Monday, January 05, 2009

Uma questão, sobretudo, para os defensores de Israel

[que se encontram, p.ex., no Blasfémias ou n'O Insurgente]

Acham legitima a criação do Estado de Israel, em 1948?

[A minha resposta: acho que essa criação foi ilegitima, mas acho que, ao fim de 60 anos, essa ilegitimidade já prescreveu, o que faz de Israel um Estado tão legitimo como outro qualquer]

7 comments:

Filipe Abrantes said...

Não quero ser picuinhas, mas a partir de quanto tempo é que uma ilegitimidade prescreve?

Um exemplo demonstrativo será o caso de famílias de bandidos cujos descendentes exploram os territórios "conquistados" pelos tais bandidos-pais. Isso é legítimo? São territórios tão legítimos "como outros quaisquer"?

Ver aqui: http://mises.org/easaran/chap3.asp

E os latifúndios alentejanos, são legítimos?

mescalero said...

Em bom rigor nenhum Estado é legítimo já que nunca foi demonstrada a sua legitimidade nem ela lhe foi conferida por quem de direito.

Se a pergunta não se referisse ao Estado de Israel mas ao seu povo é claro que a resposta seria sim.

euroliberal said...

Não há prescrição quando o amor da Pátria pelos palestinianos e o ódio anti-sionista da nação árabe (que também é parte na questão já que foi agredida várias vezes pelo estado pária-apartheidesco) não param de crescer. E 60 anos é muito pouco em história. Os cruzados estiveram em Jerusalém 77 anos antes de serem corridos por Saladino..

Mentat said...

Caro Miguel

Acho que a sua questão devia ser sobre a legalidade e não sobre a legitimidade, porque como disse acima outro comentador, o que é ilegítimo, nunca deixa de o ser.
A ilegitimidade nunca prescreve.
Quanto à legalidade do Estado de Israel ela é óbvia se se aceita a legalidade da resolução da ONU que lhe deu origem.
Menos legal me parece o enclave de Kaliningrad e ninguém fala disso e tem quase a mesma idade.
A realidade é que a legalidade e a legitimidade duma Nações "de jure" são estabelecidas pelos vencedores ou seja quem "de facto" controla o território.
Na história humana há imensos casos de povos despojados das suas propriedades e obrigados a repatriarem-se, porque é que só este caso é importante?
Isto é apenas um maldito resquício da Guerra Fria que continua a ser alimentado pela má consciência ocidental e pelos corruptos países árabes.
Um país como Israel, que sem petróleo e vivendo há sessenta anos em estado de guerra, nunca suspendeu o Estado de Direito e a Democracia e consegue dar um bom nível de vida aos seus cidadãos é um “péssimo exemplo” que não convêm que as populações árabes sigam.

Anonymous said...

Òbviamente que é legítima. Qualquer pessoa ou comunidade que se reuna de livre vontade pode criar um Estado. Como raio foi Portugal criado?

Se Israel não é legítimo Angola c/ Cabinda, Moçambique são-no? Jordânia terra de Palestinianos dominada pala dinastia Hachemita? O Médio Oriente a regra e Esquadro?

E porque é que levanta esta questão só para Israel? Por exemplo para nenhuma Ditadura é legítima por definição, o seus povos não votaram para pertencer a esse ou outro País e não podem "fabricar" o seu. Como os Curdos os Assírios etc...
A maioria dos Países do Médio Oriente e África são todos criações artificiais e a maioria ditaduras. Logo a maioria não é legítimo.
Ninguém toca no assunto porque pode provocar Guerras, mas no Caso de Israel já fica bem prolongar a Guerra com essa questão.

E tenho outra pergunta, França ficou com o Monte Chaberton á Itália porque foi daí que os Italianos bombardearam França a partir do forte que estava no monte. Quer dizer que o território de onde vêm os foguetes do Hamas fica território Israelita?
O Monte Chaberton não deve ser entregue á Itália?

Repito. Porque é que só fazem essas perguntas quando é Israel e não as fazem quando são outros?

lucklucky

Gabriel Silva said...

Mentat,

duas coisas:

1. «Menos legal me parece o enclave de Kaliningrad e ninguém fala disso e tem quase a mesma idade.»

julgo estar enganado. A União Soviética obteve, através dos acordos de Ialta a concessão dos territórios por si na altura ocupados, nomeadamente a parte da Polónia que tinha «abocanhado» aquando do pacto germano-soviético e outros.
Como bem diz, o «jure» é estabelecido pelos vencedores, e nesse caso também o foi.

2. «Isto é apenas um maldito resquício da Guerra Fria que continua a ser alimentado pela má consciência ocidental e pelos corruptos países árabes.»

não será bem da «guerra fria» mas da II guerra mundial, uma vez que a repartição da terra santa, foi feita em 47 e aprovada em 48, expressamente consagrando (na resolução da onu) uma «reparação» aos judeus atribuindo-lhes um pedaço de território para se instalarem.

estou de acordo que o chamado direito internacional é geralmente apenas a vontade dos vencedores, sendo apenas o relevante e efectivo, aquele que resulta do acordo das vontades das partes. Que neste caso não existe. Ainda.

Mentat said...

“A União Soviética obteve, através dos acordos de Ialta a concessão dos territórios por si na altura ocupados, nomeadamente a parte da Polónia que tinha «abocanhado» aquando do pacto germano-soviético e outros.”

Gabriel

Pois.
Aqui devia talvez ter falado de legitimidade e não legalidade.
Apesar da legalidade dos acordos de Ialta talvez devesse ser contestada, porque uma das partes principais era representada por um moribundo aconselhado sabe-se lá por quem.
Mas como diz e bem “…o chamado direito internacional é geralmente apenas a vontade dos vencedores…” e único vencedor da IIGG foi a URSS.

Eu mencionei expressamente a Guerra Fria porque o alinhamento de apoiantes das partes, naquele conflito inverteu-se e só estabilizou na Guerra Fria.

Mas todo este assunto me enoja, porque as pessoas perdem tempo a discutir direitos de propriedade e mortos civis nesta zona particular do mundo, enquanto exactamente ao mesmo tempo em África são chacinadas e exiladas um número bem maior de pessoas, essas verdadeiramente civis e inocentes, não merecendo nem a milésima parte da atenção.
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