Friday, May 18, 2012

Um movimento a seguir com atenção

Manifesto of the Pirate Party of Germany: English Version

Translated by: Emal Ghamsharik and Julia Reda April 10th 2012 
website: Piratenpartei Deutschland
Agreed on at the founding Meeting on September 10th 2006 in Berlin. The Chapter „Education“ was added at the federal party conference 2009 on 5.7.2009 in Hamburg. The chapters „Risking more democracy“ and „Free, democratically controlled technical infrastructure“ were were added at 16.5.2010 in Bingen, the Section „Equality of Software“ was removed there. The Resolutions of the second federal party conference 2010 on 20./21. November 2010 in Chemnitz were added as well. The Chapters „For more diversity“ (originally separated in different single petitions), „Drug Policy“, „Addiction Policy“, the Subchapter „Open Contracts with Businesses“, the extension of the Chapter „Open Access to public Content“ and the Chapter „Abolishment of compulsory membership in chambers and associations (excepting associations for lawyers, notaries and physicians)“ were agreed upon on December 3th/4th 2011 at the federal party conference in Offenbach.

Inhaltsverzeichnis

[Os links para os vários pontos do manifesto não estavam a funcionar mas agora já estão]

A pirataria estimula a venda de música?

Um professor da Universidade da Carolina do Norte acha que sim:

Profit Leak? Pre-Release File Sharing and the Music Industry, por Robert G. Hammond.

Abstract:

It is intuitive that the potential for buyers to obtain a good without remuneration can harm the producer of the good. I test if this holds empirically in the music industry using data from an exclusive file-sharing website that allows users to share music files using the BitTorrent protocol. These are the most reliable file-sharing data available because they are from a private tracker, which is an invitation-only file-sharing network. The number of downloads is endogenous due to unobserved album quality, leading me to use an instrumental variable approach. In particular, I exploit exogenous variation in the availability of sound recordings in file-sharing networks to isolate the causal effect of file sharing of an album on its sales. The results strongly suggest that an album benefits from increased file sharing: an album that became available in file-sharing networks one month earlier would sell 60 additional units. This increase is sales is small relative to other factors that have been found to affect album sales. I conclude with an investigation of the distributional effects of file sharing on sales and find that file sharing benefits more established and popular artists but not newer and smaller artists. These results are consistent with recent trends in the music industry.
[Via Exame Informática, Boy Genious Report e TorrentFreak]

Os gregos querem mesmo ficar no euro?

Têm sido frequentemente referidas sondagens inidcando que cerca de 80% dos gregos querem permanecer no euro. Mas é mesmo isso que as sondagens indicam?

De acordo com esta sondagem, a opinião dos gregos será (tradução do Keep Talking Greece):

54% say “stay in Euro with sacrifices up to a certain extend, otherwise back to drachma”


34% say “Euro at any cost”

7% say “return to Drachma now”

5% say “Don’t know/Don’t answer”
Pode ser lido como "quase 90% dos gregos querem ficar no euro", mas há outras leituras possíveis.

O que é mais importante: movimentos sociais ou governantes?

The Strength of a Movement Is More Important Than the Warmth of a President's Heart, por Jesse Walker (Reason Hit and Run):

As I've said more than once, I'm less interested in electing officials who agree with me than in building movements that can pressure officials who don't agree with me. From January 2009 til yesterday, the president of the United States almost certainly agreed with the supporters of gay marriage but he wasn't willing to say so in public, thanks to the potential pressure to be felt from the other side. Then gay-rights activists organized some pressure of their own, and they got results.

(...) It isn't a big victory. But it's a victory, and it's a lesson in how victories are often achieved -- one that activists around other issues, such as the drug war, can learn from. At any rate, with gay marriage the most important battleground has always been the culture, not the government.

Tuesday, May 15, 2012

Mercado de Justiça

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Monday, May 14, 2012

Friday, May 11, 2012

Estes 147 também são de ver

Ron Paul on Gay Marriage: None of the State's Business

Retirem a figura do código civil e acabam-se as discussões sobre o que é ou deixa de ser. E digo isto do ponto de vista conservador social. Quem quiser que faça a cerimónia e o contrato civil (ou não) que quiser e chame-lhe casamento. A seu tempo os casamentos religiosos (acompanhados quem sabe de um dado contrato civil tipo) acabam a ser os únicos com credibilidade para tal relação ser denominada de casamento. Quem achar que não é uma boa previsão que se explique. Divórcio? Passa a ser uma questão exclusivamente de direito contratual(se for o caso).

Thursday, May 10, 2012

Preços concertados

A maneira mais eficaz de uma indústria tentar concertar preços e ter a certeza uma razoável certeza que são cumpridos (aquilo que falha sempre nas tentativas de concertação) é o legislador obrigar as empresas a fixar os preços publicamente, o que permite a cada um ver o preço do outro... e depois obrigar a cumpri-los. Coisa que nem a única concertação relativamente menos mal sucedida  - e entre Estados via OPEP - consegue.

Assim - é melhor não legislar sobre preços, e a outra medida, claro, é ter a certeza que não existem barreiras à entrada de novas empresas.

Quanto a fixar preços - é o caminho mais directo para se começarem a dar problemas na oferta. E determinados preços vão subir noutro ponto qualquer.

Antiwar Is the Health of the Anti-State Movement

Lee Wrights for president at the Libertarian Party's National Convention:


"Drowning people in fear is the key to power. But we also learned five years ago that antiwar is the health of the anti-state movement. And even if we do nothing other than end ALL the wars, real as well as metaphorical, we will be well on our way to a free society.(...)


War is such a useful concept to politicians that they declare wars on everything. The war on terror, the war on drugs, the war on ignorance, the war on poverty, the war on pornography, and even the war on trans-fats. You see, we can’t afford to respect life, liberty and property…WE’RE AT WAR."

Wednesday, May 09, 2012

Congelar o preço dos combustíveis?

O círculo A pretende representar o conjunto das pessoas que acham que devemos reduzir o consumo de combustíveis fósseis; o circulo B o conjunto de pessoas que querem congelar o preço dos combustíveis, nomeadamente da gasolina; a área C serão as pessoas (haverá muitas?) que pertencem aos dois conjuntos.

Nota: as dimensões de cada círculo e da área comum não pretendem (nem deixam de pretender) ser demograficamente realistas.

O Synaspismos grego

Um estudo académico [PDF] sobre a história e evolução do Synaspismos grego, a principal componente da coligação SYRIZA.

Já está um pouco desactualizado - a "ala renovadora" referida nas últimas páginas actualmente constituiu outro partido, a Esquerda Democrática.

O pirata Morgan

O Capitão Morgan está a ser processado por pirataria - não, o processo não tem a ver com o saque de Porto Bello em 1668, nem com o de Cartagena em 1669.

É mesmo a companhia que produz a bebida Captain Morgan Rum que é acusada de estar a copiar o design das embalagens de outra bebida.

Monday, May 07, 2012

A esquerda, a direita e as grandes superficies

Parte da explicação para isto pode estar no que talvez seja, tanto à "esquerda" como à "direita", uma contradição entre o "povo" e os "intelectuais" de cada área.

Numa maneira geral, penso que os "intelectuais", bloggers e afins da direita tendem a ser favoráveis às grandes superficies, a promoções, ao "mercado a funcionar", etc., enquanto os da esquerda tendem a ser mais críticos.

Mas vamos ver as coisas de outra maneira - quais são os interesses dos eleitores respectivos?

Primeiro, vou aventar uma hipotese (bastante discutível) sobre quais são os grupos sociais significativos que apoiam cada área política:

Apoiantes tradicionais da esquerda:

- trabalhadores "subalternos" (tanto a nível de rendimento como de função) das grandes empresas

Apoiantes tradicionais da direita:

- pequenos e médios empresários

Eleitores flutuantes tradicionais:

- trabalhadores das pequenas e médias empresas
- quadros intermédios das grandes empresas

Esta dimensão social pode ser complementada com uma dimensão geográfica - mantendo o resto igual, quanto mais rural mais de direita, quanto mais urbano mais de esquerda.

Poderão perguntar "Faltam os artistas e intelectuais, à esquerda! E os grandes empresários, gestores e bloggers liberais, à direita!". Mas lembrem-se do "significativos" à frente de "grupos sociais" - esses grupos não têm importância demográfica.

Agora, o ponto onde eu quero chegar - quais são os grupos mais beneficiados pelas grandes superficies, nomeadamente quando estas fazem promoções? E quais são os grupos que beneficiam menos, ou que até são prejudicados?

"When I have 5 minutes and 20 seconds to spare, I watch this"

Eleições gregas - curiosidades

O SYRIZA ganha na Ática (a "Grande Atenas") e penso ter o seu melhor resultado no Pireu (na "Antiguidade Clássica" o porto da cidade-estado de Atenas e penso que actualmente o principal porto da Grécia). Já os melhores resultados dos neo-nazis do Chris Avgi foram em Corinto e "Esparta".

Que forma poderia hoje assumir um perdão universal?

Solução: conversão das dívidas e créditos em propriedade e capital e no lado monetário, a dívida pública e operações com bancos centrais em moeda.

- os fornecedores passariam a accionistas das empresas
- as empresas passariam a accionistas de outras empresas-clientes
- os bancos passariam a accionistas das empresas devedoras
- os fundos de obrigações e outros similares passariam a fundos de acções (dado que as obrigações passariam a acções)
- os bancos passariam a proprietários das casas (no crédito à habitação) na quota parte do capital em divida.
- os depositantes e outros credores dos bancos passavam a accionistas dos bancos, na parte não coberta por reservas de moeda e/ou dívida pública (que passaria a moeda, ver ponto seguinte)

Problemas para resolver: os depósitos (hoje em dia, crédito aos bancos) a moeda e a dívida pública e ainda o balanço dos bancos centrais. A via consistente teria de ser:

- a dívida pública passaria a moeda
- os depositantes (crédito aos bancos) e outros credores dos bancos passavam a accionistas dos bancos na parte dos depósitos não cobertos por reservas de moeda e/ou dívida pública

Falta o banco central.

- para além da dívida pública (no activo dos bancos centrais) passar a moeda, passaria, também as operações de financiamento pelo banco central aos bancos, assim, o passivo dos bancos ao banco central passariam a depósitos nos bancos centrais. Isto faria com que o sistema se transforma-se num de 100% de reservas, e assim poderia e deveria depois continuar.

PS: acho perigoso estar a dar ideia, mas por outro, fica bem expresso a confusão conceptual da moeda sob a forma de depósito constituir crédito aos bancos. 

PS2: nunca apoiaria este plano, algo mais ou menos equivalente e para melhor se conseguiria mantendo a validade dos contratos: processos de falência e liquidação (transferência de propriedade) ocorrerem de forma rápida, incluindo bancos e a sua liquidação entre  credores (que inclui os depositantes). É assim que as dívidas desaparecem realocando-se os processos produtivos em novas estruturas de capital com muito menor recursos a crédito e custos de financiamento.

PS3: Pode estar a escapar-me alguma coisa, mas ainda poderei voltar ao assunto. Acho que se percebe a ideia. Isto ocorreu-me com um twitt do Rui Tavares a recordar que em alguns pontos da antiguidade tal coisa parece ter ocorrido.

Sunday, May 06, 2012

A outra eleição de amanhã

Não, não falo da Grécia nem da França; falo da Sérvia.

Não tem havido muita informação sobre estas eleições (se já estivessem na UE, provavelmente falaria-se mais) - além do artigo da wikipedia, a única coisa que se arranja (ou que eu arranjo) é este artigo, An April 2012 guide to Serbian Politics, do liberal nacionalista Nebojsa Malic ("Gray Falcon"), a ler tendo em atenção o "bias" político do autor (embora, claro, o mesmo possa ser dito de qualquer artigo de qualquer pessoa).

Saturday, May 05, 2012

Ainda sobre promoções (na categoria "ideias retorcidas demais para serem verdade")

Num ambiente de aparente guerra de preços entre as grandes superfícies, uma cadeia que se notabilizou pela oposição a promoções faz uma promoção num dia e em condições que chocam muita gente, levando o governo a equacionar novas leis restringido a possibilidade de fazer promoções.

[Pensei nisto lendo este post de Luis Aguiar-Conraria e a discussão subsequente]

 Ou será que isto é resultado de eu andar a ver episódios do Prison Break todos os dias (quem conheça a série percebe o que quero dizer)?

Sugestão adicional de leitura (não muito séria): Batman Gambit (TV Tropes)

Friday, May 04, 2012

Sobre promoções

Eu estava a pensar escrever um post que iria começar assim:

Não tenho nada contra promoções - na verdade, o meu ciclo de compras mensal é planeado com rigor quase científico a fim de maximizar os descontos conjugados do Continente, da GALP e da EDP (exemplo - hoje a minha despesa no supermercado foi paga em parte com o talão da EDP Continente que chegou ontem no correio e mais com um talão da GALP que acabava a validade no próximo domingo; e ainda comprei 3 quilos e trezentas de maçãs com um desconto de 75%; e há uns dias fui mesmo à bomba da GALP perguntar que promoções é que havia em Maio e a que dias). Também não tenho grandes objecções ao dumping - afinal, a Google Inc. cobra-me, para alojar os blogues onde escrevo, 100% abaixo do custo dos chips de silicio onde estão armazenados os bits deste post. Mas...
Entretanto, o Filipe Mouraescreveu tudo o que eu estava a pensar em dizer.

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

O professor de climatologia na USP Ricardo Augusto Felício


"O professor de climatologia na USP Ricardo Augusto Felício fez doutorado sobre a Antártida e afirma com todas as letras: “o aquecimento global é uma mentira”. Segundo ele, não existem provas científicas desse fenômeno.
Ricardo Augusto Felício comentou que o nível do mar não está aumentando e que o gelo derrete sim, mas depois volta a congelar, porque esse é o seu ciclo. O professor lembrou ainda que o El Niño, um fenômeno natural, faz esse nível variar cerca de meio metro.
“O nível do mar continua no mesmo lugar. Primeiro se fosse derreter alguma coisa, teria que ser a Antártida, mas para derretê-la você tem que ter na Terra uma temperatura uns vinte ou trinta graus mais elevados”, explicou o professor.
Ricardo também afirmou que o efeito estufa é uma física impossível e que a camada de ozônio é uma coisa que não existe. O professor ainda respondeu perguntas da plateia como se a Amazônia é o pulmão do mundo e se a garoa característica de São Paulo está diminuindo."

Re: Moedas competitivas e politica económica

Num sistema competitivo de moedas, o ouro e em menor dimensão a prata acabariam a prevalecer, como de resto prevaleceram antes do ouro ser expropriado e o seu uso como meio de troca ilegalizado.

Motivo? a quantidade total disponível a cada momento é a mais estável que se conhece, estando assim livre das decisões de um emissor poder emitir uma dada moeda, em especial a capacidade de emitir moeda a custo zero, criando capacidade de aquisição "virtual" baseado na perda de poder de compra dos actuais detentores, beneficiando quem primeiro utiliza essa nova quantidade.

A razão de vez em quando me referido ao que chamo de deflação benigna é para tentar demonstrar que não existe benefício na inflação em si, único argumento para os inflacionistas poderem argumentar algo do tipo:

- sim, em livre escolha o ouro seria o meio escolhido mas isso seria mau porque provocaria deflação.

Outro argumento é a emissão de moeda poder obviar a crises, mas este é circular, é a expansão de crédito por emissão de moeda que fomenta a tal financeirização excessiva apontada por alguma esquerda. Os bancos criam crédito fomentado uma bolha e ao mesmo tempo colocando os seus depósitos de clientes em risco de liquidez dado que deixam de possuir a cobertura imediata para retiradas. Com a chegada da crise a insustentabilidade da estrutura de produção, investimento e consumo e a insolvabilidade dos bancos é revelada.

Existiria alguma forma de alguma moeda ser escolhida por causa da possibilidade da sua expansão? Não creio de todo. A moeda como meio de troca tende a ser única e a afastar qualquer outra dado que a tendência será para escolher o meio mais líquido e estável e não o segundo ou terceiro. A ser tempo, qualquer meio de troca proposto cuja quantidade pode ser objecto dos caprichos ou ainda que de gestão bem intencionada será preterido por um que não o é.

Tuesday, May 01, 2012

O "Tea Party" e a privacidade na Internet

CISPA Passes The House With Tea Party Support (Forbes):

CISPA, or the Cybersecurity Intelligence Sharing And Protection Act, passed the House yesterday. The bill is full of problematic intrusions into individual privacy and online liberty, and yet those members of the House who associate themselves with limited government were largely responsible for its passage.

“The complete roll call shows 206 Republicans voting for the bill, 28 against,” writes reason’s Tim Cavanaugh. “Democrats went 42 to 140 in the opposite direction.”

Of these Republicans, “47 of the 66 members of the House Tea Party Caucus” also supported the bill, notes Patrick Cahalan.

“For those tricky with the math,” Cahalan continues, “this means 88% of the overall GOP members (casting a vote) voted yea, 23% of the Dems (casting a vote) voted yea, and 71% of the Tea Party (casting a vote) voted yea (Paul and Pence didn’t cast a vote).”

Worse still, the bill underwent some last minute changes, which may have made CISPA even worse than in previous iterations.

TechDirt’s Leigh Breadon points out that under the final version of CISPA the, “government would be able to search information it collects under CISPA for the purposes of investigating American citizens with complete immunity from all privacy protections as long as they can claim someone committed a “cybersecurity crime”. Basically it says the 4th Amendment does not apply online, at all.”


One important thing to glean from this, especially when held up in contrast with the defeat of SOPA and PIPA, two bills aimed at combating online piracy, is that once you tack the word “security” onto a bill it becomes far more toxic to oppose.

The Tea Party may be the small government wing of the Republican Party, but when it comes to national security suddenly limiting the state becomes far less critical. If SOPA had been billed as a cybersecurity law, it may have found a great deal more support in congress, and had a better time resisting internet backlash. For opponents of anti-piracy laws, this is an important thing to bear in mind.

[Via LewRockwell]

Moedas competitivas e politica económica

Pelos vistos, segundo o resumo da Business Insider, a possibilidade de haver várias moedas em competição foi um dos temas abordados no debate Paul vs. Paul (Ron a favor, Krugman contra).

A isso inspira-me a repescar o que escrevi aqui (e que, até certo ponto, retomei aqui) sobre como, num sistema com várias moedas concorrentes, seria possível (a quem o quisesse) por em prática uma "politica expansionista" por simples cooperação voluntária, sem intervenção do Estado:

Vamos à questão da reduzida massa monetária. Esse problema pode ser resolvido(?) pelo sistema de um grupo de pessoas se associar, imprimirem uns papelinhos a dizer "Vale 10 euros" (ou inventarem uma designação própria) e comprometerem-se a aceitá-los como pagamento.

Ou então nem precisam de ter uma moeda física: podem simplesmente criar um sistema contabilístico, em que começam todos com um saldo de zero euros, e quando eu compro alguma coisa ao Fernando no valor de 100 euros, passo a ter um saldo de -100 euros e ele um saldo de +100, sem nenhum dinheiro físico mudar de mãos. Se, p.ex., as regras do sistema permitirem aos membros chegarem a um saldo negativo de 500 euros, isso equivale na prática a um aumento da quantidade de moeda em circulação no valor de 500 euros por sócio (bem, não totalmente, já que essa moeda só serve para pagamentos entre os sócios).

O que eu estou a descrever não é nenhuma invenção - mais não é que um LETS, um sistema usado em muitos sítios.

A esse respeito (LETS, "moedas locais", etc.), o economista liberal (penso que versão Chicago, não Viena ou Auburn) Tyler Cowen escreveu há uns tempos:
I am more positively inclined than is Tim. First, local currencies blossom when the nominal money supply is too low and wages and prices are sticky downwards. A boost in the real money supply is needed and the private sector will do it -- albeit at high transactions costs -- even if the government will not. That's why so many of these local currencies blossomed in the 1930s but then disappeared. They did good but then they were stamped out or ceased to be necessary.
E, na actualidade, creio que essas moedas locais têm aparecido exactamente em épocas de depressão económica. A que é talvez a mais famosa de todas - o "hour" da cidade norte-americana de Ithaca - apareceu durante aquela recessão do principio dos anos 90 (a que fez o Bush pai perder as eleições). Também o WIR suiço (uma espécie de banco cooperativo cujo funcionamento faz lembrar vagamente o LETS) apareceu numa crise económica, a dos anos 30.

Bem, já temos uma maneira de aumentar a moeda em circulação sem intervenção do Estado. Mas, e quando já estamos na tal "armadilha da liquidez", em que um aumento da moeda em circulação apenas origina um aumento da moeda que os agentes entesouram?

Aí, penso que também há uma solução (que já foi posta em prática nalguns sítios): é as "notas" emitidas pela associação/cooperativa/o-que-lhe-queiramos-chamar serem impressas dizendo "esta nota só é válida até dia 31/05/2010". A partir dessa data, os membros da associação já não aceitariam essas notas como pagamento, e elas teriam que ser trocadas por notas novas, com desconto. Assim, quem as recebesse teria um incentivo para as gastar (no fundo, algo parecido com o modelo aqui proposto). Creio que os "créditos" argentinos funcionavam assim, embora não consiga encontrar nenhuma referencia.

Assim, se vivêssemos numa sociedade sem uma moeda oficial, talvez fosse possivel aos keynesianos organizarem-se em cooperativas de crédito mútuo (ou seja, bancos centrais descentralizados, passe o paradoxo) e os "austríacos" usarem as notas de bancos com reservas de ouro a 100%, e com o tempo talvez se visse qual seria o sistema que funcionaria melhor.

Saturday, April 28, 2012

Sobre a Fontinha

O Poder da Fontinha, por Zé Neves, no Vias de Facto:

Do ponto de vista económico, a Fontinha não é enquadrável em nenhuma das duas alternativas que tomaram conta do debate económico no espaço mediático dominante. Essas duas alternativas rezam que ou as coisas pertencem à ordem pública regida pelo Estado ou pertencem a uma esfera privada oleada pelos mecanismos de mercado. Este é um esquema que facilmente reconhecemos nos discursos partidários: mais à esquerda, falamos dos riscos da privatização das funções económicas e sociais do Estado; mais à direita, reclama-se que o Estado deixe a sociedade entregue à liberdade individual e mercantil.
O projecto Escola da Fontinha não pertence a este filme. O projecto não é determinado por objectivos mercantilistas, como reza a apologia das privatizações, segundo a qual a economia só pode funcionar se baseada num regime de competição em que todos lutem contra todos. E também não entende que o Estado seja a única alternativa a este regime liberal ou neoliberal. Na verdade, é bom de ver que o projecto da Escola da Fontinha procura antes de mais disputar o controlo de uma propriedade do Estado. Poder-se-ia também dizer, assim sendo, que o projecto da Escola da Fontinha – continue na Fontinha ou dissemine-se por outros pontos do país! – trava um combate contra o monopólio estatal da propriedade pública e contra a ideia de que a única alternativa ao Estado é a mercantilização da sociedade.

Friday, April 27, 2012

Guerrilheiros associados ao tráfico de droga?

De vez em quando surgem notícias que certo grupo guerrilheiro, algures no mundo (normalmente na América do Sul, mas por vezes também se fala da Ásia) estará associdado ao tráfico de droga (exemplo), sendo muito vezes isso usado como argumento para denegrir o grupo em questão.

Mas, pensando bem, e comparando com as actividades a que um grupo guerrilheiro é suposto se dedicar, traficar droga até não será uma das actividades mais pacíficas e produtivas?

Walter Williams contra quotas e discriminação positiva

Thursday, April 26, 2012

O novo interface do Blogger

Completamente irritante.

Para começar, mudar os sitios onde estão as coisas (e obrigando os utilizadores a re-treinarem-se) só faz sentido se haver alguma vantagem nisso. Ora, não vejo que o novo interface tenha trazido qualquer valor acrescentado (a unica coisa adicional que noto são as estatisticas de visualização - imagino que do Google Analytics ou coisa do género - mas isso não me interessa para nada: já tenho as do sitemeter). Aliás, quando se fala em "um novo interface mais intuitivo", isso raramente faz sentido: normalmente, "intuitivo" é aquilo a que estamos habituados (se fossemos andorinhas, achariamos voar "intuitivo"), logo um novo interface (quase) nunca é "intuitivo".

Mas, independentemente do incómodo que a mudança traz sempre, este mudança parace-me ter problemas intrinsecos:

 - As cores e os seus contrastes são muito mais esbatidos, e é muito menos marcada a diferença entre as várias secções do interface; isso torna muito mais díficil a navegação para alguêm que tenha problemas de atenção e/ou concentração (como eu - note-se que eu sou o tipo de pessoa que tem que ir três vezes levantar dinheiro ao multibanco porque das duas primeiras esqueço-me do vou fazer antes de chegar à máquina).

[Uma nota - as mudanças de interface gráfico nos sistemas informáticos são quase sempre no sentido de tornar as cores mais esbatidas; penso que também foi assim quando o sitemeter mudou; e comparem o antigo ícone dos ficheiros de programas em Python com o novo.

Será que a razão é porque os computadores mais antigos - como o ZX Spectrum que ganhei no Natal de 1984 - só permitiam uma gama reduzida de cores*, sem grande capacidade para tons intermédios, pelo que agora cores matizadas e sem grandes contrastes são vistos como simbolo de "tecnologia de ultima geração"?]

- Para visualisarmos um post (quando estamos na secção da mensagens), em vez de clicarmos no titulo do post, temos que ir abaixo do titulo e clicar numa etiqueta mesmo ao lado da etiqueta para "Eliminar"; desconfio que ainda vou apagar muitos posts por engano

- Quando estamos a escrever um post, não dá (acho) para aceder directamente ao "painel", tornando mais díficil estar a escrever num blogue num dado momento e depois mudar para outro blogue

- Na lista geral dos blogues, agora aparecem os blogues todos, incluindo os "desactivados"; isso é um problema porque há duas versões do Vias de Facto, a activa e uma para testes (que antes só se via selecionando essa opção), e agora aparecem-me as duas à frente quando abro o Blogger (eu suspeito que deve haver uma maneira de ocultar a versão que não uso, mais ainda não percebi como)

- No painel, antes era fácil ir directamente para, digamos, a secção mensagem de um blogue específico; agora, acho que temos que ir a uma lista pendente ou coisa do género

* há que anos que não ouço falar no "cião" ou no "mangenta"

"Crisis financiera, reforma bancaria" - Professor Huerta de Soto

Um dos actuais grandes representantes e produtores dentro da escola austríaca da economia, mas com incursões na ciência política (ex: Classical Liberalism versus Anarchocapitalism) numa sua habitual performance de nota. Sobre a origem das bolhas e crises na deficiente análise da estrutura do negócio bancário desde sempre (permitindo a criação pura de moeda para conceder em crédito). Sempre misturando algum humor, em especial na parte final de perguntas e respostas.

Wednesday, April 25, 2012

Tuesday, April 24, 2012

deflação benigna

Os inflacionistas costumam defender que é positivo ter uma inflação moderada de preços de 2%-3%. Vou contestar isso.


A deflação benigna resulta de uma tendência para a  redução de preços porque os custos reais caiem num ambiente de estabilidade monetária (podemos imaginar uma quantidade fixa de moeda). O crescimento económico em equilíbrio resulta da redução de custos e assim sendo não existe sequer a necessidade de reduzir salários nominais pelo suposto efeito "aumento dos custos reais porque os salários reais estão a aumentar".

Isto porque são determinados produtos concretos que baixam de preço porque algum novo processo produtivo (regra geral pela combinação de inovação com acumulação de capital: novas "máquinas", etc.) permitiu baixar os custos desse determinado produto para um dado salário-hora que está fixo. Pode é significar a redução de horas-homem para a mesma quantidade produzida, mas é o aumento do poder de compra (de quem adquire esses produtos) que permite agora a aquisição de unidades adicionais (do mesmo produto ou outro) produzidas pelos recursos agora poupados, ou seja, as horas-homem "poupadas" são agora utilizadas em produção adicional (do mesmo produto ou outro) a ser adquirido, como vimos, pelo poder de compra adicional.

Nada tem de suceder ao salário nominal.

O raciocínio que ditaria que os salários nominais teriam que baixar (dado a deflação resultante de crescimento económico e estabilidade da quantidade de moeda) o que não é possível ou difícil por existir rigidez nos salários, está enfermo da falácia da utilização de índices de preços que ditaria que como o índice de preços está a baixar (porque os preços de determinados produtos que compõem esse cabaz estão a baixar) os salários nominais têm de baixar para os salários reais se manterem e as empresas não verem os seus custos reais aumentados.

Mas esse "Índice" é uma abstracção. Os restantes processo produtivos não têm necessidade de manter o salário real dos seus trabalhadores porque eles agora têm acesso a adquirir um produto anterior por um menor preço e o seu poder de compra aumentar.

O aumento ou diminuição de salários relacionados com índices têm sim relevância quando operam fenómenos de alterações quantitativas e/ou da procura de moeda (em geral por inflação/expansão de moeda e subsequente desinflação ou deflação na inevitável crise que se gera a seguir), mas isso deve ser apontado a toda a doutrina económica que se mostra indiferente à expansão artificial da moeda para financiar défices públicos e crédito.

Donos de Portugal

Documentário em estreia na RTP2, às 2 da manhã de 24 para 25 de Abril.

Saturday, April 21, 2012

Grrrr....

Isto é capaz de ser arrogância de economista, mas cada vez me irrita mais pessoas a usarem a palavra "produtividade" quando, manifestamente, não fazem ideia do que a palavra quer dizer.

Friday, April 20, 2012

Sobre a caça aos elefantes e afins

Li, há muitos anos, que uma coisa que quase levou à extinção dos veados no Arizona foi a extinção dos lobos (feita deliberadamente com o objectivo de... criar melhores condições para os veados) - os veados primeiro multiplicaram-se desmesuradamente e depois, após comerem grande parte da vegetação, morreram quase todos de fome.

[embora tenha lido isso num livro, não encontro nenhuma referência na Net - talvez não seja verdade]

Património de Influência Portuguesa

E as imagens da influência do que talvez se possa classificar de primeiro império multi-continental da história, e note-se, o último a desaparecer.

http://www.hpip.org/Default/pt/Homepage

Apresentação do Portal: Heritage of Portuguese Influence/ Património de Influência Portuguesa — HPIP — é a evolução natural do projeto Património de Origem Portuguesa no Mundo: arquitetura e urbanismo que, sob a direção de José Mattoso, a Fundação Calouste Gulbenkian desenvolveu entre 2007 e 2012.


Wednesday, April 18, 2012

O paradoxo dos subsidios de férias e Natal

Pela lógica, os empregadores deveriam adorar a instituição dos subsídios de férias e Natal - afinal, se em vez de pagarem 1.166,67 euros todos os meses, pagarem só 1.000 euros por mês, e mais 1.000 euros em duas ocasiões especiais (em Junho e Novembro, p.ex.), dá para, ao longo do ano, ir pondo de lado o dinheiro para os subsídios, investi-lo em aplicações, e quando chega finalmente a altura de pagar os subsídios, já se embolsou alguns juros. Pela razão oposta, os trabalhadores deveriam detestar esses subsidios - se em vez de receberem 1.000 euros pelas férias, e mais 1.000 pelo Natal, recebessem mais 166,67 euros todos os meses, daria para investirem esse dinheiro, e quando chegasse a altura já teriam mais do que os 1.000 euros de subsidio que recebem.

O paradoxo que refiro no título é que, no mundo real, as preferências de empresas e trabalhadores sobre isso parecem ser exactamente o oposto da lógica.

Em tempos eu tive uma conversa com o genro de um pequeno empresário que pode lançar alguma luz sobre o assunto:

Ele - O meu sogro diz que lhe dava muito mais jeito se pagasse todos os meses, em vez de ter que pagar os subsídios de férias

Eu - Mas isso é uma questão de, todos os meses, quando paga os ordenados, por logo de lado uma parte para os subsídios; até a pode investir

Ele - Pois, mas uma pessoa vê lá o dinheiro na conta...

Ou seja, o grande problema com o subsidio de férias (para o patrão) ou com a integração do subsidio de férias no ordenado (para o trabalhador) é que, pelos vistos, ambos têm dificuldade em olhar para uma conta bancária com um saldo de "X" e pensar "só posso gastar Y, porque o [X-Y] é para o subsidio/para as despesas das férias".

Monday, April 16, 2012

Depois de Chavez, o dilúvio?

Reaping the Harvest of the Failure to Institutionalize: Venezuela and Chavez, por Steven L. Taylor:

Chavez, who has had several secretive surgeries for an undisclosed cancer over the last year or so, is moving past military allies into positions of power in what appears to be an attempt to ensure that loyalists are in key position.  The problem for Venezuela (well, at least one of them) is that cronyism is no way to arrange viable governing structures.  Further, the fact that after so many years in power that Chavez feels the need to turn to old friends and allies with links to his failed coup attempt in 1992 underscores how little institution building has been undertaken over the last decade plus.  There is no party.  There is no real plan for what comes next.  There is just Chavez.  The regime is fueled by a combination of Chavez’s charisma and, well, oil revenues (pun partially intended).

(...)

No Chavez, no chavismo.  He is the Bolivarian Revolution and it seems that he has done nothing to fix that problem.  Indeed, he had been acting like a man who thought he would live for several more decades and therefore would either a) deal with the lack of institutionalization later, or b) just let someone else deal with it later (much later).  However, the cancer has changed the calculus.  It should be noted that the issue is not just lack of an institutionalized party or organization, it is that chavismo isn’t a coherent philosophy nor is is based on an ideological model (or, really, any model at all).  Rather, it is a vague and ad hoc set of notions that mix socialism, populism, nationalism, and whatever else Chavez wants to throw in at a given moment.

When a system of government is built largely around a particular figure, then that system tends to collapse when that figure leaves the stage.   In other words:  charisma and cronyism are poor materials from which to build stability and, indeed, are basically the opposite of institutionalization. (...)

As such, the likelihood of a regularized process of transition seems unlikely and that the mess of such a transition could come via a surprise and therefore foment a real crisis (i.e., if Chavez were to drop dead).   Along those lines, Weeks noted that Chavez has had 7 vice presidents during his time in office (i.e., since 1999).  That is not an approach that creates a smooth transition in case the president is no longer able to function in office.  Indeed, it is more likely an attempt to avoid alternative centers of power to emerge.

There is no doubt that there will be substantial changes to governance in Venezuela once Chavez leaves the stage.  However, the degree to which such a process is orderly or chaotic remains in question and the current situation is one that likely leans more to the chaos side (and one that is placing a great deal of power in the hands of military).

Sunday, April 15, 2012

Sinal que estou a ficar velho

Há uns anos, a frequência 107.1 era ocupada pela Rádio Nostalgia, especializada em música dos anos 50 e 60; agora é ocupada pela M80, especializada sobretudo em música dos anos 80.

Thursday, April 12, 2012

A curiosa experiência comunista falhada, imposta por uma corporação

Tal como relatado por Murray Rothbard na sua história do período colonial americano Conceived in Liberty (1975), chapters 17 and 18: The Fall of Communism in Massachusetts.


"The Pilgrims formed a partnership in a joint-stock company with a group of London merchants, including Thomas Weston, an ironmonger, and John Peirce, a cloth maker. The company, John Peirce and Associates, received in 1620 a grant from the Virginia Company for a particular plantation in Virginia territory. In this alliance, each adult settler was granted a share in the joint-stock company, and each investment of ten pounds also received a share. At the end of seven years, the accumulated earnings were to be divided among the shareholders. Until that division, as in the original Virginia settlement, the company decreed a communistic system of production, with each settler contributing his all to the common store and each drawing his needs from it — again, a system of from each according to his ability, to each according to his needs.

In mid-December 1620 the Mayflower landed at Plymouth. In a duplication of the terrible hardships of the first Virginia settlers, half of the colonists were dead by the end of the first winter. In mid-1621 John Peirce and Associates obtained a patent from the Council for New England, granting the company 100 acres of land for each settler and 1,500 acres compulsorily reserved for public use. In return, the Council was to receive a yearly quitrent of two shillings per 100 acres.

A major reason for the persistent hardships, for the "starving time," in Plymouth as before in Jamestown, was the communism imposed by the company. Finally, in order to survive, the colony in 1623 permitted each family to cultivate a small private plot of land for their individual use. William Bradford, who had become governor of Plymouth in 1621, and was to help rule the colony for 30 years thereafter, eloquently describes the result in his record of the colony:

(....)

The antipathy of communism to the nature of man here receives eloquent testimony from a governor scarcely biased a priori in favor of individualism.

In 1627 the inherent conflict between colony and company in Plymouth was finally resolved, by the elimination of the company from the scene. In that year, the seven years of enforced communism by the company expired, and all the assets and lands were distributed to the individual shareholders. Grants of land were received in proportion to the size of the stock, so that the larger shareholders received larger gifts of land. This complete replacement of communism by individualism greatly benefited the productivity of the colony. Furthermore, the colonists took the happy occasion to buy up the shares of the Peirce company. Plymouth was now a totally self-governing colony. By 1633 the entire purchase price had been paid and the colonists were freed from the last remnant of company, or indeed of any English, control."

Impor um produto contra os utilizadores-clientes

Ou o problema da criação de um serviço ou produto auscultando os clientes sobre o que eles pensam que precisam ou o que pensam que vão ou não gostar.

Via Facebook's Seventh Employee Shares Lessons:

" Mark was very clear that this was not about college, and expanded Facebook to high school. Many people said that was a terrible idea and that no college student would want to keep using the site if there were high school kids there. Then he expanded Facebook to adults.

As the business person I would have said, “Hey we own a very lucrative audience let’s just focus on monetizing that audience,” but Mark was focused on changing the world. I think it’s something that took other people a lot longer to see.

I learned another lesson when we launched the News Feed. It was done at midnight in Pacific Time. People had gone to bed with the old Facebook and woke up with the new Facebook and we were all under the impression that it was a great product. But users freaked out. It was the first time that users realized this thing was going to keep changing and Mark was going to keep pushing the envelope.

Now, you can’t imagine Facebook without a news feed and it’s an industry standard thing. But for a while, there were protests and a million people joining the “I hate News Feed” group and every news crew outside of our offices. If you were a public company or not a product visionary you probably would have rolled back that feature when a third of your user base start protesting. [Editor: Zuckerberg did not.]"

All of those rules were turned upside its head and it’s the reason why Facebook has become so successful."

Wednesday, April 11, 2012

Sobre quem vai incidir a "taxa de segurança alimentar"?

Quem vai pagar a "taxa de segurança alimentar"? Sim, formalmente, vão ser as empresas, mas será que não vão fazer repurcutir o preço sobre os consumidores (ou então baixar os preços que pagam aos produtores)?

Diga-se que há uma coisa que me faz supor que talvez sejam mesmo as empresas a pagar (tanto formal como realmente) a taxa - pelos vistos ela vai ser cobrada sobre a dimensão da área dos estabelecimentos (e, não, p.ex., sobre o volume das vendas). Ora, se for assim, a taxa acaba por ser um custo fixo das empresas, e, sendo um custo fixo, em principio não se irá repurcutir nos preços.

Possível contra-argumento: aumentando os custos fixos, isso levará algumas empresas a fecharem por se tornarem inviáveis - assim, ao reduzir a oferta e a concorrência, essa taxa poderá ir à mesma fazer subir os preços no consumidor (e/ou baixá-los no produtor).

Tuesday, April 10, 2012

Os proibicionistas

Diário da Assembleia da República de 17 de Fevereiro de 2012 [pdf]:


Mas o que é feito dos anti-proibicinistas do BE (é um pouco absurdo, parece-me, ser a favor da legalização de algumas drogas, ao mesmo tempo que se vota a favor de ilegalizar as que eram legais)? E, já agora, das alas "liberais" que parece que há no PSD e no CDS?

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

Sunday, April 08, 2012

A al-Qaeda debaixo da cama

As televisões e jornais (pelo menos, o Diário de Notícias) não se calam com uma suposta ligação dos separatistas tuaregues do Mali à al-Qaeda.

É possível? Talvez. No entanto é pouco consistente com outras notícias indicando que o exército do "Movimento Nacional para a Libertação de Azawad" seria composto largamente por tuaregues que teriam antes estado a combater na Líbia ao lado de Khaddaffy (contra revolucionários apoiados pela mesma al-Qaeda).

Wednesday, April 04, 2012

Saturday, March 24, 2012

O resultado imprevisto do Acordo Ortográfico

Os defensores do AO apresentaram-no como uma forma de uniformizar a escrita da língua portuguesa; alguns dos seus críticos dizem que é uma tirania estatista, com o Estado a querer mudar a maneira como as pessoas escrevem.

Mas, atendendo à carrada de comentadores que terminam as suas crónicas dizendo "Fulano escreve de acordo com a antiga ortografia", e aos correctores ortográficos que agora vêm em duas versões (pré- e pós-AO), parece-me que o resultado prático acabou por ser que, agora, o "Português de Portugal" tem duas normas ortográficas socialmente válidas (note-se que não digo legalmente válidas), e cada um pode escolher qual quer seguir sem se considerar que está a escrever "mal" - no fundo, entramos numa situação parecida com a da Galiza, em que há duas normas concorrentes sobre qual a forma "correcta" de escrever galego.

Ou seja, contrariamente aos objectivos do acordo, não se uniformizou nada (muito pelo contrário); por outro, inversamente ao que diziam alguns críticos, não há nenhuma estatização da língua: muito pelo contrário - neste momento, na prática, há muito mais liberdade para escrever de forma diferente da ortografia "estatal".

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

Friday, March 23, 2012

As indignações anti-indignação de Helena Matos

Um "tema de post" típico de Helena Matos é o "Anda tudo indignado com [determinado assunto]; no entanto...", seguindo-se uma descrição das razões pelo qual esses indignados estão errados, ou são contraditórios, ou hipócritas, ou coisa assim (exemplo A; exemplo B).

Por norma, essas "enormes indignações" ou "bolhas de indignação" que contesta são sobre assuntos que ninguém está a ligar senão ela...

"Os crimes que Nixon cometeu contra mim seriam legais"

Daniel Ellsberg: All the crimes Richard Nixon committed against me are now legal:

In the 1960s, Ellsberg was a high-level Pentagon official, a former Marine commander who believed the American government was always on the right side. But while working for the administration of Lyndon Johnson, Ellsberg had access to a top-secret document that revealed senior American leaders, including several presidents, knew that the Vietnam War was an unwinnable, tragic quagmire.


Officially titled "United States-Viet Nam Relations, 1945-1967: A Study Prepared by the Department of Defense,"–the Pentagon Papers, as they became known–also showed that the government had lied to Congress and the public about the progress of the war. In 1969, he photocopied the 7,000-page study and gave it to the Senate Foreign Relations Committee. In, 1971, Ellsberg leaked all 7,000 pages to The Washington Post, and 18 other newspapers, including The New York Times, which published them.

Not long after, he surrendered to authorities and confessed to being the leaker. Ellsberg was charged as a spy. His trial, on twelve felony counts posing a possible sentence of 115 years, was dismissed on grounds of governmental misconduct against him. In April 1973, the court learned that Nixon had ordered his so-called "Plumbers Unit" to break into the office of Ellsberg's psychiatrist to steal documents they hoped might make the whistle-blower appear crazy. In May, more evidence of government illegal wiretapping was revealed. The charges against Ellsberg were dropped. This led to the convictions of several White House aides and figured in the impeachment proceedings against President Nixon. (...)

Also, the PBS series POV is streaming “The Most Dangerous Man inAmerica: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers,” on June 13 and 14.


In this interview, Ellsberg says, "Richard Nixon, if he were alive today, would feel vindicated that all the crimes he committed against me–which forced his resignation facing impeachment–are now legal. " (Thanks to the Patriot Act and other laws passed in recent years.) And he says all presidents since Nixon have violated the constitution, most recently President Obama, with the bombing of Libya.

Thursday, March 22, 2012

Scitovsky and the Income-Happiness Paradox, por Mauricio Pugno e Cakes, capitalism & happiness, por Chris Dillow.

A tese dos autores - a razão porque, aparentemente, muitas vezes aumentos de rendimentos não vêm associadas a aumentos da felicidade auto-avaliada será porque a felicidade derivará mais de fazer coisas (cozinhar, tocar guitarra, escrever um blogue, etc.) do que de comprar coisas (um carro novo, uma casa nova, etc.).

Wednesday, March 21, 2012

Escola e criatividade

Creativity: Asset or burden in the Classroom? [pdf], por Erik Westby e V.L. Dawson - um estudo sobre a atitude dos professores face à criatividade e ao perfil comportamental dos seus alunos. A conclusão é que os professores dizem gostar de alunos criativos, mas ao mesmo tempo não gostam do "perfil comportamental" que normalmente é associado com a criatividade.

Teachers Don’t Like Creative Students, por Alex Tabarrok:

What the paper shows is that the characteristics that teachers use to describe their favorite student correlate negatively with the characteristics associated with creativity. In addition, although teachers say that they like creative students, teachers also say creative students are “sincere, responsible, good-natured and reliable.” In other words, the teachers don’t know what creative students are actually like.  (FYI, the research design would have been stronger if the researchers had actually tested the students for creativity.)
Uma ideia que me ocorre é se não estará a haver aqui uma confusão entre "criatividade" (ter ideias novas e originais) e "flexibilidade" (ter abertura perante as ideias novas e originais dos outros), e, quando os professores descrevem a sua ideia de um "aluno criativo", na verdade estão a descrever um "aluno flexível".

Marx estava certo?

Marx was right, por Chris Dillow:

- Some work by Jeremy Greenwood vindicates Marx’s claim that “the mode of production of material life conditions the general process of social, political and intellectual life.”
- The labour theory of value, much maligned as it is, does a rather good job of explaining relative prices
- Daniel Kahneman’s work on cognitive biases can be read as corroboration of Marx’s theory that capitalism generates an ideology which prevents people seeing its injustices.

- A lot of work in public choice is quite consistent with the Marxian view that “the executive of the modern state is but a committee for managing the common affairs of the whole bourgeoisie.”
Of course, Marx got some forecasts wrong*. Capitalism has not (yet!) collapsed - though it might yet - but in forecasting this he was largely elaborating upon the stationary state discussed by Smith and Ricardo.

But the fact is that, viewed from a narrowly empirical basis, Marxism scores rather well - and (arguably) quite possibly better than a lot of mainstream or neoliberal economics. Which raises the suspicion that the appeal of the latter over Marxism might rest on considerations other than empirical fact.

* We can leave central planning aside, as Marx probably wrote about as much on central planning as Adam Smith did on the invisible hand - which is to say, very little.

"blogspot.pt" - II

Afinal é fácil resolver o problema - se eu meter o link http://ventosueste.blogspot.com/ncr em vez de http://ventosueste.blogspot.com/, não é redirecionado para http://ventosueste.blogspot.pt/, não ficando preso no filtro anti-pornografia.

Mais informações: BlogSpot Published Blogs Being Accessed Using Country Code TLDs, em The Real Blogger Status; parece que a ideia é os blogues terem endereços diferentes conforme o país do leitor, de forma ao Blogger poder bloquear um blogue na Arábia Saudita ou na China sem o bloquear em Portugal.

Quando é que começa a vida de um zangão?

Para os que dizem que a vida começa com a concepção, e acrescentam que "não há qualquer dúvida científica sobre o que é o início da vida, seja ela vegetal ou animal. No pinheiro é o pinhão e na espécie humana é o zigoto", digam-me lá quando é que é o inicio da vida de um zangão.

Tuesday, March 20, 2012

"blogspot.pt"

Por qualquer razão, os endereços do Blogger passaram de "blogspot.com" a "blogspot.pt"; desde então que o filtro da internet no meu local de trabalho (para já, vamos assumir que eu costumo consultar os blogues na hora de almoço...) passou a considerá-los "pornografia" .

Será que o "gspot" activa automaticamente os filtros para a pornografia, e que estaria predefinida uma excepção para "blogspot.com" (que, com a mudança para ".pt", deixou de funcionar)?

Eu também

Vo Nguyen Giap will turn 101 this year.

Don't know why, but I just always assumed he'd been dead for decades.

Atenção que eu não vou fazer 101 anos; estamos era também convencido que Giap (o general vietnamita que derrotou americanos e  franceses) já teria morrido.

JOSEPH KONY, AMERICA'S PRETEXT TO INVADE AFRICA: US Marines Dispatched to Five African Countries

In a recent decision, the Pentagon confirms the sending in of Marine Special Forces to train Ugandan troops in the fight not only against Joseph Kony's Lord's Resistance Army (LRA) but also against Al Shabab in Somalia. Joseph Kony is being used as a pretext for outright military intervention in five African countries.

E ainda não pararam

De vez em quando gosto de relembrar esta história (e outras) contadas por Erik von Kuehnelt-Leddihn:

"Wilson was a genuine ideologue in the narrow sense of the term; his plan, unfortunately, was not to make democracy safe for the world, but rather to make the world safe for democracy. He was working towards a Djihad, a holy war to extend what he considered the American form of government. This was already evident in his dealings with Mexico before America's entry into World War I.

About America'sneighbor south of the Rio Grande he said, "Our friendship is a disinterested friendship, so far as our aggrandizement goes ... leaving them to work out their own destiny, but watching them narrowly and insisting that they shall take help when help is needed. "23

What sort of help he thought about we can gather from a conversation between Walter Hines Page, his ambassador, and Sir Edward Grey, Britain's Foreign Secretary. Page recorded it himself:

GREY: Suppose you have to intervene, what then?
PAGE: Make'em vote and live by their decisions.
GREY: But suppose they will not so live?
PAGE: We'll go in again and make 'em vote again.
GREY: And keep this up for 200 years?
PAGE: Yes. The United States will be here for 200 years and it
can continue to shoot men for that little space till they learn
to vote and rule themselves. 24"

Democracia, Ditadura e Progresso Tecnológico

Democracy, Dictatorship and Technological Change [pdf], por Carl Knutsen (Universidade de Oslo):

Abstract



This paper investigates how regime type afects technological change, arguably the most important determinant of long term economic growth. The paper's main hy- pothesis is that democracies have higher technology-induced economic growth than dictatorships. This hypothesis is deduced from a formal model where dictators are assumed to value both personal consumption and staying in office. In the model, dictators can restrict civil liberties and diffusion of information, which reduces economic growth, but increases dictators' probability of surviving in office. The model also implies that dictators enforce harsher restrictions on civil liberties if the global rate of technological change is low, if the capital shares of their economies are high, if their ability to discern politically dangerous from economically relevant information is poor, and if their positions in office are insecure. The hypothesis that democracies have higher technology-induced growth is tested on an extensive dataset, including data from more than 100 countries with some time series going back to the 19th century.

The hypothesis finds robust empirical support: Democracies produce higher Total Factor Productivity growth than dictatorships. The paper also discusses the hypothesis that dictatorships with high bureaucratic quality can mitigate democracies' advantage in generating technological change. This hypothesis finds only partial support.

Monday, March 19, 2012

Inglês extraditado para os EUA por... linkar

US wins extradition of British student over UK-based website (Russia Today, via LewRockwell.com):

A 23-year-old student from the UK will be extradited to the United States to face trial for operating a website overseas that linked visitors to external pages that hosted copyrighted material.


Richard O'Dwyer of Sheffield Hallam University in northern England will soon find himself on American soil following the United States’ recent victory in an attempt to extradite the student stateside over a website he ran. American authorities attest that O’Dwyer’s TVShack website, while not in violation of any UK laws where he lived and operated it, infringed on American copyright legislation.  (...)
O’Dwyer’s case is similar to that of Megaupload.com founder Kim Dotcom, who is facing a possible extradition from New Zealand to the US over his own site, one which provided file-sharing services for users and made money off of selling ads and subscriptions. Unlike Dotcom, however, O’Dwyer did not host any illegal material or allow users to commit crimes by uploading such. Instead, rather, O’Dwyer managed a website that just contained links to other site, something his attorney says is on par with the services Google offers.


"If Richard appears to have committed a crime in this country – then try him in this country,” he mother, Julia, tells BBC today. She adds that she believes that her son was “sold down the river” by the government and cautions others to be weary of UK officials siding with pressure from the US.

Tide - o novo grande negócio da economia clandestina?

Tide Detergent Being Stolen From Stores Across the Country (Yahoo News):

Tide laundry detergent is meant to be used for household cleaning purposes, but thieves are turning it into something dirty. Authorities are reporting a spike in thefts of Tide, and in some cities they are setting up task forces where the detergent is sold to track the number of bottles in stores. Police believe thieves are using the soap on the black market, which retails for $10-$20, to buy drugs. On the black market, Tide is often referred to as "liquid gold" and can go for $5-$10 per bottle.

Last year, in St. Paul, Minnesota, a man is alleged to have stolen $25,000 worth of Tide over 15 months before authorities captured him. Stores such as CVS have amped up security measures to prevent theft; at some locations the detergent is kept in a locked container and an employee must retrieve it for customers.

So why is Tide the only detergent being targeted? Authorities list several reasons: Tide is instantly recognizable because of its Day-Glo orange bottle; it is one of the most expensive brands of laundry detergent; and it does not have serial numbers, so it cannot be tracked.
Ou é apenas um rumor posto a circular na internet para ver quem é que acredita na história (ver os comentários a este post sobre o assunto)?