Friday, January 20, 2012

Hoje, às 01:35


Thursday, January 19, 2012

PL118

Wednesday, January 18, 2012

Qual é a real representatividade do Governo que se senta neste Conselho?

Helena Matos pergunta "qual a real representatividade das organizações patronais e sinidicais que se sentam" na Comissão Permanente de Concertação Social.

Podíamos ir um pouco mais longe e perguntar qual a representatividade dos membros do Governo que se sentam no conselho - afinal, se provavelmente a maior parte dos trabalhadores não são sindicalizados e dos empresários não são "associados", também a maior parte do povo português não escolheu este Governo (entre abstencionistas e votantes de outros partidos, apenas 27% do eleitorado escolheu este governo). Antes que alguém diga "quem se abstém aceita implicitamente o resultado das eleições", também se podia dizer "quem não se sindicaliza nem cria um sindicato alternativo aceita implicitamente o que os sindicatos estabelecidos acordarem"; em abono dos sindicatos e associações patronais, diga-se que quem não gostar da sua linha de actuação pode sempre criar um sindicato/associação patronal alternativo e tentar "roubar" filiados aos já existentes - quem não goste da política do governo não tem essa hipótese.

Monday, January 16, 2012

Os "erros da wikipedia"

A respeito dos 11 anos da wikipedia, o Diário de Notícias fez um artigo dedicado... aos erros na wikipedia. Para quando um artigo (talvez no próximo aniversário do DN) sobre os erros do Diário de Notícias (eventualmente com uma estatística comparando as respecitivas taxas de erro).

[Mesmo há uns dias houve um de palmatória - o DN publicou a tradução de um artigo inglês sobre "países desaparecidos", em que logo no principio se falava que, em dado momento, os ingleses tinham acabado de ganhar a II Guerra Mundial "com a ajuda dos ianques e do «tio Joe»"; depois, nas notas de rodapé, a tradutora explicou quem eram os "ianques" - nome atribuído aos habitantes do noroeste dos Estados Unidos mas que fora do país é aplicada a todos os habitantes dos EUA - e quem era o «tio Joe» - o general Joseph Warren Stilwell, que comandou as forças norte-americanas na Birmânia, China e Índia; ainda gostava de saber onde é que a tradutora foi descobrir esse general Stilwell... Ela não saberá que a expressão "Uncle Joe", ainda mais naquele contexto, se refere a Estaline??]

AnCap becoming mainstream

How much government do we really need? A former Federal Reserve economist gives a surprising answer: None!

A "Standard & Poors" explica-se

Credit FAQ: Factors Behind Our Rating Actions On Eurozone Sovereign Governments

WHAT HAS PROMPTED THE DOWNGRADES?

Today's rating actions are primarily driven by our assessment that the policy initiatives that have been taken by European policymakers in recent weeks may be insufficient to fully address ongoing systemic stresses in the eurozone. In our view, these stresses include: (1) tightening credit conditions, (2) an increase in risk premiums for a widening group of eurozone issuers, (3) a simultaneous attempt to delever by governments and households, (4) weakening economic growth prospects, and (5) an open and prolonged dispute among European policymakers over the proper approach to address challenges.

The outcomes from the EU summit on Dec. 9, 2011, and subsequent statements from policymakers lead us to believe that the agreement reached has not produced a breakthrough of sufficient size and scope to fully address the eurozone's financial problems. In our opinion, the political agreement does not supply sufficient additional resources or operational flexibility to bolster European rescue operations, or extend enough support for those eurozone sovereigns subjected to heightened market pressures.

We also believe that the agreement is predicated on only a partial recognition of the source of the crisis: that the current financial turmoil stems primarily from fiscal profligacy at the periphery of the eurozone. In our view, however, the financial problems facing the eurozone are as much a consequence of rising external imbalances and divergences in competitiveness between the EMU's core and the so-called "periphery". As such, we believe that a reform process based on a pillar of fiscal austerity alone risks becoming self-defeating, as domestic demand falls in line with consumers' rising concerns about job security and disposable incomes, eroding national tax revenues.
[Serão estas as "considerações do foro político" que indignaram Passos Coelho?]

Saturday, January 14, 2012

O arrendamento e o endividamento

De vez em quando surge a teoria de que a culpa do endividamento nacional é (pelo menos em parte) da dificuldade em arrendar casa (há uns dias, tanto o Daniel Oliveira como o Henrique Raposo vieram com essa teoria); se eu percebo, a teoria é que, como não há casas para arrendar, as pessoas têm que comprar casa, e como muitas não têm dinheiro para isso, tem que pedir emprestado.

Então, vamos lá ver - vamos supor que eu, em vez de ter pedir, digamos, 100.000 euros ao banco para comprar uma casa, ia viver para uma casa arrendada; teriamos menos endividamento, certo? Afinal, foram menos 100.000 euros que foram pedidos de empréstimo.

Mas, mesmo que eu arrendasse uma casa em vez de comprar, ela não ir surgir do ar; ou seja, mesmo que eu não compre a casa, alguém tem que a comprar (para depois a arrendar a mim); e, então, das duas uma:

1ª hipótese - essa pessoa (o meu hipotético senhorio) pediu ele dinheiro emprestado para comprar a casa; nesse caso, nada muda em termos de endividamento

2ª hipótese - essa pessoa comprou a casa com o dinheiro dele; realmente, nesse caso (e ao contrário dos anteriores), não foi concedido nenhum empréstimo de 100.000 euros; mas provavelmente foi levantado um depósito de 100.000 euros, logo a diferença entre "empréstimos concedidos" e "dinheiro disponível em Portugal para emprestar" aumentou à mesma 100.000 euros (por outras palavras, é a mesma necessário ir pedir mais 100.000 euros emprestados ao estrangeiro).

Ou seja, a diferença entre comprar ou arrendar casa pode afectar a quantidade de dinheiro que alguns portugueses devem a outros portugueses, mas não terá efeitos relevantes sobre a dívida total liquida do conjunto dos portugueses.

Pondo as coisas de outra maneira - ou há capital disponível em Portugal para financiar a construção e compra de casas, ou não há; se há, a compra de casas (seja para habitação própria, seja para arrendamento) não vai causar endividamento líquido do conjunto dos portugueses (alguns podem-se endividar, mas outros terão um saldo positivo); e se não há, haverá endividamento de qualquer maneira (a única diferença entre as várias modalidade é quem se irá endividar).

Bem, na verdade há uma situação em que a opção pelo arrendamento em vez de pela compra iria reduzir o endividamento externo - se fossem os investidores estrangeiros a investir directamente no mercado da habitação, ficando eles como senhorios; aí ninguém em Portugal se iria endividar para ter casa; mas haverá uma grande diferença entre o país estar fortemente endividado ao estrangeiro e ter que pagar juros, ou grande parte dos activos reais do país estarem nas mão de estrangeiros, que recebem rendas por isso? Pelo menos, acho que o argumento que fiz em 2010 sobre "o problema da dívida externa" aplicar-se-ia também nesse caso, com uma ou outra alteração de pormenor.

Thursday, January 12, 2012

O primeiro debate entre "minarquistas" e "anarco-capitalistas" (em 1849)?

Les Soirées de la Rue Saint-Lazare: Entretiens sur les lois économiques et défense de la propriété, por Gustave de Molinari, que defende o que hoje em dia seria chamado "anarco-capitalismo"


Question of the Limits of State Action and Individual Action Discussed at the Society of Political Economy, uma espécie de "acta" da reunião da Société d’économie politique em que a tese de Molinari foi discutida, e rejeitado pelos principais pensadores liberais da época (um resumo/apresentação por Roderick T. Long, que traduziu o texto)

Review of Gustave de Molinari’s Soirées, por Charles Coquelin (resumo/apresentação por Long)

Wednesday, January 11, 2012

O que é um ateu?

Há dias, João César das Neves escrevia que "o ateísmo é a crença que Deus não existe". De vez em quando também surgem discussões sobre se para ser ateu basta não ter motivos para acreditar que Deus exista ou se é necessário acreditar que Deus não existe (sendo a anterior posição "agnosticismo" e não "ateísmo").

Acho que isso é largamente o resultado de termos 3 nomes (crente, agnóstico e ateu) para designar o que são, pelo menos, quatro posições distintas:

a) "Eu estou convencido que Deus existe"

b) "Não tenho motivos suficientes, nem para achar que Deus existe, nem que não existe"

c) "Na ausência de razões que me levem a achar que Deus existe, parto do principio que não existe"

d) "Eu estou convencido que Deus não existe"

Ora, se a posição a) é inequivocamente "crente", a b) "agnóstica" e a d) "ateia", já não é muito claro em que gaveta por os que seguem a linha c) - são "agnósticos" ou "ateus"?

Poderá-se por em causa a razoabilidade de assumir que algo não existe só por não haver razão para supor que existe (afinal, como por vezes diz, "ausência de prova não é prova de ausência"); mas a verdade é que é o que fazemos na maior parte das situações da vida - quando chego a casa e me preparo para abrir a porta, não sou "agnóstico" face à hipótese de estar um gang de assassinos canibais à minha espera; se não notar nada de estranho, parto do principio que não está. Da mesma maneira, se perguntarmos a alguém se é multimilionário, a resposta mais provável é "não", em vez de "não sei", mesmo que o perguntado não olhe para o extracto de conta há horas ou dias (quem lhe garante que nenhum benfeitor anónimo lhe não depositou 3 milhões de euros há um minuto)?. Ou seja, há montes de possíveis situações ou eventos que, na ausência de razões para achar que existem ou ocorreram, simplesmente partimos do principio que não existem/não aconteceram (em vez de sermos "agnósticos" e dizermos "talvez tenha acontecido, talvez não").

Uma maneira alternativa de ver a questão - um individuo estima uma dada probabilidade para a existência de Deus; a partir de que probabilidade deixa de ser um agnóstico para passar a ser um ateu? Aos 0% (quem ache que a probabilidade de Deus existir é 0% e quem a estime como maior que 0% mas menor que 100% é agnóstico)? Aos 49,9999..% (isto é, ateus são todos aqueles que acham mais provável que Deus não exista do que exista)? Um valor intermédio?

Os "3/5 de pessoa"

No 5 Dias, Raquel Varela cita um artigo sobre o Haiti de Eduardo Galeano em que este afirma que, na primeira Constituição dos EUA, se estabelecia que um negro contava com 3/5 de uma pessoa.

Há uma (ou várias) grande confusão acerca dessa cláusula da Constituição dos EUA, frequentemente apresentado como simbolo do racismo dos fundadores dos EUA.

A primeira confusão é ser frequentemente referido (como Galeano faz) que um negro contava como 3/5 de pessoa. Errado - o que lá dizia era que um escravo contava como 3/5 de pessoa (um negro livre contava como uma pessoa inteira); mais exactamente, dizia que as "free Persons, including those bound to Service for a Term of Years" eram contados por inteiro, enquanto que "all other Persons" contavam como 3/5. Ou seja, um negro livre valia o mesmo como um branco livre.

Mas a questão mais importante até não é essa. Os "3/5" foi um compromisso entre duas facções - de um lado os que queriam que os escravos contassem tal e qual como um homem livre; do outro os que queriam que eles, pura e simplesmente, não contassem nada. Portanto, de um lado, tinhamos os progressistas humanitários que queriam contar os escravos como pessoas como outras quaisquer, e do outros os racistas esclavafistas que não queriam contar os escravos como pessoas, certo?

Errado - era ao contrário : eram os esclavagistas que queriam contar os escravos por inteiro, e eram os anti-esclavagistas que não os queriam contar. A explicação é simples: a questão dos 3/5 tinha a ver com o método usado para determinar quantos representantes cada Estado iria ter no Congresso federal. Como é evidente, os escravos não tinham direito a voto - contar os escravos para distribuição de deputados iria aumentar a representação dos brancos livres do Sul (nomeadamente os donos das plantações), já que só esses é que poderiam votar. Já o campo anti-escravatura defendia que os escravos não deveriam contar, exactamente para reduzir o peso do Sul no Congresso (e com o argumento que, se os escravos não contavam como pessoas para tudo o resto, não faria sentido contarem como pessoas para efeitos da representação política dos Estados esclavagistas). Os "3/5" foram o compromisso possivel.

A ironia disto é que uma posição (não contar os escravos como pessoas inteiras) que foi tomada por pressão dos adversários da escravatura tenha sido reciclada na cultura popular e frequentemente apresentado como um sinal de racismo (claro que os fundadores dos EUA eram racistas, isso nem é discutivel; mas a "cláusula dos 3/5" foi criada por pressão do que mais parecido havia na época com "anti-racistas").

Escócia independente?

Renewed Sparring Over Scottish Independence Movement (New York Times):

The smoldering issue of Scottish independence has ignited again, this time in a political context that appears to give Scottish nationalists at least an outside chance of gaining popular support for the end of Scotland’s constitutional ties with Britain in a referendum among Scottish voters within the next two or three years.

Monday, January 09, 2012

Os políticos são naturalmente a favor dos patrões?

Biased towards bosses, por Chris Dillow:

[P]oliticians are, by their very nature, too sympathetic to managers.


This is not simply because they come from the same social class. Nor is it because MPs are bought off by the rich. It’s also because of a selection effect.

The sort of people who want to enter politics - as MPs, advisors or even reporters - are generally those who think that society and the state can be managed for the better. They are, therefore, predisposed to believe that management is, or can be, a socially useful activity, which means they are biased to think that chief executives, on average, should earn a lot.

"Evangélicos"

Uma evolução curiosa dos comentários à politica dos EUA é que parece ser mais frequente chamar "evangélico" ao católico Rick Santorum do que aos baptistas Bill Clinton ou Al Gore.

[Por qualquer razão estranha, aquilo a que nos anos 80 se chamava "fundamentalistas" passou a ser chamado de "evangélicos", independentemente da denominação religiosa que efectivamente sigam]

Thursday, January 05, 2012

Os Iranianos são é muito sensíveis e nervosinhos

(carregar na imagem para a ver completa)


Cada estrela representa uma base militar americana (via Business Insider).

Ou será apenas pelos repetidos apelos a um ataque por políticos e opinion-makers americanos? Que sensíveis.

Game of the Century - Bobby Fischer [COM 13 ANOS] vs Donald Byrne



Tuesday, January 03, 2012

Monday, January 02, 2012

Imagine

Em vez do exemplo dado de uma ocupação pela China ou Rússia podemos pensar na Federação Democrática da Galáxia (aquela da Star Wars - so this how liberty dies ou a da Serenity) para acabar com a guerra civil permanente no planeta terra e ensinar-nos a ser civilizados e a gostar de tofu.