Friday, May 01, 2009

Ilegal alugar livros? E emprestar, também irá ser?

Parece que na Finlandia uma empresa que permite a estudantes alugarem os seus manuais escolares uns aos outros está a ser processada por violação do copyright:
Bookabooka doesn't host any e-books on its site, but instead allows students to rent their textbooks to their peers. Renting is conducted via traditional "snailmail" (i.e. postal service) and it is mandatory that the textbooks are originals (not xeroxed copies). Bookabooka acts only as an intermediate, connecting the students together and doesn't handle the shipping or returns of the textbooks.

Despite these "small" differences between TPB and Bookabooka, The Finnish book publishers' association (Suomen Kustannusyhdistys) is convinced that Bookabooka is breaking the copyright legislation and threatening their business. Annual school textbook sales in Finland were worth more than €100M in year 2007.
Se se considerar que alugar livros é uma violação de coyright, será que emprestar também não o será?

Richard Stallman em tempos escreveu The Right to Read, que penso pretendia ser uma "redução ao absurdo":

For Dan Halbert, the road to Tycho began in college—when Lissa Lenz asked to borrow his computer. Hers had broken down, and unless she could borrow another, she would fail her midterm project. There was no one she dared ask, except Dan.

This put Dan in a dilemma. He had to help her—but if he lent her his computer, she might read his books. Aside from the fact that you could go to prison for many years for letting someone else read your books, the very idea shocked him at first. Like everyone, he had been taught since elementary school that sharing books was nasty and wrong—something that only pirates would do.

And there wasn't much chance that the SPA—the Software Protection Authority—would fail to catch him. In his software class, Dan had learned that each book had a copyright monitor that reported when and where it was read, and by whom, to Central Licensing. (They used this information to catch reading pirates, but also to sell personal interest profiles to retailers.) The next time his computer was networked, Central Licensing would find out. He, as computer owner, would receive the harshest punishment—for not taking pains to prevent the crime.

Of course, Lissa did not necessarily intend to read his books. She might want the computer only to write her midterm. But Dan knew she came from a middle-class family and could hardly afford the tuition, let alone her reading fees. Reading his books might be the only way she could graduate. He understood this situation; he himself had had to borrow to pay for all the research papers he read. (10% of those fees went to the researchers who wrote the papers; since Dan aimed for an academic career, he could hope that his own research papers, if frequently referenced, would bring in enough to repay this loan.)

[Um outro aspecto curioso do texto de Stallman é a sua sugestão de que os Democratas serão mais perigosos que os Republicanos, devido às suas ligações a Hollywood]

Thursday, April 30, 2009

A Chrysler e os sindicatos

Pelos vistos, os United Auto Workers (o sindicato dos trabalhadores da indústria automóvel) vai ser proprietária de 55% da Chrysler.

Isso levanta algumas questões:

A primeira é se, de qualquer maneira, a Chrysler não estará definitivamente falida e isto não passará de uma manobra dilatória sem futuro.

A outra é se é uma boa ou má ideia uma empresa ser propriedade (pelo menos maioritariamente) do sindicato do ramo. Há muita gente, à esquerda e à direita, que acha que é má ideia: à direita, há quem diga que um "sindicato-accionista" irá defender politicas de gestão contrárias ao interesse da empresa mas favoráveis aos seus associados; à esquerda, há a critica contrária - de que um sindicato-accionista irá ser enredado nas exigências da gestão e irá menosprezar os interesses dos seus associados.

Mas será que é assim? Ou será que, pelo contrário, o facto de o sindicato ser o principal accionista não irá, exactamente, eliminar muitas das contradições habituais entre trabalhadores e gestão, permitindo um funcionamneto mais eficiente?

Um artigo de Charles Johnson (uma espécie de "anarco-capitalista de esquerda", se é que isso faz sentido) expondo (mais ou menos) essa tese.

Ainda sobre contrafacção, "cópias piratas", etc.

Provavelmente as técnicas de manipulação genética irão evoluindo, no sentido de "produzir" crianças imunes a certas doenças e coisas afins. Se tal for acompanhado por patentes sobre esses genes "modificados", será que iremos assistir a anúncios destes?

"Diga não à cópia pirata - use preservativo"

O que é e o que não é contrafacção?

The NYT must get this straight. With a counterfeit product the buyer is deceived. The buyers of the low-cost cell phone knock-offs in China are not being deceived. They are happily buying copies of name-brand phones which they know are not actual name-brand phones.
Isto lembra-me uma reportagem que ví há tempos da ASAE (ou seria outro corpo policial qualquer?) apreendendo productos "contrafeitos" no Martim Moniz. Entre essas supostas falsificações encontravam-se capas para telemóveis iguais às da Nokia, mas sem dizer "Nokia". Apesar de não dizer lá "Nokia", essas capas eram consideradas "contrafeitas", porque o design estava registado pela Nokia.

Sou só eu que acho isto rídiculo?

Wednesday, April 29, 2009

A economia e o ambiente

Anti-green economics, por Paul Krugman:

a strange thing about the climate change debate. Opponents of a policy change generally believe that market economies are wonderful things, able to adapt to just about anything — anything, that is, except a government policy that puts a price on greenhouse gas emissions. Limits on the world supply of oil, land, water — no problem. Limits on the amount of CO2 we can emit — total disaster.

Funny how that is.

Sobre o "unschooling" (II)


A respeito da "distinção" entre bons e maus alunos (ou entre bons e médios/maus): há uma parte de mim que até acha que a assistência às aulas deveria ser facultativa para toda a gente; mas duvido seriamente que isso funcionasse, e até poderia ser usado para contornar a escolaridade obrigatória (eu sou contra o actual aumento da e.o., mas não contra o conceito em si). Assim, acho que o melhor método até será mesmo (pelo menos, durante a e.o.) só os "bons" alunos estarem dispensados da assistência obrigatória às aulas (ou seja, só estariam autorizados a estudar livremente aqueles que demonstrassem que o conseguiam).

Vantagens adicionais:

- Os professores passariam a ter mais disponibilidade para dar atenção aos piores alunos, a partir do momento em que os melhores passassem a ir pouco às aulas.

- Os alunos passariam a ter um incentivo real para se esforçarem para ter boas notas: ganharem a liberdade de "faltar" às aulas

Possíveis desvantagens:

- Poderia levar a que os professores dessem boas notas aos alunos problemáticos só para se livrarem deles (imagino que talvez se podesse criar algum sistema para se controlar esses casos)

- Há também o argumento (que foi o utilizado para acabar com a experiencia aqui referida) de que os alunos médios/maus beneficiam de ter aulas em conjunto com os bons. É possivel (devido ao efeito de imitação); mas também é possível que aconteça exactamente o oposto: que a comparação com os bons alunos diminua a auto-estima dos médios/maus, fazendo-os ter ainda pior desempenho. Suspeito que os dois efeitos talvez se anulem

Citações

"It is, though, a simple trivial fact that crime arises - in part - from social conditions; the same neoclassical economics that, in bastardized form, tells us that a 50p tax rate is a bad idea tells us, in its more proper form, that poverty causes crime" (Chris Dillow).

Proudhon adaptado: Toda a propriedade (intelectual) é um roubo

Negócios: "José Luís Arnaut afirma que na área da propriedade intelectual, cujo dia mundial foi comemorado domingo, a justiça emperra o funcionamento da economia. Para ilustrar o seu argumento, o especialista neste campo do direito, sócio da RPA e ex-goventante, lembra, exemplificando, os expedientes legais usados por grandes laboratórios farmacêuticos, de modo a adiarem a chegada de alguns medicamentos genéricos ao mercado. "

Ainda a escolaridade obrigatória

Ontem (28/04/2009), o DN publicava um mapa com o número de anos de escolaridade obrigatória nos vários paises da UE e a percentagem de jovens que deixava a escola sem concluir o secundário.

Não é que muitos dos países com uma taxa mais baixa de jovens sem o secundário (ou, se preferirmos, com uma taxa mais alta de jovens com o secundário), como a Suécia ou a Finlândia até têm só 9 anos de escolaridade obrigatória?

Tuesday, April 28, 2009

Sobre o "unschooling"

An Unschooling Manifesto, por Dave Pollard:

In Grade 11, my second last year of high school, I was an average student, with marks in English in the mid 60% range, and in mathematics, my best subject, around 80%. Aptitude tests suggested I should be doing better, and this was a consistent message on my report cards. I hated school. As my blog bio explains, I was shy, socially inept, uncoordinated and self-conscious. My idea of fun was playing strategy games (Diplomacy and Acquire, for fellow geeks of that era -- this was long before computer games or the Internet) and hanging around the drive-in restaurant.

Then in Grade 12, something remarkable happened: My school decided to pilot a program called "independent study", that allowed any student maintaining at least an 80% average on term tests in any subject (that was an achievement in those days, when a C -- 60% -- really was the average grade given) to skip classes in that subject until/unless their grades fell below that threshold. There was a core group of 'brainy' students who enrolled immediately. Half of them were the usual boring group (the 'keeners') who did nothing but study to maintain high grades (usually at their parents' behest); but the other half were creative, curious, independent thinkers with a natural talent for learning. The chance to spend my days with this latter group, unrestricted by school walls and school schedules, was what I dreamed of, so I poured my energies into self-study.

To the astonishment of everyone, including myself, I did very well at this. By the end of the first month of school my average was almost 90%, and I was exempted from attending classes in all my subjects. I'd become friends with some members of the 'clique' I had aspired to join, and discovered that, together, we could easily cover the curriculum in less than an hour a day, leaving the rest of the day to discuss philosophy, politics, anthropology, history and geography of the third world, contemporary European literature, art, the philosophy of science, and other subjects not on the school curriculum at all. We went to museums, attended seminars, wrote stories and poetry together (and critiqued each others' work).

(...)

The Grade 12 final examinations in those days were set and marked by a province-wide board, so universities could judge who the best students were without having to consider differences between schools. Our independent study group, a handful of students from just one high school, won most of the province-wide scholarships that year. I received the award for the highest combined score in English and Mathematics in the province -- an almost unheard-of 94%.

(...)

PS presents 50 reasons why schooling is, in every imaginable way, bad for us and our society, and then 50 reasons why unschooling, which she defines as "learning without formal curriculum, timelines, grades or coercion; learning in freedom" is the natural way to learn. She argues that we are indoctrinated from the age of five to cede our time, our freedoms, and what we pay attention to, to the will of the State, so that we are 'prepared' for a work world of wage slavery and obedience to authority. We are deliberately not taught anything that would allow us to be self-sufficient in society. And in the factory environment of the school, where teachers need to 'manage' thirty students or more, ethics and the politics of power is left up, from our earliest and most vulnerable years, to the bullies and other young damaged psychopaths among our peers, to teach us in their grotesquely warped way. As PS explains, it is in every way a prison system.

Unschooling, by contrast, starts with the realization that you 'own' your time, and have the opportunity and responsibility to use it in ways that are meaningful and stimulating for you. When you have this opportunity, you just naturally learn a great deal, about things you care about, things that will inevitably be useful to you in making a life and a living. Your learning environment is the whole world, and you learn what and when you want, undirected by curricula, textbooks, alarm clocks and school bells. You develop deep peer relationships around areas of common interest, once you're allowed to explore and discover what those areas of interest are. And the Internet and online gaming allow you to make those relationships anywhere in the world, to draw on the brightest experts on the planet, and to communicate powerfully with like-minded, curious people of every age, culture and ideology.

Monday, April 27, 2009

A "experiência Rosenhan"

Isto é uma coisa velhíssima (de 1972), mas li sobre isso agora: uma experiência em que 8 indivíduos "normais" foram enviados para um hospital psiquiátrico, diagnosticados com esquiziofrenia e doenças afins. A partir do momento em que foram admitidos no hospital passaram a comportar-se de forma "normal" (antes, tiveram que fingir os sintomas para poderem ser internados).

Grande parte dos outros doentes em breve chegaram à conclusão que os 8 não tinham nenhum problemas (passando a suspeitar que se tratava de pesquisadores ou de jornalistas). Já o pessoal do hospital (suponho que incluindo peritos na matéria) não descobriu que se tratava de "impostores".

On Being Sane In Insane Places, por David Rosenhan (o psicólogo que arquitectou a experiência).

O verdadeiro som do "Papa-Léguas" (II)

Afinal, retiro o que escrevi há uns minutos - neste vídeo até parece ser um som parecido com "beep, beep" (o som anterior deve ser o canto, enquanto este som é mais um ruído feito com o bico):


O verdadeiro som do "Papa-Léguas"

Sunday, April 26, 2009

"one person in the cage and another outside the wire"

U.S. Soldier Who Killed Herself--After Refusing to Take Part in Torture

Sobre a tortura

Eleições islandesas: resultados finais

Partido Progressista (centrista, agrário) - 14,8% dos votos e 9 deputados (+ 2 dos que tinha)

Partido da Independência (conservador) - 23,7% dos votos, 16 deputados (perde 9)

Partido Liberal - 2,2% dos votos (perde os 4 deputados que tinha)

Movimento dos Cidadãos - 7,2% dos votos, entra no parlamento com 4 deputados

Partido Democrático - 0,6% dos votos, nenhum deputado

Aliança Social-Democrata - 29,8% dos votos, 20 deputados (ganha 2)

Movimento da Esquerda Verde - 21,7% dos votos, 14 deputados (ganha 5)

[fonte]

A coligação entre os sociais-democratas e a Esquerda Verde, criada após os protestos de alguns meses, conquistou a maioria parlamentar.

Em comparação com as eleições anteriores, os grandes derrotados foram os conservadores (o partido do anterior primeiro-ministro) e os grandes vencedores a Esquerda Verde; no entanto, se a comparação for com as sondagens, já não é assim: os conservadores eram para ficar em terceiro lugar mas afinal resistiram, enquanto, há uns meses atrás, a Esquerda Verde aparecia em primeiro lugar, com 30 e tal por cento.

Sugestão de leitura

O presidente falinhas mansas, por mescalero, sobre Obama e o movimento anti-guerra.

Os alunos que não querem tirar o 12º ano

No debate sobre o alargamento da escolaridade obrigatória, de ambos os lados parece-me haver pouco respeito pelos alunos que não querem tirar o 12º ano.

Do lado dos defensores do alargamento, o pouco respeito é óbvio.

Do lado dos opositores, também se ouve/lê (sobretudo nos comentários on-line dos jornais e blogues) muita conversa na linha "esses alunos que não têm motivação para estudar só vão incomodar os outros". Até é capaz de ser verdade, mas o facto de muita gente apresentar isso como sendo, aparentemente, o problema principal indica que também não os incomoda por aí além que milhares de jovens sejam obrigados a estar mais 3 anos na escola sem sentirem qualquer vontade de tal (o que os incomoda é isso poder prejudicar os outros, os que querem frequentar a escola).

Nota: não se deduza daqui uma objecção absoluta e de principio ao alargamento da escolaridade obrigatório ou mesmo ao conceito em si. Mas acho que, na altura de decidir do aumento ou não da escolaridade obrigatória, e portanto de pesar os prós e os contras de cada opção, um "contra" a ser considerado é obviamente obrigar milhares de pessoas a terem que fazer algo que prefeririam não fazer; e parece-me que nenhum dos lados dá grande importância a esse contra.