Sunday, October 26, 2008

"Purgatório"

João Pereira Coutinho no Expresso:

"O episódio é interessante porque revela o quadro mental em que a esquerda usualmente chafurda. Creio que foi Roger Scruton quem o resumiu na perfeição: quando um "conservador" critica um "progressista", ele parte do pressuposto que o adversário está errado. O critério é epistemológico, não ético. Mas quando um "progressista" critica um "conservador", o julgamento é moral; e o adversário, um simples inimigo. Naturalmente que existem todas as excepções do mundo. Mas as excepções confirmam a tese: o pluralismo não entra na cabeça de uma esquerda moralista e intolerante. Foi precisamente essa arrogância moral da esquerda, a que se junta uma óbvia falta de sentido de humor, que fizeram de mim uma pessoa à direita."

JPC deve ser das tais excepções que ele fala - é que toda a critica que ele faz à esquerda nesta passagem, incluindo a razão que ele dá para ser de direita (não gostar da "arrogância moral" e da "falta de sentido de humor" da esquerda) é uma critica moral (ele critica a atitude moral das pessoas de esquerda, não a validade ou não das suas ideias).

Ou então esta passagem de JPC desmente-se a ela própria.

3 comments:

Filipe Abrantes said...

É o estilo Mainardi. Pouco rigor, muito estilo. Tipo arcade.

O mais engraçado é que se a esquerda, com as mesmas ideias, não fosse "arrogante" moralmente e caso tivesse "sentido de humor", o JPC até seria de esquerda (ele diz bem que foi "precisamente" esses dois factores que o fizeram de direita).

O Expresso tem colunistas geniais.

Filipe Abrantes said...

De tudo o que JPC escreve, percebe-se que é um estatista (critica tanto os "liberais" pelo "extremismo" como os "esquerdistas" pelo abuso do estatismo). Mas qual a grande diferença qualitativa entre ele e um esquerdista estatista (aqueles que ele constantemente critica)? Nenhuma, a não ser o gosto quanto à acção do Estado. Ora, estatismo por estatismo, acho que é preferível um estatismo que tente restabelecer algum equilibrio económico "à força" do que um que se concentre em apoiar sectores ao gosto das elites (artes clássicas, indústria de defesa e segurança, grandes obras públicas_que_relançam_a_economia, restauração do património, caridade de má consciência, etc). Sempre é um estatismo mais nobre.

agitador said...

que critica brutal.. estou mesmo a reconsiderar para a direita.
eu que nem tenho falta de humor.