Thursday, May 08, 2014

Qual o partido mais parecido consigo?

Um site para vermos qual o partido cujas posições são mais parecidas com as nossas, tanto a nível português como europeu (via Luís Aguiar-Conraria).


Outro site do mesmo género, mas que dá resultados ligeiramente diferentes (e creio ainda não permitir a comparação com todos os países da UE).

Métodos "humanos" de execução

A Lethal Injection of Reality, por Jacob Sullum (Reason):

[L]ethal injection, first adopted by Oklahoma in 1977, is supposed to be "the most humane form" of capital punishment, as New Jersey Gov. Tom Kean called it when he signed a bill reinstating the death penalty in 1982. But in this context, "humane" really means "acceptable." The point is not to make condemned murderers comfortable; the point is to make us comfortable.

But if preventing unnecessary pain is the goal, it is hard to improve on the firing squad or the guillotine. Such old-fashioned methods were abandoned not because they were too painful but because they were too bloody.

As Lockett's execution vividly demonstrated, those two concerns are distinct. One has to do with how a condemned prisoner feels as we kill him; the other has to do with how we feel about killing him. Medicalizing executions helps us avoid the latter question.





Wednesday, May 07, 2014

A opinião socialmente correta sobre os jogos de computador

A opinião dominante sobre os jogos de computador (pelo menos entre as pessoas que não os jogam e não tem idade para começarem a jogá-los) parece ser globalmente negativa, normalmente com os argumentos que:

- as crianças e jovem acabam por ficar muito tempo imersas num "mundo" que não é o mundo real

- não fazem exercicio

- tornam-se socialmente isoladas; mesmo quando estão a jogar on-line com amigos, é um relacionamente diferente do que existiria se estivessem a interagir diretamente com o amigo ao lado

Outra opinião dominante (largamente promovida por pais, professores e o establishmente educacional em geral) é que se deve incentivar nas crianças e jovens o gosto pela leitura.

"PMEs"?

Uma coisa que há muito ando a pensar é se o conceito de PMEs ("pequenas e médias empresas") faz sentido - nomeadamente se há alguma razão para tratar as "pequenas" e as "médias" empresas como se, em conjunto, constituissem uma espécie de agrupamento natural, e as "grandes" empresas um outro agrupamento.

Vamos pensar em possiveis pontos da dimensão de uma empresa em que se possa considerar que se estabelece uma diferença qualitativa.

Empresas em que só o proprietário e os seus familiares lá trabalham, vs empresas que recorrem a assalariados - essa diferença é fundamental, p.ex., para se averiguar do impacto das leis laborais sobre as empresas: para uma empresa que não tenha empregados, em principio o efeito de maior ou menor rigidez laboral é nula. Por vezes há quem diga que leis laborais "rigidas" afetam sobretudo as pequenas empresas; mas se for assim o efeito provavelmente não é monotónico: mesmo que admitamos que as pequenas empresas com empregados tem mais problemas por causa das leis laborais do que as grandes empresas, suponho que as pequenas empresas que nem chegam a ter empregados terão menos problemas com essas leis dos que as grandes e as pequenas com empregados. Outra diferença é que uma empresa sem empregados pode (em certas circunstâncias) nem ter uma sede, e funcionar em casa ou na garagem do empresário, ou ter o equipamento numa carrinha (isto só funciona para uma empresa que não tenha loja aberta ao público); já uma empresa com empregados de certeza necessita de instalações próprias.

Empresas em que os assalariados constituem uma minoria do total dos trabalhadores, vs. empresas que em que são uma maioria - esta é uma variante da anterior (e até se pode argumentar que agora estamos a tratar mais de uma diferença quantitativa do que a tal diferença qualitativa que falei inicialmente) e talvez se possa argumentar que a diferença não está bem na "maioria", mas continua a ter diferença sobre o impacto das leis laborais se a força de trabalho é ou não composta maioritariamente (ou essencialmente) por assalariados ou não.

Empresas em que todos estão sob a supervisão directa do patrão vs. empresas em que há chefes a mandar em chefes - creio que cada empregado trabalhar junto com o patrão gera um relacionamento social dentro da empresa diferente de quando os trabalhadores "de base" têm supervisores, gerentes, diretores, etc., entre eles e o patrão. Isso faz diferença tanto a nivel do que pode ocorrer em conflitos laborais, como em termos de facilidade com que um trabalhador pode, p.ex., apresentar uma sugestão para melhorar o funcionamento da empresa. É também o ponto em que passa a existir problemas "de agência", com o patrão a ficar sempre na dúvida se os empregados estão a trabalhar bem.

Empresas em que o patrão passa a maior parte do tempo em funções técnicas na produção do produto da empresa, vs. empresas em que o patrão passa a maior parte do tempo em funções de gestão - ou seja, um dono de um restaurante que é essencialmente um cozinheiro, em comparação com um dono de um restaurante que tem pessoas contratadas para serem cozinheiros e que passa a maior parte do tempo em reuniões com clientes, bancos ou fornecedores e a gerir as contas. Há tempos, numa das múltiplas discussões que costuma surgir na internet sobre o que é empreendedorismo, alguém expôs a teoria que a diferença entre um "empreendedor" e um "trabalhador por conta própria" é "se a empresa pára quando não está, não és um empreendedor, és um trabalhador por conta própria" (suspeito que era mais ou menos nesta diferença que ele estaria a pensar).

Empresas que operam num só país vs. empresas que operam em vários países - de novo, há aqui uma diferença qualitativa, entre que ter que trabalhar sob um único sistema legal, versus ter que gerir leis diferentes, provavelmente ter que registar filiais nos vários países (e também o lado positivo de por vezes poder fazer o lucro aparecer no país em que dá mais jeito).

Bem, e alguém vê aqui uma linha divisória entre "PMEs" e grandes empresas? Eu não. As duas primeiras parecem-me o que faz a diferença entre uma micro-empresa e pequena/média/grande empresa; a terceira e a quarta parecem-me ser a diferença entre uma pequena e uma média/grande empresas; a quinta não me parece muito relevante, porque tanto médias como grandes empresas podem trabalhar em vários países ou só num.

Ou seja, em vez de se falar em PMEs por um lado e grandes empresas por outro, talvez fizesse mais sentido falar em GMEs por um lado e pequenas empresas por outro.

Tuesday, May 06, 2014

Keynes contra Hayek?

Está na moda, sejam em debates ou em videoclips, a oposição entre Keynes e Hayek (e suponho que ambos concordariam com essa oposição).

Mas será que muito do anti-keynesianismo actual não será ainda mais anti-hayekiano do que o próprio keynesianismo?

Primeiro, uma recapitulação das opiniões dos protagonistas:

a) Keynes achava que as recessões eram provocadas por uma escassez de procura, e que portanto a solução para isso era o Estado aumentar o deficit (aumentando as despesas e/ou reduzindo os impostos); para Keynes, nem sequer era necessário que o Estado fizesse despesa em coisas úteis - mesmo que o dinheiro fosse gasto a abrir a tapar buracos, as pessoas contratadas para fazer esse trabalho iriam depois gastar o ordenado a comprar bens que fossem úteis para eles, e as pessoas a quem eles fizessem compras iriam também comprar coisas úteis noutros sitios, e assim por diante... de forma que mesmo a despesa inútil iria estimular a produção de bens úteis

b) Hayek escreveu muita coisa, sobre vários assuntos; mas penso que o aspecto mais marcante do seu pensamento é a ideia de que é impossivel os decisores centrais conseguirem ter acesso a toda a informação que está dispersa pelos milhões de individuos na sociedade, logo o planeamento centralizado (ou tudo o que se aproximasse disso) estaria condenado ao fracasso

Agora, há pelo menos duas possiveis maneiras de não ser keynesiano - uma é defender que não se deve fazer politica nenhuma para combater as crises económicas e que o mercado resolverá o problema por si; a outra é achar que, já que as crises têm a sua raiz em problemas de oferta e não da procura, então se o Estado intervir deve ser no sentido de solucionar esses problemas do lado da oferta (exemplo clássico: formação profissional / "qualificações").

O primeiro tipo de não-keynesianismo (vamos chamar-lhe "não-keynesianismo liberal") é típico da direita mais "conservative"/"libertarian" norte-americana e de alguns circulos intelectuais na Europa; já o segundo tipo (vamos chamar-lhe "não-keynesianismo intervencionista") é típico tanto da esquerda "responsável e não-dogmática" como da direita "responsável e não-dogmática" (o discurso típico é "não acreditamos nas velhas ideias de gastar dinheiro a torto e a direito para resolver os problemas, mas também não somos nenhuns neo-liberais; achamos que o Estado tem um papel importante, mas em sectores especificos - educação, infra-estruturas, promoção do «empreendedorismo», etc.- necesários para sustentar o crescimento económico a longo prazo").Penso que o "não-keynesianismo intervencionista" é mais frequente na Europa, mas também aparece nos EUA (p.ex., por vezes alguns artigos do David Brooks, que se calhar é mais um "conservador europeu que por acaso é americano" do que um "conservador americano", parecem-me um pouco nessa linha).

Aliás, arrisco-me a dizer que a única variante de "não-keynesianismo" que é politicamente vendável na Europa é a "intervencionista" - basicamente, os eleitores europeus nunca votariam num partido que, perante uma recessão, dissesse "não vamos fazer nada".

Bem, agora vamos ao que é suposto ser o ponto central deste post: é que, a partir do momento que se aceita que o Estado deve fazer alguma coisa para combater as crises, a visão keynesiana acaba por ser também a mais "hayekiana" - a tradicional politica keynesiana de estimular a economia via aumento da procura (nem que seja gastando dinheiro em coisas inúteis, como bunkers contra uma invasão extra-terrestre imaginária) requer muito menos "conhecimento" por parte dos decisores politicos do que as politicas não-keynesianas de estimular a economia resolvendo os supostos problemas do lado da oferta (que normalmente implicam muito maior micro-gestão por parte do governantes, para descobir quais são esses problemas e como resolvê-los), logo acaba por sofrer menos com o problema hayekiano de os planificadores centrais não terem acesso a toda a informação (o não-keynesianismo intervencionista até pode, em termos quantitativos, interver menos - p.ex., no sentido de a despesa pública representar uma menor percentagem do PIB - mas essa intervenção, nos setores em que ocorre, tem o potencial para ser muito mais detalhada e minuciosa).

Um exemplo do que escrevo é a famosa ideia do "Banco de Fomento" - não acho que este governo seja "o mais neo-liberal de sempre" (provavelmente esse terá sido o de Cavaco Silva - se considerarmos que os seus três governos foram na prática um governo prolongado por 10 anos), mas é seguramente o mais anti-keynesiano de sempre; e mesmo as suas políticas não-liberais (como o tal banco) têm essa marca anti-keynesiana: como bons anti-keynesianos, chegaram à conclusão que o problema fundamental que as empresas portuguesas enfrentavam não poderia ser um problema de falta de procura, mas teria que ser um problema do lado da oferta (que outra coisa poderia ser?), neste caso uma dificuldade das empresas em obter crédito (por uma qualquer razão misteriosa, os bancos privados não estariam a conceder empréstimos a projetos de investimento perfeitamente viáveis e com uma excelente relação rentabilidade/risco); logo, a solução para esse problema foi criar mais um banco público (ou qualquer coisa que não é bem um banco, mas será como um banco) para apoiar as empresas.

Monday, May 05, 2014

O massacre de Odessa

Lendo e ouvido muitas notícias sobre o que se passou em Odessa na última sexta-feira, parece que o resumo é "cerca de 40 pessoas não identificadas morreram num fogo que se ateou por combustão espontânea"; porque é que quase nenhuma notícia refere que um grupo de ultranacionalistas ucranianos incendiou um acampamento de manifestantes pró-russos?

É que nem é uma questão de tal ser polémico - penso que os poucos jornais que relataram a versão identificando a facção que ateou o incêndio não receberam qualquer desmentido.

Razão antes do tempo?

Transfusões de sangue jovem podem inverter envelhecimento (Expresso)

Elizabeth Báthory (Wikipedia)

Thomas Piketty

Se percebi bem o que tenho lido sobre o livro de Thomes Piketty, a sua tese central é que a riqueza acumulada pelas principais famílias capitalistas irá ser cada vez maior face ao conjunto da economia (se a taxa de remuneração do capital for maior que a taxa de crescimento da economia).

A minha dúvida é se essa compraração em que de um lado temos um stock (a riqueza dos capitalistas) e do outro um fluxo (o rendimento total da economia) fará sentido.

Tuesday, April 29, 2014

Preferência temporal (II)

Isto fez-me lembrar disto.

Preferência temporal

Grande parte da teoria económica parte do pressuposto que as pessoas preferem o consumo presente ao consumo futuro (e que têm que ter algum prémio - nomeadamente receber um juro - para estarem dispostas a adiar o consumo).

No entanto (largamente sobre a influência dos comentários neste post), ocorre-me se não será ao contrário - isto é, se o mais normal até não é preferir o consumo futuro ao atual.

Mais exatamente, o que eu suponho é que a maior parte das pessoas prefere ter um consumo equilibrado ao longo da vida (comer todos os dias em vez de passar alguns dias em jezum e outros a empanturrar-se; viver numa casa boa a vida toda em vez de metade da vida num palácio e a outra metade a dormir na rua, etc.). No entanto, se confrontados forçosamente com a opção entre "ter uma coisa hoje e não ter amanhã" e "não ter uma coisa hoje e já ter amanhã", muita gente (talvez a maioria?) preferirá a segunda, até pelo efeito psicológico da antecipação (no primeiro caso, o sabermos que amanhã já não teremos a coisa que estamos a usufruir hoje até diminui o prazer de termos esse bem; já no segundo caso, o sabermos que amanhã já vamos ter o tal bem até nos ajuda a suportar a privação hoje).

Note-se que isto que estou a dizer não invalida que continue (como sustenta a teoria tradicional) que é melhor ter 1000 euros hoje do que recebê-los só amanhã; mas a razão porque é melhor não é porque seja melhor gastar 1000 euros hoje do que só gastá-los amanhã - é porque recebendo os 1000 euros hoje posso gastá-los hoje, amanhã ou mais tarde, enquanto se os receber amanhã só os posso gastar amanhã ou mais tarde (ou seja, tenho menos possibilidades de escolha).

E isto também não invalida que seja mais desejável adquirir bens duradouros o mais cedo possivel - porque se eu comprar uma casa hoje em vez de só daqui a um mês, beneficio da casa já e continuo a beneficiar dela daqui a um mês (ou seja, quanto mais cedo eu comprar um bem duradouro, em principio mais tempo beneficio dele - aqui a opção já não é entre "ter uma coisa hoje e não ter amanhã" vs. "ter uma coisa amanhã e não ter hoje", mas sim entre "ter uma coisa só amanhã" vs. "ter uma coisa hoje e amanhã"). A minha tese aplica-se apenas a bens que se "gastam".

Mas, mesmo que isto que estou a dizer seja verdade, não sei se terá alguma implicação.

Thursday, April 24, 2014

O Direito Natural à luz de Deus, de Kant e de Henrique Raposo

Na sexta-feira passada, Henrique Raposo narrou no Expresso a evolução das suas convicções sobre a fonte do "direito natural".

Conta Raposo que durante muito tempo a sua base filosófica para defender o direito natural era Kant. No entanto, a dada altura concluiu que faltava algo a Kant - nomeadamente a que a sua ideia de direitos naturais derivadas da razão deixava de fora aquelas pessoas que, por qualquer motivo, não têm (ou ainda não têm, ou já não têm...) pleno uso da razão: crianças pequenas, deficiententes mentais, alguns idosos, etc.

Assim Henrique Raposo acabou por chegar à conclusão que a filosofia de Kant não serve como base para o direito natural, e que só Deus pode ser essa base.

Poderia-se discutir se Deus também serve para base do direito natural - afinal, com tantas versões diferentes do que é a palavra de Deus, ou mesmo sobre quem é o verdadeiro Deus, defender uma dada versão do direito natural baseada em Deus está em última instância dependente do que se escolhe acreditar sobre o que é a palavra divina.

Mas o meu ponto é outro - basicamente, HR trocou Kant por Deus porque acha que com Kant não era possível chegar às conclusões a que ele (HR) queria chegar. Mas então isso quer dizer que HR primeiro definiu a sua visão do que deve ser o direito natural (neste caso, um direito natural em que recêm-nascidos, idosos dementes, etc. tâm direitos) e depois foi à procura de um sistema de pensamento que permitisse justificar esse direito natural. Mas, se é assim, isso quer dizer que HR não vai verdadeiramente buscar o direito natural nem a Deus e nem a Kant (ele escolheu, primeiro Kant, e depois Deus, como justificativos de um direito natural em que ele já acreditava previamente). Não - a verdadeira fonte justificativa do direito natural para Henrique Raposo é... Henrique Raposo ele próprio: se ele anda - ou andou - a escolher e rejeitar justificações para o direito natural até encontrar uma que as conclusões batessem certo com a sua visão do justo e do injusto, isso quer dizer que ele foi buscar o direito natural à sua consciência, não a Kant ou Deus.

Generalizando, podemos concluir que o conceito de um "direito natural" provavelmente tem a sua origem num sentimento intuitivo do que é justo ou injusto, certo ou errado, quase de certeza derivado da nossa programação genética como animais sociais (aliás, estudos parecem indicar que os chimpanzés também terão algo parecido com um sentido de justiça).

Tuesday, April 22, 2014

Friday, April 18, 2014

Mobilidade social

Ontem à noite, a SIC (se não estou em erro) passou uma espécie de cruzamento de dois documentários - por um lado, uma série de entrevistas que em 1974 Maria Filomena Mónica fez a crianças da escola primária, de várias classes sociais, onde lhes perguntava sobre a família, sobre o que queriam ser quando fossem grandes, etc (penso que a ideia base desse documentário era comparar  estilo de vida e as aspirações de crianças de meios distintos e a partir daí fazer um reflexão sobre a igualdade de oportunidades); por outro, em 2004, a sua filha Sofia Pinto Coelho foi entrevistar essas ex-crianças com mais 40 anos em cima e ver qual tinha sido o seu percurso - uns saíram da sua classe de origem (para cima ou para baixo), outros ficaram mais ou menos no mesmo meio.

Para começar, houve uma coisa que me chocou - depois de mostraram a entrevista de um aluno do Colégio Francês, filho de médico e que queria ser médico, referiram que ele agora era vendedor de automóveis e que se recusou a ser entrevistado. MFM comentou que a mobilidade também pode ser para baixo e depois disse o que eu achei chocante - que nem todos conseguiam manter o estatuto dos país, porque, apesar de tudo, não eram só os país que contavam; era sempre preciso "esforço e determinação". Mas quem é ela para insinuar que o senhor foi para vendedor de automóveis e não para médico por não ter "esforço e determinação"? Ainda mais que nem sequer houve entrevistas "adultas" com ele (logo não é possivel saber o seu percurso). P.ex., eu quando andava na primária queria ser detective, militar, garimpeiro e alguma coisa na área da zoologia (já não me lembro bem, mas acho que tudo ao mesmo tempo) - não fui nenhuma coisa dessas, mas não foi porque me tivesse faltado o "esforço" e a "determinação"; foi porque me comecei a interessar por outras coisas. Da mesma maneira, o referido senhor pode não ter ido para médico simplesmente porque perdeu o interesse em ser médico, não porque não tivesse "conseguido". Não sei porque motivo ele foi para vendedor de automóveis em vez de para médico, e MFM também não sabe, logo deveria abster-se de fazer comentários que juízos de valor implícitos.

Mas não era aí que eu queria chegar - só só eu que acho irónico que, para um documentário à volta do tema da igualdade de oportunidades e da mobilidade social, a primeira parte tenha sido feita pela mãe e, quarenta anos depois, a parte final pela filha?

Wednesday, April 16, 2014

Previsões para as eleições europeias

Atualizadas semanalmente, com base nas sondagens:

Wenn an diesem Sonntag Europawahl wäre: Prognose für das Europäische Parlament, no Der (europäische) Föderalist

Sim, a página e o blogue são em alemão, mas os quadros com as previsões conseguem-se perceber em qualquer língua (até porque os grupos parlamentares são identificados pela sigla inglesa).

O gato Orlando

Investments: Orlando is the cat's whiskers of stock picking (Observer/Guardian, janeiro de 2013):

The Observer's panel of stock-picking professionals has been undone in our 2012 investment challenge by a ginger feline called Orlando who spent time paw-ing over the FT.

The Observer portfolio challenge pitted professionals Justin Urquhart Stewart of wealth managers Seven Investment Management, Paul Kavanagh of stockbrokers Killick & Co, and Schroders fund manager Andy Brough against students from John Warner School in Hoddesdon, Hertfordshire – and Orlando.

Each team invested a notional £5,000 in five companies from the FTSE All-Share index at the start of the year. After every three months, they could exchange any stocks, replacing them with others from the index.

By the end of September the professionals had generated £497 of profit compared with £292 managed by Orlando. But an unexpected turnaround in the final quarter has resulted in the cat's portfolio increasing by an average of 4.2% to end the year at £5,542.60, compared with the professionals' £5,176.60.

While the professionals used their decades of investment knowledge and traditional stock-picking methods, the cat selected stocks by throwing his favourite toy mouse on a grid of numbers allocated to different companies.

[Via Jacob Goldstein e Noah Smith]

Aproveito para relembrar uns posts antigos, de 2008:

- Kika, gestora de ativos financeiros
- Mercados financeiros - informação intercalar
- Balanço dos investimentos da Kika

O caso Brendan Eich (II)

Brendan Eich and the New Moral Majority, por William Saleton (Slate):

Many self-styled liberals are celebrating Brendan Eich’s resignation as CEO of Mozilla. They say the company had every right to remove Eich for supporting a 2008 referendum campaign against gay marriage. It’s a matter of free enterprise and community standards, they argue. (...)

That’s the argument: Each company has a right—indeed, it has a market-driven obligation—to make hiring and firing decisions based on “values” and “community standards.” It’s entitled to oust anyone whose conduct, with regard to sexual orientation, is “bad for business” or for employee morale.

The argument should sound familiar. It has been used for decades to justify anti-gay workplace discrimination. (...)

[T]he rationales for getting rid of Eich bear a disturbing resemblance to the rationales for getting rid of gay managers and employees. He caused dissension. He made colleagues uncomfortable. He scared off customers. He created a distraction. He didn’t fit.

It used to be social conservatives who stood for the idea that companies could and should fire employees based on the “values” and “community standards” of their “employees, business partners and customers.” Now it’s liberals. Or, rather, it’s people on the left (...) in their exhilaration at finally wielding corporate power...

Tuesday, April 15, 2014

Friday, April 04, 2014

O caso Brendan Eich

Recentemente houve uma espécie de polémica por a Mozilla Corporation ter nomeado Brendan Eich (o inventor do Javascript e colaborador desde sempre dos projetos Mozilla) como CEO, que, há uns anos, apoiou uma campanha para revogar o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia; nomeadamente, o "site de encontros" OKCupid (usando, aliás, alguns argumentos que me parecem disparatados) tornou mais dificil aos utilizadores do Firefox acederem ao site, como forma de protesto. Em função da polémica, Eich acabou pr pedir a demissão.

O que dizer disto?

É tentador falar em "tirania do politicamente correto", mas tal tem dois problemas:

Em primeiro lugar, muitas das pessoas que adoram queixar-se da "tirania do politicamente correto" são defensores do direito à discriminação privada; ora, é um bocado contraditório defender o direito à discriminação privada e depois queixar-se de "tirania" quando essa discriminação privada é exercida num caso particular (possível contra-argumento: ser a favor do direito à discriminação privada não significa necessariamente ser a favor da discriminação privada). Claro que se pode argumentar que isso vale para os dois lados...

Em segundo lugar, não há particularmente nada de novo em alguém ser prejudicado na sua vida profissional pelas suas posições políticas - desde que eu me entendo, que sei que é comum os pais aconselharem os filhos a não se meterem em política porque "isso pode prejudicar-te no futuro"; conheço uma pessoa que foi do PCP nos seus vinte anos, e dizia que, por causa dessa passado, dificilmente alguma vez poderia ir trabalhar para um banco norte-americano; e naqueles livrinhos de "Como elaborar um Curriculum Vitae" costuma ser recomendado que se evite referências a atividades políticas. Ou seja, desde sempre que as pessoas com ideias controversas são prejudicadas a nivel de empregos, promoções, etc., pelas suas ideias. Por outras palavras, a "tirania do politicamente correcto" sempre existiu, e suspeito que até é muito mais leve hoje em dia do que era há umas décadas atrás (o que mudou foi que algumas ideias que antes eram "politicamente correctas" agora são "incorrectas" e vice-versa).

Mas será que a polémica à volta de Eich fez algum sentido? Acho que não - exatamente que mal Eich fez? Defendeu uma dada opinião? E depois - não têm direito a defender as suas opiniões, por mais impopulares que possa ser (e os defensores das minorias sexuais deveriam ser os primeiros a reconhecer isso)?

Uma coisa é protestar ou até fazer boicotes contra uma organização devido a práticas dessa organização: p.ex., se a Mozilla Corporation desse aos seus empregados casados com pessoas de outro sexo mais direitos do que os casados com pessoas do mesmo sexo, poderia fazer sentido uma campanha contra a Mozilla. Mas não é esse o caso - a polémica tinha a ver, unicamente, com as opiniões políticas do (por escassos dias) CEO, não com qualquer prática da organização.

Pondo as coisas de outra maneira, uma campanha ou um boicote é suposto terem por objetivo tornarem o mundo mais parecido com a nossa ideia de como seria um mundo ideal (não é - ou não deve ser - algo que se faz por simples expressão emocional...). Ora, qual era o objectivo social a atingir com a mini-campanha que foi esboçada contra a Mozilla?

- Uma sociedade em que os casais homossexuais não sejam discriminados? - mas a Mozilla não faz (nem ninguém alegou que fizesse) qualquer discriminação contra os homossexuais

- Uma sociedade sem preconceitos "homofóbicos"? - talvez, mas ninguém muda de ideias e opiniões por ser alvo de boicotes (pode mudar de comportamentos, mas não de ideias)

- Uma sociedade em que existem pessoas com posições socialmente conservadores, mas em que essas pessoas sejam discriminadas nos empregos e consideradas excluidas da "boa sociedade"? - parece-me que o objectivo era mesmo esse, mas não me parece um objetivo muito meritório (além de que me parece uma receita para um "backlash")

E, se se vai fazer campanhas contra empresas por causa de opiniões políticas dos seus funcionários, onde se pára? No CEO? Nos membros da administração? No porteiro? Imagino que os anti-Eich achem que o problema é só o CEO, já que nunca se incomodaram com os altos cargos que ele sempre teve na Mozilla, mas é díficil perceber uma linha lógica nisso.

Tuesday, April 01, 2014

Traduções na wikipedia

Qual se percebe melhor - este artigo em galego ou a versão em "português"?