Wednesday, June 22, 2011

A felicidade causa o suicidio?

Happiest places have highest suicide rates:

Countries and U.S. states that rank near the top in happiness also rank near the top in suicides rates, U.S. and British researchers suggest. (...)


Canada, the United States, Iceland, Ireland and Switzerland each indicate relatively high levels of happiness levels, but also high suicide rates. Nevertheless, the researchers note that because of variation in cultures and suicide-reporting conventions, the findings are only suggestive.

Comparing happiness and suicide rates across U.S. states presents an advantage because cultural background, national institutions, language and religion are relatively constant nationwide.

States with people who report they are generally more satisfied with their lives tend to have higher suicide rates. For example, Utah is ranked first in life-satisfaction but has the ninth-highest suicide rate, while New York is ranked 45th in life satisfaction but has the lowest suicide rate in the country.

6 comments:

Francisco said...

Não sei se a felicidade causa o suicídio, mas o suicídio causa a felicidade: se os infelizes se suicidam, o índice de felicidade da população aumenta. :)

João Vasco said...

Credo, apesar de tudo a taxa de suicídio é suficientemente baixa para podermos rejeitar esse factor como significativo.

Eu vejo três boas razões para que esta relação ocorra:

a) quando se está infeliz por alguma razão (morte de um familiar, desemprego), a sensação pode ser agravada - segundo li num estudo, porque é contra-intuitivo - pelo facto das pessoas à volta estarem felizes. Imagino que isto só aconteça quando a infelicidade é muita, porque de resto estar rodeado por pessoas felizes tenderá a aumentar a felicidade do próprio.

b) as condições que levam a maior felicidade para uma sociedade muitas vezes estão relacionadas com uma maior liberdade para tomar a decisão de se matar. Menos preconceito religioso, por exemplo.

c) (a principal, a meu ver) numa sociedade menos próspera aquilo que acontece é que antes de chegarem ao ponto de se suicidarem as pessoas podem passar por uma fase de «vender a vida barata». Como existe escassez, tendem a aceitar trabalhos perigosos (legítimos ou criminosos), nos quais podem ou sair da situação desesperada em que se encontravam ou morrer (por causa do trabalho perigoso), sem que a morte seja considerada suicídio.

nuno vieira matos said...

Antes de tentar relacionar com as causas sociais seria bom perceber os próprios indicadores. Enquanto se pode considerar a taxa de suicídio como um indicador objectivo (ou quase, já que podemos ter diferentes critérios para contagem), o indicador de felicidade poderá basear-se num conjunto de factos que não sejam de facto relacionáveis (PIB por si não pode ser um indicador de felicidade, etc.). Em resumo, o indicador de felicidade mostra realmente o quê?

Francisco Burnay said...

Baixos níveis de lítio na alimentação e água explicam as duas coisas.

Nesse caso espera-se que o número de diagnósticos de doença bipolar esteja correlacionado com esses países de forma análoga.

João Vasco said...

Nuno Vieira Matos:

É evidente que o PIB por si não é um indicador de felicidade. Verifica-se alguma correlação (nem tão elevada como isso: tome-se o caso de Portugal e do Brasil..) entre os indicadores, é só isso. Mas ninguém disse que era.

Sobre como medir a felicidade, um artigo algures aqui (eu agora não me recordo qual) http://www.springerlink.com/content/tg71777862u3/?p=7bef7157326a4311a78f48d4448f9902&pi=1 mostra como existe uma correlação altíssima entre as respostas a questionários sobre felicidade elaborados de determinada forma e uma série de indicadores fisiológicos (tais como quantidade de certas hormonas associadas à felicidade (seratonina? creio que era mais que uma..), frequência do movimento involuntário de certos músculos associados ao sorriso, etc...) e outros indicadores, sugerindo que, ao contrário daquilo que se poderia pensar, podemos ter uma confiança razoável nesse tipo de inquéritos.

PR said...

Os indicadores de felicidade normalmente referem-se à felicidade "self reported". A pergunta que normalmente é feita é: "Tendo em conta a sua experiência de vida global nos últimos [inserir período temporal], quão satisfeito/feliz está com a sua vida?". A escala varia entre 0 e 10.

Como isto é muito subjectivo, normalmente desvaloriza-se o nível das respostas e dá-se mais atenção à variação do nível em cada população. [Exemplo curioso: o paradoxo de Easterlin faz-se sentir em níveis muito diferentes em diferentes sociedades: nos suecos a felicidade é muito alta, e nos japoneses é muito baixa]