Thursday, January 28, 2010

HOWARD ZINN (RIP): “Holy Wars”

Anthony Gregory: The great leftist revisionist historian has passed away at 87. Zinn taught a couple generations of young people to question their history teachers and the civic religion of US governmental supremacy. While he was a bit of a pinko on labor issues, he was courageous and consistent in his condemnation of the worst thing the state does: murder innocent people in large numbers.

(Howard Zinn was an American historian, social critic, and activist. He is best known as author of the best-seller A People’s History of the United States. He spoke at Boston University on November 11, on the subject of American “Holy Wars.”)

http://www.democracynow.org/blog/2010/1/8/howard_zinn_three_holy_wars

A pandemia da gripe A

Anda agora muita gente a dizer que afinal não houve nenhuma pandemia de gripe A.

Recordo que "pandemia" quer apenas dizer "doença que contagia muita gente à escala mundial", não significa que a doença seja muito grave.

Ora, penso que é inegável que houve uma pandemia de gripe A este ano (eu conheço várias pessoas que a tiveram), tal como todos os anos há uma pandemia de gripe (no fundo, a diferença é que este ano, as pessoas, em vez da apenharem a gripe sazonal, apanharam a gripe A).

A proibição da burka

A França prepara-se para proibir o vêu integral, não sendo ainda claro se tal medida se vai aplicar apenas a edificios públicos ou também a quem ande na rua. Noutros países europeus discute-se o mesmo.

A minha opinião sobre a burka é a mesma que sobre o consumo de heroína - acho que não tem jeito nenhum, mas se alguém a quer usar/consumir, o que é que eu tenho a ver com isso?

A respeito de alguns argumentos usados para justificar a proibição:

1 - "A burka é um simbolo da discriminação e submissão da mulher"

Como é dito aqui, exactamente, é "um simbolo". Não se devem proibir "simbolos" (apenas actos reais).

2 - "Algumas mulheres usam a burka porque são obrigadas pela família"

E outras não. E assim, vamos passar de uma situação em que há uma hipotética imposição para outra em que há uma imposição clara e explicita. Além disso, não é muito claro o que "obrigadas" quer dizer neste caso. Se estamos a falar de mulheres que sejam agredidas ou mesmo mortas pelos maridos ou familiares por não usarem a burka, isso já são crimes previstos por lei, e o que deve ser feito é fazer cumprir essas leis. Mas e os casos de mulheres que usam a burka porque senão "são marginalizadas pelos familias e pela comunidade, abandonadas pelos maridos, etc."? Será que isso deve contar como "obrigadas"? Sinceramente, acho que não, ainda mais tratando-se de mulheres vivendo num país ocidental, que não teriam dificuldade em arranjarem um circulo social alternativo caso fossem excluidas pela comunidade de origem. A única situação em que o argumento do "obrigadas" faz algum sentido será no caso de menores.

3 - "A comunicação não-verbal é um aspecto importante da comunicação, e a burka impede isso"

Nesse aspecto, eu sou um bocado suspeito - como bom "INTP", eu prefiro falar sobre ideias e teorias do que sobre emoções e sentimentos; como a comunicação não-verbal é mais relevante para as segundas do que para as primeiras, é possível que eu lhe dê pouca importância.

Mas acho que isso é irrelevante - mesmo que a comunicação não-verbal seja um aspecto importante da comunicação, se alguém não quer "comunicar não-verbalmente" comnosco, está no seu direito.

4 - "Andarem pessoas não identificadas na rua representa um problema de segurança"

Este parece-me ser o ponto mais sólido dos anti-burkistas

Agora, vamos pensar na implementação da lei - se a polícia francesa encontrar uma mulher usando burka, o que vai fazer (sobretudo se se entender que o uso vai também ser proibido na rua)? Obrigá-la a tirar a burka? Multá-la? Levá-la para a esquadra? Fazer de conta que não é nada? Algumas dessas opções parecem-me muito susceptíveis de criar choques de sensibilidades (já a última iria fazer o Estado francês cair no rídiculo) - imagine-se que a policia encontra uma mulher velada na rua e ordena-lhe que retire o véu; para perceber o impacte disso, temos que nos lembrar que, para um(a) muçulmano(a) tradicionalista, isso era o equivalente, a, para um português, a policia barrar uma mulher na rua e ordenar-lhe que levantasse um pouco mais a saia. Se já há muita hostilidade à polícia nos subúrbios de Paris, imagine-se agora...

E com uma agravante: até agora, os confrontos entre jovens magrebinos e a policia em França tem sido essencialmente arreligiosos: os adolescentes que queimam carros e atiram pedras à polícia não são muito diferentes dos blouson noirs dos anos 50 ou dos jovens brancos da "underclass" britânica actual, apenas são mais escuros e com nomes esquisitos. Mas se a essa semi-deliquência juvenil "clássica" se juntar uma hostilidade religiosa ao Estado francês, poderemos estar a transformar os "rebeldes sem causa" em "rebeldes com uma causa" - a jihad, e em vez de simples desordeiros de bairro, passarmos a ter um viveiro de recrutamento de terroristas.

Estação de televisão silenciada na América Latina

Wednesday, January 27, 2010

Obama - o "liquidador" da economia dos EUA?

Obama Liquidates Himself, por Paul Krugman:

A spending freeze? That’s the brilliant response of the Obama team to their first serious political setback?

It’s appalling on every level.

It’s bad economics, depressing demand when the economy is still suffering from mass unemployment.

Now, I still cling to a fantasy: maybe, just possibly, Obama is going to tie his spending freeze to something that would actually help the economy(...). There has, however, been no hint of anything like that in the reports so far. Right now, this looks like pure disaster.

Tuesday, January 26, 2010

Casting


1961 - Casting para o filme "A maldita, o gato preto e a morte" (suponho que para a segunda parte do filme)

Caos no Haiti?

Those tales of mass violence in Haiti are looking increasingly dubious by the day. Here's Sasha Kramer, director of the Haitian nonprofit SOIL, describing the conditions she's seen after the quake:
Since we arrived in Port au Prince, everyone has told us that you cannot go into the area around the palace because of violence and insecurity. I was in awe as we walked into downtown, among the flattened buildings, in the shadow of the fallen palace, among the swarms of displaced people there was calm and solidarity.

We wound our way through the camp asking for injured people who needed to get to the hospital. Despite everyone telling us that as soon as we did this we would be mobbed by people, I was amazed as we approached each tent people gently pointed us towards their neighbors, guiding us to those who were suffering the most. We picked up five badly injured people and drove towards an area where Ellie and Berto had passed a woman earlier. When they saw her she was lying on the side of the road with a broken leg screaming for help. They were on foot and could not help her at the time, so we went back to try to find her. Incredibly, we found her relatively quickly at the top of a hill of shattered houses. The sun was setting and the community helped to carry her down the hill on a refrigerator door, tough looking guys smiled in our direction calling out, "Bonswa, Cherie,” (Good evening, Dear) and “Kouraj” (Courage)....
Such reports have been echoed by other people on the ground, such as The Guardian's Inigo Gilmore. It also matches the usual behavior witnessed after natural and technological disasters, in which mutual aid flowers while violence and theft are almost unheard-of. Even on those rare occasions that rioting does break out, there's much more spontaneous order than disorder.

Unfortunately, in Haiti as in New Orleans, the fear of crazed crowds has fed a centralized, militarized response to the crisis, erecting barriers between the needy and outside assistance. With U.S. troops in control of the Port-au-Prince airport, for example, the Red Cross and Doctors Without Borders have had flights redirected to the Dominican Republic.

To be clear: I'm not claiming there's no grassroots violence in Haiti. Just that, in another parallel with Katrina, those rumors of unruliness seem to have been grossly exaggerated. That may be because so much of the media report what they expect to see even when a completely different story is unfolding under their nose. Watch this bizarre report on CNN, in which Ivan Watson describes "chaotic crowds" while the camera shows crowds that are calm and patient. At one point Watson announces that we're watching a "chaotic scramble" onto a rescue ship. This is illustrated by a group of people carefully, methodically passing a baby onto the boat. Then, while more refugees peacefully load their luggage in the background, the reporter asks the shipowner his burning question: "Has anybody offered you any help with crowd control of these thousands of desperate people?"

Monday, January 25, 2010

O Diabo nega acordo com o Haiti

Satan Writes to Pat Robertson

When you say that Haiti has made a pact with me, it is totally humiliating. I may be evil incarnate, but I'm no welcher. The way you put it, making a deal with me leaves folks desperate and impoverished. Sure, in the afterlife, but when I strike bargains with people, they first get something here on earth -- glamour, beauty, talent, wealth, fame, glory, a golden fiddle. Those Haitians have nothing, and I mean nothing. And that was before the earthquake. Haven't you seen "Crossroads"? Or "Damn Yankees"? If I had a thing going with Haiti, there'd be lots of banks, skyscrapers, SUVs, exclusive night clubs, Botox -- that kind of thing. An 80 percent poverty rate is so not my style. Nothing against it -- I'm just saying: Not how I roll.

Saturday, January 23, 2010

Jon Stewart e os Democratas e Massachusetts II

The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
Mass Backwards
www.thedailyshow.com
Daily Show
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Political HumorHealth Care Crisis

Jon Stewart e os Democratas e Massachusetts

The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
Special Comment - Keith Olbermann's Name-Calling
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Political HumorHealth Care Crisis

Fim da responsabilidade limitada nos bancos?

É o que é (mais ou menos) proposto aqui:

What has been received little attention so far is the structuring of liability in banking (Sin 2008). In the early days of fractional reserve banking, bank owners were subject to unlimited liability. In the US, double liability for bank shareholders was common up to the Great Depression. All American investment banks were partnerships into the 1970’s and the last one, Goldman Sachs, only converted itself into a limited liability corporation about a decade ago. Back in the 70s, US financial sector liabilities were less than 20% of GDP. Today the figure is close to 120%. Leverage has increased enormously. Back then, stringent liability rules inhibited risk taking. In the days when such liability provisions applied to banks, “conservative” was the adjective habitually attached to “banker.” It does not fit the high-stakes gambling “quants” of recent years.

If bank stockholders were subject to double liability today, it would hardly be possible to attract enough capital into banking for the needs of a modern economy. Most stockholders have little or no ability to control the risks that bank managements assume. Liability provisions, however, could be applied directly to managers rather than to stockholders so as to change the incentives to assume risk that bank executives face.

Thursday, January 21, 2010

As "politicas socialistas" de Zapatero

Algumas pessoas dizem que a crise espanhola é (pelo menos em parte) consequência das "políticas socialistas" de Zapatero. Será que Zapatero tem tido politicas (económicas) socialistas?


Year Overall Score Business Freedom Trade Freedom Fiscal Freedom Government Spending Monetary Freedom Investment Freedom Financial Freedom Property Rights Freedom From Corruption Labor Freedom
2010 69.6 75.8 87.5 58.1 54.8 77.7 80.0 80.0 70.0 65.0 47.3
2009 70.1 76.8 85.8 58.6 55.3 78.9 80.0 80.0 70.0 67.0 48.3
2008 69.1 77.9 86.0 54.5 56.2 78.2 70.0 80.0 70.0 68.0 50.2
2007 69.2 78.0 86.6 55.2 54.8 78.5 70.0 80.0 70.0 70.0 49.3
2006 68.2 78.7 82.4 55.3 50.5 83.9 70.0 70.0 70.0 71.0 50.0
2005 67.0 70.0 80.2 55.4 53.0 83.9 70.0 70.0 70.0 69.0 48.8
2004 68.9 70.0 79.8 52.9 52.7 83.6 70.0 70.0 70.0 71.0 -
2003 68.8 70.0 81.4 52.6 52.2 83.3 70.0 70.0 70.0 70.0 -
2002 68.8 70.0 79.6 53.1 52.0 84.1 70.0 70.0 70.0 70.0 -
2001 68.1 70.0 78.0 53.8 54.4 80.7 70.0 70.0 70.0 66.0 -
2000 65.9 70.0 77.8 45.8 47.1 81.0 70.0 70.0 70.0 61.0 -

[Suponho que o índice da cada ano se refira ao ano anterior]

Zapatero foi eleito em 2004, e realmente o "índice de liberdade económica" (o "Overall Score") baixou em 2005; no entanto, em breve voltou a subir e durante a maior parte do governo Zapatero foi mais elevado do que em qualquer dos anos anteriores; assim, concluo que as políticas de Zapatero podem ter sido muito "progressistas" (nomeadamente nas "questões fracturantes", onde em Espanha podemos incluir as autonomias), mas não foram particularmente "socialistas".

As únicas rubricas onde o índice parece ter diminuído é na "liberdade monetária"(na prática, esse sub-indíce é o inverso da taxa de inflação) e na "liberdade da corrupção" (isto é, quando mais corrupto um país, menor este indíce), e este último até não depende directamente (pelo menos a curto prazo) das políticas do governo (sim, pode-se argumentar que um governo mais intervencionista favorece a corrupção, mas se fosse esse o caso, esse intervencionismo do governo deveria aparecer directamente nos outros indíces, em vez de apenas se evidenciar indirectamente).

Adenda: os leitores que não consigam ver a tabela toda têm duas opções - ir directamente ao link da Heritage e fazerem lá a pesquisa para Espanha de 2000 a 2010; ou então copiarem a tabela (de preferência a começar no "...não me parece" e acabando no "[Suponho que...") e "colarem" numa folha de cálculo, que se vê os dados todos

Anarquia no Haiti?

Wednesday, January 20, 2010

Os casamentos de Santo António

Das duas uma: ou se considera os casamentos de Santo António como uma actividade da Camara Municipal de Lisboa, e nesse caso a legitimidade da ICAR para recusar a participação de casais homossexuais na cerimónia é nula (isto é, têm legitimidade, como qualquer grupo de cidadãos, para contestar a lei e tentar revogá-la, mas não para se oporem à sua aplicação pela CML), ou então considera-se os casamentos de Santo António como uma actividade da Igreja Católica e nesse caso a CML não deveria participar nisso, à luz da separação entre a Igreja e o Estado.

De qualquer forma, não sei se os casamentos de Santo António deverão ser vistos como um ritual católico:

1 - Na sua encarnação actual, existem porque a CML decidiu reactivá-los (penso que no mandato de João Soares), não são uma criação da Igreja nem da "sociedade civil"

2 - Posso estar totalmente enganado no que vou escrever, mas penso que a associação do Santo António aos casamentos é apenas uma tradição popular lisboeta, não algo intrisecamente ligado à Igreja Católica enquanto religião organizada (pelo menos, fazendo umas pesquisas na net fora do contexto português, não vejo referência ao "Santo António casamenteiro" - o padroeiro dos casamentos felizes é o S. Valentim e os infelizes têm uma carrada deles, incluindo uma rainha portuguesa e um rei noruguês, mas o S. António não parece estar incluido)

Tuesday, January 19, 2010

Sobre o Haiti

Robertson’s Right: Haiti has a Pact with the Devil, por Thomas Knapp, no Center for a Stateless Society:

Robertson’s version of Haiti’s “pact with the devil” alludes to the 1791 slave rebellion, which was allegedly launched with religious ceremony by Vodou priest Dutty Boukman.

The real pact with the real devil — government — came later, as Haiti labored under the “governorship-for-life” of Toussaint-Louverture, the “emperorship-for-life” of Jean-Jacques Dessalines, the “kingship” of Henri I and “presidency-for-life” of Alexandre Pétion, the indemnity regime of Boyer, 32 coups, 20 years of US occupation, the Duvalier dictatorship …

With the usual suspects screaming hysterically about Haiti’s potential post-earthquake “descent into anarchy,” the obvious question is whether Haitians wouldn’t have been better off with 200 years of it!

Haiti's real deal with the devil, por Maggie Koerth-Baker:

Back in May, the Times Online provided some slightly better insight into Haiti's past.

Summary: Haiti was forced to pay France for its freedom. When they couldn't afford the ransom, France (and other countries, including the United States) helpfully offered high-interest loans. By 1900, 80% of Haiti's annual budget went to paying off its "reparation" debt. They didn't make the last payment until 1947. Just 10 years later, dictator François Duvalier took over the country and promptly bankrupted it, taking out more high-interest loans to pay for his corrupt lifestyle. The Duvalier family, with the blind-eye financial assistance of Western countries, killed 10s of thousands of Haitians, until the Haitian people overthrew them in 1986. Today, Haiti is still paying off the debt of an oppressive dictator

Monday, January 18, 2010

A adopção de crianças por casais homossexuais (II)


No entanto, suponho que a "amostra" para se chegar a essa conclusão seja composta maioritariamente, não por crianças adoptadas por casais homossexuais, mas sobretudo crianças que vivem com o pai(mãe) biológico e o seu companheiro (companheira). Essa situação é bastante diferente, porque, como já escrevi, em larga medida não são os pais que educam os filhos, são os filhos que se educam a si mesmos: ora, mesmo que dois pais adoptivos (ou duas mães adoptivas) proporcionem ao seu filho exactamente o mesmo ambiente que um pai biológico e o seu companheiro (ou uma mãe biológica e a sua companheira), a forma como o filho irá reagir já poderá ser diferente; p.ex., o primeiro ponto que apresento aqui - 6º parágrafo - só se aplica no caso específico de adopções. Ou se uma criança adoptada por dois homens a dada altura (talvez ao ver um DVD do "Marco"...) mete na cabeça que queria ter uma mãe? Ou uma criança adoptada por duas mulheres mete na cabeça que queria ter um pai? Note-se que estas situações normalmente não se colocam no caso da criança que vive com o pai e com o companheiro, já que aí ela continua a ter uma mãe (ou, mesmo que a mãe tenha morrido, a figura simbólica da mãe), mesmo que não viva com ela.

Friday, January 15, 2010

A América permissiva dos anos... 50?

Pôr os desempregados a limpar matas/varrer as ruas?

Há muita gente que diz que os beneficiários do subsidio de desemprego deveriam ser postos a "limpar matas", "varrer ruas", "reparar estradas", etc.

Vamos lá ver - imagine-se que eu tenho um seguro para a minha casa, pelo qual pago prémios regulares, e esta é destruída por um incêndio. Alguém iria exigir que eu trabalhasse para a seguradora para compensar o dinheiro que iria receber? Imagino que ninguém iria defender tal coisa - afinal, eu já paguei os prémios à seguradora e são esses pagamentos que me dão direito a receber o valor do seguro.

A filosofia do subsídio de desemprego é a mesma que dum seguro (penso que nalguns países a expressão é mesmo "seguro de desemprego") - eu contribuo todos os meses e, se perder o emprego, recebo o valor do subsídio. Sim, é verdade que é possível que muitas pessoas recebam, durante a sua vida, mais de subsídio do que o que contribuem, mas o mesmo acontece com todos os sistemas de seguro - uma pessoa que veja a sua casa destruida por alguma catastrofe, ou que tenha um acidente, ou coisa assim, provavelmente irá receber mais da companhia de seguros do que o que descontou de prémios.

De qualquer forma, se esses trabalhos que se sugere que os desempregados deveriam fazer são mesmo necessários, faria mais sentido, pura e simplesmente, o Estado contratar pessoas para os fazer, não?

Já agora, esta questão demonstra como a forma como as ideias são colocadas afecta a reacção do público a elas (o chamado "framing"): se alguém sugerir "deviam por as pessoas que estão no subsídio de desemprego a limpar as matas, em vez de lhes estarmos a pagar para não fazerem nada" vai suscitar reacções positivas de alguns sectores e negativas de outros; mas se sugerir "para combater o desemprego devemos lançar um programa de empregos públicos temporários - p.ex., para a limpeza das matas; nem se vai gastar muito dinheiro, já que o custo dos salários dessas pessoas vai ser compensado por menores despesas em subsídios de desemprego", os sectores que irão reagir negativa e positivamente já serão outros (nalguns casos, talvez até sejam opostos), embora o conteúdo real das duas propostas pouco ou nada mude.

Wednesday, January 13, 2010

O casamento pms sem adopção é inconstitucional?

Não faço ideia. No entanto, se o Tribunal Constiticional considerou que a situação anterior (em que duas pessoas do mesmo sexo não se podiam casar) não era inconstitucional, será um bocado ilógico que venha agora considerar que poderem casar mas não poderem adoptar já é inconstitucional.

Ainda mais ilógica me parece a posição de sectores da área do PSD, que acham que a actual situação é inconstitucional, mas que defendiam uma situação basicamente igual, em termos de direitos, a lei agora aprovada, com a única diferença que as uniões homossexuais chamariam-se "uniões civis registadas" em vez de "casamentos". Ora, não estou a ver como se pode achar que as uniões-entre-pessoas-de-sexos-diferentes-poderem-adoptar-e-as-entre-do-mesmo-sexo-não é inconstitucional se essas uniões tiverem o mesmo nome mas já é constitucional se tiverem nomes diferentes, quando o conteúdo real é o mesmo.

Uma analogia: faria sentido considerar que um restaurante ter uma mesa em que só os clientes brancos se podem sentar era ilegal, mas já era legal um restaurante em que só pudessem entrar brancos?

Debate na Economist - férias ou dinheiro?

European holidays, um debate na Economist sobre se "Europeans would be better off with fewer holidays and higher incomes".

Um comentário - o "defensor da moção", Robert Gordon, parece-me misturar um pouco alhos com bugalhos, já que o essencial do artigo dele acaba por ser, não sobre os europeus gozarem muitas ou poucas férias, mas sim sobre gozarem férias concentradas em Agosto em vez de repartidas pelo ano inteiro.