Saturday, March 31, 2007
Será um elogio?
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Friday, March 30, 2007
The Concept and Characteristics of War in Primitive Societies
Pelo que li, parece mais interessante que as teses do "selvagem pacifico" e do "selvagem assassino".
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Thursday, March 29, 2007
Mesmo a propósito
A tese central do texto ("A History of Violence") é que a violência humana tem vindo a diminuir ao longo dos últimos milénios, séculos e anos, num processo continuo.
Em que medida é que isso se relaciona com as teses de Rousseau, e as suas diferentes interpretações? Acho que se relaciona de duas maneiras contraditórios.
Como disse, a tese de Rousseau (que é a sociedade que faz o homem mau) costuma ser apresentada de duas maneiras: uma (que é a que eu aprendi na faculdade) é a de que o homem, naturalmente, não é nada, e que é a sociedade que o vai fazer "bom" ou "mau" (e que, portanto, melhorar o homem é fácil - é só melhorar a sociedade em que ele está inserido); outra (que é a que aprendi no secundário) é a de que o homem é naturalmente "bom".
Ora, se a efectivamente a violência humana tem vindo a diminuir, e o Homem está se a tornar cada vez "melhor", isso tem duas conclusões opostas - por um lado, parece deitar por abaixo o "rousseaunanismo" em "versão ensino secundário"; por outro, parece confirmar em absoluto o rousseaunanismo em"versão ensino superior".
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O mito do mito do bom selvagem
E, se alguêm me vier com o exemplo de Rousseau, deixo esta passagem:
"os homens nesse estado [de natureza], não tendo entre si nenhuma espécie de relação moral, nem deveres conhecidos, não poderiam ser bons nem maus, e não tinham vícios nem virtudes (...). Não vamos, sobretudo, concluir com Hobbes que, por não ter a menor idéia da bondade, o homem seja naturalmente mau; (...) de sorte que se poderia dizer que os selvagens não são maus justamente por não saberem o que é serem bons,"
Isto é, a tese de Rousseau não era de que "o homem é naturalmente bom e que é a sociedade que o corrompe"; era de que o homem, naturalmente, não é nada, e que é a sociedade que o faz mau ou bom.
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O "mau selvagem"
É que por vezes desconfio que o que se passa é que os adeptos do "mau selvagem" usam como critério "basta ser maior que zero para provar que o homem é naturalmente mau" e os do "bom selvagem" usam como critério "basta ser menor que durante a II Guerra Mundial para provar que o homem é naturalmente bom".
Já agora, se fossemos aplicar este critério a outros animais (p.ex., para ver quais são os animais "piores" que o homem), será que o canibalismo de crias recém-nascidas (como por vezes acontece, p.ex., entre os gatos) deverá contar para a estatistica? É que se pode argumentar que, muitas vezes, esse canibalismo não é uma manifestação de agressividade intra-especifica, mas apenas sinal que não distinguem essas crias como membros da espécie (logo, os bloqueios instintivos contra matar animais da mesma espécie não são activados); afinal, o mesmo gato que come um gatinho recem-nascido pode, umas semanas depois, estar a brincar alegremente com as crias sobreviventes.
[Ou será que eu acabei por entrar por caminhos pouco recomendáveis para um post que, provavelmente, muitos leitores vão ler antes ou a logo a seguir ao almoço?]
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Wednesday, March 28, 2007
Quioto e "anti-capitalismo"
Mas a questão do "aquecimento global" (e das soluções propostas) terá alguma implicação "anti-capitalista"?
Para começar, diga-se que a expressão "anti-capitalista" é um bocado ambígua, porque pode significar duas coisas distintas - pode querer dizer "hostilidade aos capitalistas" ou "hostilidade ao capitalismo". Pode parecer o mesmo, mas não é - podermos facilmente imaginar politicas, atitudes, etc. que sejam favoráveis aos princípios do "sistema capitalista" (nomeadamente se definirmos "capitalismo" como "mercado livre") mas contrários aos interesses dos "capitalistas" (e vice-versa). No entanto, como o A.A.A refere-se aos "inimigos do capitalismo" (e não apenas dos "capitalistas"), deduzo que queira mesmo dizer "hostilidade ao capitalismo".
Agora (após esta aparente divagação que vai ser justificada mais para a frente) regressemos à questão - quais são as implicações "anti-capitalistas" da luta contra o aquecimento global? A filosofia de sistemas como o protocolo de Quioto ou Sistema de Transacções de Direitos de Poluição da UE é limitar a emissão de gases de estufa através da atribuição de "direitos de emissão de gases poluentes" transaccionáveis. Ora, isso é tudo menos "anti-capitalismo" - basicamente, isso mais não é que aplicar a lógica capitalista à atmosfera: mercantilizar o "direito a poluir" (como, no fundo, é dito pelo liberal Luis Pedro ou pelo trotskista Michael Lowi), em vez do sistema actual, que é uma espécie de "comunismo utópico" em que os "bens" (neste caso, o ar) não têm dono e cada um se serve à vontade ("de acordo com as suas necessidades"...).
É verdade que poderíamos dizer que essas medidas são "anti-capitalistas" no sentido de, em principio, irem contra os interesses dos "capitalistas" (já que reduzem o seu direito a poluir gratuitamente), mas acho que não é nesse sentido que a questão do "anti-capitalista" é levantada (diga-se que, mesmo nesse sentido, a limitação de emissão de gases poluentes não é necessariamente "contra os interesses dos capitalistas": se fosse feita leiloando os "direitos de poluição" e usando a verba obtida para reduzir os impostos sobre os lucros significaria apenas uma transferência de rendimento dentro da "classe capitalista" - dos capitalistas que poluem muito para os que poluem pouco).
Um ultimo ponto - há uma curiosa ironia no debate sobre o grau de gravidade da poluição atmosférica. Em principio, claro, sendo, em si, uma questão puramente cientifica e não politica, nem deveria haver grande relação entre as opiniões politicas de uma pessoa e a sua opinião sobre, digamos, se o aquecimento global existe e/ou qual a sua origem. No entanto, atendendo que os preconceitos ideológicos acabam sempre por afectar a nossa opinião, acho que o que seria de esperar, de acordo com o que as diferentes ideologias defendem, seria o seguinte:
O campo dos que dizem que a poluição, o aquecimento global, etc. não são graves deveria estar a abarrotar de adeptos do "Movimento Socialista Mundial" e de anarco-comunistas (este "abarrotar" deve ser relativizado, atendendo a que são duas ideologias ultra-minoritárias), que argumentariam "Estão a ver como é perfeitamente possível uma sociedade sem dinheiro nem preços e em que cada um se sirva simplesmente tirando o que necessita? É assim que funciona com o ar que respiramos e tem dado para todos sem haver nenhuma tragédia até agora".
O campo dos que dizem que a poluição ameaça a vida na Terra deveria estar a abarrotar de liberais (que, aliás, comparados com os anarco-comunistas ou com o MSM até parecem muitos), dizendo "Estão a ver como na ausência de direitos de propriedade, dinheiro, um mercado e preços o cálculo económico e o eficiente uso dos recursos é impossível? Veja o que aconteceu com a atmosfera - completamente destruída pela ausência de direitos de propriedade!".
Não preciso de dizer qual é a "curiosa ironia" que referi à pouco, pois não?
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Monday, March 26, 2007
Sempre fui contra o "voto útil"
Afinal, não adiantou nada - D. Afonso Henriques nem sequer ficou em segundo. Ou seja, mais uma vez se confirma a inutilidade do "voto útil".
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Saturday, March 24, 2007
Ainda a respeito do "obrigado a ser ajudado"
Liberalism and Social Control de Kevin Carson
Welfare, the Exterminating Angel, panfleto de 1968 do Movement for a Democratic Society ("braço adulto" dos SDS)
Note-se que, no geral, eu não subscrevo essa posição, mas em casos pontuais pode ser verdade.
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Obrigado a ser ajudado?
Na sequência, responsáveis da Segurança Social lamentavam-se por a lei portuguesa não lhes permitir intervir contra a vontade das pessoas que querem "ajudar". E qual é o problema, pergunto eu? Se as pessoas não querem ser ajudadas, o que é que a Segurança Social tem a ver com isso? Seria diferente se estivéssemos a falar de menores, em que por vezes a sociedade tem que os proteger dos próprios pais ou tutores, mas, no caso de adultos, se eles preferem ficar "abandonados" numa casa suja e miserável, é problema deles.
Poderão argumentar "o Miguel é hipócrita! Defende que os pobres têm o direito a recusarem auxilio, mas já é contra os contribuintes poderem recusar-se a contribuir para os auxiliar". A diferença é que, quando um potencial "ajudado" recusa ajuda, só se está a prejudicar a ele próprio (excluindo, volto a lembrar, os casos em que tenha outras pessoas a seu cargo, como crianças) - na verdade, até se pode argumentar que essa recusa é "benéfica" para o resto da sociedade (menos trabalho e despesa); pelo contrário, se alguêm se recusar a contribuir financeiramente para a assistência social, tal vai prejudicar outras pessoas (nomeadamente os beneficiários que queiram ser ajudados).
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Mapa horário
Espanha e França, que ficam na "zona 0", adoptam o horário da "zona +1" (Alemanha, Itália), suponho que pelas referidas vantagens económicas. Mas agora imagine-se que isto feito pelos vários paises - Espanha e França adoptam o horário alemão; depois Portugal iria adoptar o horário espanhol (que já não é o horário "natural" de Espanha mas o da Alemanha); se a Europa não acabasse aqui, aonde é que se iria parar??
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Mudem vocês o vosso horário
«Na carta, a que o DN teve acesso, as cúpulas patronais da indústria, comércio e agricultura argumentam que "a diferença de uma hora provoca dificuldades nos contactos comerciais"»
Se a diferença de horário prejudica os "contactos comerciais" com o resto da Europa, os empresários têm uma solução muito simples - mudem eles o seu horário. Por exemplo, se lhes dá jeito começarem a trabalhar à mesma hora que os seus colegas espanhóis, é só começarem a trabalhar às 8 da manhã em vez de às 9 (ou, caso comecem a trabalhar às 8, passarem a começar às 7). É verdade que, para as empresas, o que interessa não é apenas a hora a que os empresários começam a trabalhar, mas sobretudo a dos funcionários - mas aí a solução também é simples: podem negociar com os empregados envolvidos nos contactos internacionais essa antecipação do horário. Claro que, até por razões de compatibilidade familiar, muitos desses empregados não gostariam de começar a trabalhar uma hora mais cedo que o resto da população, mas era questão de lhes pagar mais para os convencer a isso (seja através de salários mais altos, de um "subsidio de horário antecipado" ou lá o que fosse).
Assim, se efectivamente começar a trabalhar uma hora mais cedo tivesse ganhos económicos significativos, provavelmente seriam suficientes para pagar esses prémios salariais aos empregados que iriam passar a trabalhar uma hora mais cedo; por outro lado, se os ganhos económicos não gerarem receitas suficientes para pagar o "horário antecipado", então é sinal que se calhar os beneficios não são assim tantos.
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Friday, March 23, 2007
Comentário tornado post
Nagy Imre realmente demonstrava tendências reformistas, mas é o movimento estudantil, não em Budapeste, mas em Szeged que inicia aquilo que veio a tornar-se numa NÃO planeada revolução. Andropov, embaixador soviético na Hungria, sempre esteve atento aos movimentos de Nagy Imre, não podendo evitar a posterior proclamação separatista da república que Nagy Imre assume como consequência da vontade do povo (e do modo como o povo se manifestou). Andropov, leva até o novo governo a acreditar que Kruschev abdica de reacção e permita esta libertação da Hungria.Mas porque atrás da Hungria (e da Polónia) se seguiriam outros e dar-se-ia o colapso, é o enviado chefe máximo da KGB que em conjunto com o Embaixador que manobra um "entertenimento" de credulidade na independência e finge a retirada dos blindados da capital, que a apenas 15 km da capital estacionam e esperam por reforços mais pesados de unidades que eventualmente se dirigiam para o canal de Suez, antes passando por Budapeste para sanear a situação em favor da decisão do presidente da União soviética.
O movimento estudantil em Szeged, é um simples movimento sem aspirações maiores (recorde-se que Szeged é bastante longe da capital, junto à fronteira com a Jugoslávia, hoje Sérvia). apenas demanda de condições académicas, liberdades ideológicas e de expressão. Certo é que esse movimento acabou influenciando as associações académicas da capital (nao de imediato, mas passado uma semana) principalmente porque a primeira não foi reprimida (pelo explicado anteriormente, não terem havido aspirações revolucionárias). Assim na capital, aos estudantes juntaram-se reformistas, opositores e oportunistas, numa confusão instalada que acabou estimulada e aproveitada para uma revolução. Que se torne claro que ninguém toma repentinamente o poder porque foi o poder que tentou se moldar às palavras de ordem do povo frente ao parlamento, e é aos poucos que as declarações de independência e de vontade própria da república são anunciadas de modo a "testar" as reacções soviéticas. Em pouco tempo é verdade que o povo se inflamou e pegou em armas juntando-se (somente depois) o exército bem como partes de unidades do contingente militar soviético (que alguns blindados soviéticos parquearam junto aos manifestantes, apenas soldados, russos, Azeris, ucranianos, não importa a sua nacionalidade, que fartos de um sistema, acreditaram ser a solução húngara um "passaporte para a sua liberdade pessoal" e a ela se juntaram. Quanto à Igreja católica, não encontrei também referências de intervenção neste processo, bem como confirmo não se tratar de uma revolução anti-comunista ou de ideais fascistas.
[Como o post já é antigo, de certeza que este comentário iria ficar perdido]
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Etiquetas: Revolução Húngara de 1956
Efeito underdog?
Essa instituição tem um conselho consultivo com 1 representante dos trabalhadores. Para a eleição desse representante, apresentam-se 2 listas: uma em que todos os candidatos (um efectivo e um suplente) e os subscritores da lista trabalham em A, e outra em que todos os candidatos e subscritores trabalham em B.
Qual a probabilidade da segunda lista ganhar?
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Qual é a diferença...
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Wednesday, March 21, 2007
Tuesday, March 20, 2007
Thursday, March 15, 2007
Produtividade dos EUA e da França
Há cerca de um ano, escrevi um post a criticar esse raciocínio, já que, mesmo que grande parte dos desempregados franceses arranjassem emprego e tivessem uma produtividade zero (!) a produtividade média francesa continuaria superior à norte-americana (embora possa haver alguma pertinência nas observações que Luis Pedro fez ao post).
No entanto, para países com um nível de desenvolvimento semelhante, se calhar, tão importante como comparar a produtividade (que pode ter variações devido aos factores referidos) é comparar o crescimento da produtividade, já que a) a longo prazo, é o crescimento da produtividade que determina o crescimento do nível de vida; e b) factores como um maior desemprego podem aumentar estatisticamente a produtividade mas já é mais difícil que aumentem a taxa de crescimento da produtividade.
Não encontro nenhuma estatística com o crescimento comparado da produtividade nos anos mais recentes; no entanto encontro um estudo [pdf] sobre a evolução da produtividade de 1990 a 2002:
Ou seja, pelo menos até 2002, a França tinha, não só uma maior produtividade, como uma taxa de crescimento da produtividade ligeiramente maior que os EUA (Portugal e a Grécia estão ainda melhor, mas aí estamos a falar de países que partem de uma base muito inferior, logo é explicável que a taxa de crescimento seja maior).
É verdade que este gráfico vai só até 2002, e creio que a produtividade norte-americana acelerou nos últimos anos, mas, pelo menos até essa altura a economia francesa parece ter sido mais dinâmica que a norte-americana.
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Sobre Persas e Espartanos
Bem, se definirmos "liberdade" no sentido de "soberania nacional" ou "soberania da cidade-Estado" (ou seja, como "liberdade colectiva"), isso faz sentido - de um lado temos Esparta, a defender a sua independência (e a das outras cidades gregas), e do outro, o expansionista Império Persa.
Mas, se formos ver a coisa em termos de liberdade pessoal, será que, apesar de tudo, não haveria mais disso na Pérsia do que em Esparta?
Registe-se que se calhar a Pérsia não era tão tirânica como se anda a dizer - afinal, os persas, quando conquistaram Babilónia, até permitiram aos judeus (que lá estavam cativos) regressar à "Terra Prometida".
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Ainda os "bons" e os "maus selvagens" (II)
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Miguel Madeira
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