).
CN:
Tirar dinheiro do sótão (aumentar a quantidade de dinheiro em circulação) faz aumentar os preços, colocar dinheiro no sótão (diminuir a quantidade de dinheiro em circulação) faz diminuir os preços.

A relação entre consumo e investimento guiada pela taxa de juro livremente fixada não tem de se alterar por causa disso. As pessoas podem passar a usar mais moeda, mas a proporção entre consumo e investimento manter-se (agora, a preços mais elevados).
Creio que toda a discussão sobre a correcção ou não do keynesianismo pode-se resumir a três questões:

A - é expectável que num mercado livre haja alterações rápidas e significativas da procura total de moeda?

B - se houver um aumento da procura de moeda (ou uma redução da oferta), isso originará uma redução mais ou menos equivalente dos preços, ou essa tal redução dos preços levará anos a se consumar?

C - se a resposta a A for a segunda (demorar anos), é expectável que o Estado/banco central/cooperativa de crédito consigam mais ou menos "adivinhar" o aumento da oferta de moeda e/ou do consumo público necessária para reequilibrar a economia, ou os mais provável é que (devido à imperfeição do conhecimento humano em geral, e do das organizações centralizadas em particular) se enganem no tipo e quantidade de "remédio" a aplicar, aumentando ainda mais e confusão e agravando a crise?

Se as respostas forem

A - sim
B - levará anos
C - o Estado/banco central é capaz de descobrir (ou andar lá perto) a quantidade de "estimulo" necessário

o keynesianismo estará correcto

Se forem

A - sim
B - levará anos
C - é quase impossível saber qual a politica correcta no momento correcto

O keynesianismo estará correcto acerca das crises económicas, mas errado na solução proposta

Se forem

A - [tanto faz]
B - os preços ajustam-se quase em tempo real
C - [irrelevante]

o keynesianismo estará errado (penso que é mais ou menos essa a posição das "expectativas racionais", dos "ciclos económicos reais" e de Milton Friedman desde os anos 70)

Se for

A - não
B - levará anos
C - é quase impossível saber qual a politica correcta no momento correcto

o keynesianismo também estará errado (creio que era mais ou menos essa a posição de Milton Friedman nos anos 50/60, e a "escola austríaca" também só me parece fazer sentido se adoptar uma posição destas).

A minha opinião pessoal - o ponto fraco do keynesianismo parece-me ser exactamente o C.

Tuesday, November 30, 2010

Eric Cantona e a Banca de Reservas Fraccionarias

(Banca de Reservas Fraccionarias é um termo que caracteriza o actual sistema monetário e bancário que permite que os depósitos à ordem sejam utilizados pelos bancos nas suas operações, colocando assim em risco a moeda depositada, e que ao mesmo tempo concede a capacidade dos bancos de conceder crédito fabricando do nada novos depósitos à ordem em vez de mobilizar depósitos já existentes - o que, segundo a teoria austríaca dos ciclos económicos, provoca as bolhas seguida das inevitáveis crises). Esta entrevista contém uma certa perspectiva de esquerda

Entrevista a Juan Torres López sobre la iniciativa de Eric Cantona

El conocido futbolista Eric Cantona ha convocado en Francia un movimiento popular para retirar el dinero de los bancos el próximo día 7 de diciembre (www.bankrun2010). Para conocer los posibles efectos de esta iniciativa entrevistamos a Juan Torres López, Catedrático de Economía, miembro del Comité Científico de ATTAC España y autor de los libros Desiguales. Mujeres y hombres en la crisis financiera (Icaria), con Lina Gálvez, y La crisis de las hipotecas basura. ¿Por qué se cayó todo y no se ha hundido nada? (Sequitur) con la colaboración de Alberto Garzón.

- ¿Qué efectos tendría una medida como esta que propone Cantona?

- Lógicamente depende de su seguimiento. Si se hiciera masivamente, los bancos no tendrían liquidez suficiente para devolver los depósitos a sus clientes porque la banca occidental opera con un sistema llamado de reservas fraccionarias. Esto significa que de todo el dinero que ingresa un cliente sólo conserva una pequeña parte (actualmente un 2% más algunos porcentajes adicionales dependiendo de la regulación de cada país). El resto lo usa para dar créditos. Por tanto, el dinero de los depósitos "no está" en el banco sino sólo en forma de anotaciones, así que en su totalidad no se podría retirar.

- ¿Eso quiere decir que los bancos no "conservan" el dinero de sus clientes sino que lo usan para crear más dinero?

- Efectivamente. El negocio de la banca es ese: crear medios de pago mediante la generación de deuda. Cada vez que dan un crédito con esa parte del depósito que no reservan crean dinero. No dinero legal (monedas y billetes) sino dinero bancario.


Juan Torres López es Catedrático de Economía Aplicada de la Universidad de Sevilla.www.juantorreslopez.com

Alberto Montero Soler (amontero@uma.es) es profesor de Economía Aplicada de la Universidad de Málaga y puedes leer otros textos suyos en su blog La Otra Economía.

Sunday, October 31, 2010

A procura de moeda e a taxa de juro (cont.)

Quer o Keynesianismo nas suas várias formas quer o monetarismo de Chicago continuam a perpetuar falácias prejudiciais.

Como exposto anteriormente, as pessoas alocam o seu rendimento entre Consumo, Investimento e Moeda. Do ponto de vista de um indivíduo, ele decidirá em simultâneo se quer aumentar o saldo monetário versus o que consome versus o que disponibiliza em crédito para terceiros (recebendo um juro) [adenda: ou fazer um investimento como capital].

O aumento ou diminuição da procura de moeda em si mesmo não tem de estar relacionado com variações na alocação relativa entre consumo e investimento. Estas variações afectarão o nível geral de preços, mas depois estabilizará. Assim, uma diminuição da procura de moeda aumenta o nível geral de preços, mas ao contrário da inflação provocada por um banco central, este efeito é comparativamente extremamente limitado e auto-corretivo, as pessoas podem diminuir os saldos monetários até certo ponto e assim a subida de preços assim induzida é limitada também nos seus efeitos; assim como o aumento de saldos monetários (aumentando o número de moeda debaixo de colchão) fará descer os preços, mas tal efeito faz aumentar o poder de compra das moedas já detidas o que por si serve de força contrária até um ponto de estabilização.

A outra falácia a ser exposta é que a taxa de juro não se relaciona diretamente com a dita produtividade do capital. Se um dado bem de capital (imaginemos uma máquina inventada com determinadas matérias e por uma determinada especialização de recursos humanos) por alguma razão aumenta significativamente a produtividade, o efeito que terá é o seu preço relativo (e dos seus custos de produção, as matérias com que é produzida, os salários médios) aumentar até ao ponto do lucro se tornar normal.

A taxa de juro é assim a concretização de uma preferência entre consumir hoje e ter uma capacidade adicional de consumir no futuro no valor do juro (ou dividendo, ou valorização de capital). O investidor/empresário procura apresentar projetos que parecem rentáveis dada a taxa de juro.

O paradoxo da poupança, sempre evocado aqui e ali, segundo o qual se as pessoas aumentarem a poupança, diminuem o consumo o que faz diminuir o rendimento pode ser assim solucionado:

- a poupança adicional é canalizada para investimento (a taxa de juro desce, o que aumenta o número de projetos agora rentáveis e antes não) aumentando a produtividade na produção de bens de consumo. O que se perdeu em procura agregada de consumo (diminuindo assim a produção de bens de consumo) hoje ganha-se em aumento da produção de bens de capital

e/ou

- a poupança adicional é canalizada para o aumento de saldos monetários (moedas debaixo do colchão), e o efeito é uma descida limitada de preços nominais, mas a relação entre consumo e investimento continua a estar relacionado com a taxa de juro.

Agora, voltando à questão das reservas fracionárias e a questão inicial posta pelo MM quanto à irrelevância do coeficiente de reservas.

Assim um sistema bancário tenha aproveitado ao máximo o multiplicador monetário e assim estando os depósitos no seu valor máximo permitido por determinado coeficiente de reservas, ele comporta-se como um sistema de reservas de 100% no caso de existir um aumento da procura de moeda… com uma diferença fundamental.

Cada um dos bancos fraccionários está especialmente sujeito a pedidos de transferência entre bancos, e se as reservas forem de 3%, bastarão 4% dos depósitos pedirem a transferência para o banco se tornar insolvente. Numa bolha, onde tudo parece correr bem, e onde a expansão de crédito aproveitada pelos mais espertos ou simplesmente com sorte, é canalizada para a compra de empresas e outros ativos (típico as OPAs com valores recorde, novos máximos no imobiliário, ações, etc.) existe o efeito simultâneo dos Bancos Centrais estarem a injetar reservas e o sistema bancário a expandir os depósitos via multiplicador (pela criação de depósitos no processo de concessão de crédito). No final da bolha, como o efeito da subida de preços se começa a generalizar (os bancos centrais monitorizam apenas os índices de preços no consumidor ignorando tudo o resto, aqui e ali começam a interrogar-se sobre os “asset bubbles”) os bancos centrais começam a diminuir o ritmo de injeção de reservas e a subir as taxas de juro, quando a bolha rebenta e começa o processo de deflação daqueles ativos que mais subiram, o crédito perde o seu colateral (falência de empresas, diminuição do preço das casas, etc) e como no atual sistema bancário o crédito é colateral dos depósitos, começa o movimento de transferências entre os bancos mais fracos para os percepcionados como menos fracos, corridas aos bancos, aumentando a incerteza e provocando o aumento da procura de moeda; sendo que a tal “moeda” mesmo num banco de maior qualidade, está dependente da pouca qualidade da carteira de crédito. Para além disso, os bancos emprestam dinheiro uns aos outros como operação normal de gestão de reservas excedentárias, e nesta situação eles próprios cortam o crédito uns aos outros, tentando recompor o seu nível de reservas para se defender de pedidos de transferências. E aí entram o bancos central e injetam em pânico mais moeda.

E a isto chamam armadilha de liquidez. Bem, é mais a armadilha dos economistas. Vão agora culpar abstratamente a “descida da procura agregada” e assim recomendar que o Estado recorra a crédito para estimular a economia e impedir a falências das empresas e bancos que mais tiraram partido da bolha de crédito.

Re: Re: A procura de moeda

MM escreve: “A baixa dos preços tem um efeito ambíguo sobre a procura de moeda”

Deve ser dito em primeiro lugar que a primeira força em jogo para provocar a descida de preços nominais é o próprio crescimento económico. Perante estabilidade monetária, o crescimento traduz-se na decida nominal de preços e isso mesmo foi observado no período da história de maior crescimento económico, no final do séc. 19, cerca de 1870 a 1900. De resto outra coisa não será de esperar, se imaginarmos uma quantidade fixa de moeda, o crescimento significa a baixa de custos unitários, o que torna possível a produção adicional (com os recursos agora libertados pela baixa de custos) que satisfaz precisamente o rendimento adicional proporcionado pela baixa de custos.

A tese do adiamento de consumo fica assim posta de lado, os preços baixam porque os custos baixam e a procura se mantém, ou seja, para os preços baixarem a procura no mínimo mantém-se mas libertando capacidade produtiva ou rendimento para produtos adicionais. Assim, não é de todo certo que se possa afirmar que se os preços baixam a procura de moeda sobe, e até pelo contrário. Se os preços baixam, o poder de compra dos atuais saldos monetários detidos em média pelas pessoas e empresas sobe, portanto, para manter a mesma proporção de poder de compra versus nível geral de preços, uma pequena parte quantitativa tem de ser agora utilizada, precisamente aquela parte marginal que confere agora a capacidade adicional de consumo – sendo isso a materialização do crescimento económico. E esta é assim uma descida de preços benigna.

Outra análise é o que se passa perante um crise económica e bancária e um aumento geral da incerteza. Os preços nominais dos produtos e ativos que mais subiram e foram inflacionados terão de descer (ações, imobiliário, bens de capital, etc.) e assim outras forças entram em concorrência.

A inflação só induzirá um aumento da procura em estágios disfuncionais (em hiperinflação dá-se a fuga para bens reais), em inflação antecipada, os preços limitam-se a subir. Os efeitos reais seriam neutros se fosse possível afirmar que pelo caminho não há beneficiários e perdedores, sendo certo que prejudica o cálculo económico.

(estou a editar e publicar este post utilizando o windows live writer, espero que corra bem).

Re: Re: Acumulação de moeda e reservas fraccionárias

Nos comentários ao seu post Re: Acumulação de moeda e reservas fraccionárias, o CN escreve "Na verdade, o sistema funciona com coeficiente zero, porque os bancos expandem os depósitos e quanto é necessário o banco central injecta mais reservas ou vice-versa, existindo confusão entre moeda adicional para suportar as trocas e moeda adicional para dar crédito adicional."

Curiosamente, isso acaba por ser mais ou menos (em termos de juízos de facto, não de juízos de valor) a posição que Paul Krugman, no século passado, defendeu em "Vulgar Keynesians", em que critica a facção dos keynesianos que defendia que a poupança era má, que redistribuir dinheiro a favor dos grupos sociais que mais consomem era bom, etc. (isto é, mais ou menos as posições que Krugman tem defendido nos últimos 2 ou 3 anos):
Consider, for example, the "paradox of thrift." Suppose that for some reason the savings rate--the fraction of income not spent--goes up. According to the early Keynesian models, this will actually lead to a decline in total savings and investment. Why? Because higher desired savings will lead to an economic slump, which will reduce income and also reduce investment demand; since in the end savings and investment are always equal, the total volume of savings must actually fall!
      
Or consider the "widow's cruse" theory of wages and employment (named after an old folk tale). You might think that raising wages would reduce the demand for labor; but some early Keynesians argued that redistributing income from profits to wages would raise consumption demand, because workers save less than capitalists (actually they don't, but that's another story), and therefore increase output and employment.

Such paradoxes are still fun to contemplate; they still appear in some freshman textbooks. Nonetheless, few economists take them seriously these days. There are a number of reasons, but the most important can be stated in two words: Alan Greenspan.
      
After all, the simple Keynesian story is one in which interest rates are independent of the level of employment and output. But in reality the Federal Reserve Board actively manages interest rates, pushing them down when it thinks employment is too low and raising them when it thinks the economy is overheating. (…)

But putting Greenspan (or his successor) into the picture restores much of the classical vision of the macroeconomy. Instead of an invisible hand pushing the economy toward full employment in some unspecified long run, we have the visible hand of the Fed pushing us toward its estimate of the noninflationary unemployment rate over the course of two or three years. To accomplish this, the board must raise or lower interest rates to bring savings and investment at that target unemployment rate in line with each other (…).

To me, at least, the idea that changes in demand will normally be offset by Fed policy--so that they will, on average, have no effect on employment--seems both simple and entirely reasonable.

Agora isso depende muito da ideia que se tenho sobre a forma como a procura de moeda interage com a taxa de juro:


O modelo "A" é basicamente o que penso ser a visão de Milton Friedman, em que (para um dado volume de rendimento e de preços), a procura de moeda seria constante (ou, na liguagem dele, a "velocidade de circulação da moeda" seria fixa.

O modelo "B" é a visão keynesiana usual, em que quanto maior a taxa de juro, menos riqueza as pessoas preferem ter sob a forma de moeda e mais sob a forma de activos financeiros.

O modelo "C" é uma variante do modelo "B", mas com a peculiaridade que, a certa altura, a "procura de moeda" tende para o infinito (a chamada "armadilha de liquidez").

E quais são as consequências de uma expansão da "oferta de moeda" pelo banco central em cada caso (imaginem um linha vertical "oferta de moeda" nesses gráficos, e agora imagem-na deslocando-se para a direita)?

Nos casos A e B (muito mais forte no caso A), o resultado será uma redução da taxa de juro, o que por sua vez irá aumentar o investimento e "estimular" a economia (depois as opiniões dividem-se sobre se esse estimulo vai originar crescimento económico sustentado, inflação ou um boom artificial que terá que ser corrigido com uma recessão mais tarde).

No caso C, o resultado de aumentar a moeda em circulação é, simplesmente, as pessoas acumularem mais moeda, sem isso em nada afectar os juros e a economia real.

Ou seja, se o caso C exisitir na realidade (e é discutível que o exista), o banco central poderá fartar-se de expandir a moeda que o "estimulo" sobre a economia será nenhum ou quase.

Re: A procura de moeda

Sobre este assunto, o CN escreve:

Um aumento de procura de moeda não deve ser visto como uma procura de X unidades adicionais de moeda, mas sim como um aumento de reserva de poder de compra. Ora, o primeiro efeito que um aumento da procura de moeda tem é a de proceder a uma baixa de preços nominais. E este efeito é curioso. Dado que o objectivo final é o aumento de poder de compra detido sob a forma de unidades de moeda, o aumento da procura de moeda tem o efeito cumulativo de descer os preços nominais e assim aumentar o poder de compra da anterior quantidade de moeda o que faz com que ex-post, o número de unidades de moeda necessário para atingir um dado poder de compra final-objectivo será menor que o ex-ante esperado (dado o nível geral de preços ex-ante e ex-post). E este é também um argumento contra a deflaçãofobia nas doutrinas económicas correntes, à medida que os preços vão caindo, o poder de compra dos saldos monetários prévios vai aumentando até um ponto onde o incentivo a serem utilizados é cada vez maior. Existe um efeito auto-correctivo que note-se com grande importância, não existe na inflação quantitativa de moeda (operada em norma em consonância entre os regime políticos e o sistema monetário).
A baixa dos preços tem um efeito ambíguo sobre a procura de moeda: por uma lado, preços baixos originam (para a mesma procura real de moeda) menor procura nominal (pelos mecanismo apresentados pelo CN); mas, por outro, preços a baixar originam maior procura real de moeda (já que, se a inflação é negativa, acumular moeda torna-se um melhor investimento) - note-se a distinção que faço entre "preços baixos" e "preços a baixar".

Ou seja, a longo prazo uma deflação em principio vai originar menor procura nominal de moeda, mas a curto prazo até a pode aumentar (mutatis mutandis para a inflação - sobretudo se for muito alta, o primeiro efeito da inflação será levar a pessoas a quererem se livrar da moeda que têm em mãos o mais depressa possível).

Friday, October 29, 2010

Austrian Capital-based Macroeconomics:

da autoria de Roger Garrison, com o GoogleDocs, é melhor expandir a janela.

Thursday, October 28, 2010

Re: Acumulação de moeda e reservas fraccionárias

Depois do post do MM Acumulação de moeda e reservas fraccionárias escrevi primeiro sobre o significado da procura de moeda e agora vou aprofundar a análise:

Podemos visualizar dois casos extremos:

1. Sistema bancário com Reservas de moeda a 100%

2. Sistema bancário com Reservas de moeda a 0% (situação cada vez mais verdadeira, dado que na prática as reservas são já muito baixas e como se pôde ver nesta crise, quando os bancos ficam sem reservas, os bancos centrais "apoiam" o sistema bancário com a emissão da moeda em falta, ou seja, na prática, o sistema funciona como se nenhuma reserva fosse necessária).

No primeiro, se a quantidade total de moeda física for 100, e a procura de moeda aumentar, o que acontece sob condições de estabilidade quantitativa (caso do ouro em que a quantidade produzida anualmente tem pouco impacto)? A quantidade continua a ser 100. Então, o que significa dizer que a procura de moeda aumenta? Os preços baixam e o poder de compra dos mesmos 100 aumentam e assim, a procura de moeda traduz-se num aumento do poder de compra da mesma quantidade inalterada de 100 relativamente ao nível geral de preços.

No segundo caso, o que se passa ou deixa de passar depende se o Banco emite mais moeda e/ou crédito ou não. A teoria vigente é que os bancos centrais devem aumentar a oferta quantitativa de moeda no sentido de responder à procura de moeda de forma a que os preços permaneçam estáveis (isto é, sem inflação nos preços do consumidor), fruto da deflaçãofobia.

Mas ao usarem o índice de preços no consumidor como medida, resulta em ignorar o que se passa com os preços de activos e de bens de capital; além disso reina uma confusão entre procura de moeda e a procura de crédito.

O aumento da procura de moeda a dar-se (normalmente por aumento da incerteza) em substância é a procura do aumento do poder de compra detido em moeda relativamente ao nível geral de preços (não um aumento da quantidade de moeda por si mesmo) e assim, na medida em que os preços baixam esse aumento da procura de moeda é satisfeito. O que equilibra a procura de moeda é o nível geral de preços.

A segunda, em substância, é a procura de poupança anterior (capital) necessária para suportar os investimentos enquanto estes são deficitários (curiosamente, este défice no limite é constituído precisamente pelo conjunto de salários a pagar antes da obtenção de receitas - o capital é assim uma expressão de salários a pagar por antecipação de receitas em relação às quais nem são certas e frequentemente não são suficientes levando a perdas, a mão de obra é a primeira beneficiária do capital ao contrário do que é intuído). O que equilibra a procura de crédito com a poupança prévia é a taxa de juro.

Mas voltando à questão inicial: podemos visualizar esse caso extremo (que como vimos é até muito parecido com o actual sistema monetário) se pensarmos na existência de um único Banco e numa única moeda.

Numa armadilha de liquidez, as pessoas procuram moeda e assim a poupança traduz-se numa alternativa quer à poupança como investimento quer ao consumo. Esse é o pesadelo Keynesiano (que é interpretado mais como uma causa do que como uma consequência). Isto faz sentido num sistema em que a moeda física (como o ouro) pode existir com expressão fora do sistema bancário. O argumento evocado é que desta forma quer o consumo quer o investimento caiem (mas a resposta austríaca é que em si mesmo a procura de moeda não constitui um problema estrutural, o consumo e investimento real ceteris paribus não tem de alterar-se se a única alteração é o aumento da procura de moeda).

Mas num sistema monetário de reservas parciais (em especial se forem zero) toda a moeda é ao mesmo tempo crédito, ou seja, na própria lógica do edifício que suporta o actual sistema, onde a moeda não deve "estar parada" (razão pelo qual vários economistas com fobia de tal coisa, tenham proposto formas de acabar totalmente com as moedas e notas, forçando que toda a moeda esteja nos bancos em depósitos à ordem...e um dia creio que a isso vão chegar...coisas da vontade geral) a "moeda" é sempre crédito, por isso, no seu próprio edifício onde a causa das crises é essa procura de moeda ou armadilha de liquidez, algo não bate certo.

E para bater certo vão ter de socorrer-se da teoria que pretendem ignorar, porque é a própria expansão de crédito permitido pelas reservas parciais (sistema que a doutrina económica vigente suporta para não haver "dinheiro parado", porque isso é tirar crédito à economia) que leva a que uma bolha se forme e que quando rebenta põe em causa a solvabilidade e liquidez dos bancos com reservas parciais o que induz a uma procura de moeda, que hoje em dia, se traduz por pedidos de transferências pelos clientes de um banco considerado perto de falir para outros bancos que por alguma razão consideram mais seguros, ao mesmo tempo claro, que a economia tem de andar para trás para liquidar investimentos e negócios sem sustentação. Como os bancos centrais e o regime político têm pânico de falências bancárias, com toda a certeza irão sempre inflacionar o sistema para responder à falta de reservas/moeda necessários para os bancos poderem responder a pedidos de transferência, chamando a isto "armadilha de liquidez".

Wednesday, October 27, 2010

Stop Worrying and you will not be worried

Num artigo da muito interessante Business Insider com o nome de "There's No Proof That Easy Money Causes Asset Bubbles, So Stop Worrying About The Wrong Problem"

"Adam Posen, a member of the Bank of England's Monetary Policy Committee, argues in a new speech that easy monetary policy, such as we are experiencing right now in the U.S., doesn't cause asset price bubbles as many like to suggest."

E diz assim Adam Posen:

"For monetary policy to be the source of a bubble, the relative price of one part of the economy (here financial and real estate assets) has to be pumped up by a blunt instrument that usually affects all prices in the economy. And it has to do so in such a way that the relative price shift either does not raise expectations of a countervailing shift in monetary policy in the near future"

Portanto... diz-se que as bolhas de activos não são provocadas por expansão monetária porque para isso era preciso ter a expectativa que as taxas de juro não subissem mais tarde.

Ora mas... os economistas em geral e os bancos centrais em particular nunca deram grande coisa pela possibilidade das bolhas serem sua culpa (expansão monetária/crédito) só reagindo sim ao índice de preços no consumidor (o qual o facto de ser relativamente modesto durante uma bolha de preços de activos é explicado precisamente porque existe ... uma bolhas de activos e a subida de preços não se dá assim nos produtos finais ao consumo mas... nesses activos!), mas o engraçado é que... ao afirmar que não deve ser culpa da expansão monetária contribui para a expectativa que os bancos centrais não reagem por natureza (expectativa o qual diz que é condição necessária para existir bolha....), enfim, confusos?


Depois cita exemplos das condições de pós-bolha (Japão, claro), que evidentemente, dado a inflação anterior provoca as tendências deflacionista posteriores (e que são um processo de cura, não a doença), mas o que motiva a confusão reinante, dado que o diagnóstico é confundir a deflação (consequência com a causa (o processo de inflação anterior).

Também afirma que no caso da bolha no Japão a expansão monetária não é justificação suficiente para explicar a bolha, que é necessário existir expectativa da subida de preços....

Mas é a expansão monetária que alterando o equilíbrio de preços e da relação entre poupança e investimento (taxa de juro artificialmente baixa) provoca uma contínua sobre-expectativa de preços, que alimenta a expansão de crédito para investir e comprar activos adicionais.

No final do processo, e da bolha rebentar, aparece outra vez este Adam Posen a dizer que não há prova que é culpa da expansão monetária porque agora a taxa de juro é zero e não existe crescimento nem inflação.

Mas sem essa expansão original, a "expectativa" mesmo que existisse como variável independente, faria subir a taxa de juro ao ponto que a análise de investimento daria como inválida a sua rentabilidade, o que faria a bolha de expectativas parar nos primeiros estágios.

Ei, mas não há problema, Stop Worrying and you will not be worried.