Friday, December 21, 2007

A propósito de independências

Enquanto se fala na independência do Kosovo...


WASHINGTON (AFP) — The Lakota Indians, who gave the world legendary warriors Sitting Bull and Crazy Horse, have withdrawn from treaties with the United States, leaders said Wednesday.

"We are no longer citizens of the United States of America and all those who live in the five-state area that encompasses our country are free to join us," long-time Indian rights activist Russell Means told a handful of reporters and a delegation from the Bolivian embassy, gathered in a church in a run-down neighborhood of Washington for a news conference.

A delegation of Lakota leaders delivered a message to the State Department on Monday, announcing they were unilaterally withdrawing from treaties they signed with the federal government of the United States, some of them more than 150 years old.

Mas há aqui um certo paradoxo em irem pedir reconhecimento à embaixada de um país (a Bolívia) que está também em perigo de desagregação...


Adenda: procurando algo mais sobre o caso, não é claro se os sioux lakota proclamaram a independência (através, nomeadamente, das autoridades tribais eleitas), ou se foi apenas um grupo de autoproclamados "lideres". que o fez.

O caso dos porcos que morreram à fome

Neste caso que já foi muito falado, o que alguém devia ter feito era, pura e simplesmente, ter entrado pela suinicultura adentro (não haveria ninguém para o impedir, pelos visto) e tirar de lá os animais (nem que fosse para os "eutanasiar" a seguir) antes que eles tivessem morrido de fome e sede (e isto aplica-se também a um caso que deu na televisão há uns meses sobre vacas abandonadas num pasto). Note-se que, quando falo em "alguém", não me estou a referir às "autoridades", à Direcção-Geral de Veterinária, ou coisa assim - estou a falar mesmo de uma pessoa qualquer (ou de um grupo de pessoas, já que isso não me parece tarefa para um só).

Salário minimo

Continuando a discussão que vai aqui, aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui, alguns posts sobre o assunto:

Monopsony, de Duncan Black
Modern Labor Economics And The Minimum Wage, de David Altig (este post linka para uma porção de textos sobre o assunto)

Thursday, December 20, 2007

O que é "populismo" (II)

Partition within a partition

The Solution to the Kosovo Problem, por Ivan Eland (talvez fosse melhor chamar-lhe "a solution" do que "the solution"):

(...)

A greater problem may be the fact that many Serbs regard Kosovo as the cradle of their civilization. In the Middle Ages, Serbian civilization was centered in the province; Serbian religious and historical shrines remain there, including Gazimestan, the site of an important battle lost to the Turks.

History shows that nationalities often are less willing to trade off or substitute for land of such "intangible" value than they might be to trade economically or strategically valuable land. So the Serbs may feel compelled to fight over these sites. They have certainly been unwilling to acknowledge the independence of Kosovo, despite international pressure.

The Russians have hinted that in the partition of Kosovo from Serbia, Kosovo should also be partitioned, and the land with the Serbian shrines should be returned to Serbia. Predictably, the Albanian majority rejects this idea, because they want the biggest country possible. Less understandably, the U.S. and its European allies reject it too. They want to defend prior boundaries, contain Serbia, and play hardball with Serbia's Russian ally. This stance is unwise.

A more stable, long-term solution is to adjust the border so that Serbia can retain some – if not most – of these critical historical and religious sites. Although the new state of Kosovo would be slightly smaller, it would be more secure against its stronger Serb neighbor. (...)

Wednesday, December 19, 2007

Quizz das greves gerais - resposta

Em resposta à questão que pus ontem, o dia da semana para que é mais frequente serem convocadas greves gerais é terça-feira: desde o 25 de Abril, houve 2 greves gerais à terça (11 de Maio de 1982 e 10 de Dezembro de 2002), uma à quarta (30 de Maio de 2007), uma à segunda (28 de Março de 1988) e uma à sexta (12 de Fevereiro de 1982). Ao contrário da I República (em que uma greve começou a 16 de Junho de 1917), não têm ocorrido greves gerais ao domingo.

Claro, se estivêssemos a falar de greves apenas da administração pública (e não gerais), não me admirava nada que o estereótipo das sextas-feiras se confirmasse, mas dá muito mais trabalho ir verificar porque: a) são muitas mais; e b) é dificil distinguir as greves "a sério" das "greves" que são declaradas apenas para justificar a falta dos trabalhadores que vão a alguma manifestação.

Sites que me foram recomendados

Movimento Autogestionário
Núcleo de Pesquisa e Ação Cultural

Fascismos

O blogue da Atlantico publicita o livro de Jonah Goldberg "Liberal Fascism" (recorde-se que nos EUA "liberal" significa "social-liberal", e que aquilo a que nós chamamos "liberais" lá são "libertarians").

Jonah Goldberg também escreve outras coisas (no contexto da batalha interna dentro dos Republicanos):

A friend sends this quote of the day along:

Your debate with Beinart made me remember this great Evelyn Waugh quote. It'd be interesting to hear a Ron Paul acolyte respond to this point:

"It is in the nature of civilization that it must be in constant conflict with barbarism. Very few empires have been the result of a deliberate ambition. They have grown, inevitably, because it has been found necessary to expand in order to preserve what is already held. The French had to annex Algiers because it was the only way in which the Mediterranean could be made safe from pirates. Empire moves in a series of 'incidents,' and these 'incidents' mean that it is impossible for a country to live in isolation. Barbarism means constant provocation."

From "We Can Applaud Italy" (1935), in The Essays, Articles and Reviews of Evelyn Waugh.
Update: Just for the record, the above post does not, in fact, constitute an endorsement of Waugh's applause for Italy. I just thought the quote was interesting.

Sim, ele meteu lá o "update", mas é caricato que alguém que, num dia acusa os "liberais" de terem raizes fascistas, noutro dia ir citar um texto originalmente escrito a favor de uma politica de Mussolini.

Já agora, não sei se não será mais fácil encontrar laços entre o conservadorismo norte-americano e Francisco Franco (a começar por Brent Bozell, um dos fundadores da revista onde Goldberg escreve) do que entre o "liberalismo" e Mussolini.

Tuesday, December 18, 2007

Quizz

Para que dia da semana é mais normal, no nosso país, convocar-se uma greve geral (a questão é só para depois do 25 de Abril - as greves "duras" da I República ficam de fora)?

Darei a resposta ao fim do dia ou amanhã - até lá, quem quiser aventar hipóteses (na verdade, com o Google facilmente se chega à resposta correcta), sirva-se da caixa de comentários.

Monday, December 17, 2007

Violência doméstica, pulseiras electónicas e telemóveis

Parece que, em vez de colocar os acusados de violência doméstica com pulseira electrónica (para não se poderem aproximar das alegadas vítimas), vai-se passar a dar um telemóvel às vitimas para estas poderem facilmente chamar a policia se necessário (ver no Diário de Noticias de 17/12/2007 artigo - não on-line - sobre o assunto)

Não seria melhor ideia um spray de auto-defesa?

5 myths about torture

Sunday, December 16, 2007

Que aristocracia havia na Suiça (p.ex.)?

Segundo Henrique Raposo (suponho que a partir deste artigo, embora o link pareça não funcionar no seu post), os EUA são a primeira (e única) sociedade não-aristocrática do mundo.

Blackwater e os mercenários no Iraque

Passagem de artigo de José do Carmo na Atlantico:

Os mercenários actuais, profissionais bem pagos e bem geridos, suscitam escândalo e repugnância à “bempensância”.

Conviria porém ter presente que uma das razões pelas quais existem, é que não figuram nas listas de baixas militares e por isso os seus cadáveres não podem ser manipulados pelas agendas politicamente correctas.

(reparem que eu estou apenas a transcrever o artigo da Atlantico)

The IQ red herring

Post de Chris Dillow:

(...) why are many defenders of free markets so interested in IQ?

Leftists would reply that there's an ideological motivation at work - the belief that inequalities of income are legitimate if they can be shown to result from natural differences in IQ.

But I can't believe that this is the reason, because this is a howling error.

First, the correlation between IQ and earnings is low. This review (pdf) of the literature estimated that a on standard deviation difference in cognitive skills is associated with only a 10% difference in wages.

Such a small effect surely accords with common sense. You only have to look at you boss to see that the link between IQ and success is weak. Even if we ignore rent-seeking, height, beauty, luck and incentive-enhancing preferences (pdf), lots of things make for high earnings: hard work, creativity, interpersonal skills. And these have little relationship with IQ.

Dois comentários: ao contrário do que Chris Dillow escreve, não sei se "criatividade" não terá uma relação positiva o QI; por outro lado, tambem não me admirava se as "competências interpessoais" tivessem uma relação negativa com o QI, pelo que estes dois factores (se realmente se verificarem) talvez se anulem um ao outro.

Re: Autogestão escolar

João Miranda escreve no Diário de Noticias:

"Simplificando, os professores, os funcionários e os dirigentes de uma escola são agentes ao serviço do contribuinte."

Os professores, funcionários, etc. são agentes ao serviço dos alunos ou das respectivas familias, que não coincidem necessariamente com "o contribuinte". Exemplos:

Uma pessoa sem filhos que pague impostos - é um contribuinte, mas o sistema educativo não é suposto estar ao seu serviço (se se considerar que eu pago impostos - eu trabalho para uma instituição pública pelo que haverá quem ache que não - será esse o meu caso).

Aguém que tenha filhos a estudar mas não seja um contribuinte líquido (algúem que receba mais de subsidios do que pague em impostos) é um suposto benificiário do sistema educativo.

É verdade que este ponto não é muito relevante (até porque JM até diz que é "simplificando"), embora possa se tornar relevante noutro contexto - a gestão das universidades, onde por vezes se usa o argumento dos "contribuintes" para defgender uma maior governamentalização da gestão universitária e uma redução do poder dos estudantes.

Vamos agora ao que interessa:

"Mas quem actualmente manda na escola são os professores e os funcionários, que escolhem os conselhos executivos, e os burocratas do Ministério da Educação, que decidem o que é que os conselhos executivos podem fazer (...).

Um contribuinte que queira influenciar directamente uma escola, por exemplo, aquela que o seu filho frequenta, não tem meios para o fazer. Não consegue influenciar directamente a escola porque os funcionários e professores elegem os seus próprios chefes."

Os orgãos de gestão das escolas não são eleitos por professores e funcionários: são eleitos por professores, funcionários, pais e alunos. (no entanto, é verdade que aos professores e funcionários aplica-se a regra "um homem, um voto", enquanto que, no ensino secundário, para os alunos a regra é "uma turma, um voto" e para os pais "um ano, dois votos").

Friday, December 14, 2007

Re: Globalização e Estado garantia

Tiago Mendes (que, sinceramente, acho que devia abrir - ou re-abrir - um blog pessoal, mas ele lá sabe) escreve sobre a "Globalização e Estado garantia".


O seu argumento é de que, em principio, a globalização, nos paises desenvolvidos, origina "um aumento da sua riqueza média; um acréscimo das rendas auferidas pelos trabalhadores mais qualificados e donos do capital; uma subida do desemprego dos trabalhadores menos qualificados", o que justificariam um reforço do que chama o "Estado garantia".

No entanto, argumenta que tal não se aplica a Portugal, porque "(e)ntre o primeiro trimestre de 2005 e o segundo trimestre de 2007, o desemprego total aumentou 10.3%, verificando-se os aumentos, entre os que têm «o ensino básico ou menos», «o ensino secundário» e «o ensino superior», de, respectivamente, 4.2%, 15.1% e 63.3%. Noutros países europeus, a dinâmica é diferente", pelo que seria "ilegítimo, entre nós, defender um aumento do Estado Social apelando aos efeitos da globalização."

Há duas razões pela qual a "globalização" pode originar mais desigualdades sociais: há a razão exposta pelo Tiago Mendes - os paises mais desenvolvidos passariam a importar os produtos intensivos em trabalho pouco qualificada, logo o "preço" do trabalho pouco qualificado baixaria e as desigualdades aumentariam.

A outra razão é porque num mercado "global" o "prémio para os vencedores" é maior. Por exemplo, quanto mais global for o mercado de automóveis, maiores serão as vendas do maior fabricante de automóveis. No geral, quanto mais global for a economia, maiores serão os lucros das maiores empresas (ou das maiores empresas de cada ramo) e, provavelmente, os ordenados dos seus gestores de topo, quadros técnicos, etc. (o artigo de 1981 The Economics of Superstars - resumo aqui - aborda esse tema da concentração dos rendimentos em meia dúzia de profissionais nalguns ramos de actividade).

Esses dois efeitos têm resultados diferentes:

- o primeiro aumenta a desigualdade nos paíse ricos e diminui-a nos paises pobres; o segundo tende a aumentar a desigualdade em todo o sitio (como parece que está a suceder)

- o primeiro faz com que, nos países ricos, o pagamento do trabalho qualificado aumente e o do trabalho pouco qualificado diminua; o segundo efeito, tenderá, efectivamente, a aumentar os rendimentos de alguns trabalhadores qualificados mas o efeito principal será aumentar a desigualdade dentro dos trabalhadores qualificados (e, efectivamente, pelo menos nos EUA, não parece que, no geral, tenha havido um aumento significativo do rendimento dos trabalhadores qualificados - o crescimento das desigualdades deve-se, sobretudo, a enormes aumentos do rendimentos nos escalões mais altos do rendimento, estilo últimos percentis)

- na mesma linha do escrito acima, o primeiro efeito levará (nos paises ricos) a um aumento do emprego dos profissionais qualificados e a uma redução dos não-qualificados; pelo contrário, o segundo efeito até pode diminuir o empregos dos trabalhadores qualificados - se há fusões e aquisições entre empresas de várias empresas e países, a nova empresa até precisará de menos técnicos e gestores que as empresas originais (mas remunerando muito melhor os que ficarem).

Onde eu quero chegar com isto tudo - o aumento do desemprego entre os licenciados pode desmentir que esteja, entre nós, a ocorrer o primeiro efeito (ou seja, Portugal talvez seja mais parecido com os paises "pobres" do que com os "ricos"); no entanto, não desmente que possa estar a ocorrer o segundo efeito (a melhor maneira de tirarmos isso a limpo era ver se as desigualdades de rendimento em Portugal estão a diminuir ou a aumentar), logo, por si só, não invalida a tese que a globalização deve ser acompanhada por mais protecção social.

Kosovo, provincia sérvia viável?


Bem, e qual é a alternativa viável?

Manter a situação actual, que é quase como se fosse independente, mas com a diferença que o seguro do meu carro não é válido lá e que é mais dificil conseguir empréstimos de organismos internacionais?

Devolver o Kosovo à soberania sérvia? Iria ser bonito, a Sérvia a tentar voltar governar o território contra a vontade da maioria esmagadora da população (maioria essa com fácil acesso a armas) e dos orgão de governo local existentes.

A guerra da NATO contra a Jugoslávia, que deu origem a esta situação, foi um erro? Estou 110% convencido que sim - mas o que é que querem fazer agora? Viajar no tempo até 1997 para "desfazer" a guerra?

Thursday, December 13, 2007

Re: 3 biliões de pessoas vs. verdismo

"Isto é, para os asiáticos - que estão finalmente a crescer e a fazer sombra aos ocidentais -, a paranóia europeia com o ambiente é uma forma subtil de travar a ascensão asiática. Certos ou errados, é assim que eles pensam. E não há nada que os europeus possam fazer para alterar isso. Nada." (Henrique Raposo)

Vamos analisar essa questão no que diz respeito às emissões de CO2 (o assunto mais na berra em questões ambientais neste momento): parece que as emissões mundias são de 27.245.758 de toneladas por ano. Se fosse aprovado um esquema de redução das emissões globais para, digamos, 24.000.000, distribuidos entre os países pelo único sistema que me parece fazer sentido (i.e., proporcionalmente à população), a India (com 16,95% da população mundial) teria direito a emitir 4.068.000 toneladas de CO2 por ano. Como as emissões indianas actuais são de 1.342.962 toneladas, não vejo que objecções a India poderia ter a um sistema desses - na verdade, se esse direitos de emissão fossem transacionávéis, até seria um bom negócio para a India vender anualmente o direito a emitir 2.700.000 toneladas de CO2.

Há duas possiveis objecções ao meu argumento:

Por um lado, pode-se argumentar que a Europa e os EUA nunca aceitariam um sistema desses. Talvez não, mas o que Henrique Raposo dizia é que não há "nada" que a Europa possa fazer para convencer os asiáticos a adoptarem o "verdismo"; e o que eu digo é que até há algo que se poderia fazer para os convencer - se a Europa está disposta a isso é outra história.

Por outro pode-se argumentar que esse sistema não conveceria a China (que já polui mais ou menos em proporção à sua população). Possivelmente não, mas aí já não seriam "3 mil milhões de pessoas vs. o verdismo", mas apenas "mil e trezentos milhões de pessoas contra o verdismo", já um bocado longe de metade da população mundial (nota: em Portugal, "um bilião" = 1.000.000.000.000; não confundir com a palavra inglesa - sobretudo norte-americana - "billion", que significa 1.000.000.000).

Wednesday, December 12, 2007

Empresas ocupadas

Alguns links sobre empresas ocupadas pelos trabalhadores:

Fábricas Ocupadas (Brasil)
Frente Revolucionaria de Trabalhadores de Empresas em Cogestion y Ocupadas (Venezuela)
Sanitarios Maracay, empresa venezuelana que esteve 9 meses ocupada e gerida pelos operários
MOVIMIENTO NACIONAL DE EMPRESAS RECUPERADAS (Argentina)
Movimiento Nacional de Fabricas Recuperadas (Argentina)
strike-bike.de, fábrica bicicletas alemã que esteve em autogestão
I.8 Does revolutionary Spain show that libertarian socialism can work in practice? (sobre a Espanha da Guerra Civil)

E alguns posts que escrevi (isto é, muitos formam cópias) sobre os assunto:

"Fábrica salva por um euro já factura quase um milhão"
Fábrica de bicicletas ocupada na Alemanha, (II) e (III)
Já agora, em Portugal...
As empresas ocupadas na Argentina

Eleição

Como de costume, O Insurgente está a "eleger" os "melhores blogs de esquerda e de direita" (dentro de um conjunto pré-escolhido por eles). Neste momento, está a decorrer a votação para "melhor blog de esquerda": os pré-nomeados foram o Kontratempos (31 votos até agora), a Destreza das Dúvidas (27), o Vento Sueste (15), a Causa Nossa (11) e o Bicho Carpinteiro (6).

Tuesday, December 11, 2007

O horário de trabalho na Venezuela

Na Venezuela, o sindicalista de esquerda Orlando Chirino reivindicou que o Governo e o Parlamento, entre outas coisas, reduzissem o horário de trabalho.

O meu raciocinio a esse respeito: se Chavez apresentou uma proposta constitucional que incluia a redução do horário de trabalho de 8 para 6 horas (ou coisa parecida), é porque achou que tal era possível e justo. Logo, se Chavez acha isso possivel e justo, e o horário de trabalho pode ser alterado por lei ordinária, faz todo o sentido que ele promova essa alteração; se não o fizer, quer dizer que a redução prevista na reforma constitucional era apenas um suborno aos eleitores.

Poder-se-á argumentar "mas os venezuelanos, ao votarem Não, não votaram também Não à redução do horário de trabalho? Isso não é desvirtuar o sentido da votação passada?" - penso que não: aquilo que os venezuelanos rejeitaram foi meter as 6 horas de trabalho na Contituição, não que o Parlamento e/ou o Governo possam fazer uma lei ordinária estabelecendo as 6 horas (a actual Constituição venezuelana - e penso que as anteriores - já dá ao Estado poder para regulamentar o horário de trabalho).


Praia da Rocha (II)


Isto, se em vez de ser uma fotografia, fosse uma pintura, até estava gira, não?

Praia da Rocha



Isto deve ser um borralho (ou será uma rola-do-mar?).


Isto imagino que seja uma gaivota a afogar-se.

Suspeito que isto seja um pilrito-de-bico-comprido.


Estão ali uns espécimes quaisquer nas ondas - deve ser algum tipo de pato migratório, ou coisa assim...

Monday, December 10, 2007

Musica Natalicia

No espirito da quadra, pus ali ao lado uma musica natalicia dos Garotos Podres.

Saturday, December 08, 2007

LABOUR SOLIDARITY - ONE MORE DAY - ANOTHER CALL FOR STRIKING RUSSIAN FORD WORKERS


Since last week the online labour solidarity site Labour Start has been calling for solidarity messages from the world community to pressure the bosses both corporate and government to accede to the demands of striking workers at a Ford plant outside of St. Petersburg for decent wages and working conditions (see previous story here at Molly's Blog). The Russian workers are now calling for further solidarity. Their strike fund is running low, and they need donations to keep on struggling. What follows is the appeal from Labour Start for their case. You can donate by credit card. If the embedded link for the campaign doesn't work please go to the Labour Start home site (http://www.labourstart.org ).

"As we told you last week, Russian workers at a Ford factory near St. Petersburg have embarked on an historic strike. Nearly all strikes in Russia last a day or so. Labour laws in that country make it very difficult for workers to strike for more than a day. But this one has gone on for several weeks as Ford refuses to engage in meaningful bargaining. Your thousands of messages of support have been a real boost to the workers---but now they need something more. The Ford workers have asked Labour Start to help raise money for the union's strike fund---which is rapidly running out.

Workers all over Russia who have very little money to give have been generously donating. We now need workers from all over the world to reach deep into their pockets. We have learned that it costs US $20 per day to keep a Ford worker in Russia out on strike. The union is trying to pay 700 workers this amount every day. The union needs to come up with $14,000 every single day. That's a lot of money anywhere, but especially in a country like Russia.

There's a saying in the trade union movement---something along the lines of we can win a strike if we can last one day longer than the boss. That's what we need to do here. we need to help Ford workers last one day longer than the company, to keep the strike going on long enough to compel Ford to come to the bargaining table. If we do that it will send shock waves through the Russian trade union movement. It will mean that this historic strike has led to an historic victory.

Here's what I am asking us all to do.

Let's raise at least $14,000---to keep the strike going that one extra day.

Let's each donate at least US $20---more if you can---to the Ford workers special fund we've set up.

Every $20 pays for one workers to be on strike for one more day.

We want the union to see exactly how much we have given in real time and to make the process as transparent as possible, which is why we're using Chipin.

Please encourage your union to make a more substantial donation as well, and please spread the word.

I know I can count on you. Thanks.

Eric Lee"

Molly Note:

Molly has sent her Peters' Pence this way. Why is this struggle important ? It is a catalyst for the union movement in Russia, and the union movement may be the only reliable force that can hold back the oligarchs and the government of Putin from their drive towards authoritarianism and (the old lefty word) revanchism, to recover their former imperial glory. It is important for the peace of the world that Russia's new ruling class be confronted with an independent and strong union movement. Given the state of politics in the Russian Republic today it may be the only possible break on their ambitions. Back in the country where my mother was born they, like they do in the former Yugoslavia, take their "identity politics" in a deadly serious manner, unlike the juvenile academic and bureaucratic game that it is here in North America. The thing about unionism is that it transcends whether you are Russian, Chechin, Ingush, Kazak, Balkir, Tatar or whatever. It builds solidarity and cooperation across tribal identities. The present Russian population is being trained in ethnic hatred by its government. What they need as "counter-training" is the solidarity experience of unionism. Transnational solidarity is important here not just for the Russians but also as part of our own struggle to redefine leftism as closer to its original internationalism and further from the tribalism that infects so much of the left today. So sign up and give your pennies goddammit.

Afinal os Republicanos nos EUA não são sempre "though on crime"

The Historical Origins of Africa’s Underdevelopment


African historians have documented the detrimental effects that the slave trades had on the institutions and structures of African societies. (...)

In a recent paper, I explore empirically whether these detrimental effects of the slave trades can explain part of Africa's current underdevelopment.
1 I do this by first constructing estimates of the number of slaves taken from each country in Africa between 1400 and 1900. The estimates are constructed by combining data of the number of slaves shipped from each African port or region with data from historical documents reporting the ethnic identities of slaves taken from Africa.

If the slave trades are partly responsible for Africa's current underdevelopment, then looking across countries within Africa, one should observe that the parts of Africa that are the poorest today are also the areas from which the largest number of slaves were taken in the past. My research shows that this is indeed the case. (...)

An alternative explanation for the relationship is that the parts of Africa from which the largest number of slaves were taken were initially the most underdeveloped. Today, because these characteristics persist, these parts of Africa continue to be underdeveloped and poor. My research examines this alternative hypothesis by testing whether it was in fact the initially least developed parts of Africa that engaged most heavily in the slave trades. I find that the data and the historical evidence suggest that, if anything, it was the parts of Africa that were initially the most developed, not least developed, that supplied the largest number of slaves. (...)

Superstars and "talent"

Top bosses and film stars get multi-million pound salaries because talent is scarce. Everyone knows this. Which is a shame, because it's bull, as this fantastic paper by Marko Tervio explains.

Start from the premise that talent is initially unknown, and can only be revealed by working with expensive equipment. So, for example, we can only find out if a manager is any good if he's in charge of a big venture, or if an actor has box office appeal if he's in a mega-costly film. It is, therefore, very expensive to learn who's got talent and who hasn't.

What's more, people with talent cannot offer to share this cost with employers, either because of lack of cash or risk aversion: people don't pay for the chance to become bosses or film stars.

In these conditions, what's scarce isn't talent, but revealed talent. There might be loads of people with the ability to be film stars or bosses, but only a handful get the chance to show what they can do. Marg Helgenberger gets big money not (just) because she's a better, more popular or more beautiful actress than others, but because she's a proven quantity.

(...)

Ending de Arms Race

Texto de Chris Dillow:

(...)

a number of arms race-type behaviours cause us to work and spend more than we'd like, just to keep up with others; this is a red queen effect. For example:

1. If one person works long hours in order to signal his commitment to his firm, in the hope of winning promotion,
others hoping for promotion work long hours too, thus diluting the signal of commitment. The result is that everyone works longer than they'd otherwise like, for little purpose.

2. If others buy big 4X4s, we do too (pdf), to avoid being killed when one of them hits us.

3. Some goods - smart suits, bling, flash cars, expensively enhanced girlfriends - are status symbols. If our comparators buy them, we have to too.

These mechanisms can lead individually rational people to work harder and spend more than they'd like. The upshot is a society which is rich in aggregate, but unhappy.

What's the solution? Here, Maddy leaps to quickly to the need for state intervention. An alternative is a campaign of persuasion, to change people's perceived costs and benefits. We could point out that becoming boss or partner is no mark of excellence, but merely of the ability to jump through hoops like a trained dog. Being boss doesn't make you much happier, but merely exchanges one set of hassles for another. The good opinion of other people just doesn't matter. And there are satisfying alternatives to the scrabble to get ahead: quiet contemplation or the pursuit of excellence (or mere competence) in music or the arts. Those of us who have downshifted are generally happier out of the rat race. And then the media could counter the pretence that mere trinkets and baubles of frivolous utility are the secret of happiness.

(...)

Friday, December 07, 2007

Mais uns textos sobre a Venezuela

El derrotado fue el gobierno. Triunfaron el pueblo, los trabajadores y el proceso revolucionario, texto do "Movimiento por la Construcción de un Partido de los Trabajadores"

E, numa posição de "sinal contrário" ao texto anterior, A Revolução Venezuelana e o papel dos "esquerdistas", de Rui Faustino

Leitura recomendada

Thursday, December 06, 2007

"Vingança d’Ouro"

No Observatório do Algarve:

O vereador Manuel Ramos (CDU), que em 2006 denunciou um esquema de alegada corrupção na Câmara de Silves, foi processado pela construtora Viga d’Ouro, que se diz prejudicada com a denúncia. O Ministério Público já o constituiu arguido. Ironia suprema: quanto à alegada corrupção, ninguém é arguido, pois nada se sabe das investigações da PJ.

Como se faz aquilo do "Ler mais" no Blogger?

A explicação no Blogger parece dada por um professor adepto em extremo das pedagogias não-directivas ["No entanto, o link "Leia mais" está presente no modelo, dessa forma ele aparecerá independentemente de a postagem estar truncada ou não. (A modificação deste recurso funcionará como um exercício para o leitor.)"- negrito meu].

O método que eu uso - por exemplo, aqui - é este (depois de, no CSS, ter feito apenas as alterações que, na explicação, estão entre "CSS condicional" e "Links Leia mais" - isto é, alterei apenas o "style", mas não o "BlogItemBody"):


No entanto, penso que deve haver um método melhor, até porque este implica publicar o post antes e depois alterá-lo (para pôr o URL do post no sitio onde, no exemplo está "http://ventosueste.blogspot.com/2007/10/isto-apenas-uma-experiencia.html").

Note-se que o este método funciona como o Weblog - clicar no "Ver tudo" o que faz é abrir o URL dopost em questão, que aí se vê todo; pelo que vejo, na maioria dos blogs do Blogger o sistema é expandir o post, mas continuando a ver-se os outros posts.

Tentativa de cronologia do debate à esquerda

Matamos os hérois, tudo bem. Mas, e os líderes, deixamo-os a andar por aí? (Zero de Conduta)
> Chavez não é a minha via (Peão)
>> A democracia, tipologia de uma história? (Zero de Conduta)
>>> Idealizar a democracia? Vamos a isso (Peão)
>>>> Os acessores do Ministério (Zero de Conduta)

O público, o privado e o comum (Zero de Conduta)
>Bens comuns (Ladrões de Bicicletas)
>> O outro movimento operário (Spectrum)
>>> O outro debate politico (Zero de Conduta)
>>>> Debate? (Peão)
>>>>> Será o debate exequível? (Peão)
>> O post mais longo na história do ZdC, na esperança de noticias sobre uma greve geral que vai de Pequim ao Vale do Ave (Zero de Conduta)

As threads não são tão estanques como as representei aqui.

Debates à esquerda e à direita

Pelos vistos, tanto a esquerda como a direita blogosféricas estão em grande discussão.

À esquerda, temos Zé Neves e Rick Dangerous "contra" (por assim dizer) João Rodrigues e Hugo Mendes (concordo mais com os primeiros).

À direita, Tiago Mendes e Carlos Abreu Amorim "contra" grande parte da Atlantico e d'O Insurgente.

O debate à direita tem tido mais sangue, mas o da esquerda acho que mais substância (mas pronto, eu sou suspeito).

É possivel defender o direito a fazer algo que se é contra?

Claro.

Por exemplo, eu tenho uma profunda aversão a piercings faciais mas sou completamente a favor do direito a faze-los.

Mas vamos dividir isto em sub-hipoteses:

É possivel não gostar de piercings mas ser a favor do direito de os fazer?

Claro. É perfeitamente lógica a atitude de "quem gosta faz, quem não gosta não faz"

É possivel achar os piercings uma parvoíce mas ser a favor do direito de os fazer?

Claro; há uma importante diferença entre esta situação e a anterior (aqui, trata-se de um juizo intelectual, não estético, e estou a considerar a minha opção melhor que a dos outros) mas o resultado é o mesmo - eu posso perfeitamente achar que os outros têm todo o direito de fazer parvoices (como usar piercings).

É possivel achar os piercings imorais mas ser a favor do direito de os fazer?

Sim, já que é um facto que há montes de pessoas que defendem o direito a fazer coisas que reprovam moralmente (ocorre-me muitas situações em que defendo isso). No entanto, já não me parece uma atitude tão lógica (é por isso que a resposta não é "claro") - das duas uma: ou consideramos que usar piercings apenas diz respeito ao individuo que os usa, e aí, não vejo muito bem como é possivel fazer juizos normativos acerca do seu uso; ou consideramos que o uso de piercings diz respeito, não apenas a quem os usa, mas também à "sociedade", ou à familia, ou à escola, ou a Deus, ou lá o que fôr, e os argumentos a favor do direito de cada um livremente usar ou não piercings ficam muito enfraquecidos (continuam a existir, mas muito mais fracos).

[Como é óbvio, o "uso de piercings" pode ser substituido por qualquer outro comportamento para o raciocinio que expus]

Wednesday, December 05, 2007

Venezuela e democracia (reloaded)

Pedro Magalhães (e implicitamente Rui Albuquerque) duvida que perder um referendo seja a prova definitiva que um regime é democrático, dando o exemplo do Chile ou de Portugal em 1975 (em que a ala então dominante do MFA "perdeu" as eleições constituintes).

Recorde-se que toda a discussão acerca do que é uma "verdadeira democracia" resulta da constatação que haver eleições (mesmo que formalmente competitivas) não é suficiente para considerar um regime como democrático - afinal, um regime pode ter um tal grau de controle social e/ou sobre a contagem dos votos que torne virtualmente impossivel a sua derrota eleitoral (o que significa que, na prática, não há a tal possibilidade de os governados substituirem pacificamente os governantes).

Como avaliar se essa situação existe? É impossivel afirmar taxativamente que a "democracia é fachada" num dado país, mas há um teste que, em principio, comprova que não o é - a oposição ganhar, realmente, votações.

Assim, podemos adoptar uma definição "minimalista" de democracia, com duas condições:

- os governantes serem, formalmente, escolhidos pelos governados; e
- haver possibilidade efectiva do governo perder eleições

E é aí que há a diferença face a Pinochet (ou mesmo aos militares pro-PCP de 1975) - os primeiros não tinham sido eleitos à partida (a condição fundamental, ainda que não suficiente, para podermos falar de "democracia")

2 anos

Hoje este blog faz 2 anos de existência.

Uma pequena selecção de alguns posts publicados no último ano:

- A série sobre os resultados dos exames do secundário

- Ainda a propósito de televisão - as minhas séries televisivas favoritas dos tempos da infância e adolescência (cuidado que são vinte e tal videos do youtube)

- Comunismo de Conselhos (I) e (II)

- "Chinatown"

- Re: Pequeno esclarecimento - uma teoria minha sobre a relação entre socialismo, liberalismo e fascismo

- Sobre o anarquismo de esquerda

- Taxa plana, taxa óptima? e Taxa plana, taxa óptima? (II)

- "Alunos escolhem mais com o coração do que com a cabeça"

- Mudem vocês o vosso horário e Mapa horário - sobre mudarmos o horário para uma hora mais "europeia"

- O futuro do Kosovo e o futuro do Kosovo (II)

- Milagre Chileno?, Milagre Chileno (II), (III) e (IV) - estes são de 2006, mas se contarmos a partir de 5 de Dezembro já são deste ano.

Já agora, olhando para os links que este blogue tem recebido, ocorreu-me uma coisa: não seria uma boa ideia se o André Azevedo Alves, o Daniel Oliveira e o Tiago Mendes decidissem fazer um blogue conjunto os 3?

Constatação

A maioria esmagadora das pessoas são, em maior ou menos grau, pelo Estado Social ("capitalismo na produção, socialismo na distribuição") - ou seja, o destino natural dos defensores, digamos, do "liberalismo económico" ou da "economia controlada pelos trabalhadores, sem capitalistas nem burocratas" é serem vistos como uma espécie de maluquinhos.

Por isso, a melhor maneira de essas ideias chegarem ao grande público é colarem-se às "questões fracturantes", que, tanto pelo lado "conservador" como pelo "progessista", são muito mais populares que as doutrinas económicas da "direita" ou da "extrema-esquerda" (um conservador norte-americano recentemente escreveu : "Contrary to the conventional belief that Republicans need to drop their opposition to abortion, gay marriage and the like in order to be popular, (...) the unpopular stuff is the economic libertarianism: free trade and smaller government")

Assim, se tanto os "liberais" como a "extrema-esquerda" falarem, não de modelos económicos, mas contra o "lobby gay/multiculturalismo/cultura da morte" (uns) ou a "homofobia/racismo/machismo" (outros), conseguirão mais público, a que depois poderão tentar "vender" melhor o seu programa económico .

É por isso que o POUS, a "Politica Operária" e a "direita moderna" dificilmente terão algum sucesso.

P.S. não se conclua daqui o inverso - que os "socialmente conservadores" sejam necessariamente "liberais económicos", ou que os "socialmente progressistas" sejam necessariamente de "extrema-esquerda".

Retirei o post anterior, já que deixou de se justificar

Tuesday, December 04, 2007

De novo...

...tenho que reconhecer que JPP, por vezes, é brilhante.

Re: A atitude racional


A mim parece-me que a "atitude racional em relação à homossexualidade" seria:

- Por parte dos homens, aceitarem (ou até estimularem) a homossexualidade masculina e terem repulsa pela feminina

- Por parte das mulheres, serem indiferentes à homossexualidade (antes que me perguntem se não seria de esperar que as mulheres tivessem uma atitude simétrica à dos homens, relembro que o recurso escasso no processo de acasalmento e procriação são as femêas, não os machos)

A mim até me parece que os preconceitos sociais tradicionais até são um bocado inversos do que seria racional.

Será Chavez um ditador (II)?

Lendo e ouvindo inúmeneras discussões sobre isso (inclusive o que li num comentário de um blogue, em que alguém escreveu "A Venezuela é uma democracia, mas Chávez é um ditador"), chego à conclusão que há aqui uma grande ambiguidade no termo "ditador".

É que a palavra pode ser (e é) usada em dois sentidos - o sentido "objectivo" ("governante com poderes ditatoriais") e o sentido "subjectivo" ("pessoa autoritária e intolerante").

Exemplos: tanto Cavaco como Socrátes, nas conversas de café, já foram muitas vezes chamados de "ditadores", não por terem poderes ditatoriais, mas pelo seu estilo de governação (alegadamente "autoritário" - esclareço desde já que não estou a compará-los a Chavez). Pelo contrário, o rei Juan Carlos de Espanha, quando subiu ao trono, era objectivamente um "ditador" (seria provavelmente o rei de Espanha com mais poderes desde o principio do século XIX), mas não governou de maneira autoritária (muito pelo contrário - restaurou a democracia).

O que eu concluo deste processo - nomeadamente do referendo - é que Chavez é, "subjectivamente", um "ditador" (isto é, um individuo autoritário), mas, "objetivamente", não o é (ele, mesmo que queira, não pode dizer "posso, quero e mando" - viu-se no domingo passado).

O que é "populismo"

Há várias definições para o fenómeno, mas, na prática, quando se diz que alguém (i.e., um politico) é um "populista", isso costuma querer dizer uma de duas coisas:

a) "politico de direita europeu de que não gosto"

b) "politico de esquerda sul-americano de que não gosto".

Monday, December 03, 2007

Toda a gente? (II)

Lá abaixo, Filipe Abrantes comenta "o BE acusou os americanos de esconderem as facturas. Ou foi só para brilhar no parlamento?".

Imagino que Filipe Abrantes esteja a evocar o já clássico argumento "até o BE acreditiva nas armas de destruição maciça - se eles até diziam que eram os americanos que tinham a factura".

Vamos então ver o que foi dito a 4 de Fevereiro de 2003 (umas semanas antes do começo da guerra), na Assembleia da Republica (como lá chegar - ir aqui e procurar por "IX Legislatura", "1ª sessão legislativa" e diário nº 084; depois ir às páginas 3523 e 3524):

O Sr. Presidente: - Para uma declaração política, tem a palavra o Sr. Deputado João Teixeira Lopes.

O Sr. João Teixeira Lopes (BE): - Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Assistimos ontem a um dos episódios mais confrangedores da história das relações internacionais.
Conversas vagas entre guardas-republicanos, acusações sem qualquer base material, mistura de factos passados com factos presentes, fotografias inconclusivas e acusações desmentidas pelos próprios serviços secretos americanos e britânicos ainda antes mesmo de serem feitas. Para acusar um país de intenções belicistas em larga escala, convenhamos que é muito pouco. Para quem procurava um arsenal de armas de destruição massiva, deve ser frustrante não encontrar nem um exemplar, nada que dê o mínimo de credibilidade às acusações feitas. De resto, Colin Powell nada sabia. O que tinham a dizer ao mundo era nada.
Mas Colin Powell merece ser elogiado: conseguiu mostrar as "poderosas" provas dos Estados Unidos sem nunca se rir. Merece aplauso! Uma coisa é certa: na história da manipulação de informação, nunca se viu trabalho tão desajeitado.

O Sr. Luís Fazenda (BE): - Muito bem!

O Orador: - Os Estados Unidos estão, definitivamente, a perder qualidades.

Portugal não pode ter nada a ver com esta encenação, até porque ela foi de tal forma desastrosa que não deu espaço de manobra a nenhum dos aliados dos Estados Unidos para recuar um centímetro que fosse nas suas posições. Os Estados Unidos não conseguiram o apoio de ninguém, a não ser do sempre diligente Reino Unido. A posição do Governo português está, assim, ao lado de uma minoria isolada e extremista. As ditas provas não mereceram sequer comentários dos diplomatas nas Nações Unidas.

Aznar, ontem, e Blair, antes de ontem, tiveram dificuldades em explicar o inexplicável nos seus parlamentos nacionais: para quê, afinal, esta guerra?

Já discutimos aqui o facto de o Primeiro-Ministro português ter assinado um texto de opinião, da autoria de Blair e Aznar, sobre a guerra, oficializando a posição de Portugal sobre o assunto. O método desta autêntica declaração de guerra está errado: esquece o Presidente da República e o Parlament; institui que, hoje, a guerra, por aqui, se decide pelo telefone entre amigos. Bastou ver o Primeiro-Ministro esta semana a levar pancadas amigas do Sr. Berlusconi e a rir-se em conjunto de piadas de mau gosto sobre outros dirigentes europeus para se perceber a dimensão do disparate. Mas o método é só a menor parte da asneira, o problema está na substância: a guerra é um erro e a opinião pública de todo o Mundo tem sido clara em condená-la. O manifesto dava como adquirida a existência de armas de destruição massiva, por isso o mínimo que se pode dizer é houve uma manobra de prestidigitação.

Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: O Sr. Primeiro-Ministro acusou todos os que estão contra a guerra de serem "advogados de Saddam", como Nelson Mandela, o Papa, o Parlamento Europeu, Schröeder, Mário Soares, Freitas do Amaral, quarenta prémios Nobel, centenas de escritores, dezenas de bispos. Se assim fosse, Sr.as e Srs. Deputados, Saddam teria o maior escritório de advogados do mundo!... Mas não é!!

Saddam é um ditador e um sanguinário; é-o agora como era no tempo em que os Estados Unidos o armavam contra os curdos e contra os iranianos. Não ficou nem melhor nem pior, apenas deixou de servir.

Saddam era um ditador quando Portugal lhe vendeu urânio e armas para que melhor matasse os seus opositores. Nós, a quem o Sr. Primeiro-Ministro chama de advogados de Saddam, manifestávamo-nos contra ele e pelo povo curdo. Onde estavam, então, todos os que eram coniventes com a chacina? E onde estão hoje? Onde estão hoje quando o povo curdo é reprimido pelo aliado turco? Onde estão os sentimentos humanitários neste caso? Terão os princípios fronteiras e bandeiras de conveniência? Para nós não!! Entre o Rei Fahd, da Arábia Saudita, e Saddam Hussein, do Iraque, não escolhemos; entre Saddam e Musharraf, do Paquistão, não escolhemos;…

O Sr. Luís Fazenda (BE): - Muito bem!

O Orador: - … entre as ditaduras pró-americanas e as ditaduras antiamericanas, não escolhemos. Condenamos todas elas, sem qualquer dúvida. Possam todos dizer o mesmo!

Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Esta guerra, sejamos claros, é um crime. Ao associar-se a ela, Portugal será cúmplice de um crime. Não podemos assistir parados a este seguidismo sem critério, que contraria a posição largamente maioritária da opinião portuguesa. Os assuntos da guerra e da paz são os mais importantes em qualquer Estado. Não assistiremos, sem reacção, à participação de Portugal nesta guerra injusta.

Por isso mesmo, no exacto dia em que o Governo português decidir participar em acções militares ou de ocupação - insisto, ou de ocupação - contra o Iraque, o Bloco de Esquerda apresentará aqui, no Parlamento, uma moção de censura ao Governo.

Risos do PSD e do CDS-PP.

A gravidade da participação de um país numa guerra exige uma reacção da mesma dimensão. A moção de censura é a única figura institucional que pode transmitir a nossa indignação e a nossa oposição frontal a este seguidismo cego. Traremos para este Parlamento a indignação que, em todo o País, se opõe a esta guerra. Participaremos tanto aqui como nos movimentos populares num larguíssimo movimento de opinião pela paz.

E de nada valem os argumentos do Governo português: um a um vão sendo desmentidos pelos factos. O que era seguro ontem, já todos sabemos que não o é hoje. Para o Primeiro-Ministro português era "indesmentível" a ligação entre o Iraque e a Al-Qaeda. Pois bem, esta ligação foi desmentida pelas próprias agências de informação americanas e britânicas.

O Sr. Diogo Feio (CDS-PP): - Quando?!

O Orador: - As provas de existência de armas de destruição massiva eram indiscutíveis. Como se pôde ver ontem, elas, pura e simplesmente, não existem!!...

Sabemos que, quando chove em Washington, o Governo português abre o guarda-chuva, mas não seria má ideia arrepiar caminho. O mundo é feito de cidadãos e cidadãs, e boa parte deles estão contra esta guerra. Os portugueses não são excepção. Saiba este Governo compreender os sinais, porque nós saberemos fazer o protesto.

Aplausos do BE.

O que concluimos daqui? Que, a 04/02/2003, a opinião do Bloco de Esquerda (ou, pelo menos, de João Teixeira Lopes) era que não havia provas da existência das AMDs. Sim, ele também diz que os EUA venderam urãnio e armas ao Iraque (durante a guerra Irão-Iraque), mas ninguém contesta que, até à primeira guerra do Golfo, o Iraque tinha um program de desenvolvimento de AMDs (e usou-as) - o que estava em discussão era se o Iraque tinha AMDs em 2003 (e, aí, parece-me que J.T. Lopes não acreditava nelas).

Agora, a respeito das declarações de Louçã acerca do "ele tem a factura" - eu não tenho nem o livro onde ele (junto com o meu ex-vizinho Jorge Costa) escreve isso, nem consigo encontrar a sessão da AR onde isso foi dito (embora me lembre de ter visto na televisão). Assim, não sei se ele acreditava na existência de AMDs em 2002/2003, ou se essa conversa se referia às tais AMDs dos anos 80 (as tais que toda a gente concorda que existiram). A única coisa que posso dizer é que, pelo menos o João Teixeira Lopes (e muito provavelmente o Luis Fazenda, pelos aplausos), em Fevereiro de 2003, não estava convencido da existência das armas.

Filipe Abrantes: "A prova da destruição das mesmas armas seria útil. Mas como provar a destruição de armas?? Que debate mais parvo."

Volto a repetir que o que eu estou a discutir não é a questão "o Iraque tinha AMDs" vs "o Iraque não tinha AMDs"; é a questão "antes da guerra, estava toda a gente convencida que o Iraque tinha AMDs" vs "antes da guerra, havia muita controvérsia sobre se o Iraque teria AMDs" - o Iraque ter ou não, realmente, AMDs é irrelevante para o ponto que estou a levantar.

O referendo na Venezuela - rescaldo

Recordo o que escrevi aqui:

"Por outro lado, se ganhar o "Não", aí a questão está resolvida: a Venezuela é, sem dúvida, uma democracia (já que isso significará que as eleições são suficientemente livres e justas - caso contrário, como poderia o "Não" ganhar?)."

No entanto, nos comentários, Filipe Abrantes pôs uma questão importante: "existem n critérios para distinguir uma democracia de uma ditadura"

Portanto, talvez seja melhor dizer que "a Venezuela é um país em que a oposição tem possibilidade real de ganhar eleições contra o governo do momento" (ou seja, a definição mais minimalista de democracia).

Há outras definições possíveis:

- Poderiamos considerar que "democracia" implica, não apenas a possibilidade de o povo escolher os governantes, mas a possibilidade do povo intervir directamente - nesse caso, a Venezuela está longe de ser uma democracia; é verdade que há uns referendos e uns "conselhos comunais" de base, mas isso é, em larga medida, cosmética: os tão falados "referendos revogatórios" apenas permitem substituir um governante pelo seu sucessor legal (excepção: o Presidente), não permitindo, portanto, alterar a linha politica da governação; quanto aos "conselhos comunais", não têm orçamento próprio, estando dependente de verbas atribuidas caso-a-caso pela Presidência (ou seja, não têm poder de decisão: apenas podem apresentar projectos e esperar que o poder central os financie ou não).

- Poderiamos considerar que (atendendo a que passamos grande parte do dia a trabalhar) "democracia" implica, também, "democracia" no local de trabalho - também aí, a Venezuela não é uma democracia; há um ou outro caso de auto-gestão, mas, no geral, quem manda no sector privado são os patrões e nas empresas públicas são os burocratas estatais. E, sobretudo, o actual Ministro do Trabalho tem apoiado a destruição de experiências de "controlo operário", como a que decorria nos Sanitarios Maracay.

- Acho que também há quem considere que nacionalizações e reforma agrária (pelo menos, a partir de certa escala) são intrinsecamente anti-democráticas; aí, talvez a Venezuela não seja uma democracia (digo "talvez" porque depende de onde pormos a fasquia a partir da qual nacionalizações são anti-democráticas); no entanto, penso que o que é normalmente invocado não é que nacionalizações em larga escala vão contra a "democracia", mas sim que vão contra a "democracia liberal".

Seja como fôr, se adoptarmos a tal definição minimalista de democracia (a que em tempos se chamava "democracia burguesa"), penso que a Venezuela pode ser considerada uma democracia (embora, na minha opinião, se tenha safado por pouco de cair numa ditadura caudilhista).

Palpita-me que o Chavez vai perder o referendo

Nas últimas horas o site esmagadoramente "chavista" Aporrea tem estado muito apático (poucos textos novos, e tudo muito "soft")

Depois* da "Guerra ao Natal", a "Guerra ao Dia das Bruxas"

The Passion of the Pumpkin, artigo de Jesse Walker na Reason.

*ou antes, se pensarmos em termos de cronologia dentro do ano

The electoral path to authoritarianism?

Este post do Fruits and Votes sobre as votações ontem na Rússia e na Venezuela já é "velhinho" (isto é, é de há 4 dias atrás) mas é recomendável assim mesmo.

Sunday, December 02, 2007

A série televisiva que parece que está a fazer sucesso no Irão

Iran Holocaust drama is a big hit

Jackbooted Nazis are rounding up Jews for the concentration camps, while terrified Parisians look on.

It is a familiar plot for a television blockbuster. And this time the formula has been as popular as ever, drawing in massive audiences week after week.

The only difference is that this is a series made for Iranian state TV, and it has been piling up the ratings in the country whose president once questioned the very existence of the Holocaust.

The fact that Zero Degree Turn has been allowed on TV, shows the official sensitivity over the accusations of anti-Semitism that have followed President Mahmoud Ahmadinejad's various comments about Israel and the Holocaust.

(...)

The series has gone a step beyond simply acknowledging the Holocaust.

The central character is an Iranian diplomat, who provides false Iranian passports to enable Jews to flee the Nazi-occupied France, a sort of the Iranian Schindler. He even has a love affair with a Jewish woman.

The writer and director of the series, Hassan Fathi, says he used a true story from World War II to show the outside world they have the wrong impression of Iran.

"In those terrible years there were many people who could help the Jews, but they didn't because they were afraid they would be arrested," Mr Fathi explains.

"But some Iranians, when they saw they could save some Jews, they left their fear behind and did so - because of their character and their culture, their beliefs and their traditions," he adds

Tenho que reconhecer..

Eu critiquei o Pacheco Pereira há umas horas, mas, de vez em quando, ele é brilhante:"numa sociedade em que as dependências e a precariedade são tantas que poucas vozes são efectivamente livres, apoucar os grevistas de hoje é ser parte da pasmaceira colaboracionista em que nos atolamos. É que há mais dignidade cívica nos grevistas do que naqueles que se queixam por tudo o que é recanto discreto ou anónimo dos males da governação Sócrates e não têm coragem para alto e bom som dizer o que pensam e sofrer as consequências."

Já agora, a respeito do comentário de um leitor de JPP (segundo o qual as escolas terão sido proibidas de dar informações à comunicação social sobre a adesão à greve), acho que isto poderia ser mais transparente se a DGAEP, em vez de dar apenas a informação por ministérios [pdf], desse por instituições (para falar a verdade, na sexta-feira fui à procura dessa informação, pensando "Se no mapa não aparecer pelo menos 1 Técnico Superior do Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio de greve, vou armar um escândalo nacional", mas a informação não chegava a esse grau de detalhe - instituição e grupo profissional).

2 de Dezembro

1851

Em França, o Presidente Louis Bonaparte (sobrinho do outro), eleito em 1848, havia entrado em conflito com o Parlamento (este era dominado pelo conservador Partido da Ordem, que havia apoiado Bonaparte para a presidência, mas depois zangaram-se): o seu mandato iria terminar em 1852, e Bonaparte queria alterar a constituição para poder ser reeleito, o que a maioria dos deputados recusou.

A 02/12/1851, aproveitando a impopularidade do Parlamento (que havia retirado o direito de voto a quem não tivesse residência fixa), o Presidente dá um golpe de Estado - com o apoio do exército, que ocupa os pontos estratégicos de Paris e prende os principais lideres da oposição - e dissolve-o. A 20 de Dezembro, realiza um referendo, que lhe atribui poder para elaborar uma nova Constituição (esta é promulgada a 14/01/1852, concentrando quase todos os poderes no Presidente, que passa a ter um mandato de 10 anos)

1852

A 02/12/1852, Louis Bonaparte é proclamado Imperador hereditário, sob o nome de Napoleão III, na sequencia de outro referendo e de uma alteração constitucional.

Sobre todo o processo, ver, p.ex., O 18 de Brumário de Louis Bonaparte, de Karl Marx.

[mas o que é que isto interessa?]

Saturday, December 01, 2007

Toda a gente?

Pacheco Pereira escreve "[Durão Barroso] lembrou, e com razão, que na altura toda a gente (incluindo serviços secretos franceses e russos, os inspectores da ONU, e muitos outros insuspeitos geopolíticos) estava convencida de que essas armas existiam".

Isto é frequentemente repetido - que, antes da guerra, "toda a gente" estava convencida que havia" armas de destruição em massa" no Iraque.

Ora, a minha memória não está assim tão má, e lembro-me perfeitamente que, em 2003, havia montes de discussões sobre se havia ou não ADMs do Iraque.

Alguns exemplos:

- Na noite em que começou a guerra, num debate (creio que na SIC Noticias), quando surgiu a noticia que o Iraque havia lançado um míssil, Luís Delgado disse qualquer coisa "Estão a ver? O Iraque sempre tinha armas proibidas pelos tratados", ao que Nuno Rogeiro respondeu que aquele género de míssil não esta proibido (e ficaram uns minutos a discutir isso). Ora, o próprio facto dessa discussão ter ocorrido parece demonstrar que não havia consenso sobre se o Iraque tinha ou não ADMs ou, em geral, armas "ilegais" (se esse consenso existisse, nem valia a pena estarem a discutir aquele lançamento de míssil)

- A 05/02/2003, Collin Powell apresentou-se no conselho de Segurança da ONU, e foi dito que ele ia apresentar as provas que o Iraque tinha AMDs. Após ele ter mostrado várias fotografias de satélite, nos dias a seguir, houve alguma polémica - ver aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui - sobre se essas fotografias provavam alguma coisa ou não (ou seja, isto parece demonstrar que as AMDs não eram, então, algo consensualmente aceite como verdadeiro).

Note-se que, com este post, eu não pretendo discutir se Iraque (em 2002/2003) tinha ADMs ou não; o que pretendo questionar é se, antes da guerra, havia um consenso entre "toda a gente" sobre se o Iraque tinha ADMs (e parece-me que, claramente, não havia).

You Tube suspende conte de activista egipcio

YouTube suspends Egyptian blog activist's account | Newsblog | Guardian Unlimited

Egyptian blogger Wael Abbas has been using YouTube to expose torture in his country, but now his account has been suspended. Bloggers accuse YouTube of double standards.

[Via Lenin's Tomb]

"Politicamente correcto"

A respeito do "caso Tagus", há muita gente a queixar-se de uma suposta tirania do "politicamente correcto".

Sinceramente, não sei se, nesse caso, houve alguma ameaça de processo judicial (e, nesse caso, e concordaria que seria uma restrição sem sentido à liberdade de expressão) ou a única coisa que houve foi reacção públicas de repúdio (e sátiras); de qualquer forma, parece-me que o que está a incomodar os "anti-politicamente correctos" é sobretudo a pressão "social" que surgiu contra o anúncio.

Ora, quando essa conversa vem de "liberais-conservadores" não me parece fazer grande sentido: pelo que tenho lido nos blogues neste anos, os liberais em geral (e os liberais-conservadores em particular) parecem seguir a linha "o racismo, o machismo, a homofobia, o fundamentalismo religioso e a intolerância em geral são perfeitamente compatíveis com uma sociedade livre, desde que quem os pratica não os tente impor pelo Estado".

No entanto, pelos vistos, quando as vitimas do ostracismo e da marginalização social já não são os "pretos", os "maricas" ou as "putas", mas os "xenófobos", os "homófobos" ou os "fundamentalistas" (católicos), já temos um domínio insuportável do "politicamente correcto" e coisas parecidas.

Ver também: Os conservadores e o "politicamente correcto"