Monday, June 16, 2014

Guerras e crescimento económico

Militarism and growth, por Chris Dillow:

There's one big omission in Tyler Cowen's argument that peace is bad for growth - opportunity cost.

The conventional neoclassical view is that £1 spent on the military is £1 not spent on something else, and that something else might well involve more productive activity than having soldiers sitting in barracks. This was the point made by Frederic Bastiat in his 1850 essay, That Which is Seen, and That Which is Not Seen (...)

And whilst he is right to point to some innovations that arose from militarism, doing so runs into Bastiat's injunction to consider the unseen. From a neoclassical viewpoint, military spending diverts resources from cilivian spending, some of which would have produced other innovations. It's possible that a bigger civilian economy would generate faster growth by "learning by doing effects", or simply because the private sector is on average better at innovating than the government.

All of these objections, however, rest upon a questionable assumption - that resources are fully employed so that higher military spending means lower civilian spending. If resources are unemployed, the opportunity cost argument fails so Tyler might be right: for this reason, he is too hasty to dismiss Keynesian considerations.

In this context, Tyler has some interesting predecessors - Marxian underconsumptionists such as Paul Baran and Paul Sweezy. Back in 1966 they argued that capitalist economies tend to stagnate because capitalism's massive potential to produce was not matched by growth in potential demand. Military spending, they argued, helped fill this gap and thus boost growth (...)

Keynesians might object that civilian public spending would also boost aggregate demand. But, said Baran and Sweezy, from a capitalist point of view military spending was superior. It gave fat, reliable profits to government contractors in a way that, say, paying teachers doesn't. And a militaristic society fosters a culture amenable to capitalists, of conformity to authority.

So, who's right - Tyler and the Marxian underconsumptionists or the neoclassicals? Personally, I think this is another area where there are no universal truths in economics. Militarism might well have been bad for economies in the full-employment late 60s and inflationary 70s. But it's plausible that it helped in the deflationary 30s. And it could be that today has more in common with the 30s than the late 60s.

Wednesday, June 11, 2014

O "Podemos" (II)

El voto a Podemos en cuatro gráficos (El Diario):

Sin duda, la gran sorpresa electoral del pasado domingo fue la irrupción en el escenario político de Podemos. Los resultados son espectaculares: más allá del millón doscientos cincuenta mil votos que convirtieron a Podemos en el cuarto partido del país (tercero en cinco comunidades autónomas, entre ellas Madrid), a mí me ha sorprendido la capacidad de penetrar de forma exitosa en todo el territorio a sólo unos meses de su fundación. Es cierto que obtiene resultados espectaculares en lugares como Asturias o Madrid (¡o un 19% en la ciudad de Soria!), y algo peores en otros: en Andalucía y Extremadura (donde PSOE e IU obtienen mejores resultados que en resto del país), en Cataluña y el País Vasco (donde hay un sistema de partidos completamente diferente), y en general en lugares donde hay más oferta partidista. Pero incluso en estos lugares Podemos no deja de ser competitivo: logra superar el 5% de voto en Barcelona, el 6% en el País Vasco, y supera a Compromís en Valencia y al BNG en Galicia.

Lo que sigue es un ejercicio informado aunque especulativo (la premura y la naturaleza de los datos obligan a ello) sobre la naturaleza del voto a Podemos. Usaré fundamentalmente datos de la distribución del voto por distritos en la ciudad de Madrid, aunque datos procedentes de otros lugares parecen confirman muchas de las intuiciones que aquí se presentan, y las interpretaciones que se hacen aspiran a ser generalizables a todo el país.

O "Podemos" (I)

How economic despair pushed Spain to embrace a new party, por Sofia Perez, no Monkey Cage:

Events over the last few weeks in Spain have surprised many observers. A new party – Podemos  (“We can”) – got an unexpectedly high vote in elections to the European Parliament. This has shaken up the party system, long dominated by two large national parties (the Socialist PSOE and the ruling conservative Popular Party (PP)) along with a number of established local nationalist parties important in Catalonia and elsewhere. (...)

There is now an intense debate going on about the “Podemos” phenomenon. Should Podemos be seen as a “populist” party  (as critics have labeled it);  is it a party of economically disenfranchised youth pitted against a privileged older generation; a formation of opportunist political entrepreneurs capitalizing on the discontent caused by the economic crisis that offers no real alternative; or a legitimate “citizens defense platform” trying to put a stop to the economic hardship imposed in Spain through austerity measures demanded by Brussels and Berlin? Initial evidence suggests that Podemos is an anti-establishment party that has successfully tapped the discontent and despair of a significant segment of the population (see data below) and that  it draws its vote from non-voters and voters of other Left parties. Its rise seems to mark a leftward shift in the electorate in reaction to the crisis.  It does not seem to be a generationally defined party but draws support from all age groups. (...)

Another Metroscopia survey suggests that 60 percent of Podemos voters had not made up their mind three days prior to the election. But if Podemos has managed to articulate and mobilize a vote of despair, that is likely to give it a different role from traditional protest parties (such as the Eurosceptics and nationalist far Right that did well elsewhere in Europe). The Podemos phenomenon is more in line with the success of Syriza in Greece. Although the parties are organizationally different, they both seek a Europe that follows very different economic policies rather than wanting to limit the idea of Europe.

Os "nossos hábitos"

Este post de Chris Dillow sobre os "valores britânicos" fez-me lembrar algo que há algum tempo estava a pensar em escrever, sobre aquela questão "os imigrantes devem adoptar os nossos hábitos?" que aparecia em vários dos testes para selecionar o "nosso" partido nas eleições para o PE.

Se a questão fosse "os imigrantes devem cumprir as nossas leis?", aposto que quase toda a gente responderia "sim" (mesmo as propostas que têm aparecido no sentido de a sharia ou de a halakha poderem ser aplicadas entres as comunidades muçulmanas ou judias na Europa referem-se aos contratos de direito privado).

Se a questão fosse "os imigrantes devem abster-se de fazer coisas perfeitamente legais, mas que não sejam comuns no nosso país?", suspeito que uma maioria esmagadora (ainda que não tanto como na resposta anterior) responda ou "não vejo porquê" (o que nos tais testes deve corresponder a escolher uma resposta no meio) ou "não".

No entanto, penso que a pergunta "os imigrantes devem adoptar os nossos hábitos?" tenha respostas com muito mais equilíbrio entre "sins" e "nãos" do que as duas perguntas hipotéticas que apresentei; suspeito que o que se passa é que muitas pessoas que respondem "sim" respondem como se estivessem a responder à pergunta "os imigrantes devem cumprir as nossas leis?" e muitas que respondem "não" (pelo menos foi o meu caso) respondem como se estivessem a responder à pergunta "os imigrantes devem abster-se de fazer coisas perfeitamente legais, mas que não sejam comuns no nosso país?" (também me ocorre que provavelmente haverá pessoas que colocadas perante a questão "os imigrantes devem abster-se de fazer coisas perfeitamente legais, mas que não sejam comuns no nosso país?" sentiriam um impulso emocional para responder "sim" mas que racionalmente achassem uma resposta sem grande jeito, e que perante a questão mais vaga "os imigrantes devem adotar os nossos hábitos?" se sintam mais "soltos" para responder "sim").

Monday, June 02, 2014

Primárias "abertas" e "fechadas"

Já há algum tempo que estava para escrever este post, nomeadamente a respeito das primárias "abertas" do LIVRE; mas até porque não queira misturar este assunto com discussões de campanha eleitoral, deixei para mais tarde. Agora que no PS também se fala em "primárias", é capaz de ser uma boa altura para abordar o tema.

Para começar, o que são primárias "abertas" e "fechadas"? Nos EUA (o país onde este conceito teve origem), quando alguém se recenseia para votar pode indicar o partido de que é simpatizante - isso não implique que vote nesse partido: até há algum tempo, havia zonas do Sul dos EUA em que o partido de Reagan ganhava com votações esmagadores mas em que não havia quase ninguém registado como simpatizante do partido de Lincoln.

Diga-se que, ao que sei, não existe propriamente a figura do "militante", pelo menos nos grandes partidos - creio que a única coisa similar a alguém se filiar no Partido Democrático ou no Republicano é declarar-se no recenseamento como simpatizante Democrata ou Republicano.

A diferença entre primárias "abertas" e "fechadas" - nas primárias "fechadas" apenas os eleitores registados como simpatizantes de um dado partido podem votar nas primárias desse partido; nas primárias "abertas" todos os eleitores podem votar, mesmo registados como simpatizantes de outros partidos (o que por vezes dá isto) - de qualquer forma penso que, mesmo nos estados que fazem primárias abertas, cada eleitor só pode votar nas primárias de um partido (até porque muitas vezes as primárias dos vários partidos são realizadas em simultâneo e uma pessoa chega à mesa de voto, identifica-se e pede um boletim para uma das várias primárias partidárias a decorrer nesse dia)

Para começar, dá-me a ideia que, se usarmos esta terminologia, o que o LIVRE realmente fez foram primárias... fechadas ; pelo que li, quem podia votar nessas primárias eram as pessoas que se tinham registado num sitio qualquer como se identificando com o programa do LIVRE (mas talvez alguns militantes e ou simpatizantes do LIVRE que são leitores regulares deste blogue possam dar um esclarecimento mais informado). Esta discussão não é puramente semantica, porque, p.ex., a crítica que, há uns meses, o Francisco Louçã fez às primárias abertas (que iriam fazer os partidos minoritários perder a sua especificidade, já que os eleitores dos grandes partidos poderiam inlfuenciar a escolha dos seus candidatos votando nas primárias) já não se aplica às primárias fechadas (em que o universo eleitoral está, em principio, restrito as pessoas alinhadas ideologicamente com o partido).

Quanto às primárias propostas para PS parece-me que ainda não se percebeu muito bem se são primárias abertas (em que qualquer pessoa pode votar) ou se irão ser primárias fechadas (em que vai ser criado um registo de simpatizantes do PS, e em que só esses e mais os militantes poderão votar).

Para falar a verdade, eu tenho uma forte suspeita que quando, em Portugal, muitas pessoas falam em "primárias abertas", o que querem dizer é primárias em que não apenas os militantes mas também outras pessoas podem votar - o que na verdade cobre tanto as "primárias abertas" como as "fechadas".

Mais uns pontos:

No caso de "primárias fechadas" em que votam não apenas os militantes, mas também simpatizantes que se inscrevem como simpatizantes, será que a diferença entre o conceito de "militante" e o de "simpatizante" (a partir do momento em que o simpatizante tem que ir a uma sede do partido inscrever-se) é assim tão grande?

Atendendo a que nos sistemas parlamentaristas (dominantes na Europa) a regra é o líder do partido ser o candidato a chefe do governo, dá-me a ideia que eleições directas para líder do partido ou eleições primárias (se forem "fechadas") para candidato a primeiro-ministro são ideias virtualmente idênticas.

Thursday, May 29, 2014

Cientistas contra a classificação dos "cigarros electrônicos" como "tabaco"

Top scientists warn WHO not to stub out e-cigarettes (Reuters):

LONDON, May 29 (Reuters) - A group of 53 leading scientists has warned the World Health Organisation not to classify e-cigarettes as tobacco products, arguing that doing so would jeopardise a major opportunity to slash disease and deaths caused by smoking.

The UN agency, which is currently assessing its position on the matter, has previously indicated it would favour applying similar restrictions to all nicotine-containing products.

In an open letter to WHO Director General Margaret Chan, the scientists from Europe, North America, Asia and Australia argued that low-risk products like e-cigarettes were "part of the solution" in the fight against smoking, not part of the problem.

"These products could be among the most significant health innovations of the 21st century - perhaps saving hundreds of millions of lives. The urge to control and suppress them as tobacco products should be resisted," the experts wrote.

Leaked documents from a meeting last November suggest the WHO views e-cigarettes as a "threat" and wants them classified the same way as regular tobacco products under the Framework Convention on Tobacco Control (FCTC). (link.reuters.com/muq69v)

That has set alarm bells ringing among a number of medical experts - and in the booming e-cigarette industry. A total of 178 countries are parties to the international convention and are obliged to implement its measures, with the United States the one notable non-signatory.

A move to classify e-cigarettes alongside regular cigarettes would push countries into taking similar tough measures to restrict demand, including raising taxes, banning advertising, introducing health warnings and curbing use in public places.

Notícia a seguir?

"The president of the breakaway Georgian region of Abkhazia is said to have fled the capital Sukhumi after opposition protesters seized his office." (BBC)

Alexander Ankvab reportedly retreated to his home town Gudauta, 40km (25 miles) away, when talks with the opposition broke down.

Many people in the Russian-backed region are unhappy with the ailing economy and lack of reforms.

But Abkhazian nationalist feeling is also fuelling the unrest. (...)

Opinion among the opposition is said to be divided between those who want Abkhazia to rely less on Russia and those who instead want it to become part of Russia.

Analysis - Unrest in Abkhazia:

However, even this is only a part of the story. The opposition has certainly cited economic conditions as a major grievance, but the chief point of contention is President Alexander Ankvab's more liberal (relatively speaking) policy towards ethnic Georgians in Abkhazia, primarily concentrated in the Gali region. Mr Ankvab has advocated more fully integrating them into Abkhazian society, which includes giving them passports and Abkhazian "citizenship". The opposition, led by Raul Khadzhimba, has painted this as a purely political ploy by Mr Ankvab to expand his electoral base (they accused the late former President, Sergei Bagapsh, of the same) and say these policies could endanger Abkhazia's ethnic Abkhazian identity.

Mr Khadzhimba has also accused the Ankvab government of kowtowing to Moscow. Though there is a political consensus in favour of a security alliance with Russia, Mr Khadzhimba's opposition does not wish to allow Russians to buy Abkhazian property or to see Sukhumi integrate too closely within Russia. It is unclear just how much of a believer Mr Khadzhimba is - he is a former KGB officer and was once seen as Moscow's favoured politician. His political transformation suggests that his ideals are rather pliable, but he also may feel spurned by his former patrons. All we really know is that Mr Khadzhimba truly believes he should be in power. As for Mr Ankvab, his political longevity depends largely on Russia. If they see abandoning him as politically expedient, he will face a much more difficult time regaining power.

O presidente abkhaz estar a ser criticado por ser, pelos vistos, demasiado alinhado com a Rússia e ao mesmo tempo por estar a dar muitos direitos aos georgianos pode confundir um bocado as "narrativas" sobre os conflitos no Cáucaso...

"Estado encaixa 31 milhões com aumento do salário mínimo"

Segundo a Rádio Renascença e o bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas:

Com apenas 15 euros a mais por mês no ordenado dos 600 mil trabalhadores que recebem o salário mínimo em Portugal, os cofres dos impostos encaixam mais de 31 milhões de euros por ano, valor que inclui os impostos dos trabalhadores e dos patrões.

"O trabalhador no final de cada mês, por efeito de um aumento de 15 euros, vai ter um aumento de impostos em IRS e Segurança Social de 3,825 euros. Ou seja, dito de outra maneira, o aumento acaba por ser só de 11,2 euros por cada mês", explica à Renascença o bastonário dos Técnicos Oficiais de Contas.

Com este possível aumento no salário mínimo, que será discutido esta quinta-feira em sede de concertação social, vão cair nos cofres do estado dois milhões de euros por ano, em IRS e contribuições para a Segurança Social.

Do lado dos patrões os gastos são mais significativos: quase 30 milhões de euros. Sobem os ordenados, logo sobem os impostos.

"A entidade patronal, no final do ano, vai pagar mais 210 euros de salários aos seus colaboradores. Mais 49,88, que são os 23,75% para a Segurança Social. Mais 10,5 euros que são os 5% do seguro de trabalho. Dá um total de 270,38 por ano, o que, dividido por 14 meses, dá um encargo todos os meses de 19,31 euros [por trabalhador]", refere Domingos Azevedo.

"Do lado das entidades patronais, o Estado vai receber o aumento da Segurança Social no valor de 49,88, o que, a multiplicar por 600 mil [número de pessoas que recebem o salário mínimo em Portugal], dá 29 milhões e 929 mil euros", diz,

Sinceramente, essas contas (nomeadamente pelo lado da entidade patronal) não me parecem fazer grande sentido. Para começar, duvido um pouco dos "5% do seguro do trabalho" - tenho a ideia quie o custo com os seguros custuma andar à volta de 0,6%-0,7% da remuneração, quase dez vezes menos (mas talvez algum comentador que tenha uma empresa possa me esclarecer sobre qual a taxa mais vulgar).

Mas a minha maior objeção até não é essa - é mesmo com o "sobem os ordenados, logo sobem os impostos": as contribuições para a segurança social (que, realmente, podem ser vistos como impostos com outro nome) sobem, mas se sobem os ordenados, em principio os lucros irão descer, logo menos imposto sobre os lucros.

Vamos imaginar uma empresa que pague 17% de IRC - vai pagar mais 210 euros de salários e mais 49,88 euros para a segurança social (vou ignorar o seguro, porque é dinheiro que passa de uma empresa para outra); logo vai ter menos 259,88 euros de lucro, e portanto vai pagar menos 44,17 euros de IRC: ou seja, o Estado (da parte do empregador) vai encaixar, por ano e por trabalhador, 5,71 euros (no total, a multiplicar por 600 mil, irá dar 3 milhões e 426 mil euros, não os tais "29 milhões e 929 mil").

A conta feita pelo tal TOC parece-me estar a assumir uma de duas coisas - ou que as empresas que pagam o SMN dão prejuizo, e assim não pagam IRC; ou que o aumento do SMN vais ser compensado por um aumento dos preços e não por uma redução dos lucros (o que poderá ser o caso para algumas empresas, mas duvido que seja uma norma geral).

Friday, May 23, 2014

Fora do consenso?

José Manuel Fernandes fala da "esquerda que está fora do consenso europeu".

Mas, pensando bem no assunto, será que faz sentido dizer que alguém, ou sobretudo um dado movimento, está fora do "consenso"? Afinal, se há pessoas que discordem desse "consenso", isso não significa que esse "consenso", afinal, não é "consenso"?

No fundo, dizer que as ideias de alguém estão "fora do consenso" equivale a um raciocínio circular do género "as tuas ideias não contam porque estão fora do consenso, e o facto de estares contra o chamado consenso não invalida a existência desse consenso, porque as tuas ideias não contam".

Thursday, May 22, 2014

E o não-golpe passa a golpe

Exército assume poder na Tailândia.

Sugestão para o livro de estilo da comunicação social

Quando a palavra "girls" se refere a alunas do ensino secundário, a tradução mais apropriada é "raparigas" e não "meninas".

Tuesday, May 20, 2014

Tempestade perfeita?

Imagine-se esta série de resultados nas eleições do próximo domingo (cada um destes resultados, individualmente, está perfeitamente dentro do possível):

- Syriza em primeiro lugar na Grécia
- UKIP, Frente Nacional, PVV, Partido do Povo Dinamarquês e Verdadeiros Finlandeses em primeiro lugar na Grã-Bretanha, França, Holanda, Dinamarca e Finlândia
- Sinn Fein e Partido Socialista nos dois primeiros lugares na Irlanda e na Holanda
- Aliança para a Alemanha com mais de 5% dos votos (nas eleições para o PE não há a regra dos 5%, mas há o efeito simbólico)
- NPD alemão elegar um eurodeputado (isso só irá acontecer por causa de uma mudança acidental da lei eleitoral, mas de novo há o efeito simbólico)
- Movimento 5 Estrelas em Itália com mais do que 25,5% (o resultado das últimas legislativas)

Se esta combinação de resultados (uns bons, outros maus, para o meu ponto de vista...) acontecesse (e o facto de cada um deles, individualmente, ser provável, não que dizer que seja provável os onze acontecerem), imagino que as noticias de segunda-feira, dia 26, fossem "Europa em choque" (e talvez, no caso da imprensa on-line, "bolsas em queda" e/ou "juros em alta")

Mas já não havia duas linguas estrangeiras obrigatórias?

O "Ministro da Educação admite segunda língua estrangeira obrigatória nas escolas". Mas no meu tempo, eu tive, do 7º ao 9º ano, duas línguas estrangeiras (inglês e francês).

Talvez o que ele queira dizer seja duas linguas estrangeiras obrigatórias durante mais que os 3 anos em que eram obrigatórias; o talvez seja haver duas linguas estrangeiras especificas obrigatórias (em vez de ser obrigatório ter duas línguas, mas essas línguas serem à escolha); mas esta é daquelas notícias que está escrita de uma maneira que é quase impossível perceber o que querem dizer efetivamente.

Não-golpe militar na Tailândia

Num golpe militar o exército toma o poder, expulsa os anteriores governantes dos seus gabinetes e retira-lhes os títulos (os ministros passam a ex-ministros).

Num não-golpe militar, o exército toma o poder, passa a governar a partir dos gabinetes do Estado Maior e os anteriores governantes continuam a manter o título e a passar os dias nos gabinetes de onde antes governavam.

Antes que alguém diga que o exército tailandês não "tomou o poder", noto que o exército (não o governo, o parlamento ou o rei) proclamou a lei marcial e estabeleceu a censura à comunicação social; haverá maior exercicio de poder do que proclamar a lei marcial?

Friday, May 16, 2014

Inteligência, personalidade e rendimentos

The Effects of Education, Personality, and IQ on Earnings of High-Ability Men [PDF], um estudo de 2011 sobre os efeitos da inteligência, escolaridade, traços psicológicos, etc., sobre o total de rendimentos ao longo da vida dos individuos do chamado "grupo Terman" (um conjunto de pessoas com um QI medido maior que 135 e que foram seguidos entre 1922 e 1991, sendo sujeitos a inquéritos periódicos.

Uma das conclusões do estudo (Tabela 5, página 44):


O que eu acho curioso nesses resultados - é que o rendimento tem uma correlação positiva com a inteligência (medida pelo QI), mas tem também uma correlação positiva com a extroversão e uma correlação negativa (ainda que não significativa) com "openness" (conceito que largamente corresponde a "curiosidade intelectual"); ou seja, o rendimento ao longo da vida será positivamente relacionado com inteligência, mas negativamente relacionado com traços de personalidade (como introversão e curiosidade intelectual) que, pelo menos a nível dos estereótipos populares, até costumam ser associados a inteligência.

Outro aspeto é que, pelo menos no contexto deste estudo, a extroversão parece ter mais efeito sobre o rendimento que a inteligência (ver também isto[PDF]); porque é que isto é digno de nota? Porque há décadas (quase séculos) que há uma enorma disputa intelectual sobre a inteligência: é mais genética ou mais resultado do ambiente? É um único fator ou é uma combinação entre vários fatores? Os testes de QI são ou não eficazes a medir a inteligência? Há diferenças relevantes a nível de inteligência entre populações distintas? Etc., etc. etc. (as polémicas à volta do conceito de inteligência são infindas). Ora, porque é que não há polémicas similares à volta da extroversão, que até parece ser um fator tão ou mais importante para o sucesso pessoal?

Eu tenho uma teoria sobre isso - é que é mais fácil extrapolar do "descritivo" para o "normativo" no caso da inteligência do que da extroversão: a tese de que as desigualdades sociais são justas porque são um resultado de diferenças de inteligência, e essas por sua vez são o resultado de diferenças genéticas tem alguma lógica (embora não tanto como pareça); afinal, é de esperar que pessoas mais inteligentes sejam mais "úteis à sociedade" (nomedamente descobrindo soluções para problemas), e portanto até poderá haver alguma justiça em ganharem mais. Já no caso da extroversão é mais díficil achar uma justiça intrinseca em pessoas extrovertidas ganharem mais (pode-se imaginar razões para em certos trabalhos pessoas extrovertidas serem mais produtivas, mas também se pode imaginar razões para serem menos noutros), e até é muito provável que um estudo indicando uma relação entre extroversão e altos rendimentos seja interpretado, não como justificando essa distribuição de rendimentos, mas, pelo contrário, como indicando que o sucesso depende de "cunhas", "contactos" e "redes de influências" (coisas em que é de supor que os extrovertidos estejam mais à vontade, até porque normalmente conhecem mais gente) e não do "mérito" pessoal.

Thursday, May 15, 2014

Keynesianismo e Estatismo

Há uns tempos, correu pela internet uma discussão sobre se o keynesianismo implica um peso elevado do Estado na economia (sobre isso, ver Russ Roberts, Paul Krugman, Chris Dillow , MarkThoma e António Costa Amaral / Steven Horwitz).

Do ponto de vista formal, não - o keynesianismo apenas implica que os deficits do Estado são bons para estimular a economia, nada dizendo acerca do valor total da despesa pública. Um governo que cobre 10% do PIB em impostos e faça despesas no valor de 15% (um deficit de 5%) está a fazer "estímulo" keynesiano; já um governo que cobre 62% de impostos e faça despesas no valor de 60% (um superavit de 2%), em principio não terá nada de keynesiano.

Ou seja, pelo menos em teoria, podemos ter orçamentos expansionistas com despesa pública reduzida, e orçamentos equilibrados com alta despesa pública (na prática, acho que o segundo caso é mais frequente que o primeiro).

Note-se que esta questão não deve ser confundida com outra, que é se o keynesianismo é a favor dos deficits, ou se é "apenas" a favor de uma combinação de deficits durante as recessões e de superavits durante as expansões - são assuntos diferentes: de novo, podemos ter grande despesa pública com orçamentos permanentemente equilibrados ou superavitários, tal como também poderíamos ter sempre deficit, mas uma despesa pública total relativamente pequena (na verdade, parece-me que o artigo de Horwitz falha um bocado a pontaria, porque apresenta-se como um artigo a demonstrar que o keynesianismo real implicará o "big government", mas para aí 95% do texto é dedicado a argumentar que o keynesianismo implica "big deficits", o que é um assunto diferente).

É verdade que o assunto dos deficits não é totalmente independente do volume da despesa pública - os deficits acumulados implicam mais dívida pública, logo mais juros, logo mais despesa (se um Estado tiver regularmente deficits - em percentagem do PIB - de "d" e o PIB crescer a uma taxa "g", suponho que a dívida publica em percentagem do PIB tenderá a convergir para d*(1+g)/g,). No entanto, pelo menos no mundo desenvolvido, penso que o principal motivo de elevadas despesas públicas são as despesas sociais, não os juros da dívida acumulada, pelo que esse efeito será pouco relevante na prática.

Mas, agora, a questão que Chris Dillow levanta é pertinente - se não há ligação lógica entre o keynesianismo e o "big government", porque é que, na discussão politico-económica do dia-a-dia, os defensores do keynesianismo tendem a ser também os defensores do intervencionismo estatal? Isto é, normalmente quem defende menos impostos, privatizações, desregulamentação, etc. são também os que se opõem às politicas keynesianas de gestão do ciclo económico, e vice-versa.

Já agora, eu diria que, na prática, não é raro encontrar "estatistas anti-keynesianos", que aumentam a despesa pública mas reduzindo os deficits, porque aumentam ainda mais os impostos (p.ex., Margaret Thatcher durante a maior parte do seu mandato); da mesma forma, as redução de impostos de G.W. Bush, feitas, a certa altura, com o argumento de "pôr dinheiro na economia", podem talvez ser vistas como uma forma de "liberalismo keynesiano". Mas, no plano dos princípios (não das politicas concretas) é raro ver alguém defender um "liberalismo keynesiano" (algo como "temos que reduzir os impostos durante as crises para as pessoas terem mais dinheiro para gastar" - embora eu tenha a teoria que a "economia do lado da oferta" mais não foi do que uma capa para em prática o "liberalismo keynesiano"); também não é muito frequente (embora seja mais) ver alguém defender o "estatismo anti-keynesiano" (algo como "para salvar o Estado Social - ou a Segurança Nacional - temos que ter finanças sólidas e equilibradas, sem deficits e de preferência com superavits"; no cenário actual, parece-me que uma versão moderada desse "estatismo anti-keynesiano" é típica dos auto-proclamdos "moderados", que por vezes vêm com conversas do género "ao contrário do que a esquerda quer, temos que atacar a sério o problema do déficit, mas, ao contrário do que a direita quer, sem radicalismos de corte nas despesas, mas também com aumentos de impostos").

[Um aparte - se não há defensores relevantes de uma politica orçamental expansionista com um Estado pequeno, há - ou houve, nalguns países no século XX - efectivamente um movimento político que se notabilizou por simultaneamente defender uma politica monetária expansionista e o Estado pequeno: o Crédito Social, sobretudo no Canadá.

Basicamente, o ponto principal do Partido do Crédito Social canadiano era uma expansão monetária constante, feita pelo método de periodicamente o Estado pagar um "dividendo" a cada cidadão - aqui, uma alegoria explicado a doutrina; fora isso, era um partido largamente liberal na economia e conservador nos costumes, por vezes até com algum anti-semitismo ocasional. Ora, como o Crédito Social nunca chegou a ter influência no governo nacional, e as tentativas dos seus governos locais para criar moedas paralelas foram consideradas ilegais, acabou por desempenhar na prática o papel de partido liberal-conservador, tendo sido durante muito tempo provavelmente o mais liberal dos grandes partidos canadianos; em 1973, o anarco-capitalista Samuel Konkin - pdf - descreveu-o como um "free market, pro-American party with a funny money policy they could not legislate because they had only controlled provincial governments"]

Algumas possíveis explicações para na prática haver uma convergência entre keynesianismo e estatismo:

- muita oposição ao intervencionismo estatal baseia-se na ideia de que os governantes não têm a informação (e talvez nem os incentivos) suficiente para tomar boas decisões acerca da economia; ora, a partir do momento em que se considera que o Estado deve estar no ramo de estabilizar a economia (mesmo que o faça com medidas aparentemente "liberais", como reduzir os impostos durante uma recessão) está-se implicitamente a admitir que o Estado tem capacidade para tomar essas decisões, e logo está-se a abrir a porta para outro género de intervenções

- também muita oposição ao intervencionismo baseia-se na ideia que os mercados conduzem a uma afetação eficiente de recursos; ora o keynesianismo acredita que os mercados podem falhar nessa tarefa, o que o torna uma teoria mais atrativa para "estatistas" do que para liberais

- num mundo (ou pelo menos numa civilização - a ocidental) em que grande parte da intervenção do Estado é promovida com o argumento de "tirar aos ricos para dar aos pobres", há uma afinidade entre o keynesianismo e as politicas redistributivas: por um lado, porque a própria existência de impostos progressivos (ou mesmo proporcionais) e de programas de assistência social é intrinsecamente keynesiano, na medida em que gera automaticamente um aumento do deficit durante as recessões (porque a carga fiscal diminui - já que as pessoas baixam de escalão do IRS - e as despesas sociais aumentam - já que há mais pobres) e uma redução durante as expansões, o que é exatamente a receita keynesiana; além disso, o keynesianismo tem implicito um enviesamento a favor do consumo (pelo menos se a economia estiver em recessão, em "armadilha de liquidez", etc., etc.) - ora, se partirmos do principio que as pessoas com menores rendimentos poupam uma menor proporção do seu rendimento (essa permissa é muito discutivel a nível académico, mas faz parte do chamado "senso comum"), isso quer dizer que as politicas redistributivas aumentam o consumo, levando os defensores dessas políticas a simpatizar com a economia keynesiana

- o modelo keynesiano das crises económicas é muito parecido com o modelo marxista dessas mesmas crises (crises de sobre-produção criadas pela escassez da procura e só possíveis num mundo em que exista moeda): pegue-se no modelo keynesiano, ponha-se os capitalistas a terem uma propensão ao consumo muito menor que os trabalhadores; estipule-se que os salários reais (em vez dos nominais) são rigidos no curto/médio prazo; e introduza-se no longo prazo uma tendência para o progresso tecnológico ser capital-intensivo - e temos o modelo marxista. Logo, as pessoas que têm uma formação de base essencialmente marxista tendem a se identificar com o modelo keynesiano (mesmo que digam que precisa de uns ajustes aqui e ali)

- mesmo que o keynesianismo não implique um Estado "grande" em termos quantitativos (isto é, que consuma uma grande percentagem do PIB), implica um Estado "grande" em termos qualitativos (isto é, um Estado que faça mais do que assegurar a justiça, a polícia e a defesa)

Leituras adicionais (mesmo que não sejam diretamente sobre o assunto, acha que acabam por o ser indiretamente):

- Why Are Libertarians Inflation Hawks?, por Timothy Lee

- Ayn Rand Endorses Big Government, por Stephan Kinsella


- Keynesianism, left & right, por Chris Dillow

Inesperadamente?

Segundo o Económico, a "economia portuguesa contraiu inesperadamente no primeiro trimestre do ano, recuando 0,7% face ao trimestre anterior".

A minha objeção é ao "inesperadamente" - desde que, há uma semana, o INE anunciou que o emprego havia diminuido, que havia razões para pensar que o PIB estaria a descer (não é obrigatório que uma redução do emprego esteja associada a uma redução do PIB - se a produtividade aumentar, podemos ter ao mesmo tempo uma redução do emprego e crescimento económico - mas há uma forte probabilidade de estar).

Wednesday, May 14, 2014

Sugestão de leitura

The Anti-Reactionary FAQ

Pelo menos duas objeções:

a) apesar de tudo, penso que as monarquias autoritárias (ou "tradicionais") tendem a ser melhores que as ditaduras temporárias (veja-se que as poucas que sobrevivem hoje em dia não têm no seu historias os banhos de sangue que muitas ditaduras temporárias cometeram no século XX) - bem, isto não é exatamente uma objeção já que autor não diz o contrário (ele critica é o truque de comparar "monarquias tradicionais" com "ditaturas temporárias + democracias" e dizer que o segundo grupo é pior que o primeiro)

b) o exemplo coreano parece-me um bocado forçado (facilmente se poderia arranjar argumentos - a começar pelas raizes ideológicas da fundação de cada Estado - para identificar o "progressismo" com o Norte e a "reacção" com o Sul em vez de o oposto)

Saturday, May 10, 2014

Ode to "Anarchy"

http://wetheindividuals.org/2014/05/09/ode-to-anarchy/

“Anarcho”-communists and “anarcho”-socialists out there are really pissed that I call myself an anarchist. I understand your concern, I really do. You have an identity to protect. That identity is intimately tied to the collectives you have chosen to let yourself be subsumed into. It’s an identity with a long history and tradition of luminous figures, lavish with tales of past glory. I understand how it must look to you, “anarcho”-capitalists coming in and wantonly appropriating your cherished terminology. It must seem like a real threat to that identity.

I do understand. I just don’t give a shit.

I use the word “anarchist” descriptively. It’s a wonderlfully useful word. Just like “atheist” is one without theism, “anarchist” is one without… archy. Honestly, if the word had never been used before, or even if I had just thought it up on my own, I’d still use it.

You and I, we have different definitions of that “archy” part, but, really, I don’t give a shit about that, either. Words are to facilitate communication, and the word “anarchist” in all its forms does work in that regard. Sure, I have to go on to qualify it, pin it down, tease out the precise meaning I intend, when I use it with people not familiar with the broad landscape of anarchist thought. But that’s fine. It’s more than fine, it’s a plus.

Good words are ones that start conversations, not end them. I’m happy, eager even, to have the conversation that comes after I tell someone “I am an anarchist”. If I used a more technical and precise term – which in fact would have to be a long string of terms unintelligible to most people – it would be no more informative to the uninitiated. In fact, it would be less informative, and the sheer weight of jargon that would need to be digested would not facilitate communication, it would shut it down. “Anarchist” has just enough familiarity, just enough baggage, that my conversational partner becomes curious rather than intimidated.

I certainly don’t use the word because I want to muscle in on your collective, to appropriate for my own purposes the cachet of your history and tradition. In fact, the usual immediate consequence of beginning that conversation is that I have to distance myself from all that. People who know me, even a little bit, and know that history, even a little bit, see a disconnect between the two. That makes them curious. It starts a conversation.

I usually go on to explain that, no, I’m not anti-capitalism, I am enthusiastically in favor of it, but that I am anti-corporatist (another conversation starter all by itself). I have to tell them no, I’m not out there vandalizing things every chance I get in order to destroy society (and I usually mention that most left-anarchists I know aren’t either), but that I have peaceful means in mind. I tell them that no, the people the media calls anarchists are not really anarchists, they’re just run of the mill socialists or communists who want the state on their side, which is hardly an anarchist position. I explain to them how I am not interested in taking over the government, nor really in even destroying it per se, but rather in abandoning it, being free of it, and letting it wither on the vine when enough people decide they’ve had enough of it and see those of us who preceded them living better than they do.

So don’t worry, I’m not trying to hijack your history. I wouldn’t if I could, because it is of no use to me – except maybe as a foil in conversation. I don’t want your traditions, though some bits and pieces of the intellectual work done in it are useful. Most of all, I don’t want to be part of your collective identity. I want nothing to do with it, I want no association with it, aside from a few friends who have at least one foot in it.

You can keep it. You just don’t get to keep the word all to yourselves. It’s a useful word, and I am damn well going to use it. And I’ll use it despite, not because of, its historical baggage. I don’t want to forge a collective identity, even with other anarcho-capitalists. We’re not a club or an identity group, just a bunch of individuals who share some, not all, of the same values and like the idea of cooperating wherever there is overlap. Most of us care about your collective history far, far less than you do. Your little collectives are safe from incursion by us.

So stop your whining… or don’t. Far be it from me to tell you what to do.

Jeff Peterson II

We the Individuals