Friday, January 02, 2009

O benefício da poupança

No limite, uma pessoa que poupe tudo (mas vamos dizer, acima do limiar do necessário para viver) o que produz significa que fornece trabalho e/ou produtos/serviços aos outros sem pedir nada em troca.

(E os economistas em geral acham que isso é mau para a economia.)

Isto é verdade mesmo que receba um salário ou rendimento por aquilo que produz porque, ou:

- se limita a acumular moeda retirando assim moeda de circulação, o que faz baixar o nível geral de preços e em nada afectando a economia. Mas notar o significado real: essa pessoa produz algo para os outros mas não consome em troca tantos recursos ou tempo de trabalho às outras pessoas, uma vez que não chega sequer a utilizar a moeda acumulada. Assim, quanto mais pessoas assim existirem (produzem tanto como as outras, mas poupam todo o rendimento em acumulação monetária) mais as outras todas beneficiam.

- ou investe tudo o que tem via sistema bancário ou mercado de capitais, contribuindo para a baixa geral das taxas de juro. E assim contribui para que mais cedo, o investimento adicional assim permitido faça baixar o nível geral de preços para todos dado o aumento da produtividade. Será assim alguém que apenas produz para que outros possam investir a longo prazo em novos métodos, etc.

A doença do consumismo é na verdade uma doença da teoria económica que prevalece à esquerda e direita que faz parecer que é do consumo que sai a diminuição da pobreza, começando logo por ser a causa das recessões.

Claro que a decisão de produzir menos (ou trabalhar menos) com a consequência de ter de consumir menos é perfeitamente legítima e racional dado que existem outras formas de viver, como disfrutar do tempo livre, incluíndo auto-produção ou o tipo de comunitarismo contemplativo (ou outro) que os mosteiros desde há longos séculos praticam (embora, raramente são apontados como o exemplo de um micro-comunistarismo quase total que realmente funcionou).

6 comments:

Rui Fonseca said...

Tento perceber onde quer chegar, e não entendo.

Pode explicar melhor sff.

Miguel Madeira said...

É uma resposta a este meu post:

http://ventosueste.blogspot.com/2008/12/re-krugman-e-os-ciclos.html

Diogo said...

Caro CN, você não percebe que um fraco consumidor é sempre mau para o capitalismo, porque não compra o que os outros produzem. Donde, as empresas não precisam de produzir tanto. Donde, o emprego diminui, Donde...

A não ser que se mude de paradigma – não produzir para vender, mas produzir para satisfazer as necessidades.

rui fonseca said...

"É uma resposta a este meu post"

Pois talvez seja, mas eu, francamente, nao a entendo.

(Desculpem a falta do til. De vez em quando tenho os acentos e as cedilhas esgotados)

Miguel Madeira said...

Imagine um mundo em que os preços se ajustavam tão depressa que nunca havia diferença entre o PIB real e o PIB potencial. Num mundo desse, o raciocinio do CN faria sentido.

P.ex., imagine-se que a procura de moeda aumentava (é o equivalente a "se limita a acumular moeda retirando assim moeda de circulação"): isso (nesse mundo) apenas faria os preços descerem até um ponto em que a procura agregada voltasse a ser equivalente ao PIB potencial, pelo que o efeito de alguêm decidir deixar de consumir (mas continuar a produzir) e apenas acumular dinheiro seria fazer subir o valor real dos activos monetários na economia; assim, os outros agentes, devido à sua riqueza estar a aumentar, iriam consumir mais - ou seja, a consequÊncia de alguêm produzir mais do que consome seria abrir caminho para que outras pessoas consumissem mais do que produzem.

No caso do poupador optar por investir em vez de guardar debaixo do colchão, o mecanismo seria similar.

Claro que tudo isto está dependente do ajustamento quase automático dos preços, que é o que eu vou contestar no próximo post.

Rui Fonseca said...

Vou aguardar.