Tuesday, June 23, 2009

O que têm em comum a Maria João Marques e o Rui Tavares?

Ambos acham que a actual rebelião no Irão é o resultado da politica seguida pelo presidente dos EUA (há uma diferença de pormenor entre eles os dois, é verdade - o nome do presidente - mas não haverá diferenças de pormenor entre todos os pensadores e opinadores?)

2 comments:

rui tavares said...

Oh Miguel, que disparate. Eu não digo que a atual rebelião no Irão seja resultado da política seguida pelo Obama. Digo que a política tem consequências sobre o regime, como naturalmente teria sempre. Ter como objetivo plausível o bombardeamento ou excluir o bombardeamento são duas políticas opostas, que dão um inimigo exterior para consolidar o regime (ou não).

Na parte final do artigo, porém, digo que a libertação dos iranianos será obra da luta dos próprios iranianos, como é evidente (como julgaste que eu cometeria um lapso tão crasso?). Tal como não acredito que Reagam tenha "libertado" os checos, polacos, etc. — também não posso acreditar que Obama possa "libertar" os iranianos.

Um bocadinho de fail neste teu post, camarada.

Carlos Santos said...

Caro Miguel,

Eu devo que poucos títulos no meu blogroll me fizeram esbugalhar os olhos até hoje como este. Com a Maria João Marques eu já tive 5000 discussões (monólogos, em bom rigor, porque ela não é muito do tipo do contraditório). Aí umas 50% foram sobre o Keynes e umas 50% sobre o Obama. E a Michelle (juro!).
Não estava de todo a ver o Rui a alinhar com um slogan McCain do tipo "Bomb, Bomb, Bomb Iran!". Até por razões que já ontem tinha explorado em post, acho que era a opção mais anti smarpower (q é daquelas buzz words irritantes) que podia haver: a minha visão do problema, que só me interessará a mim, mas olha fica aqui, passa por todos os compromissos económicos que Obama cedeu a Hu Jintao em Londres no g2, na véspera do g20. As cedências económicas envolveram alguns compromissos políticos, onde os EUA neste momento não podem fazer nada sem a China: Birmânia, Zimbabwe, Somália, e o próprio Irão (que depende comercialmente da China). Sem a China, o regime não sobrevive. Agora, um ataque a um vizinho da China não é o tipo de coisa que caia bem em Pequim. Eles fartam-se de visar a Índia e o Paquistão para não brincarem com Cachemira. O apoio financeiro que Obama precisa da China e a estabilidade do dólar de que China precisa, fazem milagres nos acordos geopolíticos.
Havia uma segunda via se o diálogo com Damasco estivesse mais adiantado: a Síria é como sabes o único aliado do Irão no Mundo Árabe. E há 2 ou 3 meses a Hillary enviou dois representantes a Damasco para reabir um canal. Mas a Síria faz depender tudo de Israel...Eu acho que por difícil que seja é nesse jogo que os EUA podem entrar. O ataque ao Irão é contrário à própria doutrina Bush, se entendermos que o Irão não representa um perigo imediato. E totalmente contrário ao pragmatismo da política externa de Obama.
Abraço,
Carlos