(Como este nasceu em Tessalonica, Grécia, deve ser por isso que é "ocidental"...)
Friday, February 23, 2007
Afonsos Costas, Mateus 22:21 e a "especificidade ocidental"
(Como este nasceu em Tessalonica, Grécia, deve ser por isso que é "ocidental"...)
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Thursday, February 22, 2007
Orwell's "Catalonia" Revisited - conclusão
A essencia da "Homenagem" é, em larga medida, a mensagem que os comunistas comportaram-se da mesma forma que os fascistas, usando o terror totalitário para defender a burguesia e esmagar a revolução da classe trabalhadora. Ora, a mensagem dos dois outros livros é muito semelhante:
A história do "Triunfo dos Porcos" consiste no processo pelo qual, após a "revolução", os porcos se vão tornando parecidos com os humanos (nomeadamente passando a dormir em camas...), em que o antigo hino revolucionário é banido, etc., e no final acabam com uma reunião de reconciliação entre porcos e humanos (He would end his remarks, he said, by emphasising once again the friendly feelings that subsisted, and ought to subsist, between Animal Farm and its neighbours. Between pigs and human beings there was not, and there need not be, any clash of interests whatever. Their struggles and their difficulties were one. Was not the labour problem the same everywhere? Here it became apparent that Mr. Pilkington was about to spring some carefully prepared witticism on the company, but for a moment he was too overcome by amusement to be able to utter it. After much choking, during which his various chins turned purple, he managed to get it out: "If you have your lower animals to contend with," he said, "we have our lower classes!" This bon mot set the table in a roar; and Mr. Pilkington once again congratulated the pigs on the low rations, the long working hours, and the general absence of pampering which he had observed on Animal Farm) em que Napoleão anuncia que a quinta vai deixar de se chamar "Quinta dos Animais" para voltar ao antigo nome (Quinta Manor) e que a bandeira da quinta vai deixar de ter o simbolo revolucionário (um casco e um chifre).
Quanto a 1984, com o seu cenário de três regimes totalitários, idênticos mas proclamando serem o inimigo uns dos outros, também parece um sucedâneo dessa conjugação entre fascistas e comunistas (tanto nos métodos como nos objectivos) em Espanha.
Finalmente, creio que há um tom semi-trostskista nas 3 obras: em Espanha, Orwell combateu numa milicia "trotskizante" (o POUM); no Triunfo dos Porcos e em 1984, Snowball e Emmanuel Goldestein (inspirados em Trotsky) são apresentados como o mais parecido com os "bons" (o "semi" é importante - nem Orwell poupa o POUM de criticas, nem Snowball ou Goldstein são vistos de uma forma 100% positiva - nunca se chega a perceber, aliás, se Goldstein existe ou é uma fabricação do regime).
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Wednesday, February 21, 2007
Orwell's "Catalonia" Revisited (VIII)
Agora, talvez a parte mais disparatada do texto de Daniels:
Orwell objected to Stalin’s policy because Stalin maintained that “we can’t afford to alienate the peasants [in Spain] by forcing collectivization upon them,” whereas Orwell thought that the war was lost unless it was turned into a true revolutionary war, which included such forced collectivization. “It was easy,” he lamented, “to rally the wealthier peasants against the collectivization policy.” There are no prizes for guessing, then, on whose side he would have been on in the struggle against the so-called kulaks in the Soviet Union, and necessarily so: for kulaks are money-grubbers, the air they breathe is money-tainted, and so forth.
Orwell objected to Stalin—who, as supplier of arms to the loyalist side, was in a position to dictate policy—telling the Spanish (according to Orwell) “Prevent revolution or you get no weapons.” He, Orwell, wanted the totalitarian society that he had glimpsed in Barcelona. Therefore, in Spain at least, Stalin was a freedom fighter by comparison with Orwell.(bold meu)
Para além das passagens que citei lá atrás acerca da posição de Orwell sobre a disciplina militar, a descrição bastante elogiosa que dá dos anarquistas e dos seus métodos evidencia que não havia nada de "totalitário" em Orwell:
"The Anarchist viewpoint is less easily defined. In any case the loose term 'Anarchists' is used to cover a multitude of people of very varying opinions. The huge block of unions making up the C.N.T. (Confederacion Nacional de Trabajadores), with round about two million members in all, had for its political organ the F.A.I. (Federacion Anarquista Iberica), an actual Anarchist organization. But even the members of the F.A.I., though always tinged, as perhaps most Spaniards are, with the Anarchist philosophy, were not necessarily Anarchists in the purest sense. Especially since the beginning of the war they had moved more in the direction of ordinary Socialism, because circumstances had forced them to take part in centralized administration and even to break all their principles by entering the Government. Nevertheless they differed fundamentally from the Communists in so much that, like the P.O.U.M., they aimed at workers' control and not a parliamentary democracy. They accepted the P.O.U.M. slogan: 'The war and the revolution are inseparable', though they were less dogmatic about it. Roughly speaking, the C.N.T.-F.A.I. stood for: (i) Direct control over industry by the workers engaged in each industry, e.g. transport, the textile factories, etc.; (2) Government by local committees and resistance to all forms of centralized authoritarianism; (3) Uncompromising hostility to the bourgeoisie and the Church. The last point, though the least precise, was the most important. The Anarchists were the opposite of the majority of so-called revolutionaries in so much that though their principles were rather vague their hatred of privilege and injustice was perfectly genuine. Philosophically, Communism and Anarchism are poles apart. Practically--i.e. in the form of society aimed at--the difference is mainly one of emphasis, but it is quite irreconcilable. The Communist's emphasis is always on centralism and efficiency, the Anarchist's on liberty and equality. Anarchism is deeply rooted in Spain and is likely to outlive Communism when the Russian influence is withdrawn. During the first two months of the war it was the Anarchists more than anyone else who had saved the situation, and much later than this the Anarchist militia, in spite of their indiscipline, were notoriously the best fighters among the purely Spanish forces. From about February 1937 onwards the Anarchists and the P.O.U.M. could to some extent be lumped together. If the Anarchists, the P.O.U.M., and the Left wing of the Socialists had had the sense to combine at the start and press a realistic policy, the history of the war might have been different. But in the early period, when the revolutionary parties seemed to have the game in their hands, this was impossible. Between the Anarchists and the Socialists there were ancient jealousies, the P.O.U.M., as Marxists, were sceptical of Anarchism, while from the pure Anarchist standpoint the 'Trotskyism' of the P.O.U.M. was not much preferable to the 'Stalinism' of the Communists. Nevertheless the Communist tactics tended to drive the two parties together. When the P.O.U.M. joined in the disastrous fighting in Barcelona in May, it was mainly from an instinct to stand by the C.N.T., and later, when the P.O.U.M. was suppressed, the Anarchists were the only people who dared to raise a voice in its defence." (bolds meus)
Também a descrição que Daniels dá da revolução radical que Orwell defenderia é um bocado mal-informada:
"the nationalization of all major industry" - o que os revolucionários espanhóis defendiam era a "colectivização" da indústria, não a sua "nacionalização": as empresas colectivisadas não tinham sido estatizadas - haviam passado a ser propriedade dos sindicatos do sector e geridas pelos próprios trabalhadores da empresa.
"the collectivization of the land" (...) "Orwell thought that the war was lost unless it was turned into a true revolutionary war, which included such forced collectivization" - aqui há duas coisas distintas: uma é a expropriação das terras dos latifundiários; outra é se a terra expropriada deveria ser colectivizado ou distribuida por pequenos agricultores. Orwell era claramente a favor da expropriação dos latifundios; quanto à questão da colectivização vs. minifundio, sinceramente, das vezes que li o livro, não me pareceu que ele tivesse posição definida nessa questão. Seja como for, é sabido que a maior parte das expropriações de terras na Espanha republicana foram feitas sob incentivo das milicias anarquistas, que, por regra, não impuseram a "colectivização forçada" - quem preferisse cultivar um pequeno pedaço de terra em vez de se juntar às comunidades era livre de o fazer (pelo contrário, os comunistas - nomeadamente o "batalhão Lister" - especializaram-se na "descolectivização forçada": chegar a uma colectividade, executarem alguns elementos e obrigarem os outros a dividir a terra colectivizada)
"the prohibition of prostitution" - os revolucionários espanhóis, efectivamente, faziam cartazes apelando às prostitutas para que deixassem de se prostituir (Orwell testemunha isso); dai à "proibição da prostituição" vai uma grande diferença
"complete equalization of wages" - a igualização completa de salários que várias vezes é falada no livro como uma reivindicação revolucionária era a igualdade de salários no exército, não na sociedade em geral
[Para uma descrição - completamente parcial, é verdade - da "revolução espanhola", "Does revolutionary Spain show that libertarian socialism can work in practice?", no Anarchist FAQ]
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Orwell's "Catalonia" Revisited (VII)
Continuamos com Anthony Daniels:
(...)
Orwell tells us about things the Fascists did better. He learnt the bugle calls from the Fascists because they did them properly. Then he tells us about bullfights: “in Barcelona there were hardly any bullfights nowadays; for some reason all the best matadors were Fascists.” Then the treatment of buildings: “Sometimes it gave you a sneaking sympathy with the Fascist ex-owners to see the way the militia treated the buildings they had seized.”
Tirando referencias algo folclóricas aos toureiros e aos toques de corneta (áreas aonde é natural que o lado "conservador" esteja mais à vontade) Orwell quase não faz comparações entre a forma como as coisas funcionavam no lado republicano e no lado fascista (até porque ele só conhecia um dos lados); no entanto, o que Daniels diz desta passagem (num dos poucos momentos em que a milicia do POUM capturou uma trincheira inimiga):
We poked here and there but did not find anything of much value. There were quantities of Fascist bombs lying about--a rather inferior type of bomb, which you touched off by pulling a string--and I put a couple of them in my pocket as souvenirs. It was impossible not to be struck by the bare misery of the Fascist dug-outs. The litter of spare clothes, books, food, petty personal belongings that you saw in our own dug-outs was completely absent; these poor unpaid conscripts seemed to own nothing except blankets and a few soggy hunks of bread.
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Orwell's "Catalonia" Revisited (VI)
Anthony Daniels é que dá a impressão que não se lembra do que leu há umas poucas linhas atrás:
The P.O.U.M. 'line' differed from this on every point except, of course, the importance of winning the war. The P.O.U.M. (Partido Obrero de Unificacion Marxista) was one of those dissident Communist parties which have appeared in many countries in the last few years as a result of the opposition to 'Stalinism'; i.e. to the change, real or apparent, in Communist policy. It was made up partly of ex-Communists and partly of an earlier party, the Workers' and Peasants' Bloc. Numerically it was a small party, [Note 6, below] with not much influence outside Catalonia, and chiefly important because it contained an unusually high proportion of politically conscious members. In Catalonia its chief stronghold was Lerida. It did not represent any block of trade unions. The P.O.U.M. militiamen were mostly C.N.T. members, but the actual party-members generally belonged to the U.G.T. It was, however, only in the C.N.T. that the P.O.U.M. had any influence. The P.O.U.M. 'line' was approximately this:
'It is nonsense to talk of opposing Fascism by bourgeois "democracy". Bourgeois "democracy" is only another name for capitalism, and so is Fascism; to fight against Fascism on behalf of "democracy" is to fight against one form of capitalism on behalf of a second which is liable to turn into the first at any moment. The only real alternative to Fascism is workers' control. If you set up any less goal than this, you will either hand the victory to Franco, or, at best, let in Fascism by the back door. Meanwhile the workers must cling to every scrap of what they have won; if they yield anything to the semi--bourgeois Government they can depend upon being cheated. The workers' militias and police-forces must be preserved in their present form and every effort to "bourgeoisify" them must be resisted. If the workers do not control the armed forces, the armed forces will control the workers. The war and the revolution are inseparable.'
Quando Orwell escreve «It is nonsense to talk of opposing Fascism by bourgeois "democracy". Bourgeois "democracy" is only another name for capitalism, and so is Fascism» não estava a expor a opinião dele - estava a expor (e de forma simplificada, ainda por cima) a posição do POUM (e ele próprio escreve, várias vezes, que na polémica entre comunistas e poumasistas, não sabia bem quem teria razão). E bastaria se lembrar do que estava escrito na linha anterior para Daniels perceber isso.
Actually, one might have supposed that, in the circumstances, Orwell saw some virtues in what he calls “bourgeois ‘democracy,’” for he recognizes that in England, unlike in Spain even on the government side, one is safe from arbitrary arrest, no inconsiderable advantage to the average person. “It was no use [in Spain] hanging on to the English notion that you are safe so long as you keep the law,” and “I had the ineradicable English belief that ‘they’ cannot arrest you unless you have broken the law.”
Are English notions and the order that produced them worth defending, then? Not really: for he has earlier contrasted the revolutionary atmosphere (which “had attracted me deeply, but I made no attempt to understand it”) with “the hard-boiled cynical civilization of the English-speaking races.” Intellectual and moral frivolity could hardly go further.
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Orwell's "Catalonia" Revisited (V)
Mais uma passagem do Orwell original:
All I could gather was that the Civil Guards had attacked the Telephone Exchange and seized various strategic spots that commanded other buildings belonging to the workers. There was a general impression that the Civil Guards were 'after' the C.N.T. and the working class generally. It was noticeable that, at this stage, no one seemed to put the blame on the Government. The poorer classes in Barcelona looked upon the Civil Guards as something rather resembling the Black and Tans, and it seemed to be taken for granted that they had started this attack on their own initiative. Once I heard how things stood I felt easier in my mind. The issue was clear enough. On one side the C.N.T., on the other side the police. I have no particular love for the idealized 'worker' as he appears in the bourgeois Communist's mind, but when I see an actual flesh-and-blood worker in conflict with his natural enemy, the policeman, I do not have to ask myself which side I am on.
Como Orwell escreve, num conflito em que de um lado está a principal central sindical e do outro a policia, não é preciso pensar muito para concluir de que lado está a "classe trabalhadora".
Quanto a ele, por vezes, falar da classe trabalhadora como se fosse um corpo único é o que nós fazemos em quase todas as situações - quanto vezes não dizemos "as pessoas da cidade Y estão muito descontentes com isto ou aquilo", mesmo quando haverá algumas que não estão descontentes? Em qualquer raciocínio, acabamos sempre por fazer generalizações. Assim falar em "classe trabalhadora" não significa que todos os membros da classe trabalhadora tenham interesses idênticos - apenas que a generalidade dos membros dessa classe têm interesses semelhantes.
“There is already the beginning of a dangerous split in the world working-class movement,” a statement that takes it for granted that the workers of the world are, and ought to be, unifiable within a single organization.
Não, da mesma maneira que, quando alguêm fala na Cristandade não está a implicar que todos os cristãos do mundo são e devem ser unificáveis numa única organização (e falar das divisões da Cristandade - que, mutatis mutandis, seria o equivalente à conversa de Orwell - ainda menos implica tal coisa)
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Orwell's "Catalonia" Revisited (IV)
De seguida Daniels refere o uso de adolscentes pelo exército republicano e as opiniões de Orwell a esse respeito. Independentemente do que se poderia dizer sobre isso, penso que é irrelevante para a apreciação de Orwell como totalitário ou não.
No entanto, vou analisar este pedaço:
Far from questioning the worth of a cause that could accept such a soldiery, Orwell says:
I defy anyone to be thrown as I was among the Spanish working class … and not be struck by their essential decency; above all, their straightforwardness and generosity.
All this time I was having the usual struggles with the Spanish language. Apart from myself there was only one Englishman at the barracks, and nobody even among the officers spoke a word of French. Things were not made easier for me by the fact that when my companions spoke to one another they generally spoke in Catalan. The only way I could get along was to carry everywhere a small dictionary which I whipped out of my pocket in moments of crisis. But I would sooner be a foreigner in Spain than in most countries. How easy it is to make friends in Spain I Within a day or two there was a score of militiamen who called me by my Christian name, showed me the ropes, and overwhelmed me with hospitality. I am not writing a book of propaganda and I do not want to idealize the P.O.U.M. militia. The whole militia--system had serious faults, and the men themselves were a mixed lot, for by this time voluntary recruitment was falling off and many of the best men were already at the front or dead. There was always among us a certain percentage who were completely useless. Boys of fifteen were being brought up for enlistment by their parents, quite openly for the sake of the ten pesetas a day which was the militiaman's wage; also for the sake of the bread which the militia received in plenty and could smuggle home to their parents. But I defy anyone to be thrown as I was among the Spanish working class --I ought perhaps to say the Catalan working class, for apart from a few Aragonese and Andalusians I mixed only with Catalans--and not be struck by their essential decency; above all, their straightforwardness and generosity. A Spaniard's generosity, in the ordinary sense of the word, is at times almost embarrassing. If you ask him for a cigarette he will force the whole packet upon you. And beyond this there is generosity in a deeper sense, a real largeness of spirit, which I have met with again and again in the most unpromising circumstances. Some of the journalists and other foreigners who travelled in Spain during the war have declared that in secret the Spaniards were bitterly jealous of foreign aid. All I can say is that I never observed anything of the kind. I remember that a few days before I left the barracks a group of men returned on leave from the front. They were talking excitedly about their experiences and were full of enthusiasm for some French troops who had been next to them at Huesca. The French were very brave, they said; adding enthusiastically: 'Mas valientes que nosotros'--'Braver than we are!' Of course I demurred, whereupon they explained that the French knew more of the art of war --were more expert with bombs, machine-guns, and so forth. Yet the remark was significant. An Englishman would cut his hand off sooner than say a thing like that.
Ou seja, Orwell não está a dizer que aceitar crianças como soldados é uma "manifestação de decência e generosidade". Ele está a falar da sua impressão das milícias e das coisas boas e más que tinham; uma das coisas más eram os rapazes sem jeito para a guerra que lá estavam para sustentar os pais; e uma das coisas boas era a "decência e generosidade" dos espanhóis (ou da classe trabalhadora espanhola). E, quando ele fala desse "decência e generosidade" está a falar de actos de espanhóis concreto (como partilharem o tabaco com ele) não de actos feitos "em nome da classe trabalhadora".
And the rest, as far as Orwell is concerned, is silence, apart from anger that the foreign Stalinists who support the Partido Socialista Unificado de Cataluña (PSUC) at a distance should designate the child-soldiers of the anarcho-Trotskyite Partido Obrero de Unificación Marxista (POUM) as fascist
Esta passagem não é muito relevante para a questão, mas o POUM não era "anarco-trotskista". Quem era anarquista era a CNT. O POUM era, efectivamente, mais ou menos trotskista, i.e., concordava com a doutrina trotskista mas tinha rompido com Trotsky devido a divergências de como pôr a teoria em prática (se essa ruptura com a "IV Internacional" tivesse ocorrido após a morte de Trotsky de certeza que o POUM seria considerado uma das múltiplas facções do trotskismo). No entanto, como a CNT e o POUM foram sempre aliados durante a guerra, essa confusão é desculpável.
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Orwell's "Catalonia" Revisited (III)
Orwell goes on to describe Barcelona as it struck him when he first arrived there.
It was the first time that I had ever been in a town where the working class was in the saddle. Practically every building of any size had been seized by the workers and was draped with red flags or with the red and black flag of the Anarchists; every wall was scrawled with the hammer and sickle and with the initials of the revolutionary parties; almost every church had been gutted and its images burnt. Churches were here and there being systematically demolished by gangs of workmen. Every shop and every café had an inscription saying it had been collectivised; even the bootblacks had been collectivised and their boxes painted red and black… . The revolutionary posters were everywhere, flaming from the walls in clean reds and blues that made the few remaining advertisements look like daubs of mud.Orwell also described the appearance of the people in the street:
In outward appearance it was a town in which the wealthy classes had practically ceased to exist. Except for a small number of women and foreigners there were no “well-dressed” people at all. Practically everyone wore rough working-class clothes, or blue overalls or some variant of the militia uniform.What had happened, you might ask, to the “wealthy classes”?
I believed that things were as they appeared, that this really was a workers’ State and that the entire bourgeoisie had either fled, been killed, or voluntarily come over to the workers’ side.What Orwell is describing is a totalitarian, completely politicized society, of which a Kim Il Sung might have approved. And so does Orwell:
Para mim, uma sociedade totalitária é uma sociedade completamente dirigida centralmente pelo Estado. Ora, todas essas pinturas, slogans, ocupações, etc. não eram dirigidas pelo Estado - era um processo dinamizado pelos vários partidos, sindicatos, etc. P.ex., a "disciplina revolucionária" que Orwell descreve parece-me tudo menos totalitária.
In other words, he thought that this totalitarian society was an improvement on the messy compromises of liberal democracy.
Esta passagem, obviamente, só faria sentido se considerássemos a Barcelona da altura como "totalitária". Ora, como Orwell considerava essa sociedade como o "socialismo democrático" e não como "totalitarismo" (e com razão - que raio de totalitarismo é esse, com vários partidos rivais e com um governo central fraquissimo?), a passagem não faz sentido.
Daniels também refere o apoio de Orwell à destruição e pilhagem de igrejas. Independentemente da opinião que se possa ter acerca disso, a Igreja era uma instituição rica e poderosa na Espanha de então. Essas destruições e pilhagens são perfeitamente compreensíveis a essa luz - quando um sistema considerado opressivo é derrubado, nada mais natural que as instiuições "priviligiadas" (ou consideradas como tal) verem os seus bens pilhados em massa. Penso que os bens do PC também foram confiscados na Roménia, os da União Nacional em Portugal, etc.
“Churches were wrecked and the priests driven out or killed”: the only regret that Orwell expresses is that it allowed Franco to represent himself to readers of the Daily Mail as “a patriot delivering his country from hordes of fiendish ‘Reds.’” But why the quotation marks? If it was not the Reds who drove out or killed the priests, who was it? The People, one and indivisible?
Não sei porque Orwell usou as aspas, mas imagino que seja porque "vermelhos" não quer dizer nada - no campo republicano havia anarquistas, trotskistas, comunistas, socialistas, liberais, etc. cada qual com a sua agenda.
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Orwell's "Catalonia" Revisited (II)
Vamos lá analisar as suas alegações:
Indeed, the very opening passage is distinctly unpleasant. The first sentence reads:
In the Lenin Barracks in Barcelona, the day before I joined the militia, I saw an Italian militiaman standing in front of the officers’ table.Orwell took an immediate shine to the Italian:
He was a tough-looking youth… . His peaked leather cap was pulled fiercely over one eye… . Something in his face deeply moved me.What was it about it that so moved Orwell?
It was the face of a man who would commit murder and throw away his life for a friend… . There was both candour and ferocity in it; also the pathetic reverence that illiterate people have for their supposed superiors.Do illiterate people reverence their supposed superiors, pathetically or otherwise? I have never noticed it, and I have had dealings with a lot of illiterates, but perhaps the nature of illiteracy has changed since Orwell’s day. In any case, one might have supposed that the type that Orwell describes, ready to commit murder and with a reverence for his superiors, was a rather dangerous type. But Orwell says, “I have seldom seen anyone—any man, I mean—to whom I have taken such an immediate liking… . Queer, the affection you can feel for a stranger!”
(...)
Having extolled ferocity and potential murderousness, presumably at the service of a pathetic reverence of superiors, Orwell goes on to describe Barcelona as it struck him when he first arrived there.
Agora, vamos comparar com o texto de Orwell:
He was a tough-looking youth of twenty-five or six, with reddish-yellow hair and powerful shoulders. His peaked leather cap was pulled fiercely over one eye. He was standing in profile to me, his chin on his breast, gazing with a puzzled frown at a map which one of the officers had open on the table. Something in his facedeeply moved me. It was the face of a man who would commit murder and throw away his life for a friend--the kind efface you would expect in an Anarchist, though as likely as not he was a Communist. There were both candour and ferocity in it; also the pathetic reverence that illiterate people have for their supposed superiors. Obviously he could not make head or tail of the map; obviously he regarded map-reading as a stupendous intellectual feat. I hardly know why, but I have seldom seen anyone--any man, I mean--to whom I have taken such an immediate liking.
Para começar Daniels oculta a parte em que Orwell diz que o miliciano tinha "cara de anarquista (embora provavelmente fosse comunista)" - esta omissão poderia ser um mero detalhe, não fosse o caso de Daniels insinuar que Orwell admiraria o miliciano por achá-lo com ar de quem estaria disposto a matar "por reverencia pelos seus supostos superiores" - algo pouco provável para um anarquista. E seja como for, Orwell escreve claramente "um homem disposto a matar ou a dar a vida por um amigo" - não em obediência a "superiores". Além disso, ao truncar grande parte do texto, dá a impressão que "a reverência pelos seus supostos superiores" foi um aspecto decisivo na admiração de Orwell (pode ter sido ou não, não sabemos).
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Orwell's "Catalonia" Revisited (I)
Antony Daniels (o autor do texto) até escreve algumas coisas de jeito, nomeadamente logo na abertura:
"In any political argument of philosophical significance, everyone wants George Orwell as an ally. To be able to claim that he is so, however, you must first place him on an ideological map and then discover that, by happy coincidence, you occupy precisely the same position yourself. Hey presto, Orwell is on your side, and your opponents are thereby reduced to persons of ill-will or bad faith!"
[Eu cá suspeito que a sorte de George Orwell foi ter morrido logo pouco depois de chegar à fama, de forma que tanto podemos imaginar que, se tivesse vivido, teria permanecido na extrema-esquerda como, pelo contrário, se teria tornado um neo-conservador avantt la lettre; como alguem disse "Se fosse vivo, Orwell seria muito velho"]
E o artigo de Daniels em larga medida refuta as tentativas de apresentar Orwell como um "direitista":
Of course, his reputation beyond the purlieus of the Left now rests mainly on his two last books, Animal Farm and Nineteen Eighty-Four. They made him an honorary conservative, though in fact he was a conscript rather than a volunteer.
Esta referência a Orwell ser um "soldado à força" e não um "voluntário" do "exército conservador" faz-me lembrar a discussão que tive com o Lidador nos comentários do Arrastão...
No entanto, o essencial da tese de Daniels, a sua crítica à afirmação de Orwell que “Every line of serious work that I have written since 1936 has been written, directly or indirectly, against totalitarianism and for democratic socialism, as I understand it” e o uso da "Homenagem" para a refutar parece-me um disparate (e o uso abundante de passagem truncadas e/ou descontextualizadas do livro leva-me a suspeitar de alguma desonestidade intelectual).
A refutação dos argumentos de Daniels ficará para próximo post.
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Monday, February 19, 2007
Venezuela: é repetível o "Caracazo"?
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Sunday, February 18, 2007
Até 2007
Em rigor, a tese de Arroja era de que "[d]ividindo a história portuguesa do século XX em três períodos, (...) o Estado Novo foi (..) de maior crescimento económico no país.", ou seja até faria algum sentido eu ter feito a análise só até 1999. No entanto, e usando as previsões para 2006 e 2007, as taxas de crescimento económico da 1974 até ao final deste ano serão
| 1974-2001 | 2002-2007 | 1974-2007 | |
| Irlanda | 4,65% | 5,25% | 4,76% |
| Luxemburgo | 4,52% | 3,60% | 4,36% |
| Espanha | 2,64% | 3,10% | 2,72% |
| Grécia | 2,38% | 4,03% | 2,67% |
| Portugal | 2,97% | 0,66% | 2,56% |
| Bélgica | 2,58% | 1,85% | 2,45% |
| Paises Baixos | 2,53% | 1,61% | 2,37% |
| França | 2,31% | 1,68% | 2,20% |
| Reino Unido | 2,08% | 2,57% | 2,17% |
| Itália | 2,36% | 0,70% | 2,07% |
| Dinamarca | 1,93% | 1,88% | 1,92% |
| Alemanha | 2,14% | 0,86% | 1,91% |
Portugal descerá mais um bocadinho na "classificação" (terá crescido também menos do que a Grécia), mas continua a ter crescido mais do França, Alemanha, Reino Unido. Agora, efectivamente, a questão era se a economia portuguesa tinha progredido ou não face à media europeia. De facto, só com estes dados, não posso dizer nem que sim nem que não, porque só tenho a taxa de crescimento de cada pais. No entanto, assumindo que a taxa de crescimento da UE andará próxima da taxa de crescimento das suas maiores economias, parece-me que Portugal, desde 1974 para cá, terá tido um crescimento acima dessa média (embora desde cerca do ano 2000 que tenha passado a crescer menos que os outros).
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Nova música
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Então, até 2005
Assim, arranjei maneira de adiar o Apocalipse e lá encontrei mais umas estatísticas do FMI de 2002 a 2007 (mas ignorei os 2 últimos anos por serem previsões).
Resultados finais:
| 1974-2001 | 2002-2005 | 1974-2005 | |
| Irlanda | 4,65% | 5,02% | 4,70% |
| Luxemburgo | 4,52% | 3,45% | 4,39% |
| Espanha | 2,64% | 3,05% | 2,69% |
| Portugal | 2,97% | 0,32% | 2,64% |
| Grécia | 2,38% | 4,25% | 2,62% |
| Bélgica | 2,58% | 1,57% | 2,45% |
| Países Baixos | 2,53% | 0,97% | 2,33% |
| França | 2,31% | 1,35% | 2,19% |
| Reino Unido | 2,08% | 2,50% | 2,13% |
| Itália | 2,36% | 0,35% | 2,11% |
| Alemanha | 2,14% | 0,47% | 1,93% |
| Dinamarca | 1,93% | 1,57% | 1,88% |
É verdade que a vantagem de Portugal fica diminuída, mas continua a, no período 1974/2005, a ter crescido mais que as principais economias da UE.
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Saturday, February 17, 2007
Portugal e a Europa, desde o 25 de Abril
Indo a esta página do FMI e abrindo este ficheiro (.csv) podemos facilmente calcular a taxa anual de crescimento do PIB desses 12 países, de 1974 a 2001:
| Irlanda | 4,65% |
| Luxemburgo | 4,52% |
| Portugal | 2,97% |
| Espanha | 2,64% |
| Bélgica | 2,58% |
| Paises Baixos | 2,53% |
| Grécia | 2,38% |
| Itália | 2,36% |
| França | 2,31% |
| Alemanha | 2,14% |
| Reino Unido | 2,08% |
| Dinamarca | 1,93% |
Portugal, comparado com os outros países europeus, não teve qualquer progresso desde 1974, não há dúvida (só os irlandeses e os luxemburgueses têm tido menor crescimento económico que nós).
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Friday, February 16, 2007
Ainda a respeito da "falha de mercado" na TV
Imagine-se uma TV com 2 canais, ambos procurando maximizar audiências.
Imagine-se que temos 12 potenciais espectadores (ou um milhão e duzentos mil, se acharem mais realista).
Temos também 3 tipos possíveis de programas - series de acção com enredo fantasista, estilo Buffy, a Caçadora de Vampiros; documentários sobre a natureza, estilo A Vida na Terra; e telenovelas.
Vamos supor que os telespectadores têm a seguinte ordem de preferências:
1º Buffy; 2º Vida na Terra; 3º Telenovela - 1 espectador
1º Vida na Terra; 2º Buffy; 3º Telenovela - 1 espectador
1º Buffy; 2º Telenovela; 3º Vida na Terra - 3 espectadores
1º Vida na Terra; 2º Telenovela; 3º Buffy - 3 espectadores
1º Telenovela; 2º Buffy; 3º Vida na Terra - 2 espectadores
1º Telenovela; 2º Vida na Terra; 3º Buffy - 2 espectadores
Há aqui um padrão neste modelo simulado: tanto a "Buffy" como a "Vida na Terra" têm relativamente poucas segundas preferências, ou seja, alguns espectadores gostam muito, enquanto os outros gostam pouco; pelo contrário, as telenovelas terão uma vasta gama de espectadores que não são "fãs", mas também não desgostam.
Agora, supondo que todos os potenciais espectadores vão ver televisão (suposição irrealista, mas não afecta muito o raciocínio - só afectará se houver muitos espectadores que só vejam a 1ª preferência), quais serão as audiências para cada canal, conforme as programações?
Se um canal emitisse a "Buffy" e outro uma telenovela, o primeiro teria 5 espectadores e o outro 7.
Se um canal emitisse a "Vida na Terra" e outro uma telenovela, de novo, 5 para um e 7 para o outro.
Se um canal emitisse a "Vida na Terra" e outro a Buffy, teriam cada qual 6 espectadores.
Se ambos os canais emitissem programas do mesmo tipo (estilo 2 telenovelas, ou a "Vida na Terra" vs. "National Geographic", ou a "Buffy" vs. "O Homem Invísivel"), possivelmente teriam 6 espectadores cada.
Conclusão - em principio, a melhor maneira de as televisões maximizarem as audiências é ambas passarem telenovelas, mesmo que não seja o programa favorito de 2/3 da audiência (ou seja, o objectivo acaba por ser, não passar os programas que os espectadores mais gostam, mas os programas que menos espectadores desgostam)!
[Pode haver excepções - p.ex., um programa pode ser tão "esmagador" no seu segmento de mercado que leve a concorrência a desistir de conquistar o "grande público" e concentrar-se em pequenos nichos de público fiel - tanto a SIC como a TVI fizeram isso nos primeiros tempos de actividade, passando séries juvenis no "horário nobre"; no entanto, são exactamente isso - excepções]
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Nova versão do Blogger
Seja como fôr, fica aqui o meu protesto.
[Ou será que isto é mesmo nabice minha e havia maneira de continuar a trabalhar com a versão antiga?]
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Thursday, February 15, 2007
A TV pública
Ou seja, a televisão pública não deveria ser "do Estado", mas "do povo", e deveria ser usada para difundir programas feitos (ou escolhidos) pelos cidadãos. Com 2 canais, a emitir 24 horas durante 365 dias por ano, cada um dos 10 milhões de portugueses teria direito a 5 segundos de emissão anual. Parece minúsculo, mas, através da criação de associações de pessoas que quisessem ver emitido determinado programa, já daria para os cidadãos terem uma influência real na programação.
Isso, em principio, solucionaria o que acho que é a grande "falha de mercado" da TV privada (e que a TV pública convencional só por acaso conseguiria solucionar): para uma estação de TV em sinal aberto (ou melhor, para os seus anunciantes), o que interessa é o número de pessoas que assistem a um programa, não o grau de entusiasmo que têm pelo programa. Assim, as televisões preferem passar programas de que muita gente gosta medianamente do que programas que pouca gente gosta muito. Poder-se-à argumentar "Mas não é melhor que a televisão passe programas que muita gente gosta do que programas que só poucos vêm?"; contudo, a questão é que a "muita gente" é composta por muitas "poucas gentes", e até é possível que muitas dessas "poucas gentes" até preferissem terem menos programas que gostassem, mas que gostassem mais desses programas.
No entanto, não sei se no mundo actual esse problema será importante: afinal, com a Internet (que pode facilmente funcionar como um televisão alternativa) e com televisão a cabo com dezenas (e potencialmente centenas) de canais, essa tendência da televisão hertziana para se dedicar ao "mínimo denominador comum" tenderá a se tornar irrelevante.
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O documentário sobre Salazar
Normalmente concordo com o que Daniel Oliveira escreve, mas não na questão do documentário sobre Salazar. Se percebo bem, a opinião de DO era que o documentário sobre Salazar não deveria ter sido feito por um claro simpatizante, como Jaime Nogueira Pinto, mas sim por um historiador que não fizesse um documentário propagandistico (e, a respeito de Álvaro Cunhal, também afirma que acharia ainda melhor que tivesse sido Pacheco Pereira, e não Odete Santos, a fazer o programa).
O problema de se seguir esse rumo (fazer documentários a sério e não "tempos de antena") é que haveria sempre quem achasse que eram documentários manipuladores sob a capa de objectividade. Se fosse Pacheco Pereira a fazer o documentário sobre Cunhal, o que é que os comunistas diriam? "É mais uma prova da campanha anticomunista da comunicação social - escolheram um historiador reaccionário-burguês para denegir Cunhal!". E os salazaristas diriam "Só passaram a versão politicamente correcta do que foi Estado Novo". E nunca se iria perceber se os documentários eram objectivos ou manipuladores (e em que sentido eram manipuladores - se contra. se a favor).
Desta maneira, em que são simpatizantes a fazer os documentários, e isso é assumido por todos, não há problema, porque "sabemos aonde vamos" - o público já sabe que o documentário pretende ser manipulador a favor da personagem e pode dar o devido desconto.
Por outro lado, concordo a 100% com DO quando este escreve "É curioso que sejam exactamente os mesmos que, há uns meses, se mostraram indignados com a transmissão de "Loose Change" na RTP que agora me acusem de censura por ser a minha vez de me indignar com a produção, por parte do mesmo canal, de um documentário panegírico sobre Salazar".
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Alguém me prove, racionalmente, que Jeová existe
Maria Marques respondeu "Não vejo em que é a razão se opõe à religião. Em primeiro lugar, de facto há argumentos lógicos e racionais que apontam para a existência de um Criador. Parece-me bastante mais irracional o ateísmo, i.e., ACREDITAR que Deus não existe".
Assim, agradecia que alguêm tentasse demonstrar-me, por argumentos racionais, que Jeová (ou o "Deus de Abraão", ou o que lhe queiram chamar) existe.
Poderão contra-argumentar:
a) E o Miguel, consegue provar que Jeová/Deus não existe?
b) Porque é que temos que provar que é Jeová que existe? Não basta provar que existe um deus qualquer, seja ele Jeová, Júpiter, Tengri, Krishna ou Thor?
A questão é que a minha tese era de que, tudo o resto mantendo-se constante, a razão leva as pessoas a, de geração para geração, abandonarem os valores religiosos (mesmo que, formalmente, se mantenham crentes - p.ex., os famosos "católicos não-praticantes") e passarem para o "humanismo secular".
Ora, para a razão enfraquecer a prática religiosa não precisa de provar que Deus existe, basta lançar a dúvida que ele existe (e, em termos de valores e comportamentos, os ateus - que acreditam que Deus não existe - não diferem muito dos agnósticos - que não sabem se Deus existe ou não). Além disso, se a razão poder provar que existe um deus, mas não poder provar que é o "Deus de Abrãao", os efeitos em termos de enfraquecimento da moral e da cultura judaico-cristã-islãmica são os mesmos: afinal, porque é que, assim, o individuo haveria de seguir a moral judaico-cristã-islãmica e não a greco-romana, a vinking ou a hindu?
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Wednesday, February 14, 2007
O regresso das caricaturas de Maomet
Entretanto, o jornal satírico francês Charlie-Hebdo também publicou uma série de caricaturas anti-fundamentalistas, e algumas organizações muçulmanas fizeram queixa. Bem, e não é que agora está também tudo indignado - "como é que isto chegou a tribunal? Como é que isto não foi logo arquivado perante o óbvio (liberdade de expressão)? Como é que, em 2007, um sistema de justiça de uma democracia europeia se deixa enredar nisto, não sendo capaz de dizer, de imediato, que o jornal actuou no seu direito de liberdade de imprensa/opinião? Como é que isto chega ao tribunal?". Mas não era isso que tinha sido sugerido aos fundamentalistas há um ano - recorrer aos tribunais? E não era essa a "grande diferença" entre a reacção muçulmana às caricaturas de Maomet e a reacção de alguns judeus face às caricaturas anti-semitas (o recurso à lei e aos tribunais)?
Antes que me interpretem mal, esclareço que considero, tanto o processo contra o Charlie Hebdo, como o processo contra a "Liga Árabe Europeia" como ataques à liberdade de expressão (e relembro o que escrevi há um ano).
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Tuesday, February 13, 2007
As nacionalizações de Chavez (I)
A primeira parte do que escrevi sobre as exigências da "Corrente de Classe, Unitária, Revolucionária e Autónoma" parece confirmar-se; vamos lá ver o que acontece à segunda ("Quanto ao "controlo democrático das empresas nacionalizadas pelos trabalhadores", também não me parece que Chavez, com as suas tendências para a concentração de poder pessoal, seja a pessoa mais indicada para o pôr em prática...")
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Pagamento por nascimentos?
Façamos as contas: actualmente, o penúltimo escalão do subsidio familiar (para familias com rendimento per capita entre 2,5 e 5 salários mínimos) é de 31,46 euros/mês até 1 ano de idade e 10,49 a partir daí.
Multiplicando por 12 meses, temos 377,52 euros no primeiro ano e 125,88 nos anos seguintes. Vamos assumir que os filhos recebem subsidio até aos 16 anos e que a taxa de juro é de 5% - assim, temos que uma familia no penúltimo escalão recebe, por um filho, um valor actual equivalente a 1.600 euros (=377,52/1.05 + 125,88/1.05^2 + ...+125,88/1.05^16). O custo para o SNS de fazer um aborto nem deve chegar a metade disso...
É verdade que as familias com um per capita superior a 5 SMNs não recebem subsidio familiar, mas, em compoensação, as que recebem menos que 2,5 SMNs recebem um valor mais elevado do que eu calculei (pelo que a média deve andar por aí).
Eu até acho que o abono de familia deveria ser mais elevado, mas usar a comparação com o aborto como argumento parece-me um perfeito disparate.
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Monday, February 12, 2007
Dois séculos?
Karl Marx - "Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual alemão considerado um dos fundadores da Sociologia"
Se Henrique Raposo falasse em "vulgata jacobina", ainda vá lá (e, seja como for, a dicotomia de "urbano e moderno" vs. "obscuridade e religiosidade" é mais "jacobina" - e também "tradicionalista" - do que marxista).
E, já agora, convem recordar quem começou com a conversa do "Bom Portugal vs. Mau Portugal", em versão "eixo Lisboa-Porto" contra "um país inteiro, a que tantas vezes se chama real, que pensa de forma diferente e onde pasionarias e iluminados não têm grande saída" (pista: não foram "marxistas").
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A titulo de curiosidade...
| Sim | Não | Abst. | |
| Algarve | 73,64% | 23,36% | 61,19% |
| Portimão (concelho) | 72,03% | 27,97% | 58,12% |
| Aljezur (concelho) | 80,53% | 19,47% | 61,59% |
| Budens, Vila do Bispo | 82,55% | 17,45% | 61,96% |
| Barão de S. Miguel, Vila do Bispo | 66,67% | 33,33% | 50,79% |
Logo um detalhe intrigante - Barão de S. Miguel, um dos bastiões da esquerda no Algarve (olhe-se para os resultados nas presidenciais), aonde, nas autárquicas, a direita nem apresenta lista, teve um dos "piores" (i.e, menos melhores) resultados do SIM. Será um indicio de que nas "questões fracturantes", por vezes, o alinhamento partidário clássico nem sempre funciona?
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Saturday, February 10, 2007
Venezuela - manifestação a favor das nacionalizações
Diversos uniformes con logos de distintas empresas exhibían los cerca de 6.000 trabajadores que ayer dominaron las calles céntricas de Caracas, reclamando la Nacionalización sin indemnización y bajo control de los trabajadores de las empresas Cantv, Sidor, las de electricidad, del sector petrolero de la Faja del Orinoco, Aeropostal y de Sanitarios Maracay, entre otras.
(...)
Ellos le dieron el contenido revolucionario a la lucha por la nacionalización, entendiendo que ésta política no puede ser entendida como recompra e indemnización a los empresarios y sobre todo, comprensión que las nuevas empresas, incluida Sanitarios Maracay, deben pasar a ser administradas directamente y controladas su producción por parte de los trabajadores y sus organizaciones democráticamente constituidas.
Essa manifestação foi convocada pela "Corrente de Classe, Unitária, Revolucionária e Autónoma", a principal facção da UNT, a central sindical pró-Chavez (aparentemente, a principal diferença é que as outras facções defendem o apoio incondicional a Chavez, enquanto a C-CURA, que controlará 3/4 da UNT, apenas dá "apoio condicional").
Agora, a respeito das exigências dos manifestantes:
Independentemente dos juizos de valor que se possam fazer acerca de uma "nacionalização sem indemnização", parece-me duvidoso que Chavez vá por esse caminho: isso seria abrir um conflito real com os EUA (e não apenas conflitos puramente simbólico-folclóricos, estilo chamar Bush de "diabo"), e a Venezuela precisa mais dos EUA para vender o seu petróleo do que os EUA precisam da Venezuela.
Quanto ao "controlo democrático das empresas nacionalizadas pelos trabalhadores", também não me parece que Chavez (com as suas tendências para a concentração de poder pessoal) seja a pessoa mais indicada para o pôr em prática...
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Friday, February 09, 2007
Aos abstencionistas
Parece-me que há (pelo menos) quatro tipos de abstencionistas:
a) Os que se abstêm porque não têm certeza se o aborto deve ser crime ou não. Ora, se não se sentem capazes de dizer que é crime, como podem aceitar que alguém seja criminalizado por isso? Afinal, na justiça deve aplicar-se o principio "na dúvida, a favor do réu".
b) Os que se abstêm porque acham "que não têm nada a ver como isso". Ora, se acham que não têm nada a ver com os abortos que os outro(a)s fazem ou deixam de fazer, o mais coerente é votar "Sim"
c) Os que acham que "isto não vai resolver nada, porque os médicos dos hospitais vão continuar a recusar-se a fazer abortos e quem precise e tenha pouco dinheiro vai continuar a ter que ir às parteiras". Mesmo que isso seja verdade, a despenalização do aborto vai melhorar a situação das pessoas que actualmente recorreriam ao aborto clandestino, já que haverá melhor "controlo de qualidade" nos "abortadeiros privados" e o seu custo tenderá a ser mais baixo (ver este artigo de Tiago Mendes).
d) Os que são a favor da legalização, mas acham que o aborto não devia ser fornecido pelo SNS. É verdade que não é isso que está a ser referendado, mas muito provavelmente o que vai ser legislado será, realmente, o aborto no SNS. Esta é capaz de ser a posição abstencionista que tem mais razão de ser (da perspectiva dos valores desses abstencionistas, não da minha). A menos, claro, que os abstencionistas do grupo c) tenham razão (quando dizem que, na prática, poucos abortos irão ser feitos no SNS), o que desvalorizaria bastante a objecção do grupo d).
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O aborto face às outras "causas fracturantes"
Até para a prostituição isso se aplica - é verdade que, em Portugal, a prostituição é legal e o aborto (com várias excepções) ilegal, mas desconfio que é mais frequente o oposto: paises em que o aborto é legal e a prostituição ilegal.
Porque é que eu digo que "é curioso"? Porque até seria de esperar que o aborto fosse a mais polémica dessas questões - todas as outras (droga, suicidio assistido, casamento homossexual, prostituição), à partida, não afectam terceiros (repare-se que eu só falei em casamento homossexual, não em adopção), logo, seria natural que fossem relativamente pacíficas; pelo contrário, no aborto pode-se argumentar que afecta terceiros (dependendo da questão sobre se e quando um zigoto/embrião/feto passa a ser considerado um "terceiro").
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0% de Presidentes de Camara arguidos
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Thursday, February 08, 2007
Quem diria?
Expectativa de compra impulsa acciones de Cantv
Este viernes, la empresa dará a conocer sus estados financieros
MARÍA GABRIELA AGUZZI V
Caracas. Las acciones de la empresa Cantv que cotizan en la bolsa de Nueva York, conocidas como ADR (American Depositary Receipts) registraron un alza de casi 7%, durante la jornada de ayer, repunte que obedeció a las expectativas que se han generado en torno a la compra de los títulos por parte del Ejecutivo para la posterior nacionalización de la compañía.
Para el mediodía de este martes, los especialistas observaban el movimiento positivo de los ADR en el mercado internacional, horas en las que éstos llegaron a cotizarse hasta en 16 dólares.
Explicaban que la tendencia alcista obedecía a las especulaciones que se estaban dando sobre una posible buena oferta por parte del Gobierno Nacional para adquirir las acciones y proceder a la nacionalización de la compañía telefónica.
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Wednesday, February 07, 2007
Monday, February 05, 2007
"Despenalização" vs. "Liberalização" II
Imaginemos que se fazia a vontade aos que dizem que "a pergunta é enganosa" e esta passava a ser "Concorda com a liberalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, nas primeiras 10 semanas, se realizada por opção da mulher, num estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".
Agora, o que entendemos por "liberalização"?
Se adoptarmos uma definição "dura" de "liberalização" (algo como "ausência de regulamentação") a pergunta, logo à partida, seria contraditória - se não há regulamentação, que conversa é essa de "estabelecimento de saúde legalmente autorizado"? Além disso, tornaria impossível a aplicação de propostas como "prazos de reflexão"e afins.
Por outro lado, se adoptarmos uma definição "suave" de "liberalização" ("tornar mais livre"), então o referendo tornar-se-ia quase vazio de conteúdo - se ganhasse o "SIM", isso poderia abarcar qualquer micro-alteração da lei que tornasse mais livre o aborto antes das 10 semanas. P.ex, aí o SIM poderia ser usado para despenalizar, apenas, abortos realizados por mulheres no desemprego, ou por mulheres com menos de 18 anos (ou com mais de 43...), ou por mulheres solteiras, ou abortos que tenham tido parecer positivo prévio da delegação local da Segurança Social, ou sei lá o quê...
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"Despenalização" vs. "Liberalização"
Sinceramente, não sei se esta oposição entre "liberalização" e "despenalização" fará grande sentido - dizer "podes fazer isto" (liberalização) ou "não levas castigo nenhum se fizeres isto" (despenalização) é quase a mesmo coisa.
O argumento do SIM tem a sua lógica - não é uma liberalização porque é só "até às 10 semanas" e "em estabelecimento de saúde legalmente autorizado", mas mesmo aí pode-se argumentar que, nas situações em que "despenaliza", "liberaliza" (ou seja, não é uma liberalização total pelo simples facto que não será uma despenalização total).
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Sunday, February 04, 2007
Poligamias
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Friday, February 02, 2007
Re: A neutralidade do Estado perante os Direitos Naturais
"Tenho lido comentários do Miguel Madeira sobre como o Estado não devia (em abstracto se assumirmos em completo a neutralidade do Estado perante julgamentos morais) defender os direito de propriedade porque isso em si constitui a defesa de um julgamento moral e positivo sobre direitos de uma parte da população."
"Mas o direito de propriedade não nasce de alguma coisa a que chamemos Estado. Nasce da argumentação ética na sua defesa em termos filosóficos, na capacidade prática da sua defesa por parte de quem se julga como legitímo apropriador de tais direitos e também na utilidade da sua existência."
Mesmo que aceitemos o segundo parágrafo de CN, em nada afecta a minha afirmação que o Estado intervir para proteger direitos de propriedade significa tomar partido na disputa moral entre os que acham esses direitos de propriedade legítimos e os que os acham ilegítimos (e nesta categoria não estão só os que discordam dos direitos de propriedade em abstracto; estou também a incluir os que concordam com os direitos de propriedade, mas que discordam da legitimidade de um dado proprietário concreto).
Como já disse, o estado expulsar okupas é tomar partido pelos que defendem que o direito de propriedade não se extingue após "X" tempo de abandono face aos que defendem que se extingue.
Note-se que esta questão surgiu no contexto do post de João Miranda, "O minarquismo de Vital Moreira", em que este argumentava que Vital Moreira, se defendia "a ideia de que o estado não deve proteger os valores de uma determinada facção contra outra facção da sociedade", então deveria "defender a extinção do salário mínimo, do SNS, do Ministério da Educação e da Segurança Social pública". Mas, como o "estado mínimo" dos liberais também defende - como pretendi demonstrar - os valores de uma parte da sociedade contra outra, não há contradição no pensamento de Vital Moreira (ou melhor, há contradição, mas haveria de qualquer maneira - o post de JM só faria sentido se fosse "O anarquismo de Vital Moreira").
Ou melhor, se o argumento de João Miranda fosse que Vital Moreira deveria defender que o Estado deixasse de fornecer serviços públicos e passasse a dar dinheiro para as pessoas gastarem como bem entendessem (em saúde, em educação, em heroína, em donativos à Opus Dei, a não fazer nada vivendo do subsidio, etc.), até poderia ter uma certa lógica - afinal, se se partir do pressuposto que "o estado não deve impor concepções morais", a hipótese "Estado que dá dinheiro" parece menos má que a hipótese "Estado que fornece serviços"; já se a alternativa for "Estado que redistribui riqueza" versus "Estado que protege a riqueza dos actuais proprietários", parece-me que ambas representam a tomada de partido por uma dada concepção moral.
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Mais que um exemplo
Em primeiro lugar, não se percebe muito bem se os exemplos que PPM pede têm que ser sobre a despenalização do aborto ou sobre outros assuntos; refira-se também que (como um comentador referiu) há poucos blogues colectivos de esquerda, e os que há têm poucos colaboradores (pelo vistos, a esquerda é mais individualista que a direita; ainda hei-de fazer um post sobre isso), logo, só por si há menos por onde procurar exemplos.
No entanto, assumindo que a questão é extensiva a outros assuntos que não a despenalização do aborto, aqui vão dois exemplos (i.e., "mais que um"):
No cinco dias, Joana Amaral Dias é contra a proibição do uso de veu islâmico e António Figueira é a favor (e durante uma ou duas semanas o blogue esteve ocupado a discutir isso)*
No Spectrum, também houve uma grande discussão sobre as caricaturas de Maomé, com uns a dizer que "seria de elementar educação um governo demarcar-se de qualquer atitude xenófoba ou de intolerância religiosa que se visse reflectida nos seus jornais livres" e outros a defender que era "claro como a água" que a liberdade de expressão era o principio em causa.
*infelizmente, o computador que usei quando escrevi o post qualifica o cinco dias como pornografia(!) e não me deixou aceder a ele para ver os textos em questão e os respectivos links, mas já consegui lincar para os respectivos textos
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Thursday, February 01, 2007
Chavez, presidente-ditador? (II)
De qualquer forma, vamos lá ver se, daqui a uns tempos, esses poderes não irão ser usados para pôr na cadeia alguns dos deputados que os concederam...
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