Tuesday, February 11, 2014

Empresas geridas pelos trabalhadores e macroeconomia

Um passagem do artigo citado (páginas 84-85) neste post:

We close this section by sketching a hypothesis developed by David I. Levine and a number of co-authors (Levine and Tyson, 1990; Levine, 1993; Levine and Parkin, 1994; Levine, 1995). This is the hypothesis that participatory firms (by extension, LMFs) are disadvantaged for macroeconomic reasons in an economy consisting largely of KMFs. In brief, the argument runs as follows (an elaboration appears in Levine, 1993).

Suppose LMFs do not lay off workers when demand falls, because the workermembers prefer to absorb demand fluctuations through earnings rather than layoffs. The practice of avoiding layoffs will be quite costly to the firm if recessions are long and deep, and may even threaten the survival of the enterprise. On the other hand, suppose KMFs use a more conventional compensation scheme where nominal wages remain fixed over the business cycle, and reductions in demand are absorbed through layoffs. If KMFs are the dominant organizational form, their employment practices will aggravate the business cycle for familiar macroeconomic reasons, leading to longer and deeper recessions than in a world where LMFs are the dominant mode of organization. We thus have the possibililty of multiple equilibria: if KMFs are already dominant, an LMF may not be viable, but if LMFs were already widespread the resulting dampening of the business cycle could enable individual LMFs to thrive (and might even undercut the viability of KMFs).

Porque fui buscar isso - porque faz lembrar a minha teoria de que as empresas em autogestão, durante uma crise, terão menos problemas de rigidez nominal de salários, embora os autores, pelos vistos, consideram isso uma desvantagem a nível microeconómico.

Monday, February 10, 2014

Irlanda: Anarquia por 2000 anos





Agora legendado (Br)

Friday, February 07, 2014

Está explicado porque às vezes eu tenho ideias estranhas

No Algarve nada é normal.

Capitalistas a contratar trabalho vs. trabalhadores a contratar capital

Why Capital (Usually) Hires Labour, an Assesment of Proposed Explanations [pdf], por Greg Dow e Louis Putterman.

Um estudo sobre os motivos porque é mais frequente termos empresas geridas por capitalistas a contratar trabalhadores, do que empresas geridas por trabalhadores a contratar capital (p.ex., alugando máquinas, ou financiado-se via empréstimos).

Diga-se que, com "empresas geridas por capitalistas" (capital-managed firms - KMF) e "empresas geridas por trabalhadores" (labor-managed firms - LMF) os autores referem-se a um conceito mais lato do que empresas geridas por todos os capitalistas ou por todos os trabalhadores: uma empresa que parte do capital esteja sob a forma de ações sem direito a voto ou de obrigações, mas em que os sócios com direito a voto (p.ex., os detentores de ações com direito a voto) o sejam na sua qualidade de investidores, é uma KMF; da mesma forma, uma sociedade profissional (p.ex., de advogados) em que alguns trabalhadores ainda não tenham direito a voto (p.ex., advogados sem estatuto de sócios) e outros nunca vão ter (como as secretárias ou o pessoal da limpeza), mas em que os sócios com direito a voto (mantendo o exemplo, os advogados com estatuto de sócios) o sejam na sua qualidade de trabalhadores da empresa, é uma LMF.

Thursday, February 06, 2014

Um inimigo da cultura

Este - fartou-se de vender obras de arte (Mirós, ainda por cima) durante a sua vida.

Economistas e conservadorismo

O blogger Chris House escreve que os economistas tendem a ser mais conservadores que os académicos de outras áreas (via Noah Smith e Antonio Fatas):

It is not obvious why American college faculty members have such strong liberal political views. Many conservatives argue that it is due to discrimination in hiring and that the students receive a sharply biased education as a consequence. I don’t think that the intellectual capacities of conservatives are below that of liberals but I suppose it could be a possible explanation. My own guess is that it is due to selection on attitudes towards accepting received wisdom as truth. As I mentioned in a previous post, academics are encouraged to break new ground or even to overturn established ideas. Einstein is an excellent example of such a thinker. So are Stephen Hawking, John Maynard Keynes, Alfred Blalock, etc.* Deliberately setting out to tear down established parts of your field requires a certain mindset and this mindset might be more common with people who have liberal political views. (...) The 2005 study presented results on political views by department. As a field, economics ranks as one of the least stereotypically liberal, and most conservative, fields on campus. While I cannot think of a single Republican in my own department (and no, I’m not a Republican), it is quite common to hear faculty members emphasizing the benefits of limited regulation, the gains from trade, and the harm caused by market intrusions like minimum wages, capital taxation and import tariffs. I am quite sure that many of the economists in my department would be viewed as radical right-wing conservatives by members of other departments at Michigan.
Suspeito que, sobretudo num contexto norte-americano, comparar a quantidade de "conservadores" num Departamento de Sociologia e num Departamento de Economia é um bocado comparar alhos com bugalhos - um sociólogo conservador (alguém como James Q. Wilson ou Robert Nisbet) normalmente é mesmo um conservador; mas supeito que a maior parte dos economistas classificados (ou mesmo auto-classificados) como "conservadores" não são conservadores coisa nenhuma - são liberais clássicos, que apenas são classificados como "conservadores" devido à bizarra terminologia política norte-americana; isso é relevante porque um economista liberal (mesmo que se chame de "conservador") não precisa de ter nenhuma das crenças e atitudes (prudência, preferência pela experiência sobre a razão, desconfiança pelas ideias abstractas, etc.) que os conservadores a sério são suposto terem (talvez muito pelo contrário: pelo menos a micro-economia neo-clássica e a macroeconomia das expectativas racionais - conotados com o liberalismo clássico, que nos EUA passa por "conservadorismo" - até recorrem muito mais ao racionalismo abstracto do que o keynesianismo), logo os problemas de estilo intelectual que noutras áreas podem afastar os académicos de posições conservadores não ocorrem com a Economia.

Tuesday, February 04, 2014

Quem é anarquista?

Pode esta auto-classificação ou classificação por terceiros ser definida ou delimitada de alguma forma?

Suponho que existem muitas perspectivas possíveis para o tema, eu proponho uma formulação:

A crença que é possível a cooperação social voluntária como norma de justiça universal e onde o poder de agir sobre os outros por meios violentos ou não consentidos, unilateralmente e sem legitimidade, está ausente, ou pelo menos, é minimizado e controlado.

Sim, existirão muitas formas de cada um definir "poder de agir sobre os outros por meios violentos ou não consentidos, unilateralmente e sem legitimidade". E isso distinguirá os diferentes anarquismos.

Eu creio que uma forma prática de distinguir diferentes "escolas" ou até perspectivas individuais, aqui, como em todo a filosofia ou ciência social é descrever uma posição sobre a moral e a ética definidas neste sentido:
Ética: aquilo que podemos fazer/não fazer sujeito à sanção violenta de terceiros (individual ou comunitária) e independentemente dos julgamentos morais possíveis (o dever fazer/não fazer).
Moral: aquilo que devemos fazer/não fazer, independentemente de podermos não-fazer/fazer, e onde a sanção ou aceitação passará por meios não violentos como as práticas de exclusão/inclusão social (quem o entender).
A importância da Ética revela-se no diferente entendimento sobre o que é o uso da força em legítima defesa (para os anarquistas não-pacifistas). Porque o anarquismo não implica necessariamente pacifismo, embora eu diria, que um pacifista será sempre necessariamente um anarquista, quer o admita ou não. Por outro, existe o tipo de anarquista pacifista armado e que reconhece a arma de defesa como meio legítimo.

Quanto à Moral, o anarquista desejará que cada pessoa e comunidade voluntária possa viver como quer e deseja, e assim haverá em primeira ordem, um dever moral de tolerância.

PS: Mas eu por exemplo, acho que existe pouca tolerância sobre comunidades mais conservadoras e tradicionalistas (como a Igreja) embora estes devam (e eu faço muito por recomendar) concentrar-se nas formas sociais pacíficas de inclusão/exclusão sociais de fazerem valer o seu conservadorismo (coisa que o estado moderno praticamente invalida ao não admitir ou em muito dificultar a discriminação voluntária).

Será inevitável, claro, falar de direito honesto de propriedade individual ou partilhada, e ainda do direito de livre associação e dissociação de uma comunidade.

A democracia tem um problema com o anarquista, o qual eu, repetindo-me, acho, que só pode ser resolvido pela expressa menção em qualquer ordem constitucional formal ou informal, que existe o direito de secessão, o que permite pressupor, que não sendo exercido, existe uma elevada presunção de se constituir uma comunidade voluntária. Nem vejo outra forma prática de legitimar uma qualquer ordem constitucional.

Creio que existem coisas comuns aos vários anarquismos: crítica da banca tal como ela é permitida operar, e que deságua num excesso (artificialmente induzido) de financeirização e concentração de poder, do militarismo, a tolerância por escolhas, a crítica ao corporativismo, a crítica a elites artificiais (cada um julgará a sua como "artificial") e que tomam conta e perpetuam o sistema (e sistema aqui, será a estrutura que mais impede ou dificulta o caminho para a ordem desejada, neste caso, a anárquica).

E deixo aqui uma citação de Tolkien:
2My political opinions lean more and more to Anarchy (philosophically understood, meaning the abolition of control not whiskered men with bombs) — or to ‘unconstitutional’ Monarchy. I would arrest anybody who uses the word State (in any sense other than the inaminate real of England and its inhabitants, a thing that has neither power, rights nor mind); and after a chance of recantation, execute them if they remained obstinate! If we could go back to personal names, it would do a lot of good. Government is an abstract noun meaning the art and process of governing and it should be an offence to write it with a capital G or so to refer to people … The most improper job of any many, even saints (who at any rate were at least unwilling to take it on), is bossing other men. Not one in a million is fit for it, and least of all those who seek the opportunity … There is only one bright spot and that is the growing habit of disgruntled men of dynamating factories and power-stations; I hope that, encouraged now as ‘patriotism’, may remain a habit! But it won’t do any good, if it is not universal.” - J.R.R. Tolkien, letter to his son, 1943 (from The Letters of J.R.R. Tolkien).

Monday, February 03, 2014

Federalismos

Emenda: ao contrário do que escrevo abaixo, afinal o Bloco não defendeu um "salário mínimo europeu"

Texto original:

Em todas estas polémicas entre supostos defensores e supostos adversários do "federalismo" como solução para a UE, há uma coisa que nunca ficou bem clara: o que é que querem exactamente dizer com "federalismo"?

Em teoria, o que distingue um Estado federal de uma confederação ou de uma simples aliança entre Estado é que os estados federados não podem abandonar unilateralmente a federação; diga-se que nem sempre os nome coincidem com as coisas - a Etiópia é uma confederação (constitucionalmente qualquer estado etíope pode declarar a independência) mas chama-se "República Democrática Federal da Etiópia", enquanto a Suíça é uma federação mas chama-se "Confederação Suíça".

Já agora, a diferença entre um estado federal e um estado unitário é que um estado federal não pode abolir unilateralmente a autonomia dos estados federados, enquanto um estado unitário, por mais autonomia que dê às suas regiões, provincias, etc., pode sempre abolir essa autonomia (na prática, essa diferença consubstancia-se em que, num estado federal, é suposto que os estados federados tenham alguma forma de participação nas revisões constitucionais [pdf], seja através da revisão ser votada não só no parlamento federal mas também nos parlamentos dos estados, seja tendo que ser aprovado nalgum orgão federal mas composto por representantes dos estados federados).

Diga-se que a diferença entre uma confederação, uma federação e um estado unitário não tem necessariamente a ver com a maior ou a menor centralização - podemos ter um estado unitário cujas provincias tenham mais autonomia que os estados de uma federação (há quem argumente que é o caso de Espanha), e também podemos ter uma confederação cujo estados membros tenham menos autonomia que os estados de um federação (talvez fosse o caso da antiga URSS, embora aí não é muito claro se se tratava de um confederação centralizada, ou se era mais uma confederação super-descentralizada governada por um partido único super-centralizado). O que distingue uma confederação, um federação e um estado unitário é sobretudo a questão "quem tem poder para mudar as regras do jogo?".

E agora regressamos à questão do federalismo europeu; a verdade é que, no sentido estrito do termo, não me parece existir praticamente "federalistas" - pode haver uma caso ou outro, mas até agora ainda não vi/li/ouvi ninguém defender que os países membros da UE deveriam deixar de poder abandonar a UE (o que é o sinal distintivo de um estado federal); na verdade, quando se fala em "federalismo" o que toda a gente quer dizer (seja adversários ou defensores) é, simplesmente, reforço das compentências da UE face aos estados nacionais.

E agora vamos ao ponto a que eu quero chegar - a recente descoberta do Bloco de Esquerda de que é contra o federalismo, e que o PS e o PSD (imagino que o LIVRE também esteja incluído) serão a favor. Se definirmos "federalismo" no sentido rigoroso do termo, ninguém é a favor do "federalismo"; se usarmos o termo simplesmente no sentido de "reforço das competências das instituições europeias", parece-me que o Bloco é (ou, pelo menos, era) dos mais "federalistas" dos partidos portugueses - afinal, penso que foi o primeiro partido a defender os eurobonds, a harmonização fiscal e acho que há tempo até defendia um salário mínimo europeu).

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

Tuesday, January 28, 2014

Igualdade e natureza humana

No Portugal Contemporâneo, Joaquim Couto e Carlos Guimarães Pinto estão entretidos a discutir se as tendências igualitárias são intrinsecas à natureza humana.

Dois posts de Joaquim Couto:

Analisados os argumentos em debate, subsiste uma dúvida que nem Marx, nem Engels, nem o CGP esclareceram: se o Homo Sapiens viveu numa espécie de comunismo primitivo durante a maior parte da sua existência e se os genes dos que contrariavam o igualitarismo não sobreviveram, porque é que o comunismo não se tornou no sistema político e económico predominante e de maior sucesso?
e

Tem alguma relevância tentar compreender se o Homo Sapiens é geneticamente igualitário ou se, pelo contrário, convive bem com a desigualdade desde que haja sentido de equidade e de justiça?

Para mim tem imensa relevância porque gosto de pensar que a minha visão libertária do mundo corresponde, o melhor possível, à chamada natureza humana. (...)

Se sonharmos com um futuro contrário à natureza humana (utopia), temos de armar a guilhotina, porque só pela força o vamos conseguir impor. Foi isso que aconteceu aos diversos socialismos que varreram o mundo, deixando dezenas de milhares de mortos pelo caminho.

Se o nosso sonho porém for ao encontro da natureza humana, como eu penso que o libertarianismo (e provavelmente o catolicismo) vai, então podemos remeter a guilhotina para um museu de horrores e contemplar um futuro em que cada um seja livre de buscar a sua própria felicidade (reparem como não há igualdade na felicidade...).

Como libertário, eu penso que estou em sintonia com a natureza humana e com o sucesso do Homo Sapiens na Terra. Caso contrário teria de rever toda a minha filosofia de vida.

Parece-me que o Joaquim Couto não se apercebe da contradição em que está a cair - se o facto de o comunismo não ser o sistema social dominante na história humana demonstra que não a natureza humana não é comunista/igualitária, exactamente o mesmo se aplica ao "libertarianismo" - podemos discutir muito sobre como foi a pré-história humana, mas não há duvida que a história (pós-invenção da escrita) foi feita de escravatura, servidão, camponeses a pagaram tributos (às vezes de 2/3 da produção) a imperadores e senhores feudais, guildas profissionais e limitarem o acesso a profissões, etc., etc. O único período na história a haver algo parecido com o liberalismo (imagino que seja isso que que o Joaquim Couto quer dizer com "libertarianismo") foi na Europa Ocidental e na América do Norte no século XIX - antes disso vigorava a redistribuição forçada de baixo para cima, e a partir do século XX passou a vigorar (nessas regiões - no resto do mundo creio que continuou a ser o modelo tradicional) a redistribuição forçada de cima para baixo (o chamado "Estado Social").

Wednesday, January 22, 2014

anarquistas

O Jeffrey Tucker está a pedir contribuição para uma lista de anarquistas (sim, a maior parte, "property rights anarchists" embora com variantes várias) "proeminentes", se alguém se lembrar de alguém adequado de língua portuguesa... A lista está assim: Prominent Anarchists living or dead (please add them alphabetically!) Edward Paul Abbey Mikhail Bakunin Randy Barnett Tom Bell Bruce Benson Nikolai Berdyaev Alexander Berkman Jeff Berwick Amanda Billyrock Étienne de La Boétie Bob Black Peter Boettke Murray Bookchin Gunther Bornkamm Julie Borowski Greg Boyd Walter Block Antonio Buehler Bryan Caplan Art Carden Kevin Carson Doug Casey Gerard Casey Gary Chartier Charlie Chaplin Roy Childs Frank Chodorov Noam Chomsky Jesus Christ Alexandre Christoyannopoulos Voltairine de Cleyre James Corbett Christopher Coyne Scott Crow Leon Frank Czolgosz Daniel D’Amico Dorothy Day Graham Dugas Frank Van Dun Howard Ehrlich Vernard Eller Jacques Ellul Ralph Waldo Emerson Lorenzo Kom'boa Ervin Paul Feyerabend Jim Fleming Doug French David Friedman Patri Friedman David Galland Luigi Galleani Jerry Garcia William Gillis William Godwin Emma Goldman Paul Goodman David Gordon David Graeber Anthony Gregory Walter Grinder John Hagel David Hart Woody Harrelson John Hasnas Martin Hengel Jeff Herbener Auberon Herbert Karl Hess Ezra Heywood Robert Higgs Thomas Hodgskin Hans-Hermann Hoppe Scott Horton Steven Horwitz Jacob Huebert Michael Huemer Jörg Guido Hülsmann Anne Hutchinson Anthony de Jasay Charles Johnson Peter Joseph Angela Keaton Soren Kierkegaard Daniel Klein Bruce Koerber Adam Kokesh Samuel Edward Konkin III Peter Kropotkin Gustav Landauer Wolfi Landstreicher Donald Lavoie Peter Leeson Robert LeFevre Leonard Liggio Roderick Long John Joseph Lydon John Henry Mackay James J. Martin Emmanuel Charles McCarthy Wendy McElroy Anna Martin Peter Maurin Gustave de Molinari Stefan Molyneux Alan Moore Johann Most Erich Mühsam Robert Murphy Satoshi Nakamoto Jan Narveson Andrew Napolitano Saul Newman Albert Jay Nock Michael Ohanian Franz Oppenheimer David Osterfeld Lucy Parsons Pelagius Ernestine Perkins Fredy Perlman Richard Perkins Catherine Pickstock Pierre-Joseph Proudhon David Prychitko John Pugsley Paul Émile de Puydt Ralph Raico Justin Raimondo Kenneth Rexroth Sheldon Richman Rudolf Rocker Lew Rockwell Larken Rose Murray Rothbard Mary J. Ruwart, PhD Nicola Sacco J Neil Schulman George Selgin Butler Shaffer George H. Smith L Neil Smith Vernon Smith Joseph Sobran Rebecca Solnit Jesus Huerto de Soto Herbert Spencer Lysander Spooner Porter Stansberry Ben Stone Max Stirner Edward Stringham William Graham Sumner Morris and Linda Tannehill Peter Andreas Thiel Mark Thornton Henry David Thoreau J.R.R. Tolkien Leo Tolstoy Jerome Tuccille Benjamin Tucker Jeffrey Tucker Kevin Tucker Ross Ulbricht Laurence Vance Bartolomeo Vanzetti Brett Veinotte James L. Walker Colin Ward Josiah Warren Carl Watner Cody Wilson Robert Anton Wilson Claire Wolfe Jarret B. Wollstein Thomas E. Woods Jr. Robert Paul Wolff John Zerzan Zhuangzi Neil Roberts

Monday, January 20, 2014

Acerca d'«Os Filhos do Rock»

Um dos personagens é um caso claro de Not Even Bothering with the Accent

O Blasfémias e a co-adopção

é curioso como o Blasfémias está cheio de posts sobre a discussão sobre a co-adopção, mas sem, aparentemente, os seus bloggers tomarem partido sobre a co-adopção propriemente dita (no caso específico da Helena Matos, parece-me comprovar a minha tese de que ela parece mais empenhada em criticar as posições da esquerda do que em apresentar as posições dela).

Friday, January 17, 2014

As classes sociais nos EUA face à guerra do Vietname

Hardhats for Peace, College Kids for War, por Jesse Walker (Reason):

The incident itself, in which rampaging New York construction workers beat up hippies and demanded that City Hall raise the American flag, is a piece of historical trivia; most Americans born after it have little inkling that it occurred, and even the people who were around at the time are likely to be hazy on the details. But the image of a pro-war worker in a hardhat punching a privileged protester is enshrined in our cultural memory. It's what the late '60s and early '70s were supposed to look like: college kids who hated the Vietnam War and blue-collar patriots who loved the flag. (...)

In Hardhats, Hippies, and Hawks, her new study of social class and public opinion during the war, the CUNY sociologist Penny Lewis doesn't destroy that image so much as she adds all the missing images that complicate it. (...)

For one thing, the picture changes radically if you stop focusing on public movements and instead look at public sentiments. Throughout the Vietnam era, Lewis demonstrates, studies of public opinion showed that "working-class people were never more likely than their middle-class counterparts to support the war, and in many instances, they were more likely to oppose it." Americans with just a grade school education were more likely to favor withdrawal than Americans who had gone to college; only at the very high end of the education ladder, among people with advanced degrees, did dovishness begin to creep up in popularity again.

The movement also changed over time. Antiwar activists broadened their base. The "prairie power" wing of the New Left brought more working- and lower-middle-class students to the marches and teach-ins. Black and Mexican protest groups, which tended not to be as middle-class as their white counterparts, called for withdrawal. Some unions turned against the war, though the majority stood by the Pentagon. Antiwar action even took hold in parts of the military itself, sometimes in the form of traditional activism and sometimes just in the form of skin-saving disobedience. (That last item may seem unimportant, but it arguably did much more to influence the actual conduct of the war than any marches on the homefront.)

(...)

The very figure of the hardhat is itself a stereotype. Lewis doesn't mention it, but by the 1970s several hardhats were hippies—not in the sense of living in country communes or trying to drop out of mainstream society, but in the sense of growing their hair longer, listening to rock music, maybe smoking a little pot, and otherwise behaving in ways that might have gotten them beaten up at the Hard Hat Riot. While Lewis neglects that cultural convergence, she does delve into the complicated, contradictory strands of working-class politics in this period, crediting the historian Jefferson Cowie with the observation that white workers in the '70s were "vigorously left, right, and center." (She misattributes the line—Cowie was quoting Michael Harrington.) This is a favorite topic for scholars of recent American history, who are frequently fascinated by the fact that rank-and-file labor militance was on the rise at the same time that figures like George Wallace were able to find a blue-collar audience.

"Bullying" vs "porrada na escola"

No Estado Sentido, Fernando Melro Santos escreve que "bullying [é] aquela prática de andar à porrada na escola, agora tão obsoleta".

Acho que o FMS está a confundir conceitos - "bullying" não é a velha "prática de andar à porrada na escola"; "bullying" é a (também velha) prática de haver um aluno que é regularmente vitima de gozos e de "partidas" de mau gosto por parte dos outros (seria interessante comparar a incidência relativa do "bullying" e da "porrada" por vários meios sociais e geográficos; quase que apostaria que o "bullying" cresce e a "porrada" decresce com a urbanização); o "bullying" pode degenerar em "andar à porrada", mas normalmente só quando a vítima reage (os casos de "bullying" que passam a "andar a porrada" não devem ser muitos, já que suspeito que uns dos critérios para a "escolha" da vítima de "bullying" é exactamente a aparente baixa probabilidade de esta reagir de uma maneira que faça o "bullying" passar a "porrada").

Escolaridade obrigatória e liberdade

Na Quadratura do Circulo de ontem à noite, toda a gente bateu na proposta da JP de reduzir a escolaridade obrigatória para o 9º ano por esta defender isso com o argumento da "liberdade"; segundo os comentadores, esse argumento serviria para acabar com a escolaridade obrigatória, não para a reduzir.

Se estivermos a falar de "liberdade das famílias", se calhar têm razão; mas se estivermos a falar de "liberdade individual", é perfeitamente possivel, em seu nome, defender a redução da escolaridade obrigatória para o 9º ano sem defender a sua abolição - é só assumir que alguém que já tem o 9º ano tem mais capacidade (seja pela idade, seja por ter mais conhecimentos) para tomar decisões por si do que alguém que ainda nunca foi à escola, e portanto é o primeiro já deve ter acesso a certas liberdades que ainda estejam vedadas ao segundo.

Thursday, January 16, 2014

O paradoxo das eleições europeias

As grandes questões da politica a seguir pela União Europeia são decididas nas eleições nacionais. As eleições para o Parlamento Europeu acabam por ter relevância sobretudo para a politica interna de cada estado-membro.

The real effects of the European elections may be felt in London and Edinburgh rather than in Brussels (The Monkey Cage):

While the role of the European Parliament (EP) has grown significantly in the past decades, and particularly with the 2009 Lisbon Treaty, the European Parliament remains the weakest link in the E.U. power triangle. Although it has now become a co-lawmaker, the political agenda is still mainly set by the European Commission and approved by the European Council. Consequently, as the late Peter Mair already noted in a seminal article (pay wall) in 2000, the paradox of E.U. politics is that if you want to influence the European level, you have to vote in national elections. After all, it is at the national level that the members of the European Council and the European Commission are decided. In that sense, the 2013 German parliamentary elections were probably more important for E.U. politics than the 2014 European elections will be.

In a similar paradox, the importance of the European elections will not so much be at the European level, but at the national level of some E.U. member states. Journalists and politicians use the European elections often as a barometer of public opinion.

Tuesday, January 14, 2014

A propósito da escolaridade

Conversa da minha mãe com o meu melhor amigo da altura, quando tinhamos ambos 11 anos (ele era dos melhores alunos da turma na 4ª classe, mas tornou-se um péssimo aluno - tanto em notas como em comportamento - no 1º ano do ciclo):

Meu amigo - Eu quero ser electricista

Minha mãe - Mas não queres estudar mais?

Meu amigo - Quero, mas quero estudar aquilo que quero

Nesse tempo o ensino obrigatório era até ao 6º ano, mas ele ainda ficou mais uns anos na escola, no ensino noturno; nessa altura, outro dos meus amigos, que também chumbou no 1º ano do ciclo, deixou de estudar e foi procurar emprego na construção civil (acabou por fazer vida como talhante), mas esse já devia ter uns 15 ou 16 anos na altura.

Atenção que eu não estou a defender que crianças de 11 anos possam deixar a escola e/ou escolher o que querem aprender, mas por outro que direito temos nós de forçar jovens como esses meus amigos de infância a estudarem coisas que eles não querem estudar (ainda mais que, nessa altura, as coisas que eu preferia estudar também não eram as que eram dadas na escola)?

Sunday, January 12, 2014

A proposta da JP de redução da escolaridade obrigatória

Pelos blogs que tenho lido, parece haver uma indignação generalizada contra a proposta da "Juventude Popular" de voltar a colocar a escolaridade obrigatória no 9º ano.

É curioso como as coisas mudam - uma ideia (escolaridade obrigatória até ao 9º ano) que até há pouco tempo era a lei vigente, passou em para aí dois anos a ser vista como algo de "monstruoso".

Já agora, relembro alguns posts que escrevi sobre o assunto:

Sobre a escolaridade obrigatória (Agosto de 2006)

Os alunos que não querem tirar o 12º ano (Abril de 2009)

Ainda a escolaridade obrigatória e Continuando com a escolaridade obrigatória (Abril / Maio de 2009)

Há prejuízos sociais na educação? - II (Setembro de 2010)

Saturday, January 11, 2014

Os quadros de Miró e Crivelli

Qualquer quadro, pintando em qualquer lugar por qualquer pintor de qualquer nacionalidade, deve ficar para todo o sempre em Portugal caso, por qualquer motivo, entre em território nacional - findo o Império, é a hora de Portugal abraçar a sua vocação imanente: tornar-se a galeria de arte do mundo inteiro.

Talvez nem fosse má ideia que nos aeroportos houvesse funcionários a revistar as bagagens dos turistas e imigrantes, a fim de descobrir se, quando entram no país, trazem algum quadro com eles (nessas situações, impõe-se que, com a máxima urgência, o quadro em questão seja declarado património de interesse nacional, antes que os visitantes decidam sair de Portugal levando quadro de volta).

Wednesday, January 08, 2014

"Homem caucasiano"

Ontem, no "CSI", um personagem falava (a respeito de um assassinado) em "white male", que nas legendas se transformou em "homem caucasiano".

Pelo que sei, o uso da expressão "caucasiano" ("caucasian") para designar aquilo que vulgarmente se chama "branco" (ambas as expressões não têm grande base científica - nem a população em questão é de cor branca, nem tem especialmente nada a ver com o Cáucaso) era um hábito tipicamente norte-americano (a palavra "caucasóide" foi inventada na Europa mas caiu em desuso, vindo a ressuscitar nos EUA como "caucasiano"). Mas pelos visto a palavra "deu a volta", e agora é em Portugal que "white" é traduzido para "caucasiano"...