Sunday, December 03, 2006

Eu não sou contra a aborto

Nem a favor.

Muita gente do campo do sim é contra o aborto, mas defende a sua legalização para diminuir o aborto clandestino.

É uma posição que tem a sua lógica, mas não é a minha. A minha posição é que, se uma mulher (antes do embrião ter actividade cerebral), pesando os prós e contras de ter um filho nessa fase da sua vida, com os prós e contras de fazer um aborto (incluindo os "contras" morais que ela possa ter), chega à conclusão que é melhor abortar (ou não), quem sou eu para me pôr a dar palpites sobre o que ela deve ou não fazer? Da mesma forma, também não concordo com as pessoas que, acerca de raparigas que ficam grávidas e têm filhos, fazem comentários do género "Grande parva. Em vez de ter resolvido logo a situação...".

Mais: nem sequer sei se sou contra o aborto clandestino - que eu saiba, ninguém do meu circulo mais chegado de relacionamentos alguma vez passou por uma situação dessas, e se tivesse passado talvez a minha opinião fosse diferente, mas, à partida, parece-me que o aborto clandestino é um mal menor - afinal, se mesmo com todos os perigos, há mulheres que recorrem a ele, isso quer dizer que a alternativa é ainda pior.

[Mas se calhar é melhor é não falar muito sobre o aborto porque, no referendo anterior, quando eu tentava converter indecisos ao "sim", muitos saiam da conversa inclinados para o "não" - ou seja, eu devo ser um argumentador muito mau nesta matéria; a sorte é que quase ninguém lê este blog]

5 comments:

aL said...

«se uma mulher (antes do embrião ter actividade cerebral), pesando os prós e contras de ter um filho nessa fase da sua vida, com os prós e contras de fazer um aborto (incluindo os "contras" morais que ela possa ter), chega à conclusão que é melhor abortar (ou não), quem sou eu para me pôr a dar palpites sobre o que ela deve ou não fazer?»

assino por baixo, Miguel, não poderia estar mais de acordo! ;)!

Danilo said...

As pessoas que admitem o aborto tendem a ser muito sensíveis ao argumento da liberdade da mulher.

Convido os amigos a lerem meu artigo "Aborto: liberdade ou tirania?", no blog da Família de Nazaré: http://familianazare.blogspot.com

No final das contas, o tema de fundo nesse debate é a nossa concepção de liberdade!

Nova Morena said...

Tens toda a razão em votar pelo sim, até porque nem todas as pessoas têm capacidade económica para fazer abortos clandestinos! Acho apenas que tudo deve ser feito de modo controlado, para que não haja abusos, até porque não é fácil para uma mulher decidir por uma situação destas!!! Não há ou há muito pouca gente, felizmente, que não fique psicológicamente afectada por impedir o nascimento de um filho, que está dentro de si| No entanto acho que deves repensar a tua posição, visto que, ao que me parece, não estás muito seguro dela?!

Miguel Madeira said...

"No entanto acho que deves repensar a tua posição, visto que, ao que me parece, não estás muito seguro dela?!"

No que diz respeito à legalização do aborto eu estou segurissimo da minha posição: sou 100% a favor.

Anonymous said...

Lamento, sinceramente, ter de lhe dizer isto - e hesitei bastante antes de escrever o comentário -, mas tendo chegado aqui após umas horas a ler e a discutir via msn sobre o assunto, indo de umas opiniões para outras, acabo por, após a leitura deste seu texto, ficar convencida de que devo votar não.

Como presumo que isto contribua para a sua "desgostosa" perplexidade, acho que a explicação pode ser esta: ninguém gosta de argumentos baseados no indiferentismo moral. No íntimo, até podemos conviver perfeitamente com eles, mas é bem mais fácil encontrar racionalizações do que ter de os assumir. E, francamente, eu não quero que os meus filhos cresçam num mundo em que seja normal uma atitude eticamente neutra perante o aborto.

p.s. - não foi apenas o seu post que me fez decidir, obviamente - foi mais a gota d'água; talvez ainda reveja a minha opinião, se for o caso, depois aviso-o. :)