Wednesday, November 21, 2007

Ainda acerca de software

Não consigo perceber as quotas (entre os visitantes do blog) do Firefox 1 (21%) vs. o Firefox 2 (1%) - atendendo a que o download é fácil e grátis, que o FF 2 já existe há mais de um ano e que quem se deu ao trabalho de ir buscar o FF 1 (em vez de ficar com o IE), em principio, teria também a motivação e os 'skills' necessários para ir buscar o FF 2, não seria de esperar que uma proporção muito maior de Firefoxs fossem da versão 2? Compare-se com o IE, em que a proporção de utilizadores da versão 7 (21%) é quase metade da dos da versão 6 (52%).

Open Office

Sou só eu que acha o OpenOffice um atraso de vida?

Admito que talvez seja uma questão de "dependencia de caminho" (i.e., se me tivesse habituado ao OpenOffice, acharia o MSOffice um "atraso de vida"), mas acho que não (se fosse assim, também preferiria o IE ao Firefox, o que não é o caso).

Tuesday, November 20, 2007

Abuso sexual de bicicletas

No Reino Unido, é crime.

Mais um gráfico do preço do petróleo

Na sequência dos vários gráficos que foram feitos comparando o preço do petróleo em euros, em ouro ou em valores reais, venho apresentar um gráfico comparando o preço do petróleo com o ordenado de uma (ou um) telefonista da administração pública.

Os valores foram calculados dividindo o preço do petróleo em dólares pelo preço do euro em dólares e voltando a dividir o resultado pelo ordenado base de uma telefonista da função pública que tenha entrado ao serviço a 01/01/1999 e tido uma "progressão de escalão" - i.e., uma diuturnidade - a 01/01/2002 , sendo os valores corrigidos para 1-Janeiro-1999 = 1 (confesso que tanto as fontes como a metodologia foram plagiados a Luis Aguiar-Conraria).

Não sei se não será um melhor indicador que os outros - afinal, mais importante do que quantos euros, dólares ou lingotes de ouro custa um barril de petróleo, acho que é o custo do barril de petróleo comparado com o rendimento disponível (poder-se-á argumentar que a maior parte das pessoas não compra barris de petróleo, mas compra produtos derivados).

Seja como for, as conclusões não me parecem muito diferentes dos outros gráficos - um aumento continuado, mas com muitos altos e baixos (e parece-me que o grande aumento não foi o actual, mas sim em 1999/2000).

Monday, November 19, 2007

Liberdade de imprensa

Toda a gente fala, uns da Venezuela, outros de Espanha. E a Georgia?

Friday, November 16, 2007

Thursday, November 15, 2007

Cooperativas

Dois posts de Chris Dillow:

Análise aos exames do Secundário (mais um post...)

Eu já tinha dado esta série por encerrada, mas pelos vistos isto tornou-se um vicio (podia ser pior...), pelo que vou fazer mais um post.

Agora, decidi calcular uma regressão, não para os exames de Matemática, mas para todos os exames (menos os do estrangeiro e 2 exames que não tinham indicação de idade) - 398.179.

Assim, a cada disciplina (menos "Matemática A/Matemática", sobre a qual incidiram os anteriores cálculos) atribuí uma variável dummy. Não utilizei a variável "Número de exames" e estive para utilizar uma variável indicativa que o aluno era externo à disciplina mas fez pelo menos um exame como interno a outra (mas a correlação - negativa - com a variável "Interno" era tão grande que decidi ignorá-la).

Como 398.179 linhas não cabem numa folha de Excel (que só tem 65 mil e tal linhas) e como descobri que não tinha o TSP gravado no disco e que a disquete que nos foi distribuida nas aulas de econometria (para aí em 1994) já não estava totalmente legível, o cálculo acabou por ser feito em gretl.

Como havia uma correlação de 0,58 entre "Interno" e "ParaAprovação" e de -0,6 entre "ParaAprovação" e "ParaMelhoria", optei por deixar a variável "ParaAprovação" de fora.

Resultados:

VARIÁVEL COEFICIENTE ERRO PADRÃO T




const 77,18 0,63 122,54
Privado 5,78 0,19 30,42
poder_compra 0,08 0,00 60,15
Interno 14,27 0,14 104,30
Fase -1,04 0,13 -7,81
ParaMelhoria 20,02 0,16 122,50
ParaIngresso 11,77 0,33 35,72
Sexo 0,45 0,12 3,74
Idade -0,88 0,02 -36,68
E_Filosofia 27,41 0,90 30,36
E_Latim -15,22 4,85 -3,14
E_Portugues 11,04 0,83 13,32
E_Psicologia 11,40 0,34 33,36
E_Portugues239 26,59 5,40 4,93
E_Frances317 -0,12 16,36 -0,01
E_GeomDescritiv 22,71 0,76 29,70
E_Ingles450 80,71 25,86 3,12
E_Alemao501 37,99 1,68 22,61
E_Frances517 34,82 1,69 20,57
E_Espanhol547 61,24 2,23 27,44
E_Ingles550 62,56 1,17 53,24
E_Biologia 16,19 0,30 53,67
E_Fisica -26,97 0,64 -41,92
E_Geologia 0,32 0,69 0,47
E_Historia -3,53 0,34 -10,23
E_Portugues639 13,53 0,20 68,91
E_Quimica 5,81 0,40 14,45
E_Alemao701 26,40 1,67 15,81
E_BiologiaGeolo -8,74 0,22 -40,31
E_Informatica 12,19 1,03 11,84
E_Desenho 28,87 0,51 56,81
E_GeometriaDesc -1,37 0,44 -3,14
E_Economia 12,67 0,33 38,21
E_Filosofia714 16,98 0,65 26,19
E_FisicoQuimica -14,96 0,22 -69,14
E_Frances717 40,66 7,32 5,55
E_Geografia 13,23 0,31 42,49
E_HCArtes 2,58 0,66 3,92
E_Latim732 12,58 1,66 7,57
E_Literatura 9,98 1,27 7,88
E_Matematica735 -8,75 0,42 -20,77
E_Espanhol747 47,98 2,99 16,04
E_Frances817 10,66 1,18 9,02
E_Matematica835 17,36 0,42 41,24
E_Ingles850 38,62 1,14 33,82


Média da variável dependente = 97,0871
Desvio padrão da variável dependente = 39,859
Soma dos resíduos quadrados = 5,32535e+008
Erro padrão dos resíduos = 36,5729
R-quadrado não-ajustado = 0,158181
R-quadrado ajustado = 0,158088
Estatística-F (44, 398134) = 1700,24

[Os valor referentes a "E_Frances317" - "Francês (iniciação -bienal)" - e "E_Geologia" não são significativos estatisticamente, mas inclui-os à mesma]

Comparando com os resultados apurados só para Matemática, temos que:

- O efeito da escola privada mantêm-se sensivelmente o mesmo: cerca de 6 décimas de valor

- O efeito do poder de compra concelhio reduz-se para cerca de metade (regressando ao exemplo de Portimão e Monchique, a diferença passaria a ser cerca de meio valor)

- O efeito da idade reduziu-se um bocadinho

- Como eu já esperava, o factor "Sexo" mudou de sinal: agora são as raparigas que tendem a ter mais 5 centésimas de valor que os rapazes

- No factor "Interno" parece ter havido uma alteração: em vez de mais 3 valores e 8 décimas, neste cálculo os alunos internos tendem a ter apenas mais 1 valor e 4 décimas; no entanto, como eu suprimi a variável "ParaAprovação" (que originava uma descida de 2 valores e 2 décimas) e muitos "Internos" também são "ParaAprovação" e vice-versa (foi exactamente por isso que suprimi a variável), provavelmente reside aí a diferença

Para uma análise por disciplina:


Variável coeciente
Descrição Anos
E_Ingles450 80,71
Inglês (iniciação -bienal) 12.º
E_Ingles550 62,56
Inglês (continuação -bienal) 12.º
E_Espanhol547 61,24
Espanhol (iniciação -bienal) 12.º
E_Espanhol747 47,98
Espanhol (iniciação -trienal) 12.º
E_Frances717 40,66
Francês (iniciação -trienal) 12.º
E_Ingles850 38,62
Inglês (continuação -trienal) 12.º
E_Alemao501 37,99
Alemão (iniciação -bienal) 12.º
E_Frances517 34,82
Francês (continuação -bienal) 12.º
E_Desenho 28,87
Desenho A 12.º
E_Filosofia 27,41
Filosofia 12.º
E_Portugues239 26,59
Português / Português B 12.º
E_Alemao701 26,40
Alemão (iniciação -trienal) 12.º
E_GeomDescritiv 22,71
Desenho e Geometria Descritiva A 12.º
E_Matematica835 17,36
Matemática Aplic. às Ciências Soc. 11.º
E_Filosofia714 16,98
Filosofia 11.º
E_Biologia 16,19
Biologia 12.º
E_Portugues639 13,53
Português / Português B 12.º
E_Geografia 13,23
Geografia A / Geografia 11.º
E_Economia 12,67
Economia A / Introdução à Economia 11.º
E_Latim732 12,58
Latim A 11.º
E_Informatica 12,19
Aplicações Informáticas B 12.º
E_Psicologia 11,40
Psicologia 12.º
E_Portugues 11,04
Português A 12.º
E_Frances817 10,66
Francês (continuação -trienal) 12.º
E_Literatura 9,98
Literatura Portuguesa 11.º
E_Quimica 5,81
Química 12.º
E_HCArtes 2,58
História da Cultura e das Artes 12.º
E_Geologia 0,32
Geologia 12.º
(sem variável) 0,00
Matemática A / Matemática 12.º
E_Frances317 -0,12
Francês (iniciação -bienal) 12.º
E_GeometriaDesc -1,37
Geometria Descritiva A 11.º
E_Historia -3,53
História A / História B / História 12.º
E_BiologiaGeolo -8,74
Biologia e Geologia 11.º
E_Matematica735 -8,75
Matemática B 12.º
E_FisicoQuimica -14,96
Física e Química A 11.º
E_Latim -15,22
Latim 12.º
E_Fisica -26,97
Física 12.º

O coeciente indica a diferença esperada entre um exame nessa disciplina e um exame de "Matemática A / Matemática", se tudo o resto se mantivesse igual.

Concluo que as melhores notas são a línguas (a mim eram as piores - cheguei a ter um 20 a Francês, mas foi numa escala de 100), excluindo o Latim (o exame de "Desenho e Geometria Descritiva" do 12º também tem bons resultados - seria a esse que o Tarique se referia?)

Notas a este cálculo:

- Talvez calcular uma única regressão para todas as disciplinas não seja muito correcto: é possível que o efeito das várias variáveis seja diferente de disciplina para disciplina (não me admirava nada que isso acontecesse com a variável "Sexo")

- Talvez também não seja boa ideia por, à mistura, exames a disciplinas do 11º e do 12º ano (mas penso que diferenças entre os anos aparecerão como diferenças entres as disciplinas, não afectando o essencial do resultado)

- Não é de se excluir a hipótese de, ao passar os valores de um lado para outro e/ou ao transformar os "N/S" em "0/1" eu tenha trocado alguma coisa e isto esteja tudo mal, mas acho que não

Os dados que usei para calcular a regressão estão aqui, num ficheiro zip de 2,5 MB (deszipado são cerca de 47 MB).

Wednesday, November 14, 2007

Proibir a prostituição de rua? (II)

Um artigo de uma prostituta que trabalhou no Nevada, sob um regime semelhante ao proposto (no Nevada, os bordéis são legais mas não a prostituição autónoma): Working in Nevada.

Proibir a prostituição de rua?

O Diário de Noticias publica um artigo sobre uma petição que tem como objectivos expressos proibir a prostituição de rua e legalizar as casas de passe (à primeira vista, inverter a situação actual).

Atendendo que a petição pretende proibir um tipo de prostituição e legalizar outro, o título da notícia poderia perfeitamente ter sido "proibir a prostituição de rua: sim, não ou talvez?" em vez de "legalizar as casas de passe: sim, não ou talvez?" (será que a ideia é apresentar a petição como libertária em vez de como repressiva?).

E a formulação "proibir a prostituição de rua" até seria mais correcta do que a "legalizar as casas de passe", por uma razão - é que as "casas de passe" em si não são proibidas (logo, não faz sentido falar em legalizá-las) - o que é proibido é o "lenocínio" (i.e., a relação patrão-empregado aplicada à prostituição), independentemente da questão "prostituição de rua / casas de passe": é ilegal ser proxeneta de uma prostituta de rua e não é ilegal que várias prostitutas aluguem uma casa em conjunto para lá exercerem a sua actividade (é por isso que, no parênteses do primeiro parágrafo, está lá um "à primeira vista").

Tuesday, November 13, 2007

Será Chavez um ditador?

É uma boa questão.

Por um lado, foram-lhe atribuidos plenos poderes pela Assembleia Nacional (atravez de uma lei com o mesmo nome - "lei habilitante" - que conferiu plenos poderes a Hitler), o que é tipico de uma ditadura.

Além disso, todos os deputados pertencem a partidos pró-Chavez e a licença de uma televisão opositora não foi renovada.

No entanto, também é verdade que os "chavistas" só têm a unanimidade que têm (e que lhe permitiu aprovar a lei habilitante) porque a maior parte da oposição boicotou as últimas eleições (um dos poucos oposicionistas que concorreu disse que boicotar as eleições era marcar um autogolo); quanto à não renovação da licença da RCTV, confesso que não sei como isso funciona nos países europeus (e de certeza que funcionará de forma diferente em cada país): quando a concessão de um canal de televisão termina, o governo pode decidir, arbitrariamente, o que fazer com a frequência (renovar a concessão, concedê-la a outra estação, explorá-la directamente, etc.) ou isso é competência de outros orgãos (parlamento, alguma comissão independente)? Se for da competencia dos governos, então Chavez não terá feito nada que um governo "democrático" não tenha poderes para fazer.

Por outro lado, na Venezuela grande parte da imprensa e da televisão é afecta à oposição, o que não é muito normal em ditadura. E penso que as eleições que têm decorrido têm sido aceites como "justas" pelos observadores internacionais.

"Liberdade na educação"

Em primeiro lugar, esclareço que este post não uma critica aos blogs liberais, nem ao Forum para a Liberdade de Educação, já que não segui as posições deles sobre os assuntos que vou falar (e, à época, ainda nem se devia falar em blogs).

É uma critica, tão só e apenas, ao João Carlos Espada.

Há uns anos atrás, nos seus artigos no Expresso e no Público, JCE de vez em quando escrevia sobre o cheque-ensino e, por vezes, falava do caso de uma cidade norte-americana (não me lembro qual era, mas suspeito que fosse Cleveland) em que um programa de cheque-ensino havia sido cancelado por um tribunal federal, já que o município pagar a escolas religiosas iria contra a separação entre a Igreja e o Estado.

Eu até acho que o argumento da "separação entre a Igreja e o Estado" é o mais fraquinho contra o cheque-ensino (por essa ordem de ideias, se muitos desempregados dessem contribuições para a paróquia local, também se seria contra o subsidio de desemprego); no entanto onde quero chegar é a outro sitio: é que nunca vi JCE falar da tentativa do governo britânico para fechar Summerhill (para quem não conheça esse colégio, ver aqui ou aqui).

Ora, qual é a maior violação da "liberdade na educação" - o governo não pagar a frequência de escolas não-estatais ou o governo fechar uma escola não-estatal?

Monday, November 12, 2007

Um homem do "mas"?


Pelos padrões modernos, talvez: afinal, nos seus primeiros romances, passava uns parágrafos a dizer mal do capitalism e depois outros a dizer mal do socialismo (ou, pelo menos, dos socialistas); depois, na Homenagem à Catalunha, diz mal do franquismo, do fascismo e dos "burgueses", mas também do Partido Comunista; n' O Triunfo dos Porcos, (de forma implícita) numas páginas ataca o capitalismo e noutras a URSS. Ou seja, critica um dos lados, mas metendo sempre uma critica ao outro lado.

E penso que não tinha nenhuma "referência internacional" - acho que mesmo à Espanha libertária dos tempos da guerra civil ele tinha algumas objecções.

Percebi bem?

Bruxelas foi expulsa da Bélgica, como aconteceu a Singapura (expulsa da Malásia)? É isso?

Exames do Secundário

Para os leitores que venham cá à procura da análise ao exames do 12º ano de matemática, o post com as conclusões principais é este (clicando na etiqueta "rankings e análise", têm todos os posts sobre o assunto) - vejam também o post do Tiago Mendes, que faz algumas observações aos meus posts.

Saturday, November 10, 2007

Monty Python - Holy Grail

Roubado ao Sismógrafo:

Retransmissão

Artigo publicado noutro blog acerca da situação dos professores das AEC:

"As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram algo tortas e, como diz a sábia voz do povo, «aquilo que nasce torto, tarde ou mal se endireita».

Não querendo tomar a parte pelo todo, não me atrevo, para já, a juntar-me ao exército, que tem visto as suas fileiras engrossarem, daqueles que diabolizam as AEC. Apesar de não ser novidade para ninguém que me conheça que não concordo com o modelo adoptado nem com os objectivos (se é que estes existem) que estas se propões alcançar. Todavia, posso afirmar, convictamente, que este modelo contribui para o empobrecimento dos professores envolvidos no projecto.

A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.

O que sei é que há gente a vivenciar situações dramáticas. Um amigo disse-me que não sabe se o dinheiro que ainda lhe resta será suficiente para o combustível que lhe permita deslocar-se às várias escolas em que trabalha. Aqui está outra aberração: contratam imensa gente e depois atribuem apenas 12 horas a cada professor, horas distribuídas por distintos locais, obrigando a várias deslocações diárias.

Se não expusesse esta situação vergonhosa e lamentável hoje, tenho a sensação de que nem dormiria em paz. Outros há que estão, dado o adiantado da hora, tranquilamente a sonhar com a cabeça na almofada. Enquanto isso, muitos fazem das tripas o coração, encetando majestosos malabarismos, para fazerem face às necessidades básicas do quotidiano.
Que vergonha!!!"

O cheque-ensino

Nomeadamente impulsionados pelos rankings que apresentam alguns colégios privados no topo das classificações, há quem defenda o chamado cheque-ensino (i.e., o Estado pagar às famílias dos alunos que frequentam o ensino privado uma verba equivalente ao que gastariam no público). Para já diga-se que essa questão é independente do resultados dos exames: há argumentos a favor do cheque-ensino que fazem sentido mesmo que o ensino privado não seja melhor que o público, e há argumentos contra que fazem sentido mesmo que o ensino privado seja melhor que o público.

Mas, antes de me pronunciar sobre isso, seria conveniente saber-se de que se defende com o cheque-ensino, nomeadamente:

- Se as escolas privadas integradas nesse sistema poderiam cobrar propinas adicionais ao valor do cheque;

- Se essas escolas poderiam fazer selecção de alunos;

- Se esse cheque seria para toda a gente, só para quem tivesse menos que certo rendimento, só para quem tivesse certas notas, etc.

- Se continuaria a haver escolas públicas (acho que até agora, ninguém defendeu a sua abolição, mas nunca se sabe...)

Tal como nos "rankings", também aqui os detalhes são importantes: p.ex., se as escolas privadas, além do cheque, cobrarem propinas adicionais, isso significa que continuariam a ter um público de classe média, logo o cheque-ensino acabaria por funcionar como um subsidio a essa classe, reduzindo a verba disponível para a escola pública, que continuaria a ser frequentada pelos grupos mais desfavorecidos.

Continuando a análise


Resultado:

N 55.667

R2 0,14

F 1.137,49









variável:
desvio t
Nº de exames 0,01 0,00 5,89
poder compra 0,12 0,00 23,45
Sexo -1,23 0,30 -4,06
ParaIngresso 12,14 0,99 12,29
ParaAprov -20,29 0,35 -58,16
Interno 24,65 0,36 69,33
PubPriv 2,92 0,49 5,92
Idade -1,95 0,08 -23,81
C 103,87 1,99 52,30

Comparando com o resultado a que cheguei lá atrás, temos que:

- A influencia da variável "poder de compra concelhio" diminui um bocadinho - de 0,16 para 0,12

- A influencia da variável "Para Ingresso" também diminui - de 17,37 para 12,14

- A influencia da variável "Interno" diminui bastante - de 38,21 para 24,65

- A influencia da variável "Publico/Privado" (contra o que eu esperava pela análise dos percentis) também diminui - de 5,9 para 2,92

Mas, sinceramente, não sei se esta regressão (com 15% das observações excluidas) terá grande valor.

Friday, November 09, 2007

Agora estou assustado

No post sobre as escolas secundárias de Portimão, escrevi «Outra coisa que reparo é que, embora a diferença entre as escolas seja parecida com o previsto pelo modelo, ambas têm, em valor absoluto, notas inferiores ao previsto. Haverá algum factor comum a Portimão que faça baixar as notas (se calhar algo "a partir do meio de Maio já não apetece ir às aulas")?».

Mais a brincar do que a sério, fui experimentar essa variável (a escola ser no Algarve) e não é que a variável é significativa e negativa? Ou seja, há mesmo um efeito de, sendo tudo o resto igual, um exame feito no Algarve tende a ter menos um valor (numa escala de 20) do que um feito noutra parte do pais:

N 65.491

R2 0,20

F 1.800,5





variável:
desvio t
Algarve -9,57 0,94 -10,19
Nº de exames 0,01 0,00 7,43
poder compra 0,17 0,01 31,32
Sexo -1,72 0,33 -5,15
ParaIngresso 17,25 1,04 16,56
ParaAprov -21,90 0,39 -56,03
Interno 38,35 0,38 100,96
PubPriv (a) 5,37 0,55 9,82
Idade -2,32 0,08 -28,05
C 90,32 2,04 44,18