Tuesday, February 10, 2009

Re: Teoria subjectiva do valor

"O que é um cínico? É alguém que sabe o preço de tudo e não sabe o valor de nada" - Oscar Wilde.

Confesso que o meu grande problema com a teoria subjectiva do valor é que ainda não percebi muito bem sobre a que é que se refere.

Isto é, ainda não percebi muito bem se a TSV pretende explicar o preço dos bens, ou apenas aquilo a que Wilde chamava o seu "valor".

É que, por um lado, como a TSV costuma ser apresentada como uma alternativa à teoria do valor-trabalho (que pretende explicar os preços), é de supor que pretenda também explicar os preços.

Mas, por outro lado, já vi muita coisa escrita por defensores da "teoria subjectiva do valor" que me dão a impressão que a TSV se refere ao tal conceito "wildeano" de valor - um valor que não está necessariamente ligado ao preço (no sentido em que o Firefox tem "valor" para mim apesar de ser grátis).

Talvez se eu fosse ler o Menger (o Carl, não o Hans) chegasse a alguma conclusão, mas é mais prático perguntar ao Carlos Novais e esperar que ele faça mais um post sobre o assunto.

3 comments:

rui tavares said...

Miguel, vê se isto te interessa:

http://www.eurozine.com/articles/2009-01-22-mongin-en.html

jorge a. said...

Caro Miguel,

a teoria marginalista (que deriva da teoria subjectiva do valor) preocupa-se certamente com o preço. E o que diz é que o preço de um bem forma-se nas margens e não em função de custos de produção ou custos do trabalho envolvidos na produção de um bem.

Repare, por exemplo, no petróleo. Vê por acaso a OPEP a prometer diminuir o recurso aos factores de produção usados para diminuir o preço do mesmo, ou o que eles fazem é cortar a produção? Exactamente para aumentar a utilidade marginal do último barril de petróleo produzido.

Porque aquele que influencia o preço de todo o santo barril de petróleo é o último barril produzido e disponível para consumo.

http://www.helium.com/items/108513-austrian-economics-and-marginal-utility

E a teoria do valor trabalho não é uma coisa marxista, é algo que vem desde os tempos de Smith. Mesmo a questão do valor-de-troca vs valor-de-uso foi a forma que Smith encontrou para resolver o problema do paradoxo da água e do diamante. Mas a explicação de Smith não faz sentido porque na essência não resolve o problema. Marx ao seu tempo apenas aceitou como verdade a teoria de Smith (mas o próprio Marx reconhecia não estar satisfeito com a explicação encontrada por Smith).

Depois, claro, quando o paradoxo da água e do diamante foi resolvido por Menger e a revolução marginalista, logo alguns marxistas, em boa parte porque as tretas de Marx baseavam-se nessa teoria, decidiram agarrar-se com unhas e dentes à teoria do valor-trabalho.

Miguel Madeira said...

Bem, o marginalismo moderno tanto pode ser lido em função da teoria subjectiva do valor (o preço de um bem é determinado pela utilidade subjectiva da última unidade desse bem) como da teoria do valor-custo de produção (o preço de um bem é determinado pelo custo de produção da última unidade desse bem).

A questão é de qual é a variável independente e a dependente (se o preço, se a quantidade).

Como escrevi uns posts abaixo, nos casos em que a quantidade é fixa, a teoria subjectiva do valor é totalmente verdadeira: temos uma dada quantidade de um bem, e o preço estabelece-se em função da utilidade da ultima unidade do bem.

Num caso em que, pelo contrário, a oferta de longo prazo de um bem é elástica, com custos marginais (de longo prazo) constantes, então é o preço que é um dado (determinado pelos custos de produção) e é a quantidade que se ajusta para a utilidade marginal equivaler ao preço. Ou seja, ai é a teoria do valor-custo de produção que está correcta.