Saturday, March 31, 2007

Será um elogio?

"cromo como eras, dificilmente te safarias na banca" (disse-me uma ex-colega de faculdade, há dias).

Friday, March 30, 2007

The Concept and Characteristics of War in Primitive Societies

Estou agora a ler este texto[.pdf] (em rigor, é um capitulo de uma dissertação da Universidade de Groningen, "The origin of war: the evolution of a male-coalitional reproductive strategy) sobre a guerra (e conceitos aproximados) nas "sociedades primitivas".

Pelo que li, parece mais interessante que as teses do "selvagem pacifico" e do "selvagem assassino".

Thursday, March 29, 2007

Mesmo a propósito

A questão do que Rousseau pretendia dizer quando dizia que é "a sociedade que faz o homem mau" vem mesmo a propósito deste artigo (postado, tanto nos comentários ao post de Palmira Silva como por Patricia Lança n'O Insurgente).

A tese central do texto ("A History of Violence") é que a violência humana tem vindo a diminuir ao longo dos últimos milénios, séculos e anos, num processo continuo.

Em que medida é que isso se relaciona com as teses de Rousseau, e as suas diferentes interpretações? Acho que se relaciona de duas maneiras contraditórios.

Como disse, a tese de Rousseau (que é a sociedade que faz o homem mau) costuma ser apresentada de duas maneiras: uma (que é a que eu aprendi na faculdade) é a de que o homem, naturalmente, não é nada, e que é a sociedade que o vai fazer "bom" ou "mau" (e que, portanto, melhorar o homem é fácil - é só melhorar a sociedade em que ele está inserido); outra (que é a que aprendi no secundário) é a de que o homem é naturalmente "bom".

Ora, se a efectivamente a violência humana tem vindo a diminuir, e o Homem está se a tornar cada vez "melhor", isso tem duas conclusões opostas - por um lado, parece deitar por abaixo o "rousseaunanismo" em "versão ensino secundário"; por outro, parece confirmar em absoluto o rousseaunanismo em"versão ensino superior".

O mito do mito do bom selvagem

Por vezes fala-se do "mito do bem selvagem"; eu acrescentaria que esse mito é ele próprio um mito; afinal, creio que nenhum pensador com algum destaque alguma vez disse que o homem era naturalmente bom - há os que dizem que o homem selvagem não é nem bom nem mau (como Rousseau), há os que dizem que o homem selvagem vive numa economia de abundância (como Marshall Sahlins), há os que dizem que o homem selvagem é livre e que os chefes não mandam nada ou quase (Pierre Clastres, Theodore "Unabomber"Kaczinsky), etc. No entanto, não sei de nenhum que diga que o homem selvagem é "bom" (diga-se que a expressão inglesa "noble savage" já me parece poder ter implicações diferentes do que o "bom selvagem" das linguas latinas).

E, se alguêm me vier com o exemplo de Rousseau, deixo esta passagem:

"os homens nesse estado [de natureza], não tendo entre si nenhuma espécie de relação moral, nem deveres conhecidos, não poderiam ser bons nem maus, e não tinham vícios nem virtudes (...). Não vamos, sobretudo, concluir com Hobbes que, por não ter a menor idéia da bondade, o homem seja naturalmente mau; (...) de sorte que se poderia dizer que os selvagens não são maus justamente por não saberem o que é serem bons,"

Isto é, a tese de Rousseau não era de que "o homem é naturalmente bom e que é a sociedade que o corrompe"; era de que o homem, naturalmente, não é nada, e que é a sociedade que o faz mau ou bom.

O "mau selvagem"

A respeito da questão sobre se o ser humano é ou não naturalmente um "monstro sanguinário", seria conveniente quantificar a problema - a partir de quantas mortes dentro da mesma espécie por x habitantes poderemos considerar o homem (ou outro animal qualquer) como "naturalmente mau"?

É que por vezes desconfio que o que se passa é que os adeptos do "mau selvagem" usam como critério "basta ser maior que zero para provar que o homem é naturalmente mau" e os do "bom selvagem" usam como critério "basta ser menor que durante a II Guerra Mundial para provar que o homem é naturalmente bom".

Já agora, se fossemos aplicar este critério a outros animais (p.ex., para ver quais são os animais "piores" que o homem), será que o canibalismo de crias recém-nascidas (como por vezes acontece, p.ex., entre os gatos) deverá contar para a estatistica? É que se pode argumentar que, muitas vezes, esse canibalismo não é uma manifestação de agressividade intra-especifica, mas apenas sinal que não distinguem essas crias como membros da espécie (logo, os bloqueios instintivos contra matar animais da mesma espécie não são activados); afinal, o mesmo gato que come um gatinho recem-nascido pode, umas semanas depois, estar a brincar alegremente com as crias sobreviventes.

[Ou será que eu acabei por entrar por caminhos pouco recomendáveis para um post que, provavelmente, muitos leitores vão ler antes ou a logo a seguir ao almoço?]

Wednesday, March 28, 2007

Quioto e "anti-capitalismo"

Na revista Atlântico, A.A. Alves escreve que "quanto mais radicais forem as implicações anti-capitalistas de uma determinada causa ambientalista, mais apetecível ela se torna como mecanismo de propaganda (...) não é surpreendente que o tema das alterações climáticas suscite tantas paixões e esteja hoje no topo da agenda dos inimigos do capitalismo".

Mas a questão do "aquecimento global" (e das soluções propostas) terá alguma implicação "anti-capitalista"?

Para começar, diga-se que a expressão "anti-capitalista" é um bocado ambígua, porque pode significar duas coisas distintas - pode querer dizer "hostilidade aos capitalistas" ou "hostilidade ao capitalismo". Pode parecer o mesmo, mas não é - podermos facilmente imaginar politicas, atitudes, etc. que sejam favoráveis aos princípios do "sistema capitalista" (nomeadamente se definirmos "capitalismo" como "mercado livre") mas contrários aos interesses dos "capitalistas" (e vice-versa). No entanto, como o A.A.A refere-se aos "inimigos do capitalismo" (e não apenas dos "capitalistas"), deduzo que queira mesmo dizer "hostilidade ao capitalismo".

Agora (após esta aparente divagação que vai ser justificada mais para a frente) regressemos à questão - quais são as implicações "anti-capitalistas" da luta contra o aquecimento global? A filosofia de sistemas como o protocolo de Quioto ou Sistema de Transacções de Direitos de Poluição da UE é limitar a emissão de gases de estufa através da atribuição de "direitos de emissão de gases poluentes" transaccionáveis. Ora, isso é tudo menos "anti-capitalismo" - basicamente, isso mais não é que aplicar a lógica capitalista à atmosfera: mercantilizar o "direito a poluir" (como, no fundo, é dito pelo liberal Luis Pedro ou pelo trotskista Michael Lowi), em vez do sistema actual, que é uma espécie de "comunismo utópico" em que os "bens" (neste caso, o ar) não têm dono e cada um se serve à vontade ("de acordo com as suas necessidades"...).

É verdade que poderíamos dizer que essas medidas são "anti-capitalistas" no sentido de, em principio, irem contra os interesses dos "capitalistas" (já que reduzem o seu direito a poluir gratuitamente), mas acho que não é nesse sentido que a questão do "anti-capitalista" é levantada (diga-se que, mesmo nesse sentido, a limitação de emissão de gases poluentes não é necessariamente "contra os interesses dos capitalistas": se fosse feita leiloando os "direitos de poluição" e usando a verba obtida para reduzir os impostos sobre os lucros significaria apenas uma transferência de rendimento dentro da "classe capitalista" - dos capitalistas que poluem muito para os que poluem pouco).

Um ultimo ponto - há uma curiosa ironia no debate sobre o grau de gravidade da poluição atmosférica. Em principio, claro, sendo, em si, uma questão puramente cientifica e não politica, nem deveria haver grande relação entre as opiniões politicas de uma pessoa e a sua opinião sobre, digamos, se o aquecimento global existe e/ou qual a sua origem. No entanto, atendendo que os preconceitos ideológicos acabam sempre por afectar a nossa opinião, acho que o que seria de esperar, de acordo com o que as diferentes ideologias defendem, seria o seguinte:

O campo dos que dizem que a poluição, o aquecimento global, etc. não são graves deveria estar a abarrotar de adeptos do "Movimento Socialista Mundial" e de anarco-comunistas (este "abarrotar" deve ser relativizado, atendendo a que são duas ideologias ultra-minoritárias), que argumentariam "Estão a ver como é perfeitamente possível uma sociedade sem dinheiro nem preços e em que cada um se sirva simplesmente tirando o que necessita? É assim que funciona com o ar que respiramos e tem dado para todos sem haver nenhuma tragédia até agora".

O campo dos que dizem que a poluição ameaça a vida na Terra deveria estar a abarrotar de liberais (que, aliás, comparados com os anarco-comunistas ou com o MSM até parecem muitos), dizendo "Estão a ver como na ausência de direitos de propriedade, dinheiro, um mercado e preços o cálculo económico e o eficiente uso dos recursos é impossível? Veja o que aconteceu com a atmosfera - completamente destruída pela ausência de direitos de propriedade!".

Não preciso de dizer qual é a "curiosa ironia" que referi à pouco, pois não?

Monday, March 26, 2007

Sempre fui contra o "voto útil"

No entanto, este Sábado, decidi fazer uma excepção, e troquei o meu voto no Infante D. Henrique para o D. Afonso Henriques (mesmo se este e muitos dos outros candidatos foram, provavelmente, tão ou mais autoritários que Salazar).

Afinal, não adiantou nada - D. Afonso Henriques nem sequer ficou em segundo. Ou seja, mais uma vez se confirma a inutilidade do "voto útil".

Saturday, March 24, 2007

Ainda a respeito do "obrigado a ser ajudado"

Esta questão lembrou-me destes textos, argumentado que o "Estado Social" é um instrumento da "classe dirigente" para exercer o seu poder sobre os pobres:

Liberalism and Social Control de Kevin Carson
Welfare, the Exterminating Angel, panfleto de 1968 do Movement for a Democratic Society ("braço adulto" dos SDS)

Note-se que, no geral, eu não subscrevo essa posição, mas em casos pontuais pode ser verdade.

Obrigado a ser ajudado?

Hoje, no Sol falava-se do caso de um casal da Nazaré que morreu, meio "abandonado", na barraca que habitava, após ter recusado várias ofertas da Segurança Social e da Câmara Municipal para apoio domiciliário, acompanhamento, etc.

Na sequência, responsáveis da Segurança Social lamentavam-se por a lei portuguesa não lhes permitir intervir contra a vontade das pessoas que querem "ajudar". E qual é o problema, pergunto eu? Se as pessoas não querem ser ajudadas, o que é que a Segurança Social tem a ver com isso? Seria diferente se estivéssemos a falar de menores, em que por vezes a sociedade tem que os proteger dos próprios pais ou tutores, mas, no caso de adultos, se eles preferem ficar "abandonados" numa casa suja e miserável, é problema deles.

Poderão argumentar "o Miguel é hipócrita! Defende que os pobres têm o direito a recusarem auxilio, mas já é contra os contribuintes poderem recusar-se a contribuir para os auxiliar". A diferença é que, quando um potencial "ajudado" recusa ajuda, só se está a prejudicar a ele próprio (excluindo, volto a lembrar, os casos em que tenha outras pessoas a seu cargo, como crianças) - na verdade, até se pode argumentar que essa recusa é "benéfica" para o resto da sociedade (menos trabalho e despesa); pelo contrário, se alguêm se recusar a contribuir financeiramente para a assistência social, tal vai prejudicar outras pessoas (nomeadamente os beneficiários que queiram ser ajudados).

Mapa horário

Se olharmos para este mapa e compararmos os meridianos com a hora legal, vemos que Portugal, geograficamente, já esta na fronteira entre a "zona 0" e a "zona -1" (na verdade, a fronteira entre essas 2 zonas está ligeiramente a ocidente da fronteira Portugal-Espanha). Ora, no fundo, a nossa hora legal já está 1 hora adiantada face à hora natural (já que adoptamos a hora da "zona 0") - faz sentido irmos adiantar ainda mais uma hora?

Espanha e França, que ficam na "zona 0", adoptam o horário da "zona +1" (Alemanha, Itália), suponho que pelas referidas vantagens económicas. Mas agora imagine-se que isto feito pelos vários paises - Espanha e França adoptam o horário alemão; depois Portugal iria adoptar o horário espanhol (que já não é o horário "natural" de Espanha mas o da Alemanha); se a Europa não acabasse aqui, aonde é que se iria parar??

Mudem vocês o vosso horário

«"Quatro confederações patronais escreveram ao primeiro-ministro, José Sócrates, a pedir a uniformização da hora legal em Portugal com a que está em vigor na maior parte dos países da Europa continental."»

«Na carta, a que o DN teve acesso, as cúpulas patronais da indústria, comércio e agricultura argumentam que "a diferença de uma hora provoca dificuldades nos contactos comerciais"»

Se a diferença de horário prejudica os "contactos comerciais" com o resto da Europa, os empresários têm uma solução muito simples - mudem eles o seu horário. Por exemplo, se lhes dá jeito começarem a trabalhar à mesma hora que os seus colegas espanhóis, é só começarem a trabalhar às 8 da manhã em vez de às 9 (ou, caso comecem a trabalhar às 8, passarem a começar às 7). É verdade que, para as empresas, o que interessa não é apenas a hora a que os empresários começam a trabalhar, mas sobretudo a dos funcionários - mas aí a solução também é simples: podem negociar com os empregados envolvidos nos contactos internacionais essa antecipação do horário. Claro que, até por razões de compatibilidade familiar, muitos desses empregados não gostariam de começar a trabalhar uma hora mais cedo que o resto da população, mas era questão de lhes pagar mais para os convencer a isso (seja através de salários mais altos, de um "subsidio de horário antecipado" ou lá o que fosse).

Assim, se efectivamente começar a trabalhar uma hora mais cedo tivesse ganhos económicos significativos, provavelmente seriam suficientes para pagar esses prémios salariais aos empregados que iriam passar a trabalhar uma hora mais cedo; por outro lado, se os ganhos económicos não gerarem receitas suficientes para pagar o "horário antecipado", então é sinal que se calhar os beneficios não são assim tantos.

Friday, March 23, 2007

Comentário tornado post

O comentário que Hugo fez ao meu post de há vários meses A Revolução Hungara de 1956:

Este meu comentário resulta de uma investigação pessoal sobre factos, baseada principalmente em relatos na "primeira pessoa" de quem viveu a revolução de 56 (acrescento que um das fontes é o avô de minha esposa, húngaro, oficial combatente da segunda guerra mundial, que ainda no sábado passado esteve comigo a almoçar). Também a minha vivência diária em Budapeste me leva a entender as "coisas" e as causas desta gente (passadas e presentes).


Nagy Imre realmente demonstrava tendências reformistas, mas é o movimento estudantil, não em Budapeste, mas em Szeged que inicia aquilo que veio a tornar-se numa NÃO planeada revolução. Andropov, embaixador soviético na Hungria, sempre esteve atento aos movimentos de Nagy Imre, não podendo evitar a posterior proclamação separatista da república que Nagy Imre assume como consequência da vontade do povo (e do modo como o povo se manifestou). Andropov, leva até o novo governo a acreditar que Kruschev abdica de reacção e permita esta libertação da Hungria.Mas porque atrás da Hungria (e da Polónia) se seguiriam outros e dar-se-ia o colapso, é o enviado chefe máximo da KGB que em conjunto com o Embaixador que manobra um "entertenimento" de credulidade na independência e finge a retirada dos blindados da capital, que a apenas 15 km da capital estacionam e esperam por reforços mais pesados de unidades que eventualmente se dirigiam para o canal de Suez, antes passando por Budapeste para sanear a situação em favor da decisão do presidente da União soviética.


O movimento estudantil em Szeged, é um simples movimento sem aspirações maiores (recorde-se que Szeged é bastante longe da capital, junto à fronteira com a Jugoslávia, hoje Sérvia). apenas demanda de condições académicas, liberdades ideológicas e de expressão. Certo é que esse movimento acabou influenciando as associações académicas da capital (nao de imediato, mas passado uma semana) principalmente porque a primeira não foi reprimida (pelo explicado anteriormente, não terem havido aspirações revolucionárias). Assim na capital, aos estudantes juntaram-se reformistas, opositores e oportunistas, numa confusão instalada que acabou estimulada e aproveitada para uma revolução. Que se torne claro que ninguém toma repentinamente o poder porque foi o poder que tentou se moldar às palavras de ordem do povo frente ao parlamento, e é aos poucos que as declarações de independência e de vontade própria da república são anunciadas de modo a "testar" as reacções soviéticas. Em pouco tempo é verdade que o povo se inflamou e pegou em armas juntando-se (somente depois) o exército bem como partes de unidades do contingente militar soviético (que alguns blindados soviéticos parquearam junto aos manifestantes, apenas soldados, russos, Azeris, ucranianos, não importa a sua nacionalidade, que fartos de um sistema, acreditaram ser a solução húngara um "passaporte para a sua liberdade pessoal" e a ela se juntaram. Quanto à Igreja católica, não encontrei também referências de intervenção neste processo, bem como confirmo não se tratar de uma revolução anti-comunista ou de ideais fascistas.

[Como o post já é antigo, de certeza que este comentário iria ficar perdido]

Efeito underdog?

Imagine-se uma instituição dividida em dois locais de trabalho, o "local A" (aonde fica a sede), com 1300 trabalhadores, e o "local B", com 150.

Essa instituição tem um conselho consultivo com 1 representante dos trabalhadores. Para a eleição desse representante, apresentam-se 2 listas: uma em que todos os candidatos (um efectivo e um suplente) e os subscritores da lista trabalham em A, e outra em que todos os candidatos e subscritores trabalham em B.

Qual a probabilidade da segunda lista ganhar?

Qual é a diferença...

... entre "engenheiro" e "licenciado em Engenharia"?

Tuesday, March 20, 2007

Ementa jacobina?


Thursday, March 15, 2007

Produtividade dos EUA e da França

N'O Insurgente, A.A.Alves refere um artigo argumentando que a superior produtividade francesa é derivada aos trabalhadores pouco qualificados terem mais dificuldade em arranjar emprego em França (logo, isso faria, nas estatísticas, aumentar a produtividade média).

Há cerca de um ano, escrevi um post a criticar esse raciocínio, já que, mesmo que grande parte dos desempregados franceses arranjassem emprego e tivessem uma produtividade zero (!) a produtividade média francesa continuaria superior à norte-americana (embora possa haver alguma pertinência nas observações que Luis Pedro fez ao post).

No entanto, para países com um nível de desenvolvimento semelhante, se calhar, tão importante como comparar a produtividade (que pode ter variações devido aos factores referidos) é comparar o crescimento da produtividade, já que a) a longo prazo, é o crescimento da produtividade que determina o crescimento do nível de vida; e b) factores como um maior desemprego podem aumentar estatisticamente a produtividade mas já é mais difícil que aumentem a taxa de crescimento da produtividade.

Não encontro nenhuma estatística com o crescimento comparado da produtividade nos anos mais recentes; no entanto encontro um estudo [pdf] sobre a evolução da produtividade de 1990 a 2002:



















Ou seja, pelo menos até 2002, a França tinha, não só uma maior produtividade, como uma taxa de crescimento da produtividade ligeiramente maior que os EUA (Portugal e a Grécia estão ainda melhor, mas aí estamos a falar de países que partem de uma base muito inferior, logo é explicável que a taxa de crescimento seja maior).

É verdade que este gráfico vai só até 2002, e creio que a produtividade norte-americana acelerou nos últimos anos, mas, pelo menos até essa altura a economia francesa parece ter sido mais dinâmica que a norte-americana.

Sobre Persas e Espartanos

Acerca do filme 300, muita gente tem falado da batalha das Termópilas como um conflito entre "liberdade" (representado pelo gregos, nomeadamente espartanos) e "tirania" (os persas).

Bem, se definirmos "liberdade" no sentido de "soberania nacional" ou "soberania da cidade-Estado" (ou seja, como "liberdade colectiva"), isso faz sentido - de um lado temos Esparta, a defender a sua independência (e a das outras cidades gregas), e do outro, o expansionista Império Persa.

Mas, se formos ver a coisa em termos de liberdade pessoal, será que, apesar de tudo, não haveria mais disso na Pérsia do que em Esparta?

Registe-se que se calhar a Pérsia não era tão tirânica como se anda a dizer - afinal, os persas, quando conquistaram Babilónia, até permitiram aos judeus (que lá estavam cativos) regressar à "Terra Prometida".

Ainda os "bons" e os "maus selvagens" (II)

Do meu anterior post não se deduza que eu subscreva a tese do "selvagem pacífico que não faz mal a uma mosca"; muito pelo contrário - por norma, sobretudo os caçadores-recoletores são excelentes guerreiros, nem que seja porque a tecnologia e treino necessários para ser um bom caçador são essencialmente as mesmas que para ser um bom guerreiro (a ideia do "selvagem pacifico" não passa de um tipico mito imperialista, em versão "que queridos que os outros povos são!").

Mas, por outro lado, os "selvagens" têm menos motivação para se lançarem em guerras de conquista territorial - no seu grau de desenvolvimento tecnológico, os "lucros" que um "Império" poderia propiciar (via cobrança de tributos) seriam relativamente baixos, comparados com os custos de o conquistar e manter.