Wednesday, September 18, 2019

O consumo de carne e o aquecimento global - realidade ou mito?

Debunking the meat/climate change myth, por Eliot Coleman (Grist):

The UN report shows either great ignorance or possibly the influence of the fossil fuel lobby with the intent of confusing the public. It is obviously to someone’s benefit to make meat eating and livestock raising an easily attacked straw man (with the enthusiastic help of vegetarian groups) in order to cover up the singular contribution of the only new sources of carbon — burning the stored carbon in fossil fuels and to a small extent making cement (both of which release carbon from long term storage) — as the reason for increased greenhouse gasses in the modern era. (...)

If I butcher a steer for my food, and that steer has been raised on grass on my farm, I am not responsible for any increased CO2. The pasture-raised animal eating grass in my field is not producing CO2, merely recycling it (short term carbon cycle) as grazing animals (and human beings) have since they evolved. It is not meat eating that is responsible for increased greenhouse gasses; it is the corn/ soybean/ chemical fertilizer/ feedlot/ transportation system under which industrial animals are raised.
Duas observações:

Primeiro, perguntei a um amigo meu com formação em biologia e que percebe mais disto que eu, e ele é da opinião que o texto está correto mas acaba por não estar: a tese a produção e consumo de carne só por si não produz nenhum poluição (a pastagem absorve CO2 e as vacas expiram-no e fica tudo na mesma) e o mal é a sua produção em moldes industriais (com a alimentação a soja que leva as vacas a arrotarem metano e à destruição das florestas naturais, os combustiveis necessários para o transporte, os óxidos de azoto libertados pelos adubos sintéticos, etc.) está correta; mas acaba por estar incorreto na medida em que não será possível produzir as quantidades de carne atualmente consumidas sem ser através dos tais métodos industriais.

Outro amigo meu, que acho que é vegetariano ou coisa parecida, há uns anos começou por falar muito nos efeitos sobre o clima da produção de carne, e que seriam muito mais graves do que os da poluição por causa dos combustíveis; ao fim de alguns meses já andava a partilhar na internet textos a negar o aquecimento global - esta evolução parece-me representativa da tal confluência entre os vegetarianos e a indústria petrolífera: provavelmente a posição "os combustíveis fósseis são menos maus que a criação de gado" deve ter sido a porta de entrada para a escalada que acabou em "o aquecimento global é uma fraude" (a posição inicial com certeza levou-o a frequentar recantos da internet dominados pelos defensores da indústria petrolífera, que começam primeiro com a mensagem "temos antes que reduzir a pecuária" e depois começam com a mensagem negacionista).

4 comments:

Anonymous said...

vivam em paz e deixem os outros viver em paz. Querem comer só erva, andar a pé ou de bike, viver no meio rural, tomar banho 1 vez por semana, força, sejam felizes.
Agora parem de dar sermões diários a quem não partilha dos vossos medos, receios, extremismos de seita apocalíptica. A vida é demasiado curta para se viver em permanente pânico das alterações climáticas, a nova crença do deus natura.

Miguel Madeira said...

"vivam em paz e deixem os outros viver em paz."

Se existissem dois planetas habitáveis (e com facilidade das pessoas se mudarem de um para outro), isso seria possível (um dos planetas poderia ter regras mais de acordo com o principio da precaução e outro regras mais tolerantes, e cada um escolhia em que planeta queria viver; havendo só um, é impossível o "live and let live" neste assunto, já que é quase impossível as decisões de um individuo não afetarem os outros (nem que seja no sentido de submeter os outros a riscos que eles não querem correr).

João Vasco said...

Isso que dizes Miguel é certíssimo, mas não é só isso.

Eu votei "sim" no referendo sobre o aborto e votaria da mesma forma, mas acho completamente imbecil o argumento do meu lado da barricada no sentido de "mete-te na tua vida, se és contra o aborto não o faças, deixa os outros tomarem as suas decisões". É um argumento imbecil porque para quem faz campanha pelo "não" geralmente se olha para a situação como vendo um terceiro envolvido. E da mesma maneira que não devemos ignorar a violência doméstica porque "não é nada connosco", eles também não sentem que possam ignorar aquilo que, nalguns casos, lhes parece um homicídio, apenas porque não são eles a cometê-lo.

O mesmo se aplica à questão do vegetarianismo. Para muitos vegetarianos não comer carne não é uma questão de gosto, resulta da vontade de não provocar sofrimento ao que encaram como seres sentientes e inocentes. Nestas circunstâncias, faz todo o sentido que encorajem as pessoas a tomar a mesma decisão, não porque "saibam melhor que estas pessoas o que é que é melhor para elas" (que seria moralismo ou paternalismo), mas sim porque estão preocupados com o sofrimento animal.

Miguel Madeira said...

João Vasco, isto que escreves lembrou-me uma conversa que tive há dias no Facebook, penso que a respeito de uma notícia de que alguém se tinha passado do PAN para a IL; eu aproveitei para expôr a minha teoria (que numa versão mais rude já tinha expressado aqui) de que o animalismo é uma espécie de liberalismo alargado aos animais (enquanto o ambientalismo será uma espécie de social-democracia alargada à natureza).

Alguém pôs-se logo a dizer "não há nada de liberal em querer que os outros só possam comer aquilo que nós gostamos", ao que eu respondi algo como "pode-se argumentar que algumas tribos do Bornéu e da Amazónia estão a ser oprimidas por leis anti-liberais que os obrigam a só comer a comida que outros gostam", mas desconfio que quase ninguém percebeu (pelo menos um pessoa deve ter percebido, porque "sorriu")