Thursday, October 04, 2007

Padrão-ouro por ordem do governo central

The Currency Act of 1764

That from and after the first day of September, one thousand seven hundred and sixty four, no act, order, resolution, or vote of assembly, in any of his Majesty's colonies or plantations in America, shall be made, for creating or issuing any paper bills, or bills of credit of any kind or denomination whatsoever, declaring such paper bills, or bills of credit, to be legal tender in payment of any bargains, contracts, debts, dues, or demands whatsoever; and every clause or provision which shall hereafter be inserted in any act, order, resolution, or vote of assembly, contrary to this act, shall be null and void.

Lei do parlamento britânico proibindo as colónias da América do Norte de estabelecer sistemas de papel-moeda, até então bastante utilizados[pdf].

Papel-moeda livre e voluntário

Tuesday, October 02, 2007

Padrão Ouro

Os defensores do padrão-ouro alegam que o actual sistema é dado "a provocar ciclos económicos".

É difícil fazer uma comparação dos efeitos do padrão-ouro com os do papel-moeda, já que não temos países que pratiquem o padrão-ouro para podermos comparar.

No entanto, temos um exemplo parecido - a Argentina, nos anos 90, praticou um sistema em que, por cada peso em circulação, teria que haver um dólar nos cofres do banco central, sendo garantida a convertibilidade peso-dólar (ou seja, o dólar desempenhava o mesmo papel que o ouro num sistema padrão-ouro). Este sistema é muito parecido com o padrão-ouro (ou o padrão-prata): é verdade que o valor da moeda continua a estar dependente das decisões arbitrárias de um banco central (agora o norte-americano e não o argentino), mas, enquanto o dólar continuasse a ser uma moeda aceite internacionalmente, esse sistema seria tão sólido como um padrão-ouro.

Ora, a Argentina teve um colapso económico em 1999 (sem o dólar ter tido qualquer colapso), o que parece indicar que o padrão-ouro não seja garante da estabilidade.

Agora, uma ressalva - é verdade que muitos defensores do padrão-ouro defendem-no no contexto de um sistema de "reservas a 100%" (em que os bancos não possam emprestar os depósitos à ordem que recebem). Ora, na Argentina (tal como em todo o mundo) vigorava (e vigora) a "reserva fracional", em que os bancos só têm que deixar em reserva uma fracção dos depósitos que recebem - e um dos factores da crise argentina (mas não é claro se terá sido uma causa ou um sintoma) foi, exactamente, a "corrida aos bancos" e o decreto governamental limitando os depositantes de levantarem o dinheiro durante um ano.

No entanto, tenho dificuldade em perceber como o ultra-liberalismo económico defendido por muitos apologistas do padrão-ouro pode ser compatível com acabar com as reservas fraccionais.

Sugestão de leitura: A Cross of Dollars, de Paul Krugman.

Guevara e a II Guerra Mundial


Note-se que, quando da entrada da Argentina na guerra, a 27/03/1945, Guevara tinha 16 anos.

Ainda sobre "tumultos" (II)

No meu lado (a extrema-esquerda), o normal é surgirem polémicas sobre os assuntos mais insignificantes, logo nem fará sentido falar em "tumultos" - o "tumulto" é o nosso estado natural.

No entanto, se tiver que apontar um factor que poderá origem a uma significativa divisão de águas na extrema-esquerda nos próximos tempos, acho que será a Venezuela: quando as contradições entre os trabalhadores revolucionários e a burocracia estatal chavista se exacerbarem, seram interessante ver como as várias extremas-esquerdas (e as esquerda em geral) reagirão.

Ainda sobre "tumultos"

Monday, October 01, 2007

É giro assistir...

O Prémio "Nobel" da Economia

No post anterior (e no título deste) pus "Nobel" entre aspas por uma razão: é que não existe nenhum "Prémio Nobel da Economia"!

Existe é um prémio, atribuido pelo Banco da Suécia, no mesmo valor que os Prémios Nobel, que é entregue na mesma cerimónia, que também tem "Nobel" no nome (os outros chamam-se "Prémio Nobel", este chama-se "Prémio em Memória de Alfred Nobel") e a que, claro, toda a gente chama "Prémio Nobel".

Sugestões de leitura

Could the UAW buy GM?, um artigo discutindo a possibilidade hipotética de do sindicato da indústria automóvel comprar a General Motors:

"there are obvious advantages to the union owning the company – it would be very unlikely to go on strike, for starters. And there wouldn't be a conflict between shareholders wanting to maximize dividends and workers wanting to maximize earnings."

Bleakonomics, um artigo de Joseph Stiglitz (Prémio "Nobel" da Economia de 2001) acerca do livro "The Shock Doctrine" de Naomi Klein:

"Klein is not an academic and cannot be judged as one. There are many places in her book where she oversimplifies. But Friedman and the other shock therapists were also guilty of oversimplification, basing their belief in the perfection of market economies on models that assumed perfect information, perfect competition, perfect risk markets. Indeed, the case against these policies is even stronger than the one Klein makes. They were never based on solid empirical and theoretical foundations, and even as many of these policies were being pushed, academic economists were explaining the limitations of markets — for instance, whenever information is imperfect, which is to say always."

A minha solução para o caso Esmeralda/Ana Filipa

Para já a menina devia ficar com aquele casal - não porque eles tenham qualquer direito a ficar com ela (não têm - são os principais culpados de todo este imbróglio) mas apenas porque seria uma grande confusão para a Esmeralda/Ana Filipa/Isabel agora mudar completamente de vida. O casal devia ser também obrigado a indemnizar o pai por "danos morais" e o Estado pela confusão que criou ao sistema de justiça. A menina ficaria com o direito de, quando e se assim o entendesse, abandonar os "tutores" e ir viver com o pai (a minha previsão do que iria acontecer: aos 14/15 anos, na primeira crise de adolescencia, ela iria querer ir viver com o pai; ao fim de um mês, iria regressar aos Lagarto).

Já agora, relembro o que escrevi sobre o assunto e também os textos de Luis Aguiar-Conraria sobre o "usucapião".

Sunday, September 30, 2007

Solidariedade com a Birmãnia

Petição às Nações Unidas e ao presidente da China (o rpincipal apoiante da Birmânia) para que façam parar a repressão.

[Duvido que o Presidente chinês vá ligar muito, mas pronto, também não custa nada subscrever]

Seringas nas prisões

No Diário de Noticias, Alberto Gonçalves escreve "no que respeita às seringas nas prisões, o Estado estará, no limite, a fornecer ao heroinómano os meios para que continue a cometer o crime pelo qual foi condenado."

Atendendo a que o consumo de droga não é punido com prisão (apenas com multa, apreensão de objectos, proibição de andar em más companhias, etc.), de certeza que já ninguém está na prisão por se injectar (logo, alguém que se injecte na prisão não está a cometer o crime pelo qual foi condenado). Admito que Alberto Gonçalves se esteja a referir aos presos que foram condenados por fazerem assaltos armados com seringas, mas não sei se haverá muitos assaltos nas prisões (logo, que esses presos usem essas seringas para voltar a "cometer o crime por que foram condenados").

Marxismo e "regiões longinquas a tremer de frio"

No blogue da Atlântico, Bernardo Pires de Lima escreve "O marxismo é que jamais seria conivente com Sócrates. Aliás, a esta hora, Sócrates já estaria num região longínqua a tremer de frio. Se estivesse vivo, claro."

BPL poderia explicar em que parte da teoria marxista se fala em deportações para "regiões longinquas"? Em que livro de Marx ou Engels tal é abordado? Recorde-se que BPL apenas fala em "marxismo" (não em "leninismo", "luxemburguismo", "trotskismo", "estalinismo", "bordiguismo", "maoismo, etc.).

Recordando o passado

Alien and Sedition Acts, uma série de leis aprovadas nos EUA nos tempos de John Adams e Alexander Hamilton, alegadamente para proteger os EUA das acções da marinha francesa (nesse tempo, a França revolucionária estava em guerra com as monarquias europeias e o governo Federalista norte-americano simpatizava com estas, enquanto a oposição Republicana-Democrata - o actual Partido Democrático - simpatizava com a França).

Entre outras coisas, estas leis declararam ilegal "escrever, imprimir ou publicar" qualquer critica ao Presidente ou ao Congresso (criticas ao Vice-Presidente - cargo que era ocupada por Thomas Jefferson, da oposição - continuaram a ser legais). Também atribuiam ao Presidente poder para deportar qualquer estrangeiro que considerasse "perigoso".

Esta legislação suscitou grande oposição, e 1800-1801, quando Jefferson derrotou Adams nas eleições, todas as pessoas presas ao seu abrigo foram perdoadas e libertadas.

Os Estados prisionais

Número de presos por 100.000 habitantes (extracto; dados de 2006):


1014____Texas (in 1999) (governor George W. Bush)
1013____Louisiana (2001)
715_____United States of America (2001)
584_____Russian Federation
554_____Belarus
487_____Cuba
416_____Ukraine
402_____South Africa
388_____Singapore
267_____Namibia
253_____Tunisia
248_____Taiwan
210_____Poland
204_____Chile
194_____Iran
189_____Hong Kong (China)
178_____Czech Republic
177_____Greenland (Denmark)
176_____Jamaica
174_____Israel
173_____Libya
169_____Brazil
169_____Mexico
161_____New Zealand
158_____El Salvador
146_____Lebanon
142_____United Kingdom: England & Wales
129_____Portugal
126_____Colombia
125_____Republic of (South) Korea
121_____Egypt
119_____China
116_____Canada

Saturday, September 29, 2007

Informação sobre a Birmânia (II) - blogs locais

ko htike's prosaic collection

Burmese Daze

dawn_1o9's Xanga Site

Como a ligação informática da Birmania ao resto do mundo costuma ser desligada, imagino que estes blogs possam ficar facilmente desactualizados - apenas o primeiro tem entradas de dia hoje, 29 de Setembro.

Informação sobre a Birmânia

Lutas laborais na India e leis "anti-xenofobia"

Na cidade indiana de Bangalore, vários grupos locais têm tentado denunciar as más condições de trabalho numa fábrica de vestuário local (tendo feito essa campanha, não apenas na India, mas também estabelecendo contactos com activistas no Ocidente). O tribunal local proibiu-os de continuar a sua campanha e não ficou por aí - lançou um processo contra 7 apoiantes da campanha na Holanda, alegando, entre outras coisas, que criticar as condições de trabalho nas fábricas na India era uma "actividade xenófoba e racista".

No geral concordo com este comentário do Molly'sBlog:

Molly Note:
If the reader looks again at the list of charges he or she will notice the "racist and xenophobic" part. Molly has always opposed any and all laws putting limits on freedom of speech no matter what their "good leftist, progressive intentions". Far too many so-called leftists see nothing wrong with such attempts to legislate social morality and in fact are quite supportive of them. If, however, you fail to see the immorality of such laws you might be persuaded that they are a bad idea because they provide ever ready tools for others to use for purposes that you don't agree with. The actions of the Indian courts are hardly the only example or even the last of 10,000 examples from across the world. In other words if you can't support freedom from the basis of morality you might consider supporting it from the basis of practicality.

[No entanto, convém distinguir entre leis punindo discursos racistas - às quais, em principio, sou contra - com leis punindo mais severamente crimes cometidos com motivação racista: aí, já acho que faz sentido punir mais severamente um assassínio ou uma agressão se forem feitas com motivação racial, seja quias forem as raças envolvidas]

Uma análise de classe às eleições no PPD/PSD

O candidato do "pequeno capital" (Menezes) derrotou o candidato da aliança entre o "grande capital" e a "classe média" (Mendes).

Os representantes puros e duros do "grande capital" (Borges, Ferreira Leite e as "terceiras vias") ficaram a ver.

As coisas parecem estar a aquecer na Venezuela

Herido de bala trabajador petrolero en Anzoategui en movilización en defensa del contrato colectivo petrolero

El hecho sucedió la mañana de este jueves 27 del corriente mes, cuando los trabajadores petroleros del estado Anzoátegui se movilizaban hacia el edificio de la Corporación Venezolana de Petróleo (CVP), que agrupa a las empresas mixtas, para hacer entrega de su reclamaciones, exigencias y opiniones sobre las discusión del contrato colectivo petrolero al ministro Rafael Ramírez, quien haría acto de presencia en esta entidad. Los trabajadores fueron reprimidos por la policía del estado Anzoátegui con bombas lacrimógenas y balas, con el lamentable resultado de un trabajador herido de bala por la espalda, no se sabe el estado de salud actual del compañero trabajador pero se tiene conocimiento, que al momento del traslado al centro de asistencia medica iba en condiciones delicadas.

Ante este hecho abominable, al mejor estilo represivo de la Cuarta República, los trabajadores petroleros del país, exigimos al Ministro de Interior y Justicia Pedro Carreño, que de una explicación al respecto ya que como él mismo señalaba en recientes declaraciones a los medios de comunicación nacional que “la política de gobierno venezolano en materia de seguridad no podía ser represiva”, porque sí lo es para con los trabajadores que se movilizan en defensa de sus derechos elementales como el de gozar de un contrato colectivo digno.

Entre tanto los trabajadores petroleros de Anzoátegui, hacen un llamado al resto de los trabajadores al servicio de la industria y demás sectores del aparato productivo privado y al servicio del Estado, a movilizarse en repudio a este tipo de acciones represivas, contrarevolucionarias y que coartan el derecho a la legitima protesta del movimiento organizado de los trabajadores en defensa de sus derechos.






"Repudiamos el brutal atropello a nuestros compañeros petroleros de Anzoátegui": Iván Freites, dirigente petrolero de Falcón

Stalin Pérez, de la UNT / CCURA y editor de Marea Clasista: Repudiamos la represión a los trabajadores petroleros

Orlando Chirino rechaza categóricamente represión a los trabajadores petroleros en Puerto La Cruz

"Con represión nos retribuyen a los que producimos la riqueza del país y defendimos a PDVSA en el paro golpista", afirma dirigente sindical petrolero de Puerto La Cruz

Apoyo internacional a los trabajadores petroleros reprimidos por la Policía de Anzoátegui

Sindicalistas del sector público condenan agresión policial contra trabajadores petroleros anzoatiguenses

"Los noticieros de VTV deben abrirse también para las víctimas de la represión a los trabajadores petroleros, no sólo para el Ministro y la policía", afirma dirgente sindical

Sitrapetrol del Estado Bolívar, se solidariza con los petroleros de Anzoátegui

Ministro Rafael Ramírez repudió incidente ocurrido con trabajadores en Anzoátegui

Qué ironía!!!... el jefe de la policía que reprimió a los petroleros ayer, vive en las residencias de la meritocracia golpista

Medios alternativos, en solidaridad con los trabajadores petroleros, proponen jornada nacional contra la "criminalización de las luchas del pueblo"

La UNT de Cojedes repudia represión contra trabajadores petroleros en Anzoátegui

Para os antecedentes, ver aqui, aqui e aqui.