Transfusões de sangue jovem podem inverter envelhecimento (Expresso)
Elizabeth Báthory (Wikipedia)
Monday, May 05, 2014
Razão antes do tempo?
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Thomas Piketty
Se percebi bem o que tenho lido sobre o livro de Thomes Piketty, a sua tese central é que a riqueza acumulada pelas principais famílias capitalistas irá ser cada vez maior face ao conjunto da economia (se a taxa de remuneração do capital for maior que a taxa de crescimento da economia).
A minha dúvida é se essa compraração em que de um lado temos um stock (a riqueza dos capitalistas) e do outro um fluxo (o rendimento total da economia) fará sentido.
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Wednesday, April 30, 2014
Em 1941, a URSS optou por entrar em guerra com a Alemanha
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Tuesday, April 29, 2014
Preferência temporal
Grande parte da teoria económica parte do pressuposto que as pessoas preferem o consumo presente ao consumo futuro (e que têm que ter algum prémio - nomeadamente receber um juro - para estarem dispostas a adiar o consumo).
No entanto (largamente sobre a influência dos comentários neste post), ocorre-me se não será ao contrário - isto é, se o mais normal até não é preferir o consumo futuro ao atual.
Mais exatamente, o que eu suponho é que a maior parte das pessoas prefere ter um consumo equilibrado ao longo da vida (comer todos os dias em vez de passar alguns dias em jezum e outros a empanturrar-se; viver numa casa boa a vida toda em vez de metade da vida num palácio e a outra metade a dormir na rua, etc.). No entanto, se confrontados forçosamente com a opção entre "ter uma coisa hoje e não ter amanhã" e "não ter uma coisa hoje e já ter amanhã", muita gente (talvez a maioria?) preferirá a segunda, até pelo efeito psicológico da antecipação (no primeiro caso, o sabermos que amanhã já não teremos a coisa que estamos a usufruir hoje até diminui o prazer de termos esse bem; já no segundo caso, o sabermos que amanhã já vamos ter o tal bem até nos ajuda a suportar a privação hoje).
Note-se que isto que estou a dizer não invalida que continue (como sustenta a teoria tradicional) que é melhor ter 1000 euros hoje do que recebê-los só amanhã; mas a razão porque é melhor não é porque seja melhor gastar 1000 euros hoje do que só gastá-los amanhã - é porque recebendo os 1000 euros hoje posso gastá-los hoje, amanhã ou mais tarde, enquanto se os receber amanhã só os posso gastar amanhã ou mais tarde (ou seja, tenho menos possibilidades de escolha).
E isto também não invalida que seja mais desejável adquirir bens duradouros o mais cedo possivel - porque se eu comprar uma casa hoje em vez de só daqui a um mês, beneficio da casa já e continuo a beneficiar dela daqui a um mês (ou seja, quanto mais cedo eu comprar um bem duradouro, em principio mais tempo beneficio dele - aqui a opção já não é entre "ter uma coisa hoje e não ter amanhã" vs. "ter uma coisa amanhã e não ter hoje", mas sim entre "ter uma coisa só amanhã" vs. "ter uma coisa hoje e amanhã"). A minha tese aplica-se apenas a bens que se "gastam".
Mas, mesmo que isto que estou a dizer seja verdade, não sei se terá alguma implicação.
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Thursday, April 24, 2014
O Direito Natural à luz de Deus, de Kant e de Henrique Raposo
Na sexta-feira passada, Henrique Raposo narrou no Expresso a evolução das suas convicções sobre a fonte do "direito natural".
Conta Raposo que durante muito tempo a sua base filosófica para defender o direito natural era Kant. No entanto, a dada altura concluiu que faltava algo a Kant - nomeadamente a que a sua ideia de direitos naturais derivadas da razão deixava de fora aquelas pessoas que, por qualquer motivo, não têm (ou ainda não têm, ou já não têm...) pleno uso da razão: crianças pequenas, deficiententes mentais, alguns idosos, etc.
Assim Henrique Raposo acabou por chegar à conclusão que a filosofia de Kant não serve como base para o direito natural, e que só Deus pode ser essa base.
Poderia-se discutir se Deus também serve para base do direito natural - afinal, com tantas versões diferentes do que é a palavra de Deus, ou mesmo sobre quem é o verdadeiro Deus, defender uma dada versão do direito natural baseada em Deus está em última instância dependente do que se escolhe acreditar sobre o que é a palavra divina.
Mas o meu ponto é outro - basicamente, HR trocou Kant por Deus porque acha que com Kant não era possível chegar às conclusões a que ele (HR) queria chegar. Mas então isso quer dizer que HR primeiro definiu a sua visão do que deve ser o direito natural (neste caso, um direito natural em que recêm-nascidos, idosos dementes, etc. tâm direitos) e depois foi à procura de um sistema de pensamento que permitisse justificar esse direito natural. Mas, se é assim, isso quer dizer que HR não vai verdadeiramente buscar o direito natural nem a Deus e nem a Kant (ele escolheu, primeiro Kant, e depois Deus, como justificativos de um direito natural em que ele já acreditava previamente). Não - a verdadeira fonte justificativa do direito natural para Henrique Raposo é... Henrique Raposo ele próprio: se ele anda - ou andou - a escolher e rejeitar justificações para o direito natural até encontrar uma que as conclusões batessem certo com a sua visão do justo e do injusto, isso quer dizer que ele foi buscar o direito natural à sua consciência, não a Kant ou Deus.
Generalizando, podemos concluir que o conceito de um "direito natural" provavelmente tem a sua origem num sentimento intuitivo do que é justo ou injusto, certo ou errado, quase de certeza derivado da nossa programação genética como animais sociais (aliás, estudos parecem indicar que os chimpanzés também terão algo parecido com um sentido de justiça).
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Tuesday, April 22, 2014
Friday, April 18, 2014
Mobilidade social
Ontem à noite, a SIC (se não estou em erro) passou uma espécie de cruzamento de dois documentários - por um lado, uma série de entrevistas que em 1974 Maria Filomena Mónica fez a crianças da escola primária, de várias classes sociais, onde lhes perguntava sobre a família, sobre o que queriam ser quando fossem grandes, etc (penso que a ideia base desse documentário era comparar estilo de vida e as aspirações de crianças de meios distintos e a partir daí fazer um reflexão sobre a igualdade de oportunidades); por outro, em 2004, a sua filha Sofia Pinto Coelho foi entrevistar essas ex-crianças com mais 40 anos em cima e ver qual tinha sido o seu percurso - uns saíram da sua classe de origem (para cima ou para baixo), outros ficaram mais ou menos no mesmo meio.
Para começar, houve uma coisa que me chocou - depois de mostraram a entrevista de um aluno do Colégio Francês, filho de médico e que queria ser médico, referiram que ele agora era vendedor de automóveis e que se recusou a ser entrevistado. MFM comentou que a mobilidade também pode ser para baixo e depois disse o que eu achei chocante - que nem todos conseguiam manter o estatuto dos país, porque, apesar de tudo, não eram só os país que contavam; era sempre preciso "esforço e determinação". Mas quem é ela para insinuar que o senhor foi para vendedor de automóveis e não para médico por não ter "esforço e determinação"? Ainda mais que nem sequer houve entrevistas "adultas" com ele (logo não é possivel saber o seu percurso). P.ex., eu quando andava na primária queria ser detective, militar, garimpeiro e alguma coisa na área da zoologia (já não me lembro bem, mas acho que tudo ao mesmo tempo) - não fui nenhuma coisa dessas, mas não foi porque me tivesse faltado o "esforço" e a "determinação"; foi porque me comecei a interessar por outras coisas. Da mesma maneira, o referido senhor pode não ter ido para médico simplesmente porque perdeu o interesse em ser médico, não porque não tivesse "conseguido". Não sei porque motivo ele foi para vendedor de automóveis em vez de para médico, e MFM também não sabe, logo deveria abster-se de fazer comentários que juízos de valor implícitos.
Mas não era aí que eu queria chegar - só só eu que acho irónico que, para um documentário à volta do tema da igualdade de oportunidades e da mobilidade social, a primeira parte tenha sido feita pela mãe e, quarenta anos depois, a parte final pela filha?
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Wednesday, April 16, 2014
Previsões para as eleições europeias
Atualizadas semanalmente, com base nas sondagens:
Wenn an diesem Sonntag Europawahl wäre: Prognose für das Europäische Parlament, no Der (europäische) Föderalist
Sim, a página e o blogue são em alemão, mas os quadros com as previsões conseguem-se perceber em qualquer língua (até porque os grupos parlamentares são identificados pela sigla inglesa).
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O gato Orlando
Investments: Orlando is the cat's whiskers of stock picking (Observer/Guardian, janeiro de 2013):
The Observer's panel of stock-picking professionals has been undone in our 2012 investment challenge by a ginger feline called Orlando who spent time paw-ing over the FT.
The Observer portfolio challenge pitted professionals Justin Urquhart Stewart of wealth managers Seven Investment Management, Paul Kavanagh of stockbrokers Killick & Co, and Schroders fund manager Andy Brough against students from John Warner School in Hoddesdon, Hertfordshire – and Orlando.
Each team invested a notional £5,000 in five companies from the FTSE All-Share index at the start of the year. After every three months, they could exchange any stocks, replacing them with others from the index.
By the end of September the professionals had generated £497 of profit compared with £292 managed by Orlando. But an unexpected turnaround in the final quarter has resulted in the cat's portfolio increasing by an average of 4.2% to end the year at £5,542.60, compared with the professionals' £5,176.60.
While the professionals used their decades of investment knowledge and traditional stock-picking methods, the cat selected stocks by throwing his favourite toy mouse on a grid of numbers allocated to different companies.
[Via Jacob Goldstein e Noah Smith]
Aproveito para relembrar uns posts antigos, de 2008:
- Kika, gestora de ativos financeiros
- Mercados financeiros - informação intercalar
- Balanço dos investimentos da Kika
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O caso Brendan Eich (II)
Brendan Eich and the New Moral Majority, por William Saleton (Slate):
Many self-styled liberals are celebrating Brendan Eich’s resignation as CEO of Mozilla. They say the company had every right to remove Eich for supporting a 2008 referendum campaign against gay marriage. It’s a matter of free enterprise and community standards, they argue. (...)
That’s the argument: Each company has a right—indeed, it has a market-driven obligation—to make hiring and firing decisions based on “values” and “community standards.” It’s entitled to oust anyone whose conduct, with regard to sexual orientation, is “bad for business” or for employee morale.
The argument should sound familiar. It has been used for decades to justify anti-gay workplace discrimination. (...)
[T]he rationales for getting rid of Eich bear a disturbing resemblance to the rationales for getting rid of gay managers and employees. He caused dissension. He made colleagues uncomfortable. He scared off customers. He created a distraction. He didn’t fit.
It used to be social conservatives who stood for the idea that companies could and should fire employees based on the “values” and “community standards” of their “employees, business partners and customers.” Now it’s liberals. Or, rather, it’s people on the left (...) in their exhilaration at finally wielding corporate power...
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Tuesday, April 15, 2014
Friday, April 04, 2014
O caso Brendan Eich
Recentemente houve uma espécie de polémica por a Mozilla Corporation ter nomeado Brendan Eich (o inventor do Javascript e colaborador desde sempre dos projetos Mozilla) como CEO, que, há uns anos, apoiou uma campanha para revogar o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia; nomeadamente, o "site de encontros" OKCupid (usando, aliás, alguns argumentos que me parecem disparatados) tornou mais dificil aos utilizadores do Firefox acederem ao site, como forma de protesto. Em função da polémica, Eich acabou pr pedir a demissão.
O que dizer disto?
É tentador falar em "tirania do politicamente correto", mas tal tem dois problemas:
Em primeiro lugar, muitas das pessoas que adoram queixar-se da "tirania do politicamente correto" são defensores do direito à discriminação privada; ora, é um bocado contraditório defender o direito à discriminação privada e depois queixar-se de "tirania" quando essa discriminação privada é exercida num caso particular (possível contra-argumento: ser a favor do direito à discriminação privada não significa necessariamente ser a favor da discriminação privada). Claro que se pode argumentar que isso vale para os dois lados...
Em segundo lugar, não há particularmente nada de novo em alguém ser prejudicado na sua vida profissional pelas suas posições políticas - desde que eu me entendo, que sei que é comum os pais aconselharem os filhos a não se meterem em política porque "isso pode prejudicar-te no futuro"; conheço uma pessoa que foi do PCP nos seus vinte anos, e dizia que, por causa dessa passado, dificilmente alguma vez poderia ir trabalhar para um banco norte-americano; e naqueles livrinhos de "Como elaborar um Curriculum Vitae" costuma ser recomendado que se evite referências a atividades políticas. Ou seja, desde sempre que as pessoas com ideias controversas são prejudicadas a nivel de empregos, promoções, etc., pelas suas ideias. Por outras palavras, a "tirania do politicamente correcto" sempre existiu, e suspeito que até é muito mais leve hoje em dia do que era há umas décadas atrás (o que mudou foi que algumas ideias que antes eram "politicamente correctas" agora são "incorrectas" e vice-versa).
Mas será que a polémica à volta de Eich fez algum sentido? Acho que não - exatamente que mal Eich fez? Defendeu uma dada opinião? E depois - não têm direito a defender as suas opiniões, por mais impopulares que possa ser (e os defensores das minorias sexuais deveriam ser os primeiros a reconhecer isso)?
Uma coisa é protestar ou até fazer boicotes contra uma organização devido a práticas dessa organização: p.ex., se a Mozilla Corporation desse aos seus empregados casados com pessoas de outro sexo mais direitos do que os casados com pessoas do mesmo sexo, poderia fazer sentido uma campanha contra a Mozilla. Mas não é esse o caso - a polémica tinha a ver, unicamente, com as opiniões políticas do (por escassos dias) CEO, não com qualquer prática da organização.
Pondo as coisas de outra maneira, uma campanha ou um boicote é suposto terem por objetivo tornarem o mundo mais parecido com a nossa ideia de como seria um mundo ideal (não é - ou não deve ser - algo que se faz por simples expressão emocional...). Ora, qual era o objectivo social a atingir com a mini-campanha que foi esboçada contra a Mozilla?
- Uma sociedade em que os casais homossexuais não sejam discriminados? - mas a Mozilla não faz (nem ninguém alegou que fizesse) qualquer discriminação contra os homossexuais
- Uma sociedade sem preconceitos "homofóbicos"? - talvez, mas ninguém muda de ideias e opiniões por ser alvo de boicotes (pode mudar de comportamentos, mas não de ideias)
- Uma sociedade em que existem pessoas com posições socialmente conservadores, mas em que essas pessoas sejam discriminadas nos empregos e consideradas excluidas da "boa sociedade"? - parece-me que o objectivo era mesmo esse, mas não me parece um objetivo muito meritório (além de que me parece uma receita para um "backlash")
E, se se vai fazer campanhas contra empresas por causa de opiniões políticas dos seus funcionários, onde se pára? No CEO? Nos membros da administração? No porteiro? Imagino que os anti-Eich achem que o problema é só o CEO, já que nunca se incomodaram com os altos cargos que ele sempre teve na Mozilla, mas é díficil perceber uma linha lógica nisso.
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Tuesday, April 01, 2014
Traduções na wikipedia
Qual se percebe melhor - este artigo em galego ou a versão em "português"?
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Friday, March 28, 2014
Quem possui os clubes de futebol?
Football as a workers cooperative - or lack thereof, por Paul Walker, discutindo a ausência de cooperativas de futebolistas como modo de organização dos clubes de futebeol
But football clubs are already effectively owned by the players, por Tim Worstall, contra-argumentando que os clubes de futebol, independentemente da sua forma jurídica (empresas capitalistas, cooperativas de adeptos, etc.) são na prática cooperativas de futebolistas
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Thursday, March 27, 2014
Bitcoin Battle: Warren Buffett vs. Marc Andreessen
“A value of a BTC is not arbitrary, in fact it’s the opposite of arbitrary,” he says. “It equals the value of a single slot in a finite sized public cryptographic ledger through which value can move. The total Bitcoin ledger has value corresponding to the volume and velocity of transactions that will run through it in the future; by extension, each slot in the ledger has fractional value determined by the total number of slots (which, in Bitcoin’s case, are limited to 11 million today and 21 million ever).”
“So saying what Warren is saying is like saying ‘a car is great technology but it’ll never actually get anyone from point A to point B,” he continued. “Bitcoin is great technology BECAUSE it lets people get value from point A to point B through the public ledger; that functional use creates the value of the ledger, and a single BTC has a corresponding fractional value of the ledger.”
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"Repúblicas das bananas"
The American Conservative publicou um artigo com algum interesse sobre Airey Neave, um militar e político conservador inglês, assassinado (provavelmente por uma das cisões do IRA) em 1979.
No essencial, parece-me a biografia típica de um politico conservador inglês da velha guarda (de família aristocrática, aluno de Eton e Oxford, passou pelo exécito e foi uma espécie de herói de guerra da II Guerra Mundial, usualmente vestido a rigor, etc.).
No entanto há uma passagem que me despertou particular interesse, sobre os anos imediatamente anteriores à sua morte (e à subida de Thatcher ao poder):
Neave saw socialism as destroying Britain and didn’t see the Tory party of Harold Macmillan, Alec Douglas-Home, and Edward Heath as much of a bulwark against the tide. By the early 1970s the country had reached a state it is now difficult to imagine. In the final days of the Heath government inflation was running at more than 30 percent and rising fast. The pound had lost 70 percent of its value on the international exchanges in just three years. Basic living standards were deteriorating badly. Thanks to a protracted miners’ strike, at one point the entire country went onto a three-day work week in order to conserve electricity, and even then we all too often sat up at night in frigid rooms eating tinned Spam and reading flimsily printed newspapers by candlelight. There may have been no village in the Carpathians more primitive than London in the hangover years following the Swinging Sixties.
Airey Neave was not one to embrace the view that there was anything inevitable about Britain’s decline to banana republic status. Although a certain amount of educated guesswork has to apply here, it’s reasonably safe to say that he never fully abandoned his connections to the intelligence services, and he actively explored with a few like-minded individuals the possibility of engineering a limited right-wing coup in the years immediately before the Thatcher revolution. This went under the codename “Northern Command,” and Neave once allowed that there had been “some talk” of raising a private militia in order to enforce a “patriotic agenda … something to kick the political elites up the arse.”
Isso faz-me pensar o que é que as pessoas querem dizer quando usam a expressão "república das bananas", porque na verdade (pelo menos, de acordo com o significado original do termo) um "limitado" golpe de direita (mesmo que feito com o objetivo de travar o "Britain’s decline to banana republic status") seria exatamente a consagração da Grã-Bretanha como uma "república das bananas" (ou um "monarquia das bananas"...).
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Wednesday, March 26, 2014
Economia Comportamental (III)
Voltando a pegar no post de Chris Dillow que referi ali em baixo, nomeadamente nesta passagem:
One is that politicians themselves might be as prone to cognitive biases as the public. Indeed, it's possible that they are selected for such biases - because the overconfident are disproportionately likely to enter politics and because irrational consumers are likely to make irrational voters. The image promoted by behavioural economics (or its users) - of rational policy-makers operating upon irrational subjects - is therefore questionable.
Esse é um argumento muito usado contra a tendência para utilizar a chamada "economia comportamental" (isto é, a constatação que as pessoas nem sempre se comportam como os computadores humanos maximizadores de utilidade previstos nos primeiros semestres dos aulas de micro-economia) para justificar politicas intervencionistas - e parece fazer um certo sentido: afinal, se as pessoas são muitas vezes irracionais, os decisores politicos também serão muitas vezes irracionais, logo não faz sentido estar à espera que o Estado corrija a irracionalidade dos individuos.
O problema nesse raciocinio é que esquece que a "economia comportamental" pode ser usada para justificar o estatismo de duas maneiras:
a) "Se as pessoas fossem totalmente racionais, o mercado funcionaria perfeitamente. Como infelizmente as pessoas não são totalmente racionais, a regulação estatal é necessária"
ou
b) "Se as pessoas fossem totalmente racionais, a política que estamos a propor não funcionaria. Mas como felizmente as pessoas não são totalmente racionais, esta política vai à mesma funcionar"
Um exemplo do caso b) é a chamada "equivalência ricardiana": segundo muitos economistas, uma redução permanente de impostos ou um aumento permanente da despesa pública não aumenta a procura interna - os contribuintes, ao verem o deficit e a dívida a se acumular, vão assumir que mais cedo ou mais tarde a dívida vai ter que ser paga e vão começar logo a poupar dinheiro para quando chegar essa altura. Assim, o aumento do deficit público vai ser anulado pelo aumento da poupança privada. Os críticos da "equivalência ricardiana" contrapõem que a maior parte das pessoas não toma em conta o valor da dívida pública na altura de programar as suas despesas mensais (recorrendo simplesmente a regras empiricas do género "pôr metade do ordenado no banco e gastar a outra metade") , e portanto essa redução de impostos/aumento da despesa vai realmente aumentar a procura.
Ora, o argumento "se os individuos são irracionais, os políticos também são" faz sentido nas situações do tipo a), mas creio que não faz sentido nas situações do tipo b) - o caso b) apenas requer que os indíviduos não sejam racionais, não requer que os governantes sejam mais racionais que as pessoas comuns (na verdade, eu suspeito que uma política que, para funcionar, necessite que os individuos não sejam racionais, funciona ainda melhor se os governantes também não forem racionais, já que assim pôem a política em prática com mais convicção).
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Tuesday, March 25, 2014
O "precedente do Kosovo"
Os países ocidentais têm alegado a que secessão crimeia e a sua posterior anexação pela Rússia vão contra o "direito internacional".
O "direito internacional" é como a "constituição inglesa" - parte não está escrita e é uma coleção de precedentes, tradições, etc., e a parte que está escrita não está toda escrita no mesmo sítio, mas sim dispersa por vários documentos, actos, tratados, protocolos, etc.
Creio que o que está em dúvida na questão da Crimeia é mesmo a sua secessão da Ucrânia (penso que ninguém contesta que dois estados soberanos se podem integrar se assim o decidirem; a integração da Crimeia na Rússia só é contestada porque a independência da Crimeia é contestada); ora, não me parece que seja liquido que vá contra o "direito internacional" que um território proclame a sua independência, ainda mais na sequência de um referendo. Desde pelo menos o século XIX (ou talvez sobretudo desde o fim da I Guerra Mundial e os 14 pontos de Wilson) que me parece haver duas tendências potencialmente contraditórias no pensamento (e na retórica) dominante: por um lado, há o principio da soberania dos estados; por outra, há o principio do direito dos povos à auto-determinação (esses dois principios contraditórios são frequentemente englobados na designação "soberania nacional", o que ainda aumenta a confusão).
Muita gente (exemplo) tem escrito que o "precedente do Kosovo" abriu as portas ao referendo da Crimeia e impediu o Ocidente de ter uma posição coerente na questão. O que eu venho disputar é que exista verdadeiramente um "precedente do Kosovo", isto é, que haja alguma diferença significativa entre a independência do Kosovo e muitas outras independências que houve por aí. Também podemos ter:
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Etiquetas: Secessão
Monday, March 24, 2014
Economia Comportamental (II)
Ideology and behavioural economics, por Chris Dillow:
Tim Harford's brilliant essay on behavioural economics highlights an ideological bias in the way the subject is used.What I mean is that he presents it as "a hot idea for policy makers". This underplays two things.One is that politicians themselves might be as prone to cognitive biases as the public. Indeed, it's possible that they are selected for such biases - because the overconfident are disproportionately likely to enter politics and because irrational consumers are likely to make irrational voters. The image promoted by behavioural economics (or its users) - of rational policy-makers operating upon irrational subjects - is therefore questionable.The other is that there's an alternative use of behavioural economics. It could serve an educational function - of telling consumers what errors people commonly make, and of warning them against them. A lot of my day job is just this.In this latter context, the complaint some make against behavioural economics - that it is a "patchwork of sometimes-fragile psychological results" rather than general laws of behaviour - loses its force. If you're a policy-maker with a "predict and control" mentality you might want general laws. But if you just want to help others improve their decision-making, the knowledge that some/many people make a particular error in a particular context is useful enough.
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