Friday, November 24, 2006

Tuesday, November 21, 2006

O vento sueste em acção (II)

[O filme que aqui estava foi retirado porque ocupava muito espaço - e também era muito monótono]

Monday, November 20, 2006

A "América Boa"


Eu só posso falar por mim, não pela "esquerda portuguesa" no seu todo, mas aqui vai uma lista avulsa de coisas que eu admiro na sociedade norte-americana (em rigor, na minha imagem do que é a sociedade norte-americana - eu nunca lá pus os pés e estou a "falar de cor"):

Admiro a abertura aos imigrantes, que me parece ser maior do que na Europa.

Admiro a "contra-cultura" norte-americana dos anos 60/70 (resposta previsível...), que acho que foi muito mais importante que o "Maio de 1968" francês - os "Sixties" norte-americanos levaram para aí uma década e creio que mudaram bastante a sociedade norte-americana em montes de aspectos (nomeadamente naquilo a que o Sérgio Sousa Pinto chamaria "questões fracturantes"); o Maio de 68 foram 2 meses e não teve efeito quase nenhum sobre a sociedade e a cultura francesa.

Admiro o hábito de montes de assuntos serem decididos em referendo - nomeadamente o "referendo revogatório" parece ser um instituto mais efectivo na Califórnia do que na Venezuela; ainda a respeito do sistema politico, simpatizo com o sistema de grande parte dos cargos oficiais (em certos sítios, acho que até os apanhadores de cães) serem eleitos em eleições próprias, em vez de nomeados.

Em larga medida, acho muito cinema norte-americano, não apenas mais divertido, mas até mais interessante que muito cinema europeu - é um lugar-comum dizer que o cinema norte-americano é um instrumento de "manipulação e alienação das massas e promotor do conformismo e do alheamento face aos problemas do mundo", mas o que é certo é que é mais fácil encontrar chamadas de atenção para os problemas políticos e sociais nos filmes norte-americanos do que nos europeus, que, esses sim, caem frequentemente na "passividade" e "no alheamento face aos problemas do mundo" (ou de tudo o que não seja o umbigo de quem faz o filme) - mesmo atendendo à diferença de escala, creio que cinema norte-americano fez muitos mais filmes sobre a guerra do Vietname que o francês sobre a Argélia ou o português sobre a guerra colonial; aliás, em Portugal quase nem há filmes sobre o 25 de Abril, p. ex. Até é engraçado que Hollywood esteja entre dois fogos - na Europa é acusado pelos intelectuais de esquerda de ser um instrumento da "hegemonia cultural do imperialismo americano", e nos EUA pela direita de propagandear o "anti-americanismo", o "humanismo secular" e de destruir os "valores tradicionais".

Em termos de personalidades admiro, assim ao acaso, John Brown, Henry David Thoreau, Ralph Nader, Noam Chomsky (ok, a previsibilidade continua), Wright Mills, Abbie Hoffman, em parte Edward Abbey, etc. (e, claro, os mártires de Chicago).

Admiro a esquerda norte-americana por - pelo menos em comparação com a europeia - nunca ter caído de amores pelos regimes da Europa de Leste: enquanto na Europa, durante muitos anos, ter sido do PC (ou compagnon de route) fazia parte quase obrigatória do curriculum vitae de qualquer "intelectual de esquerda" que se prezasse, nos EUA as modas sempre foram mais o anarquismo, o marxismo-deleonismo, o trotskismo, etc. (já agora, do outro lado da barricada, também acho mais interessantes os "libertarians" norte-americanos que os liberais europeus).

Praticamente todos os sites não-portugueses que costumo ler regularmente são norte-americanos (mas também deve ser culpa de só perceber português e inglês: no liceu às vezes tinha 20 em Francês - numa escala de 100): Economist's View, Mutualist Blog, AntiWar.com, Historical Atlas of the 20th Century, Unofficial Paul Krugman Web Page, etc. Também a maioria esmagadora das músicas que estão a tocar na meu computador neste momento são norte-americanas (com algumas gregas, árabes, uma israelita e uma catalã à mistura).

Finalmente, tenho a impressão que os parques naturais dos EUA devem ser melhores que os da Europa (pelo menos são mais conhecidos, o que deve significar alguma coisa).

A IVG e os impostos

Um argumento que tem sido levantado contra a prática da IVG em hospitais públicos é que não será justo que as pessoas que são contra a legalização terem que pagar impostos para financiar a prática de abortos.

Poder-se-á argumentar que já há inúmeras situações em que temos que pagar impostos para coisas a que nos opomos (desde os defensores da legalização das drogas que têm que pagar os impostos gastos na repressão do tráfico até aos Testemunhas de Jeová que pagam os impostos que financiam as transfusões de sangue). No entanto, talvez seja possível resolver esse problema, assegurando simultaneamente que as mulheres pobres possam praticar abortos e que ninguém tenha que pagar algo que vai contra a sua consciência.

Uma hipótese seria os abortos voluntários praticados nos hospitais públicos serem pagos por um fundo próprio, financiado por um imposto especial lançado sobre as clínicas privadas de abortos - assim, de certeza que o dinheiro vinha de bolsos que não tinham objecções ao aborto.

Outra hipótese (mais complementar que alternativa à primeira) era, para os utentes com um rendimento maior que "X", os abortos nos hospitais públicos serem pagos e essa verba usada para financiar os abortos para quem ganhe menos que "X".

Todavia, tenho sérias dúvidas que estas soluções fossem financeiramente viáveis.

Sunday, November 19, 2006

O Bill Gates inventou cada coisa

No Expresso, Miguel Sousa Tavares escreve "Devo a um dos homens que mais admiro, Bill Gates, esta liberdade recente: basta-me pegar no computador portátil e no telemóvel e levo o trabalho comigo, para onde estiver".

Será que foi Bill Gates (ou os seus empregados) que inventou o telemóvel? Eu até admito que a Microsoft fabrique computadores portáteis (e mesmo assim não sei - a MS é mais software), mas não há de ser o único fabricante, pelo que não é graças a Bill Gates que MST pode "pegar no computador portátil".

[Eu, por acaso, detesto computadores portáteis - nomeadamente o rato - mas gostos não se discutem]

Ainda sobre as eleições nos EUA

Vendo bem, o resultado das eleições norte-americanos talvez não tenha sido tão "vira o disco e toca o mesmo" como tudo isso.

Se irmos ver os lugares do Senado que passaram dos Republicanos para os Democratas , vemos que os ex-senadores republicanos Jim Talent, Conrad Burns, Mike DeWine, Rick Santorum, Lincoln Chafee, George Allen, de acordo com site OnTheIssues.org, tinham em media uma classificação de aproximadamente 40% em "questões sociais" e de 60% em "questões económicas". Quanto aos novos senadores democratas Claire McCaskill, Jon Tester, Sherrod Brown, Bob Casey, Sheldon Withehouse, James Webb, têm em média uma classificação de aproximadamente 50% em "questões sociais" e de 15% em "questões económicas".

Primeiro, explicar o que isto quer dizer: uma alta percentagem em "questões sociais" significa ser contra a intervenção do estado nas chamadas "questões fracturantes" - defender a legalidade do aborto, a imigração, ser contra as orações nas escolas públicas, contra penas de prisão muito grandes, etc.; uma alta percentagem em "questões económicas" significa ser a favor do liberalismo económico - basicamente, a "esquerda" tenderá a ter resultado alto nas "questões sociais" e baixo nas "questões económicas"; a "direita", ao contrário.

Olhando para estes resultados, realmente não parece ter havido grandes mudanças nas "questões sociais": os novos senadores democratas são, em média, ligeiramente mais "liberais" nesse aspecto que os seus antecessores republicanos, mas a diferença não é muita. No entanto, na "questões económicas", parece ter havido uma grande "viragem à esquerda" (em termos norte-americanos, claro; em termos portugueses seria talvez o equivalente a uma viragem do CDS para o PSD).

Ainda sobre este assunto, True Blue Populists, de Paul Krugman, e, já agora, Red State America against Itself, um artigo de 2004 de Thomas Frank, aonde este argumenta que o mal do Partido Democrata foi ter abandonado a "luta de classes" e assim "dado" a classe operária aos Republicanos (será que isso se está a inverter?).

Friday, November 17, 2006

Para os que defendem que "a vida começa na concepção"

E a vida de cada membro de um par de gémeos univitelinos? Começa no momento da concepção ou só quando o zigoto original se divide em dois?

Thursday, November 16, 2006

As "aulas de substituição" - mais uma vez

Em face dos protestos de hoje contra as aulas de substituição (ou, pelo menos, contra o seu formato), volto a repetir o que já escrevi sobre o assunto.

Wednesday, November 15, 2006

Sabor e Foz Côa

E se, em vez de se fazer uma barragem no rio Sabor, se se recuperasse o projecto de Foz Côa?

Eu, pessoalmente, entre um habitat selvagem e as gravuras, prefiro o primeiro, até porque as gravuras podem sempre ser transportadas para outro sitio (e, já agora, relembro Leonardo Da Vinci, que terá dito qualquer coisa como "Entre salvar um gato ou uma pintura, salvaria o gato")

No entanto, esclareça-se que compreendo perfeitamente que as populações locais sejam a favor das barragens - afinal, a construção de uma barragem representa investimento (logo, transferência de riqueza) do Estado central e da UE na região, riqueza essa que se deixa de ser trtansferida sem a sua construção. Provavelmente as associações ambientalistas teriam maior compreensão por parte das populações se, quando se opõem à construção de uma barragem, exigissem também que o dinheiro que o Estado iria gastar na barragem fosse distribuido directamente aos habitantes da zona.

Tuesday, November 14, 2006

Citações

Um pouco por acaso, encontrei estas citações de Edward Abbey, um escritor norte-americano de ideias um bocado excêntricas (e dificilmente classificáveis) que passou grande parte da sua vida nos desertos do Utah.

Gostei de algumas, nomeadamente esta: "A vida é cruel? Comparada com o quê?"

Sunday, November 12, 2006

Cristianismo, Liberalismo e Liberdade

Já há algum tempo que no Blasfémias (e também no cinco dias) se discute se foi o cristianismo (ou o catolicismo?) que deu origem ao liberalismo.

A respeito da influência (ou não) do cristianismo/catolicismo para o liberalismo, os blasfemos lá saberão.

No entanto, a respeito da contribuição do cristianismo para a liberdade (que não será exactamente a mesma coisa que liberalismo), que dizer da (ou de parte da) Grécia antiga ou da República Romana que, tirando a escravatura (um grande "tirando", é verdade - já vou abordar esse ponto mais à frente), tinham um grau de liberdade talvez comparável ao dos países ocidentais modernos? E a Islândia (inicialmente "pagã") no principio da Idade Média, que até é apresentada como modelo por alguns "ultra-liberais" como David Friedman (ver aqui uma critica anarquista clássica a essa posição)? E estou apenas falando de sociedades mais ou menos organizadas em Estados (embora a Islândia talvez mais para "menos" do que para "mais") - se fôssemos às tribos germânicas ou eslavas pré-cristianização, então... (e que dizer dos lusitanos, descritos por um romano como "um povo que não se governa nem se deixa governar"?).

Claro que me podem dizer: e a escravatura?

A respeito da escravatura, é duvidoso dizer que o que faltou na República Romana ou na Grécia para não terem escravatura foi o cristianismo - afinal, a doutrina cristã, inicialmente, não se opunha à escravatura, e não impediu o seu ressurgimento na época da colonização da América (embora, é verdade, tenha desempenhado um papel no movimento abolicionista).

Há outro ponto que pode ser usado para deitar abaixo a minha tese que havia liberdade na Grécia antiga - a execução de Socrátes. Afinal, executar um pensador por "divulgar ideias que corrompiam a juventude" é mais próprio de um regime totalitário - no entanto, é preciso ver que, quando esse caso ocorreu, Atenas tinha acabado de se libertar de um regime ditatorial e de uma ocupação estrangeira - no fundo era uma situação mais comparável à França da Libertação do que ao dia-a-dia do Ocidente actual.

Por outro lado, o cristianismo, na altura do ano 1000 (mais século, menos século), foi um instrumento para a consolidação de regimes mais autoritários - há bastantes razões para pensar que a conversão dos monarcas da Escandinávia e da Rússia ao cristianismo foi para consolidar o seu poder (nomeadamente, no caso escandinavo, para transformar as monarquias electivas em hereditárias - a partir do momento em que o poder do rei passava a vir de Deus, através da Igreja, ganhava uma legitimidade própria independente da eleição pelos nobres).

Duvida técnica

Alguém sabe se há forma de, no Firefox 2.0, podermos ver todos os separadores que temos abertos, como acontecia nas versões anteriores (neste momento tenho 9 separadores abertos e está-me a dar impressão não os poder ver todos)?

Actualização do Anarchist FAQ

Quando foi consultar o Anarchist FAQ para ver uma coisa para outro post, reparei que ele foi actualizado ontem. Na secção "new" pode-se ver as actualizações (não me parecem ser muitas).

Saturday, November 11, 2006

Autonomias...

N'O Cachimbo de Magritte, Paulo Marcelo escreve que deve haver "mais autonomia para as escolas" e que um dos aspectos lamentáveis do projecto de "Estatuto dos professores" é dar muita importância a questões como "estimular a autonomia e criatividade" dos alunos...

Monday, November 06, 2006

Bernie Sanders eleito para o Senado

Bernie Sanders, candidato independente apoiado pelo Partido Progressista de Vermont e pelo Partido Democrata, terá sido eleito senador pelo Vermont, com 65% dos votos (pelos vistos, será o primeiro auto-proclamada "socialista" eleito para o Senado dos EUA).

Sanders era o Representante de Vermont na Câmara desde 1990, tendo sido o primeiro independente a ser eleito desde os anos 50.

Em principio, no Senado Sanders deverá integrarar, para efeitos processuais, o "grupo parlamentar" democrata, tal como já ocorria na Câmara dos Representantes.

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