Saturday, July 02, 2011

O argumento anti-deflação: adiamento do consumo

Porque é que este argumento (o de que em deflação de preços, o consumo é adiado) não é aplicado ao investimento com juro?

Deter moeda cujo poder de compra aumenta alegadamente causando o adiamento do consumo por causa da expectativa de baixa de preços (aumento do poder de compra) não é equivalente a não consumir investindo a prazo com uma expectativa de rendimento de um juro real positivo?

5 comments:

Francisco Burnay said...

Porque é mais óbvio que não faz sentido?

Diogo said...

Mas é equivalente. Quem é que diz que não?

João Vasco said...

No segundo caso o capital do agente que não investe é canalizado para um agente que investe através dos bancos.

No primeiro caso isso não ocorre.

Se pensarmos que haverá muito investimento quando a perspectiva de rentabilidade é superior ao juro cobrado, percebemos que - isoladamente - uma diminuição dos juros tende a resultar em mais investimento. Assim, se mais poupança e menos consumo tem o efeito de diminuir a procura agregada e dessa forma a perspectiva de rentabilidade, tem por outro lado o efeito de aumentar a oferta de moeda e por essa via diminuir os juros. Saber qual destes efeitos será mais importante já dependerá caso a caso das circunstâncias particulares da situação.

Mas quando os juros estão num valor residual, já não é possível diminuírem - os juros cobrados pelo banco não podem ser negativos. Nessa situação mais poupança e menos consumo terá um efeito adverso na procura agregada, mas não terá um efeito positivo na diminuição dos juros.

Há uma assimetria bastante clara.

Francisco Burnay said...

Na perspectiva de deflação, o investimento a prazo perde o interesse, certo. Mas isso só é mau para os bancos, porque os consumidores vão consumir de qualquer forma.

Nem todo o consumo procura simplesmente antecipar a inflação...

Propagar a ideia de que a deflação é, em geral, má para a Economia é a decisão mais racional dos gestores dos depósitos a prazo.

João Vasco said...

Francisco: quando injectas moeda o consumo aumenta e quando destróis moeda o consumo diminui, porque os agentes não têm uma percepção imediata do novo valor da moeda.

Mas o pior ainda é o adiamento por parte dos investidores. Esse tenderá a criar desemprego, que poderá levar a uma diminuição do consumo que por sua vez cria menos incentivos para investir, e por aí fora. E nem sequer existe a compensação de como há menos gente a investir então os juros diminuem o que estabiliza as coisas: neste caso os juros não podem diminuir abaixo de zero.