Friday, September 21, 2018

Jordan Peterson, snowflake

Exclusive: Jordan Peterson Threatened to Sue a Critic for Calling Him a Misogynist:

Best-selling author Jordan Peterson first shot to fame by styling himself as afree-speech warrior at the University of Toronto, where he teaches psychology. Objecting to trans people’s requests that he use their preferred pronouns, Peterson said in 2016, “I don’t recognize another person’s right to determine what pronouns I use to address them.” Later, he told the BBC, “I’ve studied authoritarianism for a very long time — for 40 years — and they’re [sic] started by people’s attempts to control the ideological and linguistic territory.”

But Peterson’s affection for unbounded “linguistic territory” only goes so far, it seems. In June, he threatened to sue Down Girl author and Cornell University assistant professor Kate Manne for defamation, after she criticized his book, 12 Rules For Life, and more generally called his work misogynistic in an interview with Vox.
Ou talvez não - se calhar "snowflake" só se aplica aos que tentam calar os outros pelos seus próprios meios e com risco pessoa (invadindo uma sala de conferências, p.ex.), mas já não aos que subcontratam ao Estado (ameaçando com processos judiciais, p.ex.) a tarefa de calar os seus oponentes.

Thursday, September 20, 2018

Porque será mais fácil a um governo de direita sair do euro

Ultimamente tem se vindo aos poucos a falar de uma possível crise orçamental ou da dívida italiana (via).

Se essa crise ocorrer (e é provável - o programa da coligação extrema-direita/extremo-centro que governa Itália inclui baixar os impostos e aumentar as prestações sociais, o que possivelmente poderá levar a um conflito com a Comissão Europeia ou o Eurogrupo, a uma redução dos ratings, etc.), suspeito que Itália mais facilmente poderá jogar a cartada "sair do euro e/ou lançar uma moeda própria" do que a Grécia ou Portugal.

A minha ideia - sobretudo imediatamente, quem ganha e quem perde se um país sair do euro e passar a usar uma moeda desvalorizada (ou se permanecer nele, mas passar a pagar aos funcionários públicos com uma moeda desvalorizada)?

- Ganha que tem vencimentos facilmente atualizáveis (em que pode subir o valor nominal para compensar a desvalorização da moeda)e perde quem tem vencimentos nominais fixos; ou seja, assim perderá mais serão as pessoas que vivem de receber juros de títulos ou depósitos (cujo rendimento é fixo), depois os assalariados (cujo vencimento só é atualizado de vez em quando), enquanto os empresários e trabalhadores por conta própria (que em principio podem subir os seus preços a qualquer momento) serão os mais beneficiados.

- Ganha que produz sobretudo bens transacionáveis (isto é, bens que são comercializados no mercado internacional), cuja competitividade aumenta com a desvalorização (e cujo preço, de qualquer maneira, é mais afetado pelos preços internacionais), e perde que produz bens não-transacionáveis (e que vai ter que pagar mais caro quando quiserem comprar bens transacionáveis). Assim, eu diria que quem trabalha na agricultura, industria extrativa ou transformadora e no desenvolvimento de alta tecnologia ganhará, e quem trabalha na construção civil e em grande parte do comércio e serviços perderá.

- Os trabalhadores do sector público serão prejudicados face aos do sector privado, já que os primeiros vão passar a receber na nova moeda, enquanto é possível que no sector privado se continue, formal ou informalmente, a usar o euro (assim, assumindo que a nova moeda desvaloriza, os rendimentos dos funcionários públicos desvalorizarão face aos dos privados).

Ou seja, dá-me a ideia que um país trocar o euro por uma moeda mais fraca iria, à partida, beneficiar mais (ou prejudicar menos) os empresários e o sector privado e menos os assalariados e os funcionários públicos; por outras palavras, mais o eleitorado da direita que o da esquerda; assim, a Liga italiana terá mais margem de manobra para, se for enconstada à parede pela UE, abandonar o euro (as empresas exportadoras do Norte de Itália - que suponho, entre empresários e trabalhadores, sejam a sua clientela eleitoral - até agradecerão) do que o Syriza grego.

Já agora, fará também algum sentido que em Portugal o PCP seja o mais anti-euro dos partidos da geringonça (face ao pré-euro PS e ao até há pouco tempo oscilante BE) - já que suspeito que o PCP tem uma maior base social entre os trabalhadores dos sectores transaccionáveis, enquanto o BE e o PS serão partidos mais dos trabalhadores dos serviços (pode-se contrapor que no Algarve - a região onde tradicionalmente tanto o PS como o BE têm a sua maior implantação eleitoral - grande parte do comércio e serviços é transacionável, devido ao turismo, mas duvido que a nível global isso afete muito).

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

Wednesday, September 12, 2018

Labour propôe participação dos trabalhadores na propriedade das empresas

McDonnell: Labour will give power to workers through ‘ownership funds’(The Guardian):

All private companies employing more than 250 people would have to set up “ownership funds” giving workers financial stakes in their companies and increasing powers to influence how they are run, under radical plans announced by Labour as it prepares for a possible general election within months.
[Via Chris Dillow]

Na Suécia, nos anos 70, houve um plano para fazer algo parecido (mas o eleitorado não gostou da ideia)

Friday, September 07, 2018

O "Deep State" e Trump

Lendo o tal artigo que alguém da administração Trump* publicou no New York Times, parece-me que o Deep State / Steady State está a tentar sabotar essencialmente o único ponto positivo de Trump (ser aparentemente menos belicista e militarista do que se esperaria de um Republicano), e de resto não têm grandes objeções a ele.

* Não sei porquê, lembrei-me de Franz von Papen

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

A concentração capitalista vai de vento em poupa

A respeito da redução do número de trabalhadores por conta própria em Portugal, Carlos Pereira da Cruz (CCz) escreve que "que em Portugal o número de trabalhadores por conta própria está a baixar, enquanto em todas as economias ocidentais está a crescer".

Será mesmo? Vamos ver os dados da OCDE , e comparar a percentagem de trabalhadores por conta própria nalguns países, em 2013 e 2017:


2013
2017
dif.
União Europeia16,52%15,54%-0,98
Zona Euro15,86%14,95%-0,91
EUA6,61%6,26%-0,35
Reino Unido14,58%15,36%0,78
Alemanha11,2%10,2%-1,00
França11,27%11,64%0,37
Itália24,82%23,2%-1,62
Portugal21,94%16,99%-4,95
Japão
(ocidental honorário)
11,51%10,4%-1,11

Com a exceção do Reino Unido e da França, nos principais países do OCDE parece estar a haver uma redução da proporção de trabalhadores por conta própria (ainda que não tão pronunciada como em Portugal - mas também é verdade que o nosso ponto de partida é mais elevado que a maioria dos outros); agora, de facto isto não contradiz o que CCz diz, já que ele se refere ao número de trabalhadores por conta própria, e não à proporção (e uma pequena redução na proporção acompanhada por um aumento do total de trabalhadores - como acontece num período de recuperação económica - provavelmente leva a um aumento do número absoluto de trabalhadores por conta própria) - no entanto, acho que a evolução da proporção é uma variável mais relevante que o número absoluto (que é facilmente afetado por outras variáveis, como o ciclo económico ou a evolução da população).

Ou seja, mesmo com a famosa gig economy mantêm-se a tendência histórica para o trabalho por conta própria diminuir; na verdade até diria que provavelmente a gig economy até fará essa redução na realidade ser maior do que mostram estas estatísticas, já que muitas pessoas que trabalham nesse sector estão inscritos como trabalhadores independentes mas na verdade têm muito de assalariados-com-outro-nome; um exemplo: há dias ouvi falar de um senhor que foi fazer uma entrevista para ir trabalhar para a Uber, e que acabou por, para trabalhar com eles, ter que fazer sociedade com outro, porque sozinho não tinha disponibilidade para fazer os horários que eles queriam; antes de ouvir esta história, eu até julgava que os motoristas da Uber só trabalhavam quando queriam (ligando e desligando a aplicação à sua vontade) - mas afinal é-lhes imposto uma espécie de horário (ou seja, já são um tipo de semi-assalariados).

Leituras adicionais:

Thursday, September 06, 2018

Guatemala: auto-golpe em marcha?

El Moralazo es cuestión de tiempo. Jimmy desacata a la CC y prohíbe el ingreso de Iván Velásquez, por Gabriel Woltke:

El pasado viernes 31 de agosto Jimmy Morales retomó su batalla personal para sacar a la CICIG de Guatemala. Revivió todos los fantasmas de los golpes de Estado militares y sacó carros militares para intimidar a ciudadanos, organizaciones sociales, la misma CICIG y la Embajada de Estados Unidos.

El viernes anunció que no renovaría el mandato de la Comisión y que “no acataría órdenes ilegales” como preludio de que este despliegue de fuerza desmedido apuntaba a que buscaba algo más.
Sus defensores en redes sociales y la Fundación Contra el Terrorismo lo apremiaron a que “concluyera lo que empezaba” y al parecer, este 4 de septiembre ha decidido concretar su plan. (...)

La orden del presidente Jimmy Morales desobedece la sentencia del más alto tribunal del país, la Corte de Constitucionalidad, que tras frustrar su primer intento por expulsar a Iván Velásquez, le ordenó no interferir en el trabajo de CICIG.

Impedir que el comisionado ingrese al país es el obstáculo más grande que podría hace el presidente y desobedecer a la Corte de Constitucionalidad constituye un delito.

Solo hay dos salidas para salir de esta encrucijada.

Una es que la Corte de Constitucionalidad lo obligue a respetar sus decisiones, ordenando a los Ministros de Gobernación y Defensa que desobedezcan al Presidente.

Y la otra, la más probable, es que Jimmy Morales y sus ministros de Gobernación y Defensa desconozcan a la CC. Eso es un Golpe de Estado al mejor estilo del que intentó perpretar Jorge Serrano Elías en 1993.

Thursday, August 30, 2018

Re: O Bloco nada tem a dizer sobre a Venezuela?

N'O Observador, João Marques de Almeida pergunta se O Bloco nada tem a dizer sobre a Venezuela?.

Na verdade, não é muito difícil ver o que o Bloco tem a dizer sobre a Venezuela; é só ir ao Esquerda.net , p.ex.

Se eu percebo, a reclamação do João Marques de Almeida é por o Bloco não ser capaz de defender a Venezuela, apesar de lá haver mesmo um regime socialista; mas então a questão seria se a Venezuela é mesmo socialista, e aí é que a porca pode torcer o rabo, porque deve haver quase umas duzentas definições rivais do que é "socialismo"; p.ex., se definirmos socialismo como "uma sociedade sem Estado, sem dinheiro e sem trabalho assalariado", a Venezuela não será socialista, já que todas essas coisas existem na Venezuela (ou no caso do dinheiro, pelo menos existem pedaços de papel que são impressos com a intenção de serem usados como dinheiro) - assim, quando grupos como o Socialist Party of Great Britain fazem post scriptums dizendo que a Venezuela não é socialista estão totalmente correctos, já que o SPGB define "socialismo" como uma sociedade sem dinheiro e com a economia gerida democraticamente, condições que a Venezuela não cumpre. Da mesma forma, para um marxista-leninista radical, que defenda que quase tudo, tirando talvez micro-empresas unipessoaism seja nacionalizado, a Venezuela também não será socialista (já que grande parte da economia continua a ser, pelo menos nominalmente, privada).

Mas se isso é fácil para micro-grupos estritamente ideológicos, que têm uma definição rígida do que é "socialismo" e bem plasmada nos seus documentos ideológicos e sites na internet (e em que portanto é fácil verificar se um regime existente no mundo real é ou não socialista de acordo com a definição particular adotada por esse grupo), já é mais difícil para partidos como o Bloco de Esquerda, cuja plataforma ideológica é mais vaga, e onde cabem desde social-democratas (que só se distinguem dos do PS por discordâncias quantitativas - mais despesa pública e maior progressividade fiscal) até defensores de um "socialismo de conselhos operários" ou coisa parecida. No entanto, mesmo com essa enorme salganhada ideológica que é o BE, penso que é possível ver um fio condutor, nomeadamente a partir da críticas que as correntes que deram origem ao Bloco faziam aos antigos regimes da Europa de Leste (independentemente de terem começado a fazer essa crítica a partir dos anos 30 ou a partir de 1990): nomeadamente, a crítica principal era de que esses regimes não eram verdadeiramente socialistas (mas sim ou "capitalistas de estado", ou "estados operários com uma degeneração burocrática", ou algo assim) porque, embora os meios de produção pertencessem ao estado, esse estado não era controlado e governado pelo conjunto da sociedade (e nomeadamente pelo proletariado), mas sim por uma elite de "burocratas" que se havia assenhorado do poder político e, consequentemente, também do económico. Tal como já disse, esta crítica aos regimes comunistas realmente existentes (de que não basta estatizar a economia ou parte substancial dela, é preciso que a economia estatizada seja mesmo gerida pela coletividade e não por uma nova classe dirigente) pode ser subscrita por muita gente, desde defensores de uma democracia parlamentar com os sectores estratégicos da economia nacionalizados (estilo o Reino Unido durante os governos do Old Labour) até defensores de que as empresas e o estado sejam governados por delegados de plenários de fábrica, rotativos e revogáveis a qualquer instante.

Mas, se formos por esse critério, efetivamente a Venezuela também não será "socialista", já que lá o poder também não é exercido pelo conjunto da sociedade, mas por Maduro, Diosdado Cabello e os seus próximos; o que se poderá questionar é se há alguma diferença significativa face à era Chavez (em que o autoritarismo era menos aberto mas já era visível - e o fim da limitação aos mandatos deveria ter provocado algum alarme naquela esquerda que normalmente até anda sempre a evocar a rotatividade), quando grande parte do BE até parecia ter uma posição favorável à Venezuela (mas atenção que nunca foi um apoio inequívoco ou unânime, como por vezes é dado a entender - veja-se que, p.ex., o Luís Fazenda e os seus próximos também eram críticos do Chavez; aliás, curiosamente Bandera Roja, o mais parecido que há na Venezuela com uma "UDP", é e era um dos grupos mais ativos na oposição a Chavez/Maduro; sobre a posição das várias esquerda portuguesas face ao regime venezuelano, ver este meu post escrito em 2008).

Wednesday, August 29, 2018

As nossas primeiras recordações são falsas?

Surgiu recentemente um estudo dizendo que:

A comunidade médica acredita que o cérebro humano não está desenvolvido o suficiente para guardar memórias antes dos três anos de idade. Porque será, então, que tanta gente insiste em dizer que tem recordações de períodos anteriores a essa idade? Foi o que a Psychological Science tentou perceber.

As respostas dos participantes foram analisadas por idade, língua, conteúdo da memória e natureza da memória descrita. “Quando olhamos para as respostas, descobrimos que muitas dessas primeiras ‘memórias' eram frequentemente associadas à infância”, revelou Martin Conway, professor no principal centro para a memória da Universidade de Londres e co-autor do artigo, citado peloNew York Post.

Os investigadores concluíram que muitas memórias fictícias são construções da mente, uma espécie de bolo que mistura o que sabemos sobre os bebés e o que sentimos como quando éramos assim. Os cientistas descobriram ainda que as pessoas mais velhas tinham mais probabilidade de relatar falsas memórias.
Isto (e guiando-me apenas pela notícia do Sapo Lifestyle - o artigo mesmo está aqui) parece-me um bocado martelar os dados para se adaptarem à teoria - há a teoria de que o cérebro não se consegue lembrar de coisas antes dos 3 anos? Então isso quer dizer que todas as memórias anteriores aos 3 anos são falsas e vai-se tentar descobrir de onde vêm essas falsas recordações (pelo vistos nem se admite a hipótese da teoria estar errada, e lembrarmo-nos mesmo de coisas anteriores aos 3 anos).

Notas pessoais - eu "lembro-me" (ou julga que me lembro) de ter um ano e meio (e de dizer "eu tenho um ano e meio") e estar convencido que "um ano e meio" era menos que "um ano" (o que, a ser verdade, quereria dizer duas coisas - que a minha memória iria até a um ano e meio, e que mesmo nessa altura não iria até a um ano); em vim de Moçambique com 17 meses, e não me lembro de nada (nem de Moçambique, nem da viagem - e uma das minhas irmãs, mais velha dois anos que eu, também não se lembra de nada). Claro que é possível que a minha recordação de ter "um ano e meio" seja uma falsa recordação, ou então que eu já tivesse 2 ou 3 anos e ainda estivesse convencido que tinha um ano e meio.

Tuesday, August 28, 2018

"Sobre o Conteúdo do Socialismo"

Workers' councils and the economics of self-managed society, tradução, de 1972,  em inglês pelo grupo britânico Solidarity do artigo de Cornelius Castoriadis Sur le contenu du socialisme (inicialmente publicado nos números 17, volume III, julho - setembro de 1955 [pdf],  22, volume IV, julho - setembro de 1957 [pdf] e 23, volume IV, janeiro - fevereiro de 1958 [pdf] de Socialisme ou barbarie).




Monday, August 27, 2018

Heróis e criminosos de guerra


Saturday, August 25, 2018

Evo Morales, estrela caída?

Evo Morales, indigenous icon, loses support among Bolivia's native people, por Caroline Stauffer (Reuters):

Once a hero to native peoples, Evo Morales faces growing opposition from the diverse ethnicities that made him Bolivia's first indigenous president. After clashes with native groups over development, and controversial maneuvers to stay in office, he finds indigenous voters turning against him.

Tuesday, August 21, 2018

Robots para censura automática censuram artigo sobre robots para censura automática

Out-of-control censorship machines removed my article warning of out-of-control censorship machines, por Julia Reda:

A few days ago, about a dozen articles and campaign sites criticising EU plans for copyright censorship machines silently vanished from the world’s most popular search engine. Proving their point in the most blatant possible way, the sites were removed by exactly what they were warning of: Copyright censorship machines.

Thursday, August 16, 2018

O "Accountable Capitalism Act "

Companies Shouldn’t Be Accountable Only to Shareholders, por Elizabeth Warren, no Wall Street Journal:

That’s where my bill comes in. The Accountable Capitalism Act restores the idea that giant American corporations should look out for American interests. Corporations with more than $1 billion in annual revenue would be required to get a federal corporate charter. The new charter requires corporate directors to consider the interests of all major corporate stakeholders—not only shareholders—in company decisions. Shareholders could sue if they believed directors weren’t fulfilling those obligations.

This approach follows the “benefit corporation” model, which gives businesses fiduciary responsibilities beyond their shareholders. Thirty-four states already authorize benefit corporations. And successful companies such as Patagonia and Kickstarter have embraced this role.

My bill also would give workers a stronger voice in corporate decision-making at large companies. Employees would elect at least 40% of directors. At least 75% of directors and shareholders would need to approve before a corporation could make any political expenditures. To address self-serving financial incentives in corporate management, directors and officers would not be allowed to sell company shares within five years of receiving them—or within three years of a company stock buyback.
Diga-se que eu não gosto lá muito da retórica do "giant American corporations should look out for American interests"; se ela dissesse "common interests", ou "public interest", ou "interests of all", ou qualquer coisa assim, tudo bem, mas a conversa do "American interests" soa um bocado à trumpista (bem, também soa a "política patriótica e de esquerda" ou até a "defender o povo e o país").

Friday, July 27, 2018

Confissão pessoal

Uma declaração pessoal - eu não tenho grandes problemas em ser contra uma lei, achar que deveria ser abolida ou alterada, mas beneficiar dela enquanto ela existir. Por exemplo - eu era contra as contas poupança-habitação terem benefícios no IRS, concordo com a decisão do governo de Santana Lopes de ter acabado com esse benefício, mas enquanto esse benefício existiu eu usava-o todos os anos. Em suma, uma pessoa pode discordar das regras do jogo, mas jogar por elas enquanto não as conseguir alterar (e não, não é uma variante do "faz o que eu digo, não faças o que eu faço" - eu nunca andei a defender que as outras pessoas deveriam abster-se voluntariamente de usar benefícios fiscais que existem).

Poderá se questionar se essa atitude é ética - talvez seja, talvez não, mas é a que eu tenho. Ou seja, se alguma vez descobrirem algum negócio meu que pareça contraditório com alguma posição pública que eu defenda, ficam já a saber que é esta a minha posição (mas, de novo, há uma diferença entre dizer "esta lei deve ser mudada" e dizer "mesmo que a lei não seja mudada, não façam isso").

Leitura adicional - Pode um socialista ter acções? Pode um liberal frequentar a escola pública?

Monday, July 16, 2018

Sapatilhas ou tênis?

Confesso que durante muito tempo estive convencido que o uso da expressão "ténis" para designar "sapatilhas" era uma especificidade lisboeta (e que as pessoas que diziam que era uma diferença norte-sul estava a confundir "Lisboa" - que para mim até já é quase centro - com "Sul"); mas há tempos perguntei a um amigo alentejano como se dizia lá, e, para minha surpresa, também é "ténis".

Assim, estive a fazer aqui uma pesquisa nos anúncios do Olx, na secção de calçado, para ver quais nomes apareciam mais em cada distrito; poderá argumentar-se que isso não é rigoroso, já que não se sabe se "sapatilhas" refere-se ao que algumas pessoas chamam "ténis", ou se se refere às sapatilhas de ballet - no entanto, penso que isso não afetará a comparação entre regiões: afinal, não há motivo para supor que nalguns distritos haja proporcionalmente uma oferta significativamente maior de sapatilhas-ballet, logo um maior uso da palavra "sapatilhas" num dado distrito provavelmente significa um maior uso dessa palavra para se referir às sapatilhas-ténis, não mais gente a querer vender sapatilhas-ballet.



DistritoSapatilhasTénis
Faro
Beja752
Setúbal1141299
Évora3286
Portalegre1028
Lisboa5014339
Santarém159196
Castelo Branco6847
Leiria296139
Coimbra381108
Aveiro835164
Viseu16267
Guarda5217
Porto2729404
Vila Real7130
Bragança3011
Braga752173
Viana do Castelo17648
Madeira7827
Açores10330

Diga-se que não estava à espera de tanta gente a usar a palavra "ténis" no Algarve - é que eu nem sei se alguma vez ouvi alguém cá chamar "ténis" às sapatilhas; mas é possivel que, ao pôr algo à venda no Olx, muita gente o ponha, não com o nome que ele lhe chamaria, mas com o nome que está à espera que os potenciais clientes vão à procura, o que é capaz de minimizar o efeito das diferenças regionais (com muitos portuenses e algarvios a a porem "ténis" - a pensar nos clientes de Lisboa - no anúncio e muitos lisboetas e alentejanos a porem "sapatilhas"- a pensar no clientes do Norte e do Algarve). Mas, de qualquer maneira, tenho dificuldade em perceber qual o motivo da diferença entre o Algarve e o resto do Sul (a minha teoria, sem qualquer fundamento empírico - em tempos só mesmo em Lisboa em que se diria "ténis" mas, devido à menor população, o Alentejo foi mais depressa conquistado culturalmente do que o Algarve).

O sindicalismo alternativo na greve dos professores

Algo que tem sido pouco noticiado é o papel que um sindicato minoritário e recém-criado está a ter nas recentes greves dos professores, o S.T.O.P. - "Sindicato de tod@s @s professor@s".

Mais exatamente, as greves às avaliações começaram tendo como suporte jurídico um pré-aviso de greve desse sindicato, tendo obrigado a Fenprof a juntar-se posteriormente à luta, e mesmo depois dos outros sindicatos terem desconvocado a greve esse sindicato tem mantido a greve convocada.

Pelo que ouvi dizer, esse sindicato deve ter para aí umas dezenas de associados, tendo pouca influência direta na organização efetiva das greves, mas o meu ponto é exatamente esse - que, a que sei, esta greve dos professores acaba por ser largamente uma greve autónoma, organizada informalmente a nível das escolas um pouco à margem dos aparelhos sindicais, e que se mantém na legalidade graças à cobertura formal (o pré-aviso de greve) que esse sindicato lhe dá.

E o paradoxo disto (que já se manifestou, p.ex., quando da polémica acerca as avaliações, no tempo da Maria de Lourdes Rodrigues) é a obsessão da direita com a Fenprof e o Mário Nogueira (exemplo), não perdendo uma oportunidade, a respeito da greve, de dizer que a escola pública está nas mãos do Mário Nogueira (no preciso momento em que se assiste ao que é praticamente uma revolta contra a Fenprof e os seus acordos com os governos).

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

Friday, July 13, 2018

O imperialismo trumpista

The Rise of Illiberal Hegemony, por Barry Posen (Foreign Affairs):

Yet Trump has deviated from traditional U.S. grand strategy in one important respect. Since at least the end of the Cold War, Democratic and Republican administrations alike have pursued a grand strategy that scholars have called “liberal hegemony.” It was hegemonic in that the United States aimed to be the most powerful state in the world by a wide margin, and it was liberal in that the United States sought to transform the international system into a rules-based order regulated by multilateral institutions and transform other states into market-oriented democracies freely trading with one another. Breaking with his predecessors, Trump has taken much of the “liberal” out of “liberal hegemony.” He still seeks to retain the United States’ superior economic and military capability and role as security arbiter for most regions of the world, but he has chosen to forgo the export of democracy and abstain from many multilateral trade agreements.
Trump the ‘Illiberal Hegemonist’, por Daniel Larison (The American Conservative):
Posen hits on something important here, and it helps explain why Trump’s approach to the world appalls both liberal internationalists and advocates of restraint. The former recoil from Trump’s zero-sum positions and enthusiastic embrace of authoritarian regimes, and the latter reject his support for the open-ended policing and meddling around the world that drive up the costs of our foreign policy. Restrainers would probably not care about giving up on democracy promotion if it implied a cessation of endless wars of choice and toxic entanglements with bad clients, but dropping the pretense of being interested in improving political conditions abroad has just made these other things easier to perpetuate. Trump doesn’t bother claiming that his foreign policy is intended to improve other countries at all, but that isn’t going to stop the U.S. from policing many of them indefinitely anyway.

“Illiberal hegemony” is the worst of both worlds. It combines the many costs of pursuing hegemony with higher costs of a damaged reputation and the trashing of commitments previously made in good faith. Illiberal hegemony still generates the same resentments and hostility as its liberal version, but it also stokes more distrust and loathing among our allies. It keeps getting the U.S. involved in wars it doesn’t need to fight, and it shows even more blatant disregard for the lives of foreign civilians than before. The definition of our interests remains just as expansive and all-encompassing as ever, and there is even less respect for the requirements of international law.

Tuesday, July 10, 2018

Proibir os telemóveis nas escolas?

A França proibiu o uso de telemóveis nas escolas; em Portugal já se começa a falar nisso.

Para começar, convém distinguir duas coisas - uso de telemóveis na escola, e uso de telemóveis na sala de aula; é que me parece que às vezes se confunde as duas coisas: é completamente diferente os alunos estarem a usar o telemóvel durante uma aula, ou estarem a usá-lo durante o intervalo (uma analogia - quando tinha 16/17 anos costumava levar o meu tabuleiro de xadrez para a escola, mas não me punha a jogar na sala de aula; ou pelo menos não desde um incidente na aula de filosofia...).

Outros dois assuntos que convém distinguir é a questão "os alunos devem levar telemóveis para a escola?" e "as escolas e/ou o estado devem proibir os alunos de levarem o telemóvel?"; também são coisas diferentes - pode-se argumentar que há razões para os alunos não levarem telemóveis para a escola, mas mesmo assim considerar que quem deve tomar essa decisão são as respetivas famílias e não o Estado ou as escolas (creio que aqui também é relevante o motivo para ser contra os telemóveis - se for prejudicarem terceiros, teremos um argumento para ser a escola a proibir; mas se for só uma questão de se considerar serem prejudiciais ao próprio, fará mais sentido, com alguns limites, serem os pais ou educadores - ou mesmo os alunos, se forem maiores de idade - a tomar essa decisão).

Agora, vamos ver os argumentos a favor da proibição: «As "medidas de desintoxicação" propostas pelo ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, prevêem a diminuição das distracções em salas de aula e a redução de casos de bullying. (...) Apoiantes da lei afirmam ainda que o uso de smartphones entre jovens e crianças tem piorado os casos de cyber-bullying e facilitado o acesso a pornografia, além de dificultar a habilidade de crianças interagir socialmente. Outras justificações negativas dadas pelo ministro para a lei ser aprovada incluíam a obsessão cada vez mais comum com marcas de vestuário e o perigo de roubo dos telemóveis.»

Quanto ao argumento do cyber-bullying, imagino que é bastante provável que as pessoas que usariam um telemóvel para fazer cyber-bullying sejam largamente as mesmas que farão bullying clássico durante os intervalos das aulas, portanto a proibição dos telemóveis possivelmente pouca diferença fará (talvez até se possa argumentar que o cyber-bullying é menos mau que o bullying clássico, já que será mais fácil à vítima "desligar-se" dos bullys - é so cortar os contactos virtuais com eles - enquanto que no mundo físico será mais difícil livrar-se deles).

A respeito do facilitar o acesso a pornografia, isso só é um problema para quem ache que isso é um problema (um aparte na questão da pornografia: quando, em algum país, são anunciadas medidas governamentais para restringir o acesso à pornografia, não é raro promover-se deliberadamente a confusão entre "pornografia vista por menores" e "pornografia de menores" - p.ex,, falando vagamente de "pornografia", "menores", "proteger as nossas crianças", etc. na mesma frase, mas sem entrar em detalhes do que se está a falar - de forma a capitalizar o repúdio geral pela segunda para justificar o combate à primeira).

A respeito da dificuldade das crianças em interagir socialmente - eu diria que é um pau de dois bicos: estarem sempre agarradas ao telemóvel ou à internet pode levar a que algumas crianças desenvolvam dificuldades em interagir no mundo físico, mas por outro lado, para aquelas que já há partida têm dificuldade em interagir e/ou são pouco sociáveis (duas coisas diferentes, mas muitas vezes ligadas com complexas relações ovo-galinha), é  possível que tenham mais facilidade em interagir socialmente pelo método virtual do que no mundo físico, até porque dá-me a ideia que essas pessoas frequentemente preferem à escrita à palavra.

O perigo do roubo de telemóveis é algo que afeta essencialmente quem leva o telemóvel para a escola, e não terceiro - logo, se tanto a criança/adolescente como os pais estão dispostos a correr esse risco, porque é que o Estado há de os impedir?

Quanto à obsessão com marcas (na noticia fala em "marcas de vestuário" mas deve ser gralha - o que é que isso tem a ver com telemóveis? Provavelmente no original a referência deve ser a marcas de telemóvel, não de vestuário), parece-me o melhor argumento contra os telemóveis, já que alguém que traz um telemóvel de ultimo modelo para a escola e com isso faz os outros sentirem-se invejosos estará a prejudicar os outros, uma situação em que já se poderia considerar como justificando a intervenção do Estado (no entanto, eu tenho muitas desconfianças face a essa conversa de "obsessão com marcas", que muitas vezes serve de capa para outras coisas; p.ex., já ouvi falar de casos de escolas - imagino que colégios privados - que decidem passar a ter uniformes obrigatórios e justificam em público com o argumento de que é para combater as discriminações por causa de marcas de roupa, mas depois em privado confessam que a ideia é mesmo acabar com as roupas demasiado reveladoras).

Outro argumento que  penso não ter sido invocado pelo governo francês, mas já vi usado por defensores dessa proibição, é combater o vício dos jogos, mas isso parece-me mais um preconceito contra os passatempos da nova geração, seja o rock'n'roll nos anos 50 ou os jogos de computador hoje em dia, do que um argumento fundamentado - mesmo há dias estive a ler um livro publicado em 1817 (A Abadia de Northanger, de Jane Austen) em que a dada altura era referido a atitude que então havia contra a leitura de "romances", e hoje em dia incentivar a jovens a ler "literatura" (isto é, "romances") parece ser um desígnio nacional[pdf] para todos os ministérios de educação do mundo desenvolvido; e livros que na altura em que foram escritos eram acusados de causarem suicídios hoje em dia são leitura recomendada[pdf]. A esse respeito chamo a atenção para este meta-estudo sobre os estudos sobre os jogos de computador: pelos vistos, a maioria dos estudos, que não descobrem efeitos negativos dos jogos, raramente são citados pela comunicação social nem por outros estudos; já a minoria de estudos que detetam efeitos negativos são amplamente noticiados e citados em estudos posteriores (mesmo quando os resultados ou a metodologia são menos robustos que os estudos que indicam que os jogos são inofensivos).

Mais uns pontos adicionais:

- os telemóveis (ou melhor, as câmaras fotográficas/de filmar que hoje em dia têm acopladas) permitem aos estudantes denunciar situações como más condições na escola ou comida excessivamente paleo/biológica na cantina; face aos processos disciplinares a que os alunos que denunciam essas situações estão a ser sujeitos, o que deveríamos estar a discutir não era a proibição de telemóveis, mas sim a redução nas proibições de captação de imagens dentro das escolas de forma a criar uma espécie de excepção "fair use" para os casos em que essa captação/divulgação fosse de interesse público (ou talvez simplesmente restringir a proibição aos casos em que aparecem pessoas nas imagens).

- Uma questão mais prática/operacional: irão existir uma espécie de balcão à entrada das escolas em que os alunos possam deixar o telemóvel à entrada e levantá-lo à saída? É que se não for esse o caso, a proibição de usar telemóveis na escola vai significar, na prática, a proibição de usar telemóveis durante quase todo o dia - afinal, os alunos vão ter que deixar o telemóvel em casa, pelo que vão ficar sem telemóvel não apenas durante a escola, mas no caminho de e para a escola; e se após saírem das aulas tiverem que ir a outro sítio sem passarem por casa, também não vão poder levar o dispositivo.

Claro que se pode contra-argumentar que eu (nascido em 1973) passei a minha vida escolar toda sem telemóveis e sobrevivi - mas o mesmo pode ser dito de todas as inovações ao longo da história da humanidade ("Para quê essas ferramentas de ferro? No nosso tempo só tínhamos bronze e nunca deixamos de arar a terra ou cortar ao meio os nossos inimigos por causa disso").

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

Wednesday, July 04, 2018

Efeitos da Revolução Americana

Benefits of the American Revolution: An Exploration of Positive Externalities, por R.J. Hummel:

In fact, the American Revolution, despite all its obvious costs and excesses, brought about enormous net benefits not just for citizens of the newly independent United States but also, over the long run, for people across the globe. Speculations that, without the American Revolution, the treatment of the indigenous population would have been more just or that slavery would have been abolished earlier display extreme historical naivety. Indeed, a far stronger case can be made that without the American Revolution, the condition of Native Americans would have been no better, the emancipation of slaves in the British West Indies would have been significantly delayed, and the condition of European colonists throughout the British empire, not just those in what became the United States, would have been worse than otherwise. (...)

At one end of the Revolutionary coalition stood the American radicals—men such as Samuel Adams, Patrick Henry, Thomas Paine, Richard Henry Lee, and Thomas Jefferson. Although by no means in agreement on everything, the radicals tended to object to excessive government power in general and not simply to British rule. They viewed American independence as a means of securing and broadening domestic liberty, and they spearheaded the Revolution’s opening stages.

At the other end of the Revolutionary coalition were the American nationalists—men such as Benjamin Franklin, George Washington, Gouverneur Morris, Robert Morris, and Alexander Hamilton. Representing a powerful array of mercantile, creditor, and landed interests, the nationalists went along with independence but often opposed the Revolution’s radical thrust. They ultimately sought a strong central government, which would reproduce the hierarchical and mercantilist features of the eighteenth-century British fiscal-military State, only without the British. (...)

Caplan asks what specific benefits came about because of the American Revolution. There are at least four momentous ones. They are all libertarian alterations in the internal status quo that prevailed, although they were sometimes deplored or resisted by American nationalists.:

1. The First Abolition: Prior to the American Revolution, every New World colony, British or otherwise, legally sanctioned slavery, and nearly every colony counted enslaved people among its population. (...) Yet the Revolution’s liberating spirit brought about outright abolition or gradual emancipation in all northern states by 1804. (...)

2. Separation of Church and State (...)

3. Republican Governments (...)

4. Extinguishing the Remnants of Feudalism and Aristocracy (...)

Global Repercussions

The potentially deleterious impact of these foiled British designs on North America is hinted at in a short article by Nobel Prize-winning economist Robert Lucas. The article was a response to an essay in which Harvard historian Niall Ferguson, based on his several books on the British Empire, glorified the empire’s role in spreading economic development. Lucas responded with the obvious. The only colonies to enjoy sustained economic growth were Britain’s settler dominions: Canada, Australia, and New Zealand. Looking at other colonies in Africa or Asia, Lucas concludes: “The pre-1950 histories of the economies in these parts of the world all show living standards that are roughly constant at perhaps $100 to $200 above subsistence levels.” British imperialism thus failed “to alter or improve incomes for more than small elites and some European settlers and administrators.”

The impact of the American Revolution on the international spread of liberal and revolutionary ideals is well known. Its success immediately inspired anti-monarchical, democratic, or independence movements not only in France, but also in the Netherlands, Belgium, Geneva, Ireland, and the French sugar island of Saint Domingue (modern Haiti).12 What is less well understood is how the Revolution altered the trajectory of British policy with respect to its settler colonies. Imperial authorities became more cautious about imposing the rigid authoritarian control they had attempted prior to the Revolution. Over time they increasingly accommodated settler demands for autonomy and self-government. In short, the Revolution generated two distinct forms of British imperialism: one for native peoples and the other for European settlers. (...)

That brings us back to the question of slavery. A Parliamentary act of 1833 abolished slavery throughout Britain and its colonies, effective in 1834, although with an explicit exception for territories controlled by the East India Company. The act’s passage had partly been assisted by a major slave revolt in Jamaica during the previous two years, along with a tight symbiotic relationship between American and British abolitionists. The oft-repeated argument is that, without American independence, this act would have simultaneously abolished slavery in what became the United States. (...)

The only conceivable way Britain could have held on to all its American colonies was through political concessions to colonial elites. If American cotton, tobacco, rice, and sugar planters had still been under British rule, they inevitably would have allied with West Indian sugar planters, creating a far more powerful pro-slavery lobby. (...)  Thus it is likely that, without U.S. independence, slavery would have persisted in both North America and the West Indies after 1834 and, indeed, possibly after 1865.
Ainda a respeito do carácter revolucionário (em vez de uma simples guerra de independência) da Revolução Americana, ver também Was There an American Revolution?, por Robert Nisbet (que já referi aqui há uns anos).

Saturday, June 30, 2018

A nova polémica intra-Bloco de Esquerda

The Portuguese Myth, por Catarina Príncipe, na revista Jacobin (tradução em português publicada pelo Movimento Alternativa Socialista)


Lições, e não mitos, sobre o não-modelo português, por Maria Manuel Rola, Adriano Campos e Jorge Costa, na Rede Anticapitalista, em resposta ao anterior
 
Recusamos a Censura, por Maria Manuel Rola, Adriano Campos e Jorge Costa, na Rede Anticapitalista, em reação à Jacobin se recusar a publicar o texto  "Lições e não mitos..."


Contexto: Catarina Príncipe é afeta a uma corrente de oposição no Bloco de Esquerda, a "moção R", crítica face ao acordo com o PS (ou pelo menos à maneira como tem sido implementado), enquanto Maria Manuel Rola, Adriano Campos e Jorge Costa defendem a linha atualmente maioritária.