Monday, June 30, 2008

About trusting (even the good) Governments

Artigo na Time: The Second World War in Italy: was it worth it? The folly and brutality of war, from Sicily to the Po Valley

Comentários online de leitores:

* My grandfather was there. He was an American soldier. He also said that General Clark was awful. He didn't keep his men supplied with what they needed. My grandfather's platoon marched up a hill in battle, and only seven came back including my grandfather. RIP- John Tuders(1925-1990)-my grandpa.

* My mom lived in Nazi-occupied Northern Italy during WWII. She will confirm the Allied effort wasn't worth it. The Italians feared Allied aerial bombing more than they feared German occupation. Tony Pivetta, Royal Oak, Michigan, U.S.A.

Sunday, June 29, 2008

Eu estou inocente!

A essa hora andava a navegar na Internet (hum, não é um grande álibi, admito: podia estar usando um portátil, e de preferêrencia aproveitar para fazer alguns comentários em blogs no preciso momento dos tiros, para disfarçar).

Friday, June 27, 2008

Este devia ser fã dos filmes do Drácula



[Ou talvez da princesa Bathory, cuja familia também governou a região]

O Preço do petróleo (de novo)

Fuels on the hill, por Paul Krugman (via Economist's View):

Congress has always had a soft spot for “experts” who tell members what they want to hear, whether it’s supply-side economists declaring that tax cuts increase revenue or climate-change skeptics insisting that global warming is a myth.

Right now, the welcome mat is out for analysts who claim that out-of-control speculators are responsible for $4-a-gallon gas.

(...)

Somewhat surprisingly, Republicans have been at least as willing as Democrats to denounce evil speculators. But it turns out that conservative faith in free markets somehow evaporates when it comes to oil. For example, National Review has been publishing articles blaming speculators for high oil prices for years, ever since the price passed $50 a barrel.

And it was John McCain, not Barack Obama, who recently said this: “While a few reckless speculators are counting their paper profits, most Americans are coming up on the short end — using more and more of their hard-earned paychecks to buy gas.”

Why are politicians so eager to pin the blame for oil prices on speculators? Because it lets them believe that we don’t have to adapt to a world of expensive gas.

(...)

In any case, one thing is clear: the hyperventilation over oil-market speculation is distracting us from the real issues.

Regulating futures markets more tightly isn’t a bad idea, but it won’t bring back the days of cheap oil. Nothing will. Oil prices will fluctuate in the coming years — I wouldn’t be surprised if they slip for a while as consumers drive less, switch to more fuel-efficient cars, and so on — but the long-term trend is surely up.

Most of the adjustment to higher oil prices will take place through private initiative, but the government can help the private sector in a variety of ways, such as helping develop alternative-energy technologies and new methods of conservation and expanding the availability of public transit.

But we won’t have even the beginnings of a rational energy policy if we listen to people who assure us that we can just wish high oil prices away.

Possivelmente, parte disto também vale para Portugal.

Thursday, June 26, 2008

Será que a moda irá chegar a Portugal

Sobre Tribunais Constitucionais - mesmo quando decidem bem

Como finalmente decidir que os "Guns Rights" são sim direitos individuais por 5-4, graças a um dos Juizes pró-democrata (Anthony Kennedy).

"Today's Supreme Court decision that we have individual rights to arm ourselves highlights more than any other recent decision the absurdity of allowing the federal government, through its courts, to determine the limits of its own powers. This came about in the post-1865 era, once states' rights/federalism was destroyed.(...)

The shocking thing about today's decision is that if one man -- Anthony Kennedy -- voted the other way, then what -- we would all be forcefully disarmed?

(...) But imagine if the Court declared in 1805 that Americans do not have individual rights to own firearms. Do you think Jefferson, Patrick Henry, and George Washington would have given up their firearms and genuflected to the black-robed deities of the Court? Hell no; they would have reached for them and commenced another revolution."

Ler também a opinião  "The Great Gun Decision: Dissent" sobre como o Bill of Rights existe para limitar os poderes do Estado Federal, não dos Estados. Assim, nesta linha o Estado Federal nunca deveria poder limitar o uso de armas, mas os Estados individualmente sim (mesmo não concordando com tal). Tal como não deveria poder proibir ou tornar livre o aborto (ou a droga, etc), mas os Estados individualmente sim. Basicamente, o Estado Federal não tem poderes enumerados para forçar os direitos enumerados na Bill of Rights, a intenção desta foi enumerar explicitamente o que o Estado Federal mão pode interferir, mas em vez disso, passaram a interpretar como direitos (ainda por cima dependendo da decisão concreta do Supremo) que o Estado Federal impõe sobre os Estados (como impor a liberdade de aborto em todos os Estados).

Direitos (ou não) dos animais


Imagine-se que se descobria, algures numa floresta ou num vale perdido, uma colónia sobrevivente de Homo erectus; qual deveria ser o seu estatuto? Deveriam ter os mesmos direitos que o Homo sapiens sapiens? Deveria ser considerados "animais", como os gatos e as cabras (o H. s. sapiens também é um animal, mas pronto)? Deveriam ter um estatuto intermédio?

Nomeadamente, as pessoas que dizem que "apenas o Homem tem direitos" não costumam ser muito claros no que querem dizer com "Homem" - a familia Hominidae? o género Homo? a espécie Homo sapiens? a subespécie Homo sapiens sapiens (se considerarmos que é uma subespécie)? Claro que o facto de apenas a última existir hoje em dia evita ter que pensar no assunto.

CO2 e aquecimento global II - e pelo contrário...

O problema é que eu penso como este post no MisesBlog e existem muitos "if"s:

"I am not convinced that the climate is warming as rapidly as claimed, or that CO2 is the cause, and even it is, it is likely that higher CO2 levels and a warmer climate offer tremendous benefits to both plant and animal life. If anything, we should be encouraging measures that make our world greener and more comfortable"

Assim, talvez uma temperatura média mais alta até seja mais benéfica do que prejudicial (desde que não continue a subir mais e mais). Talvez o nível de CO2 seja uma consequência de temperaturas mais altas (ciclicas) e não o contrário. Talvez...

Wednesday, June 25, 2008

Pensamentos Subversivos II

"Where they make a desert, they call it peace." Tacitus on the Roman Empire.

CO2 e aquecimento global

To cut a long story short:

Partindo do pressuposto (muito discutível) que a relação seria provada e incontestada, incluindo que os efeitos do aquecimento são suficientes para se considerarem autónomos de fenómenos puramente naturais ou cíclicos e que esses efeitos são observáveis resultando numa estimativa do que seria um máximo admissível de emissões/ano sem qualquer efeito directo, e uma valor a partir do qual tal causa-efeito é possível ser medida e contabilizada:

Em tais condições, o ar e a sua relação com o CO2 será provavelmente o único verdadeiro Bem Público de acordo com a teoria económica propagada por muitos ditos liberais (quero com isto dizer que pessoalmente rejeito essa classificação e/ou as consequências que tiram dela, mesmo para os exemplos clássicos apontadas nesta teoria como defesa, barragens, etc).

Consequências (vou arriscar ser intuitivo):

Qualquer preço a ser pago por alguém para adquirir qualquer forma de direito relativo a emissões de CO2 (desenhado por legislação ou pelo resultado de litígio e jurisprudência acumulada) será devido:

... a toda a população mundial de forma .... (glup!)... igualitária (pressupõe que a causa-efeito não seja passível de ser localizada e delimitada, considerando assim como consensual a uniformidade do mal causado).

Isto significa em primeiro lugar que não são os Estados que devem receber esses valores (como se preparam) mas sim cada indivíduo (ainda que os Estados pudessem servir de intermediário).

Nota: ainda não estou a tentar tratar que direito seria esse e de que forma é que tal preço se formaria e se existiria alocação por "homesteading" não. Também ainda tenho de pensar se tal direito seria passível de ser vendido e transaccionado. Tendo a pensar que não.

Especulação petrolifera?

Mais um texto de Paul Krugman:


First of all, I don’t have a political dog in this fight. I’m happy to believe that crazy speculation distorts markets. And I do think it’s likely that oil prices will come down, for a while, once consumers have a chance to respond more fully to high prices by changing their driving habits, switching to smaller cars, etc..

But the mysticism over how speculation is supposed to drive prices drives me crazy, professionally.

So here’s my latest attempt to talk it through.

Imagine that Joe Shmoe and Harriet Who, neither of whom has any direct involvement in the production of oil, make a bet: Joe says oil is going to $150, Harriet says it won’t. What direct effect does this have on the spot price of oil — the actual price people pay to have a barrel of black gunk delivered?

The answer, surely, is none. Who cares what bets people not involved in buying or selling the stuff make? And if there are 10 million Joe Shmoes, it still doesn’t make any difference.

Well, a futures contract is a bet about the future price. It has no, zero, nada direct effect on the spot price. And that’s true no matter how many Joe Shmoes there are, that is, no matter how big the positions are.

Any effect on the spot market has to be indirect: someone who actually has oil to sell decides to sell a futures contract to Joe Shmoe, and holds oil off the market so he can honor that contract when it comes due; this is worth doing if the futures price is sufficiently above the current price to more than make up for the storage and interest costs.

As I’ve tried to point out, there just isn’t any evidence from the inventory data that this is happening.

And here’s one more fact: by and large, futures prices over the period of the big price runup have been slightly below spot prices. The figure below shows monthly data from the EIA; as the spot price shot up, the futures price (that’s contract 4, the furthest out) actually lagged a bit behind. In other words, there hasn’t been any incentive to hoard.

Tuesday, June 24, 2008

Questões parecidas?

Tonibler compara as questões dos exames de matemática do 12º e do 9º ano:

Pois bem, exame do 12º ano de Matemática 2008, primeira pergunta(...):

"1. O João e a Maria convidaram três amigos para irem, com eles, ao cinema. Compraram cinco bilhetes com numeração seguida, numa determinada fila, e distribuiram-nos ao acaso.

Qual é a probabilidade de o João e a Maria ficarem sentados um ao lado do outro?

A - 1/5; B - 2/5; C - 3/5; D - 4/5"


Se formos ver o exame do 9º ano de matemática de 2008, primeira pergunta (....)
"1. O João foi ao cinema com os amigos.
Comprou os bilhetes com os números 5, 6, 7, 8... 17, da fila S, isto é, todos os números entre o 5 e o 17, inclusive.
O João tirou, aleatoriamente, um bilhete para ele, antes de distribuir os restantes pelos amigos.

Qual a probabilidade de o João ter tirado para ele um bilhete com um número par?

1/2; 6/13; 7/13; 13/7"
as perguntas são sensivelmente iguais! Aliás, a do 9º ano até tem alguma dificuldade adicional para quem tenha resolvido contar pelos dedos.
Não, toniber, as perguntas não "sensivelmente iguais"; apenas o cenário escolhido para apresentar a questão (um cinema) é o mesmo - a resolução do problema é bastante diferente:

Primeiro vamos resolver a questão do 9º ano.

Qual a probabilidade do João escolher um bilhete par? Como ele vai escolher um bilhete ao acaso, corresponde à proporção de bilhetes que são pares; dos 13 (17-5+1) bilhetes, 7 são impares (5, 7, 9,..., 17) e 6 são pares (6, 8, 10, ..., 16); logo, a probabilidade de um bilhete escolhido ao acaso ser par é de 6 em 13 (isto é, a segunda resposta)

Agora vamos à questão do 12º ano.

A probabilidade do João e da Maria ficarem sentados ao lado um do outro é a mesma coisa que a probabilidade do João ficar sentado ao lado da Maria.

Temos logo duas possibilidades: se o João ficar numa ponta (do conjunto de 5 lugares que compraram), ele só vai ficar ao pé de um amigo (dos quatro com que foi), pelo que a probabilidade desse amigo/a ser a Maria é de 1/4; se o João ficar a meio, vai ficar ao lado de dois amigos (um de cada lado), logo a probabilidade de ficar ao pé da Maria é de 2/4, isto é 1/2.

Como a probabilidade de ele ficar num extremo da fila é de 2 em 5, e a de ficar a meio é de 3 em 5, temos que a probabilidade de ele ficar ao pé da Maria é de 2/5*1/4 + 3/5*1/2 = 8/20 = 2/5 (ou seja, a resposta B)

A mim parece-me que a questão do 12º ano é de resolução mais difícil que a do 9º ano. E, nomeadamente, para quem decida contar pelos dedos, a questão do 12º ano é insolúvel (como é que se faz multiplicações, ainda por cima de números fraccionários, pelos dedos? - afinal até é solúvel: ver comentários)

Assim, a mim parece-me que a semelhança entre as duas questões é, basicamente, apenas no cenário escolhido (o Tonibler acha o Valmont um filme parecido a O Corcunda, também passado no século XVIII francês?).

Admito que talvez o Tonibler tenha resolvido as questões por uma maneira diferente da minha, e que o seu processo de resolução realmente seja semelhante para as duas questões (e até lhe tenha sido mais fácil resolver a do 12º ano), mas, enquanto ele não explicar como as resolveu, fico na minha.

[Nota: eu não sei se as minhas soluções estão certas; se estiverem erradas, das duas uma: ou os exames não são assim tão fáceis, que até um licenciado neles se engana; ou então, nos anos 80/90 é que havia mesmo um grande facilitismo]

Exames - sugestão para uma experiência

Juntar um grupo de bloggers voluntários e pô-los a fazer as provas do 6º, 9º, etc. em disciplinas à escolha (isto não poderia ser feito on-line: teria que ser mesmo numa sala, para simular as condições em que a prova decorre).

Quais seriam os resultados?

Monday, June 23, 2008

A Esquerda, o aquecimento global e Kyoto


Mas, se os paises pobres, entre usarem a sua dotação de ar puro para se industrializarem e venderem-na aos países ricos, optam pela segunda hipotese, isso significa que acham que os beneficios obtidos com a venda de ar puro ultrapassam os que seriam obtidos industrializando-se (se não fosse assim, não os vendiam), logo quer dizer que os paises pobres ficam melhor assim do que num sistema em que não houvesse possibilidade de transacionar direitos de emissão.

Pode-se argumentar que os beneficios da industrialização (como empregos) chegam a toda a gente, enquanto as receitas da venda de ar podem ficar concentradas nas mãos da elite que gravita em torno do poder; mas isso já será um problema da estrutura socio-politica dos países pobres, não do principio da transacionabilidade dos direitos de emissão.

Liberais e aquecimento global (III)


A primeira parte do artigo (sobre medo de uma Era do Gelo nos anos 70) já a discuti aqui. Mas agora o que me interessa não é a questão "o aquecimento global existe", mas sim a "se o aquecimento global existir, o que deve ser feito a esse respeito", que é a que AAA aborda a seguir.

"Mesmo que se admita como válido o diagnóstico do IPCC, o reconhecimento de que a temperatura média no planeta pode estar a subir em consequência da acção humana não justifica, por si só, a tomada de medidas extremas para tentar mitigar esse aquecimento. Em geral, as medidas preconizadas para esse fim requerem investimentos significativos e impõem custos de oportunidade que não devem ser ignorados. Sendo os recursos disponíveis para enfrentar as necessidades humanas limitados, é necessário fazer escolhas, que são intrinsecamente económicas. Só é justificável aplicar uma determinada medida para a mitigar o aquecimento global se, para além de a mesma ser eficaz, apresentar também uma relação de custo-benefício que a torne preferível a acções alternativas que deixam de poder ser executadas pelo facto de essa medida ser posta em prática. A noção de custo de oportunidade e a ideia de que é necessário estabelecer prioridades são quase sempre altamente impopulares, mas nem por isso menos verdadeiras."

Todo esse raciocinio faria sentido se a Terra só tivesse um habitante, que tivesse recursos para gastar e fosse decidir se os iria gastar combatendo o aquecimento global ou de outra forma qualquer.

O problema do argumento de AAA é que maior parte do que ele escreve não tem sujeito, apenas predicado - fala em aplicar medidas, mitigar, fazer escolhas, investimentos, mas sem dizer quem vai aplicar essas medidas, realizar (ou não) os tais investimentos, etc. Ora, como a Terra tem 6 mil milhões de habitantes (e não apenas um) a questão do "quem" torna-se relevante? Quem é que iria ter que fazer os tais investimentos? E quem é que irá beneficiar com os investimentos alternativos que poderão ser feitos no lugar desses?

Imaginemos um industrial que, se tivesse que reduzir as suas emissões de CO2, iria ter que fazer despesas no valor de 200.000 euros; o AAA e o Bjorn Lomborg podem achar que haveria projectos em que esses 200.000 euros poderiam ser gastos de uma forma mais benéfica ao bem-estar global; mas como sabem que o referido industrial vai gastar os 200.000 euros que poupou num desses projectos? A menos que estejam a defender que o industrial, a troco de poder continuar a emitir CO2, tenha que contribuir com os 200.000 euros (ou 180.000) para esses projectos alternativos. Mas, se for assim, por caminhos travessos, chegamos de novo às eco-taxas e/ou ao auctioned-cap-and-trade. A justificação poderá ser diferente: em vez de ser "impedir o aquecimento global", passaria a ser "compensar pelo aquecimento global", mas em termos práticos a diferença não seria muita (e, mesmo em termos teóricos, suspeito que também não seria muita).

"Acresce que há razões ainda mais significativas para se estar céptico quanto às políticas intervencionistas propostas para combater as alterações climáticas. Nesta, como na generalidade das áreas, a concessão de poderes de intervenção alargados a entidades políticas ou administrativas tende a estrangular a inovação e a aumentar exponencialmente as possibilidades de actuação de grupos de interesse minando o funcionamento da economia de mercado. "

É só dar uma olhada pel'O Insurgente para encontrar posts reclamando do Estado por vezes não ser capaz de manter a ordem pública, pelo que me parece que já defendem politicas intervencionistas nessas situações (ou, pelo menos, defendem que, a existir Estado, ele deve intervir nesses casos). Os liberais minarquistas podem argumentar que defendem um dado conjunto de funções mínimas para o Estado (a tal defesa dos "direitos negativos"); mas, se existir realmente aquecimento global com origem humana, então, para todos os efeitos estamos a falar de uma forma de "invasão de propriedade", uma das tais situações em que penso que os liberais minarquistas são a favor do Estado intervir para a travar (e mesmo os ancaps aceitam a intervenção do Estado enquanto este existir), não?

Sunday, June 22, 2008

Liberais e aquecimento global (II)

André Azevedo Alves escreve "admitindo que há mesmo aquecimento global, o que se deve fazer? Provavelmente muito pouco (ou nada) do que defendem os eco-alarmistas".

Bem, isso pergunto eu, se existir mesmo aquecimento global "antropogénico", o que é que os liberais (insurgentes*, blasfemos, o Carlos Novais, etc.) acham (i.e., o que é que cada um acha) que se deve fazer a esse respeito?

Em principio, nenhum irá responder algo como "talvez nada, já que os custos de combater o aquecimento global podem ultrapassar os custos do aquecimento global", já que essa resposta é do mais colectivista que há: no fundo, seria dizerem que não há mal em violar alguns direitos de propriedade (creio que uma mudança climática provocada pelo aquecimento global pode ser considerada uma "invasão" das propriedades que sejam afectadas por isso), se tal contribuir para o bem geral.

Ou melhor, a resposta do "talvez nada" poderá fazer sentido se acompanhada por "indemnizações por perdas e danos" a quem seja afectado pelo aquecimento global, mas, nesse caso, qual é que acham que devia ser o valor da indemnização? O valor do prejuízo? O dobro do valor do prejuízo? Eu levanto a questão do dobro porque, sobretudo entre os anarco-capitalistas, é muitas vezes defendida a ideia dos roubos serem punidos restituindo o dobro do valor; ora, se se considera justo que a vítima de um roubo receba o dobro do valor roubado, penso que será também justo que a vitima de um dano patrimonial receba o dobro do valor do dano.

Uma nota a respeito do cap-and-trade: o CN citou Rothbard no que me parece uma critica ao cap-and-trade; mas será que, se realmente existir aquecimento global antropogenico, o cap-and-trade até não seria das soluções mais "rothbardianas" (independentemente do que Rothbard himself achasse)?

Porque digo isto - se realmente existir aquecimento global motivado pelas emissões antropogenicas de CO2, isso quer dizer que a atmosfera passou a ser um recurso escasso, logo, para os anarco-capitalistas, seria a altura de estabelecer direitos de propriedade sobre ela; e, pelo principio do homesteading, a maneira de estabelecer direitos de propriedade seria "quem emitiu 1 tonelada/ano de CO2 tem direito a emitir 1 tonelada/ano; quem emitiu meia tonelada/ano tem direito a emitir meia tonelada/ano; etc"; logo, o resultado seria algo muito parecido com o cap-and-trade combinada com a "clausula do avô" (isto é, atribuir os direitos de poluição de acordo com o histórico de poluição) - a única diferença é que, em vez de ser um cap-and-trade para reduzir emissões, seria um cap-and-trade para não aumentar emissões. Noto que eu sou totalmente contra uma distribuição de direitos de emissão dessa maneira (estou apenas dizendo que me parece um dos sistemas mais em acordo com os pressupostos que os rothbardianos costumam defender).

Mas, deixando de lado esta divagação, regresso à minha pergunta: o que é que os liberais acham que deve ser feito acerco do aquecimento global, caso este exista?

E, já agora, uma questão para o "agitador" e para o Tárique: como seria combatido o aquecimento global no socialismo anarquista? Imaginemos que uma federação voluntária de comunas livres e autogeridas decidia estabelecer uma espécie de "protocolo de Kyoto" e atribuir a cada comuna uma dada quota de emissões de CO2; mas, suponhamos que uma dessas comunas recusava-se a aceitar essa quota, abandonava a federação (afinal, é uma federação voluntária de comunas livres e autogeridas) e punha-se a poluir muito mais do que as outras haviam combinado; o que fazer num caso destes?

*Nota: o AAAlves já escreveu algo sobre isso; vou ler e amanhõ ou depois talvez escreva qualquer coisa

Saturday, June 21, 2008

Feliz Solisticio de Verão

Execução extra-judicial no Iraque

Marines norte-americanos, depois de capturarem o que, com certeza, lhes pareceu um perigoso jihadista, executam-no sumariamente*:



*não está confirmado que o vídeo seja verídico

Exames (do 4º, do 6º, do 9º, etc.) - alterado

Será que as gerações nascidas entre 1965 e 1980 (mais ano, menos ano - ver adenda) que nunca tiveram que fazer exames nenhuns antes de acabarem o 12º ano* (bem, eu tive que fazer um exame de Português antes disso, porque chumbei no 10º ano) sairam muito mais mal preparadas da escola do que as gerações actuais, que são periodicamente examinadas?

*as gerações de 71 a 74 tiveram que fazer a PGA, que, em rigor, era feita ainda antes de acabar o 12º ano; no entanto a PGA não era bem um exame.

Adenda: o período deve ter sido mais restrito que este (e se calhar houve escolas que sempre tiveram exames) - ver este comentário de Gabriel Silva e e a minha resposta.

Thursday, June 19, 2008

The Logistics of Presidential Adultery

"the residence is the only place in the White House where the president can have safe (i.e. uninterrupted) sex. He can be intruded upon or observed everywhere else except, perhaps, the Oval Office bathroom. Unless the president is an exhibitionist or a lunatic, liaisons in the Oval Office, bowling alley, or East Wing are unimaginable."