Wednesday, September 12, 2018

Labour propôe participação dos trabalhadores na propriedade das empresas

McDonnell: Labour will give power to workers through ‘ownership funds’(The Guardian):

All private companies employing more than 250 people would have to set up “ownership funds” giving workers financial stakes in their companies and increasing powers to influence how they are run, under radical plans announced by Labour as it prepares for a possible general election within months.
[Via Chris Dillow]

Na Suécia, nos anos 70, houve um plano para fazer algo parecido (mas o eleitorado não gostou da ideia)

Friday, September 07, 2018

O "Deep State" e Trump

Lendo o tal artigo que alguém da administração Trump* publicou no New York Times, parece-me que o Deep State / Steady State está a tentar sabotar essencialmente o único ponto positivo de Trump (ser aparentemente menos belicista e militarista do que se esperaria de um Republicano), e de resto não têm grandes objeções a ele.

* Não sei porquê, lembrei-me de Franz von Papen

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

A concentração capitalista vai de vento em poupa

A respeito da redução do número de trabalhadores por conta própria em Portugal, Carlos Pereira da Cruz (CCz) escreve que "que em Portugal o número de trabalhadores por conta própria está a baixar, enquanto em todas as economias ocidentais está a crescer".

Será mesmo? Vamos ver os dados da OCDE , e comparar a percentagem de trabalhadores por conta própria nalguns países, em 2013 e 2017:


2013
2017
dif.
União Europeia16,52%15,54%-0,98
Zona Euro15,86%14,95%-0,91
EUA6,61%6,26%-0,35
Reino Unido14,58%15,36%0,78
Alemanha11,2%10,2%-1,00
França11,27%11,64%0,37
Itália24,82%23,2%-1,62
Portugal21,94%16,99%-4,95
Japão
(ocidental honorário)
11,51%10,4%-1,11

Com a exceção do Reino Unido e da França, nos principais países do OCDE parece estar a haver uma redução da proporção de trabalhadores por conta própria (ainda que não tão pronunciada como em Portugal - mas também é verdade que o nosso ponto de partida é mais elevado que a maioria dos outros); agora, de facto isto não contradiz o que CCz diz, já que ele se refere ao número de trabalhadores por conta própria, e não à proporção (e uma pequena redução na proporção acompanhada por um aumento do total de trabalhadores - como acontece num período de recuperação económica - provavelmente leva a um aumento do número absoluto de trabalhadores por conta própria) - no entanto, acho que a evolução da proporção é uma variável mais relevante que o número absoluto (que é facilmente afetado por outras variáveis, como o ciclo económico ou a evolução da população).

Ou seja, mesmo com a famosa gig economy mantêm-se a tendência histórica para o trabalho por conta própria diminuir; na verdade até diria que provavelmente a gig economy até fará essa redução na realidade ser maior do que mostram estas estatísticas, já que muitas pessoas que trabalham nesse sector estão inscritos como trabalhadores independentes mas na verdade têm muito de assalariados-com-outro-nome; um exemplo: há dias ouvi falar de um senhor que foi fazer uma entrevista para ir trabalhar para a Uber, e que acabou por, para trabalhar com eles, por ter que fazer sociedade com outro, porque sozinho não tinha disponibilidade para fazer os horários que eles queriam; antes de ouvir esta história, eu até julgava que os motoristas da Uber só trabalhavam quando queriam (ligando e desligando a aplicação à sua vontade) - mas afinal é-lhes imposto uma espécie de horário (ou seja, já são um tipo de semi-assalariados).

Leituras adicionais:

Thursday, September 06, 2018

Guatemala: auto-golpe em marcha?

El Moralazo es cuestión de tiempo. Jimmy desacata a la CC y prohíbe el ingreso de Iván Velásquez, por Gabriel Woltke:

El pasado viernes 31 de agosto Jimmy Morales retomó su batalla personal para sacar a la CICIG de Guatemala. Revivió todos los fantasmas de los golpes de Estado militares y sacó carros militares para intimidar a ciudadanos, organizaciones sociales, la misma CICIG y la Embajada de Estados Unidos.

El viernes anunció que no renovaría el mandato de la Comisión y que “no acataría órdenes ilegales” como preludio de que este despliegue de fuerza desmedido apuntaba a que buscaba algo más.
Sus defensores en redes sociales y la Fundación Contra el Terrorismo lo apremiaron a que “concluyera lo que empezaba” y al parecer, este 4 de septiembre ha decidido concretar su plan. (...)

La orden del presidente Jimmy Morales desobedece la sentencia del más alto tribunal del país, la Corte de Constitucionalidad, que tras frustrar su primer intento por expulsar a Iván Velásquez, le ordenó no interferir en el trabajo de CICIG.

Impedir que el comisionado ingrese al país es el obstáculo más grande que podría hace el presidente y desobedecer a la Corte de Constitucionalidad constituye un delito.

Solo hay dos salidas para salir de esta encrucijada.

Una es que la Corte de Constitucionalidad lo obligue a respetar sus decisiones, ordenando a los Ministros de Gobernación y Defensa que desobedezcan al Presidente.

Y la otra, la más probable, es que Jimmy Morales y sus ministros de Gobernación y Defensa desconozcan a la CC. Eso es un Golpe de Estado al mejor estilo del que intentó perpretar Jorge Serrano Elías en 1993.

Thursday, August 30, 2018

Re: O Bloco nada tem a dizer sobre a Venezuela?

N'O Observador, João Marques de Almeida pergunta se O Bloco nada tem a dizer sobre a Venezuela?.

Na verdade, não é muito difícil ver o que o Bloco tem a dizer sobre a Venezuela; é só ir ao Esquerda.net , p.ex.

Se eu percebo, a reclamação do João Marques de Almeida é por o Bloco não ser capaz de defender a Venezuela, apesar de lá haver mesmo um regime socialista; mas então a questão seria se a Venezuela é mesmo socialista, e aí é que a porca pode torcer o rabo, porque deve haver quase umas duzentas definições rivais do que é "socialismo"; p.ex., se definirmos socialismo como "uma sociedade sem Estado, sem dinheiro e sem trabalho assalariado", a Venezuela não será socialista, já que todas essas coisas existem na Venezuela (ou no caso do dinheiro, pelo menos existem pedaços de papel que são impressos com a intenção de serem usados como dinheiro) - assim, quando grupos como o Socialist Party of Great Britain fazem post scriptums dizendo que a Venezuela não é socialista estão totalmente correctos, já que o SPGB define "socialismo" como uma sociedade sem dinheiro e com a economia gerida democraticamente, condições que a Venezuela não cumpre. Da mesma forma, para um marxista-leninista radical, que defenda que quase tudo, tirando talvez micro-empresas unipessoaism seja nacionalizado, a Venezuela também não será socialista (já que grande parte da economia continua a ser, pelo menos nominalmente, privada).

Mas se isso é fácil para micro-grupos estritamente ideológicos, que têm uma definição rígida do que é "socialismo" e bem plasmada nos seus documentos ideológicos e sites na internet (e em que portanto é fácil verificar se um regime existente no mundo real é ou não socialista de acordo com a definição particular adotada por esse grupo), já é mais difícil para partidos como o Bloco de Esquerda, cuja plataforma ideológica é mais vaga, e onde cabem desde social-democratas (que só se distinguem dos do PS por discordâncias quantitativas - mais despesa pública e maior progressividade fiscal) até defensores de um "socialismo de conselhos operários" ou coisa parecida. No entanto, mesmo com essa enorme salganhada ideológica que é o BE, penso que é possível ver um fio condutor, nomeadamente a partir da críticas que as correntes que deram origem ao Bloco faziam aos antigos regimes da Europa de Leste (independentemente de terem começado a fazer essa crítica a partir dos anos 30 ou a partir de 1990): nomeadamente, a crítica principal era de que esses regimes não eram verdadeiramente socialistas (mas sim ou "capitalistas de estado", ou "estados operários com uma degeneração burocrática", ou algo assim) porque, embora os meios de produção pertencessem ao estado, esse estado não era controlado e governado pelo conjunto da sociedade (e nomeadamente pelo proletariado), mas sim por uma elite de "burocratas" que se havia assenhorado do poder político e, consequentemente, também do económico. Tal como já disse, esta crítica aos regimes comunistas realmente existentes (de que não basta estatizar a economia ou parte substancial dela, é preciso que a economia estatizada seja mesmo gerida pela coletividade e não por uma nova classe dirigente) pode ser subscrita por muita gente, desde defensores de uma democracia parlamentar com os sectores estratégicos da economia nacionalizados (estilo o Reino Unido durante os governos do Old Labour) até defensores de que as empresas e o estado sejam governados por delegados de plenários de fábrica, rotativos e revogáveis a qualquer instante.

Mas, se formos por esse critério, efetivamente a Venezuela também não será "socialista", já que lá o poder também não é exercido pelo conjunto da sociedade, mas por Maduro, Diosdado Cabello e os seus próximos; o que se poderá questionar é se há alguma diferença significativa face à era Chavez (em que o autoritarismo era menos aberto mas já era visível - e o fim da limitação aos mandatos deveria ter provocado algum alarme naquela esquerda que normalmente até anda sempre a evocar a rotatividade), quando grande parte do BE até parecia ter uma posição favorável à Venezuela (mas atenção que nunca foi um apoio inequívoco ou unânime, como por vezes é dado a entender - veja-se que, p.ex., o Luís Fazenda e os seus próximos também eram críticos do Chavez; aliás, curiosamente Bandera Roja, o mais parecido que há na Venezuela com uma "UDP", é e era um dos grupos mais ativos na oposição a Chavez/Maduro; sobre a posição das várias esquerda portuguesas face ao regime venezuelano, ver este meu post escrito em 2008).

Wednesday, August 29, 2018

As nossas primeiras recordações são falsas?

Surgiu recentemente um estudo dizendo que:

A comunidade médica acredita que o cérebro humano não está desenvolvido o suficiente para guardar memórias antes dos três anos de idade. Porque será, então, que tanta gente insiste em dizer que tem recordações de períodos anteriores a essa idade? Foi o que a Psychological Science tentou perceber.

As respostas dos participantes foram analisadas por idade, língua, conteúdo da memória e natureza da memória descrita. “Quando olhamos para as respostas, descobrimos que muitas dessas primeiras ‘memórias' eram frequentemente associadas à infância”, revelou Martin Conway, professor no principal centro para a memória da Universidade de Londres e co-autor do artigo, citado peloNew York Post.

Os investigadores concluíram que muitas memórias fictícias são construções da mente, uma espécie de bolo que mistura o que sabemos sobre os bebés e o que sentimos como quando éramos assim. Os cientistas descobriram ainda que as pessoas mais velhas tinham mais probabilidade de relatar falsas memórias.
Isto (e guiando-me apenas pela notícia do Sapo Lifestyle - o artigo mesmo está aqui) parece-me um bocado martelar os dados para se adaptarem à teoria - há a teoria de que o cérebro não se consegue lembrar de coisas antes dos 3 anos? Então isso quer dizer que todas as memórias anteriores aos 3 anos são falsas e vai-se tentar descobrir de onde vêm essas falsas recordações (pelo vistos nem se admite a hipótese da teoria estar errada, e lembrarmo-nos mesmo de coisas anteriores aos 3 anos).

Notas pessoais - eu "lembro-me" (ou julga que me lembro) de ter um ano e meio (e de dizer "eu tenho um ano e meio") e estar convencido que "um ano e meio" era menos que "um ano" (o que, a ser verdade, quereria dizer duas coisas - que a minha memória iria até a um ano e meio, e que mesmo nessa altura não iria até a um ano); em vim de Moçambique com 17 meses, e não me lembro de nada (nem de Moçambique, nem da viagem - e uma das minhas irmãs, mais velha dois anos que eu, também não se lembra de nada). Claro que é possível que a minha recordação de ter "um ano e meio" seja uma falsa recordação, ou então que eu já tivesse 2 ou 3 anos e ainda estivesse convencido que tinha um ano e meio.

Tuesday, August 28, 2018

"Sobre o Conteúdo do Socialismo"

Workers' councils and the economics of self-managed society, tradução, de 1972,  em inglês pelo grupo britânico Solidarity do artigo de Cornelius Castoriadis Sur le contenu du socialisme (inicialmente publicado nos números 17, volume III, julho - setembro de 1955 [pdf],  22, volume IV, julho - setembro de 1957 [pdf] e 23, volume IV, janeiro - fevereiro de 1958 [pdf] de Socialisme ou barbarie).




Monday, August 27, 2018

Heróis e criminosos de guerra