Wednesday, February 17, 2010

Psicopatas e hierarquias


It is a well known fact that psychopaths, due to their desire to dominate and harm other people are attracted to hierarchical, authoritarian organizations like the military, police, prison guards, corporate bureaucracies and reform school staff. Indeed, depending upon their level of aggression and intelligence, they will try to worm their way into any organization that allows them to have some unchecked power over other people. Once again, I must point out that the majority of people in these organizations are not pathological. These latter are a minority, but they do much damage.

Their damage is made worse by two factors. One is that the intelligent sociopath is a master in imitating normal healthy people and charming them into thinking he is something special. Their associates always say "Why he was like one of us. He seemed so normal." The other factor is tribalism. All organizations protect their own, and this is even more so in an authoritarian organization. Members will go into denial mode when faced with suspicious activity and whistle-blowers will be persecuted.

The central aspect of sociopathic behaviour is lack of empathy. Thus, the pathological will be attracted to organizations in which empathy is regarded of little importance. Corporations exist to make a profit, and to hell with the employees, the environment and the community if they get in the way of that goal. If you are in the military you are forced to go out and kill people you don't know and who have never done anything to you. Part of being a police officer is brutalizing demonstrators if you are told to do so. This organizational pathology is compounded by propaganda that dehumanizes "the other" in the eyes of those who work for those organizations. Thus the enemies are "gooks" or "sand monkeys" , the workers are "little people who don't matter", the demonstrators are "commies" – not, note well, other human beings little different from me.

(...) But the sociopath revels in these displays of domination, degradation and cruelty, and is attracted to these organizations for that reason.

Williams is proof that all hierarchical organizations ought to have better screening processes. But the real way to help eliminate the problem of sociopaths in power would be to eliminate the sociopathic aspects of these organizations to begin with.

Vento Sudoeste



[A mesma paisagem num dia sem vento]

Tuesday, February 16, 2010

Propriedade

Se a propriedade é o resultado de um consenso, terá esse consenso de passar por um processo de unanimidade ou simplesmente maioritário? E é renovado? E os que não se pronunciarem? E os que mudarem de opinião?

Se fizermos a formulação de que a propriedade resolve um problema de conflito permanente (A adquire X por ocupação e uso, B chega diz que não reconhece esse direito de propriedade e afasta A pela violência, C e D e E chega e diz que a propriedade tem de ser partilhada, mas e quanto a E F e G que não estão lá por perto?) sobre o controlo de recursos escassos, e isso assim é reconhecido pelas pessoas, isso é um consenso ou poderemos a isso chamar um "direito natural" (um que pela natureza escassa e perante seres com livre arbítrio, e onde cada ser usa e ocupa fazendo sua para um dado fim determinado pela sua individualidade e para a sua sobrevivência e desenvolvimento)?

Poderá ser "consenso" um "direito" que a razão reconhece como utilitário, de validade universal, que é alcançável por todos? É que se assim for "consenso" pode transformar-se em "direito natural".

Quanto à "construção humana". Seguramente até o "direito natural" é uma construção humana. Foi São Tomás de Aquino que disse qualquer coisa como ter o direito natural existência mesmo que Deus não existisse. É uma "construção humana" porque se aplica a seres humanos com a faculdade da razão e da acção consciente com um propósito, com causas e consequências e meios.

Podemos ainda interpretar a propriedade a partir da anomia. A propriedade existe porque quando ela é violada é defendida de forma violenta (mas também intelectualmente pela filosofia) com a motivação própria de quem age justamente, pelos proprietários (e outros) de tal forma consistente que repele as tentativas de a anular. Não é consensual. Ou é consensual... os custos de lutar contra ela.

Mas não será isto a evidência de um "direito natural"?

Comentário feito em post

Ali em baixo:

Já agora, eu sou da opinião que, no fundo, só há dois sistemas de propriedade (e aqui estou a fazer um juízo de facto, não de valor): comunismo de Estado e anarco-comunismo (o liberalismo clássico é apenas um caso notável do comunismo estatista, e o anarco-capitalismo é apenas um caso notável do anarco-comunismo).

Podemos fazer grandes perorações sobre a legitimidade ou ilegitimidade de uma dada forma de propriedade, mas os meus direitos de propriedade só se mantêm de uma de duas maneira (ou uma mistura de ambas): ou há um poder superior que protege a minha propriedade, ou há um consenso social (não necessariamente unânime, mas mais ou menos geral) em aceitar a minha propriedade como legitima.

Ou seja, a propriedade (mesmo que pareça privada) é sempre uma criação, ou do Estado, ou da comunidade - se alguém é dono de algo, é porque o Estado e/ou a comunidade o reconhecem como dono.

Monday, February 15, 2010

A minha colheita caseira de batatas




Não foi lá muito produtiva, é um facto (um vaso que só deu para um jantar...).

Friday, February 12, 2010

Re: O Delfim

Fernando Gabriel acerca de Joseph Stiglitz (via O Insurgente):
[U]m manifesto ideológico assente em duas ideias fundamentais. A primeira é aquilo que designa como a "doutrina Krugman-Stiglitz": em situações de insuficiente procura agregada, os governos devem responder com um aumento "esmagador" (sic) da despesa pública. A segunda é que esta crise, pela gravidade "sem precedentes" das suas consequências, deverá servir para uma ampla reprogramação política do mundo. Sucede que a evidência empírica disponível não sustenta a ambição racionalista e é altamente problemática para a "doutrina", como demonstram Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff no francamente recomendável This Time is Different (Princeton, 2009). Uma das conclusões mais importantes deste estudo refere-se ao comportamento do valor real da dívida pública. Não só tende a aumentar de forma explosiva na sequência dos colapsos financeiros, como a principal causa deste aumento não é o custo da recapitalização do sistema bancário: é o efeito cíclico da quebra das receitas fiscais, combinado com o aumento contra-cíclico da despesa pública. Ou seja: o hiper-keynesianismo da "doutrina Krugman-Stiglitz" agrava substancialmente os desequilíbrios macroeconómicos decorrentes das crises financeiras.
Independentemente das teorias "neo-keynesianas" (ou "hiper-keynesianas") estarem ou não correctas, acho que o argumento de FG para dizer que estão erradas não faz grande sentido. O que a teoria keynesianisao/neo-keynesianisma/hiper-keynesianisma diz é que, quando há uma recessão, deve-se aumentar o deficit público (logo, implicitamente, a dívida pública, que mais não é que a soma dos deficits presentes e passados).

Portanto, o que FG está a dizer é que, como a aplicação de uma teoria que defende (durante as recessões) o aumento da dívida pública tem levado... ao aumento da dívida pública, isso significa que a teoria está errada.

Isso parece-me fazer tanto sentido como, sei lá, um socialista argumentar que a aplicação de ideias liberais num dado país levou à redução das despesas sociais do Estado e, portanto, isso "prova" que os liberais estão errados; e o sentido que ambos os raciocinios fazem é... nenhum!

O aumento da divida pública durante as crises de procura não é um "bug" do keynesianismo (algo que indique uma falha do modelo), é uma "feature" essencial (quase que diria a "feature" essencial) do modelo.

Tuesday, February 09, 2010

Trabalhadores da Alisuper manifestam-se em Lisboa

As censuras

A respeito do manifesto "Todos pela liberdade", no Arrastão re-lembra-se a defesa por Rodrigo Adão Fonseca de que o Público não deveria publicar as opiniões de Rui Tavares.

N'O Insurgente responde-se, argumentando com o direito de um proprietário gerir os seus meios de comunicação como bem lhe entende (diga-se que a resposta do próprio RAF foi ligeiramente diferente).

Recordando a polémica, note-se que, na altura, RAF não se limitou a defender o direito dos jornais a não darem voz "a radicais" (na verdade, o Belimiro de Azevedo não deu sinais públicos de se incomodar com as opiniões de Rui Tavares); defendeu que não o deviam fazer.

Suponho que, para uma perspectiva liberal, isso não seja defender a censura (embora pudesse levantar algumas questões de "thick vs. thin libertarianism"-pdf); no entanto, é um racíocino que ajuda a abrir as portas à censura - basicamente, a partir do momento em que se considera que a melhor maneira de lidar com opiniões erradas (isto é, com opiniões que RAF considera erradas) não é refutá-las demonstrado que e porque estão erradas, mas sim desejando que essas opiniões nem sequer cheguem a ser divulgadas, está-se a deitar pela janela um dos mais poderosos argumentos a favor da liberdade de expressão, que é o que é "da discussão que nasce a luz". Ou, citando um filósofo de há séculos atrás:


É verdade que Mill escreveu estas palavras a pensar na censura estatal, mas os argumentos que ele dá se aplicam também a "censura" privada, ou a qualquer coisa que limite a divulgação de opiniões minoritárias.

Mas se considerarmos que é bom que as ideias "erradas" não sejam muito lidas/divulgadas (ao contrário de Mill, que achava que as ideias correctas ficavam mais claras no confronto com as erradas), então o caso utilitário a favor da liberdade de expressão fica enfraquecido e o caso utilitário a favor da censura fortalecido.

Pondo as coisas de outra maneira - numa sociedade em que predomine a ideia que é bom que as ideias "erradas" sejam pouco divulgadas, a liberdade de expressão estará em grande perigo, porque aí quase todas as pessoas que, à partida, não sejam defensores incondicionais da liberdade de expressão tenderão a encarar positivamente a censura.

Já agora, se a generalidade dos leitores seguisse o exemplo de RAF e se recusasse a ler jornais com colunistas cujas ideias considerassem "erradas" e "radicais", os liberais seriam rapidamente erradicados da comunicação social (já que imagino que a maioria das pessoas, incluindo os leitores de jornais, considere as suas ideias "erradas" e "radicais").

[Noto que este post não é sobre a teoria liberal de que um proprietário de um jornal tem o direito de "calar" um colunista pelas suas ideias; é sobre a teoria de que deve fazer isso]

Monday, February 08, 2010

Manifesto "Todos pela Liberdade"

Acabei de assinar esta petição. Se vivesse em Lisboa e tivesse um emprego com entrada às 14.00 (em vez de viver em Portimão e entrar às 13.30), era capaz de aparecer na concentração.

No Arrastão, argumenta-se que:

"Porque sendo organizada por quem é, afasta-nos dos seus protagonistas o entendimento que temos do que é a liberdade de imprensa: blogues como o Blasfémias, Insurgente ou 31 da Armada acreditam que ela se resume ao poder do proprietário de cada órgão de comunicação social determinar o que lá se escreve e diz. Para nós, corresponde ao poder dos jornalistas, e só deles, decidirem o que escrevem nos jornais onde trabalham, com garantias de autonomia face ao poder político, sim, mas também económico. E a um verdadeiro pluralismo político que não se limite ao centrão ideológico."
A minha liberdade de imprensa é a do Arrastão, não a do Blasfémias/Insurgente/31 da Armada. No entanto, tanto a "nossa" liberdade como a liberdade "deles" implicam que o governo não possa decidir o que se diz (ou não) na comunicação social; e é contra isso que se protesta na tal petição.

Provavelmente o Rui Rio, o Pedro Marques Lopes ou o Carlos Abreu Amorim também têm opiniões sobre o funcionamento do sistema de saúde muito diferentes das da Esquerda, e não é por isso que deixarem de haver iniciativas comuns quando do referendo ao aborto.

[Poder-se-á perguntar se não estou a contradizer a opinião que expressei aqui sobre a Lei das Finanças Regionais; penso que não porque: a) colaboração entre indivíduos em acções de protesto é diferente de colaboração entre partidos na Assembleia da República; e b) uma colaboração contra algo é diferente do que uma colaboração a favor de algo]

O Presidente da República pode demitir o primeiro-ministro?

Eduardo Pitta escreve: "na realidade, o Presidente da República não pode demitir o primeiro-ministro"

Na realidade, o PR pode demitir o primeiro-ministro:

Artigo 133.º (Competência quanto a outros órgãos)
Compete ao Presidente da República, relativamente a outros órgãos:

(...)

g) Demitir o Governo, nos termos do n.º 2 do artigo 195.º, e exonerar o Primeiro-Ministro, nos termos do n.º 4 do artigo 186.º;

Artigo 195.º (Demissão do Governo)

(...)

2. O Presidente da República só pode demitir o Governo quando tal se torne necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas, ouvido o Conselho de Estado.

Efectivamente, a Constituição põe um limite ao poder de demitir o primeiro-ministro (ou o Governo, o que vai dar ao mesmo), mas esse poder continua a existir (e, de qualquer forma, a decisão sobre o que é "necessário para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas" cabe, em ultima instância, ao Presidente)

Saturday, February 06, 2010

Friday, February 05, 2010

Leituras

Ownership in question, por Chris Dillow

Anarchist Theory: Molly's Anarchism Part 4-Freedom To And Freedom From, por Pat Murtagh

Inequality and "Guard Labor" , por Mark Thoma

The Case against the iPad, por Tim Lee

A obsessão pelo deficit

Agora, algumas pessoas dizem algo do género "estão a ver como havia razão com a «obsessão» pelo deficit; vejam só como estamos".

Bem, vamos comparar com Espanha:


2000....-0,98%
2001....-0,64%
2002....-0,45%
2003....-0,21%
2004....-0,34%
2005....+0,96%
2006....+2,02%
2007....+2,21%
2008....-3,85%
2009...-12,27% (estimativa do FMI)
2010...-12,47% (estimativa do FMI)

Sob Aznar, Espanha teve deficits bastante reduzidos, e durante a maior parte do governo Zapatero teve superavits; terá lhes adiantado muito? Estão também numa crise talvez mais grave que a nossa e com deficits maiores que o nosso

A Lei das Finanças Regionais

Olhando para o que os diversos intervenientes dizem, é díficil perceber se a nova LFR aumenta ou diminui as verbas que o Estado central transfere para a Madeira (eu tenho a suspeita que diminui em relação ao que transferia nos anos anteriores mas que aumenta em relação ao que transferiria nos próximos anos pela lei antiga).

Mas uma lei não é apenas um documento técnico/contabílistico - é também (ou sobretudo) um acto político. E, ontem, o que o PCP e o Bloco fizerem, ao votarem a LFR ao lado do PSD e do CDS, foi aliarem-se politicamente a Alberto João Jardim.

Thursday, February 04, 2010

Sobre as crises na "zona euro"

Dois artigos já velhinhos, mas ainda actuais:


Sobre os ratings das agencias

[A] AAA rating is neither a necessary nor a sufficient condition for the maintenance of this confidence.

The collapse in the market for credit derivatives shows that AAA ratings aren’t a sufficient condition for the maintenance of market confidence. Nor are they a necessary condition. Spain and Japan have credit ratings of AA, a notch below the UK, but 10 year Spanish government bonds yield just 4.1%, only 0.1 percentage points more than UK gilts, whilst 10 year Japanese government bonds yield only 1.4%.

A top credit rating, then, is no guarantee of continued market confidence, whilst the lack of this rating doesn’t mean confidence will disappear.

There’s a simple reason for this. Credit ratings measure only the risk of default (possible badly). But this is only one of many risks to bonds. And at the higher levels, it is a small risk. S&P, for example, says that an AA rating differs from an AAA one “only to a small degree.”

Instead, bond yields depend upon other risks. One, which hit credit derivatives, is liquidity risk - the danger that you’ll not be able to sell quickly the asset. For government bonds, though, there are two other, bigger, dangers.

One is inflation. In Japan, this is a minimal danger, so investors are happy to buy low-yielding JGBs, despite their second-rank rating.

The other is currency risk. Spanish yields are low because investors believe (rightly or wrongly) that there is only a small danger of Spain leaving the euro and having its currency devalued. With this risk small, yields are tied down by German yields.

Wednesday, February 03, 2010

Caminho perigoso?


Não andei a vasculhar os arquivos do Abrupto, mas nunca me lembro de ter visto JPP considerar "perigosas" as teses de vários juristas conservadores, no tempo de Bush, a defender o "executivo unitário"; e há muito que é entre os republicanos que há os maiores defensores do "line item veto" (permitindo ao presidente aprovar uma lei na sua globalidade mas vetar alguns artigos, em vez do sistema em que ou aprova tudo ou nada), que segundo alguns iria representar um dos maiores reforços do poder presidencial (também não me lembro de JPP ter chamado isso de "perigoso").

Mas há mesmo democratas a querer mudar a Constituição para reforçar os poderes presidenciais? Sinceramente, não faço ideia - no entanto, nos blogues e sites políticos norte-americanos que costumo ler, nunca ouvi falar de tal coisa* (mas também, meia dúzia de sites - e alguns deles muito "excêntricos" - num pais com centenas de milhões de habitantes não é uma amostra significativa). Talvez o pessoal do Era uma vez na América saibam algo sobre o assunto?

Há efectivamente uma coisa que tenho ouvido falar - propostas para acabar com o "filibuster" (será a isto que JPP se refere?). Para quem não saiba o que é o "filibuster":

No Senado dos EUA, quando uma proposta está em discussão, se alguém quiser continuar a discutir é necessário uma maioria de 60 senadores (em 100) para decidir encerrar o debate e passar à votação. O "filibuster" consiste em uma minoria de mais de 39 40 senadores (os republicanos elegeram o seu 40º 41º senador há semanas) prolongar indefinidamente os debates e assim, na prática, bloquear uma proposta que, se fosse a votos, seria aprovada.

Essa regra está inscrita no regulamento do Senado, elaborado há umas décadas atrás e que só pode ser alterado com o voto de 67 senadores.

[Por vezes escreve-se que Obama precisa de 60 votos para aprovar a reforma do sistema de saúde, se ela precisar de regressar ao Senado; tecnicamente, a proposta só precisa de 51 votos - ou 50, que o vice-Presidente tem voto de desempate - para ser aprovada; os 60 votos são necessários é para decidir fazer uma votação, não para a votação em si]

Actualmente, alguns democratas (pelo menos alguns comentadores, não sei se alguns políticos) estão a propor a revogação desta regra (que, aliás, eles usaram para bloquear algumas nomeações de Bush para o Supremo Tribunal), argumentando que é inconstitucional o Senado actual ser obrigado a seguir regras elaboradas por um Senado anterior (a tese é que um Senado tomar uma decisão sobre a forma pelo qual os Senados futuros vão tomar decisões equivale a, na prática, mudar a Constituição sem passar pelo procedimento formal de revisão).

Na verdade, até se pode argumentar que, a prazo, é mau negócio para os Democratas acabar com o filibuster, já que, estruturalmente, é mais provável os Democratas estarem em minoria do que em maioria no Senado (onde todos os Estados têm 2 votos, dando um peso reforçado a Estados pouco povoados normalmente Republicanos).

Mas, de qualquer maneira, se é da alteração do "filibuster" que JPP fala:

1 -Isso não seria uma revisão da Constituição, mas sim do regulamento interno do Senado (exactamente com o argumento que esse regulamento viola a Constituição)

2 - De qualquer maneira, isso não seria reforçar o poder presidencial face ao Senado, seria reforçar o poder da maioria do Senado sobre a minoria do Senado

Tuesday, February 02, 2010

Liberdade de associação ou igualdade de oportunidades?

It may also be a sideswipe the current equality bill, which narrows the existing exemptions enjoyed by religious groups, permitting them to insist that employees abide by their doctrines.

(...)

[O]n the matter of employment, the Pope has a rather stronger case, albeit on strictly secular grounds. It is not the province of government to rule on whom any voluntary association may or may not accept into membership or put on its payroll. For the sake of a healthy relationship between state and civil society, this point really has to prevail.

Perhaps the first significant erosion of this principle came with the Tory anti-union laws of the 1980s, which withdrew from trade unions the ability to exclude strike-breakers, and forced them to accept applications from active fascists.

We will see if the rightwing commentators who will no doubt speak up in favour of Benedict XVI in the days ahead possess sufficient logical consistency to accept this elementary point.

And writing as a leftwing commentator, yes, precisely the same consideration applies to the nonsensical decision that the British National Party should be forced to accept black members. Isn’t hating black people the very point of being in the BNP?

If the same yardstick was applied universally, Hizb ut Tahrir would be debarred from turning down evangelical Christians, for instance. I’m looking forward to the test case already.

Common sense alone dictates that the League Against Cruel Sports has no duty to be an equal opportunities employer in respect of illegal cock fighting aficionados. If you apply to be a Conservative parliamentary candidate and then inform the selection meeting that you are an anarcho-syndicalist, you do not have grounds subsequently to bring a discrimination case.

Peter Tatchell – a man with whom I usually agree on much – has been widely quoted taking the Pope to task on this one. But my guess is that he wouldn’t hire an overt homophobe for an admin job at OutRage!

By the same token, if you want to work for the Catholic Church, your potential bosses might reasonably expect you to uphold the teachings of Catholicism.

[Volto a notar que eu re-postar um texto não implica necessariamente concordância]


Reduzir os salários pode reduzir o deficit?

Parece que a UE quer uma baixa de salários na Grécia. Será que isso vai reduzir o deficit? Possivelmente sim (já que reduz os custos), mas provavelmente irá também aumentar o endividamento:

Se os salários baixarem, isso acabará por levar também a uma baixa dos preços. À primeira vista, podemos pensar "Então tudo bem - os salários baixam, mas os preços também baixam"; mas a Grécia é um Estado fortemente endividado, e de certeza que a dívida grega está denominada em euros (ou talvez em dólares), não em unidades do indíce de preços grego. Ou seja, mesmo que os preços baixem na Grécia, o valor nominal da dívida grega não vai baixar por isso, logo a dívida em proporção do PIB vai aumentar.

Umas analogia - imagine-se alguém com um ordenado de 1000 euros por mês, com uma dívida de 50.000 euros; suponha-se, num exemplo extremo, que o seu ordenado baixava para 500 euros e os preços também baixavam para metade - a sua dívida não iria baixar para 25.000 euros por isso, continuaria a ser 50.000 euros, logo passaria a ter muito mais dificuldade em pagar a sua dívida, mesmo que o salário real se tenha mantido igual. E o que vale para um indíviduo, vale também para um Estado, só que em ponto maior.

Monday, February 01, 2010

Alberto Gonçalves, Auschwitz e Israel

A libertação de Auschwitz, de que se assinalaram os 65 anos, é um belo e falso eufemismo. Os sobreviventes desse e dos demais campos de concentração não se tornaram homens livres por decreto. Sem contar com os que morreriam em função do tifo e debilitações várias, muitos dos que saíram de Auschwitz saíram para regressar a um passado que já não os esperava, ou para ser mortos em linchamentos "espontâneos", ou para vogar em navios que porto nenhum aceitava, ou para esperar em novos campos de "quarentena" por um destino incerto.

A admissão internacional, e depois formal, da ideia "sionista", nasceu em parte da tragédia subsequente à tragédia maior. Foi, resumindo imenso, a saída possível. Quando se repete, em jeito de lengalenga, a importância de não esquecer Auschwitz, convinha lembrar que, sem um território a que chamassem seu e em que assegurassem a própria protecção, centenas de milhares de judeus teriam arriscado um segundo Holocausto ou sofrido por tempo indeterminado os efeitos do primeiro...

Auschwitz não fechou em 1945, mas a 14 de Maio de 1948, data da fundação de Israel. Logo no dia seguinte, cinco nações vizinhas tentaram terminar o que as câmaras de gás haviam começado. Ainda não deixaram de tentar, frequentemente sob o aplauso de ocidentais esquizofrénicos que umas vezes celebram o fim de Auschwitz e outras vezes partilham os seus princípios.


Bem, em primeiro lugar parece-me que AG está a confundir a esquizofrenia com o sindrome das personalidades múltiplas/identidade dissociativa, que não tem nada a ver; mas essa confusão é tão frequente quando se usa a palavra "esquizofrenia" em sentido figurado que é aceitável...

Mas vamos ao que interessa - AG argumenta que sem a criação de um Estado judeu estes estariam à mercê de um novo Holocausto; mas a mim parece-me que, se existe um pedaço do planeta Terra onde os judeus correm perigo por serem judeus é, exactamente, em Israel (em Nova York ou mesmo em Paris estariam mais seguros). Se AG está tão preocupado com a sorte dos judeus pós-Holocausto, mais valia que reclamasse da escassez de vistos para imigração que os EUA atribuiram...

Aliás, os defensores de Israel costumam, eles sim, caíram numa espécia de esquizofrenia personalidade múltipla, segundo o qual Israel é necessário para existir um sítio onde os judeus possam viver em segurança e, simultaneamente, é um estado que precisa de apoio e solidariedade já que vive constantemente sob a ameaça de ser destruído pelos vizinhos árabes.

Saturday, January 30, 2010

A raça é uma construção social

O general Omar al-Beshir, líder do regime militar sudanês que reprime violentamente as populações negras do Darfur:


Ainda as burkas

Um argumento usado para defender a proibição da burka é que grande parte das mulheres usam-nas porque os maridos as obrigam.

É uma hipotese - mas é uma hipótese que implica admitir que a comunidade imigrante muçulmana está cheia de homens bastante apegados às suas tradições de origem (e que por isso obrigam a mulher a usar a burka) e de mulheres culturalmente ocidentalizadas (e que por isso adorariam sair à rua sem burka) e que foram acabar casadas com esses homens tradicionalistas; como digo, é uma hipótese, mas acho muito mais provável que o grau de tradicionalismo entre homens e mulheres muçulmanas no Ocidente seja mais ou menos o mesmo e que a quantidade de homens que querem que a mulher use burka seja mais ou menos o mesmo que a quantidade de mulheres que querem usar burka.

Já agora, há quem diga que as mulheres tendem a ser, em qualquer cultura, mais religiosas que os homens - se for assim, é até é possível que nalguns casos até seja o Ahmed que em casa diz para a Jamila "Só me fazes passar vergonhas com essa burka; até já ouvi dizer na fábrica que por causa disso é que não me promoveram a encarregado, porque acham que somos uma família esquisita!".

[Isto que escrevi aplica-se não apenas a burkas e niqabs, mas também a hijabs, chadores e afins]

Thursday, January 28, 2010

Será que nós sabemos que morremos?

Este post de Pedro Vieira lembrou-me de uma importante questão existencial - será que quem morre sabe que morre?

Bem, penso que há uma teoria que diz que somos imortais, já que, como a nossa consciência só sobrevive nas realidades paralelas (sim, esta teoria implica aceitar realidades paralelas...) em que não morremos, na nossa perspectiva subjectiva nunca iremos morrer (as outras pessoas vêem-nos morrer, nas realidades paralelas em que morremos, mas nós não).

HOWARD ZINN (RIP): “Holy Wars”

Anthony Gregory: The great leftist revisionist historian has passed away at 87. Zinn taught a couple generations of young people to question their history teachers and the civic religion of US governmental supremacy. While he was a bit of a pinko on labor issues, he was courageous and consistent in his condemnation of the worst thing the state does: murder innocent people in large numbers.

(Howard Zinn was an American historian, social critic, and activist. He is best known as author of the best-seller A People’s History of the United States. He spoke at Boston University on November 11, on the subject of American “Holy Wars.”)

http://www.democracynow.org/blog/2010/1/8/howard_zinn_three_holy_wars

A pandemia da gripe A

Anda agora muita gente a dizer que afinal não houve nenhuma pandemia de gripe A.

Recordo que "pandemia" quer apenas dizer "doença que contagia muita gente à escala mundial", não significa que a doença seja muito grave.

Ora, penso que é inegável que houve uma pandemia de gripe A este ano (eu conheço várias pessoas que a tiveram), tal como todos os anos há uma pandemia de gripe (no fundo, a diferença é que este ano, as pessoas, em vez da apenharem a gripe sazonal, apanharam a gripe A).

A proibição da burka

A França prepara-se para proibir o vêu integral, não sendo ainda claro se tal medida se vai aplicar apenas a edificios públicos ou também a quem ande na rua. Noutros países europeus discute-se o mesmo.

A minha opinião sobre a burka é a mesma que sobre o consumo de heroína - acho que não tem jeito nenhum, mas se alguém a quer usar/consumir, o que é que eu tenho a ver com isso?

A respeito de alguns argumentos usados para justificar a proibição:

1 - "A burka é um simbolo da discriminação e submissão da mulher"

Como é dito aqui, exactamente, é "um simbolo". Não se devem proibir "simbolos" (apenas actos reais).

2 - "Algumas mulheres usam a burka porque são obrigadas pela família"

E outras não. E assim, vamos passar de uma situação em que há uma hipotética imposição para outra em que há uma imposição clara e explicita. Além disso, não é muito claro o que "obrigadas" quer dizer neste caso. Se estamos a falar de mulheres que sejam agredidas ou mesmo mortas pelos maridos ou familiares por não usarem a burka, isso já são crimes previstos por lei, e o que deve ser feito é fazer cumprir essas leis. Mas e os casos de mulheres que usam a burka porque senão "são marginalizadas pelos familias e pela comunidade, abandonadas pelos maridos, etc."? Será que isso deve contar como "obrigadas"? Sinceramente, acho que não, ainda mais tratando-se de mulheres vivendo num país ocidental, que não teriam dificuldade em arranjarem um circulo social alternativo caso fossem excluidas pela comunidade de origem. A única situação em que o argumento do "obrigadas" faz algum sentido será no caso de menores.

3 - "A comunicação não-verbal é um aspecto importante da comunicação, e a burka impede isso"

Nesse aspecto, eu sou um bocado suspeito - como bom "INTP", eu prefiro falar sobre ideias e teorias do que sobre emoções e sentimentos; como a comunicação não-verbal é mais relevante para as segundas do que para as primeiras, é possível que eu lhe dê pouca importância.

Mas acho que isso é irrelevante - mesmo que a comunicação não-verbal seja um aspecto importante da comunicação, se alguém não quer "comunicar não-verbalmente" comnosco, está no seu direito.

4 - "Andarem pessoas não identificadas na rua representa um problema de segurança"

Este parece-me ser o ponto mais sólido dos anti-burkistas

Agora, vamos pensar na implementação da lei - se a polícia francesa encontrar uma mulher usando burka, o que vai fazer (sobretudo se se entender que o uso vai também ser proibido na rua)? Obrigá-la a tirar a burka? Multá-la? Levá-la para a esquadra? Fazer de conta que não é nada? Algumas dessas opções parecem-me muito susceptíveis de criar choques de sensibilidades (já a última iria fazer o Estado francês cair no rídiculo) - imagine-se que a policia encontra uma mulher velada na rua e ordena-lhe que retire o véu; para perceber o impacte disso, temos que nos lembrar que, para um(a) muçulmano(a) tradicionalista, isso era o equivalente, a, para um português, a policia barrar uma mulher na rua e ordenar-lhe que levantasse um pouco mais a saia. Se já há muita hostilidade à polícia nos subúrbios de Paris, imagine-se agora...

E com uma agravante: até agora, os confrontos entre jovens magrebinos e a policia em França tem sido essencialmente arreligiosos: os adolescentes que queimam carros e atiram pedras à polícia não são muito diferentes dos blouson noirs dos anos 50 ou dos jovens brancos da "underclass" britânica actual, apenas são mais escuros e com nomes esquisitos. Mas se a essa semi-deliquência juvenil "clássica" se juntar uma hostilidade religiosa ao Estado francês, poderemos estar a transformar os "rebeldes sem causa" em "rebeldes com uma causa" - a jihad, e em vez de simples desordeiros de bairro, passarmos a ter um viveiro de recrutamento de terroristas.

Estação de televisão silenciada na América Latina

Wednesday, January 27, 2010

Obama - o "liquidador" da economia dos EUA?

Obama Liquidates Himself, por Paul Krugman:

A spending freeze? That’s the brilliant response of the Obama team to their first serious political setback?

It’s appalling on every level.

It’s bad economics, depressing demand when the economy is still suffering from mass unemployment.

Now, I still cling to a fantasy: maybe, just possibly, Obama is going to tie his spending freeze to something that would actually help the economy(...). There has, however, been no hint of anything like that in the reports so far. Right now, this looks like pure disaster.

Tuesday, January 26, 2010

Casting


1961 - Casting para o filme "A maldita, o gato preto e a morte" (suponho que para a segunda parte do filme)

Caos no Haiti?

Those tales of mass violence in Haiti are looking increasingly dubious by the day. Here's Sasha Kramer, director of the Haitian nonprofit SOIL, describing the conditions she's seen after the quake:
Since we arrived in Port au Prince, everyone has told us that you cannot go into the area around the palace because of violence and insecurity. I was in awe as we walked into downtown, among the flattened buildings, in the shadow of the fallen palace, among the swarms of displaced people there was calm and solidarity.

We wound our way through the camp asking for injured people who needed to get to the hospital. Despite everyone telling us that as soon as we did this we would be mobbed by people, I was amazed as we approached each tent people gently pointed us towards their neighbors, guiding us to those who were suffering the most. We picked up five badly injured people and drove towards an area where Ellie and Berto had passed a woman earlier. When they saw her she was lying on the side of the road with a broken leg screaming for help. They were on foot and could not help her at the time, so we went back to try to find her. Incredibly, we found her relatively quickly at the top of a hill of shattered houses. The sun was setting and the community helped to carry her down the hill on a refrigerator door, tough looking guys smiled in our direction calling out, "Bonswa, Cherie,” (Good evening, Dear) and “Kouraj” (Courage)....
Such reports have been echoed by other people on the ground, such as The Guardian's Inigo Gilmore. It also matches the usual behavior witnessed after natural and technological disasters, in which mutual aid flowers while violence and theft are almost unheard-of. Even on those rare occasions that rioting does break out, there's much more spontaneous order than disorder.

Unfortunately, in Haiti as in New Orleans, the fear of crazed crowds has fed a centralized, militarized response to the crisis, erecting barriers between the needy and outside assistance. With U.S. troops in control of the Port-au-Prince airport, for example, the Red Cross and Doctors Without Borders have had flights redirected to the Dominican Republic.

To be clear: I'm not claiming there's no grassroots violence in Haiti. Just that, in another parallel with Katrina, those rumors of unruliness seem to have been grossly exaggerated. That may be because so much of the media report what they expect to see even when a completely different story is unfolding under their nose. Watch this bizarre report on CNN, in which Ivan Watson describes "chaotic crowds" while the camera shows crowds that are calm and patient. At one point Watson announces that we're watching a "chaotic scramble" onto a rescue ship. This is illustrated by a group of people carefully, methodically passing a baby onto the boat. Then, while more refugees peacefully load their luggage in the background, the reporter asks the shipowner his burning question: "Has anybody offered you any help with crowd control of these thousands of desperate people?"

Monday, January 25, 2010

O Diabo nega acordo com o Haiti

Satan Writes to Pat Robertson

When you say that Haiti has made a pact with me, it is totally humiliating. I may be evil incarnate, but I'm no welcher. The way you put it, making a deal with me leaves folks desperate and impoverished. Sure, in the afterlife, but when I strike bargains with people, they first get something here on earth -- glamour, beauty, talent, wealth, fame, glory, a golden fiddle. Those Haitians have nothing, and I mean nothing. And that was before the earthquake. Haven't you seen "Crossroads"? Or "Damn Yankees"? If I had a thing going with Haiti, there'd be lots of banks, skyscrapers, SUVs, exclusive night clubs, Botox -- that kind of thing. An 80 percent poverty rate is so not my style. Nothing against it -- I'm just saying: Not how I roll.

Saturday, January 23, 2010

Jon Stewart e os Democratas e Massachusetts II

The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
Mass Backwards
www.thedailyshow.com
Daily Show
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Political HumorHealth Care Crisis

Jon Stewart e os Democratas e Massachusetts

The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
Special Comment - Keith Olbermann's Name-Calling
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Political HumorHealth Care Crisis

Fim da responsabilidade limitada nos bancos?

É o que é (mais ou menos) proposto aqui:

What has been received little attention so far is the structuring of liability in banking (Sin 2008). In the early days of fractional reserve banking, bank owners were subject to unlimited liability. In the US, double liability for bank shareholders was common up to the Great Depression. All American investment banks were partnerships into the 1970’s and the last one, Goldman Sachs, only converted itself into a limited liability corporation about a decade ago. Back in the 70s, US financial sector liabilities were less than 20% of GDP. Today the figure is close to 120%. Leverage has increased enormously. Back then, stringent liability rules inhibited risk taking. In the days when such liability provisions applied to banks, “conservative” was the adjective habitually attached to “banker.” It does not fit the high-stakes gambling “quants” of recent years.

If bank stockholders were subject to double liability today, it would hardly be possible to attract enough capital into banking for the needs of a modern economy. Most stockholders have little or no ability to control the risks that bank managements assume. Liability provisions, however, could be applied directly to managers rather than to stockholders so as to change the incentives to assume risk that bank executives face.

Thursday, January 21, 2010

As "politicas socialistas" de Zapatero

Algumas pessoas dizem que a crise espanhola é (pelo menos em parte) consequência das "políticas socialistas" de Zapatero. Será que Zapatero tem tido politicas (económicas) socialistas?


Year Overall Score Business Freedom Trade Freedom Fiscal Freedom Government Spending Monetary Freedom Investment Freedom Financial Freedom Property Rights Freedom From Corruption Labor Freedom
2010 69.6 75.8 87.5 58.1 54.8 77.7 80.0 80.0 70.0 65.0 47.3
2009 70.1 76.8 85.8 58.6 55.3 78.9 80.0 80.0 70.0 67.0 48.3
2008 69.1 77.9 86.0 54.5 56.2 78.2 70.0 80.0 70.0 68.0 50.2
2007 69.2 78.0 86.6 55.2 54.8 78.5 70.0 80.0 70.0 70.0 49.3
2006 68.2 78.7 82.4 55.3 50.5 83.9 70.0 70.0 70.0 71.0 50.0
2005 67.0 70.0 80.2 55.4 53.0 83.9 70.0 70.0 70.0 69.0 48.8
2004 68.9 70.0 79.8 52.9 52.7 83.6 70.0 70.0 70.0 71.0 -
2003 68.8 70.0 81.4 52.6 52.2 83.3 70.0 70.0 70.0 70.0 -
2002 68.8 70.0 79.6 53.1 52.0 84.1 70.0 70.0 70.0 70.0 -
2001 68.1 70.0 78.0 53.8 54.4 80.7 70.0 70.0 70.0 66.0 -
2000 65.9 70.0 77.8 45.8 47.1 81.0 70.0 70.0 70.0 61.0 -

[Suponho que o índice da cada ano se refira ao ano anterior]

Zapatero foi eleito em 2004, e realmente o "índice de liberdade económica" (o "Overall Score") baixou em 2005; no entanto, em breve voltou a subir e durante a maior parte do governo Zapatero foi mais elevado do que em qualquer dos anos anteriores; assim, concluo que as políticas de Zapatero podem ter sido muito "progressistas" (nomeadamente nas "questões fracturantes", onde em Espanha podemos incluir as autonomias), mas não foram particularmente "socialistas".

As únicas rubricas onde o índice parece ter diminuído é na "liberdade monetária"(na prática, esse sub-indíce é o inverso da taxa de inflação) e na "liberdade da corrupção" (isto é, quando mais corrupto um país, menor este indíce), e este último até não depende directamente (pelo menos a curto prazo) das políticas do governo (sim, pode-se argumentar que um governo mais intervencionista favorece a corrupção, mas se fosse esse o caso, esse intervencionismo do governo deveria aparecer directamente nos outros indíces, em vez de apenas se evidenciar indirectamente).

Adenda: os leitores que não consigam ver a tabela toda têm duas opções - ir directamente ao link da Heritage e fazerem lá a pesquisa para Espanha de 2000 a 2010; ou então copiarem a tabela (de preferência a começar no "...não me parece" e acabando no "[Suponho que...") e "colarem" numa folha de cálculo, que se vê os dados todos

Anarquia no Haiti?

Wednesday, January 20, 2010

Os casamentos de Santo António

Das duas uma: ou se considera os casamentos de Santo António como uma actividade da Camara Municipal de Lisboa, e nesse caso a legitimidade da ICAR para recusar a participação de casais homossexuais na cerimónia é nula (isto é, têm legitimidade, como qualquer grupo de cidadãos, para contestar a lei e tentar revogá-la, mas não para se oporem à sua aplicação pela CML), ou então considera-se os casamentos de Santo António como uma actividade da Igreja Católica e nesse caso a CML não deveria participar nisso, à luz da separação entre a Igreja e o Estado.

De qualquer forma, não sei se os casamentos de Santo António deverão ser vistos como um ritual católico:

1 - Na sua encarnação actual, existem porque a CML decidiu reactivá-los (penso que no mandato de João Soares), não são uma criação da Igreja nem da "sociedade civil"

2 - Posso estar totalmente enganado no que vou escrever, mas penso que a associação do Santo António aos casamentos é apenas uma tradição popular lisboeta, não algo intrisecamente ligado à Igreja Católica enquanto religião organizada (pelo menos, fazendo umas pesquisas na net fora do contexto português, não vejo referência ao "Santo António casamenteiro" - o padroeiro dos casamentos felizes é o S. Valentim e os infelizes têm uma carrada deles, incluindo uma rainha portuguesa e um rei noruguês, mas o S. António não parece estar incluido)

Tuesday, January 19, 2010

Sobre o Haiti

Robertson’s Right: Haiti has a Pact with the Devil, por Thomas Knapp, no Center for a Stateless Society:

Robertson’s version of Haiti’s “pact with the devil” alludes to the 1791 slave rebellion, which was allegedly launched with religious ceremony by Vodou priest Dutty Boukman.

The real pact with the real devil — government — came later, as Haiti labored under the “governorship-for-life” of Toussaint-Louverture, the “emperorship-for-life” of Jean-Jacques Dessalines, the “kingship” of Henri I and “presidency-for-life” of Alexandre Pétion, the indemnity regime of Boyer, 32 coups, 20 years of US occupation, the Duvalier dictatorship …

With the usual suspects screaming hysterically about Haiti’s potential post-earthquake “descent into anarchy,” the obvious question is whether Haitians wouldn’t have been better off with 200 years of it!

Haiti's real deal with the devil, por Maggie Koerth-Baker:

Back in May, the Times Online provided some slightly better insight into Haiti's past.

Summary: Haiti was forced to pay France for its freedom. When they couldn't afford the ransom, France (and other countries, including the United States) helpfully offered high-interest loans. By 1900, 80% of Haiti's annual budget went to paying off its "reparation" debt. They didn't make the last payment until 1947. Just 10 years later, dictator François Duvalier took over the country and promptly bankrupted it, taking out more high-interest loans to pay for his corrupt lifestyle. The Duvalier family, with the blind-eye financial assistance of Western countries, killed 10s of thousands of Haitians, until the Haitian people overthrew them in 1986. Today, Haiti is still paying off the debt of an oppressive dictator

Monday, January 18, 2010

A adopção de crianças por casais homossexuais (II)


No entanto, suponho que a "amostra" para se chegar a essa conclusão seja composta maioritariamente, não por crianças adoptadas por casais homossexuais, mas sobretudo crianças que vivem com o pai(mãe) biológico e o seu companheiro (companheira). Essa situação é bastante diferente, porque, como já escrevi, em larga medida não são os pais que educam os filhos, são os filhos que se educam a si mesmos: ora, mesmo que dois pais adoptivos (ou duas mães adoptivas) proporcionem ao seu filho exactamente o mesmo ambiente que um pai biológico e o seu companheiro (ou uma mãe biológica e a sua companheira), a forma como o filho irá reagir já poderá ser diferente; p.ex., o primeiro ponto que apresento aqui - 6º parágrafo - só se aplica no caso específico de adopções. Ou se uma criança adoptada por dois homens a dada altura (talvez ao ver um DVD do "Marco"...) mete na cabeça que queria ter uma mãe? Ou uma criança adoptada por duas mulheres mete na cabeça que queria ter um pai? Note-se que estas situações normalmente não se colocam no caso da criança que vive com o pai e com o companheiro, já que aí ela continua a ter uma mãe (ou, mesmo que a mãe tenha morrido, a figura simbólica da mãe), mesmo que não viva com ela.

Friday, January 15, 2010

A América permissiva dos anos... 50?

Pôr os desempregados a limpar matas/varrer as ruas?

Há muita gente que diz que os beneficiários do subsidio de desemprego deveriam ser postos a "limpar matas", "varrer ruas", "reparar estradas", etc.

Vamos lá ver - imagine-se que eu tenho um seguro para a minha casa, pelo qual pago prémios regulares, e esta é destruída por um incêndio. Alguém iria exigir que eu trabalhasse para a seguradora para compensar o dinheiro que iria receber? Imagino que ninguém iria defender tal coisa - afinal, eu já paguei os prémios à seguradora e são esses pagamentos que me dão direito a receber o valor do seguro.

A filosofia do subsídio de desemprego é a mesma que dum seguro (penso que nalguns países a expressão é mesmo "seguro de desemprego") - eu contribuo todos os meses e, se perder o emprego, recebo o valor do subsídio. Sim, é verdade que é possível que muitas pessoas recebam, durante a sua vida, mais de subsídio do que o que contribuem, mas o mesmo acontece com todos os sistemas de seguro - uma pessoa que veja a sua casa destruida por alguma catastrofe, ou que tenha um acidente, ou coisa assim, provavelmente irá receber mais da companhia de seguros do que o que descontou de prémios.

De qualquer forma, se esses trabalhos que se sugere que os desempregados deveriam fazer são mesmo necessários, faria mais sentido, pura e simplesmente, o Estado contratar pessoas para os fazer, não?

Já agora, esta questão demonstra como a forma como as ideias são colocadas afecta a reacção do público a elas (o chamado "framing"): se alguém sugerir "deviam por as pessoas que estão no subsídio de desemprego a limpar as matas, em vez de lhes estarmos a pagar para não fazerem nada" vai suscitar reacções positivas de alguns sectores e negativas de outros; mas se sugerir "para combater o desemprego devemos lançar um programa de empregos públicos temporários - p.ex., para a limpeza das matas; nem se vai gastar muito dinheiro, já que o custo dos salários dessas pessoas vai ser compensado por menores despesas em subsídios de desemprego", os sectores que irão reagir negativa e positivamente já serão outros (nalguns casos, talvez até sejam opostos), embora o conteúdo real das duas propostas pouco ou nada mude.

Wednesday, January 13, 2010

O casamento pms sem adopção é inconstitucional?

Não faço ideia. No entanto, se o Tribunal Constiticional considerou que a situação anterior (em que duas pessoas do mesmo sexo não se podiam casar) não era inconstitucional, será um bocado ilógico que venha agora considerar que poderem casar mas não poderem adoptar já é inconstitucional.

Ainda mais ilógica me parece a posição de sectores da área do PSD, que acham que a actual situação é inconstitucional, mas que defendiam uma situação basicamente igual, em termos de direitos, a lei agora aprovada, com a única diferença que as uniões homossexuais chamariam-se "uniões civis registadas" em vez de "casamentos". Ora, não estou a ver como se pode achar que as uniões-entre-pessoas-de-sexos-diferentes-poderem-adoptar-e-as-entre-do-mesmo-sexo-não é inconstitucional se essas uniões tiverem o mesmo nome mas já é constitucional se tiverem nomes diferentes, quando o conteúdo real é o mesmo.

Uma analogia: faria sentido considerar que um restaurante ter uma mesa em que só os clientes brancos se podem sentar era ilegal, mas já era legal um restaurante em que só pudessem entrar brancos?

Debate na Economist - férias ou dinheiro?

European holidays, um debate na Economist sobre se "Europeans would be better off with fewer holidays and higher incomes".

Um comentário - o "defensor da moção", Robert Gordon, parece-me misturar um pouco alhos com bugalhos, já que o essencial do artigo dele acaba por ser, não sobre os europeus gozarem muitas ou poucas férias, mas sim sobre gozarem férias concentradas em Agosto em vez de repartidas pelo ano inteiro.

Glenn Gould plays Bach

Tuesday, January 12, 2010

A separação do casamento do Estado

Em complemento à minha opinião aqui expressa - O futuro do “casamento” civil transcrevo um comentário no MisesBlog ao post Is Gay Marriage a Constitutional Right?:


Jeffrey Tucker:

The idea of a marriage license in England was unknown before 1753, and it only gradually took hold in the U.S. in the 19th century. Traditionally, throughout the whole of human history, very few societies have seen marriage as a civil action; it was regard as a religious rite contracted by the affected parties and the disputes arising from it were adjudicated by ecclesiastical courts. It is a measure of the statism of our times that nearly everyone who speaks out on this issue believes that the state itself must either approve or deny gay marriage, so, as in all things, the involvement of the state here has created insoluble divisions and arguments. The only libertarian way forward is the completely privatization and decentralization of marriage.

As vantagens esquecidas das falências (rápidas)

Uma empresa vai à falência. A empresa é liquidada, os activos vendidos e o produto da venda é rateada pelos credores. Se este processo for rápido, em parte o emprego perdido é logo aproveitado pelos compradores dos activos, constituídos em nova empresa (durante esse tempo o subsídio de desemprego minora os males deste período de reafectação de bens de capital). A dívida que sobrecarregava um dado processo produtivo ... desaparece. A actual gestão e accionistas castigada.

Os benefícios deviam ser evidentes, quantas vezes ouvimos que uma dada empresa é rentável mas o peso do serviço da dívida é que impede a sua sobrevivência? Ou que o mal é a corrente gestão?

As tentativas de salvar empresas por meios políticos a maior das vezes trata apenas de adiar um cadáver moribundo prejudicando todos para benefício dos agentes políticos.

Re: Uma visão inglesa da situação na Islândia (II)

Os Islandeses não têm obrigação nenhuma de cumprir com obrigações falhadas (por empresas privadas) com depositantes ainda por cima não islandeses. Os bancos islandeses deviam entrar em processo de liquidação rateando o activo pelos seus credores. A Islândia é um caso extremo do processo de expansão de crédito numa bolha imobiliária. Quando uma bolha rebenta os Bancos (de reservas parciais) menos integrados numa dada moeda são os primeiros a sofrer, no caso, filiais a actuarem em Inglaterra cm contas em libras e talvez euros. Os Islandeses podem e devem argumentar que a sua actividade era regulada pelas autoridades britânicas (com toda a probabilidade sempre felizes em argumentar sobre as vantagens da capacidade de um sistema bancário em criar moeda e crédito do nada) e que se estas não actuaram preventivamente … azar. O endividamento público extremo para cobrir o risco de depositantes não islandeses é absurdo.

That is capitalism for you

The man who sips his morning coffee does not say, "Capitalism has brought this beverage to my breakfast table." But when he reads in the papers that the government of Brazil has ordered part of the coffee crop destroyed, he does not say, "That is government for you"; he exclaims, "That is capitalism for you." Mises

PS: A destruição de produção agrícola ou similar é um velho hábito de governos a tentar artificialmente impedir que os preços nominais baixem. Roosevelt recorreu massivamente a tal brilhante ideia no meio da fome da Grande Depressão porque achava que era preciso impedir a descida nominal de preços (a que atribuía a crise, um caso de misticismo a culpar as consequências e sintomas de cura em vez de procurar as causas). A União Europeia (e outros blocos) não fazem melhor, não só subsidiam a produção dos agricultores (que podemos classificar comparativamente como de "ricos") tornando os produtos mais caros a todos, como impede as importações de países mais pobres, como depois ainda despeja nos mercados internacionais a preços artificialmente baixos, arruinado a produção local dos países sub-desenvolvidos.

Monday, January 11, 2010

"Império, Nação, Revolução"

Tenho andando a ler "Império, Nação, Revolução - as Direitas Radicais Portuguesas no fim do Estado Novo", de um investigador italiano, Riccardo Marchi, sobre os grupos à direita de Salazar e (sobretudo) de Caetano - a revista "Tempo Presente", o Movimento Jovem Portugal, a Frente Nacional Revolucionária, a Cooperativa Cidadela, etc.

Duas coisas que me ocorrem:

Uma é que,se chamamos "fascistas" ao Salazar e ao Caetano, então estes grupos eram o quê? Ou significará isso, exactamente, que "fascista" não é o termo mais apropriado para chamar ao "Estado Novo"?

Outra coisa: é muito frequente o "meme" dos ex-maoístas que se tornaram politcos e/ou comentadores do sistema (a começar pelo Presidente da Comissão Europeia); mas parece que os ex-"nacionais-revolucionários" também não são assim tão poucos.

Uma coisa que já me tenha ocorrido durante as eleições para o Parlamento Europeu - algures num blog, ou nos comentários, ou coisa assim, alguém escrevia "Lucas Pires, ao menos, sempre defendeu a liberdade" (imagino que em contraponto ao passado comunista do Vital Moreira). Mas esta gente não sabe o passado do Lucas Pires??

Note-se que eu não estou criticar o passado politico dessas pessoas (afinal, eu também tenho um passado e, ainda por cima, um presente extremista, embora de sinal contrário), estou apenas a constatar um facto.

Ou será que a maior visibilidade do passado maoísta de uns em comparação com o passado "nacional-revolucionário" de outros é apenas a consequência de ser ex-maoísta ser mais socialmente aceitável do que ser ex-"nacional-revolucionário"?

Uma visão inglesa da situação na Islândia (II)

Iceland says ‘Can’t pay, won’t pay’ — and it is right, no Times (provavelmente um jornal mais "de referência" do que o City A.M.):

Iceland is right. Britain (and the Netherlands) should give way on the demand that it should pay them back in full for losses in the collapsed Icesave online bank. They will probably have to do so — but before they give way their stubbornness may drive Iceland, now within sight of joining the European Union, to the level of international basket case.

President Grímsson’s decision to block a Bill that would repay Britain and the Netherlands the £3.6 billion their savers lost has triggered a storm of abuse. But the tiny nation of 320,000 people has a good case for saying it won’t pay back all the debt on the dates set out. It has an even better case for saying it can’t.

When Landsbankii, the parent of Icesave, collapsed in 2008, Iceland questioned whether it was obliged to compensate foreign savers. To cool the panic and demonstrate leadership, the British and Dutch governments decided to pay the savers right away, and try to get the money back from Iceland.

Under EU law it’s very debatable whether Iceland is obliged to pay them. It signed up to “passporting” rules that allow banks to operate across national borders if they take part in their home country’s system of guaranteeing deposits. But crucially, these guarantees vary between countries, in their level, and in who runs them. In Britain, the guarantee comes from the Government, and shortly before Landsbankii collapsed, was raised to £50,000. In Iceland, insurance was offered through the Depositors’ and Investors’ Guarantee Fund, set up by private banks, and in value equal to only 1 per cent of deposits. That was within EU rules, which did not foresee the simultaneous collapse of the country’s entire banking system.

In asserting that Iceland must repay in full, Britain is making two contestable assertions. The first is that if Iceland’s private fund can’t pay, the responsibility passes to the Government and taxpayers. EU rules do not say this, if only because they fail to provide for such dramatic circumstances. The second is that Iceland must pay not the amount set by its own guarantee rules nor even the British £50,000, but the full amount of British savers’ losses, even though the Government chose to pay out more than UK rules obliged.

It is hypocritical of Britain, with the Netherlands, to insist on the full £3.6 billion. Britain describes this as a loan to Iceland, but the “deal” in June that purported to set out the terms has never been agreed by Iceland’s parliament and President — hence this week’s drama.

Britain claims that responsibility for foreign activities of a bank falls on the taxpayers of a country in which its headquarters happen to sit. But while Britain has courted foreign banks assiduously, it is unthinkable that if it faced paying £720 billion to foreign savers (as, scaled up for the UK population, a comparable bill would be) it would pay without murmur. UK regulators also approved Icesave, and bear responsibility too.

(...).

Iceland is hardly blameless. Its bankers and politicians are entirely at fault for the greed, ignorance, vanity and cronyism which led to the implosion. National fury at Gordon Brown’s misappropriation of anti-terror laws to freeze Landsbankii’s UK activities was understandable, but has become a self-indulgent evasion. It is very hard to get Icelanders to look beyond this insult to acknowledge the real injury to British savers. (...)

After all the legal rows, Iceland’s best card is that it can’t pay. A fall in the currency would make debt insupportable; a fall in population (and many graduates are now leaving) would make full payment impossible.

Comentário no Icenews (um dos poucos sites noticiosos islandeses numa língua legível):

The only inaccurate thing about The Times’ in-depth Icesave analysis is the headline.

One of Britain’s most respected newspapers, The Times this weekend published a column by Bronwen Maddox explaining the underlying arguments behind the Icesave issue and why Iceland may have a strong case for its reluctance to reimburse the UK and Dutch governments for their Icesave bailouts; although the article is careful not to absolve the Icelandic government and bankers of blame.

The headline, “Iceland says ‘Can’t pay won’t pay’ – and it is right”, is the only major factual inaccuracy, as the country has in fact said neither